sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Manejo de Plantas Daninhas na Banana



Manejo de plantas infestantes
A bananeira é uma planta muito sensível à competição por plantas infestantes pelos fatores de produção como nutrientes e, principalmente, por água, resultando na redução do vigor e queda da produção.

Num programa de controle do mato na cultura da bananeira, é importante considerar seu sistema radicular superficial, portanto, sujeito a danos pelas capinas mecânicas.

Nas áreas com declives acentuados, exige-se um manejo adequado das plantas infestantes, assim como das coberturas vegetais, como práticas conservacionistas.

Outro aspecto a ser considerado na convivência do mato com a cultura da banana, sem prejuízo na produção, é quanto ao enfoque conservacionista, pela redução significativa que a cobertura do solo causa nas perdas de solo e água por escoamento, nas áreas declivosas, além de servir como fonte de alimento e abrigo de inimigos naturais de pragas.

Matocompetição na cultura da banana
A bananeira é muito sensível à competição por plantas infestantes pelos fatores de produção no período de formação do bananal, exigindo limpas mensais, por proporcionarem crescimento mais rápido da planta e produção mais elevada. Avaliando-se o efeito das plantas infestantes sobre o peso do cacho da cultivar Prata em áreas declivosas do Estado do Espírito Santo, foi observado, na planta mãe, que o peso do cacho foi prejudicado quando a primeira capina foi realizada após 30 dias do plantio, tendo sido atribuído à competição por nutrientes a principal causa da queda do peso do cacho.

Apesar da necessidade de limpas constantes, os primeiros cinco meses após o plantio são os mais importantes para a cultura, requerendo nesse período a realização de cinco a seis capinas. Após esse período, a cultura é menos sensível à competição do mato.

Nesse período, o controle das plantas infestantes deve ser realizado adequadamente, para que o crescimento das bananeiras não seja afetado, já que sua recuperação é excessivamente lenta. Com esse conhecimento, as plantas infestantes podem ser manejadas permitindo que sejam utilizadas como fonte de alimento e como abrigo de inimigos naturais de pragas, favorecendo o manejo ecológico do bananal. Mesmo assim, não deve ser descartada a possibilidade de algumas plantas infestantes servirem, também, de hospedeiras de nematoides e agentes causais de doenças como a virose (CMV), sendo necessário eliminá-las, para evitar a convivência com a cultura da banana.

Métodos de controle
Capina
O controle de plantas infestantes com enxada, utilizado pelos pequenos agricultores, deve ser realizado com critério para evitar danos ao sistema radicular superficial da bananeira, evitando, também, a penetração de patógenos de solo nos ferimentos causados às raízes.

Esse método de controle tem um efeito muito curto, com o rápido restabelecimento do mato nos períodos chuvosos, além do baixo rendimento e dos custos elevados, sendo necessário, em média, 15 homens por dia para capinar um hectare de um bananal com densidade de 1.300 touceiras. Dessa forma, a capina manual é impraticável nos grandes cultivos de bananas e plátanos.

Vale lembrar que é proibido capinar a área total do bananal, devendo ser realizado o manejo integrado da vegetação espontânea.

Controle mecânico
Após os primeiros cinco meses da instalação, o uso da roçadeira manual é um método viável, apresentando grande rendimento de trabalho, sem as limitações da capina manual. Outra vantagem dessa prática cultural é a manutenção da integridade do solo, pois evita sua manipulação e a propensão a doenças altamente destrutivas, como o mal-de-panamá. O rendimento pode ser ainda maior com a utilização da roçadeira motomecanizada.

Controle químico
O uso de herbicidas na fase inicial do bananal não é recomendável, pois as plantas ainda pequenas ficam muito sujeitas à deriva destes produtos e são prejudicadas ou mortas mesmo por pequenas quantidades do produto.

