sábado, 13 de fevereiro de 2016

Classificacao de Bananas



A banana é uma unanimidade mundial.Originária do Sudoeste da Ásia, é a fruta de mesa mais vendida em todos os países. No Brasil, um dos maiores produtores, a cultura ocupa 500 mil hectares. São Paulo, o terceiro maior produtor (depois da Bahia e do Pará), colhe 900 mil toneladas em 45 mil hectares, empregando 20.437 pessoas.
A produção está concentrada no Vale do Ribeira e Litoral Sul, destacando-se Cajati (12,7%), Miracatu (10,6%), Juquiá (9,6%), Itariri (8,4%) e Itanhaém (8,2%). A banana, responde por mais de 60% do valor da produção agrícola regional, e é sua principal atividade econômica.
O Brasil é um dos maiores mercados consumidores. O consumo médio anual é estimado em 24 Kg per capita. Faz parte do hábito alimentar das populações mais carentes devido a seu baixo custo e alto grau de calorias (870 Kcal/1000g). A banana é rica em açúcares, fibras, niacina, cálcio, fósforo e principalmente potássio.
Ao adotarmos as normas de classificação estabelecidas pela Câmara Setorial de Frutas, estamos trazendo transparência e confiabilidade à comercialização da banana. A classificação, o uso de embalagens adequadas e de rótulos com correta identificação do produto, integram o processo de modernização beneficiando toda a cadeia de produção.
NORMAS de QUALIDADE, EMBALAGEM E APRESENTAÇÃO DA BANANA GRUPO CAVENDISH (Musa acuminata) PARA O PROGRAMA BRASILEIRO PARA A MELHORIA DOS PADRÕES COMERCIAIS E EMBALAGENS DEHORTIGRANJEIROS
1 - OBJETIVO
As presentes normas têm por objetivo definir as características de identidade, qualidade, embalagem, acondicionamento e apresentação da banana do Grupo Cavendish (Musa acuminata) destinada ao consumo “in natura”.
2 - DEFINIÇÕES
2.1- Definição do produto
Banana: Os frutos partenocárpicos comestíveis procedentes do espécie Musa acuminata, fisiologicamente desenvolvidos, sadios e isentos de substâncias nocivas à saúde, ou que atendam aos percentuais definidos nas presentes normas.
2.2- Definições gerais
2.2.1- Características da variedade ou do cultivar: cor, forma, polpa e tamanho.
2.2.2- Características do Fruto :
· Comprimento : o valor em milímetros determinado pela maior curvatura do mesmo, entre as extremidades do fruto, considerando-se somente a polpa.
· Diâmetro : valor em milímetros, definido pela maior seção transversal do fruto.
· Fisiologicamente Desenvolvido: aqueles frutos (dedos) que atingiram o estágio de desenvolvimento característico da variedade e estão em condições de serem colhidos, de modo a se ter um amadurecimento perfeito.
· Limpa: quando a banana se apresenta livre de poeira, de resíduos de tratamento ou de outras matérias estranhas.
· Coloração: cor da casca do fruto .
Definições gerais:
· Lote: conjunto de unidades de comercialização portadoras de rótulo idêntico.
· Pedicelo ou Pedúnculo: haste que liga o fruto à almofada.
· Almofada: ponto de reunião dos pedicelos e que serve para fixar a penca ao engaço.
· Dedo: um fruto.
· Buquê: parte de uma penca, composta por, no mínimo, 03 (três) frutos e no máximo 08 (oito) frutos.
· Penca: conjunto de frutos fixados pela almofada, contendo no mínimo 9 frutos.

2.2.3.. Defeito: toda e qualquer lesão causada por fatores de natureza fisiológica, fitossanitária, mecânica ou por agentes diversos, que venha a comprometer a qualidade e a apresentação da banana.
2.2.3.1.- Defeitos graves:
· Amassados: quando o fruto apresenta variação no formato característico da variedade em função de impacto ou pressão externa sem rompimento do epicarpo.
· Dano Profundo: qualquer lesão de origem diversa que atinja a polpa, podendo ou não estar cicatrizada.
· Queimados pelo sol: áreas manchadas no(s) fruto(s) devido a períodos de alta luminosidade, dependendo da intensidade, adquirem coloração amarela pálida ou descolaração da cutícula, podendo em caso extremo chegar à cor negra.
· Podridões: dano patológico e/ou fisiológico que implique em qualquer grau de decomposição, desintegração ou fermentação dos tecidos, inclusive ponta de charuto.
· Lesões de tripes: pequenas pontuações marrons, ásperas ao tato, ocasionadas por picadas de Tripes (Frankliniella spp). A gravidade da lesão de trips será determinada através de gabarito visual em anexo.
· Imaturo : fruto colhido antes de seu desenvolvimento fisiológico completo.
· Lesão/ Mancha : dano superficial ou dano superficial não cicatrizado com área ou soma das áreas superior a 1,5 cm2
2.2.3.2.- Defeitos Leves :
· Lesão/ Mancha : dano superficial ou dano superficial não cicatrizado com área ou soma das áreas superior a 0,5 cm2
· Dano Superficial: lesão de origem diversa que não esteja cicatrizada e que não atinja a polpa do fruto;
· Dano Superficial Cicatrizado: lesão de origem diversa que esteja cicatrizada e que não atinja a polpa do fruto;
· Restos Florais: resquícios florais presentes no fruto, localizados na parte posterior do mesmo.
· Geminadas: quando duas ou mais bananas se apresentam unidas.
· Desenvolvimento Diferenciado: quando o fruto apresenta uma curvatura mais acentuada que a característica de sua variedade.
· Alteração na coloração da casca ( pericarpo do fruto): Qualquer coloração que saia da graduação das cores verde e amarela características da variedade.

