quarta-feira, 15 de março de 2017

Adubação do Abacaxi



Adubação

A adubação deve ser realizada de acordo com a análise do solo (Tabela 2). Entretanto, para solos com baixa fertilidade, recomenda-se ainda a aplicação de 10 t/ha de esterco de gado curtido no sulco de plantio. Os adubos devem ser aplicados no solo (junto às plantas) ou nas axilas das folhas basais. Evitar que o adubo caia no olho da planta. Em solos pobres recomenda-se ainda aplicar na 1ª adubação 3 kg de sulfato de cobre, 3 kg de sulfato de zinco, e 5 kg de sulfato de ferro, repetir a mesma quantidade na 2ª adubação, aplicar na 3ª adubação 4 kg de bórax.

Tabela 3. Recomendação de adubação de cobertura do abacaxizeiro, com base no resultado da análise do solo


Nutriente

Tempo após o plantio

1º ao 2º mês

5º ao 6º mês

8º ao 9º mês

N (kg/ha)

Nitrogênio

80

110

130

P2O5 (kg/ha)

Fósforo no solo (mehlich) mg P/dm³




Até 5

80



6 a 10

60



11 a 15

40



K2O (kg/ha)

Potássio no solo (Mehlich) mg K/dm³




Até 30

120

160

200

31-60

80

110

130

61-90

60

80

100

Deve ser efetuada sempre de acordo com a análise do solo da área. Para que haja melhor aproveitamento dos nutrientes, os adubos devem ser aplicados sob boas condições de umidade no solo. Portanto, é importante que o esquema de aplicação de adubos seja estabelecido em função da ocorrência de chuvas na região. Da Tabela 2 constam recomendações de adubação para o abacaxizeiro, no primeiro ciclo, considerando as alternativas de parcelamento das doses totais de nitrogênio e potássio em duas ou três vezes. Para adubações no segundo ciclo da cultura (soca) devem ser usadas doses de adubos que correspondam à metade daquelas recomendada para o primeiro ciclo.


Tabela 2.  Recomendações de adubação para a cultura do abacaxi em Itaberaba, BA
Nutrientes
Em cobertura – Após plantio

kg de N, P2O5 e K 2O / ha

Duas aplicações

Três aplicações
Nitrogênio
85
125
60
70
80
Fósforo no solo (mg P/dm³)
Até 5
50
50
6 - 10
40
40
11 - 15
30
30
Potássio no solo 
(mg K/dm³)
Até 30
105
155
75
85
100
31 - 60
85
125
60
70
80
61 - 90
60
95
45
50
60
90 - 120
40
65
30
35
40

Os adubos devem ser aplicados no solo, quando da primeira adubação, e/ou nas axilas das folhas basais, na segunda e terceira adubações. 

É recomendado, logo após as adubações, um "chegamento de terra" às plantas, de modo que os adubos fiquem cobertos, reduzindo-se assim as possíveis perdas de nutrientes. Não deixar cair terra ou adubo no olho da planta. 
As fontes de nutrientes devem ser escolhidas considerando-se, dentre outros aspectos, o custo por unidade de N, P2O5 e K2O. 
As alternativas mais freqüentes para a adubação nitrogenada são: a uréia e o sulfato de amônio. Como fonte de fósforo pode-se utilizar o superfosfato triplo, o fosfato monoamônico, o fosfato diamônico ou o superfosfato simples, sendo que este último é também boa fonte de enxofre. O potássio pode ser suprido mediante o cloreto de potássio, sulfato de potássio ou sulfato duplo de potássio e magnésio, sendo que as duas últimas fontes, além de mais caras, são menos freqüentes no comércio. 
A utilização de adubos orgânicos (estercos, tortas vegetais, compostos), quando possível, é particularmente importante nos solos de textura arenosa e pobres em matéria orgânica, muito freqüentes na Região. Estes adubos devem, em princípio, ser aplicados por ocasião do plantio ou na primeira adubação em cobertura. 
Quando necessário, as adubações sólidas podem ser complementadas por adubações líquidas, via pulverizações foliares. Este recurso é mais utilizado para a aplicação de nitrogênio (uréia na concentração de 3% a 5%), potássio (cloreto de potássio na concentração de 1% a 3%), magnésio (sulfato de magnésio na concentração de 0,5% a 2,5%) e micronutrientes. De modo a evitar "queima" nas plantas, a concentração total dos adubos na solução não deve passar de 8% e as pulverizações devem ser feitas nas horas mais frescas do dia (início da manhã ou final da tarde/início da noite). 
A urina de vaca pode ser utilizada, de forma isolada ou na mistura com adubos foliares, em quantidades que variam de10 a 25mL litro-1 (1,0 a 2,5%), usando-se as concentrações mais baixas em plantas mais novas (até quatro meses de idade).