O uso de herbicidas deve ser minimizado no ciclo agrícola para evitar resíduos e garantir a biodiversidade. Além disso, deve ser utilizado somente quando outros métodos não forem possíveis, e recomenda-se, no máximo, duas aplicações anuais.

São apresentados na Tabela 1 os herbicidas registrados para a cultura da banana no Brasil. Observa-se que há herbicida pré-emergente ou residual, que é aplicado ao solo logo após o plantio do bananal e antes da emergência das plantas infestantes para inibir sua emergência; e os pós-emergentes (de contato e sistêmicos) para o controle do mato já desenvolvido, provocando sua morte. A escolha do herbicida a ser utilizado vai depender da composição matoflorística presente na área.

Tabela 1. Herbicidas registrados para a cultura da banana no Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) - Agrofit.
Herbicida / Marca
Dose (L ou kg/ha do produto comercial)
Modo de aplicação
Credit
0,5 – 6,0
Pós (Jato dirigido)
Direct
0,5 – 3,5
Pós (Jato dirigido)
Diuron Nortox
1,5 – 6,0
Pré-emergência e pós-inicial das infestantes com jato dirigido
Finale
2,0
Pós (Jato dirigido)
Glifosato Nortox
1,0 – 6,0
Pós (Jato dirigido)
Gli-up 720 WG
1,0 – 7,0
Pós (Jato dirigido)
Gramocil
2,0
Pós (Jato dirigido)
Gramoxone 200
1,5 – 3,0
Pós (Jato dirigido)
Helmoxone
1,5 – 2,0
Pós (Jato dirigido)
Laredo
1,5 – 2,0
Pós (Jato dirigido)
Liberty BCS
2,0
Pós (Jato dirigido)
Maxizato
0,5 – 3,5
Pós (Jato dirigido)
Paradox
1,5 – 3,0
Pós (Jato dirigido)
Preciso
0,5 – 3,5
Pós (Jato dirigido)
Orbit
1,5 – 2,0
Pós (Jato dirigido)
Roundup original
0,5 – 6,0
Pós (Jato dirigido)
Roundup Transorb
0,75 – 4,5
Pós (Jato dirigido)
Roundup WG
0,5 – 3,5
Pós (Jato dirigido)
Tradicional
0,5 – 5,0
Pós (Jato dirigido)


Em virtude da facilidade de manuseio, do menor impacto ambiental e da formação de uma cobertura morta, que possibilita a conservação da umidade do solo por um período mais longo, recomenda-se o uso de herbicidas pós-emergentes sistêmicos, por apresentarem custo de controle muito menor que as capinas manuais.

Controle integrado com manejo de coberturas vegetais
Controle integrado é definido como a combinação de métodos que, de forma eficiente, promovem o controle de plantas infestantes na bananicultura, reduzindo custos e uso de herbicidas, possibilitam um manejo ambientalmente correto do bananal pela melhoria e preservação dos recursos naturais como solo e água, proporcionando, dessa forma, maior competitividade e sustentabilidade ao produtor.

Em bananais novos, recomenda-se fazer o coroamento das plantas, com capinas ou roçadas rente ao solo, com foice ou roçadeira motorizada. Outra opção é o uso de cobertura morta de capim seco, serragem ou outro material disponível, num raio mínimo de meio metro em volta das plantas. No restante da área, recomenda-se a roçada manual ou mecânica.

Ressalta-se, contudo, duas alternativas de controle integrado viáveis a qualquer extensão do cultivo, sendo a primeira a integração do método mecânico com o químico, pela aplicação de herbicidas pós-emergentes no espaço estreito (linhas da cultura) e no espaço largo (entrelinhas) o uso de roçadeira para o controle da vegetação espontânea num nível baixo em determinadas épocas do ano, minimizando a concorrência por água.

