segunda-feira, 28 de agosto de 2023

Sistema Orgânico para Produção de Abacaxi


A Lei No 10.831, de 23 de dezembro de 2003, em seu Art. 1º, dispõe sobre a agricultura orgânica, conforme texto a seguir: ?Considera-se sistema orgânico de produção agropecuária todo aquele em que se adotam técnicas específicas, mediante a otimização do uso dos recursos naturais e socioeconômicos disponíveis e o respeito à integridade cultural das comunidades rurais, tendo por objetivo a sustentabilidade econômica e ecológica, a maximização dos benefícios sociais, a minimização da dependência de energia não renovável, empregando, sempre que possível, métodos culturais, biológicos e mecânicos, em contraposição ao uso de materiais sintéticos, a eliminação do uso de organismos geneticamente modificados e radiações ionizantes, em qualquer fase do processo de produção, processamento, armazenamento, distribuição e comercialização, e a proteção do meio ambiente?. A Embrapa Mandioca e Fruticultura, juntamente com a empresa Bioenergia Orgânicos, disponibiliza aos agricultores e aos técnicos em geral o primeiro sistema orgânico de produção para a cultura do abacaxi no Brasil. A publicação reúne informações técnicas sobre estabelecimento da cultura, preparo da área, seleção de variedades e mudas, práticas culturais, manejos de doenças, nematoides, insetos e ácaros, além dos manejos na colheita e pós-colheita, com base nos conhecimentos disponíveis e nos regulamentos aprovados para a produção orgânica de alimentos. Para receber a denominação de produto orgânico, a unidade de produção precisa cumprir a Lei Nº 10.831, de 23 de dezembro de 2003, e o Regulamento Técnico constante da Instrução Normativa 46, de 06/10/2011, complementada pela IN 17, de 18/06/2014, que estabelece as normas técnicas para os Sistemas Orgânicos de Produção Animal e Vegetal a serem seguidas por toda pessoa física ou jurídica responsável por unidades de produção de sistemas orgânicos ou por unidades de produção em processo de conversão. Assim, os produtos orgânicos são produzidos tendo a preocupação com o meio ambiente, buscando manejar de forma equilibrada o solo e os demais recursos naturais (água, plantas e animais), e mantendo a harmonia desses elementos entre si e com os seres humanos. Com o sistema proposto, espera-se contribuir para a melhoria do cultivo orgânico do abacaxizeiro, trazendo, como consequência, um produto ambientalmente correto, socialmente justo, economicamente viável e em conformidade com o disposto na Lei nº 10.831, de 23 de dezembro de 2003, no Decreto nº 6.323, de 27 de dezembro de 2007 e com a Instrução Normativa 17, de 18 de junho de 2014.

Sistemas orgânicos de produção de diferentes frutas estão sendo construídos de forma pioneira pela Embrapa com base em experimentos instalados na Chapada Diamantina (BA). Todos são resultados de um projeto realizado em parceria com a empresa Bioenergia Orgânicos no município de Lençóis que experimenta soluções para a produção de orgânicos em larga escala, algo ainda difícil de se fazer.

A Embrapa está elaborando protocolos de produção usando a estratégia de geração e validação simultânea dos resultados. Os resultados do primeiro ciclo de produção mostram níveis de produtividade superiores ao convencional.

As pesquisas abrangem as culturas do abacaxi, banana, manga e maracujá. Um exemplo de que a produção orgânica se baseia em séries de testes é o trabalho realizado com a BRS Imperial, que é naturalmente resistente à fusariose, a principal doença da cultura, ou seja, não é necessário aplicar agroquímicos.

Vale salientar que, para ser considerado orgânico, o produtor deve usar técnicas ambientalmente sustentáveis e não pode utilizar agrotóxicos nem adubos químicos solúveis, que devem ser aplicados rigorosamente de acordo com as instruções para que não haja excesso em relação à capacidade de absorção das plantas e, em longo prazo, não tragam danos ao ecossistema.

Apresentação 

A Lei No 10.831, de 23 de dezembro de 2003, em seu Art. 1º, dispõe sobre a agricultura orgânica, conforme texto a seguir: “Considera-se sistema orgânico de produção agropecuária todo aquele em que se adotam técnicas específicas, mediante a otimização do uso dos recursos naturais e socioeconômicos disponíveis e o respeito à integridade cultural das comunidades rurais, tendo por objetivo a sustentabilidade econômica e ecológica, a maximização dos benefícios sociais, a minimização da dependência de energia não renovável, empregando, sempre que possível, métodos culturais, biológicos e mecânicos, em contraposição ao uso de materiais sintéticos, a eliminação do uso de organismos geneticamente modificados e radiações ionizantes, em qualquer fase do processo de produção, processamento, armazenamento, distribuição e comercialização, e a proteção do meio ambiente”.

