sábado, 17 de junho de 2017

Doenças dos Coqueiros e métodos de controle


DOENÇAS FOLIARES

Queima das folhas - Agente causal: Botryosphaeria cocogena Subileau
A queima das folhas, também conhecida como fogo do coqueiro, ocorre de forma epidêmica nos estados de Alagoas, Bahia, Pará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Desde 1975, esta doença vem provocando uma considerável redução na produtividade dos coqueiros nos estados nordestinos (SOUZA FILHO et al., 1979). A incidência da doença é mais evidente na época do ano em que a precipitação e umidade relativa do ar são baixas e as temperaturas são elevadas.
Os sintomas da doença estão presentes nas folhas inferiores (Figura 1). Caracteriza-se por um secamento dos folíolos localizados na extremidade da folha em forma de V, que avança pela raque até atingir a base da folha, que seca prematuramente. Concomitantemente, surgem nos folíolos manchas de coloração marrom clara a avermelhada, de formato irregular e alongadas, que também progridem em direção à raque onde se observa um exudado de goma (WARWICK et al., 1994). Uma vez na raque, a doença torna-se sistêmica, evoluindo para a parte interna da planta. Em consequência, o cacho fica sem sustentação e cai antes de completar sua maturação. O avanço da doença na planta provoca a redução da área fotossintética, o que reflete significativamente na queda de produtividade. Essa doença chega a atingir cerca de 50% das folhas de uma planta e até 100% da plantação, daí seu caráter endêmico na região de ocorrência (SUBILEAU, 1993).

Foto: Dulce Regina Nunes Warwick
Figura 1. Coqueiral com sintomas da queima das folhas.
Medidas de Controle
  • Remover e queimar folhas infectadas durante o período chuvoso ou inverno.
  •  Caron (2012) obteve um controle efetivo com a aplicação axilar de Cyproconazole e misturas em coqueiro-anão verde.
  •  Preferir o anão verde do Brasil e evitar híbridos que tenham parentais os anões-vermelho da Malásia e Gramame (WARWICK et al., 1990; 1991).
Lixa pequena - Agente causal: Camarotella torrendiella (Batista) Bezerra & Vitória (Phyllachora torrendiella (Batista) Subileau), (Catacauma torrendiella Batista)
A lixa pequena só existe no Brasil, sendo todas as variedades e híbridos cultivados suscetíveis em diferentes graus. Foi relatada pela primeira vez no Estado de Pernambuco e, atualmente, encontra-se em quase todas as regiões onde se cultiva o coqueiro. É considerada a doença mais importante da cultura nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe. Nas regiões onde a doença ocorre intensamente, cerca de 50% das folhas da planta apresentam-se infectadas; consequentemente, as folhas mais baixas necrosam, secam e caem prematuramente. Em ataques severos, os cachos ficam sem suporte, o que prejudica a maturação dos frutos.
A doença é caracterizada por pequenos pontos negros, também conhecidos como verrugas, os quais ocorrem por todas as áreas dos folíolos, raque, frutos do coqueiro. Essas lesões têm a forma de um diamante paralelo com as nervuras dos folíolos e têm uma crosta negra, medindo de 5 cm a 7 cm de comprimento (VITÓRIA et al., 2008). Posteriormente, um halo amarelo circunda estas lesões, que evoluem para uma necrose (Figura 2). Essas manchas necrosadas coalescem, tornando as folhas senescentes prematuramente. A característica que o diferencia da lixa grande é que os estromas são menores e não são destacados facilmente do tecido lesionado.

Foto: Dulce Regina Nunes Warwick
Figura 2. Estromas de lixa pequena nos folíolos.
Medidas de controle
  • Adoção de manejo cultural adequado e adubação equilibrada das plantas, com base na análise de solo e/ou folha, para melhor convivência com as doenças foliares.
  • Os fungos hiperparasitas Acremonium alternatumA persicinumHansfordia pulvinata e Septofusidium elegantulum podem ser utilizados com eficiência em regiões com umidade relativa do ar mais elevadas, no controle das lixas (RENARD, 1988).
  • Os fungicidas difenoconazole, thiabendazole, ciproconazole, flutriofole, azoxystrobin+cyproconazole e o trifloxystrobin+cyproconazole têm apresentado resultados promissores no controle das doenças foliares (CARON, 2012). Vale ressaltar que apenas o difenoconazol e o thiabendazol têm registro no Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) para controle da queima-das-folhas.
Lixa grande - Agente causal: Coccostromopsis palmicola (Speg) Hyde & Cannon (Coccostroma palmicola (Speg) von Arx & Muller)
A importância da lixa está relacionada, principalmente, por proporcionar uma abertura para a penetração do fungo Botryosphaeria cocogena, causador da queima das folhas (WARWICK; LEAL, 1999)A ocorrência é semelhante à da lixa pequena, porém não está presente na região Norte. O sintoma característico da lixa-grande é a formação de estromas de aspecto rugoso, formato circular e cor marrom. Encontram-se distribuídos na parte superior dos folíolos e na raque foliar isolados, em linhas ou coalescentes (Figura 3). Os estromas são frutificações típicas de fungos ascomicetos semelhantes a verrugas. Os estromas desse fungo soltam-se facilmente e são mais superficiais que os estromas da lixa pequena. A doença manifesta-se sobre o limbo, na nervura dos folíolos e na raque foliar, com grossos peritécios de coloração marrom, que podem atingir 2 mm de diâmetro. Essas frutificações estão, geralmente, dispostas na borda do folíolo, ao lado da nervura central ou sobre ela. Os peritécios também aparecem na face inferior do limbo. A raque é também parasitada pelo fungo (WARWICK; LEAL, 1999).

Foto: Dulce Regina Nunes Warwick
Figura 3. Estromas de lixa-grande.
Medidas de controle
  • As providências adotadas para o controle da lixa pequena são adequadas também para a lixa grande.
Mancha foliar ou Helmintosporiose - Agente causal: Bipolaris incurvata Dreschs
Essa doença ocorre principalmente em viveiro, onde a alta umidade relativa do ar e o pouco arejamento propiciam condições ideais para o desenvolvimento do fungo. O patógeno é comum em vários hospedeiros, contendo aproximadamente 45 espécies que são parasitas de plantas tropicais e subtropicais.
Em geral, os primeiros sintomas aparecem oito dias após a penetração do fungo. Nesse estádio, as lesões são arredondadas e com o diâmetro menor que 2 mm, têm a cor verde-clara com o centro mais escuro, ocorrendo a formação de um halo amarelado (Figura 4). Esses sintomas evoluem com o desenvolvimento da doença e, em casos severos, as lesões coalescem e as margens dos folíolos tornam-se necróticas (QUILLEC; RENARD, 1975). A sintomatologia varia dependendo da espécie de palmeira hospedeira, sendo que as lesões podem ser mais ou menos comprimidas.

Foto: Dulce Regina Nunes Warwick
Figura 4. Lesões da helmintosporiose.
Medidas de controle
  • Remover folhas severamente infectadas.
  • Evitar adubação excessiva com nitrogênio.
Os produtos tebuconazole e difenoconazole do grupo dos triazóis, embora não registrados no Mapa para controle dessa doença, têm apresentado resultados satisfatórios no campo.

DOENÇAS LETAIS

Resinose Agente causal: Thielaviopsis paradoxa (De Seyn) Hölh ou Chalara paradoxa (De Seyn.) Sacc e a forma teliomórfica é Ceratocystis paradoxa (Dade) Moreau
A resinose do coqueiro foi registrada, primeiramente, no Sri Lanka, em 1906, e na Índia, foi realizada reprodução de sintomas em 1986 (NAMBIAR et al.,1986). No Brasil, os primeiros relatos de sua ocorrência surgiram em 2004 e, desde então, a doença tem se disseminado gradualmente (WARWICK; PASSOS, 2009). Fatores como estresse ambiental e danos mecânicos também favorecem a ocorrência da doença. Não foram encontradas variedades resistentes. O patógeno pode sobreviver por longos períodos no solo na forma de estruturas de resistência denominados clamidósporos. A transmissão entre plantas pode ocorrer pelas raízes, tendo em vista que as raízes do coqueiro se entrelaçam no campo e é frequente a presença do fungo em raízes terciárias da planta. A disseminação a longas distâncias ocorre via insetos. Foi detectada a presença de T. paradoxa na broca-do-olho do coqueiro (Rhynchophorus palmarum) e no falso-moleque-da-bananeira (Metamasius hemipterus) (WARWICK et al., 2009). O principal sintoma da resinose é a exsudação de um líquido marrom-avermelhado que escorre através de rachaduras no estipe (Figura 5). Estas lesões ocorrem, em geral, na base da planta, e progridem de forma ascendente, coalescendo posteriormente. Com o passar do tempo, o exsudato forma incrustações enegrecidas. As plantas apresentam redução na frequência de emissão de folhas e no seu tamanho, afinamento do tronco e, finalmente, ocorre a morte da planta. Através da dissecação do tecido vegetal, verifica-se a presença de extensas manchas amarronzadas de tecidos desintegrados e fibrosos, na região interna do caule (WARWICK; PASSOS, 2009). Exames realizados na região das raízes principais revelaram a presença de lesões necróticas.