Uma segunda alternativa para o primeiro ano de instalação do bananal sem irrigação é o plantio de feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) no espaço largo, plantado no início das chuvas e ceifado (em qualquer fase de desenvolvimento) na estação seca (para evitar a competição por água com a bananeira), e deixado na superfície do solo. Nas linhas da cultura, o uso de herbicidas pós-emergentes para o controle do mato e formação de cobertura morta.

Genericamente, as plantas de cobertura e melhoradoras do solo são chamadas, também, de adubos verdes. De qualquer maneira, são plantas cultivadas para proteção do solo contra a ação da chuva, dos ventos e do sol que resultam em melhorias nos atributos físicos, químicos e biológicos do solo.

As leguminosas destacam-se entre as espécies vegetais que podem ser utilizadas como plantas melhoradoras do solo, pois apresentam raízes geralmente bem ramificadas e profundas, que atuam estabilizando a estrutura do solo e reciclando nutrientes. Entre as leguminosas, estão o feijão-de-porco, o guandu, as crotalárias, o caupi, a pueraria, a mucuna preta, o amendoim forrageiro, a ervilhaca comum entre outras.

Contudo, para a bananeira, tão importantes quanto as leguminosas são as não leguminosas (introduzidas ou nativas), especialmente aquelas que apresentam capacidade de vegetar no ambiente sombreado dos bananais. Isso porque a presença de raízes de outras espécies é muito importante para reduzir a pressão dos patógenos (nematoides e fungos) sobre as raízes da bananeira. Dentre as não leguminosas implantadas, as que melhor vegetam sob o bananal são o sorgo e o milheto. A grande vantagem de se manter o solo permanentemente coberto com espécies vegetais é, justamente, o controle da erosão.

A utilização de coberturas mortas como um método integrado de controle do mato, utilizando o capim picado, bagaço de cana e outros, apesar de elevar a produtividade, tem um custo elevado, seja na produção do material a ser usado como cobertura, seja para transportá-lo, não se caracterizando como prática viável em grandes bananais, ficando sua aplicação restrita a cultivos em pequenas áreas.





domingo, 14 de outubro de 2018

Irrigação e Tratos Culturais na Bananeira



Irrigação

Métodos

Nas condições semiáridas do Submédio São Francisco, os métodos pressurizados aspersão, microaspersão, miniaspersão e gotejamento são os mais recomendados.

O método da aspersão é o que molha completamente todo o solo (área molhada de 100%), e, quando usado, os aspersores devem ficar a 1 m do solo, com ângulo de inclinação no máximo de 7 graus.

No caso da microaspersão, utilizar um microaspersor de vazão superior a 45 L/h, para quatro plantas, preferencialmente dispostas em fileiras duplas.

No caso do gotejamento, deve-se utilizar pelo menos dois gotejadores por planta, preferencialmente em faixa continua. É o sistema de menor área molhada, dificulta a mineralização da matéria orgânica por não molhar a superfície do solo e requer fertirrigação, podendo, portanto, não ter o resultado dos sistemas anteriores.

Quantidade de água necessária
A demanda de água pela bananeira em seu primeiro ciclo inicia-se com 45% da evapotranspiração potencial nos primeiros 70 dias, elevando-se para 85% da evapotranspiração potencial aos 210 dias (fase de formação dos frutos), atingindo um máximo de 110% da evapotranspiração potencial aos 300 dias.

Tabela 1. Sugestões para aplicação de água em litros por planta, por dia, para condições semiáridas.

Meses após o plantio
Meses do ano
1 - 2 mês
5 - 8 mês
9 - 12 mês
----------------------------------- L/planta/dia -----------------------------------
Janeiro - abril
13
25
36
Maio - julho
10
20
28
Agosto - setembro
11
22
30
Outubro - dezembro
16
30
42
A Tabela 1 sugere volumes de água a serem aplicados conforme o estádio da planta e o período do ano. Esses valores devem servir de base para irrigação, mas devem ser ajustados localmente conforme a necessidade.

