quarta-feira, 20 de maio de 2020

PLANTAS DANINHAS NA CULTURA DA GOIABA


PLANTAS DANINHAS NA CULTURA DA GOIABA

1. INTRODUÇÃO
Recentemente, têm-se observado grandes transformações, em nível mundial, em todas as atividades humanas, sejam elas sociais, econômicas, governamentais e, principalmente, na relação com o meio ambiente. Nesse cenário, encontra-se uma agricultura onde ocorre o uso intenso do solo e o emprego maciço de insumos externos (fertilizantes e defensivos), com incentivo da monocultura, o que possibilitou aumento da produção de alimentos. Todavia, esse sistema resultou em maior destruição dos solos (erosão e degradação da matéria orgânica), maior agressividade das plantas daninhas (práticas de monocultivo e pressão de seleção por diversos herbicidas, utilizados em excesso e com o mesmo mecanismo de ação), redução da biodiversidade, maior incidência de doenças e pragas e, conseqüentemente, poluição do meio ambiente.
Reverter esse quadro significa utilizar a terra de forma mais segura do ponto de vista ambiental e do atendimento ao mercado internacional, que em sua quase totalidade, exige certificação quanto à inocuidade alimentar das frutas, entre elas, a goiaba. Portanto, o sistema de exploração agrícola deve buscar produzir alimentos de alta qualidade, mediante o uso de recursos naturais e tecnologias apropriadas, assegurando produção sustentável, com produtos de ótima qualidade nutricional e com preços competitivos.
Com origem na América Tropical, onde vegeta desde o México até o sul do Brasil, a goiabeira (Psidium guajava L.) encontra-se amplamente disseminada por todas as regiões e subtropicais do mundo, tendo como agente disseminador, principalmente o homem. Entretanto, segundo Medina (1988) e Pereira (1995), as condições ideais de desenvolvimento desta cultura são temperaturas entre 23 e 28 oC, precipitação entre 800 e 1.500 mm e umidade relativa do ar de 75%.
O Brasil é o maior produtor mundial de goiaba, sendo os Estados de São Paulo e Pernambuco os principais responsáveis, com 80% da produção nacional (Guedes e Vilela, 1999). Devido à sua importância econômica, a cultura da goiaba, como qualquer outra cultura comercial, deve ser encarada como atividade empresarial. Nesta cultura, buscam-se aumento de produtividade e qualidade final do produto com reduções do custo e do impacto ambiental. Por isso, o controle eficiente das plantas daninhas deverá ser levado em conta devido aos prejuízos causados pelas espécies invasoras, principalmente nos pomares de goiaba em formação, cuja forte concorrência por nutrientes, água, espaço e luz neste estádio de desenvolvimento, resulta em sérios prejuízos à cultura. As plantas daninhas podem ainda ser hospedeiras alternativas de pragas e doenças, interferir em sistemas de irrigação, afetar a colheita, além de dificultar outros tratos culturais e de manejo do pomar. Todavia, a
cobertura do solo entre as fileiras da cultura, com plantas daninhas vivas ou mortas, pode minimizar a erosão do solo, promover a reciclagem de nutrientes, ser hospedeira de inimigos naturais de pragas e, ainda, fornecer matéria orgânica para o solo.
Dessa forma, o objetivo atual de um programa de manejo integrado de plantas daninhas não se baseia em eliminar totalmente todas as espécies invasoras do solo do pomar e sim, em suprimir os efeitos indesejáveis da sua população, de modo que as perdas econômicas não excedam o custo do programa, procurando-se evitar ao máximo, o impacto negativo ao ambiente pelo uso dos herbicidas ou por outros métodos de controle das plantas daninhas.

2. COMPETIÇÃO ENTRE GOIABEIRA E PLANTAS DANINHAS
A goiabeira se estabelece em diferentes ecossistemas, não exigindo grande fertilidade do solo; todavia, para se obterem resultados economicamente satisfatórios, é necessário manter o solo do pomar em adequado nível de fertilidade (Pereira, 1995). O manejo incorreto das plantas daninhas pode, entre outros fatores, acarretar indisponibilidade de nutrientes para a cultura. Em pomares comerciais na região Sudeste do Brasil, principalmente no norte do Rio de Janeiro, verifica-se a predominância de cultivares obtidos por propagação vegetativa, que, com a utilização da poda, da fertilização e da irrigação, tem produzido três safras, a cada dois anos. Nesse caso, a preocupação com tratos culturais é ainda maior, pois a interferência das plantas daninhas pode comprometer seriamente a safra seguinte.
Por se tratar de cultura perene, a goiabeira necessita de recursos disponíveis e condições de obtê-los durante todo o ano; portanto, faz-se necessário, o conhecimento de como as plantas daninhas competem pelos distintos recursos com a cultura nos seus diferentes estádios de desenvolvimento, nas diversas estações do ano.
Segundo Radosevich et al. (1996), o crescimento e o desenvolvimento de uma planta são regidos por fatores ambientais, que influenciam também a competição intra ou interespecífica, sendo estes fatores divididos em “recursos” e “condições”. Os recursos seriam os fatores consumíveis, que podem se esgotar com a alta demanda (água, nutrientes) ou não estar disponíveis para a espécie devido a condições adversas, sendo exemplo a luz para plantas sombreadas e o CO2 para espécies que se saturam rapidamente. Já as condições são fatores considerados não diretamente consumíveis, como pH do solo, temperatura atmosférica e do solo, densidade do solo (nível de compactação) etc., que afetam a obtenção dos recursos naturais.

2.1 Competição pela água disponível
Ao longo da evolução, as espécies não cultivadas alcançaram alto índice de sobrevivência nas mais adversas condições, possibilitando maior vantagem competitiva para a obtenção dos recursos disponíveis, inclusive a água. Em alguns agroecossistemas, especialmente nos trópicos, em dias quentes, é comum plantas de determinada cultura ficarem completamente murchas, enquanto as plantas daninhas permanecem túrgidas, sem qualquer sinal de déficit hídrico. Essa maior capacidade de extrair a água do solo e sua eficiência na utilização, apresentada por diversas espécies de plantas daninhas, podem ser atribuídas à maior taxa de exploração de volume do solo pelo sistema radicular e às características fisiológicas das plantas, como a capacidade de as raízes se ajustarem osmoticamente. Estas características e rotas fotossintéticas diferenciadas tornam estas plantas altamente competitivas pelos recursos do ambiente, água, luz e nutrientes, uma vez que eles estão inter-relacionados.
As raízes da goiabeira podem atingir até quatro metros de profundidade em solos classificados como medianamente compactos e com considerado nível de fertilidade (Howard, 1925). Pelo fato de possuir essa característica, a goiabeira é reportada como tolerante à seca. Todavia, quando submetida à condição de déficit hídrico prolongado, as plantas de goiaba perdem suas folhas, produzindo apenas uma safra por ano. Por esse motivo, acredita-se que a produtividade da goiabeira possa ser reduzida quando esta cultura estiver sob interferência de plantas daninhas em condições de média a pouca disponibilidade de água no solo. A presença de tais espécies - que apresentam a característica de retirar água do solo sob baixos potenciais - desenvolvendo-se no pomar, poderá tornar esse recurso mais escasso para a cultura, afetando de maneira direta a absorção de nutrientes e o crescimento e desenvolvimento desta.
Segundo Procópio (2003), o picão-preto (Bidens pilosa), planta daninha de maior ocorrência no Brasil, é capaz de extrair água do solo a tensões três vezes menor do que a observada para a cultura da soja. Assim, a presença desta e/ou de outras plantas daninhas, com características semelhantes, infestando pomares de goiaba em períodos de déficit hídrico, poderá causar sério problema no crescimento e desenvolvimento da goiabeira.