Foto: Dulce Regina Nunes Warwick
Figura 5. Sintoma no estipe de resinose.
Medidas de Controle
  • Monitorar regulamente o plantio para identificação de plantas com sintomas da doença.
  • Erradicar plantas severamente atacadas utilizando método manual ou químico através de injeção caulinar com herbicida.
  • Usar fungicidas comerciais e pincelar a área lesionada com alcatrão vegetal ou piche.
  • Pincelar pasta bordalesa (WARWICK et al., 2012).
  • Reduzir a população do inseto vetor com o uso de armadilhas atrativas.
  • Em laboratório, isolados de Trichoderma sp, e Bacillus subtilis foram eficientes no controle do fungo.
Anel Vermelho – Agente causal: Bursaphelenchus cocophilus (Rhadinaphelenchus cocophilus) Baujard
Essa doença é sempre fatal ao coqueiro. Atualmente, é encontrada no Caribe e nas Américas Central e do Sul, incluindo todas as regiões produtoras de coco do Brasil. Os sintomas variam, dependendo das condições ambientais, idade e variedade do hospedeiro. Nos coqueiros gigantes e híbridos, os sintomas externos são caracterizados pelo amarelecimento dourado das folhas basais. As folhas tornam-se necrosadas e quebram na base da raque. Com o progresso da doença, as folhas inferiores apresentam-se penduradas, presas ao estipe. Num estádio mais avançado, ocorre o apodrecimento do meristema apical, causado por microrganismos saprófitas. Estes sintomas confundem-se com os de outras doenças letais ao coqueiro e também com os sintomas provocados pelo encharcamento do solo. As inflorescências permanecem normais e as plantas jovens, sem estipe formado, não são suscetíveis à doença. O aparecimento de um anel-vermelho no estipe da planta, de aproximadamente 2 cm a 4 cm de largura e 3 cm a 5 cm da periferia, é o sintoma típico da doença (Figura 6). Na área do anel do coqueiro, encontra-se um número muito grande de nematoides, que podem ser extraídos facilmente desses tecidos (GRIFFITH, 1987).

Foto: Dulce Regina Nunes Warwick
Figura 6. Sintoma interno do anel-vermelho.
Warwick e Bezerra (1992) demonstraram que o nematoide pode ser transmitido por raízes, mas o principal agente de transmissão da doença é a broca-do-olho-do-coqueiro Rhynchophorus palmarum, (Coleoptera; Curculionidae). As plantas infectadas pelo anel-vermelho entram em processo de fermentação e putrefação, exalando odores que atraem os insetos vetores. Estes penetram na planta, perfurando os tecidos tenros da gema apical e, desta forma, ficam contaminados interna e externamente com o nematoide (GERBER; GIBLIN-DAVIS, 1990).
Medidas de controle
  • Inspeções constantes para detecção de plantas infectadas.
  • Erradicação imediata de plantas com sintomas externos da doença.
  • Desinfecção das ferramentas utilizadas nas plantas doentes.
  • Uso de armadilhas atrativas para capturar os insetos vetores.
  • Controle biológico do R. palmarum com o fungo Beauveria bassiana.
Murcha de Fitomonas - Agente causal: Phytomonas sp.
A murcha de fitomonas é conhecida como hartrot no Suriname. Em países de língua espanhola, a doença é chamada de `Marchitez`, e em Trinidad é chamado Cedros Wilt. Já foi registrada na Colômbia, Costa Rica, Equador, Guiana Suriname, Trinidad e Tobago; e Venezuela. No Brasil, foi assinalada em Alagoas, Bahia, Pará, Paraíba, Pernambuco e Sergipe.
Os sintomas externos inicialmente se assemelham aos do anel-vermelho. Nas folhas basais, os folíolos tornam-se amarelos pálidos, seguidos por um empardecimento, evoluindo da extremidade para a base da folha. Os sintomas progridem das folhas mais baixas para as mais altas, sendo que esta coloração varia, dependendo do tipo de coqueiro (Figura 7). As inflorescências tornam-se necrosadas e secas, ocorrendo a queda prematura dos frutos. No estádio final da doença, há uma podridão fétida do broto apical (BEZERRA; FIGUEIREDO, 1982). Diferentes espécies de Lincus (Pentatomidae) são vetores do patógeno (LOUISE et al., 1986).

Foto: Dulce Regina Nunes Warwick
Figura 7. Sintoma típico da murcha de fitomonas.
Medidas de controle
  • Erradicar as plantas doentes.
  • Manter a área livre de plantas invasoras.
  •  Retirar as folhas mais velhas e as bainhas mortas, as quais podem abrigar o percevejo vetor.
  • Coletar os vetores Lincus spp e Ochlerus (WARWICK et al., 1999).

PODRIDÃO SECA - Agente causal: organismo do tipo fitoplasma

Essa doença ocorre em viveiro e, esporadicamente, em plantios definitivos. Foi registrada no Brasil, Costa do Marfim, Filipinas, Indonésia e Malásia. Atualmente, tem causado problema em plantios de coqueiro anão irrigado. Estudos realizados na África comprovaram que o patógeno é transmitido através de cigarrinhas, Tagosedes cubana Tkolophon da família Delphacidae, que se multiplicam em gramíneas (JULIA; MARIAU, 1982). A podridão seca provoca a paralização do crescimento e secamento da folha central. Simultaneamente ao desenvolvimento dos sintomas nas folhas, aparecem no coleto lesões internas, marrons, com aparência de cortiça, observadas através de corte longitudinal na planta (Figura 8). A folha-flecha das plantas atacadas destaca-se facilmente ao ser puxada. Finalmente, todas as folhas secam quando a podridão alcança o meristema central. A planta morre em um ou dois meses, após o aparecimento dos primeiros sintomas (WARWICK, 1998).

Foto: Dulce Regina Nunes Warwick
Figura 8. Sintoma externo da podridão seca.
Medidas de controle
  • Erradicar as plantas doentes.
  • Evitar instalar o viveiro em locais úmidos.
  • Eliminar as plantas invasoras, principalmente as gramíneas.
  • Fazer controle dos insetos vetores (cigarrinhas).




quinta-feira, 15 de junho de 2017

Manejo de plantas daninhas nos Coqueiros

Prejuízos causados pelas plantas daninhas aos coqueiros

As plantas daninhas são responsáveis por perdas consideráveis durante a fase de crescimento e produção do coqueiro. Entre os prejuízos causados destacam-se: aumento da competição por água e nutrientes; redução da produtividade (número e tamanho dos frutos); liberação de aleloquímicos tóxicos no solo a depender da planta infestante; dificuldade na colheita e localização de frutos; dificuldade na distribuição de água pelos microaspersores (Figura 1); aumento da probabilidade da ocorrência de acidentes de trabalho na colheita, devido a presença de animais peçonhentos; algumas espécies podem ser hospedeiras alternativas de pragas e doenças; e depreciação do valor da terra a depender do grau de dificuldade de controle dessas espécies.
É importante ressaltar que em áreas não irrigadas, e/ou regiões que apresentam déficit hídrico elevado, situação comumente observada na maior parte da região produtora de coco do Nordeste do Brasil, o efeito exercido pelas plantas infestantes passa a ser mais nocivo durante o período mais seco do ano, decorrente da elevada competição por água que se estabelece nessa época.

Foto: Sérgio de Oliveira Procópio
Figura 1. Plantas de trapoeraba (Commelina benghalensis) prejudicando a efetividade de microaspersores na distribuição de água em coqueiral.

Diversidade de espécies de plantas infestantes em coqueirais

A comunidade infestante presente nos coqueirais é extremamente diversificada ao longo das diferentes regiões produtoras de coco do Brasil. Na Tabela 1, é apresentada uma lista de espécies frequentemente presentes nas áreas de produção de coco localizadas nos estados de Sergipe e Bahia.
Tabela 1. Plantas daninhas comumente encontradas em áreas de produção de coco nos estados da Bahia e Sergipe.
Nome vulgar
Nome científico
Família
Buva
Conyza sp.
Asteraceae
Falsa-serralha
Emilia fosbergii
Asteraceae
Erva-de-touro
Tridax procumbens
Asteraceae
Picão-preto
Bidens sp.
Asteraceae
Perpétua-roxa
Centratherum punctatum
Asteraceae
Mentrasto
Ageratum conyzoides
Asteraceae
Mussambê
Cleome affinis
Brassicaceae
Trapoeraba
Commelina diffusa
Commelinaceae
Trapoeraba
Commelina benghalensis
Commelinaceae
Junquinho
Cyperus flavus
Cyperaceae
Junquinho
Cyperus diffusus
Cyperaceae
Junquinho
Cyperus iria
Cyperaceae
Erva-de-santa-luzia
Chamaesyce hirta
Euphorbiaceae
Erva-andorinha
Euphorbia hyssopifolia
Euphorbiaceae
Malícia
Mimosa pudica
Fabaceae
Mata-pasto
Senna obtusifolia
Fabaceae
Sensitiva
Chamaecrista sp.
Fabaceae
Malva-rasteira
Pavonia cancellata
Malvaceae
Capim-colchão
Digitaria sp.
Poaceae
Capim-braquiária
Brachiaria sp.
Poaceae
Capim-carrapicho
Cenchrus echinatus
Poaceae
Capim-gengibre
Paspalum maritimum
Poaceae
Erva-botão
Spermacoce verticillata
Rubiace
Jurubeba
Solanum paniculatum
Solanaceae
Cansanção
Laportea aestuans
Urticaceae