A Embrapa Mandioca e Fruticultura, juntamente com a empresa Bioenergia Orgânicos, disponibiliza aos agricultores e aos técnicos em geral o primeiro sistema orgânico de produção para acultura do abacaxi no Brasil. A publicação reúne informações técnicas sobre estabelecimento da cultura, preparo da área, seleção de variedades e mudas, práticas culturais, manejos dedoenças, nematoides, insetos e ácaros, além dos manejos na colheita e pós-colheita, com base nos conhecimentos disponíveis e nos regulamentos aprovados para a produção orgânica de alimentos.

Para receber a denominação de produto orgânico, a unidade de produção precisa cumprir a Lei Nº 10.831, de 23 de dezembro de 2003, e o Regulamento Técnico constante da Instrução Normativa 46, de 06/10/2011, complementada pela IN 17, de 18/06/2014, que estabelece as normas técnicas para os Sistemas Orgânicos de Produção Animal e Vegetal a serem seguidas por toda pessoa física ou jurídica responsável por unidades de produção de sistemas orgânicos ou por unidades de produção em processo de conversão.

Assim, os produtos orgânicos são produzidos tendo a preocupação com o meio ambiente, buscando manejar de forma equilibrada o solo e os demais recursos naturais (água, plantas e animais), e mantendo a harmonia desses elementos entre si e com os seres humanos.

Com o sistema proposto, espera-se contribuir para a melhoria do cultivo orgânico do abacaxizeiro, trazendo, como consequência, um produto ambientalmente correto, socialmente justo,economicamente viável e em conformidade com o disposto na Lei nº 10.831, de 23 de dezembro de 2003, no Decreto nº 6.323, de 27 de dezembro de 2007 e com a Instrução Normativa 17, de 18 de junho de 2014.    

Importância socioeconômica 

O abacaxizeiro, Ananas comosus (L) Merr var. comosus Coppens & Leal, é a principal cultura econômica da família Bromeliaceae que produz frutos altamente valorizados nos mercados nacional e internacional. Além de seus aroma e sabor, o abacaxi é também um fruto com elevado valor nutritivo, haja vista que cada 100 g de polpa fresca contêm 7 mg de fósforo; 113 mgde potássio; 7 mg de cálcio; 14 mg de magnésio; 0,37 mg de ferro; 0,11 mg de cobre; 1,65 mg de manganês; 0,6 μg de selênio; 3 μg de vitamina A; 31 μg de betacaroteno (precursor davitamina A); 0,09 μg de tiamina (vitamina B1); 0,036 mg de riboflavina (vitamina B2); 0,42 mg de niacina (vitamina B3); 0,16 mg de ácido pantotênico (vitamina B5); 0,09 mg devitamina B6; 11 μg de ácido fólico (vitamina B9); 15 mg de vitamina C; 1 μg de vitamina E; 0,7 μg de vitamina K; 0,50 g de proteína; 1,2 g de fibra (total); 1,7 g de glicose (dextrose);1,9 g de frutose; 8 g de açúcares totais; e 0,20 g de lipídios. Também apresenta baixo teor calórico, com apenas 490 kcal por quilograma de polpa fresca; 0,29 g de cinzas; e 86 g de água.

O abacaxi é produzido em mais de 89 países localizados, principalmente, na região tropical do planeta; porém, também em regiões sub tropicas da Índia, da Austrália e da África do Sul. O continente asiático é o maior produtor de abacaxi, sendo o país líder a Tailândia, como primeiro produtor mundial. O continente americano é o segundo maior produtor de abacaxi, tendo oBrasil como seu principal representante, ocupando a segunda posição no ranking dos produtores mundiais, tendo os estados do Pará, da Paraíba, de Minas Gerais, da Bahia e do Rio deJaneiro com seus principais produtores, com área colhida de 66.544 ha e rendimento de 38,950 toneladas/ha, e com o município de Floresta do Araguaia, no Pará, a maior área cultivadacom essa cultura no Brasil.

O cultivo comercial na grande maioria das regiões tropicais do mundo, assim como em algumas regiões subtropicais, contribui para fazer do abacaxi o terceiro fruto tropical mais importantedo planeta. Sua característica de tolerância faz do abacaxizeiro uma cultura com amplas possibilidades de adaptação em regiões semiáridas. Vale ressaltar que o Brasil, juntamente com as Filipinas e a Tailândia, lideram a produção mundial dessa fruteira, sendo que 70% são consumidos nos países produtores na forma de fruta fresca.