3 - CLASSIFICAÇÃO DO PRODUTO
A banana será classificada em:
3.1. GRUPOS: De acordo com a Variedade ou Cultivar.
Nota: Não será permitida mistura de variedades.

3.2.- SUBCLASSE: Segundo a forma de apresentação do fruto, de acordo com a TABELA 1.
TABELA 1
Subclasse
Número de Frutos
Dedo
1
Buquê
3 a 9
Penca
mais de 9
Nota: Será tolerada uma mistura de classes de até 5% em uma caixa.
3.3- CLASSE I: classificação segundo o comprimento do fruto, de acordo com a TABELA 2.
TABELA 2: Comprimento do fruto:
CLASSE I
COMPRIMENTO (cm)
12
<-13>
13
> 13 a 16
16
> 16 a 18
18
> 18 a 22
22
> 22 a 26
26
> 26
3.4- CLASSE II: classificação segundo o diâmetro do fruto, de acordo com a TABELA 3.
TABELA 3: Diâmetro do fruto:
CLASSE II
DIÂMETRO (mm)
27
<-28>
28
>28 a 32
32
>32 a 36
36
>36 a 39
39
>39
Nota: 1) Tolera-se a mistura de até 10% de bananas pertencentes a subclasses inferiores e/ou superiores.
2) O número de embalagens, que superar a tolerância para mistura de sub-classes, não poderá exceder a 20% (vinte por cento) das unidades amostradas.
3.5- Tipo ou Categoria: Classificação de acordo com a qualidade do fruto.(entrará na contagem cada dedo)
· EXTRA
· CATEGORIA I
· CATEGORIA II
· CATEGORIA III
TABELA 5: Limites de defeitos permitidos por categoria.
Defeitos Graves
Extra
Categoria I
Categoria II
Categoria III
Amassados
0%
1%
5%
20%
Dano Profundo
0%
1%
5%
20%
Queimado de sol
0%
2%
5%
20%
Podridão
0%
1%
2%
10%
Lesões severas de tripes (*)
0%
5%
10%
20%
Lesão/ Mancha (**)
0%
5%
10%
20%
Imaturo
0%
1%
5%
10%
Total de Defeitos Graves
0%
5%
10%
20%
Defeitos Leves
5%
10%
20%
100%
Total Geral
5 %
10%
20%
100%
Nota: Entrará na contagem todo o fruto.
(*) entrará na contagem quando o fruto apresentar lesões severas, conforme descrito no gabarito visual em anexo.
(**) entrará na contagem, como defeito leve, quando o fruto apresentar uma área ou soma das áreas superior a 0,5cm2 e até no máximo de 1,5 cm2. Uma área superior a 1,5 cm2 será classificada como defeito grave.
3.6- Requisitos Gerais
As bananas deverão apresentar as características do cultivar bem definidos, sendo os frutos sãos, inteiros, limpos e livres de unidade externa anormal.
3..6.1- O lote de banana que não atender os requisitos previstos nesta Norma será classificado como “FORA DO PADRÃO”, podendo ser:
3.6.1.1- Comercializado como tal, desde que perfeitamente identificado em local de destaque e de fácil visualização;
3.6.1.2- Rebeneficiado, desdobrado, reembalado, reetiquetado e reclassificado, para efeito de enquadramento na Norma;
3.6.1.3- O disposto no item 3. 6.1.1, aplica-se única e exclusivamente à comercialização de banana no mercado interno, e não nas transações comerciais entre os Países membros do MERCOSUL ou nas importações de outros Países, onde será observado o estabelecido na alínea 3.6.1.2.
3.6.1.4- Não se autorizará o rebeneficiamento e/ou reclassificação dos lotes de banana que apresentarem índices de podridões acima de 10% (dez pôr cento);
3.6.1.5- Será “DESCLASSIFICADO” e proibida a comercialização de todo banana que apresentar uma ou mais das características abaixo discriminadas:
resíduos de substâncias nocivas a saúde acima dos limites de tolerância admitidos no âmbito do MERCOSUL;
mau estado de conservação, sabor e/ou odor estranho ao produto.
4 - EMBALAGENS
As bananas deverão ser acondicionados em embalagens novas, limpas, secas e que não transmitam odor ou sabor estranhos ao produto, devendo conter até 18 (dezoito) quilogramas de bananas. As embalagens também deverão possibilitar a paletização, além de assegurar uma adequada conservação ao produto.
5 - MARCAÇÃO OU ROTULAGEM
As embalagens deverão ser rotuladas ou etiquetadas, em lugar de fácil visualização e de difícil remoção, contendo no mínimo as seguintes informações:
5.l. Do Produtor
· identificação do responsável pelo produto (nome, razão social e endereço);
· número do registro do estabelecimento no Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária;
· inscrição do produtor;
· nome do produto;
· origem do produto;
· grupo;
· subgrupo;
· classe;
· tipo;
· peso líquido; e
· data do acondicionamento.
5.2. Do Climatizador
· Identificação do climatizador (nome,razão social e endereço)
· CGC
· Inscrição Estadual
· Subgrupo
· Data do término da climatização
5.3- Na comercialização feita no varejo e a granel, o produto exposto deverá ser identificado em lugar de destaque e de fácil visualização, contendo no mínimo as seguintes informações:
identificação do responsável pelo produto;
grupo;
tipo.
6 - ACONDICIONAMENTO E TRANSPORTE
As bananas deverão ser embalados em locais cobertos, secos, limpos, ventilados com dimensões de acordo com os volumes a serem acondicionados e de fácil higienização, a fim de evitar efeitos prejudiciais à qualidade e conservação dos mesmos;
O transporte deve assegurar uma conservação adequada ao produto.


