domingo, 10 de março de 2019

Doenças na Banana Irrigada



As bananeiras são afetadas, durante todo o seu ciclo vegetativo e produtivo, por um grande número de doenças, cujos principais agentes causais são os fungos, as bactérias e os vírus. Neste capítulo, entretanto, serão tratados os problemas causados por fungos e bactérias.

Doenças fúngicas
Sigatokas amarela e negra
Essas doenças são de grande importância para a bananicultura mundial, mas diante das condições climáticas do Submédio São Francisco, as manchas causadas por Mycosphaerella musicola (sigatoka-amarela) e M. Fijiensis (sigatoka-negra) não têm importância econômica para a produção de banana desta região. A sigatoka-amarela ocorre em baixo nível e a sigatoka-negra ainda não foi constatada.

Mal-do-panamá
O mal-do-panamá é uma doença endêmica por todas as regiões produtoras de banana do mundo. No Brasil, o problema é limitante para o cultivo da banana-maçã, tem se tornado grave sobre as cultivares do tipo Prata, e preocupante em razão das ocorrências cada vez mais frequentes em bananas do tipo Cavendish, que são resistentes.

Agente causal: o mal-do-panamá é causado por Fusarium oxysporum f. sp. cubense (E.F. Smith) Sn e Hansen. As principais formas de disseminação da doença são o contato dos sistemas radiculares de plantas sadias com esporos liberados por plantas doentes e, em muitas áreas, o uso de material de plantio contaminado. O fungo também é disseminado por água de irrigação, de drenagem, de inundação, assim como pelo homem, por animais e equipamentos.

Sintomas: plantas infectadas exibem um amarelecimento progressivo das folhas mais velhas para as mais novas, começando pelos bordos do limbo foliar e evoluindo no sentido da nervura principal. Posteriormente, as folhas murcham, secam e se quebram junto ao pseudocaule, dando às plantas a aparência de um guarda-chuva fechado (Figura 1a). É comum constatar-se que as folhas centrais das bananeiras permanecem eretas mesmo após a morte das mais velhas. Próximo ao solo, observam-se rachaduras do feixe de bainhas (Figura 1b), cuja extensão varia com a área afetada no rizoma. Internamente, observa-se uma descoloração pardo-avermelhada na parte mais externa do pseudocaule provocada pela presença do patógeno nos vasos (Figura 1c).

Foto da planta com mal-do-Panamá.
Figura 1. Planta com mal-do-panamá, exibindo amarelecimento progressivo das folhas mais velhas em direção às mais novas e posterior quebra junto ao pseudocaule (a), rachadura no feixe de bainhas (b) e rizoma completamente tomado de sintomas (c).



Danos e distúrbios fisiológicos: o mal-do-panamá, quando ocorre em cultivares altamente suscetíveis como a banana-maçã, pode provocar perdas de 100% na produção. Já nas cultivares tipo Prata, cujo grau de suscetibilidade é menor do que a ‘Maçã’, as perdas, geralmente, situam-se num patamar dos 20%. Vale salientar, no entanto, que o nível de perdas é influenciado por características de solo, que em alguns casos comporta-se como supressivo ao patógeno.

Controle: o melhor meio para o controle do mal-do-panamá é a utilização de cultivares resistentes, dentre as quais podem ser citadas as cultivares do subgrupo Cavendish e do subgrupo Terra, a ‘Caipira’, ‘Thap Maeo’, ‘BRS Pacovan Ken’, ‘BRS Preciosa’, ‘Fhia-Maravilha’, ‘BRS Platina’ e outras. As cultivares tipo Maçã, como ‘BRS Tropical’ e ‘BRS Princesa’ são tolerantes à doença e têm apresentado boa convivência com o patógeno, podendo tornar-se alternativa para a região do Submédio São Francisco.

Independentemente de se utilizar cultivares resistentes, é importante a adoção de medidas protetivas, tais como as recomendadas abaixo:

a) evitar as áreas com histórico de ocorrência do mal-do-panamá, principalmente no caso do plantio de cultivares com baixa resistência;

b) utilizar mudas comprovadamente sadias e livres de nematoides;

c) corrigir o pH do solo, mantendo-o próximo à neutralidade e com níveis ótimos de cálcio e magnésio, que são condições menos favoráveis ao patógeno;

d) dar preferência a solos com teores mais elevados de matéria orgânica, o que aumenta a concorrência entre as espécies, dificultando a ação e a sobrevivência de F. oxysporum cubense no solo;

e) manter as populações de nematoides sob controle, já que eles podem ser responsáveis pela quebra da resistência ou facilitar a penetração do patógeno, através dos ferimentos;

f) manter as plantas bem nutridas, guardando sempre uma boa relação entre potássio, cálcio e magnésio.

g) erradicar as plantas doentes, utilizando herbicida nos bananais já estabelecidos, e em que a doença começa a se manifestar. Isto evita a propagação do inóculo na área de cultivo. Na área erradicada, aplicar calcário ou cal hidratada e matéria orgânica. Para o replantio, deixar a área em pousio (vegetação espontânea ceifada) por seis meses e replantar com cultivar resistente.

