domingo, 23 de agosto de 2020

Métodos recomendados na irrigação da Goiaba


Métodos recomendados
Em função das características atuais dos sistemas de produção, os métodos mais recomendados são a irrigação localizada e os sistemas de aspersão por pivô central, por permitirem maior eficiência no uso da água e outros insumos.
A escolha de qualquer método de irrigação depende de uma série de fatores, destacando-se o tipo de solo, a topografia e o tamanho da área, os fatores climáticos, os fatores relacionados ao manejo da cultura, o déficit hídrico, a capacidade de investimento do produtor e o custo do sistema de irrigação (Mantovani, 2001). Considerando o grande volume de água exigido na irrigação e a necessidade de otimizar a utilização, um dos aspectos importantes que está sendo analisado na escolha do método de irrigação é a eficiência como este irriga a cultura.
Dentre os métodos de irrigação, podem ser destacados a irrigação localizada (gotejamento e microaspersão), a aspersão subcopa com mangueiras e o pivô central, como os métodos mais recomendados para a cultura da goiabeira, sendo que ainda existem algumas áreas de fruticultura que utilizam irrigação por superfície, mesmo com as grandes perdas por percolação profunda.

2.2.1. Irrigação localizada
A água é aplicada diretamente sobre a região radicular, em pequena intensidade e alta freqüência, para manter a umidade próxima da ideal, que é a de capacidade de campo.
Gotejamento e microaspersão, mostrados nas Figuras 1 e 2, são os sistemas mais difundidos, sendo, o primeiro o mais antigo no Brasil (1972) e, o segundo, o mais recente (1982).
Diferem entre si quanto ao sistema de aplicação. No gotejamento, aplicam-se vazões menores, de 2 a 10 L/h, gota a gota, e na microaspersão, com vazões aplicadas de forma pulverizada, na faixa de 20 a 150 L/h. São de alto custo. Portanto, devem ser usados em culturas de alto retorno econômico, como café, tomate, morango, melão, pimenta do reino (gotejamento); abacate, citrus, guaraná, manga, seringueira e uva (microaspersão); banana, cacau, mamão, viveiro de frutíferas, de essências florestais, de plantas ornamentais e da cultura da goiaba (gotejamento e
microaspersão).
Existem sistemas alternativos de irrigação localizada, de custos bem mais baixos, não comerciais, que podem ser desenvolvidos na própria fazenda, como o sistema gravatinha.

Figura1 – Sistema de irrigação localizada com gotejadores do tipo alternativo.
Figura 2 – Irrigação localizada por microaspersão na cultura da mangueira

Os industrializados, antigamente eram comercializados em pacotes completos, ou seja, os componentes isolados de cada fabricante não podiam ser adquiridos para compor um projeto.
Atualmente, devido à grande expansão do mercado de equipamentos, é possível compor um projeto com distintos equipamentos e fabricantes.
São vantagens da irrigação localizada:
- controle rigoroso da quantidade d'água a ser fornecida para a planta;
- baixo consumo de energia elétrica;
- possibilidade de funcionamento 24 horas por dia;
- elevada eficiência de aplicação d'água;
- manutenção da umidade próxima à da capacidade de campo;
- menor desenvolvimento de ervas daninhas entre linhas de plantio;
- facilidade de distribuição de fertilizantes e outros produtos químicos junto à água de irrigação;
- pouca mão-de-obra e facilidade de automação e
- possibilidade de uso de água

São desvantagens:
- entupimento (principalmente para o gotejamento);
- exigência de filtragem altamente eficiente e
- alto custo inicial.

Um sistema completo de irrigação localizada consta de conjunto motobomba, cabeçal de controle, linhas de tubulações (de recalque, principal, secundária e lateral), válvulas e emissores (gotejadores ou microaspersores).
O conjunto motobomba é normalmente de menor potência em virtude das pequenas alturas manométricas e das pequenas vazões do sistema.

2.2.2. Aspersão convencional com mangueiras flexíveis
As mangueiras são utilizadas conectadas às linhas laterais em uma extremidade e ao aspersor na outra (Figura 3). Este é sustentado por um tripé, em sua outra ponta, de modo que, com uma posição montada de linha lateral, é possível se fazerem três posições de irrigação: à direita da linha lateral montada, sobre a linha lateral e à sua esquerda. Para isso, as mangueiras a serem utilizadas no processo devem ter o comprimento correspondente ao espaço entre as linhas laterais.

Figuras 3 – Sistema de irrigação do tipo aspersão convencional com mangueiras flexíveis implantado nas culturas da bananeira e da goiabeira
Figura 4 – Irrigação por aspersão convencional sub-copa na cultura da goiabeira

As grandes vantagens do sistema com mangueiras flexíveis, comparadas com a aspersão convencional utilizada tradicionalmente (Figura 4), são:
- Diminuição do número de mudanças da linha lateral, havendo possibilidades em alguns
casos, principalmente quando o produtor possuir linhas de espera, de o sistema tornar-se
fixo ou semifixo;
- Redução no tempo de mudança de posição dos aspersores e diminuição da necessidade de mão-de-obra para executar tais mudanças;
- Possibilidade de obtenção de uma melhor uniformidade de aplicação de água em culturas arbóreas (banana, goiaba, etc.) irrigadas por sub-copa, devido à maior maleabilidade dos aspersores, que podem ser mais bem posicionados entre as plantas e, conseqüentemente, propiciarem uma melhor distribuição de água para a cultura; 
- Facilidade de adaptação do sistema com mangueiras a um sistema de aspersão convencional comum e
- Não afeta em nada qualquer tipo de aplicação de produtos químicos, via água de irrigação.

Como desvantagens podem-se citar:
- Dificuldades de encontrar no mercado, mangueiras com preços que possibilitem economicamente a sua utilização e, ao mesmo tempo, que sejam duráveis sob condições de arraste constante, exposição ao sol e à umidade;
- Limitação do comprimento das mangueiras a serem utilizadas, uma vez que esta característica é diretamente proporcional ao aumento da altura manométrica do sistema, implicando assim em um impacto no conjunto motobomba e
- Uso restrito em culturas rasteiras, já que o arraste da mangueira no solo pode danificar as plantas, principalmente na época da floração.
É um sistema que vem sendo amplamente utilizado, principalmente nas culturas da banana e goiaba, tendo o equipamento desempenho satisfatório no campo, além de uma grande aceitação por parte dos produtores.

2.2.3. Pivô central
É o equipamento que mais tem sido utilizado, no Brasil. O sistema consiste em uma linha lateral de aspersores montada sobre armações com rodas, denominadas torres, com uma extremidade fixada em uma estrutura piramidal (ponto pivô) no centro da área e a outra movendo-se em torno do ponto pivô, durante a operação. 

Na Figura 5, está apresentado o equipamento de pivô central nas culturas da laranja e do mamão.

O pivô central apresenta as seguintes vantagens:
- Opera com mão-de-obra reduzida;
- Logo que termina uma passagem, a linha lateral já se encontra na posição inicial da próxima;
- Obtém-se elevada uniformidade de aplicação d'água quando bem dimensionado;
- Viabiliza a irrigação de grandes áreas e
- fácil manejo, operacionalmente.
- Excessiva precipitação na periferia do equipamento, podendo provocar escoamento
superficial;

As desvantagens são:
- Exige área totalmente livre de edificações, árvores, canais, etc., e
- Exige mão-de-obra especializada no manejo, manutenção e reforma.

