quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Cultivo do Bacupari (Garcinia gardneriana)



Bacupari
Planta
Bacupari Sinonímia: Bacopari, Baacuri-mirim, Bacoparé, Bacopari-miúdo, Bacuri-miúdo, Escropari, Limãozinho, Mangostão-amarelo, Remelento Sinonímia botânica: Calophyllum madruno Kunth, Garcinia madruno Hammel, Rheedia acuminata Planch. Wikipédia
Nome científico: Garcinia gardneriana
Classificação: Espécie
Classificação superior: Garcinia

Nome da fruta: Bacupari

Nome científico: Rheedia gardneriana Planch. & Triana

Família botânica: Clusiaceae (Guttiferae)

Categoria:

Origem: Brasil – floresta pluvial atlântica

Características da planta: Árvore geralmente com 6 metros de altura, tronco reto com casca amarelo-esverdeada, estriada e copa piramidal. Folhas rígidas, verdes e brilhantes. Flores pequenas, esverdeadas, reunidas em inflorescências.



Fruto: Tipo baga de forma elíptica, amarelo-alaranjado quando maduro. Polpa comestível, mucilaginosa, alva, de sabor adocicado.



Frutificação: Janeiro a março

Propagação: Semente

Sempre à sombra de árvores mais frondosas, recebendo humildemente apenas a luz que atravessa as copas dos estratos superiores da mata, de norte a sul deste país-continente, esconde-se discretamente o  bacupari. Ou melhor, escondia-se quando a costa era recoberta pela Mata Atlântica.

Trata-se de uma árvore baixa, em geral com pouco mais de 5 metros de altura. Suas folhas e suas flores miúdas, branco-esverdeadas, fazem brilhar um verde diferente dos outros verdes da mata. O fruto, no entanto, é o que o bacupari tem de mais distinto.



Sustentada com igual discrição por um longo e fino pedicelo, a fruta apresenta uma casca de cor laranja manchada por marcas cinzentas e amarronzadas que salta aos olhos, envolvendo uma polpa esbranquiçada saborosamente doce. Refrescante e de sabor suave, essa polpa, que envolve duas grandes sementes, pode ser consumida ao natural e também produzir deliciosos preparados, na forma de sucos, sorvetes e doces.

O bacupari, entretanto, não é muito aproveitado, não sendo encontrado em feiras. Diferentemente do bacuri, seu parente próximo mais famoso, o aproveitamento comercial do bacupari é insignificante. Já teve maior importância, sendo ainda abundante no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina e muito mencionado pelos que estudam as plantas nesses estados.

Essa planta, cuja fruta é também conhecido como mangostão-amarelo e sacopari, pertence à família das Gutíferas e tem seu nome frequentemente confundido com o de seus parentes bacuri e bacuripari, mesmo em livros especializados.

Quanto à árvore, de porte elegante, sobretudo quando carregada de frutas, é de fácil adaptação a ambientes sobrios, fazendo com que tenha grande potencial para ser utilizada na ornamentação urbana.

O bacupari foi uma das tantas vítimas da destruição da Mata Atlântica. Atualmente, é cada vez maior a dificuldade de encontrá-lo, apesar dos esforços dos seus apreciadores, que o têm plantado em quintais e jardins públicos. Plantam-no à beira de rios ou lagos pois, embora prescinda do sol direto, o bacupari exige solo úmido. Em tempos menos poluídos, inclusive, povoou com destaque as margens do rio Tietê, que corta as terras paulistas rumo oeste.


NOME INDIGENA: BACUPARÍ vem do tupi guarani e significa “fruta de cerca” por causa dos ramos ascendentes que crescem na horizontal quando a planta nasce em áreas abertas ou ainda porque os índios cultivavam para cercar suas roças. Também recebe o nome de Uvacupari, Bacoparí e Laranjinha.

Origem: Encontrado em todo o Brasil, na floresta Amazônica aparece nas florestas de terra firme, no cerrado surgem nas matas de galeria próximos a rios que descem das montanhas da mata atlântica e nesse ambiente está bem distribuída em formações primarias, em clareiras e nas restingas litorâneas desde o estado da Bahia até o Rio Grande do Sul. Na região sudeste a planta avança pelo interior e chega ao Pantanal onde aparece com freqüência nas bordas de matas. 

Observações: Com respeito a classificação cientifica, faltam estudos para uma melhor definição de espécies e suas respectivas variedades, pois na minha opinião a G, gardneriana é apenas uma variedade da espécie tipo G. brasiliensis e por isso considero essas duas espécies num único contesto. A única diferença aparente entre G. gardneriana e G. brasiliensis é que a primeira tem ramos jovens lisos e flores não perfumadas e a segunda tem ramos jovens ligeiramente ásperos e finamente papiloso (com laminas como papel) e flores perfumadas. Para alguns taxonomistas (que estudam a classificação) o rostro ou ponta presente nos frutos de G. bardineriana diferem-na de G. brasiliensis que tem fruto completamente redondo.

Características: arbusto de 2 a 4 m de altura quando em pleno sol; mais no interior da mata se torna uma arvore com 6 a 20 m de altura. A copa em pleno sol se torna densa, globosa. O tronco é ereto, verde esbranquiçado quando jovem, passando a ficar castanho pardacento quando envelhece, este tem 10 a 30 cm de diâmetro, sua casca é fina e quando ferida exsuda látex amarelo, abundante. As folhas são opostas, simples, cartáceas ou coriaceas (de textura grossa), lanceolada (com forma de lança) ou oblonga (mais longa que larga) presa ao caule sob pecíolo (haste ou suporte) de 6 a 15 mm de comprimento e canaliculado (semelhante a calha). A lamina mede de 7 a 16 cm de comprimento por 2 a 6 cm de largura, a base é atenuada (que se afina gradativamente) e o ápice é acuminado (com ponta comprida) ou aguda (terminando em ponta fina). As flores surgem em fascículos (pequeno feixe) ou isolada na axila das folhas ou entrenós, sob pedicelo (haste de suporte) de 1,5 a 3,5 cm de comprimento. Cada flor mede 1 cm de diâmetro quando aberta, contem cálice (invólucro externo) reduzido a 2 sépalas membranáceas de 2 a 3 mm de comprimento, ás vezes com canais marrons e corola (invólucro interno) com 4 a 5 pétalas livres, creme esbranquiçadas, reflexas (voltadas para a base) de 6 a 7 mm de comprimento por 3 a 5 mm de largura. Os frutos são bagas de 3 a 5 cm de comprimento por 2,5 a 3,5 cm de largura, arredondado ou oblongo (Mais longo que largo, de casca lisa.