Doenças de frutos
Doenças de pré-colheita
Podem ocorrer sobre os frutos ainda no campo as seguintes doenças: lesão-de-Johnston, causada pelo fungo Pyricularia grisea; mancha-parda, causada por Cercospora hayi; mancha-losango, cujo invasor primário é Cercospora hayi, seguido por Fusarium solani, F. roseum e possivelmente outros fungos; pinta-de-deightoniella, causado pelo fungo Deightoniella torulosa, que é um habitante frequente de folhas e flores mortas; ponta-de-charuto, cujos patógenos mais isolados das lesões são Verticillium theobromae e Trachysphaera fructigena.

Medidas de controle: as práticas utilizadas visam basicamente as reduções do potencial de inóculo, pela eliminação de partes senescentes, e do contato entre patógeno e hospedeiro – a) eliminação de folhas mortas ou em senescência; b) eliminação periódica de brácteas, principalmente durante o período chuvoso; c) ensacamento dos cachos com saco de polietileno perfurado, tão logo ocorra a formação dos frutos; d) implementação de práticas culturais adequadas, orientadas para a manutenção de boas condições de drenagem, densidade populacional adequada, roçagem da cobertura do solo, a fim de evitar um ambiente muito úmido na plantação.

Doenças de pós-colheita
Podem ocorrer: podridão-da-coroa, cujos fungos mais frequentemente associados ao problema são: Fusarium roseum (Link) Sny e Hans., Verticillium theobromae (Torc.) Hughes e Gloeosporium musarum Cooke e Massel (Colletotrichum musae Berk e Curt.). Uma série de outros fungos também tem sido isolada, porém com menor frequência.

A Antracnose é considerada o mais grave problema na pós-colheita desta fruta, sendo causada por Colletotrichum musae.

Controle: deve começar no campo, com boas práticas culturais, ainda na pré-colheita. Na fase de colheita e pós-colheita, todos os cuidados devem ser tomados no sentido de evitar ferimentos nos frutos, que são a principal via de penetração dos patógenos. As práticas de despencamento, lavagem e embalagem devem ser executadas com manuseio extremamente cuidadoso dos frutos e medidas rigorosas de assepsia.

Doenças Bacterianas
Moko
No Brasil, o moko ou murcha bacteriana está presente em todos os estados da região Norte com exceção do Acre. Surgiu também no Estado de Sergipe, em 1987, e posteriormente em Alagoas, onde vem sendo mantida sob controle, mediante erradicação dos focos que têm surgido periodicamente.

Agente causal: a doença é causada pela bactéria Ralstonia solanacearum Smith (Pseudomonas solanacearum), raça 2. A transmissão e a disseminação da bactéria podem ocorrer de diferentes formas, dentre as quais se destaca o uso de ferramentas infectadas nas várias operações que fazem parte do trato dos pomares, bem como a contaminação de raiz para raiz ou do solo para a raiz. Outro veículo importante de transmissão são os insetos visitadores de inflorescências, tais como as abelhas (Trigona spp.), vespas (Polybia spp.), pequenas moscas (Drosophyla spp.) e muitos outros gêneros.

Sintomas: nas plantas jovens e em rápido processo de crescimento, uma das três folhas mais novas adquire coloração verde-pálida ou amarela, e se quebra próximo à junção do limbo com o pecíolo. No espaço de poucos dias a uma semana, muitas folhas se quebram. O sintoma mais característico do moko, entretanto, se manifesta nas brotações novas que foram cortadas e voltaram a crescer. Estas escurecem, atrofiam e podem apresentar distorções. As folhas, quando afetadas, podem amarelecer ou necrosar.

A descoloração vascular do pseudocaule é mais intensa no centro (Figura 2a) e é menos aparente na região periférica, ao contrário do que ocorre na planta atacada pelo mal-do-panamá. Os sintomas em frutos aparecem na forma de podridão seca, firme, de coloração parda (Figura 2b).

Foto do corte realizado em plantas afetadas pelo moko, mostrando a descoloração vascular concentrada no centro do pseudocaule (a) e podridão seca na polpa (b).
Figura 2. Corte realizado em plantas afetadas pelo moko, mostrando a descoloração vascular concentrada no centro do pseudocaule (a) e podridão seca na polpa (b).