TIPOS OU CATEGORIAS
O quadro abaixo estabelece os limites de tolerância de defeitos graves e leves para cada categoria de qualidade e permite a classificação em: Extra, Categoria I, Categoria II, Categoria III (entrará na contagem cada dedo).
Defeitos Graves (%)
Extra
Cat I
Cat II
Cat III
Amassados
0
1
5
20
Dano profundo
0
1
5
20
Queimado de sol
0
2
5
20
Podridão (**)
0
1
2
10
Lesões severas de Tripes(*)
0
5
10
20
Lesão/mancha (*)
0
5
10
20
Imaturo
0
1
5
10
Total Graves
0
5
10
20
Total Leves
5
10
20
100
Total Geral
5
10
20
100
* Conforme "Limites de lesão/mancha"
** Acima de 10 % não poderá ser reclassificado
ROTEIRO AUXILIAR
O Roteiro Abaixo permite a classificação em tipos A, B, C e Exportação.
TIPO
EXPORTAÇÃO
A
B
C
Classe I (comprimento)
22
18 e 22
18 a 26
12 a 26
Classe II (diâmetro)
32
32 e 36
28 a 39
27 a 39
Subclasse (forma de apresentação)
Buquê
Buquê
Buquê e Penca
Buquê, Penca e Dedo
Qualidade
Extra
Categoria I
Categoria II
Categoria III



Banana
Classificação é a separação do produto por cor, tamanho de cacho e baga, formato e qualidade.
Utilizar a classificação da BANANA é unificar a linguagem do mercado e de toda cadeia de produção.
Produtores, atacadistas, varejistas e consumidores devem ter os mesmos padrões para determinar a qualidade do produto. Só assim obteremos transparência na comercialização, preços melhores e mais justos para os produtores e consumidores, menores perdas e melhor qualidade. 
Grupo:
Compreende as variedades comerciais do grupo Cavendish (nanica, nanicão, gran naine e outras).

Cores:
Tabela com Escala de Maturação de VON LOESECKE.
1- Totalmente Verde
2- Verde com traços Amarelos
3- Mais Verde que Amarelo
4- Mais Amarelo que Verde
5- Amarelo com a Ponta Verde
6- Todo Amarelo
7- Amarelo com Áreas Marrons

Classe: 
CLASSE I - OU COMPRIMENTO
Medida do Diâmetro
Medida do Comprimento

12
13
16
< 13 cm
> 13 a 16 cm
>16 a 18 cm
18
22
26
> 18 a 22 cm
> 22 a 26 cm
> 26 cm

CLASSE II OU DIÂMETRO

27
28
32


< 28 mm
> 28 a 32 mm

> 32 a 36 mm

36
39



> 36 a 39 mm
> 39 mm

Subclasse:
De acordo com a forma de apresentação.

Dedo 
(1 fruto)
Buquê 
(de 2 a 9 frutos)
Penca 
(mais de 9 frutos)
Nota: Será tolerada uma mistura de classes de até 5% em uma caixa.


Defeitos Graves:
São aqueles que inviabilizam o consumo ou a comercialização do produto.



Amassado(Quando o fruto apresenta variação no formato característico da variedade em função de impacto ou pressão externa sem rompimento do epicarpo)



Dano profundo(Qualquer lesão de origem diversa que atinja a polpa, podendo ou não estar cicatrizada)



Lesões de tripes(Pequenas pontuações marrons, ásperas ao tato, ocasionadas por picadas de Tripes (Frankliniella spp). A gravidade da lesão de trips será determinada através de gabarito visual em anexo)



Podridão(Dano patológico que implique em qualquer grau de decomposição, desintegração ou fermentação dos tecidos, inclusive ponta de charuto)



Queimado pelo sol(Áreas manchadas no(s) fruto(s) devido a períodos de alta luminosidade que, dependendo da intensidade, adquirem coloração amarela pálida ou descolaração da cutícula, podendo em caso extremo chegar à cor negra)

Imaturo(Fruto colhido antes de seu desenvolvimento fisiológico completo)



Lesão/mancha(Dano superficial ou dano superficial não cicatrizado com área ou soma das áreas superior a 1,5 cm²)