Dicas para cultivo: É de fácil adaptação aos mais variados tipos de solo e climas, e por isso pode ser cultivado em todo o território brasileiro. Aprecia temperaturas medias de 12 a 28 graus para uma boa safra de frutos, embora seja resistente a quedas bruscas de temperatura de até -3 graus no Rio Grande do Sul, sendo indiferente a máximas de 43 graus quando cultivada no Nordeste e na Amazônia. Pode ser cultivado em solos argilosos de áreas inundáveis (plintossolo), em terra roxa ou vermelha de alta fertilidade (nitossolo ou latossolo) e solos brancos ou arenosos de rápida drenagem (argissolo); estes devem ter pH entre 4,5 a 7,0, sendo o nível de 6,0 ideal para cultura comercial e produção de frutos mais doces. As chuvas devem ser bem distribuídas e com uma estação seca de pelo menos 90 dias. Começa a frutificar com 4 a 5 anos após o plantio.

Mudas: As sementes são alongadas e recalcitrantes (perdem o poder germinativo rapidamente), por isso devem ser plantadas (escolher sempre as maiores) logo que retiradas da polpa. O substrato de germinação deve conter 300 gramas de calcário para 100 litros de terra de superfície + 50 % de matéria orgânica bem curtida. As sementes germinam com 25 a 60 dias, com índice de germinação de 80%. As mudinhas podem ser transplantadas com 10 cm ou 6 folhas definitivas, em sacos de 30 cm de altura e 15 cm de largura contendo substrato isento de calcário e enriquecido com 40% de matéria orgânica bem curtida, pois o calcário só favorece a germinação, mais inibe o crescimento da muda. Após o transplante as mudas devem ficar em sombreamento de 50% até atingirem 35 cm, quando devem ser transferidas para o sol pleno. As mudas crescem lentamente, ficando com 40 cm aos 15 meses de vida, quando já podem ser plantadas no local definitivo.

Plantando: O espaçamento em pleno sol ou na sombra deve ser de no mínimo 5 x 5 m entre plantas. As covas devem ter 50 cm nas 3 dimensões e ser preparadas com 3 meses de antecedência, adicionando aos 30 cm da terra da superfície 4 kg de composto orgânico bem curtido, 50g de farinha de osso e 1 kg de cinzas de madeira que tem potássio e beneficiará o crescimento. O plantio deve ser feito no inicio das chuvas em setembro e outubro. Nos primeiros 3 meses convém fazer uma irrigação com 10 l de água a cada 15 dias.

Cultivando: Não é exigente a irrigações freqüentes, mais requer que a coroa de onde foi plantada tenha cerca de 10 cm de cobertura morta (capim seco) para manter a umidade. Fazer podas de limpeza e formação no inverno eliminando os ramos que brotarem na base do tronco e os galhos cruzados ou voltados para o interior da copa. A adubação é feita com 500 g de cinza ou 150 g de cloreto de potássio no inicio da floração beneficia a circulação da seiva da planta e evita as pipocas ou bolhas na casca do fruto. Nos meses de novembro faz-se a adubação orgânica de 6 kg de composto orgânico bem curtido, abrindo-se valas de 06 cm de largura, 30 cm de profundidade e 1 m de comprimento na projeção da copa.

Usos: Frutifica nos meses de Dezembro a abril. Os frutos são adocicados, adstringentes e refrescantes, próprios para consumo in-natura. Até a casca pode ser consumida. A árvore é de belo efeito ornamental e não podem faltar no pomar de sua chácara ou fazenda e também estar presente em projetos de revegetação permanente. 

Plantas Curam

Bacupari é a grande esperança nas pesquisas contra o câncer

A fruta da região amazônica apresenta potencial três vezes maior do que o blueberry, fruta americana conhecida por ter um alto potencial antioxidante.


A pesquisadora Maria das Graças, da Universidade Federal de Minas, buscou nos livros de história o mapa para encontrar as frutas nativas do Brasil! Tesouros que brotam no mato.
O bacupari é uma grande esperança nas pesquisas contra o câncer. Essa fruta da região amazônia apresenta um potencial três vezes maior do que o blueberry, fruta americana conhecida por pesquisadores como tendo um alto potencial antioxidante.
Do mato para o laboratório: é esse o caminho para descobrir o poder das frutas nativas. E tem gente com essas preciosidades no quintal de casa.
Uma outra fruta é quente: pimenta de macaco. Para quem é do Cerrado o uso há gerações vem comprovando os benefícios da pimenta de macaco.


quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Custos e coeficientes técnicos de produção de Amora Preta


Custos e coeficientes técnicos de produção

Na implantação de uma lavoura de amoreira-preta, no primeiro ano de implantação, os maiores custos referem-se ao preparo do solo e mão de obra de plantio e a aquisição da muda. No mercado o valor desta muda gira em torno de dois reais. A densidade de plantio padrão, recomendada, é de 4.762 plantas (0,7 x 3,0 m).
Um dos custos facultativos de instalação é o sistema de sustentação das plantas, que dependerá da escolha da variedade. Para variedades decumbentes, ou seja, que se arrastam no chão, sem apoio apropriado, haverá necessidade da aquisição de arames e postes de madeira ou outro material de suporte. Outro item facultativo é o sistema de irrigação, que em grande parte dos pomares inexiste. A manutenção das linhas de plantio limpas (capinadas) dependerá em grande parte de mão de obra paga.
A partir do segundo ano de plantio a lavoura já estará preparada para produção. Os maiores custos serão de mão de obra envolvida em atividades de poda de inverno, colheita, embalagem e poda verde. 
Investimentos com caixas de colheita, treinamento de pessoal, adequação do galpão de embalagem serão necessários. Se a produção for destinada à industrialização, os custos operacionais serão menores. Se o destino da produção for o mercado de fruta fresca, haverá necessidade de investimentos em estruturas de frio, ou seja, câmaras frias e transporte frigorificado para que o produto chegue ao mercado com o mínimo de perdas das características físicas (perda de peso) e químicas (sabor, teor de açúcares e nutricionais).
A amoreira-preta, depois de plantada, tem uma vida útil, ou seja, um período produtivo viável economicamente, ao redor de 15 anos. Portanto o custo da muda, o preparo do solo para o plantio e a estrutura de condução (mourões e arame), com participação significativa no custo total, são pulverizados ao longo da vida útil.











domingo, 9 de outubro de 2016

Ameixa-da-caatinga (Ximenia americana L.)


