quarta-feira, 7 de junho de 2017

Irrigação no Coqueiro

A cultura do coqueiro anão (Cocos nucifera L.) exige grande quantidade de água durante seu crescimento vegetativo e na fase de produção de frutos com boa qualidade, sendo assim, dificilmente encontrará água disponível em quantidades adequadas para atender a demanda evapotranspirativa em condições de cultivo em sequeiro.
O coqueiro é uma planta essencialmente tropical e encontrou no Brasil excelentes condições climáticas, para seu pleno desenvolvimento e potencial produtivo. A cultura encontra condições climáticas favoráveis entre 24°N e 23°S de latitude, temperatura média anual em torno de 27°C, com oscilações de 5° a 7°C, umidade relativa entre 65 a 85%, pluviosidade entre 1.200 a 2.200 mm anuais, bem distribuídos.
O coqueiro não se desenvolve bem sob qualquer sombreamento ou condições de intensa nebulosidade, para tanto, exige em torno de 2.000 horas de luz de sol/luminosidade/ano e 120 horas/mês como limites quantitativos.
Os ventos fracos e moderados com velocidade de até 4 mps beneficia o desenvolvimento da cultura, estimulando a absorção de água e nutrientes pela planta. Ventos frios são indesejáveis, já que prejudicam o desenvolvimento da mesma.
A cultura desenvolve-se melhor em solos com textura média, permeáveis e férteis, sendo que de 70 a 90% de seu sistema radicular fasciculado estão distribuídos entre 0,2 a 1,0 m de profundidade e até 1,50 m de raio da estipe da planta.
É uma cultura que exige cuidados em relação aos tratos culturais, principalmente a irrigação. A ocorrência de déficit hídrico na fase de produção afeta o desenvolvimento e formação dos frutos. A baixa pluviosidade em algumas regiões pode ser compensada pela situação favorável do lençol freático, pois a cultura desenvolve seu sistema radicular profundo, conseguindo resistir a déficit hídrico nos períodos com escassez de chuvas.
A irrigação possibilita elevar a produção além de suplementar a quantidade total de água que a planta necessita durante o período de seca, e mantém um nível normal de água disponível no solo durante o ciclo da cultura para produzir frutos com qualidade, destinados ao comércio interno e exportação.
Necessidade hídrica
O fruto do coqueiro anão é extremamente rico em água (em torno de 450 ml). A diferenciação das flores femininas, ocorre no palmito e a emissão da espata dura em torno de doze meses, quando esta abre-se e é polinizada. O fruto desenvolve-se e é colhido seis meses após a abertura da espata.
A ocorrência de déficit durante a fase de produção irá comprometer a diferenciação e consequentemente a produção no ano seguinte.
Devido ser a cultura extremamente sensível ao déficit hídrico, em regiões com precipitações irregulares ou inferiores a 1.200 mm/ano é necessário a suplementação com água através da irrigação. Em regiões semiáridas, onde a precipitação pluviométrica na sua maioria varia de 400 a 700 mm/ano e distribuída em 3 a 4 meses do ano, com escassez de chuvas nos meses restantes a irrigação é indispensável.
Irrigação necessária
Á água necessária para atender a demanda evapotranspirativa de uma cultura é um importante parâmetro a ser considerado no planejamento, dimensionamento e manejo da irrigação.
A irrigação pode ser suplementar, para corrigir a escassez de chuvas ou total sem considerar a precipitação efetiva, de modo que não limite o crescimento e produção da cultura.
Métodos de irrigação
A cultura do coqueiro adapta-se bem aos diversos métodos de irrigação, dentre eles; irrigação por superfície com sulco, irrigação por aspersão e irrigação localizada.
A escolha do método de irrigação adequado depende de vários fatores a ser considerados, tais como, clima, tipo e topografia do solo, quantidade e qualidade da água disponível, práticas culturais e custos de implantação e operação do sistema.
Normalmente os sistemas de irrigação por sulcos são os de menor custo de implantação por unidade de área, os de aspersão convencional de custo médio e os localizados de maior custo. Quanto aos custos com operação do sistema, há uma inversão na ordem,
Os sistemas de menor custo são os localizados e os de maior custo, os sistemas de irrigação por sulco. Com relação à operação dos sistemas de irrigação no campo, os sistemas de irrigação localizados e por aspersão são os que apresentam mais facilidade na condução do que o sistema de irrigação por sulco.
A irrigação localizada
No método de irrigação localizada, a quantidade de água necessária é fornecida individualmente a cada planta, sobre uma área limitada da zona radicular, através de redes de tubulações.
A água é aplicada no solo através de emissores, em pequena intensidade e alta frequência, para manter a umidade próximo da ideal, que é a de capacidade de campo, de modo que as perdas por percolação e por escoamento superficial sejam minimizados.
Os sistemas de irrigação por gotejamento e microaspersão são os mais difundidos, sendo, o primeiro o mais antigo no Brasil (1972) e, o segundo, o mais recente (1982).
Diferem entre si quanto ao sistema de aplicação. Um sistema completo de irrigação localizada consta de conjunto motobomba, cabeçal de controle, linhas de tubulações (de recalque, principal, secundária e lateral), válvulas e emissores (gotejadores ou microaspersores).
O conjunto motobomba é normalmente de menor potência, em virtude das pequenas alturas manométricas e das pequenas vazões do sistema. O cabeçal de controle é o cérebro do sistema. Nele ocorrem vários processos fundamentais, tais como a filtragem da água, a mistura dos produtos para quimigação e a distribuição da água para os vários setores. É composto de filtros, válvulas, manômetros e injetor de fertilizantes. Os filtros são de três tipos mais comuns: de areia, de tela e de disco.
O de areia é usado para reter o material orgânico e partículas maiores e, por isso, é o primeiro filtro do sistema. Sua limpeza é feita facilmente com a retrolavagem, recomendada a cada aumento de 10 a 20% da perda de carga normal do filtro, quando limpo (aproximadamente 20 kPa).
Em algumas condições especiais de qualidade da água ou mesmo em alguns sistemas de microaspersão, pode-se dispensar seu uso. O filtro de tela tem grande eficiência na retenção de pequenas partículas sólidas, como a areia fina, porém entopem facilmente com algas. A tela usada apresenta orifícios que podem variar de 0,074 mm (200 mesh ou malhas por polegada) até 0,2 mm (80 mesh).
Constitui, juntamente com o filtro de areia, o sistema de filtragem mais usado. Os filtros de discos têm forma cilíndrica e são colocados na linha, em posição horizontal. O elemento filtrante é composto por um conjunto de pequenos anéis, com ranhuras, presos sobre um suporte central cilíndrico e perfurado. A água é filtrada ao passar pelos pequenos condutos formados entre anéis consecutivos. A qualidade da filtragem vai depender da espessura das ranhuras.
Na maioria dos coqueirais irrigados no Brasil até a década de 80, com irrigação localizada, dava-se preferência a irrigação por gotejamento, e ainda hoje vem sendo utilizada, principalmente nos Estados da Paraíba e Ceará. Atualmente a irrigação localizada por microaspersão, vem sendo utilizada em grande escala, em razão das vantagens que o próprio sistema apresenta como aumento da eficiência do uso da água e nutrientes, além de melhor adequar o perfil do bulbo úmido ao sistema radicular da cultura. A microaspersão na cultura do coqueiro, se expande em todo o Pais, principalmente nos municípios de Petrolina-PE, Juazeiro, Anagê, Bom Jesus da Lapa-BA, Varjota, Paraibaba-CE, Norte de Minas, Platô de Neópolis–SE e São Mateus, Vila Valério e São Gabriel da Palha–ES.
A irrigação localizada: Gotejamento e Microaspersão
A cultura do coqueiro exige grande quantidade de água durante seu desenvolvimento vegetativo e fase produtiva.. A irrigação, além de favorecer o desenvolvimento da planta, contribui para a precocidade de floração, que ocorre a um (01) e oito (08) meses que a partir daí produz continuamente. O suprimento adequado de água a cultura promove aumento da produtividade e a produção de frutos durante ano inteiro.
A cultura do coqueiro adapta-se bem a diversos métodos de irrigação, dentre eles a irrigação por sulcos, a aspersão convencional e a irrigação localizada.
No método de irrigação localizada, a quantidade de água necessária à cultura é fornecida individualmente a cada planta, sobre uma área limitada da zona radicular, através de redes de tubulações. A água é aplicada em pequena intensidade, e alta frequência para manter a umidade do solo na região explorada pelas raízes próxima à umidade de capacidade de campo, de modo que as perdas por percolação e por escoamento superficial sejam minimizadas.
Atualmente, a irrigação localizada vem sendo utilizada em grande escala, em razão das vantagens que o próprio método apresenta, como aumento da eficiência do uso da água e nutrientes, além de maior economia de mão-de-obra, água e energia, pois, molha somente parte da superfície do solo. Os sistemas de irrigação por gotejamento e microaspersão são os mais difundidos, sendo, o primeiro o mais antigo no Brasil (1972), e o segundo, o mais recente (1982). Diferem entre si quanto ao sistema de aplicação.
No sistema por gotejamento, os gotejadores normalmente trabalham com pressões de serviço de 10 a 30 mca, cujas vazões variam de e 2 a 16 l.h-1, sendo mais comum na cultura do coqueiro, gotejadores com 4 l.h-1, dependendo do espaçamento entre gotejadores Os gotejadores são mais sensíveis ao entupimento, e proporcionam uma maior concentração do sistema radicular do coqueiro.
No caso da microaspersão no cultivo do coqueiro, os microaspersores normalmente também trabalham com pressões de serviço de 10 a 30 mca, atingindo vazões entre 20 a 100 l.h-1, sendo mais comum microaspersores com 30 a 50 l.h-1. Eles são menos sensíveis ao entupimento quando comparados aos gotejadores.
Na irrigação por gotejamento, deve-se usar no mínimo dois (02) gotejadores por planta, enquanto na irrigação por microaspersão usa-se apenas um (01)microaspersor por cova.
Na opção por microaspersão ou gotejamento, deve-se levar em consideração o tipo de solo, a quantidade e qualidade da água a ser utilizada.
Se a água for escassa, e de baixa qualidade principalmente quanto à salinidade, com possibilidade de promover salinização, e se o solo for de textura média a argilosa deve-se dar preferência ao gotejamento, por proporcionar melhor volume de solo umedecido e menor incidência danosa dos efeitos da salinidade no solo e na cultura.
Nos solos arenosos, a microaspersão seria a mais recomendada, pois propiciará maior volume de solo molhado, neste tipo de solo, pois a água penetra e se move com maior velocidade, sendo necessária uma área de umedecimento maior, beneficiando o sistema radicular do coqueiro.
Nas regiões com pouca possibilidade de salinização e independente do tipo de solo, como é o caso das zonas litorâneas, cerrados, etc, o mais recomendado seria a microaspersão. Deve-se levar em consideração no momento de optar por um ou outro sistema localizado, a qualidade da água de irrigação. Água com alto teor de sais e matéria orgânica, pode ao longo do tempo promover obstruções nos gotejadores ou microaspersores.
Aspersão convencional
Neste método a água é aplicada na forma de chuva artificial com fracionamento do jato d’água, originando gotas que espalham pelo ar e atingem o solo. É um sistema pressurizado e sua distribuição envolve tubulações com derivações que conduzem a água até os aspersores que direcionam o jato e auxiliam seu fracionamento. os sistemas de irrigação por aspersão convencional é bastante utilizado, sendo que no extremo sul da Bahia estão usando, canhões e autropopelidos em pomares novos em formação e início de produção.
A irrigação por superfície através de sulcos, respectivamente, na ordem de maior adequação à cultura e economia d'água.
Este sistema consiste na distribuição de água às áreas irrigadas utilizando a própria superfície do solo para escoamento gravitacional, durante o tempo necessário para que a água, infiltrada ao longo do sulco, seja suficiente para umedecer o solo da zona radicular efetiva da cultura.
Este sistema prevalece em quase todas as áreas de agricultura irrigada do mundo e também no Brasil, tendo sido o primeiro sistema de irrigação usado na cultura do coqueiro.
Para a cultura do coqueiro, geralmente utiliza-se um (01) a dois (02) sulcos por fileira de planta, o que resulta no molhamento de 30 a 80% da superfície total da área irrigada, diminuindo assim as perdas por evaporação, permitindo ainda realizar os tratos culturais e colheita durante e após a irrigação. Quanto a forma geométrica, a mais comum é “V”, com 15 a 20 cm de profundidade e 25 a 30 cm de largura, na parte superior, que normalmente conduz uma vazão inferior a 2 l/s.
Este sistema de irrigação é comum na região de Souza-PB, Juazeiro-BA, Petrolina-PE, Pentecoste e Lima Campos-CE, em áreas de pequenos produtores localizadas em perímetros irrigados.