Defeitos Leves:
Danos e defeitos superficiais que não inviabilizam o consumo e/ou a comercialização mas prejudicam a aparência e a qualidade do produto

Lesões/manchas(Dano superficial ou dano superficial não cicatrizado
com área ou soma das áreas superior a 0,5 cm²)
Restos florais(Resquícios florais localizados na
parte apical do fruto)
 
 
Geminadas(Quando duas ou mais bananas se
apresentam unidas)
Desenvolvimento diferenciado(Quando o fruto apresenta uma curvatura mais acentuada que a característica de sua variedade)
 
Alterações na coloração da casca(Qualquer coloração que saia da graduação das cores verde e amarela características da variedade)


Tipo ou Categoria:

O quadro abaixo estabelece os limites de tolerância de defeitos graves e leves para cada categoria de qualidade e permite a classificação em: Extra, Categoria I, Categoria II e Categoria III. 
Defeitos Graves (%)
Extra
Cat I
Cat II
Cat III
Amassados
0
1
5
20
Dano profundo
0
1
5
20
Queimado de sol
0
2
5
20
Podridão **
0
1
2
10
Lesões severas de Tripes *
0
5
10
20
Lesão/mancha *
0
5
10
20
Imaturo
0
1
5
10
Total Graves
0
5
10
20
Total Leves
5
10
20
100
Total Geral
5
10
20
100
(*) Conforme "Limites de lesão/mancha"
(**) Acima de 10 % não poderá ser reclassificado

ROTEIRO AUXILIAR
O Roteiro Abaixo permite a classificação em tipos A, B, C e Exportação.
TIPO
EXPORTAÇÃO
A
B
C
Classe I (comprimento)
22
18 e 22
18 a 26
12 a 26
Classe II (diâmetro)
32
32 e 36
28 a 39
27 a 39
Subclasse (forma de apresentação)
Buquê
Buquê
Buquê e Penca
Buquê, Penca e Dedo
Qualidade
Extra
Categoria I
Categoria II
Categoria III

Rótulo:
As embalagens deverão ser rotuladas em local de fácil visualização, conforme o exemplo abaixo





quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Como Processar Banana



A banana é uma boa fonte energética, de minerais (potássio) e vitaminas. Características como baixa acidez e textura macia a indicam para o consumo por crianças e idosos.
Em termos tecnológicos, a baixa acidez da banana pode requerer a sua acidificação em determinados processos, nos quais são empregados métodos combinados de conservação. O aumento da acidez do sistema permite o uso de tratamentos térmicos menos intensos na conservação dos produtos. O escurecimento enzimático é outro fator a ser considerado no processamento da banana. Uma vez retirada a casca da banana, devem ser aplicados tratamentos antioxidantes (por exemplo, por imersão em solução diluída de ácidos orgânicos) e/ou branqueamento (tratamento térmico brando), com o objetivo de se evitar reações enzimáticas de escurecimento.
Os principais produtos derivados da banana são: purê ou polpa - Figura 27(usado como ingrediente para a elaboração de uma série de outros produtos, como bebidas e produtos açucarados, como doce em massa ou bananada – Figura 28) e produtos desidratados (como banana passa – Figura 29, farinha de banana – Figura 30, e banana chips – Figura 31).

