quarta-feira, 8 de abril de 2020

Podas e Raleio na Goiabeira



Podas e Raleio

Na cultura da goiaba, são feitos diferentes tipos de poda, conforme os seguintes objetivos: escalonamento da produção, melhoria da arquitetura e do arejamento da planta, obtenção de frutos de qualidade, eliminação de frutos com defeito e facilitação dos tratamentos fitossanitários.


Poda de formação

O objetivo da poda de formação é orientar a planta de modo a se obterem ramos bem distribuídos (arquitetura equilibrada e arejada), permitindo, assim, uma maior penetração da luz solar e favorecer a ventilação no interior da copa. Isso garantirá um controle fitossanitário mais eficiente e facilitará os tratos culturais. 
A planta deve ser conduzida em haste única, de até 50 cm ou 60 cm de altura, quando, então, a gema terminal deverá ser eliminada. 
A partir das brotações que surgirem, deve-se deixar três ou quatro pernadas bem distribuídas, nosentido dos quatro pontos cardiais.
As pernadas principais ou ramos primários devem ser podados depois do seu amadurecimento, de modo que fiquem com 40 cm a 50 cm de comprimento, proporcionando a formação básica da copa.
Devem ser também eliminados os ramos voltados para baixo, a uma altura mínima de 40 cm a 50 cm em relação à superfície do solo. Isso evita que as folhas entrem em contato com o solo, desfavorecendo, assim, o desenvolvimento de fungos causadoresde doenças. 
Os galhos muito vigorosos, que dificultarem a colheita e os tratos culturais, devem ser rebaixados até a altura padrão do pomar.

Poda de frutificação

Goiabeiras destinadas principalmente à produção de frutas para consumo in natura devem ser podadas, visando ao escalonamento da produção. Sabe-se que a goiabeira responde bem à poda de frutificação, pois, independentemente da época do ano, as flores surgem somente nas brotações oriundas dos ramos maduros. No entanto, dois aspectos de fundamental importância devem ser considerados: a época do ano e a intensidade da poda.
Com relação à época do ano, quando as condições climáticas prevalentes (temperatura, luminosidade e umidade relativa do ar) forem adequadas, a poda da goiabeira poderá ser realizada em qualquer período do ano, principalmente quando seutiliza irrigação. Esse procedimento tem sido adotado na maioria das áreas irrigadas do Nordeste brasileiro. Contudo, a época da poda de frutificação deve estar condicionada ao período em que se pretende colher os frutos. É importante lembrar que os ramos a serem podados devem estar maduros e com as gemas aptas à brotação. 
Às vezes, na região Nordeste, nos períodos mais frios do ano, ou seja, de maio a julho, há uma inibição da brotação e, consequentemente, da frutificação, que se tornam mais lentas em comparação aos demais meses.
Quanto à intensidade, a poda de frutificação
pode ser contínua ou drástica.
A poda contínua consiste na poda de apenas uma parte dos ramos, numa mesma época.
Já a poda drástica representa a poda total da planta, numa mesma ocasião. A seleção de um desses métodos vai depender basicamente do sistema de manejo e da expectativa de venda do produtor, expectativa esta que deve estar sempre atrelada às conveniências do mercado consumidor. 
Outro aspecto importante é que a poda contínua favorece uma produção durante o ano inteiro, pois podem ser encontrados, numa mesma planta, todos os estádios de desenvolvimento do fruto (botões florais, flores, frutos em desenvolvimento e frutos em ponto de colheita).
No caso da poda contínua, o encurtamento dos ramos que já produziram deve, geralmente, ser feito um mês depois da colheita do último fruto daquele ramo. 
Quando se adota o sistema de poda contínua, deve-se estar atento para a ocorrência de pragas e
doenças que, em geral, surgem com maior intensidade do que no sistema de poda drástica, pois a área anteriormente podada será fonte de infestação para a posterior. A poda contínua pode esgotar a planta, já que ela não ganha um período de repouso depois da safra, quando, então, poderia recompor as reservas despendidas com as brotações e as frutificações contínuas. Diante disso, a poda drástica destaca-se como a mais adequada para a cultura da goiabeira, devendo a
continuidade da oferta de goiaba ser suprida com a poda escalonada ao longo do ano.
A utilização de substâncias desfolhantes deve ser realizada antes da poda de frutificação, para induzir a planta a antecipar a sua produção, no sentido de concentrar a safra em um período comercialmente favorável.
No Havaí, pulveriza-se a planta com uma solução de ureia a 25%, como substância desfolhante (SHIGEURA et al., 1975). Bovery (1968) constatou, em Porto Rico, que o diquat e o paraquat foram eficientes no desfolhamento da goiabeira. Gonzaga Neto et al. (1997), em trabalho realizado no Submédio do Vale do São Francisco, constataram que a pulverização de ureia na concentração de 10% ou 15%, seguida da aplicação de cianamida hidrogenada, na dosagem de 1% ou 1,5%, depois da poda de frutificação aumentou a produtividade e reduziu em 30 dias o período de colheita da goiaba. Esse recurso poderá ser utilizado pelo produtor para concentrar a safra.
As podas de frutificação, a drástica e a contínua, devem ser praticadas com o conhecimento dos princípios de fisiologia da planta. Tais princípios, de acordo com Kavati (1997) e Piza Júnior (1994), estão, em geral, associados ao acúmulo e à pressão das seivas bruta e elaborada, pois elas contêm, além dos nutrientes essenciais à planta, substâncias hormonais indispensáveis à floração e à frutificação da goiabeira. Esses autores enumeram os seguintes princípiosfisiológicos.

• A circulação rápida da seiva favorece o desenvolvimento vegetativo, enquanto a circulação lenta estimula a produção de frutos. Segundo Piza Júnior (1994), quanto mais rápido for o transporte da seiva, maior será o número de gemas vegetativas que surgirão, originando brotações vigorosas, porém sem frutos. Por sua vez, a circulação mais lenta possibilita o acúmulo de reservas nas gemas localizadas ao longo dos ramos maduros, as quais, por esse motivo,se transformamem gemas frutíferas.

• A circulação da seiva será mais intensa quanto mais retilíneo for o ramo. Para Kavati (1997) e Piza Júnior (1994), quanto mais obstáculos houver à circulação da seiva, numa planta ou ramo, maior será a possibilidade de a planta ou o ramo florescer e frutificar. Nesse caso, a resposta à floração e à frutificação está associada ao acúmulo de reservas propiciadas pela circulação mais
lenta da seiva na planta ou no ramoem questão. 
É comum, em pomares de goiabeira, produtores praticarem o amarrio dos ramos, encurvando-
os no sentido do solo. A utilização da técnica do anelamento ou estrangulamento de ramos tambémtem a mesma finalidade.