Manejo da irrigação
Os níveis de tensão de água do solo recomendados para a bananeira situam-se entre 0,25 atm a 0,45 atm, para camadas superficiais do solo (até 0,25 m), e entre 0,35 atm até 0,50 atm, para profundidade próxima de 0,40 m. Caso se decida pelo uso de tensiômetros para monitorar a disponibilidade de água no solo, recomenda-se instalá-los em quatro baterias por hectare, sendo cada bateria composta por dois tensiômetros à profundidade entre 0,20 m e 0,40 m e distância de 0,30 a 0,40 m da planta em direção ao microaspersor.

Em se utilizando a evaporação do tanque classe A para estimar a demanda de água pela bananeira, deve-se multiplicar a leitura do tanque por 0,85 a 1,0 para as condições do Submédio São Francisco.

Frequência de irrigação
A irrigação por aspersão em solos franco-arenosos e arenosos pode ser feita em intervalos máximos de cinco dias em regiões semiáridas, podendo-se estender para sete dias em caso de solos argilosos.

A irrigação localizada deve ser feita em intervalo de um dia, e pelo menos duas vezes por dia em solos arenosos (areia franca e areia).

Tratos culturais

A realização das práticas culturais de forma correta e na época adequada é de fundamental importância para o bom desenvolvimento e produção da bananeira. As principais práticas no cultivo da bananeira são:

Desbaste
Esta prática consiste na seleção de um dos filhos na touceira, eliminando-se os demais. Os filhos podem começar a surgir a partir dos 45 a 60 dias após o plantio. Selecionar, preferencialmente, brotos profundos, vigorosos e separados 15 a 20 cm da planta mãe. Deve-se desbastar as touceiras, mantendo uma população de plantas que permita uma boa produtividade, qualidade e que favoreça o controle de pragas.

Em cada ciclo de produção do bananal estabelecido em espaçamentos convencionais, deve-se conduzir a touceira com mãe e um filho. A seleção do neto deve ocorrer quando a planta-mãe está para ser colhida. Recomenda-se manter uma planta de cada geração por touceira.

O desbaste é feito cortando-se a planta, filho ou neto, rente ao solo. Em seguida extrai-se a gema apical com auxílio da ferramenta denominada "lurdinha", ou pode-se ainda optar pelo simples corte das brotações, que, neste caso, teriam que ser realizadas três a quatro vezes, para impedir o crescimento. Em áreas de ocorrência de bacterioses, fazer a devida desinfecção das ferramentas.

Desfolha
Consiste em eliminar as folhas secas, partes de folhas doentes, folhas totalmente amarelas e folhas que deformem ou causem danos aos frutos. As operações devem ser realizadas eliminando folhas com cortes de baixo para cima, rente ao pseudocaule, evitando o esfacelamento da bainha.

Eliminação da ráquis masculina ("coração")
A eliminação do coração da bananeira proporciona aumento do peso do cacho, melhora a sua qualidade e acelera a maturação dos frutos; reduz os danos por tombamento das bananeiras, além de ser uma prática fitossanitária no controle do tripes e do moko.

A eliminação da ráquis masculina deve ser feita logo após a abertura da última penca, quando houver 10 a 20 cm de raque, mediante a sua quebra ou corte e, em seguida, a mesma deve ser fracionada, acelerando assim a sua decomposição.

Ensacamento do cacho e eliminação da última penca

Ensacamento do cacho e eliminação da última penca é uma prática comum realizada na região do Submédio São Francisco. O uso do saco tem a finalidade de proteger a fruta dos ataques de predadores, tripes, fungos e até mesmo das visitas de insetos como mariposa, traça-das-bananeiras e abelhas arapuás. A prática reduz também o ataque das lesmas, dos pássaros e dos morcegos, principalmente durante o inverno, quando há falta de alimentos para esses animais, que chegam a se alimentar de frutos ainda verdes, bem como evita que as cobras venham a se aninhar nos cachos. Além disso, melhora a aparência e qualidade da fruta, ao reduzir os danos provocados por arranhões e pelas queimaduras no pericarpo, em consequência da fricção de folhas dobradas.