Processamento

A banana é uma fruta saborosa, de textura macia, de fácil consumo, além de apresentar baixo custo. A baixa acidez da fruta, aliada ao sabor suave, permitem várias combinações no preparo de alimentos, o que possibilita estender o seu consumo para uma classe ampla de indivíduos. Em geral, qualquer pessoa pode consumir banana, com exceção daquelas com restrição médica. Do ponto de vista nutricional, a banana é rica em carboidratos, que fornecem energia ao organismo, e em potássio, que é um mineral importante para o funcionamento dos músculos. A composição nutricional pode diferir entre as variedades.
As variedades de banana tradicionalmente utilizadas para industrialização são a Grande Naine, Nanica e Nanicão, tradicionalmente cultivadas nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. Entretanto, variedades como Pacovan, Prata, Prata Anã e Thap Maeo, tradicionalmente cultivadas nas regiões Norte e Nordeste, também podem ser utilizadas para processamento, resultando em produtos de excelente qualidade.
No Brasil, a banana utilizada para a industrialização não é especialmente produzida para este fim. Muitas vezes, corresponde à banana não absorvida pelo mercado de frutas frescas, seja pelo excedente de oferta, seja por não atender aos padrões de qualidade desse mercado. Frutas que apresentem defeitos que não comprometam a qualidade da polpa podem ser aproveitadas para processamento. As frutas que se encontrarem em estádio de maturação muito avançado (passadas) devem ser descartadas na seleção da matéria-prima, uma vez que apresentam a composição alterada e as qualidades organolépticas (aroma, sabor e textura) e microbiológica comprometidas.
Em termos tecnológicos, a baixa acidez da banana pode requerer a sua acidificação em determinados processos, nos quais são empregados métodos combinados de conservação. O aumento da acidez do sistema permite o uso de tratamentos térmicos menos intensos na conservação dos produtos. O escurecimento enzimático é outro fator a ser considerado no processamento da banana, já que é uma reação natural da fruta que ocorre porque a banana apresenta em sua composição uma enzima que se chama polifenoloxidase. Esta enzima, quando entra em contato com o ar, após o descascamento da banana, provoca uma série de reações químicas que levam ao aparecimento da coloração escura. Este escurecimento pode ser evitado “paralisando-se” a atividade destas enzimas pelo uso do calor por curto período de tempo ou por produtos antioxidantes como os ácidos ascórbico e cítrico, ou ainda a combinação entre estes.
A banana pode ser processada na forma verde e madura. A banana verde pode ser utilizada na linha de produtos panificáveis, na produção de farinha, amido e chips. Da banana madura, podem ser obtidos a banana em calda, banana desidratada, chips, doces em massa, essências, farinhas, flocos, granulados, geleias, néctares, purês, sucos, vinagre e vinhos.
Produtos como purê e flocos de banana, geralmente, são produzidos por empresas de grande porte devido ao alto custo da infraestrutura requerida para seu processamento e armazenamento, e também à logística exigida para sua distribuição. Já a produção de banana passa, doces e chips é viável em pequena escala, uma vez que requer um baixo investimento inicial e apresenta um baixo custo operacional. Os equipamentos são de menor custo, de fácil operação e são necessários poucos insumos. Além disso, esses produtos podem ser conservados em temperatura ambiente e apresentam vida de prateleira prolongada, o que facilita o seu armazenamento e sua comercialização.
Para o processamento da maior parte dos produtos derivados da banana, são utilizadas frutas maduras, com aroma e sabor intensos. Entretanto, alguns produtos, como farinha e os chips de banana, requerem que a matéria-prima contenha maior teor de amido. Neste caso, utilizam-se frutas verdes ou semimaduras. Para os produtos processados que utilizam frutas inteiras ou pedaços, como banana passa ou banana em calda, o tamanho, o formato da fruta e a textura da polpa são muito importantes para a padronização do produto final. Portanto, esses aspectos devem ser considerados na seleção da matéria-prima. A textura excessivamente mole também dificulta o processamento.
Dentre os produtos mencionados, receberão enfoque o purê ou polpa (Figura 1), por ser usado como ingrediente para a elaboração de uma série de outros produtos; o doce em massa ou bananada (Figura 2) e os produtos desidratados banana passa (Figura 3), farinha de banana (Figura 4) e banana chips (Figura 5), cujos fluxogramas de produção estão descritos a seguir:




sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Colheita e Pós Colheita da Banana



Quando colher

Critérios como desaparecimento das quinas ou angulosidades da superfície dos frutos ainda são utilizados.
Nas cultivares de porte médio-alto (Nanicão) e alto (Prata, Pacovan, Terra), a colheita deve ser efetuada por dois operários. Enquanto um corta parcialmente o pseudocaule à meia altura entre o solo e o cacho, o outro evita que o cacho atinja o solo, segurando-o pela ráquis ou aparando-o sobre o ombro. O primeiro operário corta então o engaço e o cacho é transportado até o carreador ou cabo aéreo, sobre travesseiro de espuma, colocado no ombro do segundo operário. Nas cultivares de porte baixo a médio (Figo Anão, Prata Anã, D’Angola), a colheita pode ser feita por apenas um operário.
Para as cultivares Prata e Maçã, recomenda-se a colheita quando do desaparecimento das quinas ou angulosidades da superfície dos frutos. No caso da cultivar Terra, este critério não é utilizado pois as quinas permanecem até a maturação do fruto. Assim, recomenda-se a colheita quando os frutos do meio do cacho apresentarem diâmetro máximo. Outro critério é cortar longitudinalmente um dedo da primeira penca. Se a coloração da penca estiver rósea, o cacho pode ser colhido.
    Um critério que pode ser usado para todos os grupos é a idade do cacho a partir da emissão do coração. Nesta ocasião marca-se a planta com fita plástica, usando-se diferentes cores para as várias datas de emissão. Quando da colheita, a qual pode variar de 100 a 120 dias após a emissão do coração, um gerente de campo, de posse da planilha de controle, orienta os operários para a colheita do cacho das plantas marcadas com uma determinada cor da fita.


Como colher

Para as cultivares recomendadas para este sistema, é fundamental que a colheita envolva dois operários. Como são plantas de porte médio a alto é necessário que um operário corte parcialmente o pseudocaule à meia altura entre o solo e o cacho e o outro evite que o cacho atinja o solo, segurando-o pela ráquis ou aparando-o sobre o ombro, enquanto o outro operário corta o engaço.

Manejo pós-colheita

O transporte dos cachos para o local de despencamento e embalagem deve ser feito por carreadores, de forma manual (no ombro) e ou mecânica, em carrocerias de veículos automotivos ou carreta de trator, forradas com espuma sintética. Deve-se tomar cuidados especiais para evitar ferimentos nos frutos principalmente das cultivares Caipira e Thap Maeo, que têm casca fina. Os cachos devem se mantidos pendurados para proceder o despencamento. As pencas devem sair do cacho para um tanque com água e detergente, onde serão lavadas, subdivididas em buquês e, posteriormente, embaladas em caixas de papelão, madeira ou plástico fabricadas especificamente para frutos. Em todos os casos, as dimensões são de 52 x 39 x 24,5 cm (comprimento x largura x altura), com capacidade para aproximadamente 18 kg de frutos. As caixas devem ser revestidas com plástico de baixa densidade para proteção dos frutos contra escoriações.
O transporte dos cachos para o local de despencamento e embalagem deverá ser feito pelos carreadores. Deve-se colocar folhas de bananeira na base e nas laterais dos compartimentos mecanizados ou não, utilizados no transporte, para evitar escoriações nos frutos.