• Os ramos em posição vertical favorecem a velocidade de circulação da seiva, sendo, então, maior do que em ramos em posição horizontal. Eis aí um dos motivos para eliminar os ramos ditos ladrões, que, em geral, encontram-se em posição vertical, e, por isso, quase sempre são improdutivos.
Portanto, por ocasião da poda de frutificação, devem-se deixar, preferencialmente, os ramos em posição horizontal, pois esses têm maior probabilidade de se tornar frutíferos. Desde que a arquitetura da copa da variedade o permita, devem-se eliminar os ramos de crescimento
vertical, preferindo deixar na planta aqueles em posição horizontal.
Nesses, a velocidade de circulação de seiva é menor e, portanto, estãomais aptos a frutificar.

• A seiva dirige-se com mais intensidade às partes mais altas e iluminadas da planta, onde as taxas de transpiração e de fotossíntese são mais intensas. Dessa forma, é importante, depois da poda de frutificação, e numa situação de brotação excessiva da planta, eliminar o excesso deramos e folhas do topo da planta, uma vez que essas também utilizam grande parte dos assimilados, que poderiam ser destinados aos processos de floração, frutificação e desenvolvimentodos frutos.

• É recomendável avaliar a quantidade e o vigor dos ramos secundários que estão nos ramos em frutificação, uma vez que competem entre si por assimilados, com frutos em crescimento, existentes em uma mesma unidade produtiva. Partindo desse princípio, é recomendável que se faça, logo após a poda de frutificação, uma avaliação criteriosa do número de ramos secundários que devem permanecer nos ramos em frutificação.

• O desbaste de ramos secundários tende a aumentar o vigor do ramo principal, o que inibe a brotação de gemas axilares daquele ramo.
Por esse motivo, é necessário identificar os ramos secundários a serem eliminados, bem como a época de sua eliminação. A eliminação desses ramos antes da emissão dos botões florais poderá acarretar perdas, decorrentes da eliminação errônea de ramos frutíferos que ainda não tenham emitido botões florais. Em geral, os botões florais aparecem depois da emissão do terceiro ou quarto par de folhas, ocasião teoricamente correta para que se proceda ao desbaste dos ramos secundários em excesso.
Isso deve ser realizado por ocasião do desbaste de ramos após a brotação oriunda da poda de frutificação.
Deve-se primar por um equilíbrio, pois a eliminação excessiva de ramos secundários poderá propiciar o crescimento, também excessivo, do ramo principal e, assim, aumentar a competição
por assimilados com os frutos em desenvolvimento. Por sua vez, se esse desbaste for realizado antes da brotação das gemas frutíferas, poderá implicar a redução da produção de frutos por planta, decorrente da inibição da brotação das gemas axilares
remanescentes no ramo principal.
A taxa de translocação de assimilados para a extremidade do ramo principal deve ser minimizada, eliminando-se apenas os ramos em excesso, bem como aqueles que possam causar atritos e ferimentos aos frutos.

• O encurtamento do ramo favorece o aparecimento de brotação lateral.
De acordo com Kavati (1997), o encurtamento e a eliminação da porção terminal do ramo devem ser feitos logo acima de uma gema voltada para fora da copa. Essa poda, em geral, diminui a dominância apical, em decorrência da redução do teor de auxina existente na planta. Isso aumenta a probabilidade de brotação das gemas no ramo que sofreu um encurtamento.
Na prática, a poda de frutificação da goiabeira está estreitamente ligada a esse princípio. As brotações emitidas logo após a poda de frutificação condicionam a redução da produção de auxina que se desenvolve nas suas extremidades, estimulando a brotação das demais gemas axilares. 
É importante que o encurtamento do ramo seja realizado de acordo com o seu vigor, lembrando
que ramos vigorosos costumam ser mais longos do que os finos.
A observação dessa prática é muito importante, pois os ramos vigorosos tendem a não frutificar quando podados curtos (Figura 3), enquanto os ramos mais finos, quando podados longos, tendem a produzir frutos dequalidade inferior.

Figura 3. Poda curta em ramo vigoroso.

A produtividade da planta podada é função da relação carbono/nitrogênio (C/N) que existe no ramo depois da poda. É sabido que, para se obter uma frutificação satisfatória, é necessário que a relação C/N seja alta. Entretanto, como o teor de carbono é mais elevado na extremidade do ramo quando comparado com o de nitrogênio que se concentra na base do ramo, o encurtamento do ramo em direção a sua base deve ser feito com bastante cuidado. 
Na prática, pode-se dizer que a relação C/N aumenta da base para a extremidade do ramo. No entanto, a influência da relação C/N, em geral, é mais pronunciada nos ramos mais vigorosos.
O desconhecimento da influência dessa relação, na poda de frutificação, pode levar à obtenção de produtividades insatisfatórias ou à produção de frutos sem valor comercial.
Em razão disso, recomenda-se poda longa para ramos grossos e poda curta para os finos. A observação desse princípio é essencial em plantas que são submetidas a períodos de repouso, uma vez que, nessas plantas, a influência da relação C/N é mais pronunciada do que naquelas em que a poda é feita continuamente. Kavati (1997) cita os seguintes tipos de poda:

Poda à coroa – encurtamento radical do ramo, que fica reduzido à coroa, que vem a ser a porção mais grossa do ramo, localizadana sua base.

Poda a esporão – encurtamento do ramo, a um comprimento aproximado de 4 cm a 6 cm, deixando apenas duas ou três gemas.

Poda em vara – encurtamento do ramo, ao comprimento de 10 cm a 20 cm, mantendo o maior número possível de gemas.
Para facilitar a poda e evitar erros que não podem ser corrigidos depois do corte dos ramos, o produtor deve executar essa operação com bastante cautela. Kavati (1997) sugere que, durante a poda de frutificação, seja estabelecida a seguinte sequência:

1. Iniciar a poda removendo os ramos quebrados, mortos e doentes.
2. Remover os ramos ladrões.
3. Remover os ramos que estão muito próximos e, assim, evitar atrito entre eles e com os próprios frutos após a frutificação.
4. Remover os ramos que se dirigem para o centro da copa ou que se cruzam no interior dela.
5. Remover os ramos direcionados ao solo, pois, em geral, são improdutivos.
6. Executar a poda de frutificação conforme os princípios fisiológicos descritos.