Um pivô central é constituído pela central de comando e pelos sistemas adutor e de condução de água, sistema estrutural, sistema de movimentação e sistema de aplicação. O sistema adutor é composto pelo conjunto de sucção completo, motobomba, acessórios e tubulações de recalque. Normalmente, a potência do conjunto motobomba é elevada em virtude do tamanho da área irrigada. A tubulação de recalque é enterrada para não limitar o deslocamento das torres do pivô central e pode ser constituída dos seguintes materiais: aço zincado, ferro fundido, PVC e fibrocimento.
O sistema central de comando é composto pela torre central no ponto pivô e pelo sistema de controle geral do pivô central. A torre central é de forma piramidal, de base quadrada com 3 m de lado e 3,70 m de altura, montada sobre uma base de concreto armado. Pelo seu centro, sobe a tubulação que liga a adutora à tubulação aérea do equipamento, tendo normalmente, neste ponto, um manômetro para monitorar a pressão no ponto pivô. Nessa estrutura, é instalado o painel geral de controle do equipamento, de onde se comandam a velocidade, sentido de rotação, motobomba, todos os comandos elétricos, bomba injetora de produtos químicos, canhão final do pivô e sistema de segurança.
A linha lateral é de aço zincado, com diâmetro de 144 a 200 mm, sendo comum, na maioria dos equipamentos, o uso do diâmetro de 166 mm. A tubulação, além de conduzir a água, faz parte da estrutura do equipamento e fica suspensa sobre torres metálicas equipadas com pneus, sustentadas por treliças ou cabo-de-aço, fazendo a ligação entre torres, montadas a uma altura prefixada do solo, ficando um vão livre em torno de 2,80 m para a maioria das culturas ou 3,80 m para culturas de porte mais elevado, como cana-de-açúcar e mamão.

2.3. Manutenção e conservação dos sistemas de irrigação
A eficiência da aplicação de água depende em grande parte, de uma adequada manutenção do sistema de irrigação. Por manutenção, entendem-se todas as etapas que visem manter o equipamento ou a estrutura implementada em condições de funcionamento adequado.
Canais, drenos, tubulações, motobomba, aspersores, gotejadores, sistema de movimentação e outros componentes apresentam desgastes e alterações que exigem acompanhamento ao longo do tempo e, no momento oportuno, devem-se substituir os componentes e ajustar as estruturas. Não existem recomendações gerais para um plano de manutenção, principalmente pela quantidade de sistemas de irrigação e pela grande variabilidade de condições de funcionamento. Equipamentos mais complexos, como o pivô central ou o autopropelido, vêm acompanhados de manuais que especificam a manutenção periódica e contêm informações que devem ser ajustadas às condições, nas quais são utilizados.
Na irrigação pressurizada (aspersão e localizada) é necessário o sistema de bombeamento proporcionar água em quantidade e pressão compatível com o sistema utilizado. Para isso, é necessário avaliar o funcionamento do motor e da bomba, substituindo e ajustando os componentes com problemas. As tubulações não devem perder água nas junções e as possíveis ocorrências devem ser imediatamente eliminadas. As juntas de borracha, presentes nas conexões das tubulações, não devem ressecar e, no período em que o sistema estiver parado, as tubulações devem ser guardadas em locais onde as borrachas fiquem protegidas da incidência direta dos raios solares.
Os componentes responsáveis pela distribuição da água (aspersores, difusores, gotejadores e microaspersores) devem ser permanentemente observados. A substituição ou a recuperação daqueles que apresentam problemas promove ganhos significativos de uniformidade.
Um outro aspecto da manutenção do sistema é o aumento dos cuidados em função de sua quimigação. Primeiramente, pela ação corrosiva de muitos dos produtos químicos aplicados, os quais podem comprometer a durabilidade do equipamento de irrigação e, em segundo lugar, pelos cuidados especiais com o manejo e o funcionamento da irrigação durante a aplicação do produto químico. Neste caso, é importante que nenhuma etapa da manutenção do sistema, como eliminação de fugas, troca de aspersores, gotejadores ou microaspersores defeituosos, adequação e ajuste da pressão, seja esquecida. Sintetizando, a implementação de programas de manutenção preventiva e corretiva, fundamental para se obter um manejo cada vez mais adequado da irrigação, vem proporcionar também uma maior eficiência na quimigação.
A vida útil de qualquer sistema de irrigação depende em primeiro lugar, de um manejo correto do sistema e de uma manutenção preventiva dos equipamentos que o compõem.
O manejo dos equipamentos de um conjunto de irrigação deve ser executado de modo a mantê-los o maior tempo possível na sua forma original, sem deformações, rachaduras, trincas e
outros danos, os quais podem provocar vazamentos que, além de reduzir a vida útil, ainda
comprometem a eficiência do sistema.
Deve-se ter cuidado para não expor estes equipamentos a intempéries desnecessariamente, como deixá-los expostos ao sol, chuva e vento, quando estes não estiverem em funcionamento. Nas situações, onde a exposição a fatores adversos for inevitável (irrigação com água salina) ou mesmo necessária (caso da quimigação) deve-se seguir à risca, todas as instruções recomendadas para evitar o desgaste dos equipamentos.
A atenção deve ser dirigida também no sentido de se reduzir ao mínimo, a necessidade de reposição de peças, de modo a tornar os sistemas menos onerosos.
Os sistemas de irrigação, de um modo geral têm exigências particulares quanto ao seu manejo, em função da maior ou menor complexidade tecnológica envolvida. Quanto maior a complexidade do sistema, mais equipamentos são necessários e, portanto, tem-se maior custo,
como ocorre com os sistemas do tipo pivô central. Para estes sistemas, existem manuais de recomendações fornecidos pelos próprios fabricantes.
Os sistemas convencionais, apesar de fazerem uso de uma tecnologia mais simples, exigem cuidados especiais, pois neles ocorre a maior interferência do irrigante. Portanto, não sendo adequadamente manejados, não cumprirão seu objetivo principal, que é o de irrigar de forma eficiente a maior área, com o menor custo. Os sistemas de laterais com movimentaçãomanual  exigem um contato ainda maior com o irrigante, em função de sua própria composição.
Os cuidados para o manejo adequado do sistema aspersão convencional devem ser tomados com relação a todos os equipamentos que formam o corpo do sistema (motobomba, tubulações, etc.). Ao colocar a motobomba em funcionamento, deve-se verificar se ela está escorvada e se o registro da linha de recalque está fechado para não sobrecarregar o motor. Tão
logo a bomba atinja a velocidade normal de funcionamento, o registro deverá ser aberto lentamente. Processo inverso, isto é fechamento lento do registro deve ser feito antes de desligar o motor. Os tubos devem ser mantidos alinhados para evitar maior esforço nas juntas de vedação.
Nos casos em que as linhas forem desmontadas, evitar a exposição das peças ao sol, para que estas não se ressequem e percam sua função. As partes submetidas a desgastes como aspersores giratórios, bocais e juntas de vedação deverão ser examinadas periodicamente e, se necessário, substituídas.
A manutenção refere-se às operações de conservação, para o bom desempenho dos sistemas, evitando o desgaste prematuro das peças. A aspersão convencional é uma tarefa muito simples de ser realizada e refere-se praticamente à manutenção do sistema motobomba.
Para os sistemas motobomba com motor a explosão, a manutenção consiste na limpeza do filtro de ar, troca do óleo lubrificante e filtro de óleo do motor. Estas trocas devem ser realizadas no momento e nas proporções recomendadas pelos fabricantes. Para as bombas, deve-se ter o cuidado de verificar o nível do óleo lubrificante, completando-o sempre que necessário; raramente há necessidade de substituição deste óleo. A drenagem da voluta da bomba é uma operação de manutenção que só deve ser realizada quando a bomba não vai ser utilizada por um longo período.
Os sistemas de irrigação localizada (gotejamento e microaspersão) variam com as peculiaridades de cada tipo e concepção, sendo em princípio, semelhantes. A composição de um sistema de irrigação por gotejamento pode ser considerada como um modelo básico desse
método de irrigação.
A irrigação localizada é um sistema fixo e se fundamenta na passagem de pequena vazão em orifícios de diâmetro reduzido de estruturas especiais chamadas de emissores. Estes são adaptados a tubulações de plástico, colocados ligeiramente acima, juntos ou imediatamente abaixo da superfície do solo. A filtragem da água (para evitar entupimento dos microaspersores e gotejadores), a possibilidade de aplicação de fertilizantes na água de irrigação, o controle volumétrico e o fornecimento de água sob pressão necessária são realizados pelo cabeçal de controle, que recebe o líquido da fonte de abastecimento através de tubulação de recalque, impulsionado por um conjunto motobomba.


segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Métodos de Irrigação para a cultura da goiabeira


A irrigação visa, sobretudo, suprir as necessidades hídricas das plantas. Não funciona em separado, mas integrada outras práticas agrícolas de forma a beneficiar a cultura e o produtor em particular. É necessária em regiões onde o regime pluvial não atende às necessidades das plantas durante todo o seu ciclo ou em parte dele, permitindo ampliar o tempo de exploração, o número de colheitas ou ainda melhorar a produção já existente (Simão, 2002).
O uso correto da irrigação é fator determinante para o sucesso do produtor, em especial no caso da fruticultura irrigada, que envolve altos custos e conseqüentemente possui maior risco associado à atividade. Deve-se destacar, portanto, a importância da escolha correta do método de irrigação a ser utilizado, da realização criteriosa do projeto, da utilização de equipamentos de boa qualidade (que atendam às especificações para as quais foram projetados), dos cuidados durante a implantação do sistema, da correta manutenção do mesmo e na determinação correta do momento de aplicação da água e de produtos químicos que eventualmente podem ser aplicados pelo sistema. Vários métodos podem ser escolhidos com base na viabilidade técnico-econômica e benefícios sociais advindos de seu uso.

2.1. Aspectos gerais dos métodos
As diversidades edafoclimáticas, econômicas e sociais das regiões brasileiras possibilitam o uso dos diferentes sistemas de irrigação, que podem ser agrupados em três grandes métodos.

Irrigação por superfície
A água é aplicada ao perfil no solo, utilizando sua própria superfície para condução e infiltração, podendo ser por sulco, por faixa, por inundação ou subterrânea (subirrigação).

Irrigação por aspersão
A água é aplicada no solo sob a forma de chuva artificial, por fracionamento de um jato de água, em grande número de gotas que se dispersam no ar e caem sobre a superfície do terreno ou do dossel vegetativo. Destacam-se, nesse grupo, os sistemas convencionais, ramal rolante, montagem direta, autopropelido, pivô central e o linear.

Irrigação localizada
A água é aplicada na superfície ou subsuperfície do solo, próximo à planta, em pequenas intensidades e com grande freqüência. São utilizados sistemas de filtragem e de pressurização, tubulações para condução da água e gotejadores ou microaspersores, que irão constituir os dois sistemas: um de gotejamento e outro de microaspersão.

2.2. Seleção adequada do sistema de irrigação para a cultura da goiabeira
Um projeto de irrigação para a cultura da goiabeira deve contemplar, de forma integrada, entre vários aspectos, os seguintes: definição de um sistema de irrigação, elaboração de um planejamento baseado em estudos básicos da área, plano de exploração agrícola, conhecimento da infraestrutura disponível na área, previsão do manejo da irrigação e comportamento do sistema radicular.
A implantação de um projeto mal concebido poderá trazer sérios problemas para a sua operacionalização, podendo até inviabilizá-lo, futuramente. Devem-se levar em conta, as características físicas e químicas do solo e da água, as condições climáticas e o nível de tecnologia a ser adotado nos cultivos.
É muito importante ficar bem claro que não há propriamente um método de irrigação mais eficiente que outro para quaisquer condições: há um método que se adapta melhor. Devese, então, primeiramente, estudar bem as características da cultura e da área que se quer irrigar e, depois, escolher o método que melhor se adapte a essas características. O manejo da irrigação, juntamente com o método empregado, influencia em grande parte o aumento da produção em associação, logicamente, com a combinação favorável da cultura e do solo.
A escolha de um dos métodos citados deve ser baseada na viabilidade técnica e econômica do projeto, bem como dos benefícios sociais advindos. O processo é complexo e exige conhecimentos relativos ao solo, à topografia, à planta, à água, ao clima, ao manejo, à energia e aos custos, entre outros fatores.
Não há um método melhor que outro, mas sim um método que facilite o manejo da cultura. Por exemplo, culturas que exigem tratamento fitossanitário permanente não deveriam ser irrigadas por métodos que promovem a lavagem da parte aérea, pois acarretam custos mais elevados e provocam danos ao meio ambiente. Como os métodos localizados se caracterizam pela grande freqüência de irrigação, o solo se mantém com umidade próxima à capacidade de campo, favorecendo a absorção e a evapotranspiração das plantas, garantindo, portanto, o seu desenvolvimento.
Quanto ao clima, a principal limitação é o vento, o qual afeta os sistemas em que a água é lançada ao ar, como a aspersão e a microaspersão (na fase inicial). Em regiões em que a velocidade do vento é maior que 5 m/s, as perdas por arrastamento são elevadas. Se, associado ao vento, há uma umidade relativa baixa e temperaturas elevadas, as perdas são maiores e restringem-se os métodos citados, a menos que se irrigue em períodos de menor intensidade dessas variáveis.

2.3. Métodos recomendados
Em função das características atuais dos sistemas de produção, os métodos mais recomendados são a irrigação localizada e os sistemas de aspersão por pivô central, por permitirem maior eficiência no uso da água e outros insumos.
A escolha de qualquer método de irrigação depende de uma série de fatores, destacandose o tipo de solo, a topografia e o tamanho da área, os fatores climáticos, os fatores relacionados ao manejo da cultura, o déficit hídrico, a capacidade de investimento do produtor e o custo do sistema de irrigação (Mantovani, 2001). Considerando o grande volume de água exigido na irrigação e a necessidade de otimizar a utilização, um dos aspectos importantes que está sendo analisado na escolha do método de irrigação é a eficiência como este irriga a cultura.
Dentre os métodos de irrigação, podem ser destacados a irrigação localizada (gotejamento e microaspersão), a aspersão subcopa com mangueiras e o pivô central, como os métodos mais recomendados para a cultura da goiabeira, sendo que ainda existem algumas áreas de fruticultura que utilizam irrigação por superfície, mesmo com as grandes perdas por percolação profunda.