Conservação pós-colheita

Frigoconservação
As bananas podem ser conservadas sob refrigeração pelo período de uma a três semanas, findo o qual devem ser removidas para câmaras de maturação, onde são tratadas com etileno ou, previamente, com ethephon. A temperatura mínima de armazenagem depende da sensibilidade da banana a danos pelo frio, sensibilidade esta que é afetada pela cultivar, condições de cultivo e tempo de exposição a uma dada temperatura. Os danos pelo frio são causados pela exposição a temperaturas inferiores a 13,3ºC, os quais depreciam a qualidade do fruto, porém sem afetar a consistência e o paladar da polpa. A melhor indicação de danos pelo frio em banana verde é a presença de pintas marrom-avermelhadas sob a epiderme. Na banana madura, os danos são caracterizados por uma aparência cinza opaca esfumaçada, em vez da cor amarela brilhante da casca. Outro indicador de danos é a exsudação de látex ou translucidez do mesmo.
A intensidade dos danos pelo frio é fortemente influenciada pela umidade relativa do ar, de modo que, para uma dada temperatura, o aumento da umidade retarda o aparecimento de danos. A umidade também afeta a qualidade da banana, sendo recomendado o seu armazenamento na faixa de 85 a 95%. Embora esta faixa de umidade possa ser mantida em câmaras sem controle automático, regando-se o piso com água duas vezes por dia, a operação é tediosa e consome tempo. Por esta razão, é recomendável a frigoconservação em câmaras automatizadas, que controlam tanto a temperatura quanto a umidade relativa.


Conservação em atmosferas controlada e modificada

A conservação de bananas pode ser aumentada significativamente com o uso de atmosfera controlada ou modificada. Em atmosfera controlada com 7 a 10% de CO2 e 1,5 a 2,5% de O2, as bananas podem ser conservadas por mais de quatro meses a 20ºC, amadurecendo normalmente após transferência para câmara de maturação.
A modificação da atmosfera, selando as bananas em sacos de polietileno, também aumenta significativamente o tempo de conservação. A inclusão de permanganato de potássio, um absorvente do etileno, estende ainda mais o período de armazenagem. Uma vantagem adicional dos sacos de polietileno é que o seu uso é efetivo em uma larga faixa de temperatura, desde 13 até 37ºC.
O uso de emulsões de cera e produtos à base de éster de sacarose permitem estender o período pré-climatérico de bananas por uma a duas semanas, reduzir a perda de água e a ocorrência de escurecimento da casca. O enceramento causa modificações na atmosfera interna do fruto, aumentando a concentração de CO2 e reduzindo a de O2, daí o prolongamento do período pré-climatérico, como ocorre em câmaras com atmosfera controlada e nas embalagens plásticas.
Maturação controlada – climatização
Temperatura e umidade relativa na câmara

A faixa ótima de temperatura do ar para a climatização é de 13,9 a 23,9ºC, na qual não ocorrem alterações na qualidade dos frutos. O aumento da temperatura reduz o tempo para atingir-se um determinado estágio de cor da casca. 
A manutenção da umidade relativa entre 85 e 95% durante a maturação é vital para a obtenção de frutos de boa qualidade de cor e sabor. Alta umidade relativa com adequada temperatura contribui grandemente para melhorar a aparência, a palatabilidade e aumentar o período de comercialização.



Empilhamento das caixas na câmara


Uma adequada circulação de ar na câmara é essencial para uniformização da maturação. O sistema de ventilação da câmara e o tipo de empilhamento das caixas afetam sensivelmente a circulação do ar. 
Uma vez que a temperatura aumenta devido à respiração das bananas, a área exposta do topo das caixas é muito importante para prevenir aumento de temperatura na pilha e manter a temperatura da polpa estável durante a climatização. Para operação paletizada usando paletes de 1,00 x 1,20 m (40 x 48), o melhor padrão de empilhamento é o 4-bloco alternado. 
As pilhas devem ser distribuídas uniformemente na câmara, para propiciar um bom fluxo de ar, necessário ao controle da temperatura da polpa e progresso da coloração. Os paletes não devem ser colocados a menos de 45 cm das paredes frontal e traseira da câmara. Quando se usa o padrão 4-bloco alternado, as pilhas podem ser justapostas. No entanto, se for usado outro padrão de empilhamento, deve-se deixar 10 cm entre cada pilha.