Raleio dos frutos e poda de limpeza

A goiaba destinada ao consumo in natura deve apresentar uniformidade, no que diz respeito ao tamanho, à coloração da casca, à firmeza, ao peso, etc. Por essa razão, é aconselhável realizar o raleio de frutos quando ocorrer frutificação excessiva. O número de frutos deixados por planta após o raleio influi diretamente no tamanho e no peso final deles. Outra medida importante, que também faz parte do raleio, é a eliminação dos frutos danificados fisicamente ou que apresentem sinais de ataque de pragas e doenças. Portanto, só devem permanecer na planta os frutos com boa aparência, sem defeitos, capazes de assegurar o padrão de qualidade requeridopelo mercado consumidor.
Por ocasião do plantio, recomendase dar preferência às variedades com boa produtividade e aceitação comercial, masque emitam botões florais isolados ao invés daquelas que produzem botões em cachos, mesmo considerando que nem sempre todos os botões produzirão frutos. Nas variedades que produzem botões florais em cacho, quando dois ou mais frutos vingam, aquele
originário do botão floral central quase sempre apresenta maior desenvolvimento, pois é o botão que surge primeiro. A ocorrência de abortamento de frutos laterais é muito comum em goiabeira, durante os primeiros estádios de desenvolvimento.
O estádio de maturação dos ramos aptos ao florescimento, a localização das gemas floríferas e a diferenciação entre frutos desenvolvidos de botões florais centrais e laterais são aspectos que devem ser conhecidos e observados nas operações de poda de frutificação e desbaste de frutos, em pomares comerciais. A observação desses aspectos certamente definirá o grau de sucesso dos cruzamentos orientados para o melhoramento genético e, sobretudo, para a obtenção de frutos que atendam ao padrão de qualidade exigido pelos mercados.
Depois da formação básica da copa, os ramos secos, os doentes e os entrelaçados e as brotações que se dirigem para o centro da copa devem ser eliminados, depois de cada ciclo de produção.




sexta-feira, 3 de abril de 2020

Consorciação na Cultura da Goiaba



A consorciação da goiabeira com culturas de ciclo curto deve ser incentivada durante o período de formação do pomar, como medida para amortizar parte dos investimentos, ou mesmo para cobrir os custos durante o período em que as plantas estiverem sendo formadas.
A compatibilidade da consorciação da goiabeira com outras culturas está relacionada ao sistema de irrigação adotado. 
Quando o sistema concebido for do tipo aspersão ou sulco, será possível a consorciação de uma
grande diversidade de culturas.
 Porém, esses métodos dificultam a utilização de práticas culturais que possam reduzir o custo de produção da goiabeira. 
No caso do uso de sistemas de irrigação localizada, a consorciação só será viável se o plantio dessas culturas for realizado em linhas paralelas às do cultivo da goiabeira, e desde que a competição por água, nutrientes e energia solar seja mínima entre as culturas.
Entre as culturas que podem ser utilizadas em consórcio com a goiabeira, destacam-se: feijão, tomate para a indústria, cebola, melancia
e melão. 
Entretanto, deve ser evitado o consórcio com culturas que sejam suscetíveis aos patógenos que atacam a goiabeira, principalmente ao nematoide M. mayaguensis, que, atualmente, é um dos principais problemas da cultura, não existindo aindamétodos eficientes para seu controle. 
Em regiões de ocorrência desse patógeno, devese evitar, então, a consorciação com feijoeiro, tomateiro, melancieiro e meloeiro, por serem culturas suscetíveis ao nematoide.
A prática de intercalar culturas em pomares de goiabeira orientados para a exportação de frutas poderá ser adotada, embora apresente algumas restrições.  A principal condição restritiva diz respeito ao método de irrigação empregado: a consorciação só é possível quando se adota a irrigação por aspersão, que é o sistema menos aconselhável para o cultivo da goiabeira cujos frutos se destinem à exportação. Restará, pois, a consorciação no período das chuvas, uma atividade pouco atraente, dada a irregularidade temporal e espacial das precipitações no Nordeste.
Entre as culturas que podem ser consorciadas com a goiabeira, desde que se use irrigação por aspersão, incluem-se o caupi, o milho, o tomate industrial e a melancia, entre outras.
É importante frisar, entretanto, que em virtude do alto padrão de qualidade exigido pelo mercado importador de frutas frescas, não se aconselha a prática da consorciação nos pomares destinados a produzir goiabas de exportação. Neste caso, os produtores deverão dedicar o máximo de atenção possível ao seu principal empreendimento, a fim de obter frutas dentro dos padrões internacionais exigidos, ou correrão o risco de não alcançar a capacidade necessária para competir em um mercado cada vez mais exigente, do qual são automaticamente excluídos os fruticultores que não apresentarem produtos com as devidas qualificações.
A consorciação poderá e deverá ser incentivada apenas na fase de formação do goiabal, até mesmo como um possível meio de amortizar parte do investimento financeiro realizado ou de agilizar o seu retorno.


sábado, 21 de março de 2020

Propagação da Goiabeira



A produção de mudas de goiabeira pode ser feita tanto por métodos sexuados (sementes) quanto por métodos vegetativos (enxertia e estaquia herbácea).utilização de sementes no processo de formação de mudas vem sendo substituída pelos métodos de propagação vegetativa,
que reduzem a variabilidade das plantas e dos frutos nos pomares. 
As sementes são utilizadas somente para a formação dos porta-enxertos, durante o processo de enxertia (garfagem e/ou borbulhia).
Comercialmente, a estaquia herbácea e a enxertia são os métodos mais utilizados.
A enxertia pode ser por garfagem de fenda cheia ou por borbulhia. 
O porta-enxerto é formado por sementes retiradas de frutos maduros, provenientes de plantas matrizes sadias, precoces e com boas condições fitossanitárias. 
As sementes devem ser retiradas, despolpadas, secadas à sombra e tratadas com fungicidas, antes de serem semeadas. 
A semeadura é feita em sacos de plástico contendo a mistura de terra de barranco + esterco de curral + areia (4:2:1 v/v), nos quais devem ser colocadas três ou quatro sementes. 
Quando as mudas tingirem a altura de 8 cm a 10 cm, será feito o desbaste, para deixá-las mais vigorosas.
Em regiões tropicais com irrigação, a semeadura pode ser feita em qualquer período do ano; entretanto, nas regiões com clima mais ameno, deve-se fazer a semeadura no início da primavera (GONZAGA NETO;SOARES, 1994).
No momento da enxertia, o porta-enxerto deve apresentar diâmetro entre 10 mm e 12 mm. Os garfos ou borbulhas devem ter o mesmo diâmetro do porta-enxerto e devem ser provenientes de ramos maduros (de 8 a 10 meses de idade). 
Depois da realização da enxertia, quando a mudaatingir de 40 cm a 50 cm de altura, e transcorridos de 18 a 26 meses da semeadura do porta-enxerto, a muda poderá ser aclimatada e plantada em local definitivo (GONZAGA NETO; SOARES, 1995).
A estaquia é um método de propagação bastante utilizado em fruticultura, por manter as características genéticas da planta- mãe, gerando maior uniformidade dos pomares, além de aumentar a produtividade e melhorar a qualidade dos frutos. As estacas são retiradas da extremidade de ramos novos da planta-mãe e devem ter dois nós, 12 cm de comprimento e dois pares de folhas cortadas ao meio. 
Um corte em bisel é feito na base da estaca para aumentar a área de enraizamento. Como as estacas são sensíveis à perda de água e ao ressecamento, devem ser colocadas em câmara de nebulização intermitente, com temperatura e umidade controladas. 
Não há necessidade de aplicar reguladores de crescimento nas estacas.
Elas podem ser plantadas em bandejas, ou em canteiros, ou diretamente em sacos de polietileno, contendo como substrato a vermiculita ou a palha de arroz carbonizada.
Depois do enraizamento, de 60 a 75 dias depois do início do processo de preparo das mudas, faz-se a seleção das estacas com melhores desenvolvimento e formação de raízes (MANICA.
As mudas devem ser transplantadas para sacos de polietileno preto, com volume de 2 L a 3 L, preenchidos com terra de barranco, esterco de curral e areia, nas proporções 4:2:1, respectivamente, e mantidas em ambiente protegido, com irrigação controlada, até atingir a altura de 40 cm a 50 cm, durante um período de 4 a 6 meses.
Depois desse período, devem ser aclimatadas gradativamente, até que possam ser plantadas no local.
É preciso lembrar que a utilização de solo como substrato pode favorecer a disseminação do nematoide-das-galhas da goiabeira (Meloidogyne mayaguensis), agente responsável pela destruição de extensas áreas de plantio. 
Atualmente, conscientes do problema, viveiristas passaram a utilizar, como substrato, produtos contendo argila expandida ou compostos de resíduos da indústria de celulose.