Manejo de plantas infestantes em coqueirais

Controle Manual 
É realizado principalmente por pequenos produtores, utilizando-se capina com enxada na zona do coroamento do coqueiro e roçagem no restante da área. A área do coroamento corresponde a projeção da copa da planta, o que equivale a um raio de aproximadamente 2 m a 2,5 m a partir do estipe, onde se concentra a maior parte das raízes do coqueiro. Nessa operação, deve-se evitar o arrastamento da camada superficial do solo, assim como o corte das raízes do coqueiro.
Controle Mecânico
A roçagem mecânica da vegetação espontânea nas entrelinhas de plantio dos coqueiros (Figura 2) constitui-se em uma alternativa eficiente de controle das plantas infestantes, normalmente empregada em plantios irrigados e/ou regiões com baixo déficit hídrico. No entanto, o uso frequente desta prática poderá provocar a disseminação de algumas espécies de gramíneas, uma vez que apresentam pontos de crescimento abaixo do nível de corte do implemento em detrimento daquelas espécies de folhas largas. Como consequência, pode resultar em aumento significativo na população dessas espécies de invasoras, que são extremamente hábeis na competição por água e nutrientes, destacando-se a competição por nitrogênio presente no solo. Esta situação torna-se mais grave durante a fase jovem do coqueiro e/ou em condições de baixa densidade de plantio, em função da maior luminosidade disponível para o crescimento dessas gramíneas. Uma alternativa relevante para esse tipo de operação é a utilização de roçadora do tipo “ecológica”, que corta e lança lateralmente a fitomassa produzida pelas espécies presentes nas entrelinhas, posicionando esse material vegetal próximo à projeção da copa dos coqueiros. Isso promove, dentre outros benefícios, o controle físico de plantas daninhas na zona de coroamento devido à formação de uma camada de material vegetal sobre o solo.

Foto: Humberto Rollemberg Leite
Figura 2. Operação de roçagem realizada nas entrelinhas do coqueiro.
A gradagem do solo, realizada no final do período chuvoso, permite a eliminação da vegetação presente nas entrelinhas, reduzindo a evapotranspiração e beneficiando consequentemente o desenvolvimento do coqueiro. Deve-se ressaltar, no entanto, que esta é uma opção que somente deverá ser utilizada em situações específicas, considerando-se os aspectos relacionados com a conservação do solo, a integridade das raízes do coqueiro e o próprio incremento na multiplicação de algumas espécies invasoras que apresentam propagação vegetativa.
Controle físico
A utilização de diferentes materiais para o cobrimento do solo nas áreas de projeção da copa das plantas pode ser uma alternativa eficiente para integrar o manejo das plantas daninhas em coqueirais. O emprego das próprias folhas do coqueiro, organizadas de maneira a formar uma cobertura morta da região do coroamento (Figura 3), bem como a utilização de outros materiais, como a biomanta (Figura 4) podem proporcionar resultados satisfatórios, podendo diminuir a necessidade de capinas ou mesmo da aplicação de herbicidas. Em se tratando de plantios irrigados, ou mesmo em regiões onde ocorrem boa precipitação e distribuição de chuvas durante o ano, o excesso de umidade na zona de coroamento poderá causar superficialização das raízes, reduzindo seu aprofundamento e, consequentemente, diminuir a tolerância da planta à seca. Recomenda-se, portanto, que, quando utilizada, esta prática seja monitorada no sentido de que os benefícios obtidos sejam avaliados de forma integrada.

Foto: Sérgio de Oliveira Procópio
Figura 3. Controle físico de plantas daninhas utilizando-se as próprias folhas do coqueiro posicionadas sobre a projeção da copa das plantas.

Foto: Sérgio de Oliveira Procópio
Figura 4. Controle físico de plantas daninhas utilizando-se biomanta confeccionada a partir de fibra de coco.
Controle cultural
O plantio de leguminosas e/ou de outras espécies de cobertura, nas entrelinhas de plantio dos coqueiros, realizado no início das chuvas para posterior roçagem deste material no período de floração, constitui-se numa alternativa eficiente de manejo das plantas infestantes. Entre as espécies que podem ser cultivadas nas entrelinhas dos coqueirais destacam-se o feijão-de-porco (Canavalia ensiformis), a pueraria (Pueraria phaseoloides), a centrosema (Centrosema pubescens) e o calopogônio (Calopogonium muconoides)A utilização de leguminosas arbustivas perenes de enraizamento profundo em cultivos integrados constitui-se também em alternativa capaz de reduzir a infestação de plantas daninhas em coqueirais, podendo além de exercer esse efeito, proporcionar outros benefícios. Como exemplo desse sistema, tem-se o plantio intercalado de gliricídia (Gliricidia sepium), uma leguminosa arbórea, em coqueirais, que pode ser importante fonte de nitrogênio ao coqueiro.
Controle biológico
O pastejo com ovinos, caprinos e bovinos associado a coqueiros em fase de produção, pode se constituir numa interessante alternativa para manter as plantas invasoras, principalmente gramíneas, sob controle em áreas não irrigadas, podendo ser categorizada dentro da Ciência das Plantas Daninhas como um método de controle biológico. Um exemplo clássico verificado em regiões da baixada litorânea do Nordeste é a utilização de ovinos para o manejo do capim-gengibre (Paspalum maritimum), importante invasora dos coqueirais dessa região. Esta espécie apresenta bom valor forrageiro, podendo, portanto, ser utilizado para tal fim desde que devidamente manejada.
Controle químico
O controle químico, que compreende a utilização de herbicidas, tem como principais vantagens: 1) O rendimento operacional, ou seja, a rapidez na aplicação da técnica; 2) A menor necessidade de mão de obra; e 3) não causar danos mecânicos nas raízes dos coqueiros, causados por implementos mecânicos, como grades e escarificadores. Mesmo com as vantagens apresentadas, apenas o herbicida glifosato apresenta registro para uso na cultura do coqueiro. Em áreas de produção intensiva de coco, se realiza, em média, quatro aplicações anuais desse herbicida em pós-emergência. Vários motivos podem ser apontados para a grande preferência na escolha desse herbicida, como por exemplo: amplo espectro de ação (controle de espécies de plantas daninhas de folhas largas e folhas estreitas com única aplicação); ausência de atividade residual no solo (não causando riscos a novos plantios de mudas de coco ou mesmo a cultivos consorciados); não dependência do estádio da planta daninha para que o controle tenha sucesso; e translocação a longa distância (sistematicidade), que permite o controle de plantas daninhas perenes com propagação vegetativa.
Em plantios adultos, as pulverizações devem ser dirigidas para a zona de coroamento do coqueiro, num raio de 2 m a partir do estipe, que corresponderia a uma área de, aproximadamente, 12,56 m2/planta. Essa região é onde se concentra a maior densidade de raízes dos coqueiros. A aplicação poderá ser realizada também em faixas, acompanhando as linhas de plantio do coqueiro, observando-se uma largura média de 4 m. No cultivo de coqueiros anões, onde se utiliza um espaçamento, normalmente, de 7,5 m em triângulo, a área coberta pela pulverização na faixa de plantio é de 30 m2/planta (4,0 m x 7,5 m), o que corresponderia a mais que o dobro daquela utilizada na zona de coroamento. Tem-se observado ainda que alguns produtores estão utilizando a pulverização com herbicidas em área total, normalmente realizada no início do período seco, promovendo assim a dessecação de toda a vegetação de cobertura.
É importante ressaltar que para o bom funcionamento do herbicida glifosato aplicado em pós-emergência é necessário respeitar algumas regras: 1) realizar regulagem precisa dos pulverizadores, conferindo o desgaste dos bicos (pontas de pulverização), a pressão de trabalho, os filtros de linha e dos bicos, a velocidade de aplicação e a altura da barra de aplicação; 2) verificar a qualidade da água de pulverização, evitando água com presença de argila (barrenta) e abaixando o pH, caso a água tenda à alcalinidade; 3) evitar aplicar com umidade do ar baixa e temperatura elevada; 4) evitar aplicar com ventos acima de 10 km/hora, pois pode haver deriva do glifosato para as áreas adjacentes causando problemas em culturas sensíveis a esse herbicida; 5) evitar aplicar quando as plantas daninhas estiverem com sintomas de déficit hídrico, pois o produto terá problemas de translocação.