2.2 Competição por luz
A competição pela luz é influenciada por diversos fatores, o que torna complexo o seu estudo. Características fisiológicas das espécies infestantes, como folhas umbrófilas ou heliófilas, rota fotossintética, temperatura da folha e controle da regulação estomática, interferem de maneira significativa na sua capacidade competitiva com a cultura.
A goiabeira subsiste em condições de meia-sombra, entretanto, cultivares com destino industrial devem ser instalados somente em áreas com boa exposição aos raios solares, em que a capacidade fotossintética é maior e as condições são menos favoráveis à proliferação de pragas e doenças. Rovira (1988) estudou o ciclo de vida produtivo da goiabeira em ambiente tropical, classificando-o em quatro fases: crescimento, entre dez meses e dois anos de idade; plena produção, dos três até cinco anos; produção, dos cinco até oito anos e senilidade, a partir dos nove anos de idade. Com base nessas informações, pode-se inferir que o período em que a goiabeira está mais suscetível à competição pela luz é na fase de crescimento. Neste estádio de desenvolvimento, o não-controle das plantas daninhas poderá resultar no sombreamento das mudas recém-transplantadas ou plantas jovens, implicando sério prejuízo em relação ao crescimento e desenvolvimento da goiabeira. Soubihe Sobrinho (1956) recomenda o transplante das mudas, produzidas a partir de sementes, quando estas estiverem com 25 cm de altura, de preferência na época das chuvas, para obter maior índice de pegamento. No entanto, em tal condição, os cuidados com o manejo das plantas daninhas devem ser constantes, pois a taxa de crescimento daquelas daninhas presentes na área, na maioria dos casos, será maior do que a da
goiabeira, sendo a cultura rapidamente prejudicada.
Também o fato de a goiabeira necessitar de poda de formação e de frutificação, torna essa cultura com menor poder de competição com as plantas daninhas, pela luz. Por esse motivo, espécies infestantes, como Bidens pilosa, Euphorbia heterophylla, Leunurus sibiricus, Nicandra physaloides, Galinsoga sp. e outras, possuem curto ciclo de reprodução, com grande número de propágulos, podem atingir rapidamente a altura da cultura, sombreando a goiabeira recém-transplantada e exercendo forte competição pelos recursos do meio. Outras espécies de plantas daninhas, como a maioria das gramíneas, possuem o metabolismo C4 e, se mal manejadas, dominam a área com facilidade e, conseqüentemente, as goiabeiras, que, por serem jovens e estarem bem espaçadas entre si, são fracas competidoras pela luz nesta fase. Na poda de frutificação, o desleixo da lavoura quanto à infestação de plantas daninhas poderá comprometer a formação dos frutos, pois o sombreamento proporcionado por determinadas espécies impedirá que as folhas da goiabeira atinjam o ótimo da fotossíntese, o que levaria à conversão de pouca energia para formação de fotoassimilados da fonte (folhas) para o dreno (frutos).

2.3 Competição por nutrientes
As plantas daninhas possuem grande capacidade de extrair do ambiente, os elementos essenciais ao seu crescimento e desenvolvimento e, como conseqüência disso, exercem forte competição com as culturas pelos nutrientes disponíveis, os quais, quase sempre estão em quantidades inferiores às necessidades das culturas em nossos solos (Silva et al., 2002). A ordem de limitação dos nutrientes vai depender da sua quantidade inicial no solo e das características fisiológicas particulares de cada espécie infestante, uma vez que cada espécie possui diferenças na exigência nutricional. Além disso, algumas plantas daninhas possuem grande habilidade tanto em extrair quanto em utilizar com eficiênte determinado nutriente.
Quando se trata de analisar a capacidade de uma espécie de planta daninha em competir por nutrientes deve-se considerar, com maior ênfase, a quantidade extraída do solo do que os teores que ela apresenta na sua matéria seca (Silva et al., 2002). Hiroce et al. (1977), trabalhando com goiabeira cultivar IAC-4, plantada no espaçamento de 6 x 5 m (333 plantas ha-1), considerando produtividade média anual de 75 kg de goiabas por planta, observaram que foram extraídos do pomar 32,7; 3,8; 18,2; 2,0 e 4,0 kg ha-1, respectivamente, de N, P, K, Ca e Mg. Estes valores indicam que a goiabeira é mais exigente em nitrogênio e potássio do que em fósforo, na etapa de frutificação.
Segundo Cicerelli (1977), citado por Pitelli (1985), uma planta de apaga-fogo (Alternanthera tenella) pode acumular em torno de 1,3 g de N, até 70 dias após emergência (DAE), com formação de 80,4 g de matéria seca. Considerando uma infestação não muito elevada de A. tenella no goiabal, esta poderá exercer forte competição por nutrientes, se estiver se desenvolvendo próximo às raízes da cultura. Todavia, se esta espécie estiver se desenvolvendo entre as fileiras, poderá ser de grande utilidade para reciclagem de nutrientes e também para prevenção de erosão, pois se caracteriza por ser uma planta rasteira, que promove excelente cobertura verde no solo.
Trabalho semelhante foi realizado por Pereira e Jones (1954), os quais verificaram que plantas de Bidens pilosa, Tagetes minuta e Amaranthus spp. podem chegar a retirar do solo, quantidades de P2O5 cinco vezes superiores àquelas removidas pelo cafeeiro. Também Silva e Ronchi (2003), avaliando a competição entre diversas espécies de plantas daninhas (Bidens pilosa, Richardia brasiliensis, Leonururs sibiricus e Sida rhombifolia) e plantas de café, observaram capacidade muito superior de extração e acúmulo de nutrientes por essas espécies em relação às plantas de café (Quadros 1 e 2). Esses estudos confirmam a importância do manejo dessas plantas em culturas, visando prevenir efeitos negativos (competição) e positivos (reciclagem de nutrientes).