Antes de colocar o saco, eliminam-se os frutos da última penca, deixando-se apenas um fruto na região central dessa penca para facilitar a circulação da seiva (a prática pode ser realizada também se eliminando as duas últimas pencas do cacho). Na mesma ocasião, faz-se também a eliminação dos restos florais para evitar a decomposição das brácteas dentro do cacho. Em seguida, realiza-se o ensacamento utilizando o saco enrolado, evitando-se assim o seu rompimento, desenrolando-o em seguida, cuidadosamente. O saco dever ser amarrado ao engaço, na parte imediatamente acima da primeira cicatriz da bráctea.

Após o uso, são obrigatórios a coleta e o encaminhamento dos sacos para reciclagem.

Escoramento
Pode ser feito utilizando-se escora de madeira (ex: bambu) ou fitas de polipropileno. As fitas podem ser amarradas preferencialmente no engaço, junto à roseta foliar e na base de outra planta que, pela sua localização, confira maior sustentabilidade à planta com cacho. A fita de polipropileno apresenta boa durabilidade (até a colheita do cacho), baixo custo e fácil manejo. Após o uso, as fitas devem ser retiradas da área de cultivo e destinadas à reciclagem.

No Submédio São Francisco não é comum a prática do escoramento. Devido ao custo elevado, o produtor deve optar por cultivares de porte baixo e mais resistentes ao tombamento. Nas cultivares de porte alto como a ‘Pacovan’, o escoramento é oneroso e pouco eficiente.

Corte do pseudocaule após a colheita
Do ponto de vista prático e econômico, o mais aconselhável é o corte do pseudocaule próximo ao solo, imediatamente após a colheita do cacho, pelas seguintes razões: a) evita que o pseudocaule, não cortado, promova a ocorrência de doenças; b) a matéria orgânica adicionada melhora os atributos físicos e químicos do solo, devido à rápida e eficiente incorporação e distribuição da fitomassa da colheita; e c) reduz custos pela realização de um único corte.

No momento de corte do pseudocaule, é indicado proceder à confecção de iscas para o controle do moleque da bananeira. O material não utilizado para as iscas deve ser seccionado e espalhado na área.

Capina
O controle de plantas infestantes será abordado em item específico.




quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Plantio da Banana Irrigada



Tratos culturais inadequados podem provocar baixa produtividade e infestação por doenças e pragas que afetam o desenvolvimento das plantas. A baixa produtividade dos bananais também decorre da falta de planejamento. O produtor precisa saber o tempo certo de plantar, de adubar, fazer o desperfilamento e até mesmo o modo adequado de colher.

Planejamento do bananal

Nesta etapa, o produtor deve prever e analisar alguns aspectos relevantes à sua atividade, como o acesso à propriedade durante o ano todo, o rápido escoamento da produção, a topografia da área de produção, a eficiência dos sistemas de irrigação e/ou drenagem, a qualidade da água e a escolha de cultivares demandadas pelo mercado.
A construção de estradas e carreadores interligando as subáreas de produção possibilita o tráfego de veículos, máquinas e implementos agrícolas que facilitam operações rotineiras como o escoamento da produção, a aplicação de agrotóxicos, a distribuição de fertilizantes e a colheita.

Época de plantio

A importância da época de plantio, quando é conhecido o ciclo vegetativo da cultivar a ser plantada, permite condicionar a colheita para o período de melhor preço do produto no mercado. O ideal é a existência de um calendário que indique as melhores épocas de plantio da bananeira nas diferentes regiões homogêneas produtoras.
O plantio pode ser realizado em qualquer época do ano, uma vez que toda a região do Submédio São Francisco é irrigada. O plantio deve ser escalonado para que haja produção durante todo o ano.