Havendo necessidade de correção da acidez, indicada pelas análises de solo, dar preferência ao calcário dolomítico, que deverá ser aplicado antes da implantação da cultura, fazendo-se, em seguida a incorporação do corretivo ao solo, pelos meios disponíveis na propriedade (equipamentos de tração mecanizada ou tração animal ou, então, manualmente).

A planta de abacaxi vive bem em solos ácidos, mas, quando a acidez é muito alta, é necessário aplicar calcário para corrigir o solo. Esta prática, denominada de calagem, depende dos resultados da análise do solo para ser feita de modo certo. O pH do solo deve ficar em torno de 4,5 a 5,5 e a sua saturação por bases deve atingir 50%.
Se for preciso fazer a calagem, deve-se usar, de preferência, um calcário dolomítico (que contém magnésio, nutriente muito importante para o abacaxizeiro). O calcário deve ser aplicado e incorporado ao solo entre 60 e 90 dias antes do plantio do abacaxi, para que o seu resultado seja mais satisfatório. Dai a importância de se tirar a amostra de solo e enviar para o laboratório dois a três meses antes da época prevista para o plantio. 

Adubação

O abacaxizeiro é exigente em nutrientes e muitos solos não os têm nas quantidades que a planta precisa. Assim, é importante fazer a adubação para fornecer os nutrientes que estão ausentes no solo, que, desta forma, irá aumentar a produção e melhorar a qualidade do fruto de abacaxi produzido.
Para o Extremo Sul da Bahia, as recomendações de adubo para a cultura do abacaxi podem ser feitas com base nas Tabelas 1 a 3.

Tabela 1.  Recomendação de adubação fosfatada para o abacaxizeiro no Extremo Sul da Bahia, com base em resultados analíticos de solo (densidade em torno de 38.461 plantas/ha).
Fósforo no solo (Mehlich) mg de P dm-3
P2O5(Kg/ha)
P2O5(g/planta)
Superfosfato simples (g/planta)
Superfosfato triplo (g/planta)
Até 5
90
2,34
13,0
5,5
6 a 10
60
1,56
8,7
3,8
11 a 15
40
1,04
5,7
2,5
Fonte: Adaptado de Oliveira et al. (2006).

Tabela 2.  Recomendação de adubação nitrogenada para o abacaxizeiro no Extremo Sul da Bahia (densidade em torno de 38.461 plantas/ha).
Em cobertura - Após o plantio
10 ao 20 mês
40 ao 50 mês
60 ao 70 mês
80 ao 90 mês
Nitrogênio (Kg/ha)
60
80
80
90
Nitrogênio (g/planta)
1,56
2,08
2,34
2,34
Uréia (g/planta)
3,5
4,6
5,2
5,2
Sulfato de amônio (g/planta)
7,8
10,4
11,7
11,7
Fonte: Adaptado de Oliveira et al. (2006).
Tabela 3.  Recomendação de adubação potássica para o abacaxizeiro no Extremo Sul da Bahia, com base em resultados analíticos de solo (densidade em torno de 38.461 plantas/ha).
Em cobertura - Após o plantio
10 ao 20 mês
40 ao 50 mês
60 ao 70 mês
80 ao 90 mês
Potássio no solo
Até 30 mg de K dm-3
K2(Kg/ha)
90
120
135
135
K2(g/planta)
2,34
3,12
3,51
3,51
Cloreto de potássio (g/planta)
4,1
5,3
6,0
6,0
Sulfato de potássio (g/planta)
4,6
6,2
7,0
7,1
Potássio no solo
De 31 a 60 mg de K dm-3
K2(Kg/ha)
60
80
90
90
K2(g/planta)
1,56
2,08
2,34
2,34
Cloreto de potássio (g/planta)
2,7
3,6
4,1
4,1
Sulfato de potássio (g/planta)
3,2
4,1
4,6
4,6
Potássio no solo
De 61 a 90 mg de K dm-3
K2(Kg/ha)
45
60
70
70
K2(g/planta)
1,17
1,56
1,82
1,82
Cloreto de potássio (g/planta)
2,0
2,7
3,2
3,2
Sulfato de potássio (g/planta)
2,4
3,2
3,7
3,7
Potássio no solo
De 91 a 120 mg de K dm-3
K2(Kg/ha)
30
40
50
50
K2(g/planta)
0,78
1,04
1,30
1,30
Cloreto de potássio (g/planta)
1,4
1,8
2,3
2,3
Sulfato de potássio (g/planta)
1,6
2,1
2,6
2,6
Fonte: Adaptado de Oliveira et al. (2006).