Métodos

A cultura do coqueiro adapta-se bem a diversos métodos e sistemas de irrigação. Assim, podem ser utilizados os seguintes métodos e sistemas: 1) irrigação por superfície, sendo os sistemas por inundação e sulcos as formas mais utilizadas; 2) irrigação por aspersão, pelos sistemas de aspersores convencionais, canhões e autopropelidos; e 3) irrigação localizada, por meio dos sistemas de gotejamento superficial e subterrâneo (enterrado) e de microaspersão.
Diante da atual necessidade de racionalização e uso eficiente de água e energia, recomenda-se utilizar o método de irrigação localizada ou microirrigação, visto que ele permite a aplicação da água em pequenas quantidades e com alta frequência (turno de rega geralmente diário), em apenas uma porção do volume do solo, o que proporciona menor consumo de água e energia, e maior eficiência de irrigação em comparação aos demais métodos. Além disso, a preferência pelos sistemas de microaspersão e gotejamento se dá em virtude da redução de custos com mão-de-obra, da maior eficiência na aplicação de água e fertilizantes (fertirrigação) e da facilidade de automação do sistema, possibilitando a irrigação noturna, cuja tarifa de energia é reduzida.
Na microaspersão, utiliza-se, normalmente, um ou dois microaspersores por planta, com vazões que variam de 30 a 70 L/h, enquanto no gotejamento, quatro a oito gotejadores por planta adulta (com vazão do emissor variando de 1 a 8 L/h), dispostos em faixa contínua ou em círculo ao redor da planta.
Para solos arenosos, o uso da microaspersão é mais recomendado, visto que, com um único microaspersor, em vez de vários gotejadores, consegue-se uma área de solo molhada maior, o que proporciona melhor distribuição das raízes no perfil do solo. Teoricamente, ao se utilizar apenas um microaspersor por planta, a operação do sistema é facilitada e o gasto com investimento, reduzido. Entretanto, sempre que for conveniente e viável economicamente, sugere-se utilizar dois microaspersores por planta, com objetivo de aumentar a eficiência de aplicação ou distribuição de água.
Os microaspersores, geralmente, apresentam um raio de distribuição de água que varia de 2,4 m a 3,5 m. Alguns modelos de microaspersores vêm de fábrica com estruturas, chamadas defletores, que direcionam a aplicação da água, reduzindo seu raio de alcance para em torno de 1,0 m. Isso é útil nos primeiros anos de desenvolvimento da planta. Com o desenvolvimento da cultura, o defletor deve ser removido para que o microaspersor funcione com seu padrão de distribuição de água normal.
Em condições de alta frequência de irrigação, as perdas de água por evaporação na superfície do solo podem ser altas; por isso, se deve ajustar a área molhada pelos microaspersores de acordo com a idade da planta e o desenvolvimento do seu sistema radicular, objetivando a economia de água na irrigação, conforme a Figura 1. Na fase jovem do coqueiro, o uso do microaspersor com diâmetro molhado ajustado ao tamanho do sistema radicular da cultura permite reduzir o consumo de água em até 80%. Já na fase de produção, a porcentagem da superfície do solo molhada pelo microaspersor deve ser em torno de 40% a 60%, o que pode ser obtido com o uso de microaspersores com diâmetro molhado de 5,0 a 6,0 m.

Figura 1. Recomendação de diâmetro molhado na irrigação por microaspersão em função da idade das plantas de coqueiro-anão.
Fonte: Adaptado de Miranda e Gomes (2006).
Em regiões em que a água é escassa ou salina, sobretudo se o solo for de textura franca (média) a argilosa, recomenda-se optar por um sistema de gotejamento, quer seja superficial ou subterrâneo. Pois, no gotejamento, a água é aplicada de forma pontual e molha apenas uma pequena área da superfície do solo, reduzindo as perdas de água por evaporação e, no período seco do ano, o crescimento de plantas invasoras. Esse sistema permite manter um determinado volume do solo continuamente umedecido, tanto espacial quanto temporalmente. Isso contribui para reduzir os efeitos prejudiciais da salinidade nas propriedades físicas e químicas do solo e no crescimento e produção da cultura. Nesse sistema de irrigação, a eficiência de aplicação da água normalmente é superior à dos demais. Contudo, ele costuma apresentar mais problemas de entupimento dos emissores (gotejadores), o que exige um sistema de filtragem da água mais eficiente. Além disso, a aplicação da água num volume restrito do solo, característica do método, restringe o desenvolvimento do sistema radicular, tornando as plantas mais suscetíveis ao estresse em situações de deficiência hídrica, causadas por quebra de equipamento, interrupção no fornecimento de água, entre outras. Assim, para aumentar a eficiência de distribuição de água, recomenda-se utilizar o anel auxiliar, também conhecido como rabo de porco ou rabicho, que é um pedaço de mangueira conectado à tubulação da linha lateral, formando um círculo em torno do caule da planta, no qual são distribuídos os emissores ou gotejadores (Figura 2).