Preparo do solo

O preparo adequado do solo é importante para o bom desenvolvimento das raízes da bananeira, o que facilita a absorção de água e nutrientes e melhora a produção.

Espaçamento e densidade de plantio

Os espaçamentos utilizados para o cultivo da bananeira estão relacionados com o clima, o porte da cultivar, as condições de luminosidade, a fertilidade do solo, a topografia do terreno e o nível tecnológico dos cultivos. Para as condições do Submédio São Francisco, são recomendados os espaçamentos em função da cultivar descritos na tabela 1.
Tabela 1. Espaçamentos e densidade de plantio das cultivares plantadas e recomendadas para a região do Submédio São Francisco.
Cultivar
Espaçamento (m)
Densidade (plantas por hectare)
Prata Anã (AAB) / Fhia-Maravilha / BRS Platina / BRS Princesa / Prata Graúda
Fileira dupla: 4 x 2 x 2 e 4 x 2 x 1,8.
Fileira simples: 3 x 2 e
3 x 1,8.
1.666 a 1851.
Pacovan / BRS Preciosa
Fileira dupla: 4 x 2 x 3 e 4 x 2 x 2,4.
Fileira simples: 3 x 3 e
3 x 2,4.
1.111 a 1.388.

Coveamento e sulcamento
Em áreas não mecanizáveis, as covas são abertas manualmente, com cavador e/ou enxadas, nas dimensões de 30 cm x 30 cm x 30 cm ou 40 cm x 40 cm x 40 cm, de acordo com o tamanho ou peso da muda e a classe do solo. As primeiras destinam-se às mudas cujo peso varia entre 0,5 e 1,0 kg. As últimas, às mudas de 1,0 a 1,5 kg, respectivamente. É muito importante que as mudas ou rizomas sejam uniformes em tamanho e peso.
Os sulcos de plantio podem ser de 30 cm de profundidade.

Plantio e replantio

As mudas micropropagadas, depois de climatizadas por um período de 45 a 60 dias, são levadas para o local de plantio, em época de alta umidade, a fim de facilitar o seu estabelecimento. Devem ser retiradas cuidadosamente do recipiente que as contém, para não danificar as raízes, e distribuídas no centro das covas, sobre a terra misturada, com adubo orgânico e fertilizante fosfatado, fechando-se a cova após o plantio.
O plantio de mudas procedentes de viveiros ou de bananal sadio é feito de acordo com os tipos (chifrinho, chifre e chifrão), e devem ser plantadas nesta ordem, colocando numa mesma área as mudas do mesmo tamanho. Qualquer tipo de muda a ser utilizada no plantio (chifrinho, chifre ou chifrão) deve ter rebaixada a sua parte aérea, deixando, aproximadamente 3 cm de pseudocaule, e, logo após o plantio, coloca-se 3 a 5 cm de terra solta sobre o mesmo, evitando-se que os tecidos sejam danificados pela exposição direta da luz solar.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Produção e obtenção de mudas de Banana Irrigada



Produção e obtenção de mudas

As mudas têm papel fundamental na qualidade fitossanitária do bananal, uma vez que pragas (nematoides e broca-do-rizoma) e doenças (mal-do-panamá, moko, podridão-mole e vírus) podem ser disseminadas pelo uso de mudas contaminadas. Além do aspecto fitossanitário, a precocidade do primeiro ciclo, produção e peso médio do cacho também devem ser considerados em função do tipo da muda. Os principais métodos de obtenção e produção de mudas são a seguir descritos.

Propagação convencional
As bananeiras cultivadas são propagadas por meio de mudas desenvolvidas a partir de gemas do seu caule subterrâneo, o rizoma. O ideal é que as mudas sejam oriundas de viveiros estabelecidos com a finalidade exclusiva de produção de material propagativo de boa qualidade. Os viveiros devem ser implantados no espaçamento de 1,0 x 1,5m e devem ser renovados de quatro em quatro anos.