Nome da fruta: Ameixa-da-caatinga
Nome científico: Ximenia americana L.
Família botânica: Olacaceae
Categoria:
Origem: América do Norte e Central.
Características da planta: Arbusto geralmente de 3 m de altura, ramos armados de espinhos, caule de casca lisa e coloração vináceo-avermelhada, principalmente nos ramos mais jovens. Flores pequenas e alvas.
Fruto: Tipo baga, globoso, de casca amarela. Polpa esbranquiçada, adocicada, envolvendo uma única semente.
Frutificação: Após as primeiras chuvas.
Propagação: Sementes

Foi-se o tempo em que a Caatinga era considerada um deserto ermo, infértil, isento de vida e de beleza. Qualquer pessoa que ouse bater os pés contra os seus solos secos, enfrentando com curiosidade e coragem o ar empoeirado do semi-árido nordestino, ali encontrará uma das regiões de maior diversidade de flora e fauna existentes.
Árvores interessantíssimas como o juazeiro e o umbuzeiro, além de inúmeras Cactáceas – como a palma, o xiquexique, o mandacaru, o jacheiro, entre tantas outras – são apenas alguns exemplos dessa diversidade. Armazenando a água em suas gordas folhas ou nas raízes tuberosas, essas plantas são responsáveis pela manutenção do verde e das poucas cores da paisagem do agreste.
Dentre as espécies típicas do bioma da Caatinga, distingui-se com graça a ameixa-da-caatinga, também conhecida como ameixa-de-espinho.
Apesar de estar presente em todo o sertão nordestino, não sendo restrita à zona delimitada pelo Raso da Catarina, ali ela é mais abundante do que em qualquer lugar em que costuma ser encontrada.
Abundante, entretanto, é modo de dizer, pois até no Raso a ameixa-da-caatinga já pode ser considerada à beira da extinção.
Em meio a espinhos grandes e fortes, espalhados pelos galhos finos do arbusto que chega a atingir os 3 m de altura, escondem-se as ameixas-da-caatinga, bem defendidas contra aqueles que as queiram consumir ou destruir. Têm o que defender, afinal! Trata-se de um fruto adocicado, amarelo, de sabor acidamente agradável, e polpa suculenta que encerra uma única amêndoa branca como semente. Um bom alimento para os sertanejos que ali vivem, sobrevivendo tenazmente à habitual falta de água.
Do vasto espaço originalmente classificado como Caatinga, hoje apenas 2% encontram-se protegidos legalmente. Uma das áreas de proteção ali existentes é a Reserva Ecológica do Raso da Catarina, criada em 1984, com 100 mil hectares preservados. Entretanto, apesar do controle e da fiscalização, boa parte da riqueza natural da região tem sido perdida pela ocorrência de queimadas e pela presença de caçadores ilegais.
Como vítima desse processo, não figuram apenas as plantas como a ameixa-da-caatinga. Sob sério risco de extinção, encontra-se um dos mais graciosos consumidores dessa frutinha: a arara azul de lear (Anodorhynchus leari), um pássaro altamente prezado, nativo e restrito daquela região, também conhecido como ararinha azul. Sua população, que já chegou à assustadoramente pequena quantidade de 60 indivíduos, hoje em dia, graças ao esforço de pesquisadores envolvidos em um importante projeto de preservação, já ultrapassa as 300 aves.
Da mesma maneira, resta-nos lutar pela preservação da ameixa-da-caatinga e de tantas outras plantas da Caatinga que sequer conhecemos, antes que se acabem. Estas, embora nunca tenham chegado a viver situação tão drástica quanto à da ararinha azul, certamente merecem receber proteção e cuidados semelhantes.

A Ameixa-do-mato, ababone, ababoni, ababuí, ameixeira-do-brasil, ameixa-do-brasil, ambuí (ou ambuy), ameixa-da-baía, ameixeira-da-baía, ameixa-da-terra,ameixa-de-espinho, ameixa-do-pará, ameixeira-do-pará, espinheiro-de-ameixa, limão-bravo-do-brejo, sândalo-do-brasil, umbu-bravo ou ximénia (Ximenia americana - podendo também ser referida por alguns botânicos como Amyris arborescensHeymassoli inermisHeymassoli spinosaPimecaria odorataXimenia aculeataXimenia arborescensXimenia fluminensisXimenia inermisXimenia montanaXimenia multifloraXimenia oblongaXimenia spinosa ou Ximenia verrucosa) é um arbusto ou árvore da família das olacáceas, nativo de regiões tropicais, como o Brasil (aparecendo de forma espontânea do Pará à Bahia, em Minas Gerais e Mato Grosso. Em Angola é ainda conhecida pelos nomes de ganzi, lumeque (ou lumeke), mepeque (ou mepeke), muinje, munjaque, omupeque (ou omupeke) eumpeque (ou umpeke).
Chega a atingir 4 metros de altura. As folhas estão armadas de espinhos axilares. As flores são amareladas, com um cheiro distinto, o que as torna úteis em perfumaria. Os frutos (drupas) são ameixas amarelo-alaranjadas e comestíveis. A semente pode ser utilizada em cosmética, já que se pode extrair óleo dela.

ÓLEO DE AMEIXA SILVESTRE (VERMELHA) 
Nome Científico: Ximenia Americana L. INCI Name: Ximenia Americana seed oil No CAS: 95193-67-2 Parte Utilizada: Fruto e Sementes Peso Molecular: 
N.A INTRODUÇÃO A ameixa silvestre pertence à família Olacaceae, popularmente conhecida por ameixa-do-mato ou ameixa-brava. No período seco, quando a maioria das espécies da Caatinga perde as folhas, essa planta destaca-se por apresentar-se com as folhas totalmente verdes, o que caracteriza uma planta resistente à seca. O período de frutificação é muito curto e concentra-se nos meses de dezembro a janeiro. 
PROPRIEDADES A Ximenia americana é rica e, saponinas, gilcosídeios cianogênicos, flavonoides, taninos, vitamina C, vitamina E e vitamina A. 
INDICAÇÕES A planta é utilizada na medicina tradicional para tratamento de infecções de pele. Pode ser usado como emoliente, hidratante e antioxidante da pele em loções, cremes para o corpo e rosto, óleos para banho, creme para massagem e outros produtos cosméticos. 
DOSAGEM / CONCENTRAÇÃO USUAL Em Shampoos, Condicionadores, Sabonetes Líquidos – 0,10 a 1,0% Em Gel p/ peles sensíveis – 0,5 a 2,0% Em Emulsões em geral – 0,5 a 2,0% Em Óleo de Banho – 1,0 a 15,0% 
ARMAZENAMENTO Acondicionar em recipiente hermético, ao abrigo da umidade, do calor e da luz solar direta.  


sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Cultivo da Monguba (Pachira aquatica Aubl.)