Na cova ou sulco de plantio deve-se aplicar os adubos fosfatados (ver Tabela 1) e também os adubos orgânicos. Recomenda-se que para cada muda seja utilizado 0,5 L de esterco de gado ou de outra fonte de adubo orgânico, como um composto produzido pelo próprio produtor.
Os adubos nitrogenados e potássicos podem ser misturados e aplicados juntos, visto que as épocas de aplicação dos dois são as mesmas. Quando se fizer tais misturas na propriedade deve-se dar preferência aos adubos que tenham a mesma granulação (misturar granulado com granulado ou adubo em pó com adubo em pó). Não é recomendável misturar adubo em pó com adubo granulado.
Se não forem adicionados antes do plantio, os adubos orgânicos e fosfatados podem ser aplicados com os adubos nitrogenados (uréia ou sulfato de amônio) e potássicos (cloreto de potássio), após o plantio, no solo, junto às plantas (1ª adubação) ou nas bases das folhas mais velhas (2ª e 3ª adubação) (Figura 1). As adubações devem ser feitas em períodos de boa umidade no solo, pois com o solo seco, a planta não pode aproveitá-las.

As adubações foliares devem ser feitas nas horas menos quentes do dia (no início da manhã ou no final da tarde), para que não ocorram queimaduras nas folhas. Deve-se, também, ter o cuidado de usar, em cada pulverizador, as quantidades de adubos e de água recomendadas pelos técnicos. Se a calda ficar muito "forte" ou escorrer muito e acumular na base das folhas pode também causar queimaduras. Uma das vantagens da aplicação dos adubos dissolvidos na água é que, mesmo com o solo seco, fica mais fácil o aproveitamento do adubo pela planta.
Os adubos podem ser também aplicados na forma líquida (dissolvidos em água), sobretudo nos períodos secos. Para este tipo de aplicação os pequenos e médios produtores utilizam, em geral, os pulverizadores costais, com pulverizações sobre as folhas do abacaxizeiro. Esta alternativa é mais utilizada para a aplicação de nitrogênio (uréia na concentração de 2% a 5%) e potássio (cloreto de potássio na concentração de 1% a 3%). Mas, pode também ser uma alternativa para a aplicação de magnésio (sulfato de magnésio na concentração de 0,5% a 2,5%).Deve-se evitar que os adubos caiam nas folhas mais novas (superiores) ou no centro da roseta foliar, pois podem causar prejuízos e até a morte da planta. Alguns agricultores adotam o uso de um funil acoplado à um cano de PVC, para facilitar a aplicação do adubo de forma localizada (Figura 2). É recomendado, após as adubações, que se faça uma amontoa (chegar terra para a base da planta), para cobrir os adubos que foram aplicados.







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Variedades de Abacaxi


Cultivares (variedades)

Na escolha da variedade deve-se levar em conta o destino da produção (consumo "in natura" ou indústria). As cultivares mais conhecidas no Brasil são: Pérola ou Branco de Pernambuco, Smooth Cayenne, Perolera e Primavera. Entretanto, a cultivar mais plantada em Rondônia é a Quinari.