Para um teste rápido, destinado a detectar a presença da bactéria nos tecidos da planta, utiliza-se um copo transparente com água até dois terços de sua altura, em cuja parede se adere uma fatia delgada da parte afetada (pseudocaule ou engaço), cortada no sentido longitudinal, fazendo-a penetrar ligeiramente na água. Em menos de um minuto, ocorre a descida do fluxo bacteriano, de coloração leitosa.

Danos e distúrbios fisiológicos: as perdas causadas pela doença podem atingir até 100% da produção, mas com vigilância permanente e erradicação de plantas afetadas, é possível conviver com a doença e mantê-la em baixa percentagem de incidência.

Controle: como na região não há casos relatados de ocorrência de moko, a base do controle é evitar a introdução da doença, não introduzindo na área mudas de bananeira ou de qualquer outra musacea, oriundas das regiões de ocorrência.

Podridão-mole
Agente causal: a podridão-mole é causada pela bactéria Erwinia carotovora subsp. Carotovora, ainda considerada de importância secundária.

Sintomas: a doença inicia-se no rizoma, causando seu apodrecimento, progredindo posteriormente para o pseudocaule. Ao se cortar o rizoma ou pseudocaule de uma planta afetada, pode ocorrer a liberação de grande quantidade de material líquido fétido, daí o nome podridão aquosa. Na parte aérea, os sintomas podem ser confundidos com aqueles do moko ou mal-do-panamá. A planta, normalmente, expressa sintomas de amarelecimento e murcha das folhas podendo ocorrer quebra da folha no meio do limbo ou junto ao pseudocaule. Os sintomas são mais típicos em plantas adultas, mas tendem a ocorrer com maior severidade em plantios jovens estabelecidos em solos infectados, devido à presença de ferimentos gerados pela limpeza das mudas.

Controle: nas ações de controle, deve-se observar: 1) manejar corretamente a irrigação, de modo a evitar excesso de umidade no solo; 2) eliminar plantas doentes ou suspeitas, procedendo-se a vistorias periódicas da área plantada; 3) utilizar, em lugares com histórico de ocorrência de doenças, mudas já enraizadas, para prevenir infecções precoces; 4) utilizar práticas culturais que promovam a melhoria da estrutura e aeração do solo.

Viroses
No Brasil, ocorrem, na cultura da bananeira, o vírus das estrias da bananeira e o vírus do mosaico do pepino.

Estrias da bananeira – BSV (Banana Streak Virus)
O vírus das estrias da bananeira (Banana streak virus, BSV) é disseminado pelo plantio de mudas infectadas. Na natureza, ele é transmitido de bananeira para bananeira pela cochonilha Planococcus citri, mas essa forma de transmissão é pouco eficiente.

O BSV produz inicialmente estrias amareladas nas folhas, que, posteriormente, ficam escurecidas ou necrosadas (Figuras 3a e 3b). Pode ocorrer a deformação dos frutos e a produção de cachos menores. As plantas apresentam menor vigor, podendo em alguns casos ocorrer a morte do topo da planta, assim como a necrose interna do pseudocaule. Geralmente, os sintomas são percebidos apenas em alguns períodos do ano.

Foto da folha de bananeira com sintomas do vírus das estrias da bananeira (Banana streak virus, BSV): a) estrias cloróticas e b) estrias necróticas.
Figura 3. Folha de bananeira com sintomas do vírus das estrias da bananeira (Banana streak virus, BSV): a) estrias cloróticas e b) estrias necróticas.

Mosaico, clorose infecciosa ou “heart rot” – CMV (Cucumber mosaic virus)
Esta virose é causada pelo vírus do mosaico do pepino (Cucumber mosaic virus, CMV), que é transmitido na natureza por várias espécies de afídeos e pelo uso de mudas infectadas. A fonte de inóculo para a infecção de novos plantios de bananeira provém, geralmente, de outras culturas próximas aos plantios ou de plantas infestantes presentes no bananal ou na sua proximidade, especialmente trapoeraba ou maria-mole (Commelina diffusa).

Os sintomas da infecção pelo CMV variam de estrias amareladas, mosaico, redução de porte, folhas lanceoladas, necrose do topo, assim como pode haver distorção dos frutos, com o surgimento de estrias cloróticas ou necrose interna. A necrose da folha vela e do pseudocaule pode acontecer quando ocorrem na região temperaturas abaixo de 24ºC (Figura 4).