O abacaxizeiro pode ser cultivado em áreas degradadas, ajudando a reduzir as perdas do solo por erosão e, portanto, minimiza a degradação ambiental. Cultivado em consórcio com culturas de ciclo curto e/ou associado à cultura de cobertura, promove excelente cobertura do solo, contribuindo tanto para sua conservação quanto para a resiliência. Essas características aliadas ao desenvolvimento de variedades resistentes à fusariose, principal doença da cultura, e à tolerância à seca, o que possibilita seu cultivo em condições de sequeiro, faz do abacaxizeiro uma excelente alternativa para programas de produção orgânica.

Em uma visão mundial, a produção orgânica é considerada como excelente oportunidade para a solução de diversos problemas da agricultura no que se refere à sua sustentabilidade, alémde ocorrer uma demanda constante por produtos dessa natureza. Entretanto, a decisão de praticar a produção orgânica de abacaxi deve ser avaliada com bastante cuidado, levando-se emconta as obrigatoriedades e as necessidades desse sistema de cultivo. Todas as práticas de cultivo devem ser adequadas ao sistema orgânico de produção, cumprindo, assim, a legislaçãopertinente ao sistema.

Autores deste tópico:Aristoteles Pires de Matos  

 

Novas Variedades de Abacaxi



abacaxi BRS Ajubá


A cultivar de abacaxi BRS Ajubá é um híbrido, resultante do cruzamento entre cv. Perolera com a cv. Smooth Cayenne, com destaque para a resistencia à fusariose, principal doença do abacaxizeiro. O plantio desta variedade dispensa a utilização de fungicida para o controle da fusariose e é recomendada para a região noroeste do Rio Grande do Sul e especialmente para o vale do rio Uruguai, onde a cultivar foi avaliada durante três ciclos de produção. A planta tem porte médio e apresenta folha de cor verde escuro, totalmente desprovida de espinhos. O fruto é cilíndrico, com casca de cor amarela na maturação. A polpa é amarela, com elevado teor de açúcar e acidez titulável moderada. Apresenta peso médio do fruto sem a coroa de 1305,4g e tamanho médio de 15,8cm. Tem por diferencial os frutos mais pesados do que a tradicional cultivar Pérola e folhas completamente lisas.Os frutos obtidos podem ser destinados para o mercado de consumo in natura e para a industrialização, face a suas características sensoriais e físico-químicas.

abacaxi BRS Vitória

A cultivar de abacaxi BRS Vitória é uma variedade de abacaxi resistente à fusariose. Apresenta formato cilíndrico, folha de cor verde claro, sem espinhos nas bordas. Sua casca apresenta cor amarela na maturação. O fruto tem polpa branca, com elevado teor de açúcares e excelente sabor nas análises químicas e sensoriais, sugerindo que suas características relativas à acidez (0,8%) são superiores às do abacaxi 'Pérola'; e 'Smooth Cayenne', tendo ainda uma maior resistência ao transporte e em pós-colheita, o que pode facilitar a sua adoção pelos produtores e ter a preferência dos consumidores. Apresenta peso médio do fruto sem coroa de 1.427g. Os frutos obtidos podem ser destinados ao mercado de consumo in natura e para a agroindústria. Esta cultivar é um híbrido resultante do cruzamento da cv. Primavera com a cv. Smooth Cayenne.

ABACAXI BRS Imperial

Variedade de abacaxizeiro que resulta do cruzamento entre duas variedades: 'Perolera' e 'Smooth Cayenne'. O BRS Imperial é resistente à fusariose, principal doença da cultura, gerando frutos de excelente qualidade, doces e com uma coloração que chama a atenção. Apresenta elevado teor de açúcar, acidez titulável moderada, alto conteúdo em ácido ascórbico (antioxidante) e excelente sabor nas análises sensoriais realizadas. A planta tem porte médio e apresenta folha de cor verde-escura, sem espinhos nas bordas. Os frutos são menores do que os do 'Pérola', têm formato cilíndrico e casca de cor amarelo-intenso na maturação. A polpa é amarela, com elevado teor de açúcar e acidez moderada. Apresenta peso médio do fruto com a coroa de 1,2 kg, podendo alcançar 1,5 kg e tamanho médio do fruto de 16 cm.


 

domingo, 27 de agosto de 2023

Cultivo do Limão Taiti (introdução)

 

De origem tropical, o limão-taiti (Gtrus latiJolia) não é, na realidade, um limão verdadeiro mas uma lima ácida. Cultivado desde o século passado na Califórnia, EUA, admite-se que sua introdução naquele estado tenha ocorrido a partir de sementes de frutos importados do Taiti , derivando daí sua denominação.