1 - Smooth Cayenne: É a cultivar mais plantada no mundo, correspondendo a 70% da produção mundial, conhecida também por abacaxi havaiano. É uma planta robusta, de porte semi-ereto e folhas praticamente sem espinhos. O fruto tem formato cilíndrico, com peso entre 1,5 e 2 quilos, apresenta coroa relativamente, pequena, casca de cor amarelo-alaranjada e polpa amarela, firme, rica em açucares, e de acidez elevada. É adequada para industrialização e consumo in natura. Mostra-se susceptível à murcha, associada à cochonilha e à fusariose. Produz pequena quantidade de mudas do tipo filhote e rebentões freqüentes.

2 - Pérola: Também conhecida, como Pernambuco ou Branca de Pernambuco. Caracteriza-se por apresentar plantas eretas, folhas longas providas de espinhos, pedúnculos longos, numerosos filhotes e poucos rebentões. O fruto é cônico com casca amarelada, polpa branca, pouco ácida, suculenta, saborosa, peso médio entre 1 e 1,5 kg e apresenta coroa grande. Suscetível à fusariose e à cochonilha, porem menos que a Smooth Cayenne.

3 - Perolera: A planta caracteriza-se por apresentar altura em torno de 51 cm, folhas verdes claras, sem espinhos, com uma faixa prateada bem visível pedúnculo longo, grande produção de filhotes e pouca produção de rebentões. O fruto é cilíndrico com peso médio de 1,8 kg, casca e polpa amarela. É resistente à fusariose.

4 – Primavera: A planta apresenta porte semi-ereto, folhas de cor verde-clara, sem espinhos nos bordos, produz em média oito filhotes e um rebentão. O fruto apresenta tamanho médio, forma cilíndrica, casca amarela quando maduro, polpa branca e peso em torno de 1,5 kg, com sabor agradável. É resistente a fusariose.

5 – Quinari: Cultivar muito parecida com a variedade "Pérola", apresenta porte ereto, altura da planta (solo até a base do fruto) de 50,6 cm, comprimento do pedúnculo de 35,0 cm, folhas de cor verde, com espinhos nos bordos, curtas ( comprimento de 83,4 cm), produz em média 12 filhotes e nenhum rebentão precoce. Apresenta fruto cilíndrico, com frutilhos pequenos, peso médio sem coroa de 1,7 kg, casca e polpa amarelas quando maduro, apresenta sabor agradável para consumo "in natura", com alto teor de sólidos solúveis totais (13,4°Brix) e média acidez total titulável (10,1 ml NaOH 0,1 N/10 ml suco). Possui coroa pequena (17,7 cm de comprimento). Apresenta tolerância à cochonilha do abacaxi (Dysmicoccus brevipes) e suscetibilidade a fungos causadores de podridões no fruto e ao ataque do percevejo do abacaxi (Thiastocotis laetus).

Embora a ‘Pérola’ seja a cultivar mais plantada no Brasil, e, em especial, no Tocantins, juntamente com a Jupi, existem outras que podem ser plantadas para exploração comercial. Algumas cultivares com suas principais características são apresentadas a seguir.

‘Pérola’

Planta de tamanho médio e crescimento ereto, folhas de coloração verde escura, armadas de espinhos, pedúnculo longo, e muitas mudas do tipo filhote. O fruto é cônico, de casca verdosa na maturação aparente, com polpa branca, sucosa, alto teor de sólidos solúveis totais e acidez titulável moderada. Apresenta tolerância à murcha associada à cochonilha e suscetibilidade à fusariose.

‘Jupi’

Semelhante à ‘Pérola’, diferindo desta por apresentar folhas mais longas e fruto cilíndrico. A ‘Jupi’ é mais conhecida nos estados da Paraíba, Pernambuco e Tocantins.

‘Smooth Cayenne’

Planta de porte ereto, folhas de coloração verde escura, com espinhos curtos apenas na base e no ápice, pedúnculo curto e poucas mudas do tipo filhote. O fruto é cilíndrico, de casca alaranjada na maturação aparente, polpa amarela, firme, rica em açúcares e acidez titulável elevada. Essa cultivar é susceptível à murcha e à fusariose.