Procedimentos para climatização


Bananas de diferentes variedades e origens não devem ser climatizadas numa mesma câmara. Dentro de um mesmo cacho existem pencas com distintos graus de maturidade, sendo que as pencas do ápice (extremidade do engaço) são mais imaturas do que as pencas da base. Por esta razão, os cachos devem ser separados em dois lotes: um contendo as seis ou oito pencas mais velhas e o outro as demais. Quando não for possível, deve-se colocar o lote mais jovem no fundo e o mais velho na frente da câmara, pois este amadurecerá mais cedo. 
Aproximadamente 12 horas antes de aplicar-se o etileno, a temperatura da câmara deve ser ajustada para 15,5ºC a 16,7ºC. A dosagem recomendada para climatização com etileno é 0,1% ou 28 L para cada 28 m3 da câmara. Se for usado produto comercial (Etil-S ou Azetil) a quantidade será de 280 L por 28m3. Durante as primeiras 24 horas após aplicação do gás, a câmara deve ser mantida hermeticamente fechada. Após este tempo procede-se a ventilação por 15 a 20 minutos, para suprir a câmara com o oxigênio essencial para a respiração normal das bananas. Como alternativa à utilização do gás etileno, pode-se usar o ethefon, conforme descrito a seguir.



Climatização com ethephon

O ethephon (Ethrel ou similar), é utilizado na maturação em concentrações inferiores a 1%, não oferecendo riscos durante o manuseio.
  • Concentração da solução de ethephon
Para cultivares do grupo AAB, como ‘Prata Anã’, recomenda-se 166 mL do produto comercial para 100 litros de solução. Para ‘Nanica’ e ‘Nanicão’ utiliza-se 833 mL para 100 litros de solução e banana tipo ‘Terra’ 208 mL para 100 litros de solução. Quando são cultivadas bananas de todos os grupos, visando facilitar o procedimento de climatização, utiliza-se apenas a concentração mais alta. A solução pode ser reutilizada por até 200 dias.

  • Tratamento de indução da maturação


O tratamento consiste em submergir as pencas ou subpencas de banana, contidas ou não em caixas de madeira ou de plástico, na solução de ethephon por dez minutos. Quando se utiliza caixas de papelão, as bananas devem ser embaladas após evaporação da solução. Pode-se utilizar tanques de cimento, amianto ou de alvenaria ou mesmo tonéis. Como regra geral, enche-se o tanque em torno de 2/3 da sua capacidade. 
Um tanque de 1.000 litros comporta cerca de 250 pencas de banana e um tonel de 200 litros, 50 pencas. Assumindo-se que o tempo de tratamento de cada lote pode durar 30 minutos, incluindo o despencamento e a lavagem prévia, num dia de trabalho é possível tratar 4.000 pencas no tanque e 800 no tonel. 
A solução destinada à reutilização deve ser armazenada no próprio recipiente de tratamento. Para evitar perda da solução por evaporação, o recipiente deve ser hermeticamente tampado. Apesar das bananas absorverem apenas pequena quantidade de solução, durante o tratamento sempre ocorre perda de solução quando as bananas são removidas do tanque. Quando o nível não mais cobrir todas as bananas, pode-se completar o volume com solução recém-preparada, na mesma concentração da anterior ou reduzir a quantidade de banana.

  • Instalações para climatização com ethephon


Para a obtenção de produto com qualidade ótima de cor e de consumo, as bananas tratadas com ethephon devem ser armazenadas nas mesmas condições de temperatura e umidade relativa utilizadas na climatização com etileno. Quando não se dispuser de câmaras com controle de temperatura e umidade, pode-se usar galpões já existentes na propriedade ou construí-lo. As dimensões dependerão da quantidade de banana a ser climatizada. Idealmente, o galpão deve ser construído em local sombreado, sob árvores dispostas nas laterais, para evitar temperaturas elevadas no seu interior. Na ausência de árvores, podem ser plantadas variedades de banana de porte alto (Prata, Pacovan ou Terra) em espaçamento denso (1,50m), nas laterais e no fundo do galpão. A temperatura no interior do galpão deve ficar entre 14 e 26ºC. 
Para as regiões e estações do ano com umidade do ar inferior a 80%, é imprescindível construir valas impermeabilizadas no piso, ao longo das paredes, para colocação de água; uso de forro sob o telhado e porta com boa vedação. Pode-se também, para garantia de elevada umidade, regar o piso com água diariamente.





segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Pragas da Bananeira e Seu Controle



Pragas e métodos de controle

O momento de controlar as pragas deve ser embasada em avaliações criteriosas, observando se os danos estão sendo muito prejudiciais a cultura e se tambem não existe metodos alternativos menos agressivos à natureza.



1. Broca-do-rizoma ou moleque-da-bananeira
A praga que mais ataca a cultura da bananeira em Pernambuco é a broca-do-rizoma (Cosmopolites  sordidus), conhecida popularmente como moleque-da-bananeira ou, simplesmente, besouro.
Essa praga, na forma adulta, é um besouro preto de hábitos noturnos, que mede 11 mm de comprimento e 5 mm de largura, possui “bico” longo e recurvado (Figura 1). As larvas são brancas, sem pernas, penetram no rizoma das plantas e passam a alimentar-se dos mesmos, sendo responsáveis pela formação de galerias nos tecidos das plantas (Figura 2). Como consequência, o desenvolvimento da planta é prejudicado, as folhas amarelecem, os cachos tornam-se pequenos e as plantas ficam sujeitas ao tombamento (Figura 3) e vulneráveis ao aparecimento de doenças. Quando não controlada, a praga pode ser responsável por perdas de até 80% na produção de banana na maioria das regiões produtoras. No caso das bananeiras do tipo Comprida, que são as mais atacadas, as perdas podem chegar a 100%.