terça-feira, 28 de julho de 2020

Importância da irrigação para a cultura da goiabeira


1. Introdução:
A agricultura irrigada tem sido uma importante estratégia para otimização da produção mundial de alimentos, gerando desenvolvimento sustentável no campo, com geração de empregos e renda de forma estável. Atualmente, mais da metade da população mundial depende de alimentos produzidos em áreas irrigadas.
A irrigação não deve ser considerada isoladamente, mas sim como parte de um conjunto de técnicas utilizadas para garantir a produção econômica de uma determinada cultura, com adequados manejos dos recursos naturais, devendo ser levado em conta os aspectos de sistemas de plantios, de possibilidades de rotação de culturas, de proteção dos solos com culturas de cobertura, de fertilidade do solo, de manejo integrado de pragas e doenças, mecanização, etc., perseguindo-se a produção integrada e a melhor inserção nos mercados.
No conceito antigo, a irrigação era vista como uma técnica que visava basicamente a luta contra a seca. Em uma visão mais atual, dentro de um foco empresarial do agronegócio, a irrigação é uma estratégia para aumento da rentabilidade da propriedade agrícola pelo aumento da produção e da produtividade, de forma sustentável, preservando o meio ambiente e com maior geração de emprego e renda, dando enfoque para as cadeias produtivas.
Sem dúvida, esse conceito de irrigação necessita de um programa muito bem elaborado de pesquisa e desenvolvimento para o seu estabelecimento e durabilidade. Assim, o futuro da irrigação envolve produtividade e rentabilidade com eficiência no uso da água, da energia e dos insumos, bem como com respeito ao meio ambiente.
A importância da irrigação pode, portanto, ser sintetizada nas seguintes vantagens:
- Seguro contra secas que ciclicamente ocorrem estiagens mais prolongadas em regiões, sejam elas de clima árido, semi-árido ou úmido. A irrigação permite segurança na safra,
independentemente desse problema.
- Melhor produtividade das culturas, aumentando o rendimento da área cultivada e propiciando condições para mais de uma colheita numa mesma área, ou seja, uso intensivo do solo.
- Melhor qualidade de o produto, em virtude do metabolismo vegetal ocorrer em condições mais favoráveis.
- Possibilidade de fazer um programa de cultivo com colheitas fora da época normal. Com o auxílio da irrigação, pode-se antecipar ou atrasar a safra de certas culturas, o que proporciona melhores cotações no mercado.
- Maior eficiência no uso de fertilizantes.
- Introdução de culturas caras, minimizando o risco do investimento.

De forma geral, a busca desses resultados positivos tem sido importante, mas limitada, pois tem sido focada no ponto de vista da Engenharia, negligenciando o Manejo. Mesmo considerando a melhoria dos sistemas modernos de irrigação, com maior eficiência de distribuição da água nas mais diversas situações, a falta de um programa de manejo pode levar tudo a perder: seja pela aplicação em excesso (mais comum) ou em falta, antes ou depois do momento adequado para cada fase da cultura e situações vigentes.

1.1. Importância da irrigação para a cultura da goiabeira
O Brasil, por sua grande diversidade edafoclimática, apresenta condições ideais para a agricultura e, em particular, para a fruticultura, com potencial para atender aos mercados interno e externo. Nos últimos anos, tem havido considerável expansão da fruticultura irrigada, em pólos regionais como Juazeiro (BA), Petrolina (PE), Janaúba e Jaíba (MG), além de outros locais sem tradição anterior no cultivo de fruteiras.
No mundo inteiro, a agricultura irrigada está se profissionalizando em níveis nunca vistos. A fruticultura vem, cada vez mais, ocupando lugar de destaque no complexo agroindustrial, seja pelo aumento do consumo interno e das exportações, seja por sua importância social na geração de empregos, ou ainda, pelo crescimento da rentabilidade dos pequenos e médios produtores.
O desafio é produzir mais, melhor e com menores custos, oferecendo aos clientes e consumidores, produtos de qualidade a preços competitivos. Portanto, o irrigante que desejar ter sucesso precisa assumir o papel de empresário rural, atuando profissionalmente em toda a cadeia produtiva do agronegócio, desde a aquisição de insumos, produção, pós-colheita, beneficiamento e processamento até a distribuição, seja de forma isolada ou através de cooperativas.
Existem no Brasil cerca de 2,5 milhões de hectares ocupados com produção de frutas, com uma produção acima de 30 milhões de toneladas. A fruticultura, considerada importante fator de desenvolvimento econômico e social, gera, direta e indiretamente, milhares de empregos.
Vale ainda ressaltar que a fruticultura brasileira é uma das mais importantes do mundo.
Além de ser o maior produtor de frutas cítricas, o país ocupa posição destacada como produtor de frutas tropicais, como banana, manga, mamão, abacaxi, caju, maracujá e goiaba, que é o foco deste trabalho.
Só na região Nordeste há mais de 5000 ha cultivados com goiaba, com uma tendência de crescimento, principalmente nos pólos de agricultura irrigada, como Petrolina e Juazeiro. A expansão se deu devido a vários aspectos, destacando-se: substituição do cultivo da bananeira (doenças e outros problemas), rapidez do retorno dos investimentos aplicados e possibilidade de várias formas de aproveitamento dos frutos como doces, sucos, polpas e consumo da fruta in natura.
A goiabeira cultivada com irrigação e com poda, além de apresentar níveis de produtividade elevados (40 a 50 t/ha/ano), produz durante todo o ano. Essa característica possibilita ao produtor não só comercializar sua produção como fruta fresca nos grandes centros consumidores locais, como também permite buscar mercados mais distantes, inclusive o mercado de exportação. Para a exportação, assim como para um mercado interno cada vez mais exigente, exige-se um padrão de qualidade muito superior ao padrão da fruta destinada ao mercado local e à indústria, só alcançado em culturas tecnificadas e formadas com variedades
selecionadas, de acordo com o mercado que se deseja atingir (Gonzaga Neto, 1990).
A fruticultura, como no caso da cultura da goiabeira, tem sido uma das atividades agrícolas que mais tem demandado conhecimentos relativos à irrigação, principalmente devido à utilização de fruteiras de alto valor econômico. A utilização de irrigação também é uma estratégia dos fruticultores para reduzir os riscos associados à atividade.
O conhecimento das necessidades hídricas e nutricionais de máxima eficiência econômica para as culturas é indispensável para a obtenção de sucesso no empreendimento frutícola, pois a água e os nutrientes são os fatores que mais limitam o rendimento da planta (Ruggiero et al., 1996). Neste contexto, sanar tais problemas significa possibilitar o aumento da produtividade, da qualidade dos frutos, da margem de lucro do produtor e da competitividade nos mercados nacionais e internacionais.
Entretanto, para que as técnicas de irrigação e fertilização sejam bem sucedidas, é desuma importância, o seu manejo adequado, visando maior competitividade econômica e sustentabilidade ambiental, exigidas por um mercado globalizado e consciente da necessidade de preservação do meio ambiente, idéias em sintonia com o lema da tecnologia: produzir o máximo e com qualidade, no menor intervalo de tempo, com menor investimento possível e com o mínimo impacto ambiental.





