segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Planejamento da Produção do Morango Orgânico



5 - PLANEJAR A PROPRIEDADE E A PRODUÇÃO

5.1 - O PLANO DE MANEJO DA PRODUÇÃO ORGÂNICA

O Plano de Manejo da Produção Orgânica é um registro obrigatório na produção orgânica e, permitenos ter uma visão da propriedade como um todo, fazer uma reflexão sobre onde vai ser feito o plantio, o tamanho dessa área, planejar as cercas vivas a serem construídas assim como onde os produtos serão vendidos, para quem e em que quantidade!
O Plano de Manejo da Produção Orgânica para produção vegetal deve conter um mapa, croqui ou foto aérea da propriedade identificando as coordenadas norte-sul, as edificações da propriedade, as glebas orgânicas, convencionais e/ou extrativistas, conforme o caso. Deve informar características geográficas importantes, bem como as áreas de preservação permanente, reserva legal e fontes de água identificadas no Cadastro Ambiental Rural –CAR. 
Um cuidado adicional exigido é a identificação dos vizinhos e de seu cultivo de forma a permitir a avaliação de riscos da área orgânica.
Para mais informações, consulte uma empresa Certificadora ou a Organização de Controle Social a qual estiver associado. O site do Ministério de Agricultura (www.agricultura.gov.br) disponibiliza gratuitamente o Caderno do Plano de Manejo Orgânico (link encurtado: ow.ly/LQLK305BEAt), o qual pode ser baixado e multiplicado livremente, desde que não seja para venda ou qualquer outro fim comercial (Figura 1).

Figura 1 -Caderno do Plano de Manejo Orgânico disponível no site do MAPA para ser baixado (Fonte: MAPA).

PLANO DE MANEJO DA PRODUÇÃO ORGÂNICA É OBRIGATÓRIO POR LEI E DEVE CONTER INFORMAÇÕES QUE DEEM UMA VISÃO DA PROPRIEDADE COMO UM TODO.

O Plano de Manejo da Produção Orgânica pode ser elaborado enquanto cresce(m) a(s) espécie(s) plantada(s) na cerca viva e aguardamos o retorno do resultado da análise química do solo enviado para o laboratório, temas que serão abordados mais adiante.

5.2 - DEFINIÇÃO DO TAMANHO DA ÁREA DE PLANTIO

Para definir o tamanho e local da área onde será feito o cultivo do morango orgânico, é necessário fazer uma avaliação criteriosa da capacidade produtiva do empreendimento assim como das vendas a serem realizadas!
Dimensionar o tamanho da área de plantio do morango orgânico, considerando a disponibilidade de mão de obra para cuidar do cultivo também é fundamental. Isso porque praticamente todas as atividades que envolvem a cultura do morango são realizadas manualmente, exigindo o trabalho de pessoas nos tratos culturais, colheita e embalagem.
Ainda há um agravante que deve ser levado em consideração: a colheita exige muito esforço físico por ser realizada com o corpo inclinado, não sendo aconselhado para pessoas que tenham histórico de problemas na coluna.
Estudos da ergonomia desse processo produtivo feitos com agricultores, aliados à carência de recursos humanos na área rural, têm levado alguns agricultores rurais a elevarem a altura dos canteiros, de 30 a 40 cm (Figura 2), para que se tenha uma boa drenagem e minimize o desconforto na operação de colheita.

Figura 2 -Estudos de ergonomia realizados em uma propriedade rural no município de Ibiúna/SP, com a elevação dos canteiros de produção.


Um outro aspecto a ser considerado no plantio do morango refere-se ao terreno, que deve ser apropriado para que esses canteiros possam ser levantados.

5.3 - PRIMEIRO VENDER, DEPOIS PRODUZIR

A procura por morango orgânico é maior do que a oferta, mas já definiu como seus morangos serão vendidos?
Apesar de a pergunta parecer prematura para ser feita, este é o momento para fazermos uma avaliação, isto é, antes de começar a preparar o solo para o plantio.
No que diz respeito à comercialização, saber onde, como, para quem, a quantidade e o tipo de cultivar (indústria, mesa) de morango que deve ser plantado ajuda no planejamento e na confecção do Plano de Manejo da Produção Orgânica.
Se ainda não tiver um local para vender a sua produção, primeiro procure por ele e já negocie o preço do produto antes de começar a plantar.
Procure atender o que seu mercado (compradores e ou consumidores) pediu e no preço previamente combinado. 
Plantar mais do que o contratado poderá levar a uma redução no preço que, geralmente, impactará negativamente na rentabilidade da safra. Essa é a hora também de planejar o processamento artesanal ou industrial de parte da produção (geleias, tortas, congelados, polpas, entre outros).



quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Origem e Clima para o Morango