5 Propagação



5.1 Semente
Apesar de ser ainda utilizada, a propagação por sementes tem reduzida importância, por causa da excessiva variação do tipo de planta que se forma no pomar, dificultando até mesmo o manejo das podas de frutificação.

5.2 Estaquia
A estaquia herbácea é atualmente o método de propagação da goiabeira mais adequado, que consiste na clonagem (multiplicação de uma mesma matriz) por meio do enraizamento de “ramos ponteiros” de uma plana altamente produtiva, da qual são retiradas até duas mil estacas, por ciclo, após a poda. Esse método permite a obtenção de um pomar uniforme, iniciando a primeira safra no oitavo mês após o plantio, uma segunda safra após 18 meses, e a partir daí, de seis em seis meses após a poda.
A muda de estaquia pode ser comercializada no tipo vareta com haste única ou pernada com ramos primários já formados, podendo ser transportada com raiz nua ou em torrão. O processo de produção por mudas de estaquia exige estrutura de controle de umidade e temperatura para garantir o enraizamento.

5.3 Borbulhia
A propagação por enxertia é realizada sob viveiro coberto com tela plástica de 50% de luminosidade. As mudas podem ser feitas por este método, lembrando-se que no verão esse método propicia melhor pegamento. A copa (matriz) é enxertada sobre um cavalo (porta-enxerto) proveniente de semente, o que aumenta o vigor da planta. É o processo mais rápido e eficiente para se propagar uma goiabeira selecionada.
Na borbulhia de placa ou janela aberta, inicialmente fazem- se no porta-enxerto duas incisões transversais e duas longitudinais, retirando-se a casca contida no retângulo, de modo que a área a ser ocupada pela borbulha fique livre. A borbulha ou gema é retirada do ramo fazendo-se duas incisões transversais e duas incisões longitudinais iguais às praticadas no cavalo ou porta- enxerto, de modo a se obter um escudo idêntico à porção de casca dele retirada. A seguir, a borbulha é embutida no retângulo vazio, devendo ficar inteiramente em contato com os tecidos do cavalo. Em seguida, fixa-se o escudo com amarrio.
Os cavalos podem ser enxertados com diâmetro de 1 a 4 cm, sendo o mais indicado com o diâmetro e 1,5 a 2,5 cm. A altura mais indicada para se colocar a gema varia de 10 a 12 cm acima do solo.
Na borbulhia simples ou T normal, a casca do portaenxerto recebe uma incisão em forma de T, na qual se insere a borbulha retirada da planta-matriz, levando-se os bordos da casca que se encontram no ponto e bifurcação do T para facilitar a inserção.
Nos meses de dezembro a fevereiro, os processos de borbulhia dão melhores resultados, destacando-se como mais eficiente o método de borbulhia de janela.

5.4 Garfagem
A garfagem é um processo que consiste em soldar um pedaço de ramo (garfo), destacando da planta-matriz a propagar, sobre outro vegetal (cavalo), de maneira a permitir o seu desenvolvimento.
Os tipos mais usados em goiabeira são: garfagem de cunha lateral, garfagem do topo em fenda cheia e garfagem no topo a inglesa simples.
A garfagem de cunha lateral consiste simplesmente em um garfo afilado em forma de cunha que se insere em uma fenda diagonal feita no cavalo. A garfagem no topo em fenda cheia ou de cunha terminal consiste essencialmente em decepar o topo do cavalo e fazer uma fenda vertical de 2 a 3 cm, onde se insere imediatamente um garfo em forma de bisel. A garfagem do topo a inglesa simples consiste tão somente no corte em bisel no cavalo
e no cavaleiro. Unem-se as partes, que são, a seguir, amarradas firmemente (figura 1).
Em relação ao método de enxerto de garfagem em placa sob casca, sabe-se que ele necessita de porta-enxertos de 1,5 a 2 anos de idade e tendo de 1,5 a 3 cm de diâmetro. O enxerto deve-se ter, em princípio, o mesmo diâmetro; mas, com um porta- enxerto grosso, pode-se usar um enxerto menor.
A garfagem mostra-se mais eficiente quando realizada nos meses de junho a outubro.