Resistência ao uso de glifosato

A utilização quase que exclusiva e repetitiva de glifosato em áreas de produção de coco, vem selecionando biótipos de plantas daninhas resistentes, principalmente de uma espécie conhecida, como buva ou voadeira (Conyza ssp.). Em visita a algumas áreas de produção de coco, visualizou-se a sobrevivência das plantas dessa espécie após aplicações de glifosato, o que vem causando sua multiplicação acentuada (Figura 5). No Brasil, foi registrada a ocorrência de três espécies de buva, sendo estas Conyza sumatrensisConyza bonariensis e Conyza canadenses. Também se tem verificado o aumento da infestação de trapoeraba (Commelina benghalensis) nos coqueirais (Figura 6). Essa espécie apresenta tolerância natural ao herbicida glifosato, diferentemente da buva, onde houve a seleção e a multiplicação de biótipos resistentes a esse herbicida.

Foto: Sérgio de Oliveira Procópio
Figura 5. Plantas de buva (Conyza sp.) resistentes ao herbicida glifosato presentes em coqueirais.

Foto: Sérgio de Oliveira Procópio
Figura 6. Coqueiral com alta infestação de trapoerada, em decorrência, principalmente, da aplicação repetitiva do herbicida glifosato.



domingo, 11 de junho de 2017

Manejo e tratos culturais no Coqueiro


Durante a fase jovem, que corresponde em média aos três e/ou quatro primeiros anos de idade, os cuidados dispensados às plantas deverão se refletir na precocidade de produção e produtividade do coqueiral. Da mesma forma, durante a fase adulta, a adoção de tratos culturais adequados, constitui-se em fator fundamental para que se obtenha produção regular e contínua de frutos durante o ano. 

Coroamento Manual

É realizado principalmente por pequenos produtores, utilizando-se capina com enxada na zona do coroamento do coqueiro e roçagem no restante da área. A área do coroamento corresponde a projeção da copa da planta, o que equivale a um raio de aproximadamente 2 m a 2,5 m a partir do estipe, onde se concentra a maior parte das raízes do coqueiro. Nessa operação, deve-se evitar o arrastamento da camada superficial do solo, assim como o corte das raízes do coqueiro.

Roçagem mecânica das entrelinhas

Em plantios irrigados, a roçagem da vegetação natural nas entrelinhas de plantio do coqueiro é utilizada como um dos principais métodos de controle das plantas infestantes, considerando que, nesse caso, as necessidades de água e nutrientes do coqueiro são devidamente supridas. No caso dos plantios em sequeiro, a manutenção da vegetação natural favorece a competição por água e nutrientes, principalmente, Nitrogênio, com reflexo negativo no crescimento e produção do coqueiro.
Nos plantios localizados ao longo das unidades geoambientais dos tabuleiros costeiros e baixada litorânea, o uso frequente da roçagem mecânica favorece a infestação de gramíneas, como por exemplo o “capim gengibre” (Paspalum maritimum L)  e/ou “capim brachiária” (Brachiaria sp ), espécies estas amplamente disseminadas nas regiões tradicionais de cultivo localizadas ao longo da faixa litorânea do Nordeste do Brasil. Por apresentarem pontos de crescimento abaixo do nível de corte da roçadeira, estas espécies se expandem rapidamente, em detrimento de outras espécies.  A utilização desta prática em plantios de sequeiro, principalmente quando estes estão localizados em áreas com déficit hídrico elevado e má distribuição de chuvas durante o ano, pode comprometer o crescimento e produção do coqueiro.  

Gradagem do solo

O uso da grade de discos nas entrelinhas de coqueiros cultivados em sequeiro constituiu-se, ao longo dos anos, como uma das principais práticas culturais, utilizadas largamente entre médios e grandes produtores dedicados ao cultivo do coqueiro-gigante. Seus resultados positivos estão relacionados à maior eficiência de controle das plantas infestantes, consequentemente, reduzindo a competição por água e nutrientes. Por outro lado, o uso frequente desta prática além de provocar danos às raízes dos coqueiros, favorece o processo de erosão e lixiviação de nutrientes, além de proporcionar degradação das propriedades físicas, químicas e biológicas do solo. Nos tabuleiros costeiros, o efeito desta prática é ainda mais drástico devendo ser evitada em função da ocorrência de camadas coesas na subsuperfície do solo.
A utilização da gradagem deverá restringir-se, portanto, àquelas regiões mais secas, preferencialmente realizadas entre o final do período chuvoso e início do seco, proporcionando assim a incorporação da vegetação de cobertura ao solo, não devendo ultrapassar, no entanto, 20 cm de profundidade. Deve-se observar uma distância mínima de 2 m de raio a partir do coleto e/ou estipe do coqueiro, evitando-se assim corte excessivo de raízes. Quando a gradagem é realizada no final do período seco/início das chuvas são menores os danos provocados ao sistema radicular do coqueiro, uma vez que as raízes absorventes encontram-se em sua maioria mortas em consequência do último período seco. Com a chegada das chuvas, o corte das raízes provocado pela grade, promove novas emissões aumentando a sua capacidade de absorção. Nesse caso, recomenda-se que seja realizado o plantio nas entrelinhas de uma cultura consorciada ou leguminosa de cobertura de ciclo curto, que possa ser colhida e incorporada ao solo ao final do período chuvoso. Deve-se ressaltar, no entanto, que a gradagem realizada neste período não reduz o efeito de competição por água e nutrientes com as plantas daninhas conforme observado anteriormente. Uma alternativa que poderia ser adotada pelo produtor seria a alternância de utilização da gradagem no início do período seco com roçagem mecânica durante o período chuvoso.

Consorciação nas entrelinhas de plantio com culturas de ciclo curto

As entrelinhas de plantio dos coqueiros podem ser utilizadas para cultivo com outras culturas, principalmente durante a fase que antecede ao início da produção, que corresponde, em média, aos quatro primeiros anos de cultivo. A consorciação é utilizada, principalmente, por pequenos produtores durante o período chuvoso do ano, utilizando culturas de subsistência, tais como, milho, feijão e mandioca entre outras, as quais podem favorecer indiretamente o desenvolvimento do coqueiro. Além de proporcionar receita para cobrir ou amenizar os custos de implantação do coqueiral, apresenta outras vantagens como: maior proteção do solo e reciclagem de nutrientes; melhor aproveitamento da adubação e tratos culturais dispensados à cultura consorciada; maior eficiência de uso do solo, entre outras.
Com relação às dificuldades de manejo das áreas consorciadas em grandes propriedades, uma opção seria o plantio destas culturas em linhas alternadas, viabilizando assim, o trânsito de máquinas e equipamentos que se fizerem necessários. Tem-se observado também uma crescente utilização da consorciação com outras culturas de ciclo perene, a exemplo, da banana, mamão e citros. Para a seleção da cultura a ser consorciada, devem-se levar em consideração os aspectos relacionados com a adaptabilidade às condições de clima e solo locais, exigências nutricionais e hídricas, ciclo da cultura e as questões de mercado, entre outras.
Nos cultivos realizados em sequeiro, recomenda-se que sejam utilizadas, preferencialmente, culturas de ciclo curto, cultivadas durante o período chuvoso do ano e colhidas no início do período seco, utilizando a palhada como cobertura morta na zona de coroamento. Para o plantio dessas culturas, deve-se manter um raio de aproximadamente 2 m de distância a partir do coleto do coqueiro e realizar adubação e tratos culturais necessários, como forma de evitar competição e facilitar o manejo da cultura principal.

Consorciação com frutíferas nas linhas de plantio em sistemas irrigados

Em sistemas irrigados, o plantio da cultura consorciada na linha de plantio do coqueiro pode ser recomendado como uma prática capaz de proporcionar melhor aproveitamento da água de irrigação e da adubação.
A cultura do mamoeiro tem se constituído uma das principais alternativas de consórcio, sendo utilizada entre coqueiros na mesma linha de plantio. Nesse caso, pode-se deslocar um dos microaspersores para o meio da linha onde são plantados em média quatro mamoeiros entre dois coqueiros. Considerando-se que o ciclo da cultura do mamoeiro é de, aproximadamente, três anos, ao final do mesmo inicia-se a fase produtiva do coqueiro, permitindo assim ao produtor a obtenção de receita desde a implantação do projeto. Outra alternativa seria o plantio das culturas consorciadas na zona de abrangência dos microaspersores, mantendo-se uma distância de aproximadamente 2 m do coqueiro, utilizando-se duas ou quatro plantas consorciadas para cada coqueiro. De acordo com trabalhos realizados pela Embrapa Tabuleiros Costeiros, a cultura da bananeira constitui-se também como alternativa de consórcio, uma vez que, a despeito de reduzir inicialmente o desenvolvimento da circunferência do coleto dos coqueiros, proporcionou melhores resultados em relação ao sistema solteiro.