O período de colheita pode se estender por três a cinco meses, conforme temperatura e cultivar. 
Para as cultivares sensíveis ao fotoperíodo, o morango precisa de uma temperatura noturna (abaixo de 20º C) e dias curtos para florescer. As cultivares de dia neutro exigem apenas a temperatura noturna, podendo produzir quase o ano todo, conforme a região.dentificada a janela de produção referente ao clima e altitude da propriedade, então precisamos averiguar a disponibilidade e a qualidade da água que será utilizada na irrigação, as características físicas e químicas do solo, que deve ter boa drenagem, assim como o que os vizinhos plantam em suas propriedades durante essa janela de produção. 
Esses fatores determinam a aptidão da propriedade para a produção de morango orgânico.
Uma propriedade é adequada para produzir morango se tiver uma janela de produção que atenda às necessidades do mercado e se, em seu entorno, não tiver produtores convencionais produzindo a mesma cultura no mesmo período.
Imagine um cultivo orgânico de morango, ou qualquer outra cultura, rodeado por lavouras convencionais.
Pois é, não tem como dar certo! Em determinados momentos, a pressão de pragas e doenças será tão grande que nem as barreiras físicas e as técnicas agroecológicas darão conta de manter o equilíbrio no cultivo orgânico. Por isso, não se esqueça de avaliar o entorno da propriedade depois de identificar a janela de produção do morango orgânico!


TABELA 1 - ÉPOCA DE PLANTIO DO MORANGUEIRO EM FUNÇÃO DA ALTITUDE.



A REGIÃO DE ORIGEM DO MORANGUEIRO

Para cultivar o morango com sucesso, o agricultor precisa conhecer primeiro a região de origem do morangueiro para depois podermos tratar dos pequenos detalhes que fazem toda a diferença no manejo orgânico dessa cultura.
No cultivo orgânico, uma das primeiras coisas que devemos procurar saber é a região de origem da cultura que iremos plantar para conhecer suas condições ambientais. Sabe-se que os seres vivos mantêm por gerações uma memória genética que está diretamente relacionada à sua região de origem e, no cultivo das plantas, essa memória manifesta-se em pequenas exigências nutricionais, na resistência a pragas e doenças e/ou climática, como temperatura e umidade.
O morango cultivado Fragaria X ananassa Duch., é um híbrido interespecífico, originado na Europa, a partir do cruzamento natural entre as três espécies octoplóides americanas (8x=2n=56):
1. Fragaria virginiana Duch.- dos prados dos Estados Unidos, introduzido na Europa como ornamental;
2. Fragaria chiloensis (L.) Duch.- oriunda das costas do Oceano Pacífico dos Estados Unidos e do Chile, onde era cultivado pelos povos indígenas, e levado para Europa em 1700; e
3. Fragaria ovalis (Lehn.) Rydb.- dos campos do oeste dos Estados Unidos.
Portanto, o morango cultivado originou-se fora da sua região de origem, do cruzamento natural entre espécies “selvagens”. Esse fato é recente (menos de 300 anos), sendo de 1766 o primeiro relato sobre essa cultivar de como a conhecemos hoje. 
Apesar de ter sido domesticado fora de seu habitat natural, o morango manteve suas exigências naturais em relação ao seu comportamento e exigências.
O morangueiro apresenta dois períodos bem distintos, regulado pelo fotoperíodo. Em condições de dias longos e temperaturas altas, desperta a fase vegetativa (propagação), quando a planta é estimulada a produzir estolhos (mudas). 
Em condições de dias curtos e temperaturas amenas, a floração e a produção de frutos são estimuladas.
Biologicamente falando, o morangueiro pode ser considerado uma planta perene, ou seja, se plantarmos uma vez e cuidarmos para que não ocorra sua morte por doenças, pode durar anos, pois vai se renovando a cada ano. 
Entretanto, o morangueiro é tratado como anual em cultivo comercial, ou seja, todo ano realiza-se um plantio e este finda normalmente após o ciclo da frutificação.
Raramente a planta terá um segundo ciclo de produção. Uma das razões para essa prática é a ocorrência de doenças no solo, que acabam comprometendo a produção do morangueiro e torna o cultivo 



quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Produção de Morango Orgânico



INTRODUÇÃO

Produzir morangos em sistema orgânico, a exemplo do tomate e da batata, ainda é tido por muitos agricultores como uma missão impossível. Para desmistificar esse pensamento, este texto reúne o conhecimento existente voltados à produção comercial de morango orgânico, até meados de 2016.
Antes de começar a produzir o morango, é importante que o produtor tenha conhecimento que, no Brasil, existe uma legislação específica para produzir e comercializar qualquer produto ou alimento orgânico. Além disso, precisamos enxergar a propriedade e o agricultor no contexto em que estão inseridos e avaliar a aptidão de ambos para o cultivo orgânico da fruta. Por fim, temos de conhecer a origem do morangueiro e o manejo orgânico dessa cultura.