Figura 2. Exemplo de instalação dos gotejadores em forma de “anel auxiliar” ou “rabo de porco” para plantas adultas de coqueiro.
Fonte: Adaptado de Nogueira et al. (1997).
O sistema de gotejamento subterrâneo, além de utilizar todos os recursos da irrigação localizada, apresenta ainda as seguintes vantagens comparativas: menor perda de água por evaporação, maior eficiência no uso de água e nutrientes, menor incidência de doenças e plantas invasoras, maior durabilidade dos materiais (tubulações), menor suscetibilidade aos danos físicos causados por tratos culturais, e possibilidade de mecanização de 100% da área e uso de águas residuárias. Contudo, é um sistema de mais difícil manutenção, por não se poder acompanhar visualmente e testar o funcionamento dos emissores que se encontram enterrados. É potencialmente suscetível ao acúmulo de sais, na camada compreendida entre a superfície do solo e a região acima da linha lateral, bem como à intrusão ou penetração de raízes nos gotejadores provocando obstrução ou entupimentos destes.
Para prevenir os problemas de entupimento dos emissores, provocados tanto pela penetração de raízes quanto por qualquer outro material orgânico que se deposite em seus orifícios, recomenda-se evitar aplicar volumes de água muito pequenos e operar o sistema a baixas pressões (menos de 55 kPa ≈ 0,55 atm). A obstrução por intrusão de raízes também pode ser contornada aplicando-se 0,13 mL de Trifluralina por gotejador, duas a três vezes por ano, em solos argilosos, e três a quatro vezes, em solos arenosos. A Trifluralina (nome comercial do produto PREMERLIM 600 CE) é um herbicida seletivo de pré-emergência, apresentado em forma líquida e como concentrado emulsionável, que possui translocação insignificante no solo, sendo fortemente adsorvido pelos coloides da matéria orgânica, mas pouco pelos de argila. O mecanismo de ação da Trifluralina ocorre por meio da inibição da divisão celular nos tecidos meristemáticos da planta, inibindo a formação de novas células na radícula.

Necessidade de água da cultura

Um suprimento de água adequado constitui a principal exigência para o cultivo do coqueiro, visto que esta cultura apresenta crescimento e produção contínuos, com frutos em vários estágios de desenvolvimento numa mesma planta. O coqueiro se desenvolve melhor quando o solo apresenta disponibilidade de água em torno da capacidade de campo, ou seja, sem exigir grandes esforços energéticos da planta para a absorção de água e nutrientes. Para tanto, faz-se necessário fornecer água ou complementar as necessidades hídricas da planta por meio da irrigação.
No Brasil, a maior parte dos plantios irrigados de coqueiro é da variedade Anã, que é mais exigente em água e é menos resistente à seca do que a Gigante. Isso porque o coqueiro-anão, por apresentar alta taxa de transpiração, consome mais água que o coqueiro-gigante e, nas mesmas condições de solo e clima, apresenta mais cedo os efeitos do estresse hídrico.
A quantidade de água requerida pelo coqueiro depende de vários fatores, tais como: solo (tipo, textura, teor de umidade, fertilidade), clima (radiação solar, temperatura, umidade relativa do ar e velocidade do vento), cultura (cultivar, idade, altura, área foliar e estado nutricional da planta) e manejo cultural (uso de quebra ventos e cobertura morta, controle fitossanitário e de plantas invasoras, fertilização, método e/ou sistema de irrigação utilizado, frequência e tempo de aplicação de água).
Em geral, as cultivares da variedade de coqueiro-gigante são mais tolerantes à seca do que as híbridas. Estas, por sua vez, são mais tolerantes ao déficit hídrico do que as da variedade Anã. Entre as três cultivares Anãs existentes (verde, vermelho e amarelo), a verde é mais tolerante às condições adversas do ambiente, e a amarela, mais suscetível. Sob condições regulares de suprimento de água, as cultivares híbridas apresentam maior produtividade do que as cultivares das variedades Gigante; mas, durante seca prolongada, as híbridas podem sofrer muito mais, resultando em sérias perdas de produtividade por um ou dois anos.
Para o cálculo da evapotranspiração da cultura (ETc) do coqueiro-anão irrigado por microaspersão ou gotejamento, podem ser utilizados os valores de coeficiente de cultura (Kc) apresentados na Tabela 1, os quais foram obtidos e ajustados para as condições edafoclimáticas da região litorânea do Ceará.
O manejo ou controle da irrigação é um dos fatores indispensáveis na otimização do uso da água. Contudo, para que o manejo da irrigação se proceda dentro de um critério racional, é necessário ter controle sobre a umidade do solo para se determinar, adequadamente, o momento da irrigação e a quantidade de água a ser aplicada. Logo, precisa-se ter conhecimento prévio de um conjunto de informações relacionadas não só à planta, como também ao solo e ao clima.
O conhecimento da profundidade efetiva do sistema radicular da cultura, onde se encontram 80% das raízes, é de grande importância para o manejo da irrigação. A distribuição do sistema radicular do coqueiro é influenciada, principalmente, pelo tipo de solo (presença de camadas adensadas ou coesas no perfil), condições de umidade (deficiência hídrica ou alta frequência de irrigação), práticas culturais (utilização ou não de cobertura morta) e diferenças entre variedades. No caso do coqueiro-anão irrigado, desde o primeiro ano de cultivo até a idade adulta, mais de 80% das raízes absorventes concentram-se numa profundidade de até 0,6 m.
A resposta da cultura tanto às condições de umidade do solo quanto à demanda evapotranspirativa imposta pela atmosfera consiste nas informações básicas necessárias para se realizar o manejo adequado da irrigação; ou seja, definir de forma mais precisa possível o “quando” e o “quanto” irrigar. Em princípio, a irrigação deve ser sempre realizada no momento em que a tensão de retenção da água pelo solo atinja uma determinada faixa ou valor limite, a partir do qual a absorção de água pela planta seja comprometida, causando déficit hídrico capaz de afetar seu desenvolvimento e produtividade. Com essa finalidade, vários métodos foram desenvolvidos para o manejo da irrigação, sendo uns baseados na umidade do solo e outros nas características climáticas da região. Os mais comumente usados são os que se baseiam no cálculo do turno de rega, no balanço de água no solo e na tensão da água no solo. Entre esses métodos, o que se baseia no controle da tensão da água no solo é o mais racional. Com ele, determina-se tanto o momento exato de reiniciar a irrigação (quando) como a quantidade de água a ser aplicada (quanto).
Assim, o volume de água aplicado por irrigação deve ser ajustado periodicamente, de acordo com a tensão da água no solo, e monitorado diariamente. No caso do coqueiro-anão, os valores máximos toleráveis de tensão da água no solo entre uma irrigação e outra, nas profundidades de 25 cm e 50 cm, devem estar na faixa de 10 a 25 kPa, para solos arenosos, de 25 a 40 kPa, para solos de textura média, e de 40 a 55 kPa, para solos argilosos. Portanto, o monitoramento da umidade do solo é essencial na orientação dos ajustes necessários a essas faixas de tensão e à quantidade de água a ser aplicada nas condições locais, melhorando-se, assim, a precisão do manejo da irrigação.
Para isso, podem ser utilizados equipamentos como tensiômetros. Devem ser instaladas pelo menos três baterias de tensiômetros em locais diferentes, por área homogênea de solo e de idade das plantas. Cada bateria é composta por dois ou três tensiômetros, instalados nas profundidades de 25 cm, 50 cm ou 75 cm, a uma distância de 0,60 m até 1,20 m do caule, de acordo com a idade da planta e com o raio de ação do emissor. As leituras devem ser realizadas, preferencialmente, pela manhã. Leituras acima da faixa ideal indicam que a quantidade de água aplicada deve ser aumentada e/ou as irrigações devem ser mais frequentes. Já leituras mais baixas que os valores mínimos recomendados indicam necessidade de se diminuir a quantidade de água aplicada.

Frequência de irrigação

Para que não se ultrapasse o valor máximo da tensão de água no solo permitido para a cultura antes de cada irrigação, deve-se irrigar com certa frequência média, a qual irá depender de diversos fatores relacionados ao sistema solo-água-planta-atmosfera.
Na irrigação localizada, a variação no teor de água na zona radicular deve ser mínima. Assim, para manter a umidade do volume de solo molhado próxima à capacidade de campo, geralmente adota-se uma frequência de irrigação ou turno de rega diário. Mas, em solos com baixa capacidade de retenção de água (areias quartzosas e areia-franca), pode haver necessidade de mais de uma aplicação de água por dia, para evitar perdas de água por percolação profunda (infiltração da água para camadas do solo além da zona radicular) e de nutrientes por lixiviação (lavagem de sais do perfil do solo pela água percolada ou de drenagem). Já em solos muito argilosos com grande capacidade de retenção de água, o turno de rega pode ser maior, 3 a 5 dias.