terça-feira, 12 de maio de 2020

Controle de Invasoras na Goiabeira


Controle de Invasoras

As plantas invasoras, também conhecidas por plantas daninhas ou mato, mas hoje chamadas de plantas espontâneas, competem com a goiabeira, principalmente por água
e nutrientes, podendo prejudicar de maneira significativa o desenvolvimento das plantas (PATHAK et al., 2007). Além disso, as plantas invasoras podem ser hospedeiras
de pragas, doenças e nematoides. Por exemplo, maxixe (Cucumis anguria), apaga-fogo
(Alternanthera tenella), jitirana-cabeluda (Merremia aegyptia) e meloso-da-flor-roxa
(Marsypianthes chamaedrys) são plantas hospedeiras do nematoide-das-galhas (CASTRO
et al., 2007). A jurema-preta (Mimosa tenuiflora) é hospedeira de duas ervas-depassarinho
(Struthanthus vulgaris e Phoradendron sp.), que podem infestar goiabeiras, causando redução no desenvolvimento e na produtividade. Essas e outras invasoras podem dificultar as operações de poda, desbaste e colheita. A corda-de-viola (Ipomoea sp.) e o melão-de-são-caetano (Momordica charantia) também são espécies invasoras, cujos ramos tendem a enrolar-se na goiabeira, deformando a planta e dificultando as operações de adubação, poda de formação e uniformidade de distribuição da água de irrigação, caso o sistema adotado seja o de microaspersão.
No manejo integrado de plantas daninhas, é recomendável recorrer a várias estratégias de controle (manual, mecânico e químico). 
A capina ou roçagem manual é indicada para áreas pequenas, enquanto a roçagem mecanizada por meio de roçadeiras portáteis ou mesmo tratorizada é indicada para grandes áreas. 
Nos primeiros meses depois do transplantio das mudas, quando as plantas ainda estão em fase de pegamento e as raízes podem ser danificadas, recomendase fazer um coroamento manual ao redor das plantas, utilizando-se, para isso, de uma enxada. 
A capina mecanizada pode ser realizada com tração animal ou tratorizada nas entrelinhas da cultura, impedindo que as plantas invasoras se desenvolvam e produzam sementes (COSTA; COSTA, 2003).
A capina química, ou seja, pela utilização de herbicidas, também pode ser feita na cultura da goiaba; no entanto, alguns cuidados são necessários. Recomenda-se que o agricultor procure a assistência técnica, pois a escolha do produto a ser aplicado deve levar em consideração as plantas invasoras presentes na área e o seu nível de infestação.
No início do desenvolvimento das plantas de goiaba, o controle químico deve ser evitado, pois as goiabeiras podem sofrer danos. Por isso, nos primeiros meses, é recomendável que esse tipo de controle seja restrito às entrelinhas.
Utilizar equipamentos adequados é uma garantia de eficiência da aplicação, assim como o de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), evitando, assim, a exposição dos aplicadores aos herbicidas (TÁCIO et al., 2008).
Decorridos aproximadamente 4 anos, o pomar já estará formado e a infestação de plantas invasoras tenderá a ser menor, pois as plantas já conseguirão vencer a competição por água, nutrientes, espaço e luz.
Além disso, o sombreamento causado pelo desenvolvimento das plantas, bem como a deposição de folhas secas sobre o solo reduz a germinação e o desenvolvimento de plantas invasoras.
A fim de evitar que sementes ou outros propágulos de plantas daninhas sejam transportados para áreas novas, recomenda-se, como medidas preventivas, a limpeza de equipamentos – como implementos agrícolas, rodas de tratores e roupas dos operários, se tiverem entrado em áreas infestadas
(CONSTANTIN, 2001).
É importante lembrar que, embora as plantas invasoras possam concorrer por água, nutrientes, espaço e luz, possam també ser reservatórios de pragas e/ou doenças,
elas apresentam alguns benefícios, como: redução da erosão e das perdas de água,
preservação da estrutura do solo, incremento de matéria orgânica e redução da lixiviação e da volatilização dos adubos (MANICA, 2000). Ademais, conforme lembram Altieri et al. (2003), a presença de plantas daninhas no pomar favorece o aumento do número de predadores e parasitoides dos insetos-praga, em decorrência de maior disponibilidade de presas e por serem fontes de néctar e pólen para os inimigos naturais.



terça-feira, 5 de maio de 2020

Escolha da Cultivar de Goiabeira


ESCOLHA DA CULTIVAR 

As cultivares diferem, entre si, em diversos aspectos, como o formato da copa (algumas mais eretas outras mais esparramadas), produtividade, época de produção (precoce, meia estação e tardia), número, tamanho e formato de fruto, coloração da polpa, características físico-químicas, vida útil pós-colheita e resistência às pragas e as doenças. 
As cultivares diferenciam-se também quanto ao destino da produção. Para o mercado de frutas in natura, a preferência é por frutos firmes, com casca grossa e resistente, com polpa espessa, saborosa, doce e baixa acidez. O mercado nacional de frutas frescas remunera melhor os frutos de polpa avermelhada que possui a preferência da maioria dos consumidores. As cultivares de polpa branca são recomendadas para fins de exportação, apresentam uma vida útil pós-colheita mais longa e um aroma mais discreto, o que as torna mais finas e delicadas.

PRINCIPAIS CULTIVARES NO MERCADO 

Paluma: Seleção obtida a partir de sementes de plantas de polinização aberta de Ruby Supreme pelo Prof. Dr. Fernando Mendes Pereira, UNESP/Jaboticabal/SP. Apresenta plantas com excelente produtividade (50 t ha-1), vigorosas, com crescimento lateral, boa tolerância à ferrugem. Possui frutos grandes (acima de 200 g mesmo em plantas não desbastadas), formato piriforme, casca lisa, polpa vermelha e espessa e sabor agradável. Comercializada com finalidade de industrialização e consumo in natura. Em função de sua menor vida útil pós-colheita quando comparada as cultivares Pedro Sato, Sassaoka e Kumagai, deve-se atender a mercados próximos da região produtora (Figura 4). 

Figura 4 – Cultivar Paluma.

Pedro Sato: Provavelmente é originária de plantas propagadas por sementes da cultivar Ogawa nº 1 – Vermelha e selecionada em Nova Iguaçu/RJ. As plantas são vigorosas, com crescimento vertical e média produtividade. Os frutos são grandes (acima de 400 g quando desbastado, porém quando não ocorre o raleio, apresentam peso entre 150 e 280g), formato oblongo, casca rugosa, polpa rosada e espessa, sabor agradável e ótima vida útil pós-colheita. Finalidade para produção de goiaba de mesa (Figura 5).

Figura 5 – Cultivar Pedro Sato. 

Kumagai: Obtida a partir de uma seleção efetuada por produtores do município de Valinhos/SP. As plantas são abertas, médio vigor e bastantes produtivas. Os frutos são grandes (300 a 400 gramas), formato arredondado a oblongo, casca lisa, polpa branca e firme, sabor pouco acentuado e levemente ácido, ótima vida útil pós-colheita. Finalidade mesa e à exportação (Figura 6). 

Figura 6 – Cultivar Kumagai. 