  • Nome Científico: Pachira aquatica
  • Nomes Populares: Munguba, Cacau-selvagem, Castanheira-da-água, Castanheiro-de-guiana, Castanheiro-do-maranhão, Falso-cacau, Mamorana, Monguba, Mungaba
  • Família: Bombacaceae
  • Categoria: Árvores, Árvores Frutíferas, Árvores Ornamentais
  • Clima: Equatorial, Subtropical, Tropical
  • Origem: América Central, América do Sul
  • Altura: 3.0 a 3.6 metros, 3.6 a 4.7 metros, 4.7 a 6.0 metros, 6.0 a 9.0 metros, 9.0 a 12 metros, acima de 12 metros
  • Luminosidade: Sol Pleno
  • Ciclo de Vida: Perene
A monguba é uma bela árvore tropical, de caule frondoso e copa arredondada, capaz de alcançar 18 metros de altura. Nas florestas tropicais podemos encontrá-la em ambientes brejosos, ou à margem de rios e lagos, o nome científico “aquatica” provém desta característica. Apresenta folhas grandes e palmadas, dividas em 6 a 9 folíolos verdes e brilhantes. As flores são muito bonitas e perfumadas, com longos estames de extremidade rosada e base amarela. Os frutos grandes e compridos, semelhantes ao cacau, contém paina sedosa e branca que envolve as sementes. As sementes da monguba podem ser consumidas torradas, fritas ou assadas, e até trituradas como um sucedâneo do café ou chocolate, e diz-se que são muito saborosas.
As mongubas são árvores de excelente efeito decorativo, amplamente utilizadas na arborização urbana e rural. As plantas jovens envasadas são excelentes para ambientes internos bem iluminados. Os países asiáticos são importantes produtores e exportadores da planta nesta forma. Ela é disposta nos ambientes de acordo com o feng shui e a ela é atribuída reputação de atrair dinheiro e prosperidade. É conhecida como money tree ou árvore-do-dinheiro. Geralmente são vendidas plantas com três ou mais caules trançados para que formem apenas um tronco de aspecto decorativo.
Deve ser cultivada sob sol pleno ou meia-sombra, em solo fértil, drenável e enriquecido com matéria orgânica, com irrigações regulares, pelo menos até que alcance o porte adulto. Apesar de apreciar solos úmidos, pode-se cultivá-la em solos mais secos. Adapta-se a um ampla faixa climática, desde o calor equatorial até o frio subtropical. A falta de luminosidade acarreta o amarelamento das folhas. Multiplica-se por estaquia ou sementes.
A monguba (Pachira aquatica Aubl.) é uma árvore da família Malvaceae ou Bombacaceae nativa da América Central e do Sul.
Pachira aquatica, conhecida vulgarmente como munguba, mamorama, castanhola, castanha-do-maranhão, carolin,paineira-de-cuba e mamorana, é uma árvore frondosa, cujas folhas pecioladas e digitadas apresentam de 5 a 9 folíolos verde-escuros. Suas flores com 5 pétalas muito grandes são castanho-avermelhadas. As sementes são comestíveis.
Estudos desenvolvidos sobre a composição das sementes demonstram que a Pachira aquatica tem um elevado teor de óleo (44,1 por cento), sendo o ácido palmítico o seu principal componente. Observou-se, também, a existência de proteína com alto teor detriptofano. Testes toxicológicos realizados sobre a Pachira aquatica demonstraram discreta toxicidade e não apresentaram evidências citotóxicas, não tendo sido observada atividade bactericida.
Espontaneamente, a árvore vegeta em locais úmidos, nas margens e nos barrancos de rios e lagoas, ou em terrenos alagadiços e brejosos, de onde provém a palavra "aquática" do seu nome científico. No entanto, a monguba adapta-se facilmente a condições bem diversas de solo e clima. Em geral, a monguba é árvore de tamanho variável, bastante frondosa, possuindo uma copa densa e arredondada. Por tais qualidades e pela beleza e exotismo de suas grandes flores amarelas de pontas avermelhadas, é árvore de reputada função ornamental. A monguba é, inclusive, bastante utilizada na arborização das ruas, provando sua adaptabilidade e sua capacidade de medrar até mesmo em terrenos secos.
Embora seja espécie muita conhecida, adaptável ao cultivo, de frutos saborosos e de variadas utilidades, a monguba é pouco utilizada pelos brasileiros, não sempre reconhecida como espécie de importância para a exploração econômica, o que é um equívoco. As belas mongubas produzem anualmente grandes quantidades de frutos, disputados avidamente pela fauna. Deles, aproveitam-se as sementes. Sendo da mesma família das paineiras, as sementes da monguba, que permanecem guardadas em grandes e compridas cápsulas de coloração castanho-avermelhada e de aparência aveludada, ficam envoltas em meio a uma paina branca.
As castanhas são comestíveis e podem ser consumidas cruas, assadas sobre a brasa, fritas em óleo, cozidas com sal ou torradas.
Sinonímia: castanheiro-do-maranhão, cacau-selvagem, castanheira da água, castanheiro-de-guiana, mamorana, munguba,mungaba. É vendida na Ásia oriental e nos Estados Unidos sob nomes comerciais que significam "árvore de dinheiro".
"Mamorana" é proveniente da junção de "mamão" com o termo tupi rana, que significa "semelhança". Significa, portanto, "semelhante ao mamão". É uma referência à semelhança dos frutos de mamorana com os frutos de mamão.
INTRODUÇÂO
É muito utilizada em arborização urbana por conta de suas flores perfumadas e belas, além de proporcionar excelente área de sombra.

Espontaneamente, a árvore vegeta em locais úmidos, nas margens e nos barrancos de rios e lagoas, ou em terrenos alagadiços e brejosos, de onde provém a aquática do seu nome científico. 

No entanto, a monguba adapta-se facilmente a condições bem diversas de solo e clima. 

Em geral, a monguba é árvore de tamanho variável, bastante frondosa, possuindo uma copa densa e arredondada. 

Por tais qualidades e pela beleza e exotismo de suas grandes flores amarelas de pontas avermelhadas, é árvore de reputada função ornamental. 

A monguba é, inclusive, bastante utilizada na arborização das ruas, provando sua adaptabilidade e sua capacidade de medrar até mesmo em terrenos secos (Cronquist 1981).

Embora seja espécie muita conhecida, adaptável ao cultivo, de frutos saborosos e de variadas utilidades, a monguba é pouco utilizada pelos brasileiros, não sempre reconhecida como espécie de importância para a exploração econômica, o que é um equívoco. 

As belas monguba produzem anualmente grandes quantidades de frutos, disputados avidamente pela fauna. Deles, aproveita-se às sementes. 

Sendo da mesma família das paineiras, as sementes da monguba, que permanecem guardadas em grandes e compridas cápsulas de coloração castanho-avermelhadas e de aparência aveludada, ficam envoltas em meio a uma paina branca.

As castanhas são comestíveis e podem ser consumidas cruas, assadas sobre a brasa, fritas em óleo, cozidas com sal ou torradas, produzem bebidas como o café.
Árvore adulta

Brotação

Jovem

Flor

Frutos

Fruto com sementes, de tamanho pequeno (12 centímetros)


quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Caracteristicas funcionais da Amora Preta


A amora-preta in natura é altamente nutritiva (Figura 1). Faz parte de sua composição a água (em torno de 85%), proteína (1,5%), fibras (entre 3,5 e 4,7%), cinzas (entre 0,19 e 0,47%), lipídeos (entre 0,03 e 0,08%), carboidratos (entre 6 e 13%), ainda apresenta conteúdos consideráveis (em mg/100g) de cálcio (32); fósforo (21); potássio (196); magnésio (20); ferro (0,57); selênio (0,60); vitamina C (21); e menores quantidades de vitamina A, vitamina E, folato, tiamina, riboflavina, niacina, ácido pantotênico, vitaminas B-6 e B-12; ácidos graxos saturados; ácidos graxos monosaturados; ácidos graxos polinsaturados, no entanto, tem apenas 52 calorias em 100 gramas.
Crédito: Luis E. C. Antunes
Figura 1. Frutos de amoreira-preta.
Fazem parte da composição de açúcares encontrados em amora-preta, a glicose, a frutose, a sucrose, a maltose e a galactose. Ainda, os ácidos orgânicos encontrados são o málico, cítrico, fosfórico, isocítrico e quínico. A acidez total de amora-preta pode variar de 1 a 4% e o pH de 2 a 4. Já a variação dos sólidos solúveis tem uma grande amplitude, de 7,5 a 16,1% (Reyes-Carmona et al., 2005).