‘Gold’

Semelhante a ‘Smooth Cayenne’, diferindo desta por apresentar fruto de casca dourada na maturação aparente, acidez titulável mais baixa e maior vida de prateleira. A ‘Gold’ é susceptível à murcha e à fusariose.

‘BRS Imperial’

Planta de folhas lisas, pedúnculo curto e muitas mudas do tipo filhote. O fruto é cilíndrico, de casca amarela na maturação aparente, polpa amarela com alto teor de sólidos solúveis totais e acidez titulável moderada. A cultivar BRS Imperial é resistente à fusariose e ao distúrbio fisiológico pós-colheita, conhecido como escurecimento interno.

‘BRS Vitória’

Planta de folhas lisas, pedúnculo curto e produção de muitos filhotes. Fruto cilíndrico, de casca amarela na maturação aparente, polpa branca com alto teor de sólidos solúveis totais e acidez titulável moderada. Apresenta resistência à fusariose.

‘BRS Ajubá’

Planta com folhas lisas, pedúnculo curto e boa produção de mudas do tipo filhote. O fruto é cilíndrico, de casca amarela na maturação aparente, polpa amarela, alto teor de sólidos solúveis totais e acidez titulável moderada. ‘BRS Ajubá’ é resistente à fusariose e apresenta maior tolerância ao frio do que as cultivares tradicionais como a ‘Pérola’.

‘Fantástico’

Planta com folhas com espinhos curtos apenas na base e no ápice, pedúnculo curto e grosso e fruto de formato intermediário entre ‘Pérola’ e ‘Smooth Cayenne’. Na maturação aparente, o fruto apresenta casca de amarela a alaranjada, polpa amarela, com alto teor de sólidos solúveis totais e acidez titulável baixa. Apresenta resistência à fusariose.





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Colheita e Pós-Colheita do Abacaxi


Colheita e pós-colheita

As atividades de colheita compreendem os cuidados na fase imediatamente anterior a colheita (pré colheita), determinação do ponto de colheita, decisão de colheita e transporte do campo até o galpão pós-colheita (local destinado à seleção, tratamento e acondicionamento para encaminhar para a comercialização).

Determinação do ponto de colheita

O abacaxi não amadurece após a colheita, sendo portando necessário sua colheita após seu completo desenvolvimento fisiológico. A concentração de açúcares deve ser medida com um refratômetro e deve ser maior que 19° Brix no verão e 14,5° Brix no inverno. Os frutos devem ser colhidos em estádios de maturação diferentes, de acordo com o seu destino e a distância do mercado consumidor.
Indústria – Deve ser colhido maduro (casca mais amarela que verde);
Mercado "in natura" e mercados distantes – Devem ser colhidos "de vez", quando surgem os primeiros sinais de amarelecimento da casca;
Mercado "in natura" e mercados locais – Frutos com até a metade da casca amarela.
Entretanto, alguns fatores também devem ser levados em consideração, para se definir o ponto de colheita com base na coloração da casca do fruto:
  • Quanto maior o fruto menos a casca se descolore, ou seja frutos grandes com coloração amarela apenas na base pode estar mais maduro do que um fruto pequeno com toda a casca amarela;
  • Em períodos frios e secos os frutos se colorem mais do que naqueles quentes e úmidos. Ou seja frutos colhidos no inverno devem ser colhidos com a coloração da casca mais amarela do que os frutos colhidos no verão;
  • Adubações ricas em potássio e pobres em nitrogênio favorecem a coloração da casca e com adubações pobres em potássio e ricas em nitrogênio ocorre o contrário;
  • Variedades, frutos da variedade Smooth Cayenne colorem-se menos do que os da variedade Pérola;
Para uniformizar a coloração da casca , usar em frutos maduros com casca apresentando início de amarelecimento produtos à base de etefon. Para isso, utiliza-se de 1ml a 2 ml do produto comercial (24% de etefon) por litro de água. Na cultivar Smooth Cayenne, este tratamento pode ser realizado através de pulverização, 4 a 7 dias antes da colheita. Na cultivar Pérola, o mais indicado é a utilização da imersão, sem atingir a coroa.