Quantidade de água a ser aplicada

Na Tabela 2, são apresentadas estimativas da quantidade de água a ser aplicada na cultura do coqueiro-anão ou híbrido por meio de sistemas de irrigação localizada, em que a estimativa da necessidade hídrica da cultura (ETc) foi obtida, considerando-se: a evapotranspiração de referência (ETo) média diária de 5 mm/dia, o coeficiente de cultura (Kc) variando de 0,65 a 1,00, conforme Tabela 1, o coeficiente de localização (Kl), a irrigação com água de boa qualidade, o espaçamento de 7,5 m x 7,5 m x 7,5 m em triângulo (Ap = 48,8 m2/planta) e a eficiência do sistema de irrigação localizada de 90%. Esses valores de quantidade de água necessária (ETc = ETo x Kc x Kl x Ap) devem ser ajustados para cada local, mês do ano e condições de cultivo específicas.
Tabela 2. Estimativa da quantidade de água necessária e de água a ser aplicada na irrigação localizada do coqueiro.
Idade da planta
Quantidade de água (L/planta/dia)
Lâmina líquida necessária (Ll)
Lâmina bruta (Lb, eficiência de 90%)
1 ano
19
21
2 anos
60
67
3 anos
144
160
4 anos
215
239
5 anos em diante
229
255
Fonte: Adaptado de Nogueira et al. (1997).
O coeficiente de localização (Kl) é calculado em função da porcentagem de área sombreada ou cobertura do solo (As), pela equação Kl = As / 0,85 (KELLER e KARMELI (1975), citados por MIRANDA e GOMES (2006)), apresentando uma relação direta com a redução da evaporação na superfície do solo em virtude da cobertura deste pelas copas das plantas, bem como com a necessidade hídrica da cultura; ou seja, à medida que aumenta o coeficiente de localização, aumenta linearmente o volume ou a quantidade de água necessária a ser aplicada à planta. Os valores de porcentagem de área sombreada (As) adotados para o 1º, 2º, 3º, 4º e 5º ano em diante foram, respectivamente, 10%, 25%, 50%, 75% e 80%, conforme Miranda e Gomes (2006).
A estimativa da quantidade de água necessária para a cultura também pode ser feita por meio do emprego do método do tanque Classe A, que é de fácil utilização e apresenta boa precisão. Para tanto, deve-se multiplicar a medida da evaporação (Ev), obtida a partir das leituras feitas no tanque, por um fator de correção (Kp), que, na falta de dados locais, pode ser assumido como sendo igual a 0,60, para regiões úmidas, e a 0,85, para regiões semiáridas, obtendo-se a evapotranspiração de referência (ETo = Ev x Kp, em mm/dia). Em seguida, multiplica-se o resultado (ETo) pelo Kc (ver Tabela 1) para se obter a evapotranspiração da cultura (ETc, em mm/dia), ou seja: ETc = ETo x Kc.
Outra maneira prática e economicamente viável de se calcular a quantidade de água necessária é por meio da utilização do tensiômetro. Na Figura 3, pode-se visualizar uma bateria de três tensiômetros com vacuômetro que, além da escala com valor numérico da tensão, apresenta uma escala com faixas em cores, a qual facilita a interpretação do estado de umidade do solo por parte do produtor irrigante. Para utilização desse método, faz-se necessário obter a curva de retenção de umidade do solo. Essa curva é obtida em laboratório, a partir de uma amostra do solo da área a ser irrigada, e dela se obtêm os dados ou informações necessárias para determinar quando e quanto irrigar. Na Tabela 3, são apresentados níveis de umidade do solo na capacidade de campo e críticos, obtidos de curvas de retenção de solos com diferentes texturas.

Foto: Ronaldo Souza Resende

Figura 3. Bateria de tensiômetros com vacuômetro (A) e detalhe que mostra, além da escala com valor numérico da tensão, uma escala com faixas em cores (B).

A seguir, demonstra-se por meio de exemplo como se calcular a quantidade de água a ser aplicada na irrigação do coqueiro, quando se utiliza o tensiômetro com vacuômetro com escala em faixas, para o caso de um solo de textura areno-argilosa. Inicialmente, deve-se determinar a umidade do solo quando ele se encontra com seu armazenamento de água na sua capacidade máxima; essa umidade, chamada capacidade de campo, é aquela em que a água está retida no solo a uma tensão de 10 kPa, para solos arenosos, ou 33 kPa para solos de textura média a argilosa. Da mesma forma, levando em conta os níveis de tensão da água máximos permitidos entre uma irrigação e outra, já mencionados anteriormente, define-se a umidade para esse valor de tensão, a qual é a chamada de umidade crítica aquele tipo de solo. Com base na Tabela 3, têm-se:
  • Ucc (10 kPa) = 0,110 m³/m³;       
  • Ucrítica (30 kPa) = 0,095 m³/m³.
A diferença entre esses dois valores (ΔU = Ucc - Ucrítica) representa a quantidade de água que se deve repor ao solo, por meio da irrigação, que é igual a ΔU = 0,015 m³/m³.
Considerando uma planta adulta com 5,5 m de diâmetro da copa (Dc), obtém-se uma área por planta (Ap = p x Dc2 / 4) ) de aproximadamente 23,76 m2. Para uma profundidade do sistema radicular (p) igual a 0,60 m, o volume de solo (Vs) a ser umedecido por planta será (Vs = Ap x p):
  • Vs = 23,76 m² x 0,60 m = 14,26 m³.
Assim, o volume líquido (Ll) que deve ser aplicado na irrigação para retornar o solo da unidade crítica à capacidade de campo será:
  • Ll = 14,26 m³ de solo x 0,015 m³/m³ = 0,214 m³ = 214 L por planta por dia.
Levando-se em consideração um sistema de irrigação por microaspersão com uma uniformidade aplicação de 90%, tem-se que o volume bruto (Lb) será:
  • Lb = 214 L / 0,9 = 238 L por planta por dia.
Verifica-se que os valores dos volumes de água líquido e bruto obtidos são semelhantes respectivamente às estimativas das lâminas líquida (215 L planta-1 dia-1) e bruta (239 L planta-1 dia-1) calculadas para uma planta de coqueiro com quatro anos de idade, conforme apresentado na Tabela 2.




domingo, 4 de junho de 2017

Plantio do Coqueiro

A marcação da área para o plantio definitivo deve ser realizada no sentido Norte-Sul, para estabelecimento da linha principal, com o objetivo de proporcionar maior período de insolação às plantas. O plantio das mudas deve ser realizado, preferencialmente, no início do período chuvoso, garantindo assim bom suprimento de água aos coqueiros. Quando realizado em condição de sequeiro e em regiões com déficit hídrico elevado, deve-se dar preferência à utilização de mudas mais jovens, com 3 a 4 folhas vivas, as quais apresentam menor área foliar e maior teor de reserva no endosperma, possibilitando assim menores perdas em campo. Atualmente, a maioria dos plantios é realizada com mudas mais jovens, em função das vantagens comentadas anteriormente. O plantio de mudas mais desenvolvidas produzidas em sacos plásticos pode ser recomendado em regiões que não apresentam déficit hídrico ou em plantios irrigados, uma vez que proporciona ganho em precocidade de produção. A grande desvantagem desse sistema está relacionada aos maiores custos de produção e transporte da muda. Sua utilização tem se restringido a grandes plantios comerciais, onde as mudas são produzidas próximo ao local de plantio.
A abertura de covas para plantio tem como objetivo principal, proporcionar à jovem planta, condições favoráveis no que se refere a umidade e fertilidade do solo, favorecendo assim o desenvolvimento e o aprofundamento das raízes do coqueiro. A depender do tipo de solo, as covas devem ser abertas com dimensões que variam entre 0,60 m x 0,60 m x 0,60 m a 0,80 m x 0,80 m x 0,80 m, e preparadas preferencialmente um mês antes do plantio. No caso de solos arenosos, onde a preocupação com a retenção de umidade deve ser maior, o terço inferior da cova deverá ser preenchido com material que favoreça a retenção de água. Quando se utiliza casca de coco, deve-se observar que estas devem ser dispostas com a cavidade voltada para cima, com camadas de solo entre estas, evitando-se a formação de espaços vazios. O restante da cova deve ser preenchido com solo de superfície e adubo orgânico, misturados homogeneamente ao fertilizante fosfatado. Recomenda-se o uso de 3 kg de torta de mamona ou o equivalente em esterco ou outra fonte orgânica. Como fonte de fósforo, deve-se dar preferência ao superfosfato simples (800 g/cova) em virtude da presença do enxofre em sua composição.
As mudas em raízes nuas devem ser imediatamente plantadas após serem retiradas do viveiro, podendo permanecer à sombra durante um curto período de tempo, evitando assim perda de umidade. Recomenda-se a poda de todas as raízes, antes da realização do plantio. Para as mudas produzidas em saco plástico, deve-se retirar o saco no momento do plantio, mantendo-se o torrão que deve ser colocado no centro da cova. Deve-se evitar também, o enterramento do coleto da muda abaixo do nível do solo.