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Preparo do Solo e Implantação do Pomar de Goiaba




Preparo do Solo e Implantação do Pomar de Goiaba



Recomenda-se que o preparo do solo para a implantação do pomar de goiabeira seja feito de 2 a 3 meses antes do transplantio das mudas. O preparo do solo consiste numa aração profunda, seguida de uma ou duas gradagens cruzadas, dependendo da topografia do terreno. Essas operações devem ser feitas quando o solo apresentar um teor de umidade adequado, de forma a minimizar os riscos de compactação.
Na demarcação do terreno para o transplantio das mudas, podem ser utilizados vários arranjos espaciais, tais como: linhas em contorno, em forma quadrangular, em forma triangular, em forma retangular e em quincôncio. Os dois últimos arranjos são os mais utilizados, e a diferença entre eles está apenas na forma de alinhamento entre a plantas, no sentido transversal às fileiras. No arranjo retangular, todas as plantas estão situadas no mesmo alinhamento, enquanto, no arranjo em quincôncio ou losango, essa coincidência ocorre apenas entre fileiras alternadas, proporcionando uma melhor utilização do espaço aéreo entre as plantas. A escolha do espaçamento depende da cultivar e do sistema de exploração a ser adotado (mecanizado ou não). Nas áreas irrigadas do Nordestebrasileiro, o espaçamento de 6 m x 5 m é o mais utilizado. A abertura das covas pode ser feita manualmente ou por trado movido a tração mecânica, principalmente quando se trata de grandes áreas. Quando feita manualmente, devem adotar as seguintes dimensões: 60 cm x 60 cm x 60 cm.
Na produção de goiabas destinadas ao consumo in natura para o mercado externo, tem-se dado preferência a pomares com maior densidade de plantio, por favorecerem maior porcentagem de frutos com o padrão de qualidade exigido por esse mercado.
Na época do transplantio das mudas enxertadas em viveiro, o colo (região entre as raízes e o tronco) da planta deve ficar um pouco acima do nível do solo, para evitar a emissão de raízes acima da enxertia.
Depois do transplantio, as plantas devem ser tutoradas, para reduzir a ação danosa do vento, uma vez que, quando ocorre o tombamento da muda, seu broto terminal pode ficar soterrado pela pressão da água da chuva ou mesmo da água de irrigação, quando se utiliza irrigação por aspersão ou microaspersão. Os tutores, além de proporcionarem a formação de caules eretos, podem ser utilizados para orientar os ramos laterais, visando à formação de uma copacom boa arquitetura. A amarração da planta ao tutor deve ser feita com material que permita uma larga faixa de contato, de modo a evitar ferimentos no caule ou nos ramos. Não se deve usar barbante ou cordão fino, pois podem causar o estrangulamento da muda.

Marcação das Curvas de Nível e terraceamento

Realiza-se inicialmente um levantamento planialtimétricocom locação de divisas, estradas principais e secundárias, fontes hídricas, estrutura física existente e a ser construída. Devem ser feitas também marcação e execução de práticas conservacionistas, abertura de carreadores, divisão de área em glebas ou talhões, de acordo com o alinhamento e espaçamento a ser utilizado e correção do solo, com base nos resultados da análise de solo. Deve-se aplicar 50% de calcário dolomítico, na dosagem recomendada, a lanço, em toda a área. Em seguida, é realizada uma aração profunda, distribuindo-se a segunda metade do calcário, mais 80% da dosagem recomendada de gesso agrícola, fazendo, finalmente, gradagem para destorrar.

O espaçamento entre as covas é determinado pelas características da variedade escolhida e pelo sistema de condução:

 Þ Frutos para mesa: É recomendado pomar menor que cinco ha dividido em talhões de um ha, para facilitar a realização de tratos culturais e colheita:

- 7 X 7 m: Cultivares de crescimento lateral, como Kumagai e Ogawa n° 3.

- 6 X 6 m: Cultivares de porte ereto, como Ogawa n° 1, Pedro Sato, Paluma e Rica.

- 6 X 3 m: Qualquer cultivar conduzida pelo sistema espaldeira.

Þ Frutos para indústria: Pomares podados anualmente para redução e adequação de copa:

- 7 X 7 m e 7 X 6 m: Paluma.

- 7 X 5 m: Rica.

Abertura e Preparo de Cova

Em solos tipo latossolo, deve-se abrir covas de 60 X 60 X 60 cm, separando-se a terra dos primeiros 30 cm das demais.
Deve-se aplicar calcário dolomítico na base de 100 g. para cada tonelada recomendada por hectare, nas duas porções de solo retirado do coveamento. Aplicar mais 20 litros de esterco de curral curtido, 1000 g. de superfosfato simples, 250 g. de cloreto e potássio bem misturados a terra, 20 dias antes do plantio.

Figura 2: Abertura e preparo de cova para plantio de goiabeira.

Plantio

O plantio deve ser realizado preferencialmente no início da estação chuvosa, um mês após o preparo da cova. Durante a operação de plantio, deve-se deixar três cm do torrão da muda acima do nível do terreno para evitar afogamento do coleto.
Em seguida, deve-se fazer o embaciamento para acomodar pelo menos 40 litros de água. Para assegurar o crescimento vertical do tronco, a muda deve ser tutorada e desbrotada periodicamente.



https://drive.google.com/file/d/1hNYZSjK9cMMb6P_-HdiFfoFIQLnLx4v4/view?usp=sharing

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Variedades de Goiaba



Escolha da Variedade

Há uma grande variabilidade genética na população de goiabeiras encontrada no Brasil, as quais foram introduzidas a partir de genótipos provenientes principalmente da Austrália, dos Estados Unidos e da Índia.
Os materiais oriundos da Austrália tiveram uma grande participação no melhoramento genético das variedades brasileiras, principalmente daquelas voltadas para a produção de frutos destinados ao consumo in natura.
As variedades de goiabeira diferem em diversos aspectos, como: formato da copa (eretas ou esparramadas), produtividade, início de produção (precoce, meia estação e tardia), número, tamanho e formato do fruto, e coloração da polpa. Diferenciam-se também quanto à finalidade da produção.
Aquelas destinadas ao processamento industrial devem apresentar, segundo , as seguintes características:

• Polpa de coloração rosada.
• Baixo teor de umidade e alta acidez.
• Alta porcentagem de sólidos solúveis totais.

• Polpa espessa, firme e de coloração rosada ou vermelha.
• Pequena quantidade de células pétreas.
• Forma do fruto de arredondada a oblonga.
Entre as cultivares disponíveis aos produtores brasileiros, destacam-se: 

Kumagai
É uma cultivar para mesa, que predomina nos pomares do Estado de São Paulo.
Suas plantas apresentam vigor médio, com ramos longos e esparramados. Seus frutos são de formato arredondado a oblongo, possuem polpa de cor branca e são grandes (de 300 g a 400 g).

Pedro Sato
As plantas são vigorosas, apresentando bom crescimento, tanto vertical quanto lateral, e são razoavelmente produtivas.
Seus frutos apresentam formato levemente ovalado. São considerados grandes, pesando, em média, de 300 g a 400 g, quando se utiliza a prática de raleio, e possuem polpa firme e rosada, com poucas sementes.

Sassaoka
A planta desta cultivar tem porte aberto e média produtividade. Produz frutos arredondados, grandes e com casca muito rugosa, cuja polpa é de coloração rosa-claro, é firme e com poucas sementes. É uma cultivar indicada para mesa.