No Brasil, o 'Taiti' é uma das espéciescítricas de maior importância comercial, estimando-se que sua área plantada ultrapasse, atualmente, 40 mil hectares. O Estado de São Paulo é o primeiro produtor nacional, contribuindo com quase 70% do total.

É uma planta de porte médio a grande, vigorosa e quase sem espinhos.

A folhagem é verde densa, com folhas de tamanho médio. As flore s, com cinco pétalas, também de tamanho médio, não apresentam pólen viável. A floração ocorre durante quase todo o ano, mas principalmente nos meses de setembro e outubro.

Em regiões de temperaturas elevadas, o 'Taiti' exibe fluxos contínuos de crescimento e floração, só interrompidos nos períodos de falta de chuvas. As sucessivas brotações dão origem a várias floradas que, por sua vez, proporcionam várias colheitas ao longo do ano.

Os frutos são de tamanho médio, têm a casca lisa e fina, raras sementes e, quando amadurecem (cerca de 120 dias após a florada), apresentam polpa tenra e suculenta, de cor amarelo-esverdeada, pálida. O suco, bem ácido, representa cerca de 50% do peso do fruto. O teor de ácido ascórbico varia de 20 a 40 mg/I 00 rnL de suco.

Entre as espécies cítricas, o limoeiro, ou melhor, o limão-taiti, é das mais precoces, produzindo a partir do terceiro ano. 

Na Região do Recôncavo, na Bahia, um pomar com quatro anos de idade rende, em média, 300 frutos por planta (30 kg), ou 107 mil frutos por hectare. Aos onze anos, a produtividade vai a mais de 1.100 frutos por planta (113 kg), ou cerca de 403 mil frutos por hectare.

Como referência, assinale-se que, na Flórida, EUA, o rendimento de plantios experimentais variou de 9,1 a 13,6 kg por planta no terceiro ano após o plantio; de 27 ,2 kg a 40,9 kg no quarto ano; de 59,0 kg a 81 ,7 kg no quinto ano; e de 90,8 a 113,5 kg porplanta, no sexto ano. A partir desse periodo, a produção variou com os espaçamentos no plantio. Pés com doze a quinze anos de idade chegaram a produzir 317,8 kg de frutos por ano, mas o normal por árvore é de 204,3 kga249,7 kg.

Em São Paulo, os rendimentos de pomares comerciais variam de acordo com a fase de produção: de 8,0 kg a 15,0 kg com três anos de idade; de 23,0 kg a 37,0 kg com quatro anos; de 64 kg a 86 kg com cinco anos; de 68 kg a 141 kg com seis anos e de 98 kg a 177 kg com sete anos.

A análise da produção mensal de 'Taiti' no Estado da Bahia, por três anos, mostrou que o volume colhido foi mais elevado no período de janeiro a junho, correspondendo a 61,2% do total anual. O trimestre janeiro março representou 39,2% do total, com pico no mês de março (I 7,6%). O trimestre outubro-dezembro foi o de menor produção (I 5, I % sobre o total anual), e outubro o mês de menor colheita (1,9%). Como a oferta concentra-se fortemente no primeiro semestre, nem sempre os preços do limão-taiti são compensadores.

Dai a necessidade de buscar alternativas capazes de alterar a época de floração,  forçando o amadurecimento dos frutos na entressafra.

Nas regiões semi-áridas de clima tropical, a exemplo do Nordeste brasileiro, a florada pode ser induzida pelo manejo da irrigação e da quantidade de água disponível para a planta. Após um período de déficit hídrico, com efeito, o retomo da umidade induz a planta a um ciclo de florescimento.

A aplicação correta dessa técnica de irrigação, associada a adubações balanceadas, permite obter frutos maduros no período de entressafra, quando os preços são altamente compensadores. Na maioria dos anos, o pico dos preços do limão ocorre entre os meses de setembro e novembro.

Outra alternativa muito estudada, mas ainda de pouco uso prático, consiste no uso de reguladores de crescimento, a exemplo do ethephon. Esse produto é eficiente para promover a queda de flores sendo, às vezes, utilizado com a finalidade de eliminar floradas que resultarão em safras cuja expectativa é de preços baixos. Pequena dose de ethephon, na razão de 200 ppm, é suficiente para eliminar praticamente todas as flores e frutinhos. Isso, porém, não assegura a emissão de flores na época comercialmente mais adequada. Além disso, convém destacar que o produto provoca alguns danos à planta, em virtude da fitotoxicidade.