Fitoquímicos

Os compostos secundários, ou fitoquímicos, encontrados naturalmente em plantas, atuam positivamente sobre a saúde humana, com diversas evidências científicas para os grupos dos ácidos fenólicos, antocianinas, proantocianidinas e outros flavonóides, sendo que muitos compostos destes grupos são encontrados em amora-preta.
A variação de compostos fenólicos totais em amora-preta é de 261,95 a 929,62 mg equivalente de ácido gálico/100 g de amostra fresca, sendo que, o grupo de fenólicos ácidos está entre 0,19 e 258,90 mg/100g, flavonóides 2,50 e 387,48 mg/100 g, e antocianinas 12,70 a 197,34 mg/100 g (Sellappan et al., 2002). Na identificação dos compostos fenólicos na amora-preta foram encontrado os ácidos fenólicos como gálico, hidroxibenzóico, cafeico, cumárico, ferúlico e elágico e seus derivados e, também, os flavonóides como catequina, epicatequina, miricetina, quercetina e kaempferol (Sellappan et al., 2002).
As antocianinas variam em sua concentração de acordo com o estágio de maturação das frutas, sendo que seu conteúdo aumenta de 74,7 mg equivalente de cianidina-3-glicosídeo/100 g peso fresco em frutos ainda verdes para 317 mg/100 g peso fresco em frutos sobremaduros. Esta variação é mínima para o conteúdo de compostos fenólicos totais e atividade antioxidante (Siriwoharn et al., 2004). A variação entre cultivares pode ser bem acentuada indo de 12,70 a 197,34 mg/100g (Sellappan et al., 2002). As antocianinas identificadas em amora-preta são cianidina-3-glicosídeo (em torno de 80%) (Serraino et al., 2003), cianidina-3-arabinosídeo, cianidina-3-galactosídeo, malvidina-3-glicosídeo, pelargonidina-3-glicosídeo, cianidina-3-xilosídeo, cianidina-3-rutinosídeo, cianidina-malonoil -glicosídeo (Fan-Chiang e Wrolstad, 2005), cianidina-dioxaloil-glicosídeo, peonidina-3-glicosídeo (Seeram et al., 2006) e malvidina-acetilglicosídeo (Reyes-Carmona et al., 2005). Tendo como base os valores encontrados na literatura sobre antocianinas e a grande variação entre os diferentes materiais genéticos, existe um grande potencial na produção de amora-preta visando a sua utilização como corante natural na indústria alimentícia e de medicamentos. 
A amora-preta ainda apresenta altas concentrações de carotenóides (μg/100 g) como luteína (270,1), zeaxantina (29,0), β-criptoxanthina (30,1), α-Caroteno (9,2) e β-caroteno (101,4) (Marinova e Ribarova, 2007).

Amora-Preta e Prevenção de Doenças

Através dos estudos epidemiológicos aumentam-se as evidências de que o consumo de frutas e hortaliças está correlacionado à prevenção de doenças crônicas, dentre elas o câncer e as doenças cardiovasculares, sendo que o maior benefício desta dieta rica em frutas e hortaliças é, provavelmente, o aumento no consumo de compostos antioxidantes.

Estudos In Vitro

A amora-preta apresenta atividade antioxidante contra os radicais superoxide (O2•-), peróxido de hidrogênio (H2O2), hidroxila (OH•), oxigênio singleto (O2) (Wang e Jiao, 2000). Os valores para atividade antioxidante variam de acordo com o método utilizado. Em estudos in vitro, extratos de amora-preta apresentam efeito antioxidante como “scavenger” do radical peroxinitrito, protegendo estas células de disfunções e falhas vasculares induzidas por este radical (Serraino et al., 2003). 
Extratos de amora-preta têm efeito anti-mutagênico (Tate et al., 2006) e anti-carcinogênico para as linhagens humanas de câncer de útero, câncer de cólon (Lazze et al., 2004), câncer oral, câncer de mama, câncer de próstata (Seeram et al., 2006), câncer de pulmão (Ding et al., 2006). Ainda, extratos de amora-preta podem prevenir a formação de metastase (Tate et al., 2004). Em muitos casos o efeito anti-carcinogênico ocorre devido ao efeito anti-inflamatório dos extratos de amora-preta.

Estudos In Vivo

A capacidade antioxidante do plasma aumenta em 30% após a ingestão de suco contendo amora-preta (Netzel et al., 2002). O efeito antioxidante demonstrado in vivo é de grande importância para incentivar o consumo destas frutas.
Em ratos, antocianinas proveniente da amora-preta são capazes de reduziu o número e o tamanho de tumores (câncer de pele) não malignos e malignos, induzidos quimicamente na pele destes animais. Estes compostos inibiram a migração e invasão do câncer (Ding et al., 2006).

Distribuição das Antocianinas Provenientes de Amora-Preta nos tecidos de Animais.

Os compostos presentes nos extratos de amora-preta são absorvidos, metabolizados e distribuídos nos tecidos de quem se alimenta destas frutas. Estudos mostram que antocianinas são rapidamente absorvidas pelo intestino delgado, e após, são metabolizadas e excretadas na bile e urina na forma intacta, metiladas e/ou glicuronizadas (Talavéra et al., 2004). Em ratos, estes compostos podem ser encontrados nos tecidos do estômago, jejuno, figado, rins, cérebro e plasma (Talavéra et al., 2005). Em pessoas, estes compostos são encontrados na urina, tanto na forma intacta, quanto em alguns metabolitos metilados, glicuronizados, sulfoconjugados, e aglícones (Felgines et al., 2005).

Processamento e propriedades funcionais

O processamento das frutas da amoreira-preta é uma forma de agregar valor ao produto, melhorando a renda dos fruticultores, sendo a sua transformação em produtos elaborados como geléias, sucos, iogurtes, sorvetes as formas mais usadas. Após o processamento, há dúvidas quanto à manutenção das características funcionais originais.
O impacto do processamento sobre as propriedades funcionais da amora-preta ainda está sendo estudado. No entanto, sabe-se que frutas e hortaliças respondem de forma diferenciada ao processo de transformação. O processamento, de forma geral, reduz o teor inicial de antocianinas. Quando a amora-preta é transformada em geléia a perda de antocianinas é em média de 8,8% em relação aos valores encontrados na polpa. O armazenamento dos vidros de geléias resulta em perda de 32% dos valores de antocianinas nos primeiros 40 dias e reduz mais 11% nos 50 dias subseqüentes. Os teores de antocianinas totais obtidos na geléia variaram de 98,58 mg/100 g a 170,66 mg/100 g, o que caracteriza este produto como um alimento rico em compostos fenólicos (Mota, 2006).