segunda-feira, 13 de julho de 2020

Irrigação na Goiabeira


Apesar de ser considerada uma planta que tolera a seca, a goiabeira, quando irrigada, apresenta um aumento significativo da produtividade. A irrigação, aliada a outras técnicas de manejo, proporciona a colheita de duas safras anuais, sendo possível, também, ajustar a época da colheita de acordo com os períodos de maior demanda de mercado.
A prática da irrigação consiste no fornecimento de água às culturas, de maneira adequada e em quantidade suficiente para atender às necessidades hídricas das plantas, em suas diferentes fases de desenvolvimento.
De modo geral, a cultura da goiaba adapta-se a diversos sistemas de irrigação, mas a irrigação localizada facilita o manejo de água. Esta pode ser feita por meio de microaspersão ou por gotejamento, que são sistemas que fornecem água no volume de solo explorado pelas raízes das plantas, reduzindo, dessa forma, a quantidade de água a ser aplicada e evitando as perdas por excesso de água. No caso da goiabeira, a irrigação por microaspersão é a mais indicada, tendo em vista a área explorada pelo sistema radicular da planta e o volume de água consumido diariamente.
A demanda de água pela planta varia de acordo com o tipo de solo, a época do ano e as diferentes fases de desenvolvimento da cultura: crescimento vegetativo, floração, frutificação e maturação dos frutos. Na avaliação da quantidade de água a ser aplicada em cada irrigação, devem ser considerados outros fatores, como: profundidade efetiva do sistema radicular (profundidade do solo onde se encontram cerca de 80% das raízes), capacidade de armazenamento de água no solo e demanda atmosférica. A profundidade efetiva do sistema radicular da goiabeira situa-se em torno de 0,4 m no primeiro ciclo (formação do pomar) e em torno de 0,8 m do segundo ciclo em diante (plena produção).
Pode-se estimar a quantidade de água requerida pela planta por meio da evapotranspiração de referência (ETo, em mm). Para saber a evapotranspiração de uma determinada cultura (ETc, em mm), multiplica-se a ETo por um coeficiente de cultivo (Kc). Em seu primeiro ciclo, a goiabeira tem um Kc médio em torno de 0,40 até o florescimento, e de 0,65 do florescimento em diante. No segundo ciclo, os valores de Kc podem ser: de 0,70 para o período entre a poda e o crescimento vegetativo; de 0,75 para o período de florescimento, de queda fisiológica e de crescimento dos frutos; e de 0,70 para o período de maturação e de colheita.
O resultado encontrado (ETc), dividido pela eficiência de aplicação do sistema (Ea), resulta na lâmina bruta de água (mm) que deve ser fornecida à planta, como pode ser visto no seguinte exemplo:

ETc = ETo (9,0) x Kc (0,75) = 6,75 mm
Lb = 6,75 mm / 0,9 = 7,5 mm

Também é possível estimar a quantidade de água a ser aplicada, através da evaporação do tanque Classe “A”, conforme o exemplo a seguir, em que a lâmina bruta de irrigação é calculada por meio da seguinte expressão:

Lb = kp x Kc x Ev x Am x Fr
CUC

Lb = Lâmina bruta (L/planta/dia)
Kp = Coeficiente de tanque (0,75)
Kc = Coeficiente de cultivo (0,75 para o período de florescimento, de queda fisiológica dos frutos e de crescimento dos frutos).
Ev = Evaporação do tanque Classe “A” (9,0 mm).
Am = Área molhada pelo sistema de irrigação por planta em m² (13 m²).
Fr = Frequência de irrigação (1 dia).
CUC = Coeficiente de uniformidade de aplicação da irrigação (0,90).
Lb = 0,75 x 0,75 x 9,0 x 13 x 1 0,90
Lb = 73,13 L/planta/dia
A irrigação localizada permite o emprego da fertirrigação, que consiste na aplicação de fertilizantes por meio da água de irrigação. Esse método apresenta as seguintes vantagens em relação aos métodos convencionais de aplicação de adubo:
• Maior aproveitamento do equipamento de irrigação.
• Aplicação dos nutrientes no momento certo e na quantidade exata requerida pelas plantas.
• Menor necessidade de mão de obra para a realização das adubações, pois aproveita praticamente o mesmo trabalho requerido para fazer as irrigações.
• Menor compactação do solo, graças à redução do tráfego de máquinas dentro da área, o que é comum quando se utilizam métodos tradicionais de adubação.
• Menores danos físicos provocados às culturas, em razão dos motivos citados anteriormente, evitando, assim, derrubada de flores, frutos e galhos das plantas, o que pode reduzir a incidência e a propagação das pragas e doenças.
• Maior eficiência de aplicação de micronutrientes em comparação com a aplicação manual, considerando a dificuldade de regular, apenas com o uso das mãos, as pequenas doses do produto aplicado.
• Aumento da produtividade e da qualidade comercial dos frutos.
• Uniformidade de distribuição dos adubos.

Entretanto, é importante ressaltar que a prática da fertirrigação exige conhecimentos técnicos sobre os tipos de adubo a serem utilizados e sobre o cálculo das dosagens. Além disso, a fertirrigação pode causar corrosão aos equipamentos e aumentar as perdas de carga no sistema de irrigação.
No sistema de fertirrigação, o injetor tipo Venturi, que é um dispositivo de polipropileno ou PVC, é utilizado para aspirar a solução de produtos químicos e incorporá-lo à água de irrigação (Figura 4).
É preciso lembrar que existem outros tipos de injetores, como os elétricos e os hidráulicos.

Figura 4. Esquema de montagem de um injetor do tipo Venturi.

A aplicação de fertilizantes via água de irrigação compreende três etapas.
Primeira: ativar o sistema durante 15 a 20 minutos para equilibrar, hidraulicamente, as subunidades de rega. Segunda: injetar o fertilizante no sistema de irrigação, por meio de equipamentos apropriados. Terceira: começar a fertirrigação até completar o tempo total de irrigação, visando à distribuição dos fertilizantes, à lavagem do sistema de irrigação e ao carreamento dos fertilizantes para as camadas do solo com maior concentração de raízes. Esse tempo deve ser suficiente para a água percorrer desde o ponto de injeção de fertilizantes até o último emissor da parcela irrigada que estiver localizada mais distante do injetor de fertilizante.


quinta-feira, 2 de julho de 2020

Nutrição, Adubação e Calagem da Goiabeira


Nutrição, Adubação e Calagem

A goiabeira é uma planta pouco exigente em fertilidade do solo, podendo desenvolver-se em solos com pH de 4,5 a 8,0, com faixa ótima de desenvolvimento entre 5,0 e 6,5.
No entanto, para a obtenção e a manutenção de boas produtividades em pomares comerciais, é necessário manter níveis adequados de fertilidade.
Prado e Natale (2004), avaliando os efeitos da calagem sobre o desenvolvimento e a produção da goiabeira, observaram que houve correção da acidez do solo, elevação do pH, do cálcio (Ca) e do magnésio (Mg), aumentando a saturação por bases (V), com incremento da absorção de cálcio e também maior desenvolvimento do sistema radicular.
Concentrações de cálcio no solo de aproximadamente 3,0 cmolc/dm3 e teores desse nutriente de 7,5 g/kg nas raízes promoveram maior crescimento radicular da planta. Os teores foliares de Ca e Mg aumentaram com as doses de calcário. As maiores produções acumuladas de frutos estavam associadas a um valor de V de 50% na linha e de 65% na entrelinha do pomar (NATALE et al., 2007).
À medida que a produção da goiabeira aumenta, aumenta sua necessidade de nutrição, considerando-se que os frutos são grandes consumidores e exportadores de nutrientes. Além disso, a poda extrai
grande quantidade de nutrientes. Os elementos extraídos em maior quantidade pelos frutos na colheita são potássio (K), nitrogênio (N) e fósforo (P), seguidos de enxofre (S), magnésio (Mg) e cálcio (Ca).
Entre os micronutrientes, a sequência é ferro (Fe), manganês (Mn), zinco (Zn), cobre (Cu) e boro (B). Na poda de frutificação, os elementos extraídos em maior quantidade são K, N, Ca, Mg, S e P, seguidos dos micronutrientes Mn, Fe, B, Zn e Cu (MAIA et al., 2007).
O cálculo da necessidade de calagem pode ser feito por uma das seguintes fórmulas:

NC (t/ha) = [3 - (Ca2+ + Mg2+)] + 2 x Al3+ x f, em que:
NC = necessidade de calagem, em t/ha.
Ca2+, Mg2+ e Al3+ = teores de Ca, Mg e Al determinados pela análise de solo em cmolc /dm3.
f = 100/PRNT, fator corretivo do calcário.
NC (t/ha) = (V2 - V1)/100 x T em que:
NC = necessidade de calagem, em t/ha.
V2 = saturação de bases a ser atingida.
V1 = saturação de bases atual.
T = CTC do solo.