Espaçamento e sistemas de plantio utilizados

As áreas tradicionais de plantio de coqueiros gigantes foram estabelecidas com espaçamento de aproximadamente 10 m de lado, utilizando-se sistema de plantio em quadrado, que corresponde a 100 plantas/ha. Os plantios atuais utilizam, predominantemente, o triângulo equilátero, possibilitando assim um aumento de 15% do número de plantas por área em relação à utilização do quadrado. Outra vantagem do sistema em triângulo está relacionado à maior luminosidade das plantas, tendo em vista que o plantio é realizado obedecendo ao sentido Norte–Sul, evitando assim sombreamento entre coqueiros. Por outro lado, este sistema apresenta restrições em relação à utilização das entrelinhas com culturas consorciadas que apresentam maiores exigências em luminosidade. Deve-se considerar também, que além de dificultar o trânsito de máquinas dentro do coqueiral, a maior densidade de plantio pode favorecer o surgimento de doenças foliares causadas por fungos, como as “lixas” e “queima-das-folhas”.
Os espaçamentos utilizados nas áreas tradicionais de cultivo do coqueiro no Brasil variam de acordo com a cultivar a ser implantada. No caso do coqueiro-gigante, a recomendação é utilizar o espaçamento 9 m x 9 m x 9 m (142 plantas por hectare) enquanto para o coqueiro-anão recomenda-se de 7,5 m x 7,5 m x 7,5 m (205 plantas por hectare). Para as cultivares híbridas, deve ser utilizado 8,5 m x 8,5 m x 8,5 m (160 plantas por hectare).
A depender das condições locais de clima e solo, podem ser realizados ajustes aos espaçamentos recomendados. O aumento do número de plantas por área poderá ter como consequência a redução do tamanho, peso dos frutos e volume de água produzido decorrente do autossombreamento entre plantas. Para que se obtenha melhor qualidade do fruto, principalmente quando este se destina ao consumo in natura, há necessidade que seja observada recomendação de espaçamento de acordo com a cultivar a ser implantada. Nas áreas localizadas no Nordeste do Brasil, tem-se observado mais recentemente a utilização do sistema de plantio em triângulo com 8,0 m de lado para o caso da variedade de coqueiro-anão-verde em função dos motivos comentados anteriormente. Por outro lado, os plantios realizados na região semiárida, têm utilizado menores espaçamentos em função da maior luminosidade e radiação solar com resultados discutíveis sob o ponto de vista de eficiência técnica e econômica.
A utilização de novos plantios em quadrado, retângulo, ou mesmo em triângulo, adotando-se maiores espaçamentos, além de facilitar o manejo do coqueiral, constitui-se numa alternativa que pode ser seguida, principalmente, por pequenos produtores de coco, os quais dependem da utilização das entrelinhas para plantio de culturas de subsistência durante toda a vida útil do coqueiral. Neste caso, apesar do menor número de plantas por área, o produtor tem a opção de ocupar de forma mais eficiente o espaço disponível, utilizando outras culturas nas entrelinhas ou mesmo nas faixas de plantio, aumentando consequentemente a eficiência do seu sistema de produção.
Cerca de um mês antes do cultivo, abra covas para preencher com terra, três quilos de adubo orgânico e 800 gramas de superfosfato simples. Fixe a muda no solo sem enterrar o caule. Depois de um mês do plantio, realize a adubação em cobertura com 300 gramas de uréia e 200 gramas de cloreto de potássio.






domingo, 28 de maio de 2017

Produção e obtenção de mudas de Coco (coqueiro)

Produção e obtenção de mudas

Humberto Rollemberg Fontes
Grande parte do coqueiral atualmente existente no Brasil é constituído da variedade Gigante, o qual se encontra distribuído ao longo da faixa litorânea do Nordeste, onde os plantios foram realizados utilizando-se as sementes diretamente no solo, ou mesmo a partir de mudas germinadas no campo sem nenhum critério de seleção. Embora em alguns casos estas práticas ainda persistam, passou-se a adotar nos plantios mais novos o sistema de produção de mudas com a utilização de germinadouro e viveiro utilizando-se o método de raízes nuas. Outro método empregado é o de produção de mudas em sacos plásticos, restrito a alguns grandes produtores, em função dos seus maiores custos operacionais e de transporte. Atualmente, a produção de mudas de coqueiros no Brasil é realizada, predominantemente, em germinadouro, utilizando-se mudas mais jovens e produzidas em menor espaço de tempo, onde as sementes germinadas são repicadas diretamente para o campo, sem passar pela fase de viveiro. A descrição das práticas utilizadas, assim como as vantagens e desvantagens dos sistemas utilizados, serão apresentadas a seguir.

Sistema tradicional de produção de mudas

As mudas produzidas pelo sistema tradicional passam por duas fases: germinadouro e viveiro. O germinadouro tem como objetivo selecionar o material antes de ser transferido para o viveiro. Baseia-se, principalmente, no critério de velocidade de germinação das sementes, eliminando-se também mudas raquíticas e mal formadas. O viveiro constitui-se na fase posterior onde as plantas são selecionadas de acordo com o seu vigor e estado fitossanitário.
Germinadouro
Os canteiros devem ser preparados com 1,0 m a 1,5 m de largura com comprimento variável de acordo com o número de sementes, separados entre si por corredores de 0,5 m a 1,0 m de largura para facilitar a execução dos tratos culturais. Deve-se dar preferência à utilização de solos de textura franco-arenosa, que apresentem boa profundidade de forma a evitar acúmulo de água na superfície. Para cada m² de canteiro, podem ser colocadas, aproximadamente 20 a 25 sementes para coqueiro-gigante e 25 a 30 para o coqueiro-anão, distribuídas horizontalmente uma ao lado da outra e cobertas com solo até aproximadamente 2/3 da altura da semente. A opção pela distribuição das sementes na posição vertical, além de possibilitar aumento da densidade de plantio no germinadouro, pode diminuir as perdas observadas durante o arranquio e transporte das mudas, em função da redução do índice de quebra do coleto, normalmente observado nos sistemas em que se utilizam as sementes na posição horizontal.  
A irrigação do germinadouro é de fundamental importância para acelerar a velocidade de germinação das sementes. A necessidade de água nesta fase é de seis a sete mm/dia, ou seja, seis a sete litros de água/m², que corresponde a, no mínimo, 60.000 a 70.000 litros/água/ha/dia. O material a ser transferido para o viveiro deve apresentar uma só brotação, com altura em torno de 15 a 20 cm. Devem-se eliminar plantas raquíticas com limbo reduzido, albinas, ou que apresentem poliembrionia (formação de mais de uma muda por semente). Após o arranquio das plântulas, procede-se à poda total das raízes antes da repicagem para o viveiro. É importante salientar que, sementes não germinadas até 120 dias, devem ser descartadas, uma vez que a velocidade de germinação está diretamente correlacionada com a precocidade de produção da planta.
A utilização de cobertura morta à base de fibras de cascas de coco e/ou palhada em geral, constitui-se numa prática recomendável uma vez que favorece o controle de plantas daninhas e aumenta a conservação de umidade do solo. Esta prática, protege também as plântulas em fase inicial de germinação, principalmente em se tratando de solos muito arenosos, onde é comum a ocorrência de queima da brotação da plântula em contato direto com a areia.
Viveiro
Na fase de viveiro, as mudas oriundas do germinadouro são plantadas obedecendo a um espaçamento de 60 cm x 60 cm x 60 cm em triângulo equilátero (31.944 mudas/ha). Recomenda-se o plantio de 80 cm x 80 cm x 80 cm (17.968 mudas/ha) se as mudas forem permanecer no viveiro por um período superior a seis meses, evitando-se, assim, problema de estiolamento (alongamento do caule em condições de sombreamento parcial ou não). A repicagem das sementes germinadas para o viveiro deve ser realizada quando as plantas apresentam em torno de 20 cm, sendo o plantio realizado mantendo-se o coleto da planta ao nível do solo. A irrigação do viveiro constitui-se em fator de fundamental importância para acelerar o desenvolvimento da muda, sendo a quantidade de água aplicada equivalente àquela recomendada para a fase de germinadouro, mantendo-se o turno de rega durante o início da manhã e final da tarde.
Um mês após a repicagem do germinadouro para o viveiro, as novas raízes emitidas estarão aptas para absorver os elementos nutritivos contidos no solo. Recomenda-se a utilização de 200 g por planta da formulação 15-10-15, fracionada, de acordo com a idade da planta. No primeiro mês, utiliza-se 30 g; no terceiro, 100 g e no quinto mês, 70 g da mistura por planta.
No viveiro, as sementes germinadas devem ser plantadas obedecendo ao método de raízes nuas, ou utilizando-se a técnica de produção de mudas em sacos plásticos. Em ambos os casos, as mudas passam aproximadamente 6 a 8 meses no viveiro, período este que somado à fase de germinadouro (4 meses) corresponderia a aproximadamente um ano para produção da muda. As vantagens do uso do saco plástico em relação ao sistema em raízes nuas, são atribuídas ao aumento da precocidade de produção, à supressão do choque durante o transplante para o campo, melhor utilização da adubação mineral e a possibilidade de transporte das mudas com maior antecedência para o local de plantio. A grande desvantagem deste método diz respeito à elevação dos custos de produção, principalmente em relação às necessidades de irrigação e limpeza do viveiro. O custo de transporte das mudas eleva-se substancialmente, sendo recomendada a sua utilização apenas quando o viveiro está localizado próximo ao local de plantio definitivo. Deve-se observar ainda que, em áreas não irrigadas e que apresentam déficit hídrico elevado, o plantio de mudas mais desenvolvidas obtidas quando se utiliza as fase de germinadouro e viveiro, apresentam maior índice de perda em campo, principalmente quando há ocorrência de déficits hídricos ou mesmo redução e/ou atraso do período chuvoso.
Os sacos plásticos devem ser de polietileno preto, com 0,2 mm de espessura e dimensões de 40 cm x 40 cm x 40 cm para sementes do coqueiro-anão e dos híbridos, e 60 cm x 60 cm x 60 cm para o coqueiro-gigante, perfurados na metade inferior, para permitir a drenagem da água em excesso. Devem ser cheios até 2/3 com solo de superfície, devidamente peneirado e enriquecido com matéria orgânica. As plântulas são colocadas nos sacos e distribuídas no viveiro ao lado de cada piquete, obedecendo ao mesmo sentido e posicionamento.