Sassaoka: Originária de planta de goiaba comum, propagada inicialmente por semente e cultivada no município de Valinhos/SP.  
Apresenta plantas com média produtividade, eretas e com bom vigor. Os frutos são grandes (acima de 300 g), formato arredondado, com casca rugosa, polpa rosada e espessa, sabor suave e excelente vida útil pós-colheita. Selecionada para a produção de goiaba de mesa (Figura 7). 

Figura 7 – Cultivar Sassaoka. 

Século XXI: Resultado do cruzamento entre as cultivares Supreme 2 e Paluma, desenvolvida na UNESP de Jaboticabal/SP. As plantas são muito produtivas, com ciclo curto (130 dias do florescimento à colheita) e crescimento horizontal. Os frutos são grandes (média de 200 a 300 g), casca rugosa, polpa espessa, rósea-avermelhada e com poucas e pequenas sementes. São mais adocicadas e exalam aroma mais suave que as tradicionalmente encontradas no mercado. É menos ácida e possui teor elevado de vitamina C. Ideal para indústria e mesa (Figura 8). 

Figura 8 – Cultivar Século XXI. 

Ogawa 
Obtidas de cruzamentos através de polinização cruzada das cultivares: Comum, Ceará, Australiana e Araçá, em Seropédica/RJ. Os resultados foram as cultivares: Ogawa nº 1 (vermelha), Ogawa nº 1 (branca), Ogawa nº 2 e Ogawa nº 3, ambas vermelhas (Figura 9). 

Figura 9 – Cultivar Ogawa de polpa vermelha. 

Ogawa nº1 (vermelha): Obtida do cruzamento entre a goiaba comum e a Ceará. As plantas são vigorosas, altamente produtivas e com crescimento vertical. Os frutos são grandes (300 a 350 g), formato arredondado, casca lisa, polpa espessa, rosada a vermelha e poucas sementes. Muito doce e suculenta. Finalidade para o comércio in natura. 
Ogawa nº 1 (branca): Obtida do cruzamento da goiaba comum e a Australiana. As plantas são vigorosas, com crescimento lateral e boa produtividade. Os frutos são grandes (300 a 400 g e às vezes até 700 g, quando submetidos ao raleio), formato oblongo a ovalado, casca levemente rugosa, polpa branca, espessa e firme, poucas sementes e muito doce. 
Ogawa nº 2: É o resultado do cruzamento entre a Ogawa nº 1 (vermelha) com Araçá (Vermelha). As plantas apresentam crescimento lateral, porte pequeno e grande produtividade. Os frutos são grandes (300 a 400 g), formato arredondado, casca lisa, polpa vermelha, espessa e firme e poucas sementes. 
Ogawa nº 3: Proveniente do cruzamento entre a Ogawa nº 1 (vermelha) e a Ogawa nº 2. As plantas apresentam copa compacta, de porte médio, com crescimento lateral e bastante produtivas. Os frutos são grandes (300 g), formato arredondado a oblongo e polpa rosada a vermelha. A casca é lisa, podendo apresentar uma leve rugosidade. 

Novo Milênio: Origem Jaboticabal/SP. Finalidade mesa, boa produtividade, frutos com casca lisa e polpa vermelha. Tem sido bastante cultivada na região de Ivinhema (MS) com apoio da AGRAER (Agência de Desenvolvimento e Extensão Rural) (Figura 10). 

Figura 10 – Cultivar Novo Milênio. 

Cascuda de Pariquera-Açú: Origem Pariquera-Açú/SP. Finalidade mesa, frutos arredondados, casca rugosa e polpa vermelha (Figura 11). 

Figura 11 – Cultivar Cascuda de Pariquera-Açú. 

segunda-feira, 20 de abril de 2020

BIOLOGIA da GOIABEIRA


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Visão geral criada por IA

A goiabeira (Psidium guajava L.), da família Myrtaceae, é uma pequena árvore tropical, semidecídua, com 3 a 6 metros de altura, casca lisa que descama e ramos quadrangulares. Originária da América Central e do Sul, adapta-se a solos férteis e bem drenados. Seus frutos são bagos ricos em vitamina C, produzindo de 1 a 1,5 anos após o plantio. 

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1. PLANTA 
A goiabeira (Psidium guajava L.) pertence à família das Mirtáceas, sendo essa espécie a mais conhecida no Brasil. A planta apresenta porte pequeno a médio, podendo atingir de 3 a 8 metros quando não podadas. Os ramos são redondos, tortuosos, com a casca lisa, castanho arroxeado-clara, que se solta em lâminas. As folhas são opostas, grossas, coriáceas, de coloração verde-amarelada e persistentes. Em geral, as flores e frutos aparecem nas axilas das folhas. O sistema radicular apresenta raízes adventícias primárias que se concentram a uma profundidade de 30 cm no solo, de onde se desenvolvem verticalmente as raízes adventícias secundárias, que chegam à profundidade de 4 a 5 metros, de onde crescem as radicelas. O fruto é do tipo baga, globosa e de tamanho, forma, sabor, aroma, espessura e coloração da polpa muito variáveis (Figura 1). 

Figura 1 - Vista geral de uma planta de goiabeira cultivar Pedro Sato - Bauru/SP. 

Nas culturas comerciais são realizadas podas anuais o que tem possibilitado reduzir o porte das goiabeiras para alturas em torno de 3 metros. O crescimento lateral tem sido também reduzido pelas podas, permitindo o estabelecimento de pomares em espaçamentos menores. A utilização de poda dos ramos e raleio intenso de frutos promovem, em geral, um maior peso dos frutos. 
A goiabeira, no Estado de São Paulo, inicia as novas brotações predominantemente no início do período chuvoso, setembro e outubro. As brotações não são uniformes, razão pela qual a florada ocorre durante o período de setembro a novembro e a maturação dos frutos no período de janeiro a março. A produção pode ocorrer durante todo o ano, que é conseguido através de poda drástica realizada em diferentes épocas do ano, associada à poda verde e irrigação. As inflorescências surgem apenas nos ramos do ano e apresentam grande e pronta resposta à poda parcial da copa. 

2. BIOLOGIA FLORAL 
A inflorescência é do tipo dicásio, isto é, a gema florífera do ramo do ano desabrocha, trazendo um botão na extremidade do eixo. Este possui na sua base duas brácteas opostas, em cujas axilas surgem dois novos botões florais laterais. Como conseqüência, as flores da goiabeira podem-se apresentar isoladas ou em grupos de duas a três, na axila das folhas de ramos em crescimento (Figuras 2A e 2B). São brancas, hermafroditas, com quatro ou cinco pétalas; possuem estames longos e numerosos e um único pistilo central, sendo o cálice persistente. O ovário ínfero, plurilocular com numerosos óvulos (Figura 2C). As inflorescências surgem nos ramos do ano. 

Figura 2 - Botão floral isolado (A), botão floral em grupos (B) e flor da goiabeira (C). 