Recomenda-se aplicar de 20 L a 30 L por planta de esterco de curral bem curtido no plantio e antes das podas de frutificação, conforme a disponibilidade. A adubação com micronutrientes depende dos resultados da análise foliar ou do aparecimento de sintomas de deficiência.
A quantidade de N, P e K requerida e recomendada nas fases de implantação e produção está na Tabela 1.
Na fase de crescimento, as doses de nitrogênio devem ser parceladas em cinco aplicações ao ano em solos argilosos, e em dez aplicações ao ano em solos arenosos, iniciando-se 30 dias depois do plantio. Na fase de produção, 30% do nitrogênio deve ser aplicado depois da poda de frutificação, e os 70% restantes, aplicados de forma decrescente, até 150 dias depois da poda.



A adubação potássica deve ser parcelada em 30% depois da poda, 15% depois do pegamento dos frutos, 25% na fase intermediária de crescimento do fruto e 30% na fase final de crescimento do fruto (antes da maturação).
As doses de fertilizantes fosfatados devem ser aplicadas de uma única vez no plantio e antes de cada poda de frutificação, de acordo com os resultados da análise de solo.


sábado, 13 de junho de 2020

PRODUÇÃO DE MUDAS FRUTÍFERAS


CAPÍTULO 2 PRODUÇÃO DE MUDAS

2.1 Viveiro
Viveiro é uma área de terreno convenientemente demarcada, onde as mudas frutíferas são obtidas e conduzidas até o momento do transplante. Para algumas espécies, entre elas as plantas cítricas, em função de doenças e pragas, todo o processo de obtenção de mudas é realizado em telados a prova de insetos.
Por muda, entende-se toda a planta jovem, com sistema radicular e parte aérea, com ou sem folhas, obtida por qualquer método de propagação, utilizada para a implantação de novos pomares. No caso de mudas obtidas por enxertia, as mudas são formadas pela combinação de duas ou mais cultivares diferentes.
Muda de pé-franco, é a denominação utilizada para designar aquelas mudas obtidas, normalmente por estaquias, as quais são tem o sistema radicular e a parte aérea formadas por uma única cultivar. Em alguns estados, como em São Paulo, a denominação de pé-franco é utilizada para aquelas mudas oriundas de sementes.

2.2 Escolha do local
Para o estabelecimento do viveiro, interferem fatores econômicos, ambientais, técnicos e as preferências pessoais do viveirista. Recomenda-se não instalar viveiros no mesmo terreno por mais de 2 anos. Deve-se proceder rotação com culturas anuais ou adubação verde. Assim procedendo, obtém-se maior desenvolvimento das mudas.

A área do viveiro a ser escolhida deve considerar:
- Exposição preferencialmente ao Norte;
- Isolada do pomar, observando a legislação para a cada espécie;
- Afastada de estradas públicas;
- Isenta de ervas daninhas de difícil controle;
- Evitar áreas sujeitas a geadas, principalmente no caso dos citros;
- Em terrenos de mata, proceder a destoca total, no mínimo 2 anos antes da instalação do viveiro;
- Disponibilidade de água para o uso com irrigação e com tratamentos fitossanitários;
- Não usar áreas encharcadas ou áreas sujeitas à inundação;
- Preferir solos profundos e medianamente arenosos;
- Evitar áreas sujeitas a ventos constantes que podem quebrar as mudas na região da enxertia;
- Escolher solos ricos em matéria orgânica;
- Terrenos isentos da infestação de nematóides;
- Não repetir o cultivo da mesma espécie pelo menos, por três anos, na mesma área;
- Preferir topografia plana ou levemente ondulada, executando-se, neste caso, práticas para a conservação do solo.

2.2.1 Condições edáficas e biológicas
Deve-se dar preferência a solos areno-argilosos, profundos, levemente ondulados ou planos, porém na maioria dos casos não se tem essa situação, devendo-se, então, utilizar os solos com as melhores condições possíveis. Os solos argilosos são geralmente de difícil mecanização e dificultam o desenvolvimento do sistema radicular das mudas, predispondo às podridões de raízes e ao excesso de manganês.
Deve-se realizar uma rigorosa escolha nas características físicas do solo, já que as químicas podem ser substancialmente modificadas.
O viveiro deve estar livre de fitonematóides nocivos, tiririca (Cyperus spp.), capim bermuda (Cynodon dactylon), pérola da terra (Eurhizococus brasiliensis) e do ataque de qualquer praga ou doença que se hospede na muda e que seja motivo de infestação em outras mudas. Uma análise microbiológica do solo ajuda na avaliação da população de fitonematóides e de outras doenças importantes para a espécie a ser explorada.
Recomenda-se o cultivo de gramíneas, tais como o milho, aveia, azevém, entre outras, antes de serem instalados os viveiros, principalmente quando no solo houver material lenhoso em decomposição. Esta prática diminui o ataque de fitonematóides e deve ser repetida por um período de dois anos. A produção das culturas deve ser incorporada na forma de adubo verde.
No caso de viveiros e pomares de macieiras, o ataque de podridões do sistema radicular causa prejuízos significativos. Dentre elas, destaca-se aquela provocada por fungos do gênero Phytophthora, que a partir de trabalhos desenvolvidos, pode ser controlada por
fungos do gênero Trichoderma sp.. Estes fungos fazem o controle biológico das podridões de raiz e já possuem distribuição comercial para o produtor. Eles são utilizados por ocasião do
plantio e produzem substâncias antibiológicas e enzimas que inibem o desenvolvimento do patógeno. Agem também como parasita de outros fungos, desta forma alcançam uma taxa de reprodução e crescimento mais elevada do que a do patógeno, passando a predominar no ambiente.
As plantas frutíferas liberam fitotoxinas que podem se acumular no solo, prejudicando o desenvolvimento das mudas. A nogueira libera uma fitotoxina chamada jiglone; a macieira libera floridzina; e o pessegueiro e a ameixeira prunazina e amigdalina. Estas substâncias desenvolvem efeitos alelopáticos sobre as mudas em desenvolvimento. Também devem ser evitados solos infectados com Agrobacterium tumefasciens.
O viveiro deverá ser instalado em área onde não houve pomar há pelo menos 5 anos e viveiros nos últimos 3 anos; estar distanciado pelo menos a 50 metros de qualquer pomar e, no mínimo, 5.000 metros para o caso do morangueiro.
A água deverá estar disponível em quantidade para a irrigação, quando necessária, e mesmo para realização de tratamentos fitossanitários.

2.2.2 Condições de clima
Os ventos podem prejudicar o desenvolvimento e quebrar as mudas na região da enxertia. Para tanto deve-se utilizar quebra-ventos para proteger as plantas dos ventos dominantes.
A temperatura limita o crescimento das mudas. Uma muda cítrica que, nas condições de São Paulo, pode ser produzida em menos de 24 meses, nas condições do Rio Grande do Sul, pode demorar até 36 meses.