Foto da folha de bananeira com sintomas causados pelo vírus do mosaico do pepino (Cucumber mosaic virus, CMV): a) mosaico e b) necrose da folha vela.
Figura 4. Folha de bananeira com sintomas causados pelo vírus do mosaico do pepino (Cucumber mosaic virus, CMV): a) mosaico e b) necrose da folha vela.

O CMV virose está presente nas principais áreas produtoras de bananeira, podendo provocar perdas elevadas em plantios novos, especialmente quando eles são estabelecidos em áreas com elevada incidência de trapoeraba, alta população de pulgões e próximas a culturas hospedeiras da virose, como as hortaliças.

Controle:

utilizar mudas livres de vírus. A instrução normativa Nº 29 de 29/02/2012 do Ministério da Agricultura (BRASIL, 2012) determina que as mudas de bananeira devem estar livres de CMV e BSV, assim como as condições nas quais elas precisam ser produzidas;
evitar a instalação de bananais próximos a plantios de hortaliças e cucurbitáceas (hospedeiras de CMV);
controlar as plantas infestantes dentro e em volta do bananal;
erradicar as plantas com sintomas nos plantios já estabelecidos;
manter o bananal com suprimento adequado de água, adubação e controle de pragas, para evitar estresse;
se utilizar mudas micropropagadas para a instalação de um bananal, é importante que sejam mantidas em viveiro à prova de pulgões até atingirem cerca de 1 metro de altura, pois se tornam menos atrativas para os pulgões vetores do CMV.
Nematoides
Os nematoides são microrganismos tipicamente vermiformes que, em sua maioria, completam o ciclo de vida no solo. Sua disseminação é altamente dependente do homem, seja por meio de mudas contaminadas, deslocamento de equipamentos de áreas contaminadas para áreas sadias, ou por meio da irrigação e/ou água das chuvas.

A infecção por nematoides provoca redução no porte da planta, amarelecimento das folhas, seca prematura, má formação de cachos, refletindo em baixa produção e reduzindo a longevidade dos plantios. Nas raízes, podem ser observados o engrossamento e nodulações, que correspondem às galhas e massa de ovos, devido à infecção por Meloidogyne spp. (nematoide-das-galhas) ou mesmo necrose profunda ou superficial provocada pela ação isolada ou combinada das espécies Radopholus similis (nematoide cavernícola), Helicotylenchus spp. (nematoide espiralado), Pratylenchus sp. (nematoide das lesões), ou Rotylenchulus reniformis (nematoide reniforme), que são os mais frequentes na bananicultura brasileira e mundial. Esses nematoides contribuem para a formação de áreas necróticas extensas que podem também ser parasitadas por outros microrganismos.

Os danos causados pelos fitonematoides podem ser confundidos ou agravados com outros problemas de ordem fisiológica, como estresse hídrico, deficiência nutricional, ou pela ocorrência de pragas e doenças de origem virótica, bacteriana ou fúngica, devido à redução da capacidade de absorver água e nutrientes, pelo sistema radicular. Quando associados ao ataque da broca do rizoma o diagnóstico pode ser atribuído somente à broca devido à facilidade de visualização das cavidades formadas pelas larvas. A sustentação da planta é também bastante comprometida. A diagnose correta deve ser realizada por meio de amostragem de solo e raízes e do conhecimento da cultivar utilizada, uma vez que há variabilidade no nível de dano entre as cultivares de bananeira.

Controle: após o estabelecimento de fitonematoides no bananal, o seu controle é muito difícil. Portanto, a medida mais eficaz é a utilização de mudas sadias, micropropagadas, e o plantio em áreas livres de nematoides. O descorticamento do rizoma combinado com o tratamento térmico ou químico pode reduzir sensivelmente a população de nematoides nas mudas infestadas. Neste caso, após limpeza, os rizomas devem ser imersos em água limpa à temperatura de 55 ºC por 20 minutos.

Em solos infestados, a utilização de plantas antagônicas, como crotalária (Crotalaria spectabilis, C. paulinea), incorporadas ao solo antes do seu florescimento, pode reduzir a população dos nematoides e favorecer a longevidade da cultura. Em pomares já instalados, a eficiência desta estratégia está relacionada principalmente com o nível populacional, tipo de solo e idade da planta, sendo recomendado o plantio dessas espécies ao redor das bananeiras. A utilização de matéria orgânica junto ao rizoma é mais benéfica que a matéria orgânica depositada entre as linhas de cultivo. Entre outros benefícios da utilização da matéria orgânica, a presença de numerosos outros organismos no solo é favorecida para o processo de manutenção e estabilidade da cadeia alimentar. Pois objetiva-se com esse manejo manter a população de fitoparasitas abaixo do nível de dano, o que poderá ser alcançado somente por meio de mecanismos de supressão natural atribuída a esses microrganismos, favorecendo o controle biológico. Contudo, deve-se considerar diferentes respostas na ecologia do solo, principalmente aqueles onde existia utilização frequente de pesticidas.