Colheita

A colheita pode ser feita com o auxílio de um facão, com o colhedor utilizando luva grossa para proteger as mãos. Não colher frutos verdes, pois, eles não amadurecem após colhidos. O operário segura o fruto pela coroa e corta o pedúnculo 3 a 5 centímetros abaixo da base do fruto. Os frutos colhidos são entregues a outros operários que os transportam em cestos, balaios, caixas ou carrinhos de mão, até o caminhão ou carreta. Os frutos devem ser colhidos e transportados com o máximo cuidado possível para evitar danos mecânicos e redução na qualidade do produto. A grande maioria dos frutos é utilizada para o consumo "in natura", entretanto, existe uma agroindústria em Pimenta Bueno-RO, que vem comprando frutos dos produtores para industrialização dos frutos.

Classificação dos frutos

Em geral, os frutos colhidos são acondicionados, no campo, em caminhões e transportados diretamente para a comercialização.
Entretanto, as exigências por qualidade têm crescido muito, neste sentido deve-se seguir as seguintes recomendações:
Após a colheita dos frutos, estes devem ser levados para um barracão, chegando lá, as frutas devem sofrer um acabamento para que sua aparência seja melhorada e para que o ataque por patógenos seja diminuído. Por isso, os abacaxis têm o tamanho do seu pedúnculo reduzido de 5-6cm para 2-3cm e a superfície do corte tratada com desinfetante para prevenir contra o ataque de fungos e bolores com uma solução de benomyl a 4.000 ppm, para evitar a podridão negra. A coroa pode ou não ser retirada, mas se a preferência for por eliminá-la, também deve ser realizado um tratamento desinfetante na inserção. Os frutos deverão ser submetidos a uma seleção, eliminado-se aqueles com defeitos. Aqueles que não apresentarem defeitos devem ser classificados por tamanho e se possível por maturação. Na separação por tamanho pode se dividir os frutos em pequenos, médios e grandes. Quanto à maturação, os frutos podem ser divididos em 1/3 maduros, ½ maduros e totalmente maduros. Após isto os frutos estão prontos para serem embalados e transportados para os locais de distribuição. Em Rondônia os frutos são classificados em Primeira (peso superior a 1,5 kg) e Segunda (peso inferior a 1,5 kg).

Embalagem

As embalagens quando apropriadas, ajudam a manter a qualidade dos frutos durante o transporte e a comercialização, além de melhorar a apresentação do produto. Assim, depois de corretamente selecionadas, as frutas passam para a etapa de embalagem, que pode ser feita em caixas de madeira (só aceitas no mercado nacional) e caixas de papelão. No Brasil ainda é comumente utilizado o transporte a granel, isto é, sem qualquer tipo de embalagem, fato esse que não é recomendado devido às grandes perdas que acontecem.
As frutas, a serem embaladas, são dispostas verticalmente nas caixas de papelão e separadas umas das outras por folhas também de papelão para evitar o atrito entre as mesmas. O fundo dessas caixas são forrados com mais uma camada de papelão e suas laterais possuem orifícios por onde ocorre a entrada e saída de ar necessários para manter a fruta em boas condições. A capacidade das caixas varia de acordo com o tamanho das frutas e comporta em média 6, 12 ou 20 delas, dependendo do tamanho da caixa.

Rotulagem

A rotulagem da embalagem é importante, pois ajuda a identificar o produto, facilitando o manuseio pelos recebedores.

Armazenamento

As caixas com as frutas devem ser armazenadas a uma temperatura constante, que não pode ser menor que 7°C, pois podem ocorrer injúrias na casca das frutas causadas pelo frio excessivo (chilling), nem superior a 10°C, já que acima desta temperatura a susceptibilidade ao ataque de fungos é aumentada.
A umidade relativa do ar deve estar em torno de 90%. Sob estas condições é possível conservar as frutas por até quatro semanas.

