quarta-feira, 14 de julho de 2021

Cultivo da Uvaia

 

Nome científico: Eugenia pyriformis Cambess

Nome popular: uvaia, uvalha, ubaia, uvaia-do-cerrado, ubaia.

Família botânica: Myrtaceae

Distribuição Geográfica e Habitat: Encontrada no Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. No Brasil, ocorre na Floresta Estacional Decidual, Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Ombrófila Mista, no Cerrado e na Mata Ciliar.

Características gerais: E. puriformis é a espécie mais comum de uvaia, embora existam outras espécies. Das frutas nativas dessa família, é uma das mais reputadas e conhecidas, embora pouco cultivada. Recente publicação da Sociedade Brasileira de Fruticultura dá informações sobre essa fruta (SARTORI E OUTROS, 2010). Esses autores citam a existência de vários tipos e variedades de uvaia (ver INFORMAÇÕES ADICIONAIS, ao final deste artigo). No geral, a fruta é de tamanho pequeno, com peso médio entre 20 e 25 g, casca lisa e fina, amarela a alaranjada, contendo uma a três sementes por fruto. O rendimento de polpa é bom, com até 80% do peso do fruto, e as cascas são comestíveis também. Como o fruto é mole, é fácil separar a polpa e a casca das sementes.

Clima e Solo: Pode ser encontrada em temperaturas entre 9,4 a 26,4 °C, com chuvas uniformemente distribuídas na Região Sul e periódicas, nas demais regiões. O regime de precipitação pluvial média anual pode ocorrer desde 1.100 mm no Estado de São Paulo, a 2.300 mm no Paraná. Suporta geada. Requer solos de alta fertilidade, bem drenados, úmidos, com textura areno-argilosa. Pode ocorrer em solos graníticos até eruptivos, sedimentares e aluvionais.

Usos: O fruto é muito perecível, devendo ser colhido com cuidado e transportado em caixas, em pequenas camadas, para utilização imediata, ou congelamento. Os usos mais comuns são para suco, geleia, doces, licores, sorvetes e outros produtos. A polpa do fruto pode ser conservada a -18 oC, em sacos plásticos ou câmaras frias, ou freezer comum, podendo ser utilizada para se fazer os produtos usuais. O uso medicinal da uvaia ainda não é conhecido. Como não há produção comercial importante, mas apenas de plantas esparsas em pequenos pomares, a uvaia não aparece regularmente nos mercados, apesar de ser bem reputada nas regiões onde há produção, principalmente para se fazer sorvetes.

Curiosidades: É polinizada principalmente por abelhas. A dispersão é por gravidade ou zoocórica realizada por aves e mamíferos.  Eugenia é dedicado a Francisco Eugenio de Saboya – Carignan, chamado príncipe de Saboya, generalíssimo imperial de notável talento militar e propetor das artes; o epíteto pyriformis significa fruto em forma de pêra. O seu nome deriva do tupi iwa, ubaia ou ybá-ai, e quer dizer fruto azedo.

Típica da Mata Atlântica, a uvaia é conhecida como uma fruta do mato. Seu sabor é intenso, assim como seu perfume. O sabor, apesar de intenso, pode não agradar a todos por ser azedo, e desse fato que surgiu seu nome ubaia, que em tupi significa fruto azedo.

 A fruta é amarela, arredondada e possui duas sementes de aproximadamente quatro centímetros de diâmetro. De flor branca, a árvore é comumente plantada para uso doméstico, uma vez que seus frutos amassam, oxidam e ressecam com facilidade, tornando pouco viável a sua comercialização.

 Você pode até encontrar a uvaia in natura fora de época, mas como os frutos da uvaieira amassam, oxidam e ressecam muito facilmente, é mais viável preferir a época da frutificação, que ocorre entre setembro e janeiro. Fora de época, melhor optar por produtos derivados da fruta, como sucos, compotas, geleias e outros.

 Chega a ter de seis a treze metros de altura, mas existem variações da espécie que crescem em pequenos arbustos de até um metro de altura. A uvaia, por ser nativa da Mata Atlântica, é muito usada em diversos projetos de reflorestamento, servindo de alimento para aves e pequenos animais, os atraindo novamente para seu habitat.