A LEGISLAÇÃO BRASILEIRA PARA A PRODUÇÃO ORGÂNICA DE MORANGO

Desde o final de 2003, o Brasil conta com a Lei de Orgânicos (Lei Federal 10.831) que estabeleceu o conceito de um sistema orgânico de produção agropecuária. Por essa lei, o sistema orgânico de produção agropecuária e industrial reúne todos os sistemas agroecológicos de produção, ou seja, biodinâmico, natural, ecológico, biológico entre outros que atendam os princípios estabelecidos pela mesma.
Para os agricultores, é importante saber que para vender produtos orgânicos é necessário obter a certificação orgânica por meio de um organismo reconhecido oficialmente.
Os agricultores familiares que realizam a venda direta aos consumidores, por exemplo, em feiras livres, desde que estejam envolvidos num processo de organização e controle social e cadastrados no Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, não precisam estar certificados desde que permitam aos consumidores e ao MAPA o acesso aos locais de produção ou processamento e mantenham a rastreabilidade do produto.

De acordo com uma lista divulgada pela Agência Nacional da Vigilância Sanitária (Anvisa) , o morango é o segundo alimento com maior índice de contaminação por agrotóxico no Brasil. Por meio do Programa de Análises de Resíduos de Agrotóxicos de Alimentos , a Anvisa analisou mais de 2500 amostras de 18 tipos de alimentos diferentes. Segundo os resultados das pesquisas, quase um terço dos vegetais mais consumidos no Brasil apresenta elevado teor de agrotóxicos em suas composições.

Desde 2001 a EPAMIG realiza pesquisas com morangos no Norte de Minas, região do semiárido, com o objetivo de possibilitar o plantio da fruta em regiões de clima quente e seco. Por meio de experimentos conduzidos pela empresa, pesquisadores da EPAMIG concluíram que as altas temperaturas são fatores importantes para produção de morangos com uma redução drástica do número de agrotóxicos, isso porque o clima quente e seco inibe o desenvolvimento de doenças nas frutas.

“As condições climáticas da região do Norte de Minas propiciam a produção de morangos sem o uso de agrotóxicos. Quando há alguma ocorrência de pragas ou doenças, conseguimos combater por controle biológico”, explica o pesquisador da EPAMIG, Mário Sérgio Dias.

O pesquisador explica ainda que o morango se encaixa perfeitamente no sistema de agricultura familiar que predomina no semiárido Norte mineiro, sobretudo nos perímetros irrigados do Jaíba e do Gorutuba, nos municípios de Jaíba e Nova Porteirinha. Somente na região Norte de Minas, a EPAMIG já testou 20 variedades de morangos de diversas localidades do mundo.

Mário Sérgio Dias afirma que o sistema adequado de irrigação de morangos e as variedades com potencial tanto para a produção de mudas, quanto para a produção de frutos já é uma realidade na região do Norte do estado. “Até o momento, as cultivares Oso Grande, Dover, Camarosa e Tudla são as que mais apresentam um bom potencial de produção e comercialização na região”, destaca o pesquisador.

Foto: Erasmo Pereira 

Epamig 






terça-feira, 1 de outubro de 2019

Clima para a Goiabeira (Goiaba)