No caso da inexistência de viveiros, as mudas devem ser obtidas de bananal com plantas bem vigorosas e em ótimas condições fitossanitárias, com idade inferior a quatro anos e que não apresente mistura de cultivares e presença de plantas infestantes de difícil erradicação, a exemplo da tiririca ou dandá (Cyperus rotundus). Para produção de mudas devem ser adotados os seguintes cuidados: 1) utilizar solos que ainda não tenham sido cultivados com bananeiras; 2) usar mudas isentas de pragas e doenças; e 3) fazer desinfecção das ferramentas no viveiro durante os tratos culturais.

As mudas mais adequadas para o plantio são: a) Chifrinho - caracterizada por apresentar altura entre 20 a 30 cm e presença única de folhas lanceoladas; b) Chifre - de 50 a 60 cm de altura e folhas lanceoladas; e c) Chifrão - altura entre 60 e 150 cm, apresentando mistura de folhas lanceoladas com folhas típicas de planta adulta.

Fracionamento de rizoma
É uma técnica de propagação simples e de elevada taxa de multiplicação, indicada para qualquer cultivar de bananeira, consistindo das seguintes etapas: a) arranquio das plantas, preferencialmente com rizoma bem desenvolvido; b) limpeza do rizoma mediante a remoção de raízes e partes necrosadas, c) eliminação de parte das bainhas do pseudocaule, de modo a expor as gemas intumescidas; d) fracionamento do rizoma em tantos pedaços quantas forem as gemas existentes e; e) plantio dos pedaços de rizoma em canteiros devidamente preparados com matéria orgânica.

Recomenda-se que os rizomas tenham peso aproximado de 800 g quando obtidos de plantas que não floresceram, e entre 1200 a 1500 g de plantas já colhidas.

Para o plantio deve-se abrir sulcos com profundidade suficiente para enterrar completamente os pedaços de rizoma, utilizando o espaçamento de cerca de 20 cm entre sulcos por 5 cm entre frações. Durante toda a fase de canteiro deve-se realizar irrigação para manter o solo sempre úmido, assegurando assim índice de pegamento em torno de 70%. Como as gemas apresentam diferentes estádios de desenvolvimento fisiológicos, a transferência das mudas, com todo o sistema radicular, para campo deve ser iniciada a partir do 3º mês.

Micropropagação
A micropropagação, ou propagação in vitro, consiste no cultivo, sob condições assépticas e controladas em laboratório, de segmentos muito pequenos de plantas, os explantes. Por meio dessa técnica obtém-se grande número de mudas idênticas à planta matriz em curto período de tempo. As mudas tipo chifrinho são as indicadas para o cultivo in vitro, mas também podem ser utilizadas gemas laterais de plantas mais desenvolvidas. A planta matriz deve ser vigorosa e livre de patógenos.

As etapas da micropropagação são: a) estabelecimento – redução do tamanho do material de partida (explante), esterilização superficial e introdução in vitro; multiplicação – cultivos sucessivos em meio de cultura contendo regulador de crescimento para estimular a formação de brotações; b) enraizamento e alongamento – individualização dos brotos, crescimento da parte aérea e formação de raízes; e d) aclimatização – adaptação da planta ao ambiente externo ao laboratório.

As mudas de banana micropropagadas, por serem geneticamente uniformes, sadias, vigorosas e por permitirem a aplicação de tratos culturais e colheitas mais homogêneas, são recomendadas para sistemas de produção tecnificados. São ainda mais produtivas e evitam a disseminação de pragas e doenças.

Mudas

A produção comercial de mudas de bananeira é feita a partir dos rebentos que se desenvolvem no caule subterrâneo, chamado rizoma, bem como por meio do corte desse rizoma em pedaços e por micropropagação, que é realizada em laboratório.