Transporte

O transporte do abacaxi, geralmente, é feito em caminhões não refrigerados, a granel. Para não causar injúrias aos frutos, estes devem ser acolchoados. Na cultivar Pérola pode-se usar os próprios filhotes, e no caso da Smooth Cayenne, que não tem filhotes, deve-se utilizar capim. Os frutos devem ser colocados em camadas alternadas e deve-se cobrir o caminhão com uma lona, para evitar injúrias causadas pelo vento. Se o destino das frutas for um local distante do local de produção, o transporte deve ser feito em caminhões refrigerados. Porém, se não for possível transportar a carga a longas distâncias neste tipo de caminhão, pode-se realizar o transporte à temperatura ambiente, porém à noite, sempre cobrindo a carga com uma lona.

Manejo da Soca (segundo ciclo) 

Considera-se como segunda colheita a produção obtida de brotações da planta-mãe, após a retirada do primeiro fruto. Em plantios bem conduzidos, com bom estado fitossanitário, pode-se colher uma 2ª safra (soca) desde que, as brotações recebam alguns tratos culturais necessários ao seu desenvolvimento, como: controle de plantas daninhas, adubação (metade da recomendada no 1º ciclo) aplicadas em duas vezes, indução floral entre 6 a 8 meses após a primeira colheita e controle fitossanitário.

Colheita

O ponto de colheita depende da cultivar, da região produtora, da época da colheita e das exigências, e da distância do mercado de destino, levando-se em conta também aspectos técnicos. Os frutos devem apresentar polpa com teor de açúcar de, no mínimo, 12º Brix. A colheita deve ser organizada em trabalho de equipe, com cortadores, carregadores e arrumadores. Esta atividade é feita por meio do corte do pedúnculo ou “quebrando-se” o pedúnculo rente à base do fruto, com facão ou faca do tipo “peixeira”, sendo que o colhedor deve estar com as mãos protegidas com luvas de lona grossa. O operário segura o fruto pela coroa com uma mão e corta o pedúnculo cerca de três a cinco centímetros abaixo da base do fruto. O corte deve ser feito de tal forma que apenas duas a quatro mudas do cacho de filhotes permaneçam aderidas ao seguimento do pedúnculo (processo chamado “sangria”), as demais mudas devem permanecer na planta para uso como material de plantio. Quando os frutos se destinarem a mercados próximos ou à indústria, esses podem ser colhidos “quebrando-se” o pedúnculo rente à base do fruto, deixando os filhotes na planta, para serem colhidos posteriormente.
Em geral, no Estado do Tocantins, o abacaxi é colhido cinco meses após o tratamento de indução floral. A colheita deve ser realizada de maneira cuidadosa, evitando danos à superfície dos frutos, inclusive durante o transporte, seja até o local de embalagem ou ao mercado consumidor. Por questões de higiene, não se deve amontoar os frutos sobre o solo, evitando assim a contaminação superficial.

Manejo Pós-Colheita, Embalagem e Transporte

O manejo pós-colheita dos frutos deve ser ajustado às exigências atuais dos consumidores e compradores quanto à qualidade do mesmo. Aqueles destinados à indústria exigem menos cuidados, sendo colhidos e imediatamente acondicionados nos caminhões para o seu transporte.
Frutos destinados para o mercado interno a longas distâncias são colhidos, transportados em carriolas ou carros de mão para fora do plantio (Figura 1), onde são selecionados e arrumados no caminhão. Alguns produtores já praticam a colheita semimecanizada (Figura 2), aumentando a eficiência do trabalho e reduzindo as perdas por manuseio inadequado do fruto.
Figura 1. Carro de mão adaptado com caixas plásticas para colheita de abacaxi
Foto: Aristoteles Pires de Matos
Figura 2. Colheita semimecanizada de abacaxi ‘Pérola’
O transporte para o mercado consumidor pode ser feito de duas maneiras: 1) a granel, usando-se camadas de capim para separar os frutos, reduzindo, assim, o atrito entre eles (Figura 3); 2) acondicionados em caixas padronizadas de papelão (Figura 4). É recomendável a etiquetagem individual dos frutos, assegurando sua qualidade e origem, agregando valor aos mesmos.
Foto: Aristoteles Pires de Matos
Figura 3. Frutos de abacaxi ‘Pérola’ acondicionados a granel em caminhão, com camada de capim como proteção dos frutos
Fotos: Aristoteles Pires de Matos
Figura 4. Frutos de abacaxi acondicionados em caixa de papelão para serem transportados ao mercado consumidor









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