Para evitar a disseminação dos nematoides, por meio de equipamentos de desbrota ou capinas, recomenda-se a lavagem completa e a desinfestação superficial dos equipamentos com solução de formaldeído (20 g/L). Esses tratos culturais devem, sempre que possível, ser iniciados em áreas de melhor condição nutricional e sanitária. Desta forma, evita-se a disseminação de pragas e doenças passíveis de serem encontradas em áreas menos vigorosas para as áreas mais vigorosas.




sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Manejo de Plantas Daninhas na Banana



Manejo de plantas infestantes
A bananeira é uma planta muito sensível à competição por plantas infestantes pelos fatores de produção como nutrientes e, principalmente, por água, resultando na redução do vigor e queda da produção.

Num programa de controle do mato na cultura da bananeira, é importante considerar seu sistema radicular superficial, portanto, sujeito a danos pelas capinas mecânicas.

Nas áreas com declives acentuados, exige-se um manejo adequado das plantas infestantes, assim como das coberturas vegetais, como práticas conservacionistas.

Outro aspecto a ser considerado na convivência do mato com a cultura da banana, sem prejuízo na produção, é quanto ao enfoque conservacionista, pela redução significativa que a cobertura do solo causa nas perdas de solo e água por escoamento, nas áreas declivosas, além de servir como fonte de alimento e abrigo de inimigos naturais de pragas.

Matocompetição na cultura da banana
A bananeira é muito sensível à competição por plantas infestantes pelos fatores de produção no período de formação do bananal, exigindo limpas mensais, por proporcionarem crescimento mais rápido da planta e produção mais elevada. Avaliando-se o efeito das plantas infestantes sobre o peso do cacho da cultivar Prata em áreas declivosas do Estado do Espírito Santo, foi observado, na planta mãe, que o peso do cacho foi prejudicado quando a primeira capina foi realizada após 30 dias do plantio, tendo sido atribuído à competição por nutrientes a principal causa da queda do peso do cacho.

Apesar da necessidade de limpas constantes, os primeiros cinco meses após o plantio são os mais importantes para a cultura, requerendo nesse período a realização de cinco a seis capinas. Após esse período, a cultura é menos sensível à competição do mato.

Nesse período, o controle das plantas infestantes deve ser realizado adequadamente, para que o crescimento das bananeiras não seja afetado, já que sua recuperação é excessivamente lenta. Com esse conhecimento, as plantas infestantes podem ser manejadas permitindo que sejam utilizadas como fonte de alimento e como abrigo de inimigos naturais de pragas, favorecendo o manejo ecológico do bananal. Mesmo assim, não deve ser descartada a possibilidade de algumas plantas infestantes servirem, também, de hospedeiras de nematoides e agentes causais de doenças como a virose (CMV), sendo necessário eliminá-las, para evitar a convivência com a cultura da banana.

Métodos de controle
Capina
O controle de plantas infestantes com enxada, utilizado pelos pequenos agricultores, deve ser realizado com critério para evitar danos ao sistema radicular superficial da bananeira, evitando, também, a penetração de patógenos de solo nos ferimentos causados às raízes.

Esse método de controle tem um efeito muito curto, com o rápido restabelecimento do mato nos períodos chuvosos, além do baixo rendimento e dos custos elevados, sendo necessário, em média, 15 homens por dia para capinar um hectare de um bananal com densidade de 1.300 touceiras. Dessa forma, a capina manual é impraticável nos grandes cultivos de bananas e plátanos.

Vale lembrar que é proibido capinar a área total do bananal, devendo ser realizado o manejo integrado da vegetação espontânea.

Controle mecânico
Após os primeiros cinco meses da instalação, o uso da roçadeira manual é um método viável, apresentando grande rendimento de trabalho, sem as limitações da capina manual. Outra vantagem dessa prática cultural é a manutenção da integridade do solo, pois evita sua manipulação e a propensão a doenças altamente destrutivas, como o mal-de-panamá. O rendimento pode ser ainda maior com a utilização da roçadeira motomecanizada.

Controle químico
O uso de herbicidas na fase inicial do bananal não é recomendável, pois as plantas ainda pequenas ficam muito sujeitas à deriva destes produtos e são prejudicadas ou mortas mesmo por pequenas quantidades do produto.

O uso de herbicidas deve ser minimizado no ciclo agrícola para evitar resíduos e garantir a biodiversidade. Além disso, deve ser utilizado somente quando outros métodos não forem possíveis, e recomenda-se, no máximo, duas aplicações anuais.