Sistema alternativo de produção de mudas

O sistema alternativo utiliza apenas a fase de germinadouro, onde as mudas produzidas são transplantadas diretamente para o campo sem passar pela fase de viveiro. Quando se utiliza a disposição horizontal das sementes no germinadouro, a recomendação é que seja reduzida a densidade de plantio de 30 para 15 a 20 sementes/m2, possibilitando assim que as sementes germinadas permaneçam no germinadouro até, aproximadamente, seis meses de idade, quando apresentam em média três a quatro folhas vivas, sem comprometimento do seu desenvolvimento. Diferentemente do sistema tradicional, em que as sementes germinadas são repicadas para o viveiro à medida que as plântulas alcançam desenvolvimento adequado, neste caso, as sementes germinadas são transplantadas diretamente para o campo sem passar, portanto, pela fase de viveiro. Além do menor custo em função do menor tempo para a obtenção da muda, o sistema alternativo apresenta as seguintes vantagens: maior índice de pega no campo, em função da maior disponibilidade de reservas no endosperma da semente; menor transpiração decorrente da redução da área foliar; maior facilidade de transporte; eliminação da fase de viveiro e, consequentemente, redução do estresse da planta causado pela poda das raízes. Quando se utiliza as sementes na posição vertical, além do aumento da densidade de plantio, pode-se reduzir ainda os custos de abertura dos germinadouros. Neste caso, a abertura das covas para colocação de cada semente, utilizando-se um cavador manual obedecendo à densidade de plantio previamente estabelecida. A grande desvantagem deste método está relacionada com a limitação do tempo de permanência das mudas no germinadouro/viveiro, uma vez que poderá ocorrer autossombreamento e, consequentemente, estiolamento das mudas quando estas ultrapassam a fase ideal de plantio. Nesse caso, seria recomendável transplantar todo o material para um viveiro, sob pena de comprometer a qualidade final da muda. O maior sombreamento e a umidade poderão também, propiciar condições favoráveis para o aparecimento da Helmintosporiose.
A área do viveiro deve ser mantida livre de ervas daninhas principalmente gramíneas, por serem consideradas plantas hospedeiras de insetos vetores de doenças como podridão-seca-do-olho do coqueiro. A limpeza da área deve ser realizada regularmente inclusive na área externa, abrangendo uma faixa mínima de 10 m. Devem ser observados os mesmos cuidados recomendados para o sistema tradicional relacionados com a irrigação e conservação de umidade, como a cobertura morta, a eliminação das plantas daninhas e a realização de tratos fitossanitários. A adubação recomendada neste caso é de, aproximadamente, 80 g da formulação 15-10-15 por planta, fracionada em duas a três aplicações, entre o terceiro e quinto mês após a instalação do germinadouro. Em função do pouco tempo de permanência das mudas no germinadouro e a depender do estágio de desenvolvimento das mudas, pode-se dispensar a adubação nesta fase, compensando a mesma na fase de campo após a realização do transplantio.




segunda-feira, 22 de maio de 2017

Produção de sementes de Coqueiro


Produção de sementes

Atualmente, as principais demandas de sementes para implantação de áreas com coqueiro no Brasil, são de anão-verde e do híbrido intervarietal anão x gigante. Para atender a essas demandas, o ideal seria que só existisse no país produtores de sementes e campos de plantas estabelecidos de acordo com as normas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Observa-se, no entanto, que grande parte das sementes produzidas no país, ainda é realizada em desacordo com as referidas normas, e procedentes de produtores não idôneos e de campo de plantas heterogêneas estabelecidas em isolamento. Como consequência, obtêm-se sementes constituídas por uma mistura de cultivares indesejadas, resultando em plantios desuniformes em relação às diferentes características de interesses morfológico e agronômico da cultura.
Alguns produtores de coco que exploram híbridos intervarietais de coqueiro (plantas F1 do cruzamento anão x gigante) utilizam as sementes colhidas desses híbridos (sementes F2), para produzir e comercializar mudas. Entretanto, não se recomenda plantar mudas oriundas de material F2, tendo em vista a segregação genética da semente, o que pode gerar plantios muito desuniformes em relação as características morfológicas e agronômicas de importância na exploração do coqueiro, causando grandes prejuízos aos produtores.

Produção de sementes de cultivares de coqueiro

No processo de produção de sementes registradas e certificadas de cultivares de coqueiro, é necessário o registro do produtor e do campo de plantas, como também de um agrônomo responsável pelo acompanhamento da produção de sementes, de acordo com as normas do Mapa.
O campo de plantas para produção de sementes deve ser estabelecido com cultivares homogêneas, de produção estável, de origem comprovada oficialmente e isolados de qualquer plantio de coqueiro. Considera-se como homogêneo, um campo de plantas onde 100% das plantas sejam da mesma cultivar, possibilitando assim, que as sementes produzidas representem geneticamente essa cultivar. O isolamento tem o objetivo de impedir que ocorra contaminação por pólen estranho a partir de plantios vizinhos -, evitando assim, que ocorra a produção de sementes de cultivares indesejadas.

Campo de plantas para produção de sementes de coqueiro-anão

Para produção de sementes de coqueiro-anão, considerando-se que as inflorescências abrem-se e liberam o pólen naturalmente, é importante que o campo de plantas seja estabelecido por apenas uma das cultivares, amarela, verde ou vermelha, com isolamento físico de 500 m, tanto entre si, quanto em relação a qualquer outro plantio de coqueiro. Este isolamento, no entanto, pode ser menor, variando de 200 m ou 300 m, quando ocorrem barreiras naturais (serra, vegetação nativa etc.) ou artificiais (pomares com outras frutíferas, plantio de eucalipto, entre outros).

Campo de produção de sementes de coqueiro-gigante

A demanda de sementes do coqueiro-gigante no Brasil é insignificante e basicamente restrita aos pequenos produtores de coco, pelo fato de ser uma variedade mais tolerante a condições adversas de clima e solo. Comparativamente às outras cultivares de coqueiro, é uma variedade tardia e de baixa produção de frutos. Atualmente, são poucos os plantios legítimos com essa variedade no Brasil, que correspondem, a algumas populações homogêneas e isoladas, prospectadas pela Embrapa. Por ser uma variedade de reprodução cruzada, o isolamento ideal para implantação do campo de plantas é de 1.000 m, podendo ser de 500 m, desde que ocorram barreiras naturais ou artificiais.

Campo de produção de sementes de híbridos intervarietais

As sementes dos híbridos intervarietais são produzidas, empregando-se normalmente o coqueiro-anão como parental feminino, por apresentar porte baixo; crescimento lento; florescimento precoce; inflorescência menor; maior número de emissão de inflorescência por ano e consequentemente menor intervalo entre emissões de inflorescências; maior número de flores femininas/inflorescência; maior produção de sementes/planta; e, maior densidade de plantio (205 plantas/ha). Nesse processo, como a abertura das inflorescências do coqueiro-anão é feita de forma forçada e controlada, o isolamento físico ideal para o campo de plantas de sementes híbridas comerciais é de 1.000 m, podendo ser de 500 m, desde que ocorram barreiras naturais ou artificiais.