Considerações 

Observa-se que uma das grandes descobertas é o uso potencial da amora-preta para fins outros que não apenas suas funções nutricionais. Esta fruta, em conjunto com um estilo de vida saudável, incluindo dieta equilibrada e exercícios físicos, pode prevenir alguns tipos de doenças crônicas não-transmissíveis. Ainda, alguns compostos encontrados nesta fruta, como as antocianinas, podem ser utilizados na indústria alimentícia como corante natural, já que a tendência é banir os corantes artificiais. Também, após a purificação de alguns fitoquímicos encontrados em amora-preta, como o ácido elágico ou as antocianinas por exemplo, estes compostos purificados podem ser apresentados na forma medicinal (cápsulas, comprimidos, pó,...) e vendidos como nutracêuticos. 
A amora-preta é uma fruta com grande potencial, no entanto, ainda precisa ser estudada, principalmente, o seu comportamento nas condições locais, já que a maioria dos resultados, tanto para composição fitoquímica, quanto na prevenção e combate de doenças, provém da literatura internacional.










Pós Colheita da Amora Preta


Introdução

A amoreira-preta é uma espécie arbustiva que produz frutos denominados de mini drupas com sementes formando frutos agregados com peso médio entre 4 a 7 gramas de coloração negra e sabor ácido a doce-ácido. A amora é um fruto climatérico, observando-se na maturação boa relação entre a mudança de cor, sólidos solúveis e acidez. 
Além do consumo in natura, a amora-preta é destinada à produção de polpa, geleificados e sucos naturais (Bassols & Moore, 1981).

A amora-preta pode ser destinada a produção de geleificados, de polpa, sucos naturais, além de ser comercializada in natura (Bassols & Moore, 1981). Por se tratar de uma fruta extremamente perecível o conhecimento da fisiologia pós-colheita é de suma importância. Para Morris et al. (1981), a razão pela qual as frutas de amoreira preta apresentam vida pós-colheita relativamente curta, se deve a dois fatores basicamente: sua estrutura frágil e a sua alta taxa respiratória.
Um dos principais problemas que ocorrem com as frutas de pequeno porte é a perda de água, levando a perda de peso e a depreciação da qualidade do produto. As frutas de amora preta apresentam um período de armazenamento relativamente curto, entre 3 e 7 dias quando mantidas a -0,5 OC com UR de 90 a 95% (Perkins-Veazie et al., 1997). Porém, se acondicionadas em filme plástico, podem ser mantidas armazenadas por até doze dias (Kluge et al. 1997), pois, as embalagens plásticas favorecem a elevação da umidade relativa do ar que circunda a fruta (Hardenburg et al. 1986).
Usando filme plástico Souza et al., (2002), conseguiram armazenar frutas da cultivar Cherokee por dez dias, sem perda da qualidade. Isto mostra que para armazenar este tipo de fruta é imprescindível o uso de filmes ou embalagens, mesmo assim, observa-se que há um comportamento diferenciado entre as cultivares de amora preta, quanto ao tempo de conservação e manutenção da qualidade pós-colheita. Nesse sentido, este trabalho objetivou verificar a manutenção da qualidade póscolheita de frutas de duas cultivares de amora-preta, armazenadas em embalagens plásticas, em dois períodos de conservação.

Colheita
A maturação é considerada como um estádio de desenvolvimento alcançado pela fruta na planta, o qual, após a colheita e manejo pós-colheita, terá uma qualidade mínima que garanta a sua aceitabilidade pelo consumidor. A maturação de uma fruta pode ser medida por uma série de métodos. Entretanto, muitos são destrutivos e/ou de pouco valor numa situação de campo. Por isso, os índices de maturação são específicos para cada espécie de fruta e devem ser adaptados a cada situação local. 

O índice de maturação mais utilizado em amoras é a mudança da cor superficial da fruta. Adicionalmente podem ser incluídos o teor de sólidos solúveis e a acidez titulável. As amoras devem ser colhidas pouco antes da maturação de consumo, pois suas características não mudam significativamente após a colheita. O ponto de colheita é determinado quando a cor do fruto estiver totalmente preta, sendo recomendado realizar a colheita a cada dois a três dias (Bassols, 1980). A maturação da amora-preta pode ser determinada pela cor de superfície do fruto, bagas completamente pretas; firmeza, teor de sólidos solúveis, acidez titulável e aroma característico. Durante o amadurecimento dos frutos há perda de acidez, portanto, são bastante adstringentes se colhidos parcialmente maduros. 

Os índices de qualidade são as características do fruto que são exigidas na comercialização e que são valorizadas pelo consumidor. Os principais índices de qualidade em amoras são a aparência (cor, tamanho, forma, e ausência de defeitos), firmeza, sabor (sólidos solúveis, acidez titulável e compostos voláteis) e valor nutricional (vitamina A e C). O sabor das amoras não muda significativamente após a colheita, por esse motivo devem ser colhidas com características de qualidade muito próximas as de consumo. 

As práticas realizadas no cultivo, antes da colheita, estão diretamente relacionadas com as etapas posteriores a colheita e na comercialização, pois afetam a qualidade do fruto. 

Para o mercado “in natura”, a colheita manual é a mais utilizada. A colheita deve ser realizada de manhã cedo quando a temperatura estiver mais baixa e as frutas firmes. As frutas devem ser colhidas e manuseadas com extremo cuidado, para evitar danos mecânicos. Algumas cultivares devem ser colhidas com a maturação menos avançada (cor escuro brilhante) para mercados mais distantes e outras com maturação mais avançada (cor escuro opaco) para mercados mais próximos. Resfrie rapidamente as frutas após a colheita. O manuseio pós-colheita das amoras é um fator crítico na sua comercialização. A colheita mecânica uma opção, quando os frutos são destinados à industrialização. Existem máquinas que permitem a colheita agitando uma cerca de arame com suportes de madeira sobre os quais se apóiam as plantas, porém, há perdas entre 20 a 40% de frutos com esse processo. Em alguns locais dos Estados Unidos praticamente toda a amora é colhida de forma mecânica.
Na colheita são realizadas atividades consecutivas, como: identificar o produto a ser colhido; observar a qualidade do fruto, coloração, tamanho, sanidade e integridade; desprender o fruto da planta pressionando-o suavemente e torcendo o pedúnculo até desprendê-lo; desinfestação de recipientes e utensílios, como caixas de colheita e embalagens; classificação dos frutos segundo os níveis de qualidade exigidos pelo mercado, descartando os frutos podres e/ou com lesões e; embalar cuidadosamente os frutos. Cuidados especiais devem ser tomados para evitar a contaminação das amoras, na etapa pós-colheita. Entre elas, podem ser mencionadas a correta lavagem das mãos dos trabalhadores com água e sabão antes de colher as amoras, bem como a disponibilização de banheiros próximos aos locais de colheita. 