São apresentados na Tabela 1 os herbicidas registrados para a cultura da banana no Brasil. Observa-se que há herbicida pré-emergente ou residual, que é aplicado ao solo logo após o plantio do bananal e antes da emergência das plantas infestantes para inibir sua emergência; e os pós-emergentes (de contato e sistêmicos) para o controle do mato já desenvolvido, provocando sua morte. A escolha do herbicida a ser utilizado vai depender da composição matoflorística presente na área.

Tabela 1. Herbicidas registrados para a cultura da banana no Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) - Agrofit.
Herbicida / Marca
Dose (L ou kg/ha do produto comercial)
Modo de aplicação
Credit
0,5 – 6,0
Pós (Jato dirigido)
Direct
0,5 – 3,5
Pós (Jato dirigido)
Diuron Nortox
1,5 – 6,0
Pré-emergência e pós-inicial das infestantes com jato dirigido
Finale
2,0
Pós (Jato dirigido)
Glifosato Nortox
1,0 – 6,0
Pós (Jato dirigido)
Gli-up 720 WG
1,0 – 7,0
Pós (Jato dirigido)
Gramocil
2,0
Pós (Jato dirigido)
Gramoxone 200
1,5 – 3,0
Pós (Jato dirigido)
Helmoxone
1,5 – 2,0
Pós (Jato dirigido)
Laredo
1,5 – 2,0
Pós (Jato dirigido)
Liberty BCS
2,0
Pós (Jato dirigido)
Maxizato
0,5 – 3,5
Pós (Jato dirigido)
Paradox
1,5 – 3,0
Pós (Jato dirigido)
Preciso
0,5 – 3,5
Pós (Jato dirigido)
Orbit
1,5 – 2,0
Pós (Jato dirigido)
Roundup original
0,5 – 6,0
Pós (Jato dirigido)
Roundup Transorb
0,75 – 4,5
Pós (Jato dirigido)
Roundup WG
0,5 – 3,5
Pós (Jato dirigido)
Tradicional
0,5 – 5,0
Pós (Jato dirigido)


Em virtude da facilidade de manuseio, do menor impacto ambiental e da formação de uma cobertura morta, que possibilita a conservação da umidade do solo por um período mais longo, recomenda-se o uso de herbicidas pós-emergentes sistêmicos, por apresentarem custo de controle muito menor que as capinas manuais.

Controle integrado com manejo de coberturas vegetais
Controle integrado é definido como a combinação de métodos que, de forma eficiente, promovem o controle de plantas infestantes na bananicultura, reduzindo custos e uso de herbicidas, possibilitam um manejo ambientalmente correto do bananal pela melhoria e preservação dos recursos naturais como solo e água, proporcionando, dessa forma, maior competitividade e sustentabilidade ao produtor.

Em bananais novos, recomenda-se fazer o coroamento das plantas, com capinas ou roçadas rente ao solo, com foice ou roçadeira motorizada. Outra opção é o uso de cobertura morta de capim seco, serragem ou outro material disponível, num raio mínimo de meio metro em volta das plantas. No restante da área, recomenda-se a roçada manual ou mecânica.

Ressalta-se, contudo, duas alternativas de controle integrado viáveis a qualquer extensão do cultivo, sendo a primeira a integração do método mecânico com o químico, pela aplicação de herbicidas pós-emergentes no espaço estreito (linhas da cultura) e no espaço largo (entrelinhas) o uso de roçadeira para o controle da vegetação espontânea num nível baixo em determinadas épocas do ano, minimizando a concorrência por água.

Uma segunda alternativa para o primeiro ano de instalação do bananal sem irrigação é o plantio de feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) no espaço largo, plantado no início das chuvas e ceifado (em qualquer fase de desenvolvimento) na estação seca (para evitar a competição por água com a bananeira), e deixado na superfície do solo. Nas linhas da cultura, o uso de herbicidas pós-emergentes para o controle do mato e formação de cobertura morta.

Genericamente, as plantas de cobertura e melhoradoras do solo são chamadas, também, de adubos verdes. De qualquer maneira, são plantas cultivadas para proteção do solo contra a ação da chuva, dos ventos e do sol que resultam em melhorias nos atributos físicos, químicos e biológicos do solo.

As leguminosas destacam-se entre as espécies vegetais que podem ser utilizadas como plantas melhoradoras do solo, pois apresentam raízes geralmente bem ramificadas e profundas, que atuam estabilizando a estrutura do solo e reciclando nutrientes. Entre as leguminosas, estão o feijão-de-porco, o guandu, as crotalárias, o caupi, a pueraria, a mucuna preta, o amendoim forrageiro, a ervilhaca comum entre outras.