Controle integrado

A utilização de métodos isolados para o controle da praga não tem sido eficiente. Desse modo, o ideal é a utilização do manejo integrado, abrangendo os seguintes procedimentos:
• Uso de mudas sadias.
• Limpeza e descorticamento das mudas.
• Tratamento químico das mudas: é uma alternativa para obtenção de material sadio. As mudas devem ser imersas em solução de inseticida registrado no Mapa, por 15 minutos, devendo ser plantadas em até 24 horas. Outra alternativa é fazer o tratamento com água quente a 54 °C, por 20 minutos.
• Manejo cultural: destruição de bananais velhos, juntamente com a eliminação de pseudocaules brocados previne e reduz sensivelmente futuras infestações da praga.
• Uso de iscas atrativas: são usadas iscas do tipo telha (com cerca de 50 cm) (Figura 4A) e do tipo queijo (30 cm a 50 cm a partir do solo) (Figura 4B). Elas devem ser feitas de plantas que já produziram (no máximo de 15 dias após a colheita). Para o monitoramento do inseto, são utilizadas, em média, 20 iscas/ha. Caso sejam detectados cerca de quatro besouros por isca, deve-se iniciar o controle. Recomenda-se o uso de 50 iscas/ha a 100 iscas/ha sempre em associação com inseticidas ou defensivos biológicos, principalmente com o fungo entomopatógeno Beauveria bassiana, que age sobre os besouros (Figura 5) e é facilmente produzido, relativamente barato e de grande eficiência. As iscas são pinceladas, imersas ou pulverizadas com a mistura do fungo e água, devendo ser renovadas quinzenalmente, repetindo-se o processo a cada seis meses ou quando necessário. A mistura de 300 g/10 L de água permite o tratamento de 35 iscas.
• Quando usar inseticida químico em vez de Beauveria, a aplicação pode ser feita em buracos efetuados com a ‘lurdinha’ na planta que foi desbastada.
• Manejo por armadilhas de comportamento: trata-se de armadilhas que trazem uma substância sintética similar ao feromônio dos insetos; os adultos são atraídos devido ao odor exalado, caindo no fundo da armadilha, que pode ser feita com garrafas do tipo “pet” (Figura 6) contendo solução de água e detergente a 3%, e acabam morrendo. A vantagem desse tipo de manejo é não agredir o ambiente e não deixar resíduos nos frutos, pois o feromônio sintético é específico para o inseto. Recomenda-se utilizar de 3 armadilhas/ha a 5 armadilhas/ha, sendo que o feromônio, que é comercializado em sachê, deve ser trocado mensalmente, tendo-se a preocupação de se manter uma distância mínima de 30 m a 35 m entre as armadilhas.

2. Tripes

Os tripes são pequenos insetos que causam danos aos frutos em desenvolvimento prejudicando a sua aparência (Figura 7). Dois tipos são mais comuns nos bananais: o tripes-da-erupção-dos-frutos (Frankliniella spp.) e o tripes-da-ferrugem (Chaetanaphothrips  spp., Caliothrips bicinctus e Tryphactothrips lineatus). Os frutos atacados adquirem aspecto ferruginoso (no caso do tripes-da-ferrugem-dos-frutos) ou com pontuações ásperas ao toque (tripes-da-erupção-dos-frutos), depreciando-os para comercialização. No manejo dessas pragas, recomenda-se a eliminação do coração e o ensacamento do cacho, logo após a sua emissão, com sacos impregnados com inseticidas registrados no Mapa. 
3. Outras pragas
Outras pragas têm sido citadas por agricultores e técnicos das regiões produtoras de banana da Zona da Mata de Pernambuco, provocando danos aos bananais e prejuízos aos bananicultores. A broca-rajada (Metamasius hemipterus) pode causar danos em bananais decadentes, alojando-se nos pseudocaules e provocando a queda da planta. O uso do fungo B. bassiana se constitui opção para o seu controle. É comum a ocorrência dessa praga em áreas contíguas às de plantio de cana-de-açúcar. Comumente, ocorrem surtos de lagartas desfolhadoras, causados por desequilíbrio com as populações de inimigos naturais.
A espécie Brassolis sophorae é a mais frequentemente observada. Ninhos dessa lagarta contendo elevado número de indivíduos podem ser encontrados nos bananais presos aos pseudocaules (Figura 8). O ataque das lagartas pode deixar as plantas totalmente desfolhadas (Figura 9), compromometendo a produção. A retirada manual dos ninhos e eliminação das lagartas nele existentes é uma boa opção de manejo para essa praga. A aplicação de inseticida deve ser feita com cautela. As abelhas do tipo arapuá (Trigona spinipes) são bastante frequentes nos bananais, causando lesões ao longo das quinas dos frutos (Figura 10), depreciando-os comercialmente. Como medida de controle, recomenda-se a eliminação do coração e dos ninhos. Os ácaros-de-teia formam colônias na face inferior da folha, apresentando uma teia característica (Figura 11). Ocorrem mais na época seca, causando um amarelecimento e seca na região atacada da folha.

pragas na plantação de bananeira