Boas Práticas Agrícolas na Colheita

As crescentes exigências de qualidade dos consumidores nos mercados obrigam aos produtores a estabelecer procedimentos que evitem a contaminação dos produtos. Assim as amoras devem ser transportadas do campo até o local de beneficiamento e/ou armazenamento em condições que minimizem a possibilidade de contaminação por agentes de natureza biológica, química e física. As seguintes boas práticas podem ser adotadas:
- Utilizar recipientes de colheita e veículos de transporte das frutas até o local de empacotamento que não causem danos nem contaminem o produto. As partes que entram em contato direto com a fruta devem ser de material não tóxico e que facilitem a limpeza. 
- Não colocar os recipientes de colheita em contato direto com o solo. Coloca-los à sombra.
- Colocar as frutas podres em recipientes separados, para serem transportados para locais longe das áreas de produção e colheita.
- Utilizar veículos para o transporte exclusivo das frutas, não podendo ser utilizados para o transporte de produtos potencialmente tóxicos ou contaminados por microrganismos patogênicos ou de origem fecal. 
- Elaborar um programa com procedimentos documentado de higiene na colheita. Limpar e higienizar os materiais utilizados na colheita e transporte. 
- Proibir a circulação de animais nas áreas de colheita de frutos.
- Disponibilizar banheiros limpos e equipamentos para lavagem das mãos (água e sabão) bem como água potável para beber nas proximidades dos locais de colheita. As amoras, diferente de outras frutas, não recebem tratamento pós-colheita em água. Portanto, as condições de higiene na colheita são extremamente importantes para evitar contaminações.
- Exigir a lavagem das mãos dos trabalhadores antes de iniciar a colheita das amoras.
- Treinar e capacitar os trabalhadores que atuarão na colheita. Dar instruções claras e precisas sobre o material a ser colhido, em função da maturação, higiene e qualidade. No caso das amoras, esse fator é crítico, pois esses trabalhadores podem ser os últimos a manusearem o produto antes do consumidor final.
- Elaborar um sistema de registro dos procedimentos e materiais que permitam a rastreabilidade do produto (cadernos de campo, planilhas etc.) (Fernandes & Ballington, 2007; Gelli, 2004)

Armazenamento dos Frutos

A amora-preta é um fruto altamente perecível, com alta taxa respiratória (Tabela 1) e elevada produção de etileno, apresentando curta vida pós-colheita (Morris et al.,1981). A produção de etileno em amoras varia entre 0,1 µL.kg-1.h-1 a 1 µL.kg-1.h-1 a 5ºC, conforme a cultivar, sendo que sua remoção do ar da câmara frigorífica ajuda no controle de doenças (Mitcham et al.,2007). 



Tabela 1. Taxa da respiração de amora-preta, expressa em produção de dióxido de carbono (mg/ kg-hr) a várias temperaturas.
Temperatura (ºC)
mg CO2/ kg-hr
0
18-20
4-5
31-41
10
62
15-16
75
20-21
100-130


Devido à rápida perda de qualidade pós-colheita, há grande limitação quanto ao mercado de frutos “in natura” (Perkins-Veazie et al., 1999). Portanto, é de grande importância a utilização de técnicas que ampliem o tempo de armazenamento sem, contudo, alterar suas características físicas, organolépticas e nutricionais (Abreu et al., 1998).

O pré-resfriamento é a primeira etapa a ser realizada no manejo pós-colheita. Tem como finalidade a remoção rápida do calor do campo dos produtos recém-colhidos, antes do transporte, armazenamento ou processamento. O método recomendado para pequenos frutos, como amora-preta, é o pré-resfriamento por ar forçado, pois estas não suportam o pré-resfriamento com água, uma vez que a imersão dos frutos em soluções aquosas pode comprometer a integridade dos tecidos de proteção dos mesmos, aumentando a atividade respiratória, a perda de água por transpiração e a incidência de podridões. As amoras são frutos muito perecíveis, portanto, quando colhidas para o consumo “in natura”, devem ser pré-resfriadas rapidamente. É recomendado ar forçado a 5ºC durante 4 horas.

O armazenamento refrigerado é o método mais eficiente para manter a qualidade dos frutos, pois quando realizado de modo adequado, retarda os processos fisiológicos tais como a respiração, transpiração e produção de etileno, além de reduzir o desenvolvimento de podridões nos mesmos. A temperatura de armazenamento para as amoras é de 0ºC (com variação não superior a 0,5ºC) e 90-95% de umidade relativa, podendo nessas condições ser conservadas durante 2 a 5 dias (Mitcham et al., 2007).

Apesar da refrigeração ser uma prática eficiente para redução das perdas pós-colheita, o armazenamento sob atmosfera modificada ou controlada pode proporcionar melhores benefícios, quando usados adequadamente. No armazenamento sob atmosfera modificada, são utilizados embalagens plásticas de permeabilidade limitada ao gás carbônico (CO2) e oxigênio (O2) e, com conseqüente modificação da concentração de gases no interior da embalagem. O material normalmente utilizado são filmes de polietileno de baixa densidade, com diferentes espessuras, e de cloreto de polivinila (PVC) (Botrel, 1994). Para o armazenamento de amora-preta sob atmosfera modificada, é recomendado de 10 a 20% de CO2 e 5 a 10% de O2 para reduzir podridões e perda de firmeza da polpa (Kader, 1997).
O armazenamento sob atmosfera modificada de 15 a 20% de CO2 e 5 a 10% de O2 reduz o desenvolvimento de Botrytis cinerea e outros fungos causadores de podridões e, também, a taxa de respiração e a perda de firmeza das amoras-pretas (Mitcham et al., 2007). Mas o grau de resposta as condições de atmosfera modificada depende da cultivar e das condições de manejo (Archold et al., 2007). Antunes et al. (2003) observaram aumento do percentual de solubilidade de pectina e pectina solúvel, ocorrendo redução de pectina total e compostos fenólicos totais em amoras “Brazos” e “Comanche” conservadas sob atmosfera modificada em diferentes temperaturas e períodos de armazenamento. As cultivares Brazos e Comanche conservaram-se melhor em armazenamento refrigerado a 2ºC, podendo ser armazenadas com qualidade até nove dias após a colheita.
Em relação ao armazenamento sob atmosfera controlada, os níveis dos gases da atmosfera são monitorados periodicamente e são ajustados de modo a manterem-se as concentrações desejadas (Zagory & Kader, 1988; Thompson, 1998). A mistura gasosa desejada é injetada nas câmaras hermeticamente fechadas onde os frutos são armazenados (Lana & Finger, 2000). Porém, esta técnica não é utilizada no armazenamento pós-colheita de amora-preta, pois esta espécie frutífera tem pouca expressão comercial no Brasil para justificar o uso desta técnica de armazenamento.
Outro aspecto importante é a limpeza e higiene das câmaras frigoríficas e locais de empacotamento das frutas. Na empacotadora os trabalhadores devem dispor de banheiros com portas que não abram para o interior do local de processamento das amoras. Não deve ser permitida a entrada de animais na sala de empacotamento de frutas. O local deve contar com boa iluminação para facilitar a seleção das frutas. As frutas podres devem ser removidas freqüentemente dos locais de processamento. 