Contudo, para a bananeira, tão importantes quanto as leguminosas são as não leguminosas (introduzidas ou nativas), especialmente aquelas que apresentam capacidade de vegetar no ambiente sombreado dos bananais. Isso porque a presença de raízes de outras espécies é muito importante para reduzir a pressão dos patógenos (nematoides e fungos) sobre as raízes da bananeira. Dentre as não leguminosas implantadas, as que melhor vegetam sob o bananal são o sorgo e o milheto. A grande vantagem de se manter o solo permanentemente coberto com espécies vegetais é, justamente, o controle da erosão.

A utilização de coberturas mortas como um método integrado de controle do mato, utilizando o capim picado, bagaço de cana e outros, apesar de elevar a produtividade, tem um custo elevado, seja na produção do material a ser usado como cobertura, seja para transportá-lo, não se caracterizando como prática viável em grandes bananais, ficando sua aplicação restrita a cultivos em pequenas áreas.





domingo, 14 de outubro de 2018

Irrigação e Tratos Culturais na Bananeira



Irrigação

Métodos

Nas condições semiáridas do Submédio São Francisco, os métodos pressurizados aspersão, microaspersão, miniaspersão e gotejamento são os mais recomendados.

O método da aspersão é o que molha completamente todo o solo (área molhada de 100%), e, quando usado, os aspersores devem ficar a 1 m do solo, com ângulo de inclinação no máximo de 7 graus.

No caso da microaspersão, utilizar um microaspersor de vazão superior a 45 L/h, para quatro plantas, preferencialmente dispostas em fileiras duplas.

No caso do gotejamento, deve-se utilizar pelo menos dois gotejadores por planta, preferencialmente em faixa continua. É o sistema de menor área molhada, dificulta a mineralização da matéria orgânica por não molhar a superfície do solo e requer fertirrigação, podendo, portanto, não ter o resultado dos sistemas anteriores.

Quantidade de água necessária
A demanda de água pela bananeira em seu primeiro ciclo inicia-se com 45% da evapotranspiração potencial nos primeiros 70 dias, elevando-se para 85% da evapotranspiração potencial aos 210 dias (fase de formação dos frutos), atingindo um máximo de 110% da evapotranspiração potencial aos 300 dias.

Tabela 1. Sugestões para aplicação de água em litros por planta, por dia, para condições semiáridas.

Meses após o plantio
Meses do ano
1 - 2 mês
5 - 8 mês
9 - 12 mês
----------------------------------- L/planta/dia -----------------------------------
Janeiro - abril
13
25
36
Maio - julho
10
20
28
Agosto - setembro
11
22
30
Outubro - dezembro
16
30
42
A Tabela 1 sugere volumes de água a serem aplicados conforme o estádio da planta e o período do ano. Esses valores devem servir de base para irrigação, mas devem ser ajustados localmente conforme a necessidade.

Manejo da irrigação
Os níveis de tensão de água do solo recomendados para a bananeira situam-se entre 0,25 atm a 0,45 atm, para camadas superficiais do solo (até 0,25 m), e entre 0,35 atm até 0,50 atm, para profundidade próxima de 0,40 m. Caso se decida pelo uso de tensiômetros para monitorar a disponibilidade de água no solo, recomenda-se instalá-los em quatro baterias por hectare, sendo cada bateria composta por dois tensiômetros à profundidade entre 0,20 m e 0,40 m e distância de 0,30 a 0,40 m da planta em direção ao microaspersor.

Em se utilizando a evaporação do tanque classe A para estimar a demanda de água pela bananeira, deve-se multiplicar a leitura do tanque por 0,85 a 1,0 para as condições do Submédio São Francisco.

Frequência de irrigação
A irrigação por aspersão em solos franco-arenosos e arenosos pode ser feita em intervalos máximos de cinco dias em regiões semiáridas, podendo-se estender para sete dias em caso de solos argilosos.

A irrigação localizada deve ser feita em intervalo de um dia, e pelo menos duas vezes por dia em solos arenosos (areia franca e areia).

Tratos culturais

A realização das práticas culturais de forma correta e na época adequada é de fundamental importância para o bom desenvolvimento e produção da bananeira. As principais práticas no cultivo da bananeira são:

Desbaste
Esta prática consiste na seleção de um dos filhos na touceira, eliminando-se os demais. Os filhos podem começar a surgir a partir dos 45 a 60 dias após o plantio. Selecionar, preferencialmente, brotos profundos, vigorosos e separados 15 a 20 cm da planta mãe. Deve-se desbastar as touceiras, mantendo uma população de plantas que permita uma boa produtividade, qualidade e que favoreça o controle de pragas.