Paluma
Atualmente, esta cultivar é a mais difundida no Brasil. Suas plantas são bastante vigorosas, com bom crescimento lateral e são altamente produtivas (mais de 50 t/ha). Seus frutos são grandes (acima de 200 g), de formato piriforme, com “pescoço” curto e casca lisa. A sua polpa é espessa (de 1,3 cm a 2,0 cm), firme, de cor vermelho-intensa e de sabor agradável (10 ºBrix de
sólidos solúveis e acidez equilibrada). Seus frutos são adequados para a industrialização; contudo, sua boa conservação pós-colheita vem favorecendo a comercialização para o consumo in natura.

Rica
Esta é uma variedade produtiva, com plantas vigorosas. Os frutos são de formato piriforme, com casca rugosa e de tamanho médio, cujo peso varia entre 100 g e 250 g, possuem alto teor de açúcares e são levemente ácidos. Embora essa variedade tenha sido selecionada para fins industriais, seus frutos estão sendo comercializados para consumo in natura.

Esta cultivar foi lançada no final de 2001, resultante do cruzamento de Supreme 2 com Paluma. Trata-se de uma planta pouco vigorosa, porém bastante produtiva. Seus frutos são grandes, com “pescoço” muito curto e polpa espessa, firme, rosada, com pequeno número de sementes e bastante doce. Essa cultivar apresenta alta probabilidade de se tornar uma das mais importantes goiabeiras, tanto para a indústria quanto para a mesa.





domingo, 2 de fevereiro de 2020

Solos para o Cultivo da Goiaba



Por ser uma planta dotada de grande rusticidade, a goiabeira adapta-se aos mais variados tipos de solo. Recomenda-se, porém, que sejam evitados os solos pesados e mal drenados principalmente nas áreas irrigadas onde existe o risco de salinização.

Os solos adequados ao cultivo da goiabeira, sobretudo no caso da instalação de pomares destinados à produção de frutas para consumo in natura e exportação, são os areno-argilosos profundos, bem drenados, ricos em matéria orgânica e com pH em torno 5,5 a 6,0. Em solos com pH igual ou superior a sete normalmente aparecem deficiências de ferro. Deve-se também sempre que possível preferir o plantio em terrenos protegidos dos ventos frios ou do frio vindos do sul.

Para ser considerado produtivo, o solo deve ser fértil (rico em nutrientes), ter boas características físicas (textura, estrutura, densidade, drenagem), boas condições de relevo e não deve conter elementos ou substâncias fitotóxicas. Portanto, é importante salientar que um solo fértil é aquele que tem a capacidade de suprir as plantas com nutrientes essenciais, na quantidade e na proporção adequadas para o seu desenvolvimento, visando obter alta produtividade.
Além da fertilidade do solo, a produtividade da goiabeira depende de outros fatores essenciais à produção, tais como: clima, cultivares e outras características do solo, como profundidade, teor de matéria orgânica, pH, saturação por bases, acidez potencial e disponibilidade de nutrientes (SANCHES; SALINA,1983).
A cultura da goiaba adapta-se a vários tipos de solo. Entretanto, os mais adequados ao seu cultivo são os areno-argilosos profundos, bem drenados, ricos em matéria orgânica e com pH entre 5,0 e 6,5. Em solos com pH igual ou superior a esse intervalo, pode ocorrer deficiência de ferro.
Solos argilosos e mal drenados devem ser evitados, principalmente em áreas irrigadas com risco de salinização, assim como devem ser evitados os solos rasos e úmidos, que não toleram longos períodos de encharcamento.
Resultados de pesquisa indicam que a goiabeira é moderadamente tolerante ao estresse salino, embora as plantas jovens sejam sensíveis à salinidade. Assim, a depender do teor de sais contido na água de irrigação, o desenvolvimento inicial das mudas pode ser afetado, provocando decréscimos na produção de até 77%, quando a condutividade elétrica chega a 4,5 dS/m (GURGEL et al., 2007).
A implantação de pomares comerciais deve ser feita em terrenos de topografia plana ou levemente inclinada. Evita-se plantar em áreas de acentuada declividade por causa da dificuldade de proceder aos tratos culturais e fitossanitários, e também à colheita.
Resultados de pesquisa obtidos pela Embrapa Semiárido em pomares irrigados por microaspersão, em Latossolo Vermelho-Amarelo textura média, no perímetro irrigado de Bebedouro, em Petrolina, PE, permitiram verificar que o sistema radicular da goiabeira cresceu até a profundidade de 1,2 m e a uma distância máxima do tronco de 2,4 m; contudo, a profundidade e a distância efetivas encontram-se a 0,94 m e 1,27 m, respectivamente. Considerando que o maior volume de raízes encontra-se a uma profundidade e a uma distância do tronco de 0,6 m, recomenda-se essa coordenada para o monitoramento da água no solo e para a aplicação de fertilizantes e matéria orgânica (FERREIRA, 2004).
Para avaliar a fertilidade é preciso proceder à análise do solo em laboratório, onde são determinados os valores de pH, os teores dos principais nutrientes exigidos pelas plantas, além daqueles elementos que são tóxicos, como o alumínio e o sódio.
Essas informações são determinantes para o planejamento de uma adubação adequada às necessidades da cultura e para a avaliação da necessidade de calagem, além de, por meio delas, conseguir-se prevenir ou solucionar a questão da salinidade.
Para que a análise represente fielmente as condições do solo, é necessário que a coleta da amostra de solo seja bem representativa da área. Portanto, dentro de uma mesma área, as amostras devem ser separadas de acordo com a cor do solo, a textura (argilosos ou arenosos) e a
localização (baixada, plano, encosta e topo).
Deverão também ser fornecidas informações que indiquem se o solo é virgem ou cultivado, se adubado ou não adubado.
A amostragem do solo é o primeiro passo para uma recomendação correta na adubação da goiabeira. Se a amostra não for representativa da área, a análise poderá levar a recomendações errôneas, por melhor que seja a qualidade do serviço prestado pelo laboratório responsável pela análise.
Três meses antes do plantio, para cada tipo de solo da área, deve-se retirar uma amostra composta, em terreno com superfície limpa, sem mato ou restos vegetais. O procedimento consiste em coletar, no mínimo, 15 amostras simples, em vários pontos do terreno, a uma profundidade de 0 a 20 cm (Figura 1).

Figura 1. Representação da forma de coleta de amostras de solo.

A terra amostrada deve ser colocada num balde de plástico limpo. Em seguida, misturar bem todas as amostras coletadas; dessa mistura, retirar aproximadamente 0,5 kg de solo, que deverá ser colocado em um saco de plástico limpo, que constituirá a amostra composta a ser remetida ao laboratório, devidamente identificada. É aconselhável fazer essa amostragem para análise de solo uma vez por ano. Não incluir na amostragem solos coletados em locais de formigueiro, de monturo (monte de lixo), de coivara e os próximos a curral.
As amostras podem ser coletadas com um dos seguintes instrumentos: trado (Figura 2), cano galvanizado de 1 ou ¾ de polegada, pá reta e enxadeco. Se for usado o enxadeco, a amostra deve ser coletada na fatia correspondente a 0 a 20 cm de profundidade.