É mais comum à presença de inflorescências com apenas um botão florífero, sendo encontrado também inflorescências com dois e três botões. A ocorrência de botões florais isolados ou em grupos varia em função das condições ambientais, da fertilidade do solo e, principalmente, da cultivar. Essa característica pode ser importante, porque interferi diretamente na necessidade ou não de realização de desbaste de frutos, o que pode alterar os custos de produção. Na maioria dos casos o botão do eixo principal é o único que chega a desenvolver o fruto. 
A abertura floral ocorre por volta das 06h00m prolongando-se por aproximadamente uma hora. Esta hora de inicio é variável e está na dependência da temperatura do dia. A deiscência das anteras e a receptividade do estigma ocorrem logo depois da abertura da flor. As pétalas e os estames começam a cair no mesmo dia da abertura da flor, levando-se aproximadamente cinco dias para a sua queda total. 
Na goiabeira, devido à presença de flores hermafroditas, ocorrem principalmente a autopolinização e a polinização cruzada pelo transporte do pólen, principalmente pelas abelhas de uma flor para outra. O principal agente polinizador é a abelha européia Apis mellifera (Figura 3A), existem outras espécies que também visitam as flores, como por exemplo, mamangava (Bombus morio) (Figura 3B); arapuá (Trigona spinipes) (Figura 3C), etc. 

Figura 3. Flor da goiabeira polinizada pela abelha européia (A), mamangava (B) e arapuá (C). 

Todos os visitantes florais concentram-se nas flores apenas no período da manhã, com pico de visitação, por volta de uma hora após o início da abertura das flores, quando há maior disponibilidade de alimento no pomar. 
Normalmente, o pegamento dos frutos da goiabeira é de aproximadamente 20%, considerando-se a relação entre o número de botões florais emitidos pela goiabeira e o número de frutos colhidos. O ciclo entre a fecundação da flor e o ponto normal de colheita do fruto é de aproximadamente 130 dias. 










quarta-feira, 8 de abril de 2020

Podas e Raleio na Goiabeira



Podas e Raleio

Na cultura da goiaba, são feitos diferentes tipos de poda, conforme os seguintes objetivos: escalonamento da produção, melhoria da arquitetura e do arejamento da planta, obtenção de frutos de qualidade, eliminação de frutos com defeito e facilitação dos tratamentos fitossanitários.


Poda de formação

O objetivo da poda de formação é orientar a planta de modo a se obterem ramos bem distribuídos (arquitetura equilibrada e arejada), permitindo, assim, uma maior penetração da luz solar e favorecer a ventilação no interior da copa. Isso garantirá um controle fitossanitário mais eficiente e facilitará os tratos culturais. 
A planta deve ser conduzida em haste única, de até 50 cm ou 60 cm de altura, quando, então, a gema terminal deverá ser eliminada. 
A partir das brotações que surgirem, deve-se deixar três ou quatro pernadas bem distribuídas, nosentido dos quatro pontos cardiais.
As pernadas principais ou ramos primários devem ser podados depois do seu amadurecimento, de modo que fiquem com 40 cm a 50 cm de comprimento, proporcionando a formação básica da copa.
Devem ser também eliminados os ramos voltados para baixo, a uma altura mínima de 40 cm a 50 cm em relação à superfície do solo. Isso evita que as folhas entrem em contato com o solo, desfavorecendo, assim, o desenvolvimento de fungos causadoresde doenças. 
Os galhos muito vigorosos, que dificultarem a colheita e os tratos culturais, devem ser rebaixados até a altura padrão do pomar.

Poda de frutificação

Goiabeiras destinadas principalmente à produção de frutas para consumo in natura devem ser podadas, visando ao escalonamento da produção. Sabe-se que a goiabeira responde bem à poda de frutificação, pois, independentemente da época do ano, as flores surgem somente nas brotações oriundas dos ramos maduros. No entanto, dois aspectos de fundamental importância devem ser considerados: a época do ano e a intensidade da poda.
Com relação à época do ano, quando as condições climáticas prevalentes (temperatura, luminosidade e umidade relativa do ar) forem adequadas, a poda da goiabeira poderá ser realizada em qualquer período do ano, principalmente quando seutiliza irrigação. Esse procedimento tem sido adotado na maioria das áreas irrigadas do Nordeste brasileiro. Contudo, a época da poda de frutificação deve estar condicionada ao período em que se pretende colher os frutos. É importante lembrar que os ramos a serem podados devem estar maduros e com as gemas aptas à brotação. 
Às vezes, na região Nordeste, nos períodos mais frios do ano, ou seja, de maio a julho, há uma inibição da brotação e, consequentemente, da frutificação, que se tornam mais lentas em comparação aos demais meses.
Quanto à intensidade, a poda de frutificação
pode ser contínua ou drástica.
A poda contínua consiste na poda de apenas uma parte dos ramos, numa mesma época.
Já a poda drástica representa a poda total da planta, numa mesma ocasião. A seleção de um desses métodos vai depender basicamente do sistema de manejo e da expectativa de venda do produtor, expectativa esta que deve estar sempre atrelada às conveniências do mercado consumidor. 
Outro aspecto importante é que a poda contínua favorece uma produção durante o ano inteiro, pois podem ser encontrados, numa mesma planta, todos os estádios de desenvolvimento do fruto (botões florais, flores, frutos em desenvolvimento e frutos em ponto de colheita).
No caso da poda contínua, o encurtamento dos ramos que já produziram deve, geralmente, ser feito um mês depois da colheita do último fruto daquele ramo. 
Quando se adota o sistema de poda contínua, deve-se estar atento para a ocorrência de pragas e
doenças que, em geral, surgem com maior intensidade do que no sistema de poda drástica, pois a área anteriormente podada será fonte de infestação para a posterior. A poda contínua pode esgotar a planta, já que ela não ganha um período de repouso depois da safra, quando, então, poderia recompor as reservas despendidas com as brotações e as frutificações contínuas. Diante disso, a poda drástica destaca-se como a mais adequada para a cultura da goiabeira, devendo a
continuidade da oferta de goiaba ser suprida com a poda escalonada ao longo do ano.
A utilização de substâncias desfolhantes deve ser realizada antes da poda de frutificação, para induzir a planta a antecipar a sua produção, no sentido de concentrar a safra em um período comercialmente favorável.
No Havaí, pulveriza-se a planta com uma solução de ureia a 25%, como substância desfolhante (SHIGEURA et al., 1975). Bovery (1968) constatou, em Porto Rico, que o diquat e o paraquat foram eficientes no desfolhamento da goiabeira. Gonzaga Neto et al. (1997), em trabalho realizado no Submédio do Vale do São Francisco, constataram que a pulverização de ureia na concentração de 10% ou 15%, seguida da aplicação de cianamida hidrogenada, na dosagem de 1% ou 1,5%, depois da poda de frutificação aumentou a produtividade e reduziu em 30 dias o período de colheita da goiaba. Esse recurso poderá ser utilizado pelo produtor para concentrar a safra.
As podas de frutificação, a drástica e a contínua, devem ser praticadas com o conhecimento dos princípios de fisiologia da planta. Tais princípios, de acordo com Kavati (1997) e Piza Júnior (1994), estão, em geral, associados ao acúmulo e à pressão das seivas bruta e elaborada, pois elas contêm, além dos nutrientes essenciais à planta, substâncias hormonais indispensáveis à floração e à frutificação da goiabeira. Esses autores enumeram os seguintes princípiosfisiológicos.