Boas Práticas no Armazenamento e Transporte

Durante o armazenamento e transporte devem ser observadas as Boas Práticas de Fabricação, cujo objetivo é evitar a contaminação dos frutos nesta etapa. Sugere-se observar os seguintes aspectos:
- Limpar e higienizar o local de beneficiamento e câmaras frigoríficas.
- Remover de forma imediata os frutos com problemas de podridões, para evitar a contaminação cruzada.
- Construir as mesas de seleção dos frutos com materiais não tóxicos, duráveis e que permitam uma adequada limpeza e higiene.
- Estabelecer um programa de manutenção preventiva dos equipamentos de refrigeração. Os produtos utilizados na manutenção (lubrificantes, refrigerantes etc.) devem ser guardados em locais separados e identificados.
- Utilizar lâmpadas inquebráveis ou com tampa de proteção no local de beneficiamento e nas câmaras frigoríficas.
- Restringir a entrada de animais domésticos nas instalações onde se encontram os frutos.
- Elaborar um programa de monitoramento de presença e infestação de pragas. Colocar armadilhas contra ratos, identificadas e numeradas, para posterior controle nos processos de supervisão.
- Dispor de um sistema de registro das operações das câmaras frigoríficas e sistemas de pré-resfriamento, como temperatura e umidade relativa do ar. - Possuir instrumentos aferidos para o registro das condições de pré-resfriamento e armazenamento (temperatura e umidade relativa).
- Orientar e exigir a limpeza e higienização dos veículos de transporte. As amoras por serem produtos altamente perecíveis devem ser transportadas em caminhões frigoríficos. Verificar as condições de operação do sistema de refrigeração do caminhão (temperatura), para que o transporte seja realizado em condições de segurança. 
- Estabelecer métodos logísticos que garantam o fluxo dos frutos desde o campo até o mercado, preservando a qualidade e higiene dos mesmos. (Gelli, 2004; Andrigueto & Kososki, 2002).

Alterações Fisiológicas

Os principais danos fisiológicos apresentados por amoras em pós-colheita são:
a) Drupas vermelhas: amoras podem desenvolver uma reversão da cor após a colheita e durante o armazenamento refrigerado. O processo consiste em que parte da fruta que originalmente tinha uma cor escura, adquira uma cor vermelha brilhante, depreciando a qualidade do produto no mercado. Entre os fatores que predispõem a este distúrbio, estão a susceptibilidade da cultivar, fruta colhida imatura, alta temperatura durante a colheita, condensação de água sobre a fruta e temperatura de armazenamento (Fernandes & Ballington, 2007) . Recomenda-se, após a colheita, colocar os recipientes com frutas na sombra. Amoras-pretas ‘Shawnee’ armazenadas a 2ºC durante 7 dias apresentaram cor vermelha mais intensa que aquelas armazenadas a 20ºC (Figuras 1 e 2).


d)
 Injúrias causadas pelo frio: os sintomas são perda do brilho das drupas, textura borrachuda e aumento da suscetibilidade dos frutos a podridões pós-colheita.

b) Desidratação (perda de água): as drupas são bastante suscetíveis à desidratação. Para minimizar a perda de água, os frutos devem ser resfriados rapidamente e manter entre 90 a 95% de umidade relativa ao redor dos mesmos;

c) Danos relacionados à atmosfera controlada: exposição das bagas sob concentrações menores que 2% de oxigênio ou maiores que 25% de gás carbônico podem causar sabor e aroma desagradáveis e coloração marrom nos frutos, dependendo da cultivar, temperatura e período de exposição;


Podridões Pós-Colheita

As doenças em pós-colheita são responsáveis por perdas dos produtos frutícolas que, em muitos casos, podem ser superiores a 50 %, antes mesmo de estarem disponíveis à mesa do consumidor (Ventura & Costa, 2002). Os fungos e bactérias são os principais microrganismos causadores de doenças pós-colheita de frutos (Benato, 2003). 
As doenças mais comuns que ocorrem em amora-preta são bolor cinza (Botrytis cinerea) e Rhizopus (Rhizopus stolonifer) (Ellis et al., 1991). Botrytis cinerea é o patógeno mais comum em bagas. Este fungo desenvolve-se até mesmo a 0°C, porém, a proliferação é muito lenta a esta temperatura. Já, Rhizopus stolonifer não se desenvolve à temperaturas abaixo de 5°C, sendo o monitoramento da temperatura durante o armazenamento um método eficiente de controle.
Devido aos problemas relatados por toxidez de defensivos, desenvolvimento de resistência dos patógenos e os efeitos prejudiciais ao meio ambiente e à saúde humana, vêm sendo dada maior ênfase a outras estratégias de controle que minimizem o uso de fungicidas e/ou que apliquem técnicas alternativas. Dentre os meios de controle de doenças que vêm sendo estudados, atenção especial tem sido dada aos que promovem a indução de resistência como tratamento térmico, radiação gama, UV-C, antagonistas e raças não patogênicas, compostos naturais e químicos. Os meios físicos de controle podem atuar diretamente sobre os patógenos, bem como, de modo indireto, sobre a fisiologia do produto, retardando os processos bioquímicos de amadurecimento e senescência, reduzindo a taxa respiratória e a transpiração e, conseqüentemente, mantendo a resistência do fruto ao ataque de microrganismos, além de, em alguns casos, proporcionar a formação de substâncias de resistência (Benato, 2003).
No Brasil, o estudo destas técnicas de controle de podridões ainda é bastante restrito, principalmente em amora-preta.

Embalagens

Na comercialização, os tipos de embalagens são utilizados segundo o destino dos frutos, observa-se que para o mercado “in natura”, as embalagens são semelhantes às utilizadas para morangos, sendo bandejas com 120 a 150 gramas de amoras-pretas. Para a indústria, os frutos podem ser congelados, enlatados ou utilizados no processamento de iogurtes, sorvetes e sucos.
Para o mercado da amora-preta se tem estabelecido padrões e parâmetros de qualidade pela norma ICONTEC, NTC 4106 que contempla os seguintes requisitos: frutos com todas suas drupas bem formadas, sadias e sem umidade externa, livres de odores, sabores e materiais estranhos, apresentar aspecto fresco e consistência firme e frutos com coloração padrão.