2.2.3 Preparo e correção do solo do viveiro
Fazer uma aração profunda, atingindo 20-30cm de profundidade. Os corretivos devem ser baseados na análise do solo, sendo que a calagem e a aplicação de potássio e fósforo devem ser antes da instalação do viveiro. Caso houver necessidade, é possível aplicar-se quantidades de matéria orgânica com o objetivo de aumentar a disponibilidade de nitrogênio e, ao mesmo tempo, melhorar as propriedades físicas do solo.
As linhas de plantio das mudas devem ser distanciadas de 1,2 a 1,5m entre si, ou então pode-se utilizar filas duplas distanciadas de 0,6m entre si e 1,2 a 1,5m entre filas duplas. A distância entre filas pode ser modificada em função do implemento a ser utilizado. Dentro das filas as mudas ficam distanciadas em torno de 15cm.

2.3 Mercado
A muda deve ser produzida, de preferência, próximo ao local de consumo e deve considerar a existência de mão-de-obra qualificada, bem como de estradas que facilitem o acesso.

2.4 Infra-estrutura

2.4.1 Benfeitorias
Deve-se dispor de galpões para embalagem e controle do material propagado, guarda de equipamentos, defensivos e fertilizantes. Em alguns casos, também é necessário que se tenha estufas, telados, ripados, entre outros.

2.4.2 Equipamentos Deve-se ter todos os equipamentos que possibilitem o preparo da área, tratos culturais, tratamentos fitossanitários, irrigações e embalagem das mudas.

2.5 Formação da muda
As mudas podem ser formadas a partir de sementes ou a partir de partes vegetativas, como a enxertia, a estaquia, a mergulhia, a micropropagação, entre outras.

2.5.1 Obtenção das sementes e preparo da sementeira
Na fruticultura, a utilização de sementes basicamente está restrito à obtenção de porta enxertos
e ao melhoramento genético, pois, comercialmente, poucas espécies frutíferas têm suas mudas obtidas por este método.
O uso de sementes e a época de semeadura decorrem da época da maturação das frutas e do poder germinativo das mesmas. Normalmente, as sementes devem ser semeadas logo após a colheita das frutas, principalmente no caso dos citros e da nogueira-pecan. Entretanto, existem espécies que necessitam um período de repouso para germinarem (estratificação), superando-se a dormência e favorecendo a maturação fisiológica, como acontece em sementes de pessegueiro.
As sementes devem ser provenientes de plantas sadias, adultas, possuírem um bom vigor e características varietais definidas.
A semente deve ser separada da polpa logo após o coleta das frutas para evitar a sua fermentação. Na polpa das frutas existem inibidores que impedem a germinação das sementes.
Por esta razão, nunca se deve fazer a semeadura de frutas inteiras. Nas plantas cítricas, colhem-se as frutas maduras (inverno); corta-se a fruta ao meio com faca de madeira, para evitar lesões nas sementes e, em seguida, espreme-se em peneiras; lava-se com água corrente ou água de cal e seca-se à sombra, em local ventilado. Já com o pessegueiro, os caroços devem ser de cultivares de maturação tardia (Capdeboscq e Aldrighi), não podem ser cozidos e a polpa deve ser removida para evitar-se a fermentação. Para tanto, eles devem ser mantidos em locais sombreados e úmidos, com baixa temperatura <10 b="" nbsp="" o="">que faz com que a maturação fisiológica seja completa.

Armazenamento e estratificação
O êxito da germinação nas sementeiras depende da qualidade da semente e do meio que a mesma é conservada desde a coleta até a semeadura.
As sementes que tem embrião grande perdem a vitalidade e dessecam durante o armazenamento. Este tipo de semente deve ser conservada com suficiente umidade e temperatura em torno de 2 a 7°C, pode-se misturar uma substância inerte, ligeiramente úmida, como, por exemplo, a areia.
A estratificação é o tratamento que se submetem as sementes, durante o armazenamento, sem que se perca o poder germinativo. É feita com o objetivo de acelerar a maturação das mesmas, favorecendo a germinação daquelas que têm o tegumento espesso e relativamente impermeável. Os caroços de pêssego estratificados devem permanecer em locais frescos, enterrados ou em câmaras frias, a temperaturas que variam de 0 a 10°C, e o período de estratificação varia entre 30 e 100 dias.

Sementeira
O preparo da sementeira começa pela aração do solo, retirada de pedras, restos de vegetais e o preparo do solo através do uso de enxadas rotativas, normalmente acopladas a microtratores.
A largura do canteiro normalmente é, em torno, de 1,20m e 10m de comprimento e ficam distanciados de aproximadamente 25cm uns dos outros. A semeadura pode ser feita a lanço ou em linha, observando-se que a semente deve ficar a uma profundidade de, aproximadamente, 3 vezes o seu diâmetro.

Época de semeadura
A semeadura pode ser feita diretamente no solo ou em embalagens apropriadas. Nas espécies que não necessitam estratificação, a semeadura é feita logo após a coleta, como acontece com as plantas cítricas e a nogueira-pecan. No caso do pessegueiro, a semeadura é feita após 2 a 3 meses de estratificação, sendo que 1 kg de caroços tem aproximadamente 400 sementes, quando bem conduzidas, podem chegar até 70-80% de germinação. Nas condições do agricultor, a germinação está em torno de 20%. Atualmente, os produtores de mudas de pessegueiro estão realizando a semeadura dos caroços diretamente no viveiro, tal fato, embora tenha algumas desvantagens, como uma maior área para controle de ervas daninhas, para irrigação, além de necessitar de um maior número de caroços, facilita o desenvolvimento da muda, pois ela não sofre o estresse causado pela repicagem. Outra vantagem obtida pela eliminação da repicagem é a menor exigência de mão-de-obra, visto que esta operação é bastante demorada e coincide com o arranquio e embalagem das mudas do ano anterior.
Em plantas cítricas, em função de restrições por doenças transmitidas por insetos, todo o sistema de produção de mudas é feito em telado, desde a semeadura até a muda pronta.

Viveiro
Quando as mudas tiverem tamanho adequado, o que é variável com a espécie, elas devem ser repicadas para o viveiro, por exemplo, para mudas de pessegueiro, os cotilédones são mantidos junto com a mudinha por ocasião do transplante, com 5 a 10cm de altura, pois os mesmos são fonte de reservas alimentares, muito importantes nesta fase inicial de desenvolvimento.
No viveiro, as mudinhas são plantadas a uma distância de 0,15 x 1,20m; 0,15 x 0,30 x 1,20m. Durante a repicagem, a irrigação é indispensável para favorecer o pegamento.
Quando as mudas são destinadas à obtenção de porta-enxertos, devem ser conduzidas em haste única. As mudas também podem ser produzidas em sacos plásticos, torrão ou vasos.
Neste caso, todas as operações podem ser realizadas com a muda dentro da embalagem, permitindo, assim, um ganho maior de tempo na obtenção da muda.

2.5.2 Partes vegetativas
Em muitos casos, o porta-enxerto é obtido a partir de partes vegetativas, como é o caso da macieira em que o porta-enxerto é obtido por mergulhia de cepa; em outras situações as mudas são obtidas diretamente de estacas, como é o caso das videiras americanas, figueira, marmeleiro, entre outras.