Cobertura do solo com leguminosas

Entre as espécies de ciclo curto, o feijão-de-porco (Canavalia ensiformis L.) é considerado uma das principais espécies utilizadas como adubação verde na região dos tabuleiros costeiros do Nordeste do Brasil, tendo em vista a sua grande capacidade de produção de biomassa e fixação de nitrogênio. As sementes, juntamente com o adubo fosfatado devem ser aplicados a lanço e posteriormente incorporados ao solo com gradagem leve. No período de floração, recomenda-se a realização da roçagem manual ou mecânica, permanecendo a biomassa na superfície do solo.
A utilização de leguminosas perenes como cobertura de solo, além de apresentar maior aporte de nitrogênio para o coqueiro, apresenta também como vantagem a elevação dos teores de matéria orgânica, maior proteção contra a erosão e redução da amplitude térmica do solo. A utilização dessa prática em regiões que apresentam déficit hídrico elevado como ocorre em grande parte da região produtora de coco do Nordeste do Brasil, pode elevar significativamente a competição por água entre coqueiros e plantas de cobertura.
Em regiões que apresentam condições de clima e solo favoráveis, como ocorre na região Norte do Brasil, a utilização da Pueraria phaseoloides, Centrosema pubescens e Calopogonium muconoides têm apresentado resultados bastante favoráveis, uma vez que proporciona cobertura adequada do solo e melhoria da nutrição nitrogenada do coqueiro. A utilização de leguminosas arbóreas perenes de múltiplo uso a exemplo da Gliricidia sepium e Leucena leucocephala podem também ser utilizadas para composição de sistemas integrados de produção com animais

Associação com animais

A criação extensiva de bovinos em áreas cultivadas com coqueiros no Nordeste do Brasil é uma prática bastante utilizada e tem como objetivo proporcionar melhor aproveitamento do espaço disponível no coqueiral. A implantação de pastagens artificiais à base de gramíneas, sobretudo do gênero Brachiaria, como o B. humidicola L., constitui-se por outro lado, em prática não recomendável, considerando-se o aumento da competição por água e nutrientes que poderá estabelecer-se com os coqueiros, a qual será tanto maior quanto mais elevado for o déficit hídrico da região.
Eventuais problemas de compactação poderão ser contornados desde que mantida uma carga animal adequada às características do solo em uso. Por outro lado, os benefícios obtidos estão relacionados com a redução dos custos com limpeza e pela produção de esterco, o qual poderá ser utilizado para adubação dos coqueiros, assim como pela possibilidade de aumento de receita da propriedade em função da venda de animais. Em áreas irrigadas, a associação com ovinos, tem crescido significativamente, nas áreas tradicionais de produção. Resultados obtidos pela Embrapa Tabuleiros Costeiros, na unidade de paisagem de baixada litorânea demonstraram que a recria/engorda de carneiros da raça Santa Inês, a taxas de 2,4 cabeças/ha/ano, associada à prática sistemática de vermifugação, mineralização e controle de mosquitos, permitiu produção adicional da ordem de 30 kg/ha de peso vivo, com redução de custos de duas roçagens/ano, sem alterar a produção de coco, desde que mantida a prática de coroamento dos coqueiros.

Cobertura Morta

As folhas mortas, cascas de coco seco e demais restos de cultura podem ser utilizados como cobertura morta com o objetivo de aumentar a conservação de água no solo e controle das plantas daninhas, principalmente nos plantios realizados em sequeiro. As cascas de coco constituem também uma importante fonte de potássio e cloro, elementos estes de grande importância na nutrição do coqueiro. Quando triturado, este material poderá se utilizado também no processo de compostagem para utilização na adubação do coqueiro. Considerando-se os elevados custos de trituração, uma alternativa seria a distribuição das cascas nas entrelinhas dos coqueiros, possibilitando assim o seu processamento parcial com a utilização da roçadeira mecânica. As folhas secas poderão ser utilizadas também como cobertura morta na zona do coroamento, neste caso devendo ser cortadas, eliminando-se a raque. Deve-se evitar assim a queima deste material, prática esta que, infelizmente, é bastante utilizada, principalmente entre pequenos produtores de coco seco.