Métodos de produção de sementes híbridas

Método natural ou dirigido
O campo de plantas é estabelecido intercalando-se duas ou três linhas do coqueiro-anão (parental feminino) com uma linha do coqueiro-gigante (parental masculino), ambos no espaçamento indicado para o coqueiro-gigante. As linhas correspondentes ao parental feminino podem ser implantadas com a mesma cultivar de coqueiro-anão ou cada uma delas com uma cultivar diferente. Com esse método, só há necessidade de emascular as inflorescências do coqueiro-anão - após a sua abertura forçada, três a quatro dias antes de sua abertura natural.
O pólen para os cruzamentos é proveniente do coqueiro gigante plantado intercalado. Este é um método considerado simples, uma vez que exige apenas a emasculação das plantas-mães, não necessitando de coleta e aplicação de pólen. Além disso, requer menos mão de obra e não apresenta exigência de montagem de um laboratório de pólen, aproximando-se bastante do processo natural de polinização. Esse método apresenta como desvantagem a limitação do processo de hibridação, uma vez que só permite a produção de sementes do(s) mesmo(s) híbrido(s) de acordo com o número de cultivares de coqueiro-anão plantados intercalados ao gigante.
Método controlado sem proteção da inflorescência
Por esse método, ao contrário do anterior, o campo de plantas é estabelecido apenas com o coqueiro-anão, no espaçamento de 7,5 x 7,5 x 7,5 m em triângulo equilátero. Esse método é composto pelos processos de coleta de pólen do parental masculino, tratamento, armazenamento e avaliação da viabilidade desse pólen, emasculação da inflorescência - após a sua abertura forçada três a quatro dias antes da abertura natural – e aplicação do pólen durante a fase de receptividade das flores femininas da inflorescência. Consequentemente, esse método é bem mais complexo, por ser constituído de várias atividades distintas durante a hibridação, exigir mais mão de obra em quantidade e qualidade para essas atividades e necessitar de infraestrutura de laboratório para os trabalhos com o manuseio e tratamento do pólen. Por ocorrer interferência do homem nas diferentes fases reprodutivas das inflorescências do coqueiro-anão, a produção de sementes híbridas por planta é menor - quando comparado a do método anterior -, mas, a produtividade é superior, devido a maior densidade de plantio do coqueiro-anão. É conveniente salientar ainda, que ao contrário do método anterior, esse é um processo bastante flexível no tocante ao número de híbridos que podem ser obtidos por planta, isto é, em uma mesma planta, pode-se obter um híbrido diferente por inflorescência emitida.
Método controlado com proteção da inflorescência
É um método praticamente igual ao anterior em termos das etapas de hibridação. A única diferença, é que o campo de plantas não é isolado no espaço físico de qualquer plantio de coqueiro e, dessa forma, no processo de hibridação para produzir sementes registradas e certificadas de coqueiro, o isolamento das inflorescências é feito de forma mecânica, com saco de lona (saco com 0,60 m de largura por 0,80 m de comprimento, dotado na parte mediana de janela de plástico). Em função dessa proteção, no interior do saco há a formação de microclima com alta umidade e temperatura, consequentemente, a produção de sementes/cacho é baixa (duas sementes/cacho). Portanto, é um método indicado apenas para produção de sementes de híbridos experimentais.







 Clique na busca do google abaixo e visite inúmeros textos e vídeos sobre esta postagem


sábado, 20 de maio de 2017

Cultivares de Coqueiro


Cultivares de coqueiro

O gênero Cocos é constituído apenas pela espécie Cocos nucifera L., a qual é composta de algumas variedades, entre as quais, as mais importantes são Typica (coqueiro-gigante) e Nana (coqueiro-anão). Os híbridos de coqueiro mais utilizados são resultantes dos cruzamentos entre essas variedades (híbrido intervarietal).
No Brasil, existe uma área plantada de 257.157 ha, com produção superior a 2.820.468 toneladas de frutos por ano, se constituindo na quarta produção mundial, depois da Indonésia, Filipinas e Índia, com produções de frutos (toneladas/ano) de 18.300.000, 15.353.200 e 11.930.000, respectivamente (FAOSTAT, 2014). Segundo o Sindicato Nacional dos Produtores de Coco (Sindcoco), em torno de 70%, 20% e 10% dos plantios de coqueiro no país, são formados pelas cultivares gigante, anão e híbrido intervarital, respectivamente. Entretanto, as principais demandas de sementes para implantação de áreas com coqueiro, são do anão verde para água de coco e do híbrido intervarietal anão x gigante. Esta cultivar é considerada de múltiplo uso in natura e agroindustrial, principalmente, na produção de fibra, copra (albúmen sólido desidratado a 6% de umidade), óleo, ácido láurico, entre outros produtos e subprodutos do coco.
O coqueiro-gigante é ainda bastante explorado, principalmente pelos pequenos produtores de coco. É uma variedade rústica, mais adaptada que outras cultivares de coqueiro às condições de estresses bióticos e abióticos. De crescimento rápido e longa fase vegetativa, inicia o florescimento entre 5 e 7 anos em condições ecológicas ideais de exploração e atinge, na idade adulta, entre 20 m a 30 m de altura. Essa variedade pode produzir de 60 a 80 frutos/planta/ano, de tamanho variando de médio a grande, cuja colheita do coco seco, ocorre entre 11-12 meses após os fenômenos reprodutivos.  A sua vida útil econômica é de 60 a 70 anos. No Brasil, é muito empregado, in natura para uso culinário (na produção de doces, bolos etc.), bem como na agroindústria de alimentos para leite de coco, farinha de coco, entre outros. A copra (albumen sólido desidratado a 6% de umidade) do fruto do coqueiro-gigante é rica em óleo, como os teores entre 68% e 70% determinados por Passos e Cardoso (2012), na do gigante-do-Brasil-da-Praia-do-Forte (GBrPF). A água de coco dessa variedade é pouco demanda para consumo in natura, devido a apresentar, em geral, um baixo valor sensorial de sabor, mas, tanto a produção (516,25 ml) segundo Passos et al., (2006) e Aragão et al., (2009) quanto o teor de potássio (353,9 mg/100 g) determinado por Chattopadhyay et al., (2013), na água dos frutos colhidos com 7 meses de idade, são bem superiores às do coqueiro-anão.
A variedade Nana (coqueiro-anão) é composta pelas cultivares amarela, verde, e vermelha. No Brasil, a principal demanda para plantio, é da cultivar verde. Essa variedade apresenta desenvolvimento vegetativo lento, estipe praticamente cilíndrico, folhas numerosas, porém curtas (4 m a 5 m de comprimento), atingindo na idade adulta 10 m a 12m de altura. É uma variedade precoce, cujo florescimento ocorre, em média, de 2,5 a 2,9 meses, significando que a produção e as primeiras colheitas de frutos para água de coco, ocorrem nas plantas com idade de 3 anos a 3 anos e 4 meses (ARAGÃO et al., 2004). Produz de 150 a 200 frutos/planta/ano de tamanho pequeno, e a planta tem vida útil em torno de 30 a 40 anos. É menos tolerante ao ataque de pragas, como ácaro, doenças foliares, anel vermelho, entre outras, sendo mais exigente ao clima e solo do que o coqueiro-gigante.
O coqueiro-anão é a variedade mais empregada no Brasil para usos in natura e industrial da água de coco, inclusive, com qualidade sensorial superior às demais cultivares. As maiores produções médias de água de coco (média de 6 anões avaliados na Baixada Litorânea e nos Tabuleiros Costeiros), ocorrem entre os meses 6 (347,99 ml) e 7 (331,73 ml), após os fenômenos reprodutivos. As composições químicas médias (média dos meses 6 e 7) da água do anão-verde-do-Brasil-de-Jiqui (AVeBrJ), anão-amarelo-do-brasil-de-gramame (AABrG) e anão-vermelho-de-camarões (AVC), são respectivamente, as seguintes: pH – 5,17, 5,22 e 5,24; ºBrix – 5,95, 6,4 e 6,1; teor de glicose  (g/100 g) – 3,17, 1,98 e 2,21; teor de frutose (g/100 g) – 3,15, 2,37 e 2,49; e teor de sacarose (g/100 g) – 0,40; 0,67 e 0,65. Observa-se que, independentemente da cultivar de anão, o pH da água é sempre ácido, e o teor de sacarose baixo, enquanto o ºBrix é relativamente maior no AABrG e os teores de açucares redutores glicose e frutose, maiores, principalmente no AVeBrJ. É conveniente salientar ainda, que é nesses meses de maiores produções de água que o °Brix e os teores dos açúcares redutores glicose e frutose, coincidentemente, são também maiores, e como esses constituintes são os responsáveis pela maior qualidade sensorial de sabor, significa que é nessas idades que os frutos do coqueiro-anão devem ser colhidos para consumo in natura e agroindustrial de água de coco verde (TAVARES, et al., 1988, ARAGÃO et al., 2001a, ARAGÃO et al., 2001b e ARAGÃO, 2002). Além disso, segundo esses autores, a água de coco das cultivares de anão é rica em potássio, praticamente independente da idade do fruto, variando em média de 179,2 mg/100g na água dos frutos com 6 meses de idade a 211,9 mg/100 g na água dos frutos com 10 meses de idade.
Já nas agroindústrias de alimentos, o coqueiro-anão é pouco utilizado, devido, segundo Cardoso e Passos (2010), a menor produção de albúmen sólido no AVeBrJ, anão-vermelho-da-Malásia (AVM) e principalmente no anão-amarelo-da-Malásia (AAM) e AVC. Apesar disso, os teores de óleo são relativamente altos, sendo superiores a 60%, especialmente no AVeBrJ e AVM, em torno de 60% no AVC e abaixo desse valor no AAM, sendo necessária uma quantidade de frutos para se produzir uma tonelada de óleo, da ordem de 9.400, 11.100, 11.600 e 13.800, respectivamente (CARDOSO e PASSOS, 2010). Também, os teores de ácido láurico nos anões AVC (54,2%) e (AVM (54,6%), são altos (ARAGÃO et al., 2003).
O coqueiro híbrido intervarietal anão x gigante, é uma cultivar de ampla utilidade comercial, podendo ser  empregada para produções  de água de coco e de fibras, e principalmente para produção de albúmen sólido, óleo, ácido láurico, entre outas utilidades. A grande dificuldade a curto e médio prazos, é a baixa disponibilidade de sementes híbridas no mercado, para implantação de extensas áreas com essa cultivar. Ultimamente, os híbridos mais plantados no Brasil foram os BRS 001 – AVeBrJ x GBrPF (híbrido Praia do Forte), BRS 002 – AABrG x GBrPF (híbrido Sementeira) e BRS 003 – anão-vermelho-do-brasil-de-gramame (AVBrG) x GBrPF (híbrido Miranda Júnior), que foram desenvolvidos pela Embrapa Tabuleiros Costeiros, e registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Apesar desses registros, atualmente, a Embrapa só tem capacidade técnica e de infraestrutura para produzir sementes comerciais do BRS 001. Para produzir sementes dos BRS 002 e 003, essa empresa, necessariamente, tem que implantar campos de plantas com os AABrG e AVBrG, ou talvez o mais recomendado, fazer parcerias com instituições privadas que contenham campos de plantas com esses anões. A Sococo, apesar de ter também as mesmas capacidades da Embrapa para produzir sementes desses híbridos, só produz sementes para atender a sua própria demanda.
Os híbridos BRS 001, BRS 002 e BRS 003 florescem em média com 3,1 anos após o plantio definitivo, significando que as primeiras colheitas de frutos verdes para consumo de água e de frutos secos para produção de copra, ocorrem entre 3,8 a 3,9 anos e 4,0 a 4,1 anos, respectivamente (ARAGÃO et al., 2004). As produções de frutos/planta nas primeiras colheitas , foram de 105 no BRS 001 e de 110 nos BRS 002 e 003 (FERRAZ, et al., 2006). Nos frutos colhidos com 7 e 8 meses, as produções de água (ml) foram respectivamente nos BRS 001 - 487,72 e 524,85, BRS 002 - 392,75 e 493,85 e BRS 003 - 422,85 e 400,52 (ARAGÃO et al., 2009). A produtividade de albúmen sólido do BRS 001 foi de 5,58 t/ha, BRS 002 de 5,72t/ha e BRS 003 de 4,99 t/ha (FERRAZ et al., 2006).
Os híbridos apresentam na copra, altos teores de óleo e ácido láurico. Esses teores avaliados por Tavares et al., (1988) no híbrido PB 111 - AVC x GOA (66,78% e 52,9%) são maiores que os do PB 121 (65,24% e 48,4%). Também, o teor de óleo no híbrido AABrG x GOA determinado por Abreu et al., (2013), na Cohibra em Amontada/CE, foi de 66,83%, portanto, bem próximo dos teores dos dois PB’s. Passos e Cardoso (2008), comparando os teores de óleo do GBrPF (70,1%), híbrido BRS 001 – AVeBrJ x GBrPF (68,4%) e do AVeBrJ (66,2%) no platô de Neópolis/SE, determinaram que são altos e iguais pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. O número de frutos para se produzir uma tonelada de óleo no híbrido PB 121 (AAM x GOA), estimados por Sangaré e Rognon (1980), é menor que o do AVeBrJ, isto é, 8.000 frutos.