Estaquia
A estaquia é um processo muito simples, que pode ser utilizado para a produção de porta-enxertos ou diretamente da muda, dispensando a utilização da enxertia. Entretanto, a utilização da estaquia é limitada à capacidade de formar raízes das espécies e/ou cultivares utilizadas.
O tamanho e o tipo de estaca a ser utilizada (Figuras 2 e 3) fica na dependência da maior ou menor facilidade de enraizamento.
Geralmente a estaquia é realizada no período de inverno, pois a sua utilização no verão requer instalações com sistemas de nebulização intermitente (Figura 4), como casas de vegetação, sombrites e telados. O espaçamento das estacas no viveiro é semelhante ao das mudas, ou seja, 0,15 x 1,20m.
No período de inverno são utilizadas estacas lenhosas de aproximadamente 30cm de comprimento.
O uso de auxinas na base da estaca contribui para aumentar o enraizamento. Por exemplo, a aplicação de uma solução de ácido indolbutírico (AIB) na concentração de 2g L-1, por cinco segundo aumenta de forma significativa o percentual de estacas enraizadas.

Diferentes tipos de estacas lenhosas. Foto: José Carlos Fachinello.

Estacas com folha, comprimento de 12 cm, utilizada durante o período vegetativo
da planta. Foto: José Carlos Fachinello

Estufas com nebulização intermitente utilizadas para o enraizamento de estacas
com folhas. Foto: José Carlos Fachinello

Mergulhia
No processo de mergulhia (Figuras 5 a 9), a muda a ser formada só é separada da planta-mãe após ter formado um sistema radicular próprio. Existem diversas formas de propagar plantas por mergulhia, porém as mais utilizadas são a mergulhia contínua e a mergulhia de cepa, muito utilizada na cultura da macieira e pereira para obtenção de portaenxertos clonais.

Mergulhia simples normal

Mergulhia contínua chinesa

Mergulhia chinesa serpenteada

Mergulhia de cepa

Mergulhia aérea ou alporquia.

Órgãos especializados
Em fruticultura, a obtenção de mudas através de estruturas especializadas está restrito a alguns casos, como o morangueiro, cujas mudas são obtidas por estolões, a bananeira por rizomas e o abacaxizeiro por rebentos.

Estolões utilizados na propagação do morangueiro

Rebentos utilizados na propagação da amoreira-preta

Enxertia
A enxertia é o principal método de obtenção de mudas para formação de pomares comerciais, e pode ser utilizado para a maioria das plantas frutíferas.
A enxertia é realizada quando os porta-enxertos, obtidos através de sementes ou partes vegetativas, atingirem o diâmetro de um lápis ou mais e é realizada a uma altura de 5 a 25cm do solo.
As espécies de folhas caducas geralmente são enxertadas em duas épocas, inverno e primavera/verão. Já a maioria das espécies de folhas persistentes são enxertadas na primavera/verão.

Obtenção de borbulhas ou garfos
A obtenção de borbulhas ou garfos deve ser feita tomando-se alguns cuidados básicos, entre eles:
- Utilizar plantas livres de doenças, principalmente de vírus;
- Ser representante típico da cultivar;
- Tenha alta produtividade e frutas de boa qualidade;
- No caso de existirem vetores que transmitem doenças, as plantas matrizes devem estar protegidas em telados.

Enxertia de borbulhia em T normal.

Enxertia de borbulhia em T invertido.


Enxertia de borbulhia de gema com lenho.

Enxertia de garfagem em fenda cheia em videira.

Enxertia de garfagem em fenda dupla ou inglês complicado.

Forçamento da brotação do enxerto
Para favorecer a brotação do enxerto pode-se realizar alguns procedimentos, entre eles:
- Curvamento ou dobra do porta-enxerto, 5 a 15cm acima do ponto de enxertia;
- Corte total do porta-enxerto, 5 a 15cm do ponto de enxertia;
- Decapitação total do porta-enxerto no ponto de enxertia;
- Decapitação parcial do porta-enxerto.

Dobra do porta-enxerto de pessegueiro para forçamento da brotação

Condução da muda
Em locais sujeitos à ocorrência de ventos fortes, pode-se colocar tutores nas mudas, com o fim de evitar o deslocamento do enxerto. Elimina-se as brotações laterais, procurandose dar à muda uma formação em haste única ou deixando-se os ramos básicos na altura adequada.

2.5.3 Práticas culturais no viveiro
Durante a permanência da muda no viveiro, são necessárias realizações de adubações freqüentes, aplicação de matéria orgânica, irrigação, capinas, controle de doenças e pragas, desbastes, toaletes, entre outras.

2.6 Transplante
Transplante é a retirada da muda do viveiro para o local definitivo.
A época de realização do transplante está ligada à biologia da planta e ao tipo de muda utilizada. Para mudas de plantas de folhas caducas que, geralmente, são comercializadas na forma de raiz nua, o transplante é feito no período de inverno, o que coincide com a menor atividade fisiológica. Já as plantas de folhas persistentes, normalmente comercializadas na forma de torrão, o transplante pode ser realizado em qualquer época do ano, porém realiza se, de preferência, no início da atividade vegetativa.
Quando as mudas forem levadas para locais distantes, devem ser embaladas de acordo com a legislação e, se transportadas no mesmo dia, devem ser mantidas em locais sombreados.
No arranquio das mudas, deve-se ter o cuidado para não danificar o sistema radicular e a haste principal.

2.6.1 Tratamento da muda, embalagem e identificação
As mudas, depois de desplantadas, deverão ter sua haste reduzida a uma determinada altura (50cm, no caso do pessegueiro); as raízes também são separadas, obedecendo as normas do Ministério da Agricultura. Devem ser protegidas do meio ambiente para evitar desidratação.
As mudas de raiz nua podem ter seu sistema radicular mergulhado numa mistura de argila (barro), podendo-se adicionar cobre 2% + fungicida sistêmico à argila. Esta prática é denominada de aboboragem. As mudas tratadas poderão ser reunidas em feixes, embaladas com palha e identificadas (espécie, cultivar e porta-enxerto) para serem comercializadas.
A parte aérea de mudas de plantas de clima temperado também poderão receber tratamento para superação da dormência (frio ou aplicação de produtos químicos). Em mudas de macieira, o armazenamento a temperaturas de 4°C durante 45 dias proporciona mudas de excelente qualidade e com brotação uniforme. 
As mudas também podem ser desplantadas com uma porção de solo, chamada de torrão, desta forma elas podem ser comercializadas sem maiores problemas de desidratação da parte aérea e do sistema radicular.

2.7 Viveirista
Todo viveirista deverá estar registrado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA) como produtor de mudas e/ou comerciante, conforme Lei 10.711/2003 e Decreto 5.153/2004.
Toda muda deverá ser comercializada dentro de padrões estabelecidos para a espécie, de acordo com normas elaboradas pelo MAPA ou pelas comissões estaduais para produção de mudas fiscalizadas ou certificadas.
A muda fiscalizada é a que mantém todas as características necessárias a uma boa muda com relação à sanidade e vigor, porém não possui autenticidade quanto a sua origem genética, o que a distingue da muda certificada.
Toda pessoa física ou jurídica que pretenda produzir material de propagação e/ou mudas fiscalizadas deverá requerer anualmente o seu credenciamento na Entidade Fiscalizadora ou Certificadora, mediante a apresentação dos seguintes documentos:
a) Requerimento solicitando credenciamento;
b) Comprovante de registro de produtor de mudas junto ao MAPA.;
c) Termo de compromisso do Responsável Técnico;
d) Projeto técnico de produção de muda fiscalizada ou certificada, com croqui de localização da propriedade, da área destinada ao viveiro e/ou campo de plantas matrizes; e
e) Compromisso de produzir mais de 10.000 mudas fiscalizadas de duas ou mais espécies ou, no caso do morangueiro, mais de 200.000 mudas.