• A circulação rápida da seiva favorece o desenvolvimento vegetativo, enquanto a circulação lenta estimula a produção de frutos. Segundo Piza Júnior (1994), quanto mais rápido for o transporte da seiva, maior será o número de gemas vegetativas que surgirão, originando brotações vigorosas, porém sem frutos. Por sua vez, a circulação mais lenta possibilita o acúmulo de reservas nas gemas localizadas ao longo dos ramos maduros, as quais, por esse motivo,se transformamem gemas frutíferas.

• A circulação da seiva será mais intensa quanto mais retilíneo for o ramo. Para Kavati (1997) e Piza Júnior (1994), quanto mais obstáculos houver à circulação da seiva, numa planta ou ramo, maior será a possibilidade de a planta ou o ramo florescer e frutificar. Nesse caso, a resposta à floração e à frutificação está associada ao acúmulo de reservas propiciadas pela circulação mais
lenta da seiva na planta ou no ramoem questão. 
É comum, em pomares de goiabeira, produtores praticarem o amarrio dos ramos, encurvando-
os no sentido do solo. A utilização da técnica do anelamento ou estrangulamento de ramos tambémtem a mesma finalidade.

• Os ramos em posição vertical favorecem a velocidade de circulação da seiva, sendo, então, maior do que em ramos em posição horizontal. Eis aí um dos motivos para eliminar os ramos ditos ladrões, que, em geral, encontram-se em posição vertical, e, por isso, quase sempre são improdutivos.
Portanto, por ocasião da poda de frutificação, devem-se deixar, preferencialmente, os ramos em posição horizontal, pois esses têm maior probabilidade de se tornar frutíferos. Desde que a arquitetura da copa da variedade o permita, devem-se eliminar os ramos de crescimento
vertical, preferindo deixar na planta aqueles em posição horizontal.
Nesses, a velocidade de circulação de seiva é menor e, portanto, estãomais aptos a frutificar.

• A seiva dirige-se com mais intensidade às partes mais altas e iluminadas da planta, onde as taxas de transpiração e de fotossíntese são mais intensas. Dessa forma, é importante, depois da poda de frutificação, e numa situação de brotação excessiva da planta, eliminar o excesso deramos e folhas do topo da planta, uma vez que essas também utilizam grande parte dos assimilados, que poderiam ser destinados aos processos de floração, frutificação e desenvolvimentodos frutos.

• É recomendável avaliar a quantidade e o vigor dos ramos secundários que estão nos ramos em frutificação, uma vez que competem entre si por assimilados, com frutos em crescimento, existentes em uma mesma unidade produtiva. Partindo desse princípio, é recomendável que se faça, logo após a poda de frutificação, uma avaliação criteriosa do número de ramos secundários que devem permanecer nos ramos em frutificação.

• O desbaste de ramos secundários tende a aumentar o vigor do ramo principal, o que inibe a brotação de gemas axilares daquele ramo.
Por esse motivo, é necessário identificar os ramos secundários a serem eliminados, bem como a época de sua eliminação. A eliminação desses ramos antes da emissão dos botões florais poderá acarretar perdas, decorrentes da eliminação errônea de ramos frutíferos que ainda não tenham emitido botões florais. Em geral, os botões florais aparecem depois da emissão do terceiro ou quarto par de folhas, ocasião teoricamente correta para que se proceda ao desbaste dos ramos secundários em excesso.
Isso deve ser realizado por ocasião do desbaste de ramos após a brotação oriunda da poda de frutificação.
Deve-se primar por um equilíbrio, pois a eliminação excessiva de ramos secundários poderá propiciar o crescimento, também excessivo, do ramo principal e, assim, aumentar a competição
por assimilados com os frutos em desenvolvimento. Por sua vez, se esse desbaste for realizado antes da brotação das gemas frutíferas, poderá implicar a redução da produção de frutos por planta, decorrente da inibição da brotação das gemas axilares
remanescentes no ramo principal.
A taxa de translocação de assimilados para a extremidade do ramo principal deve ser minimizada, eliminando-se apenas os ramos em excesso, bem como aqueles que possam causar atritos e ferimentos aos frutos.

• O encurtamento do ramo favorece o aparecimento de brotação lateral.
De acordo com Kavati (1997), o encurtamento e a eliminação da porção terminal do ramo devem ser feitos logo acima de uma gema voltada para fora da copa. Essa poda, em geral, diminui a dominância apical, em decorrência da redução do teor de auxina existente na planta. Isso aumenta a probabilidade de brotação das gemas no ramo que sofreu um encurtamento.
Na prática, a poda de frutificação da goiabeira está estreitamente ligada a esse princípio. As brotações emitidas logo após a poda de frutificação condicionam a redução da produção de auxina que se desenvolve nas suas extremidades, estimulando a brotação das demais gemas axilares. 
É importante que o encurtamento do ramo seja realizado de acordo com o seu vigor, lembrando
que ramos vigorosos costumam ser mais longos do que os finos.
A observação dessa prática é muito importante, pois os ramos vigorosos tendem a não frutificar quando podados curtos (Figura 3), enquanto os ramos mais finos, quando podados longos, tendem a produzir frutos dequalidade inferior.

Figura 3. Poda curta em ramo vigoroso.

A produtividade da planta podada é função da relação carbono/nitrogênio (C/N) que existe no ramo depois da poda. É sabido que, para se obter uma frutificação satisfatória, é necessário que a relação C/N seja alta. Entretanto, como o teor de carbono é mais elevado na extremidade do ramo quando comparado com o de nitrogênio que se concentra na base do ramo, o encurtamento do ramo em direção a sua base deve ser feito com bastante cuidado. 
Na prática, pode-se dizer que a relação C/N aumenta da base para a extremidade do ramo. No entanto, a influência da relação C/N, em geral, é mais pronunciada nos ramos mais vigorosos.
O desconhecimento da influência dessa relação, na poda de frutificação, pode levar à obtenção de produtividades insatisfatórias ou à produção de frutos sem valor comercial.
Em razão disso, recomenda-se poda longa para ramos grossos e poda curta para os finos. A observação desse princípio é essencial em plantas que são submetidas a períodos de repouso, uma vez que, nessas plantas, a influência da relação C/N é mais pronunciada do que naquelas em que a poda é feita continuamente. Kavati (1997) cita os seguintes tipos de poda:

Poda à coroa – encurtamento radical do ramo, que fica reduzido à coroa, que vem a ser a porção mais grossa do ramo, localizadana sua base.

Poda a esporão – encurtamento do ramo, a um comprimento aproximado de 4 cm a 6 cm, deixando apenas duas ou três gemas.