Clima
A goiabeira, planta rústica e nativa dos trópicos, apresenta fácil adaptação às variações ambientais, podendo se desenvolver em climas tropicais e subtropicais, desde o nível do mar até 1.700 m de altitude.
Em regiões de clima tropical, a goiabeira pode florescer e frutificar continuamente, ou seja, durante o ano todo, desde que haja disponibilidade hídrica no solo.
No Brasil, os cultivos de goiabeira com finalidades comerciais estendem-se desde o Estado do Rio Grande do Sul até a região Nordeste. Contudo, a viabilidade econômica do cultivo dessa espécie pode ser sensivelmente afetada pelos fatores climáticos, particularmente pela temperatura, pela radiação solar, pela umidade relativa do ar e pela disponibilidade de água no solo.
É uma cultura bastante resistente à seca e a altas temperaturas, podendo tolerar até 46 ºC. Porém, é muito sensível ao frio e não tolera geadas. Temperaturas abaixo de 12 ºC limitam a produção por inibir a emissão de brotos. 
A temperaturade -4 ºC é considerada letal para a planta. 
A faixa ideal para a exploração comercial da goiabeirasitua-se entre 25 ºC e 28 ºC. 
A temperatura média anual de 25 ºC é considerada ótima para o cultivo dessa espécie. 
Em condições de geada, a cultura pode apresentar queima das folhas e dos ramos, o que impossibilita a recuperaçãodos pomares atingidos.
No que se refere às exigências hídricas, o pomar comercial de goiabeira é bastante exigente. Sob condições de sequeiro, sua exploração comercial é possível em regiões com precipitação pluvial anual bem distribuída, variando entre 800 mm e 1.000 mm.
Em regiões com precipitação anual inferior a 600 mm, a goiabeira perde as folhas e não produz no período de estiagem. 
Para os cultivos nos quais ocorre baixa precipitação e elevada demanda atmosférica (evapotranspiração), deve-se fazer uso de irrigação complementar, pois a deficiência hídrica prolongada pode atrasar o florescimento e aumentar a queda dos frutos. 
Em climas áridos e semiáridos, onde se desenvolve uma agricultura irrigada com alta rentabilidade, é de fundamental importância o conhecimento preciso da evapotranspiração da goiabeira, a fim de que a quantidade reposta pela irrigação seja bem eficiente. Moura (2005) observou que a evapotranspiração da goiabeira irrigada no Submédio São Francisco variou entre 4,5 mm/dia e 6,1 mm/dia, com valor médio igual a 5,3 mm/dia para todo o ciclo fenológico da cultura.
A faixa de umidade relativa do ar considerada ideal para a goiabeira está entre 50% e 80%; contudo, no interior dos estados de Pernambuco e da Bahia, tem-se verificado o cultivo de pomares comerciais nos quais a umidade relativa atinge de 30% a 40%.
É uma cultura que exige calor e luminosidade para se desenvolver e produzir bem, fatores que influenciam diretamente na fotossíntese da planta. O cultivo de goiabeira deve ser feito em ambiente protegido de ventos fortes a fim de evitar o ressecamento das folhas e das flores. 
A goiabeira apresenta elevados índices de abortamento de frutos. Assim, diante da possibilidade ou da constatação de queda acentuada de flores e frutinhos (índice de abortamento superior a 60%, ou até mesmo a 70%), seja em função da ocorrência de pragas ou moléstias, seja por conta de temperaturas extremas ou de estresse hídrico, torna-se necessário quesejam realizadas ações de adequação do manejo do pomar.

Clima 2
Apesar de ser nativa de região tropical, a goiabeira vegeta e produz bem, desde ao nível do mar até à altitude de l.700 m, sendo, por essa razão, amplamente difundida em várias regiões do país. Segundo Manica, citado por Pereira & Martínez Júnior (1986), é possível encontrar pomares comerciais de goiabeira do Rio Grande do Sul ao Nordeste brasileiro. 
Para esses autores, no Planalto Paulista, onde, de um modo geral, o inverno é brando e pouco chuvoso e o verão é longo e úmido, a goiabeira apresenta ótimo desenvolvimento. Levantamentos realizados por Maia et al. (1988) dão conta da produção de goiaba de mesa em 94 municípios, destacam-se os de Campinas e Valinhos. Não obstante a adaptabilidade da goiabeira a uma faixa climática bastante ampla, alguns fatores exercem grande influência sobre o seu desempenho agronômico. 

Temperatura 
A temperatura que a goiabeira necessita para a vegetação e produção situa-se entre 25 e 30 °C, sendo muito influenciada pelo clima. A planta não desenvolve e produz em temperatura abaixo de 12 ºC. A temperatura além de limitar o desenvolvimento e crescimento da goiabeira determina a época de produção do fruto. As goiabeiras sofrem danos em regiões sujeitas a geadas e ventos fortes (SOUZA et al. 2012). Por ser de clima tropical, a abertura das flores não ocorre em climas frios e nos dias nublados ou chuvosos. 

Chuvas 
A goiabeira desenvolve melhor em regiões de clima onde a quantidade de chuvas ultrapassa 600 milímetros, sendo que a precipitação anual ideal deve estar entre 1000 e 2000 milímetros anuais, com boa distribuição de água durante o ano. Em épocas secas a irrigação é necessária para desenvolvimento e produção. 

Umidade relativa 
A umidade relativa do ar, outro fator importante para o cultivo da goiabeira, pode influir tanto no aspecto fisiológico como nas condições fitossanitárias dos frutos produzidos. 
A faixa de umidade relativa do ar mais favorável ao cultivo da goiabeira parece situar-se entre 50 e 80%. 
É importante assinalar aqui que independentemente da existência de faixas adequadas de temperatura e umidade, isoladamente consideradas, é imprescindível que os demais fatores de crescimento sejam otimizados. 

Geadas 
A goiabeira não tolera geada, causando, as mais rigorosas, queimas de folhas e ramos. Em plantas podadas, os danos são mais drásticos pela maior exposição dos ramos internos. Em algumas áreas da região Sudeste, sujeitas a geadas o produtor deverá evitar poda drástica entre os meses de junho e julho.