quarta-feira, 7 de junho de 2017

Irrigação no Coqueiro

A cultura do coqueiro anão (Cocos nucifera L.) exige grande quantidade de água durante seu crescimento vegetativo e na fase de produção de frutos com boa qualidade, sendo assim, dificilmente encontrará água disponível em quantidades adequadas para atender a demanda evapotranspirativa em condições de cultivo em sequeiro.
O coqueiro é uma planta essencialmente tropical e encontrou no Brasil excelentes condições climáticas, para seu pleno desenvolvimento e potencial produtivo. A cultura encontra condições climáticas favoráveis entre 24°N e 23°S de latitude, temperatura média anual em torno de 27°C, com oscilações de 5° a 7°C, umidade relativa entre 65 a 85%, pluviosidade entre 1.200 a 2.200 mm anuais, bem distribuídos.
O coqueiro não se desenvolve bem sob qualquer sombreamento ou condições de intensa nebulosidade, para tanto, exige em torno de 2.000 horas de luz de sol/luminosidade/ano e 120 horas/mês como limites quantitativos.
Os ventos fracos e moderados com velocidade de até 4 mps beneficia o desenvolvimento da cultura, estimulando a absorção de água e nutrientes pela planta. Ventos frios são indesejáveis, já que prejudicam o desenvolvimento da mesma.
A cultura desenvolve-se melhor em solos com textura média, permeáveis e férteis, sendo que de 70 a 90% de seu sistema radicular fasciculado estão distribuídos entre 0,2 a 1,0 m de profundidade e até 1,50 m de raio da estipe da planta.
É uma cultura que exige cuidados em relação aos tratos culturais, principalmente a irrigação. A ocorrência de déficit hídrico na fase de produção afeta o desenvolvimento e formação dos frutos. A baixa pluviosidade em algumas regiões pode ser compensada pela situação favorável do lençol freático, pois a cultura desenvolve seu sistema radicular profundo, conseguindo resistir a déficit hídrico nos períodos com escassez de chuvas.
A irrigação possibilita elevar a produção além de suplementar a quantidade total de água que a planta necessita durante o período de seca, e mantém um nível normal de água disponível no solo durante o ciclo da cultura para produzir frutos com qualidade, destinados ao comércio interno e exportação.
Necessidade hídrica
O fruto do coqueiro anão é extremamente rico em água (em torno de 450 ml). A diferenciação das flores femininas, ocorre no palmito e a emissão da espata dura em torno de doze meses, quando esta abre-se e é polinizada. O fruto desenvolve-se e é colhido seis meses após a abertura da espata.
A ocorrência de déficit durante a fase de produção irá comprometer a diferenciação e consequentemente a produção no ano seguinte.
Devido ser a cultura extremamente sensível ao déficit hídrico, em regiões com precipitações irregulares ou inferiores a 1.200 mm/ano é necessário a suplementação com água através da irrigação. Em regiões semiáridas, onde a precipitação pluviométrica na sua maioria varia de 400 a 700 mm/ano e distribuída em 3 a 4 meses do ano, com escassez de chuvas nos meses restantes a irrigação é indispensável.
Irrigação necessária
Á água necessária para atender a demanda evapotranspirativa de uma cultura é um importante parâmetro a ser considerado no planejamento, dimensionamento e manejo da irrigação.
A irrigação pode ser suplementar, para corrigir a escassez de chuvas ou total sem considerar a precipitação efetiva, de modo que não limite o crescimento e produção da cultura.
Métodos de irrigação
A cultura do coqueiro adapta-se bem aos diversos métodos de irrigação, dentre eles; irrigação por superfície com sulco, irrigação por aspersão e irrigação localizada.
A escolha do método de irrigação adequado depende de vários fatores a ser considerados, tais como, clima, tipo e topografia do solo, quantidade e qualidade da água disponível, práticas culturais e custos de implantação e operação do sistema.
Normalmente os sistemas de irrigação por sulcos são os de menor custo de implantação por unidade de área, os de aspersão convencional de custo médio e os localizados de maior custo. Quanto aos custos com operação do sistema, há uma inversão na ordem,
Os sistemas de menor custo são os localizados e os de maior custo, os sistemas de irrigação por sulco. Com relação à operação dos sistemas de irrigação no campo, os sistemas de irrigação localizados e por aspersão são os que apresentam mais facilidade na condução do que o sistema de irrigação por sulco.
A irrigação localizada
No método de irrigação localizada, a quantidade de água necessária é fornecida individualmente a cada planta, sobre uma área limitada da zona radicular, através de redes de tubulações.
A água é aplicada no solo através de emissores, em pequena intensidade e alta frequência, para manter a umidade próximo da ideal, que é a de capacidade de campo, de modo que as perdas por percolação e por escoamento superficial sejam minimizados.
Os sistemas de irrigação por gotejamento e microaspersão são os mais difundidos, sendo, o primeiro o mais antigo no Brasil (1972) e, o segundo, o mais recente (1982).
Diferem entre si quanto ao sistema de aplicação. Um sistema completo de irrigação localizada consta de conjunto motobomba, cabeçal de controle, linhas de tubulações (de recalque, principal, secundária e lateral), válvulas e emissores (gotejadores ou microaspersores).
O conjunto motobomba é normalmente de menor potência, em virtude das pequenas alturas manométricas e das pequenas vazões do sistema. O cabeçal de controle é o cérebro do sistema. Nele ocorrem vários processos fundamentais, tais como a filtragem da água, a mistura dos produtos para quimigação e a distribuição da água para os vários setores. É composto de filtros, válvulas, manômetros e injetor de fertilizantes. Os filtros são de três tipos mais comuns: de areia, de tela e de disco.
O de areia é usado para reter o material orgânico e partículas maiores e, por isso, é o primeiro filtro do sistema. Sua limpeza é feita facilmente com a retrolavagem, recomendada a cada aumento de 10 a 20% da perda de carga normal do filtro, quando limpo (aproximadamente 20 kPa).
Em algumas condições especiais de qualidade da água ou mesmo em alguns sistemas de microaspersão, pode-se dispensar seu uso. O filtro de tela tem grande eficiência na retenção de pequenas partículas sólidas, como a areia fina, porém entopem facilmente com algas. A tela usada apresenta orifícios que podem variar de 0,074 mm (200 mesh ou malhas por polegada) até 0,2 mm (80 mesh).
Constitui, juntamente com o filtro de areia, o sistema de filtragem mais usado. Os filtros de discos têm forma cilíndrica e são colocados na linha, em posição horizontal. O elemento filtrante é composto por um conjunto de pequenos anéis, com ranhuras, presos sobre um suporte central cilíndrico e perfurado. A água é filtrada ao passar pelos pequenos condutos formados entre anéis consecutivos. A qualidade da filtragem vai depender da espessura das ranhuras.
Na maioria dos coqueirais irrigados no Brasil até a década de 80, com irrigação localizada, dava-se preferência a irrigação por gotejamento, e ainda hoje vem sendo utilizada, principalmente nos Estados da Paraíba e Ceará. Atualmente a irrigação localizada por microaspersão, vem sendo utilizada em grande escala, em razão das vantagens que o próprio sistema apresenta como aumento da eficiência do uso da água e nutrientes, além de melhor adequar o perfil do bulbo úmido ao sistema radicular da cultura. A microaspersão na cultura do coqueiro, se expande em todo o Pais, principalmente nos municípios de Petrolina-PE, Juazeiro, Anagê, Bom Jesus da Lapa-BA, Varjota, Paraibaba-CE, Norte de Minas, Platô de Neópolis–SE e São Mateus, Vila Valério e São Gabriel da Palha–ES.
A irrigação localizada: Gotejamento e Microaspersão
A cultura do coqueiro exige grande quantidade de água durante seu desenvolvimento vegetativo e fase produtiva.. A irrigação, além de favorecer o desenvolvimento da planta, contribui para a precocidade de floração, que ocorre a um (01) e oito (08) meses que a partir daí produz continuamente. O suprimento adequado de água a cultura promove aumento da produtividade e a produção de frutos durante ano inteiro.
A cultura do coqueiro adapta-se bem a diversos métodos de irrigação, dentre eles a irrigação por sulcos, a aspersão convencional e a irrigação localizada.
No método de irrigação localizada, a quantidade de água necessária à cultura é fornecida individualmente a cada planta, sobre uma área limitada da zona radicular, através de redes de tubulações. A água é aplicada em pequena intensidade, e alta frequência para manter a umidade do solo na região explorada pelas raízes próxima à umidade de capacidade de campo, de modo que as perdas por percolação e por escoamento superficial sejam minimizadas.
Atualmente, a irrigação localizada vem sendo utilizada em grande escala, em razão das vantagens que o próprio método apresenta, como aumento da eficiência do uso da água e nutrientes, além de maior economia de mão-de-obra, água e energia, pois, molha somente parte da superfície do solo. Os sistemas de irrigação por gotejamento e microaspersão são os mais difundidos, sendo, o primeiro o mais antigo no Brasil (1972), e o segundo, o mais recente (1982). Diferem entre si quanto ao sistema de aplicação.
No sistema por gotejamento, os gotejadores normalmente trabalham com pressões de serviço de 10 a 30 mca, cujas vazões variam de e 2 a 16 l.h-1, sendo mais comum na cultura do coqueiro, gotejadores com 4 l.h-1, dependendo do espaçamento entre gotejadores Os gotejadores são mais sensíveis ao entupimento, e proporcionam uma maior concentração do sistema radicular do coqueiro.
No caso da microaspersão no cultivo do coqueiro, os microaspersores normalmente também trabalham com pressões de serviço de 10 a 30 mca, atingindo vazões entre 20 a 100 l.h-1, sendo mais comum microaspersores com 30 a 50 l.h-1. Eles são menos sensíveis ao entupimento quando comparados aos gotejadores.
Na irrigação por gotejamento, deve-se usar no mínimo dois (02) gotejadores por planta, enquanto na irrigação por microaspersão usa-se apenas um (01)microaspersor por cova.
Na opção por microaspersão ou gotejamento, deve-se levar em consideração o tipo de solo, a quantidade e qualidade da água a ser utilizada.
Se a água for escassa, e de baixa qualidade principalmente quanto à salinidade, com possibilidade de promover salinização, e se o solo for de textura média a argilosa deve-se dar preferência ao gotejamento, por proporcionar melhor volume de solo umedecido e menor incidência danosa dos efeitos da salinidade no solo e na cultura.
Nos solos arenosos, a microaspersão seria a mais recomendada, pois propiciará maior volume de solo molhado, neste tipo de solo, pois a água penetra e se move com maior velocidade, sendo necessária uma área de umedecimento maior, beneficiando o sistema radicular do coqueiro.
Nas regiões com pouca possibilidade de salinização e independente do tipo de solo, como é o caso das zonas litorâneas, cerrados, etc, o mais recomendado seria a microaspersão. Deve-se levar em consideração no momento de optar por um ou outro sistema localizado, a qualidade da água de irrigação. Água com alto teor de sais e matéria orgânica, pode ao longo do tempo promover obstruções nos gotejadores ou microaspersores.
Aspersão convencional
Neste método a água é aplicada na forma de chuva artificial com fracionamento do jato d’água, originando gotas que espalham pelo ar e atingem o solo. É um sistema pressurizado e sua distribuição envolve tubulações com derivações que conduzem a água até os aspersores que direcionam o jato e auxiliam seu fracionamento. os sistemas de irrigação por aspersão convencional é bastante utilizado, sendo que no extremo sul da Bahia estão usando, canhões e autropopelidos em pomares novos em formação e início de produção.
A irrigação por superfície através de sulcos, respectivamente, na ordem de maior adequação à cultura e economia d'água.
Este sistema consiste na distribuição de água às áreas irrigadas utilizando a própria superfície do solo para escoamento gravitacional, durante o tempo necessário para que a água, infiltrada ao longo do sulco, seja suficiente para umedecer o solo da zona radicular efetiva da cultura.
Este sistema prevalece em quase todas as áreas de agricultura irrigada do mundo e também no Brasil, tendo sido o primeiro sistema de irrigação usado na cultura do coqueiro.
Para a cultura do coqueiro, geralmente utiliza-se um (01) a dois (02) sulcos por fileira de planta, o que resulta no molhamento de 30 a 80% da superfície total da área irrigada, diminuindo assim as perdas por evaporação, permitindo ainda realizar os tratos culturais e colheita durante e após a irrigação. Quanto a forma geométrica, a mais comum é “V”, com 15 a 20 cm de profundidade e 25 a 30 cm de largura, na parte superior, que normalmente conduz uma vazão inferior a 2 l/s.
Este sistema de irrigação é comum na região de Souza-PB, Juazeiro-BA, Petrolina-PE, Pentecoste e Lima Campos-CE, em áreas de pequenos produtores localizadas em perímetros irrigados.

Métodos

A cultura do coqueiro adapta-se bem a diversos métodos e sistemas de irrigação. Assim, podem ser utilizados os seguintes métodos e sistemas: 1) irrigação por superfície, sendo os sistemas por inundação e sulcos as formas mais utilizadas; 2) irrigação por aspersão, pelos sistemas de aspersores convencionais, canhões e autopropelidos; e 3) irrigação localizada, por meio dos sistemas de gotejamento superficial e subterrâneo (enterrado) e de microaspersão.
Diante da atual necessidade de racionalização e uso eficiente de água e energia, recomenda-se utilizar o método de irrigação localizada ou microirrigação, visto que ele permite a aplicação da água em pequenas quantidades e com alta frequência (turno de rega geralmente diário), em apenas uma porção do volume do solo, o que proporciona menor consumo de água e energia, e maior eficiência de irrigação em comparação aos demais métodos. Além disso, a preferência pelos sistemas de microaspersão e gotejamento se dá em virtude da redução de custos com mão-de-obra, da maior eficiência na aplicação de água e fertilizantes (fertirrigação) e da facilidade de automação do sistema, possibilitando a irrigação noturna, cuja tarifa de energia é reduzida.
Na microaspersão, utiliza-se, normalmente, um ou dois microaspersores por planta, com vazões que variam de 30 a 70 L/h, enquanto no gotejamento, quatro a oito gotejadores por planta adulta (com vazão do emissor variando de 1 a 8 L/h), dispostos em faixa contínua ou em círculo ao redor da planta.
Para solos arenosos, o uso da microaspersão é mais recomendado, visto que, com um único microaspersor, em vez de vários gotejadores, consegue-se uma área de solo molhada maior, o que proporciona melhor distribuição das raízes no perfil do solo. Teoricamente, ao se utilizar apenas um microaspersor por planta, a operação do sistema é facilitada e o gasto com investimento, reduzido. Entretanto, sempre que for conveniente e viável economicamente, sugere-se utilizar dois microaspersores por planta, com objetivo de aumentar a eficiência de aplicação ou distribuição de água.
Os microaspersores, geralmente, apresentam um raio de distribuição de água que varia de 2,4 m a 3,5 m. Alguns modelos de microaspersores vêm de fábrica com estruturas, chamadas defletores, que direcionam a aplicação da água, reduzindo seu raio de alcance para em torno de 1,0 m. Isso é útil nos primeiros anos de desenvolvimento da planta. Com o desenvolvimento da cultura, o defletor deve ser removido para que o microaspersor funcione com seu padrão de distribuição de água normal.
Em condições de alta frequência de irrigação, as perdas de água por evaporação na superfície do solo podem ser altas; por isso, se deve ajustar a área molhada pelos microaspersores de acordo com a idade da planta e o desenvolvimento do seu sistema radicular, objetivando a economia de água na irrigação, conforme a Figura 1. Na fase jovem do coqueiro, o uso do microaspersor com diâmetro molhado ajustado ao tamanho do sistema radicular da cultura permite reduzir o consumo de água em até 80%. Já na fase de produção, a porcentagem da superfície do solo molhada pelo microaspersor deve ser em torno de 40% a 60%, o que pode ser obtido com o uso de microaspersores com diâmetro molhado de 5,0 a 6,0 m.