Figura 2. Ferramentas utilizadas na coleta de amostras de solo.


domingo, 29 de dezembro de 2019

COLHEITA E COMERCIALIZAÇÃO DO MORANGO ORGÂNICO



COLHEITA E COMERCIALIZAÇÃO

A colheita do morango orgânico começa cerca de 60 a 70 dias após o transplante das mudas. Nas condições brasileiras, esse trabalho ainda é realizado manualmente.
A cultura do morangueiro proporciona de duas a três colheitas semanais nos períodos de temperaturas mais elevadas. Nos períodos de temperaturas amenas, temos de uma a duas colheitas por semana.
Para o mercado “in natura”, os frutos devem ser colhidos quando apresentarem “3/4 de maturidade”

Por serem delicados e pouco resistentes, isso garantirá que os frutos cheguem aos mercados consumidores em condições de consumo, com aroma característico, baixa acidez e adstringência. 
Frutos colhidos maduros só servem para a indústria/processamento ou para a venda direta ao consumidor.
Figura 12. Cultivo de morango no início da colheita.

No estado de São Paulo, as estimativas de mão de obra para conduzir um hectare de morango são de 6 a 8 pessoas fixas e 2 a 8 pessoas adicionais no período de pico da colheita. Nesse estado, o pico da colheita ocorre entre os meses de agosto e setembro.
Os frutos do morangueiro requerem muitos cuidados na colheita e embalagem para o comércio “in natura”. Por exemplo, não se deve misturar frutos com diferentes graus de maturação em uma mesma embalagem. Para os pontos de venda, os frutos são acondicionados em cumbucas plásticas com capacidade para cerca de 300 g, que são transportadas em caixas de papelão, onde comportam quatro cumbucas cada.
Constituído por cerca de 90% de água, os frutos têm conservação pós-colheita delicada. O ideal é mantê-los em locais refrigerados, com temperatura entre 2 a 5oC e 80% de umidade relativa do ar. A produtividade esperada é de 600 g por planta.



sábado, 21 de dezembro de 2019

CONTROLE DE PRAGAS E DOENÇAS NO MORANGO ORGÂNICO



CONTROLE DE PRAGAS E DOENÇAS
Pode parar aí! Se o leitor veio direto a este item desta publicação, sem tomar conhecimento dos itens anteriores, não precisa continuar a leitura porque o leitor não está preparado para ser um produtor de morango orgânico!
É importante lembrar que a agricultura orgânica utiliza técnicas que buscam o equilíbrio ecológico da propriedade e assim fazer o controle de pragas e doenças. A pura e simples substituição de agrotóxicos por produtos naturais ou pelo controle biológico não permite a ninguém dizer que esteja produzindo produtos orgânicos, apesar de estar atendendo à legislação brasileira para a produção orgânica.
Neste manual, o controle de pragas e doenças começa quando o agricultor é informado sobre a existência da Legislação Brasileira de Orgânicos. 
O regulamento técnico para os sistemas orgânicos de produção animal e vegetal está legalmente estabelecido em duas instruções normativas, as IN 46/2011 e IN 17/2014, ambas do Ministério da Agricultura. E repetindo, fique atento às atualizações dessas instruções normativas pelo site do órgão (www.agricultura.gov.br).
O anexo V da IN 17/2014 do MAPA contém a lista positiva com as substâncias ativas e práticas permitidas para o manejo, controle de pragas e doenças nos vegetais e tratamento pós-colheita nos sistemas orgânicos de produção. Somente as substâncias ativas e práticas relacionadas nesse documento podem ser utilizadas para a produção orgânica!
Na presente apostila, o controle de pragas e doenças também é feito quando os agricultores são
orientados a identificar a janela de produção do morango de sua propriedade e quando abordamos a questão de aptidão do agricultor para o cultivo.
Na agricultura orgânica, a produção de morangos é realizada no melhor momento para o desenvolvimento da cultura, ao invés da melhor condição para o desenvolvimento de pragas e doenças. Na figura 11, os autores resumem a maioria das práticas, muitas delas já citadas anteriormente, que devem ser empregadas como forma de evitar a entrada de doenças, suas ocorrências e, caso venham a acontecer, o que fazer para reduzir suas taxas de desenvolvimento.
O controle químico que as normas permitem utilizar são as calda bordalesa, calda sulfocálcica, entre outras. Além disso, podemos ainda utilizar agentes biológicos (como os trichodermas), fertilizantes indutores de resistência como fosfitos, aminoácidos, extratos de algas, matéria orgânica rica em ácidos húmicos e fúlvicos etc.
Figura 11 -Práticas de manejo na cultura do morango.

O controle de pragas e doenças também é considerado na implantação da cerca viva para quebra do vento, no Plano de Manejo Orgânico, na importância da análise do solo para recomendação da calagem, rochagem e aplicação do composto orgânico, na análise foliar na primeira florada para adequação da adubação de cobertura e da adubação verde e todas as demais práticas e tratos culturais, visando à obtenção de um solo quimicamente equilibrado e biologicamente ativo.
Para conhecimento, na Tabela 4 são descritas algumas das principais doenças e pragas que ocorrem na cultura do morango, bem como as condições que favorecem o seu desenvolvimento e medidas preventivas.
A primeira medida preventiva é o uso de mudas sadias. Como a irrigação por aspersão contribui para a dispersão de “sementes” de doenças foliares, o sistema por gotejamento é o mais recomendado. 
controle da umidade do solo também é outro fator importante, portanto devem ser utilizados aparelhos para monitorar a quantidade de água no solo, indicando o momento e o volume da irrigação.
O conhecimento dos sinais iniciais das doenças e pragas também é muito importante para que as medidas sejam tomadas em tempo hábil.
O “vermelhão” é um sintoma muito comum quando o morango tem suas raízes atacadas por uma série de fungos, em especial o Pestalotiopsis longisetula, que tem causado ataques severos, inviabilizando muitas lavoura. O “vermelhão” é marcado pelo menor desenvolvimento da muda e, posteriormente, a cor avermelhada nas folhas mais velhas, lembrado deficiências de fósforo.


A seguir, trataremos do controle de pragas e doenças, para quando nada do que já foi tratado nesta apostila tenha surtido efeito ou para o caso de ocorrência de algum “acidente de percurso” ou um imprevisto que nos obrigue a prevenir para garantir o sucesso econômico do cultivo do morango orgânico. Em outras palavras, iremos apresentar as muletas para viabilizar a produção orgânica!