Em cada ciclo de produção do bananal estabelecido em espaçamentos convencionais, deve-se conduzir a touceira com mãe e um filho. A seleção do neto deve ocorrer quando a planta-mãe está para ser colhida. Recomenda-se manter uma planta de cada geração por touceira.

O desbaste é feito cortando-se a planta, filho ou neto, rente ao solo. Em seguida extrai-se a gema apical com auxílio da ferramenta denominada "lurdinha", ou pode-se ainda optar pelo simples corte das brotações, que, neste caso, teriam que ser realizadas três a quatro vezes, para impedir o crescimento. Em áreas de ocorrência de bacterioses, fazer a devida desinfecção das ferramentas.

Desfolha
Consiste em eliminar as folhas secas, partes de folhas doentes, folhas totalmente amarelas e folhas que deformem ou causem danos aos frutos. As operações devem ser realizadas eliminando folhas com cortes de baixo para cima, rente ao pseudocaule, evitando o esfacelamento da bainha.

Eliminação da ráquis masculina ("coração")
A eliminação do coração da bananeira proporciona aumento do peso do cacho, melhora a sua qualidade e acelera a maturação dos frutos; reduz os danos por tombamento das bananeiras, além de ser uma prática fitossanitária no controle do tripes e do moko.

A eliminação da ráquis masculina deve ser feita logo após a abertura da última penca, quando houver 10 a 20 cm de raque, mediante a sua quebra ou corte e, em seguida, a mesma deve ser fracionada, acelerando assim a sua decomposição.

Ensacamento do cacho e eliminação da última penca

Ensacamento do cacho e eliminação da última penca é uma prática comum realizada na região do Submédio São Francisco. O uso do saco tem a finalidade de proteger a fruta dos ataques de predadores, tripes, fungos e até mesmo das visitas de insetos como mariposa, traça-das-bananeiras e abelhas arapuás. A prática reduz também o ataque das lesmas, dos pássaros e dos morcegos, principalmente durante o inverno, quando há falta de alimentos para esses animais, que chegam a se alimentar de frutos ainda verdes, bem como evita que as cobras venham a se aninhar nos cachos. Além disso, melhora a aparência e qualidade da fruta, ao reduzir os danos provocados por arranhões e pelas queimaduras no pericarpo, em consequência da fricção de folhas dobradas.

Antes de colocar o saco, eliminam-se os frutos da última penca, deixando-se apenas um fruto na região central dessa penca para facilitar a circulação da seiva (a prática pode ser realizada também se eliminando as duas últimas pencas do cacho). Na mesma ocasião, faz-se também a eliminação dos restos florais para evitar a decomposição das brácteas dentro do cacho. Em seguida, realiza-se o ensacamento utilizando o saco enrolado, evitando-se assim o seu rompimento, desenrolando-o em seguida, cuidadosamente. O saco dever ser amarrado ao engaço, na parte imediatamente acima da primeira cicatriz da bráctea.

Após o uso, são obrigatórios a coleta e o encaminhamento dos sacos para reciclagem.

Escoramento
Pode ser feito utilizando-se escora de madeira (ex: bambu) ou fitas de polipropileno. As fitas podem ser amarradas preferencialmente no engaço, junto à roseta foliar e na base de outra planta que, pela sua localização, confira maior sustentabilidade à planta com cacho. A fita de polipropileno apresenta boa durabilidade (até a colheita do cacho), baixo custo e fácil manejo. Após o uso, as fitas devem ser retiradas da área de cultivo e destinadas à reciclagem.

No Submédio São Francisco não é comum a prática do escoramento. Devido ao custo elevado, o produtor deve optar por cultivares de porte baixo e mais resistentes ao tombamento. Nas cultivares de porte alto como a ‘Pacovan’, o escoramento é oneroso e pouco eficiente.

Corte do pseudocaule após a colheita
Do ponto de vista prático e econômico, o mais aconselhável é o corte do pseudocaule próximo ao solo, imediatamente após a colheita do cacho, pelas seguintes razões: a) evita que o pseudocaule, não cortado, promova a ocorrência de doenças; b) a matéria orgânica adicionada melhora os atributos físicos e químicos do solo, devido à rápida e eficiente incorporação e distribuição da fitomassa da colheita; e c) reduz custos pela realização de um único corte.

No momento de corte do pseudocaule, é indicado proceder à confecção de iscas para o controle do moleque da bananeira. O material não utilizado para as iscas deve ser seccionado e espalhado na área.

Capina
O controle de plantas infestantes será abordado em item específico.