Poda em vara – encurtamento do ramo, ao comprimento de 10 cm a 20 cm, mantendo o maior número possível de gemas.
Para facilitar a poda e evitar erros que não podem ser corrigidos depois do corte dos ramos, o produtor deve executar essa operação com bastante cautela. Kavati (1997) sugere que, durante a poda de frutificação, seja estabelecida a seguinte sequência:

1. Iniciar a poda removendo os ramos quebrados, mortos e doentes.
2. Remover os ramos ladrões.
3. Remover os ramos que estão muito próximos e, assim, evitar atrito entre eles e com os próprios frutos após a frutificação.
4. Remover os ramos que se dirigem para o centro da copa ou que se cruzam no interior dela.
5. Remover os ramos direcionados ao solo, pois, em geral, são improdutivos.
6. Executar a poda de frutificação conforme os princípios fisiológicos descritos.

Raleio dos frutos e poda de limpeza

A goiaba destinada ao consumo in natura deve apresentar uniformidade, no que diz respeito ao tamanho, à coloração da casca, à firmeza, ao peso, etc. Por essa razão, é aconselhável realizar o raleio de frutos quando ocorrer frutificação excessiva. O número de frutos deixados por planta após o raleio influi diretamente no tamanho e no peso final deles. Outra medida importante, que também faz parte do raleio, é a eliminação dos frutos danificados fisicamente ou que apresentem sinais de ataque de pragas e doenças. Portanto, só devem permanecer na planta os frutos com boa aparência, sem defeitos, capazes de assegurar o padrão de qualidade requeridopelo mercado consumidor.
Por ocasião do plantio, recomendase dar preferência às variedades com boa produtividade e aceitação comercial, masque emitam botões florais isolados ao invés daquelas que produzem botões em cachos, mesmo considerando que nem sempre todos os botões produzirão frutos. Nas variedades que produzem botões florais em cacho, quando dois ou mais frutos vingam, aquele
originário do botão floral central quase sempre apresenta maior desenvolvimento, pois é o botão que surge primeiro. A ocorrência de abortamento de frutos laterais é muito comum em goiabeira, durante os primeiros estádios de desenvolvimento.
O estádio de maturação dos ramos aptos ao florescimento, a localização das gemas floríferas e a diferenciação entre frutos desenvolvidos de botões florais centrais e laterais são aspectos que devem ser conhecidos e observados nas operações de poda de frutificação e desbaste de frutos, em pomares comerciais. A observação desses aspectos certamente definirá o grau de sucesso dos cruzamentos orientados para o melhoramento genético e, sobretudo, para a obtenção de frutos que atendam ao padrão de qualidade exigido pelos mercados.
Depois da formação básica da copa, os ramos secos, os doentes e os entrelaçados e as brotações que se dirigem para o centro da copa devem ser eliminados, depois de cada ciclo de produção.




sexta-feira, 3 de abril de 2020

Consorciação na Cultura da Goiaba



A consorciação da goiabeira com culturas de ciclo curto deve ser incentivada durante o período de formação do pomar, como medida para amortizar parte dos investimentos, ou mesmo para cobrir os custos durante o período em que as plantas estiverem sendo formadas.
A compatibilidade da consorciação da goiabeira com outras culturas está relacionada ao sistema de irrigação adotado. 
Quando o sistema concebido for do tipo aspersão ou sulco, será possível a consorciação de uma
grande diversidade de culturas.
 Porém, esses métodos dificultam a utilização de práticas culturais que possam reduzir o custo de produção da goiabeira. 
No caso do uso de sistemas de irrigação localizada, a consorciação só será viável se o plantio dessas culturas for realizado em linhas paralelas às do cultivo da goiabeira, e desde que a competição por água, nutrientes e energia solar seja mínima entre as culturas.
Entre as culturas que podem ser utilizadas em consórcio com a goiabeira, destacam-se: feijão, tomate para a indústria, cebola, melancia
e melão. 
Entretanto, deve ser evitado o consórcio com culturas que sejam suscetíveis aos patógenos que atacam a goiabeira, principalmente ao nematoide M. mayaguensis, que, atualmente, é um dos principais problemas da cultura, não existindo aindamétodos eficientes para seu controle. 
Em regiões de ocorrência desse patógeno, devese evitar, então, a consorciação com feijoeiro, tomateiro, melancieiro e meloeiro, por serem culturas suscetíveis ao nematoide.
A prática de intercalar culturas em pomares de goiabeira orientados para a exportação de frutas poderá ser adotada, embora apresente algumas restrições.  A principal condição restritiva diz respeito ao método de irrigação empregado: a consorciação só é possível quando se adota a irrigação por aspersão, que é o sistema menos aconselhável para o cultivo da goiabeira cujos frutos se destinem à exportação. Restará, pois, a consorciação no período das chuvas, uma atividade pouco atraente, dada a irregularidade temporal e espacial das precipitações no Nordeste.
Entre as culturas que podem ser consorciadas com a goiabeira, desde que se use irrigação por aspersão, incluem-se o caupi, o milho, o tomate industrial e a melancia, entre outras.
É importante frisar, entretanto, que em virtude do alto padrão de qualidade exigido pelo mercado importador de frutas frescas, não se aconselha a prática da consorciação nos pomares destinados a produzir goiabas de exportação. Neste caso, os produtores deverão dedicar o máximo de atenção possível ao seu principal empreendimento, a fim de obter frutas dentro dos padrões internacionais exigidos, ou correrão o risco de não alcançar a capacidade necessária para competir em um mercado cada vez mais exigente, do qual são automaticamente excluídos os fruticultores que não apresentarem produtos com as devidas qualificações.
A consorciação poderá e deverá ser incentivada apenas na fase de formação do goiabal, até mesmo como um possível meio de amortizar parte do investimento financeiro realizado ou de agilizar o seu retorno.