O USO DE CALDA BORDALESA DEVE SER FEITO COM CUIDADO POIS O COBRE SE ACUMULA NO SOLO E SEU USO EXCESSIVO PODE MATAR AS MINHOCAS.

8.1 - DOENÇAS RADICULARES
Um dos imprevistos no cultivo a campo é a chuva fora de época. Nessa situação, a aplicação da calda bordalesa a 1% (1 kg de sulfato de cobre, 1 kg de cal hidratado ou cal virgem, acrescido em 100 l de água) é recomendada desde que autorizado pelos órgãos de certificação. Essa autorização é necessária porque o cobre pode se acumular no solo, além do fato de que o uso excessivo da calda bordalesa pode matar as minhocas. Em razão disso, a Legislação Brasileira de Orgânicos limita o uso de cobre a 6 kg/ha ano, nas aplicações para controle de doenças.
A concentração da calda bordalesa pode variar de 0,3% a 1,0% para o controle da antracnose,
pestalocia, micosferela e demais doenças fúngicas, devendo ser usada, exclusivamente, antes da floração. 
O produtor deve começar a aplicação com concentrações mais baixas e ir aumentando aos poucos, em função da umidade.
A concentração acima de 1% inibe o crescimento da planta. Após a floração, devem ser aplicados biofertilizantes como protetores, que funcionam bem para a mancha de micosferela.
A aplicação de biofertilizantes nas folhas, além do efeito nutricional para a planta, tem
importante ação sobre o controle de doenças.
Os microorganismos presentes nesses produtos formam uma camada protetora nas folhas, impedindo ou dificultando que bactérias e fungos causadores de doenças consigam penetrar nelas e se desenvolverem.

BIOFERTILIZANTES APLICADOS NAS FOLHAS NUTREM A PLANTA E PROTEGEM CONTRA DOENÇAS CAUSADAS POR FUNGOS E BACTÉRIAS.

Para o controle de outras doenças radiculares, tais como as murchas de Fusarium, Rhizoctonia e Verticillium, temos à disposição um fungo já mencionado, o Trichoderma, encontrado naturalmente em solos com alto teor de matéria orgânica.
Há no mercado diversos produtos comerciais à base de Trichoderma, mas nem todos têm a mesma eficiência para o controle de cada doença, uma vez que, no controle biológico, a interação entre os microrganismos é específica.
O fato é que o produtor pode utilizar com vantagem o Trichoderma no transplante, e em qualquer fase seguinte, caso apareça alguma dessas doenças radiculares, sempre com aplicações no solo.
O Trichoderma tem uma ação direta no combate a esses patógenos pela competição por espaço, e indireta como estimulador do enraizamento, ou seja, estimula a planta a emitir raízes novas, favorecendo sua sobrevivência.

8.2 - CONTROLE DE ÁCARO RAJADO

Para controle do ácaro rajado, o mais eficiente é o uso de controle biológico, com o uso do ácaro
predador Neoseiuluscalifornicus, que tem notável capacidade de se alimentar de outros ácaros, como o ácaro rajado, assim como de ovos, ninfas, larvas e adultos de outros ácaros.
Recomenda-se que a liberação do ácaro predador ocorra no início da infestação do ácaro praga, com a liberação de pelo menos 20.000 ácaros predadores por hectare. As liberações são feitas diretamente sobre as folhas da cultura com o produto comercial.

O CONTROLE BIOLÓGICO É O MEIO MAIS EFICIENTE PARA CONTROLAR O ÁCARO RAJADO.

Quando a infestação está elevada, já com teias, deve-se fazer o controle com fungos (boveria + metarrizium) ou outro produto para reduzir a população. Antes desse controle, deve-se fazer uma pulverização com detergente (coco ou neutro, 2,5ml/L) para eliminar as teias, deixando a praga desprotegida e, em seguida, aplicar o ácaro predador.
Produtos à base de sílica, também podem ser utilizados para o controle do ácaro, pois endurecem a folha e com isso dificulta a alimentação do ácaro praga. No entanto, a sílica deve ser usada com moderação, pois reduz o desenvolvimento da planta. 
O óleo de Neem deve ser evitado no controle de pragas no cultivo do morangueiro orgânico, embora seja um potente inseticida para o controle do ácaro rajado, por exemplo. Infelizmente, esse produto é um inseticida não seletivo, ou seja, mata tanto as pragas quanto os insetos que realizam o controle biológico no cultivo orgânico, como o ácaro predador. Recomenda-se, portanto, que o óleo de Neem seja usado com moderação e na dosagem indicada pelo fabricante, e somente nas reboleiras onde a população de ácaro rajado estiver muito alta, e seja evitada a aplicação na área total, para evitar o seu desequilibro.

8.3 - CONTROLE DE INSETOS

No cultivo orgânico de morango podemos ainda utilizar placas ou faixas adesivas coloridas para o monitoramento e controle de insetos. A cor amarela é sabidamente atrativa para alguns insetos, como por exemplo: pulgões, mosca branca e mosca da larva minadora (bicho mineiro, Liriomyza), assim como a cor azul é atrativa para o trips. Vale ressaltar que a ocorrência de pulgões é um sinal de desequilíbrio nutricional (excesso de nitrogênio). Por isso, reveja a adubação feita ou que esteja sendo feita na cultura.
Além da placa ou faixa adesiva na cor amarela, os pulgões podem ser controlados com o polvilhamento de cinzas, na fase inicial da infestação, ou por meio da pulverização de cinza e cal, cada um na concentração de 2% (20 g por litro de água).
Outros preparados repelentes também são eficientes, como as caldas de pimenta e alho, e o chá de arruda, isso sem falar no uso do Neem.
A calda sulfocálcica (2 kg de enxofre + 1 kg de cal virgem para preparar 10 litros da calda) é outra importante ferramenta no controle de pragas no cultivo do morango orgânico. Na concentração de 0,5%, a calda sulfocálcica controla o trips, que ataca as flores e causam danos no receptáculo floral, levando à formação de frutos deformados.

8.4 - CONTROLE DE NEMATOIDES

Para o controle de nematoides, em especial dos formadores de galha em solos onde o teor de matéria orgânica ainda é baixo (inferior a 20 g/dm3) e a rotação com adubos verde ainda não esteja fazendo esse controle, existem alguns fungos comerciais eficientes. Tanto o Trichoderma harzianum quanto o Paecilomyces lilacinus atuam no controle de nematoides. Via de regra esses agentes de controle biológico são aplicados no momento do transplante.
Para informações adicionais sobre os produtos para controle biológico, sugere-se consultar o site dos fabricantes desses produtos.
Onde são abordados, em detalhes, vários aspectos relevantes para o planejamento da produção de morango, além de diversas técnicas que se aplicam à produção orgânica.