As mudas de bananeira devem ser de boa procedência. Para a sua retirada do bananal, devem ser selecionadas touceiras que apresentem melhor vigor vegetativo e que tenham produzido cachos de bom peso e com bananas de bom tamanho. Existem vários tipos de muda, destacando-se as seguintes: chifrinho, chifre, chifrão, muda adulta (Figura 1) e rizoma fracionado. Os diferentes tipos de muda têm uma única origem: são todas provenientes do rizoma e diferenciam-se apenas no que se refere ao desenvolvimento. O rebento com 0,20 m a 0,30 m ou dois a três meses de idade, recebe o nome de chifrinho; passa a denominar-se chifre ao atingir 0,30 m a 0,60 m de altura, ambos possuem folha em forma de lança. Quando o rebento encontra-se mais desenvolvido, com idade aproximada de sete a nove meses (0,60 m a 1,50 m) e apresentando a primeira folha normal, recebe o nome de chifrão. O contínuo desenvolvimento do rebento leva-o ao estágio de muda adulta, ocasião em que está apta a emitir a florescência (futuro cacho).

Foto: Luiz Gonzaga Bione Ferraz
Figura 1. Tipos de muda de bananeira.

Para o arranquio deve ser feita uma vala em torno da muda a ser retirada e separada da planta-mãe usando uma pá reta, fechando-se a vala em seguida. Deve-se ter o cuidado para não retirar mudas em excesso, nem tampouco retirar na época de produção do cacho. A limpeza das mudas deve ser realizada no local de origem, retirando-se todas as raízes e eliminando de forma superficial o tecido escuro que envolve o rizoma da muda, com o uso de uma faca. Essa operação é chamada de descorticamento (Figura 2). Após a limpeza, as mudas que apresentarem galerias provocadas pela broca-da-bananeira ou lesões causadas por nematóides deverão ser descartadas.

Foto: Luiz Gonzaga Bione Ferraz
Figura 2. Limpeza da muda de bananeira.

Foto: Luiz Gonzaga Bione Ferraz
Figura 3. Muda limpa e rebaixada

Na propagação por fracionamento de rizoma, que é usada quando há dificuldade de se obter mudas, selecionam-se plantas que já produziram ou que estejam em floração, e também mudas altas. Em seguida são retirados os rizomas, que após a limpeza são cortados verticalmente em pedaços longitudinais podendo variar entre quatro e oito pedaços, a depender do tamanho do rizoma e da variedade; porém, devem ter um peso mínimo em torno de 1 kg. Após o tratamento preventivo, os pedaços de rizoma necessitarão da “ceva” para cicatrização do corte e desenvolvimento das gemas laterais. A ceva consiste em enterrar os pedaços de rizoma em canteiros especialmente preparados para este fim, nos quais serão abertos sulcos distanciados 20 cm entre si para que o pedaço de rizoma seja colocado levemente inclinado, com o “olho” voltado para baixo e enterrado completamente. Deve-se cobrir o canteiro com plástico ou palhas e periodicamente irrigá-lo para manter o solo sempre úmido. Após 21 dias, realizam-se as primeiras observações e a retirada dos pedaços com gemas laterais inchadas. A segunda retirada deve ser realizada oito dias após a primeira e, daí por diante, semanalmente até a quarta retirada. Os pedaços que até então não brotarem serão descartados, por possuir baixo vigor. Cada retirada irá compor um talhão diferente, para dar maior uniformidade às mudas por ocasião do plantio definitivo.

Atualmente, vem ganhando espaço entre os bananicultores a utilização de mudas propagadas por cultura de tecidos (Figura 4) em laboratórios chamados biofábricas. Essa forma de produzir mudas é chamada micropropagação ou propagação in vitro. São mudas livres de doenças e pragas, o que evita a disseminação desses problemas no campo.

Foto: Luiz Gonzaga Bione Ferraz
Figura 4. Mudas de bananeira micropropagadas.