sábado, 21 de março de 2020

Propagação da Goiabeira



A produção de mudas de goiabeira pode ser feita tanto por métodos sexuados (sementes) quanto por métodos vegetativos (enxertia e estaquia herbácea).utilização de sementes no processo de formação de mudas vem sendo substituída pelos métodos de propagação vegetativa,
que reduzem a variabilidade das plantas e dos frutos nos pomares. 
As sementes são utilizadas somente para a formação dos porta-enxertos, durante o processo de enxertia (garfagem e/ou borbulhia).
Comercialmente, a estaquia herbácea e a enxertia são os métodos mais utilizados.
A enxertia pode ser por garfagem de fenda cheia ou por borbulhia. 
O porta-enxerto é formado por sementes retiradas de frutos maduros, provenientes de plantas matrizes sadias, precoces e com boas condições fitossanitárias. 
As sementes devem ser retiradas, despolpadas, secadas à sombra e tratadas com fungicidas, antes de serem semeadas. 
A semeadura é feita em sacos de plástico contendo a mistura de terra de barranco + esterco de curral + areia (4:2:1 v/v), nos quais devem ser colocadas três ou quatro sementes. 
Quando as mudas tingirem a altura de 8 cm a 10 cm, será feito o desbaste, para deixá-las mais vigorosas.
Em regiões tropicais com irrigação, a semeadura pode ser feita em qualquer período do ano; entretanto, nas regiões com clima mais ameno, deve-se fazer a semeadura no início da primavera (GONZAGA NETO;SOARES, 1994).
No momento da enxertia, o porta-enxerto deve apresentar diâmetro entre 10 mm e 12 mm. Os garfos ou borbulhas devem ter o mesmo diâmetro do porta-enxerto e devem ser provenientes de ramos maduros (de 8 a 10 meses de idade). 
Depois da realização da enxertia, quando a mudaatingir de 40 cm a 50 cm de altura, e transcorridos de 18 a 26 meses da semeadura do porta-enxerto, a muda poderá ser aclimatada e plantada em local definitivo (GONZAGA NETO; SOARES, 1995).
A estaquia é um método de propagação bastante utilizado em fruticultura, por manter as características genéticas da planta- mãe, gerando maior uniformidade dos pomares, além de aumentar a produtividade e melhorar a qualidade dos frutos. As estacas são retiradas da extremidade de ramos novos da planta-mãe e devem ter dois nós, 12 cm de comprimento e dois pares de folhas cortadas ao meio. 
Um corte em bisel é feito na base da estaca para aumentar a área de enraizamento. Como as estacas são sensíveis à perda de água e ao ressecamento, devem ser colocadas em câmara de nebulização intermitente, com temperatura e umidade controladas. 
Não há necessidade de aplicar reguladores de crescimento nas estacas.
Elas podem ser plantadas em bandejas, ou em canteiros, ou diretamente em sacos de polietileno, contendo como substrato a vermiculita ou a palha de arroz carbonizada.
Depois do enraizamento, de 60 a 75 dias depois do início do processo de preparo das mudas, faz-se a seleção das estacas com melhores desenvolvimento e formação de raízes (MANICA.
As mudas devem ser transplantadas para sacos de polietileno preto, com volume de 2 L a 3 L, preenchidos com terra de barranco, esterco de curral e areia, nas proporções 4:2:1, respectivamente, e mantidas em ambiente protegido, com irrigação controlada, até atingir a altura de 40 cm a 50 cm, durante um período de 4 a 6 meses.
Depois desse período, devem ser aclimatadas gradativamente, até que possam ser plantadas no local.
É preciso lembrar que a utilização de solo como substrato pode favorecer a disseminação do nematoide-das-galhas da goiabeira (Meloidogyne mayaguensis), agente responsável pela destruição de extensas áreas de plantio. 
Atualmente, conscientes do problema, viveiristas passaram a utilizar, como substrato, produtos contendo argila expandida ou compostos de resíduos da indústria de celulose.



5 Propagação



5.1 Semente
Apesar de ser ainda utilizada, a propagação por sementes tem reduzida importância, por causa da excessiva variação do tipo de planta que se forma no pomar, dificultando até mesmo o manejo das podas de frutificação.

5.2 Estaquia
A estaquia herbácea é atualmente o método de propagação da goiabeira mais adequado, que consiste na clonagem (multiplicação de uma mesma matriz) por meio do enraizamento de “ramos ponteiros” de uma plana altamente produtiva, da qual são retiradas até duas mil estacas, por ciclo, após a poda. Esse método permite a obtenção de um pomar uniforme, iniciando a primeira safra no oitavo mês após o plantio, uma segunda safra após 18 meses, e a partir daí, de seis em seis meses após a poda.
A muda de estaquia pode ser comercializada no tipo vareta com haste única ou pernada com ramos primários já formados, podendo ser transportada com raiz nua ou em torrão. O processo de produção por mudas de estaquia exige estrutura de controle de umidade e temperatura para garantir o enraizamento.

5.3 Borbulhia
A propagação por enxertia é realizada sob viveiro coberto com tela plástica de 50% de luminosidade. As mudas podem ser feitas por este método, lembrando-se que no verão esse método propicia melhor pegamento. A copa (matriz) é enxertada sobre um cavalo (porta-enxerto) proveniente de semente, o que aumenta o vigor da planta. É o processo mais rápido e eficiente para se propagar uma goiabeira selecionada.
Na borbulhia de placa ou janela aberta, inicialmente fazem- se no porta-enxerto duas incisões transversais e duas longitudinais, retirando-se a casca contida no retângulo, de modo que a área a ser ocupada pela borbulha fique livre. A borbulha ou gema é retirada do ramo fazendo-se duas incisões transversais e duas incisões longitudinais iguais às praticadas no cavalo ou porta- enxerto, de modo a se obter um escudo idêntico à porção de casca dele retirada. A seguir, a borbulha é embutida no retângulo vazio, devendo ficar inteiramente em contato com os tecidos do cavalo. Em seguida, fixa-se o escudo com amarrio.
Os cavalos podem ser enxertados com diâmetro de 1 a 4 cm, sendo o mais indicado com o diâmetro e 1,5 a 2,5 cm. A altura mais indicada para se colocar a gema varia de 10 a 12 cm acima do solo.
Na borbulhia simples ou T normal, a casca do portaenxerto recebe uma incisão em forma de T, na qual se insere a borbulha retirada da planta-matriz, levando-se os bordos da casca que se encontram no ponto e bifurcação do T para facilitar a inserção.
Nos meses de dezembro a fevereiro, os processos de borbulhia dão melhores resultados, destacando-se como mais eficiente o método de borbulhia de janela.

5.4 Garfagem
A garfagem é um processo que consiste em soldar um pedaço de ramo (garfo), destacando da planta-matriz a propagar, sobre outro vegetal (cavalo), de maneira a permitir o seu desenvolvimento.
Os tipos mais usados em goiabeira são: garfagem de cunha lateral, garfagem do topo em fenda cheia e garfagem no topo a inglesa simples.
A garfagem de cunha lateral consiste simplesmente em um garfo afilado em forma de cunha que se insere em uma fenda diagonal feita no cavalo. A garfagem no topo em fenda cheia ou de cunha terminal consiste essencialmente em decepar o topo do cavalo e fazer uma fenda vertical de 2 a 3 cm, onde se insere imediatamente um garfo em forma de bisel. A garfagem do topo a inglesa simples consiste tão somente no corte em bisel no cavalo
e no cavaleiro. Unem-se as partes, que são, a seguir, amarradas firmemente (figura 1).
Em relação ao método de enxerto de garfagem em placa sob casca, sabe-se que ele necessita de porta-enxertos de 1,5 a 2 anos de idade e tendo de 1,5 a 3 cm de diâmetro. O enxerto deve-se ter, em princípio, o mesmo diâmetro; mas, com um porta- enxerto grosso, pode-se usar um enxerto menor.
A garfagem mostra-se mais eficiente quando realizada nos meses de junho a outubro.