Figura 1. Recomendação de diâmetro molhado na irrigação por microaspersão em função da idade das plantas de coqueiro-anão.
Fonte: Adaptado de Miranda e Gomes (2006).
Em regiões em que a água é escassa ou salina, sobretudo se o solo for de textura franca (média) a argilosa, recomenda-se optar por um sistema de gotejamento, quer seja superficial ou subterrâneo. Pois, no gotejamento, a água é aplicada de forma pontual e molha apenas uma pequena área da superfície do solo, reduzindo as perdas de água por evaporação e, no período seco do ano, o crescimento de plantas invasoras. Esse sistema permite manter um determinado volume do solo continuamente umedecido, tanto espacial quanto temporalmente. Isso contribui para reduzir os efeitos prejudiciais da salinidade nas propriedades físicas e químicas do solo e no crescimento e produção da cultura. Nesse sistema de irrigação, a eficiência de aplicação da água normalmente é superior à dos demais. Contudo, ele costuma apresentar mais problemas de entupimento dos emissores (gotejadores), o que exige um sistema de filtragem da água mais eficiente. Além disso, a aplicação da água num volume restrito do solo, característica do método, restringe o desenvolvimento do sistema radicular, tornando as plantas mais suscetíveis ao estresse em situações de deficiência hídrica, causadas por quebra de equipamento, interrupção no fornecimento de água, entre outras. Assim, para aumentar a eficiência de distribuição de água, recomenda-se utilizar o anel auxiliar, também conhecido como rabo de porco ou rabicho, que é um pedaço de mangueira conectado à tubulação da linha lateral, formando um círculo em torno do caule da planta, no qual são distribuídos os emissores ou gotejadores (Figura 2).

Figura 2. Exemplo de instalação dos gotejadores em forma de “anel auxiliar” ou “rabo de porco” para plantas adultas de coqueiro.
Fonte: Adaptado de Nogueira et al. (1997).
O sistema de gotejamento subterrâneo, além de utilizar todos os recursos da irrigação localizada, apresenta ainda as seguintes vantagens comparativas: menor perda de água por evaporação, maior eficiência no uso de água e nutrientes, menor incidência de doenças e plantas invasoras, maior durabilidade dos materiais (tubulações), menor suscetibilidade aos danos físicos causados por tratos culturais, e possibilidade de mecanização de 100% da área e uso de águas residuárias. Contudo, é um sistema de mais difícil manutenção, por não se poder acompanhar visualmente e testar o funcionamento dos emissores que se encontram enterrados. É potencialmente suscetível ao acúmulo de sais, na camada compreendida entre a superfície do solo e a região acima da linha lateral, bem como à intrusão ou penetração de raízes nos gotejadores provocando obstrução ou entupimentos destes.
Para prevenir os problemas de entupimento dos emissores, provocados tanto pela penetração de raízes quanto por qualquer outro material orgânico que se deposite em seus orifícios, recomenda-se evitar aplicar volumes de água muito pequenos e operar o sistema a baixas pressões (menos de 55 kPa ≈ 0,55 atm). A obstrução por intrusão de raízes também pode ser contornada aplicando-se 0,13 mL de Trifluralina por gotejador, duas a três vezes por ano, em solos argilosos, e três a quatro vezes, em solos arenosos. A Trifluralina (nome comercial do produto PREMERLIM 600 CE) é um herbicida seletivo de pré-emergência, apresentado em forma líquida e como concentrado emulsionável, que possui translocação insignificante no solo, sendo fortemente adsorvido pelos coloides da matéria orgânica, mas pouco pelos de argila. O mecanismo de ação da Trifluralina ocorre por meio da inibição da divisão celular nos tecidos meristemáticos da planta, inibindo a formação de novas células na radícula.

Necessidade de água da cultura

Um suprimento de água adequado constitui a principal exigência para o cultivo do coqueiro, visto que esta cultura apresenta crescimento e produção contínuos, com frutos em vários estágios de desenvolvimento numa mesma planta. O coqueiro se desenvolve melhor quando o solo apresenta disponibilidade de água em torno da capacidade de campo, ou seja, sem exigir grandes esforços energéticos da planta para a absorção de água e nutrientes. Para tanto, faz-se necessário fornecer água ou complementar as necessidades hídricas da planta por meio da irrigação.
No Brasil, a maior parte dos plantios irrigados de coqueiro é da variedade Anã, que é mais exigente em água e é menos resistente à seca do que a Gigante. Isso porque o coqueiro-anão, por apresentar alta taxa de transpiração, consome mais água que o coqueiro-gigante e, nas mesmas condições de solo e clima, apresenta mais cedo os efeitos do estresse hídrico.
A quantidade de água requerida pelo coqueiro depende de vários fatores, tais como: solo (tipo, textura, teor de umidade, fertilidade), clima (radiação solar, temperatura, umidade relativa do ar e velocidade do vento), cultura (cultivar, idade, altura, área foliar e estado nutricional da planta) e manejo cultural (uso de quebra ventos e cobertura morta, controle fitossanitário e de plantas invasoras, fertilização, método e/ou sistema de irrigação utilizado, frequência e tempo de aplicação de água).
Em geral, as cultivares da variedade de coqueiro-gigante são mais tolerantes à seca do que as híbridas. Estas, por sua vez, são mais tolerantes ao déficit hídrico do que as da variedade Anã. Entre as três cultivares Anãs existentes (verde, vermelho e amarelo), a verde é mais tolerante às condições adversas do ambiente, e a amarela, mais suscetível. Sob condições regulares de suprimento de água, as cultivares híbridas apresentam maior produtividade do que as cultivares das variedades Gigante; mas, durante seca prolongada, as híbridas podem sofrer muito mais, resultando em sérias perdas de produtividade por um ou dois anos.
Para o cálculo da evapotranspiração da cultura (ETc) do coqueiro-anão irrigado por microaspersão ou gotejamento, podem ser utilizados os valores de coeficiente de cultura (Kc) apresentados na Tabela 1, os quais foram obtidos e ajustados para as condições edafoclimáticas da região litorânea do Ceará.
O manejo ou controle da irrigação é um dos fatores indispensáveis na otimização do uso da água. Contudo, para que o manejo da irrigação se proceda dentro de um critério racional, é necessário ter controle sobre a umidade do solo para se determinar, adequadamente, o momento da irrigação e a quantidade de água a ser aplicada. Logo, precisa-se ter conhecimento prévio de um conjunto de informações relacionadas não só à planta, como também ao solo e ao clima.
O conhecimento da profundidade efetiva do sistema radicular da cultura, onde se encontram 80% das raízes, é de grande importância para o manejo da irrigação. A distribuição do sistema radicular do coqueiro é influenciada, principalmente, pelo tipo de solo (presença de camadas adensadas ou coesas no perfil), condições de umidade (deficiência hídrica ou alta frequência de irrigação), práticas culturais (utilização ou não de cobertura morta) e diferenças entre variedades. No caso do coqueiro-anão irrigado, desde o primeiro ano de cultivo até a idade adulta, mais de 80% das raízes absorventes concentram-se numa profundidade de até 0,6 m.
A resposta da cultura tanto às condições de umidade do solo quanto à demanda evapotranspirativa imposta pela atmosfera consiste nas informações básicas necessárias para se realizar o manejo adequado da irrigação; ou seja, definir de forma mais precisa possível o “quando” e o “quanto” irrigar. Em princípio, a irrigação deve ser sempre realizada no momento em que a tensão de retenção da água pelo solo atinja uma determinada faixa ou valor limite, a partir do qual a absorção de água pela planta seja comprometida, causando déficit hídrico capaz de afetar seu desenvolvimento e produtividade. Com essa finalidade, vários métodos foram desenvolvidos para o manejo da irrigação, sendo uns baseados na umidade do solo e outros nas características climáticas da região. Os mais comumente usados são os que se baseiam no cálculo do turno de rega, no balanço de água no solo e na tensão da água no solo. Entre esses métodos, o que se baseia no controle da tensão da água no solo é o mais racional. Com ele, determina-se tanto o momento exato de reiniciar a irrigação (quando) como a quantidade de água a ser aplicada (quanto).
Assim, o volume de água aplicado por irrigação deve ser ajustado periodicamente, de acordo com a tensão da água no solo, e monitorado diariamente. No caso do coqueiro-anão, os valores máximos toleráveis de tensão da água no solo entre uma irrigação e outra, nas profundidades de 25 cm e 50 cm, devem estar na faixa de 10 a 25 kPa, para solos arenosos, de 25 a 40 kPa, para solos de textura média, e de 40 a 55 kPa, para solos argilosos. Portanto, o monitoramento da umidade do solo é essencial na orientação dos ajustes necessários a essas faixas de tensão e à quantidade de água a ser aplicada nas condições locais, melhorando-se, assim, a precisão do manejo da irrigação.
Para isso, podem ser utilizados equipamentos como tensiômetros. Devem ser instaladas pelo menos três baterias de tensiômetros em locais diferentes, por área homogênea de solo e de idade das plantas. Cada bateria é composta por dois ou três tensiômetros, instalados nas profundidades de 25 cm, 50 cm ou 75 cm, a uma distância de 0,60 m até 1,20 m do caule, de acordo com a idade da planta e com o raio de ação do emissor. As leituras devem ser realizadas, preferencialmente, pela manhã. Leituras acima da faixa ideal indicam que a quantidade de água aplicada deve ser aumentada e/ou as irrigações devem ser mais frequentes. Já leituras mais baixas que os valores mínimos recomendados indicam necessidade de se diminuir a quantidade de água aplicada.