Vantagens do coqueiro híbrido em relação aos parentais anão e gigante em condições agroecológicas ideais de exploração

Maior estabilidade de produção quando submetidos a diferentes condições ambientais.
Ampla utilidade do fruto – uso in natura (culinária e água de coco) e emprego agroindustrial (alimentos, água de coco, óleo, ácido láurico, saboaria, detergentes, fibras para estofados e ração animal, entre outros).
Fruto de tamanho médio de acordo com a exigência do mercado.
Maior produtividade de copra – pode produzir em média entre 4,0 e 5,0 t/ha, enquanto o gigante entre 2,0 e 2,5 t/ha e o anão entre 3,0 e 4,0 t/ha.
Teor médio de óleo (66,01%) praticamente igual ao do gigante (67,02%) e maior que o do anão (60,0%).
Maior produtividade de óleo - pode produzir em média entre 2,6 e 3,3 t/ha, enquanto o gigante, entre 1,3 e 1,7 t/ha e o anão, entre 1,8 e 2,4 t/ha.
Teor médio de ácido láurico (50,65%) praticamente igual ao do anão (50,16%) e relativamente menor que o do gigante (52,04%).
Maior produtividade de água que o gigante – produz cerca de 10.000 a 12.000 L/ha, enquanto o gigante 5.000 a 7.000 L/ha.
Produtividade de água igual ao dos anões.
Maior estabilidade de preço no ano, devido a sua ampla utilidade comercial.

Outras vantagens do coqueiro híbrido intervarietal em relação ao coqueiro-gigante

Germinação das sementes mais rápida – germina entre 70 e 90 dias, enquanto o gigante, entre 100 e 150 dias.
Crescimento e desenvolvimento da planta mais lento.
Menor porte – atinge até 20 m.
Florescimento mais precoce – floresce em média entre 3,0 e 3,2 anos.
Maior produção de frutos por planta - produz em média entre 130 e 150 frutos.
Maior produtividade de frutos - produz em média entre 20.000 e 24.000 frutos/ha, enquanto o gigante, 8.500 a 11.500 frutos/ha.
Água mais saborosa.

Outras vantagens do coqueiro híbrido intervarietal em relação ao coqueiro-anão

Planta mais vigorosa.
Fruto maior, consequentemente, mais aceito tanto para consumo in natura quanto agroindustrial.
Maior produção de água/fruto - produz em média 500ml/fruto, enquanto o anão 300 mL/fruto.
Maior produção de polpa – produz em média 350 a 400 g/fruto, enquanto o anão nas mesmas condições apresenta em média 200 g.
Vida útil econômica - entre 50 e 60 anos, portanto, maior que a do anão.

Desvantagens do coqueiro híbrido intervarietal

Apesar de uma série de vantagens, não se recomenda colher e plantar as sementes dos híbridos F1(sementes F2), devido ao fenômeno da segregação genética. O plantio originado dessas sementes, além de apresentar uma produção média de frutos menor que a das plantas híbridas, essas plantas F2serão muito desuniformes para as diversas características de interesse agronômico e econômico, como início de florescimento, produção de frutos, porte, tolerância ou resistência a pragas e estresse ambiental, entre outras. Estes aspectos não interessam ao produtor de coco.

Tabela 1: Características físico-química de frutos de coqueiro anão no ponto ideal de colheita para uso da água de coco. Aracaju, SE, 2011.    
Características
Idade (meses)
6
7
Peso do fruto (g)
1358,9
1558,9
Volume de água (mL)
324,08
289,0
Frutose (g/100 g)
3,25
2,09
Glicose (g/100 g)
2,96
1,95
Grau Brix
6,16
6,13
Potássio (mg/100 mL)
102 a 192
143 a 191
 Fonte: Aragão (2002).

Tabela 2: Características das cultivares de coqueiro.  
Características/Cultivar
Anão
Híbrido
Gigante
Início da floração (anos)
2 a 3
3 a 4
5 a 7
Vida útil (anos)
30 a 40
50 a 60
60 a 70
Tamanho do fruto
Pequeno
Médio/Grande
Grande
Crescimento
Lento
Intermediário
Rápido
Porte (altura)
10 a 12 m
20 m
20 a 30 m
Produção (frutos/ano)
150 a 200
130 a 150
60 a 80
Peso médio de fruto
900 g
1200 g
1400 g
Peso médio de noz
550 g
800 g
700 g
Peso médio de albúmen
200 g
400 g
350 g
Exigência
Alta
Intermediária
Baixa
Destino da produção
Água
Água/Agroindústria/
Culinária
Agroindústria/
Culinária

Outras desvantagens do coqueiro híbrido em relação ao coqueiro-gigante

Planta menos rústica.
Menor produção de polpa – produz em média 350 a 400 g/fruto de polpa enquanto o coqueiro-gigante entre 400 e 500 g/fruto.
Menor produção de água – produz em média 500 mL/fruto, enquanto o coqueiro-gigante 600 mL/fruto.
Vida útil econômica entre 50 e 60 anos; portanto, menor que a do coqueiro-gigante.
Outras desvantagens do coqueiro híbrido em relação ao coqueiro-anão:
Germinação da semente mais lenta – germina entre 70 e 90 dias, enquanto o anão entre 40 e 60 dias.
Crescimento e desenvolvimento da planta mais rápido.
Maior porte – atinge 20 m de altura, enquanto o anão atinge até 12 m.
Florescimento mais tardio – floresce em média entre 3,0 e 3,2 anos, enquanto o anão floresce em média entre 2,5 e 2,9 anos.
Menor produção de frutos – produz em média entre 130 e 150 frutos/planta/ano, enquanto o anão entre 150 e 200 frutos/planta/ano.