Frequência de irrigação

Para que não se ultrapasse o valor máximo da tensão de água no solo permitido para a cultura antes de cada irrigação, deve-se irrigar com certa frequência média, a qual irá depender de diversos fatores relacionados ao sistema solo-água-planta-atmosfera.
Na irrigação localizada, a variação no teor de água na zona radicular deve ser mínima. Assim, para manter a umidade do volume de solo molhado próxima à capacidade de campo, geralmente adota-se uma frequência de irrigação ou turno de rega diário. Mas, em solos com baixa capacidade de retenção de água (areias quartzosas e areia-franca), pode haver necessidade de mais de uma aplicação de água por dia, para evitar perdas de água por percolação profunda (infiltração da água para camadas do solo além da zona radicular) e de nutrientes por lixiviação (lavagem de sais do perfil do solo pela água percolada ou de drenagem). Já em solos muito argilosos com grande capacidade de retenção de água, o turno de rega pode ser maior, 3 a 5 dias.

Quantidade de água a ser aplicada

Na Tabela 2, são apresentadas estimativas da quantidade de água a ser aplicada na cultura do coqueiro-anão ou híbrido por meio de sistemas de irrigação localizada, em que a estimativa da necessidade hídrica da cultura (ETc) foi obtida, considerando-se: a evapotranspiração de referência (ETo) média diária de 5 mm/dia, o coeficiente de cultura (Kc) variando de 0,65 a 1,00, conforme Tabela 1, o coeficiente de localização (Kl), a irrigação com água de boa qualidade, o espaçamento de 7,5 m x 7,5 m x 7,5 m em triângulo (Ap = 48,8 m2/planta) e a eficiência do sistema de irrigação localizada de 90%. Esses valores de quantidade de água necessária (ETc = ETo x Kc x Kl x Ap) devem ser ajustados para cada local, mês do ano e condições de cultivo específicas.
Tabela 2. Estimativa da quantidade de água necessária e de água a ser aplicada na irrigação localizada do coqueiro.
Idade da planta
Quantidade de água (L/planta/dia)
Lâmina líquida necessária (Ll)
Lâmina bruta (Lb, eficiência de 90%)
1 ano
19
21
2 anos
60
67
3 anos
144
160
4 anos
215
239
5 anos em diante
229
255
Fonte: Adaptado de Nogueira et al. (1997).
O coeficiente de localização (Kl) é calculado em função da porcentagem de área sombreada ou cobertura do solo (As), pela equação Kl = As / 0,85 (KELLER e KARMELI (1975), citados por MIRANDA e GOMES (2006)), apresentando uma relação direta com a redução da evaporação na superfície do solo em virtude da cobertura deste pelas copas das plantas, bem como com a necessidade hídrica da cultura; ou seja, à medida que aumenta o coeficiente de localização, aumenta linearmente o volume ou a quantidade de água necessária a ser aplicada à planta. Os valores de porcentagem de área sombreada (As) adotados para o 1º, 2º, 3º, 4º e 5º ano em diante foram, respectivamente, 10%, 25%, 50%, 75% e 80%, conforme Miranda e Gomes (2006).
A estimativa da quantidade de água necessária para a cultura também pode ser feita por meio do emprego do método do tanque Classe A, que é de fácil utilização e apresenta boa precisão. Para tanto, deve-se multiplicar a medida da evaporação (Ev), obtida a partir das leituras feitas no tanque, por um fator de correção (Kp), que, na falta de dados locais, pode ser assumido como sendo igual a 0,60, para regiões úmidas, e a 0,85, para regiões semiáridas, obtendo-se a evapotranspiração de referência (ETo = Ev x Kp, em mm/dia). Em seguida, multiplica-se o resultado (ETo) pelo Kc (ver Tabela 1) para se obter a evapotranspiração da cultura (ETc, em mm/dia), ou seja: ETc = ETo x Kc.
Outra maneira prática e economicamente viável de se calcular a quantidade de água necessária é por meio da utilização do tensiômetro. Na Figura 3, pode-se visualizar uma bateria de três tensiômetros com vacuômetro que, além da escala com valor numérico da tensão, apresenta uma escala com faixas em cores, a qual facilita a interpretação do estado de umidade do solo por parte do produtor irrigante. Para utilização desse método, faz-se necessário obter a curva de retenção de umidade do solo. Essa curva é obtida em laboratório, a partir de uma amostra do solo da área a ser irrigada, e dela se obtêm os dados ou informações necessárias para determinar quando e quanto irrigar. Na Tabela 3, são apresentados níveis de umidade do solo na capacidade de campo e críticos, obtidos de curvas de retenção de solos com diferentes texturas.

Foto: Ronaldo Souza Resende

Figura 3. Bateria de tensiômetros com vacuômetro (A) e detalhe que mostra, além da escala com valor numérico da tensão, uma escala com faixas em cores (B).

A seguir, demonstra-se por meio de exemplo como se calcular a quantidade de água a ser aplicada na irrigação do coqueiro, quando se utiliza o tensiômetro com vacuômetro com escala em faixas, para o caso de um solo de textura areno-argilosa. Inicialmente, deve-se determinar a umidade do solo quando ele se encontra com seu armazenamento de água na sua capacidade máxima; essa umidade, chamada capacidade de campo, é aquela em que a água está retida no solo a uma tensão de 10 kPa, para solos arenosos, ou 33 kPa para solos de textura média a argilosa. Da mesma forma, levando em conta os níveis de tensão da água máximos permitidos entre uma irrigação e outra, já mencionados anteriormente, define-se a umidade para esse valor de tensão, a qual é a chamada de umidade crítica aquele tipo de solo. Com base na Tabela 3, têm-se:
  • Ucc (10 kPa) = 0,110 m³/m³;       
  • Ucrítica (30 kPa) = 0,095 m³/m³.
A diferença entre esses dois valores (ΔU = Ucc - Ucrítica) representa a quantidade de água que se deve repor ao solo, por meio da irrigação, que é igual a ΔU = 0,015 m³/m³.
Considerando uma planta adulta com 5,5 m de diâmetro da copa (Dc), obtém-se uma área por planta (Ap = p x Dc2 / 4) ) de aproximadamente 23,76 m2. Para uma profundidade do sistema radicular (p) igual a 0,60 m, o volume de solo (Vs) a ser umedecido por planta será (Vs = Ap x p):
  • Vs = 23,76 m² x 0,60 m = 14,26 m³.
Assim, o volume líquido (Ll) que deve ser aplicado na irrigação para retornar o solo da unidade crítica à capacidade de campo será:
  • Ll = 14,26 m³ de solo x 0,015 m³/m³ = 0,214 m³ = 214 L por planta por dia.
Levando-se em consideração um sistema de irrigação por microaspersão com uma uniformidade aplicação de 90%, tem-se que o volume bruto (Lb) será:
  • Lb = 214 L / 0,9 = 238 L por planta por dia.
Verifica-se que os valores dos volumes de água líquido e bruto obtidos são semelhantes respectivamente às estimativas das lâminas líquida (215 L planta-1 dia-1) e bruta (239 L planta-1 dia-1) calculadas para uma planta de coqueiro com quatro anos de idade, conforme apresentado na Tabela 2.