 Primeiramente, a uvaia tem um alto benefício ecológico. Como é uma planta nativa da mata atlântica e pelo seu fruto saboroso até para os pássaros, a uvaieira é muito utilizada em projetos de reflorestamento em áreas degradadas, de preservação permanente e plantios mistos. Sua madeira não é comercialmente utilizada, sendo apenas usada por locais para utilidades domésticas (lenha, moirões etc).

 Seus frutos são ricos em vitamina A e C (quatro vezes mais que a laranja), combatendo desta forma os radicais livres e, consequentemente o envelhecimento celular.

 É eficaz na prevenção de alguns males que afetam nossa saúde como doenças cardiovasculares, câncer, doenças derivadas do envelhecimento, além de serem muito indicados para acompanhamento no tratamento de HIV, no tratamento de tumores, malária, processos inflamatórios e para diminuir o nível de ácido úrico.

 Nome e Significado: Uvaia vem do Tupi, e significa ”Fruta ácida”. Também é conhecida como Orvalha e Uvalha.

 Origem: Originaria da floresta atlântica desde São Paulo até o Rio Grande do Sul, Brasil.

 Características: Árvore pequena de 4 a 12 metros de altura com copa arredondada ou em forma de taça de 2 a 4 metros de diâmetro com tronco reto e na maioria das vezes é dividido em varas eretas de 10 a 50 cm de diâmetro, com casca castanha esverdeada, fissuras longitudinais que se descamam em placas finas no inicio da primavera. As folhas são opostas, simples, glabras (sem pelos) de textura subcoriácea (pouco rija). O limbo ou tecido foliar tem forma lanceolada com base obtusa ou arredondada e ápice agudo ou acuminado (que termina em ponta fina) medindo 2,5 a 5,5 cm de comprimento por 0,6 a 1,4 cm de largura sob pecíolo de 0,2 a 0,4 cm de comprimento. As flores são hermafroditas, axilares (nasce na junção da folha e ramos da brotação do mesmo ano) sob pedúnculo ou haste de 1,4 a 2,2 cm de comprimento, cíclicas (com vários ciclos), diclamídeas (com dois envoltórios).  O botão é protegido por com 2 brácteas (tipo de folha modificada) e o cálice (invólucro externo) é composto de 4 sépalas livres, desiguais e pubescentes (coberta de pelos curtos). A corola (invólucro interno) é formada de 4 pétalas obovadas (com forma de ovo, só que a parte mais larga voltada para o ápice), brancas e livres.

 Dicas para cultivo: É planta extremamente adaptável podendo ser cultivada em climas com temperaturas anuais entre 18 a 26 graus, resistindo bem a geadas de até menos 4 graus negativos, frutifica em altitudes desde o nível do mar no Rio de Janeiro até 1,200 na zona da mata Mineira. Em seu lugar de origem as chuvas vão de 1.200 a 1.800 milímetros anuais; vegetando bem nos mais variados tipos de solos, ácidos ou alcalinos, argilosos ou arenosos, mais que de preferência tenham fertilidade e umidade natural. Começa a frutificar com 2 a 4 anos de idade a depender da variedade.

 Mudas: As sementes são redondas e de coloração creme, recalcitrantes (perdem o poder germinativo em 20 dias). Por isso recomendo que semeia 2 sementes diretamente em saquinhos individuais com substrato de 50% de terra e 50% de matéria orgânica bem curtida. A germinação se dá em 40 a 60 dias, e as mudas atingem 35 cm com 11 a 12 meses após a germinação.

 Plantando: Recomendo que seja plantada a pleno sol num espaçamento 4 x 4 m para uvaia pêra e uvaia doce e 6 x 6 m para Uvaia acida do mato. As  covas devem ter 50 cm nas 3 dimensões e convém misturar 30% de areia saibro + 30% de matéria orgânica aos 30 cm de terra da superfície da cova. Deixar curtir por 2 meses, e depois já se pode plantar na melhor época que vai de setembro a novembro, convém irrigar 10 l de água após o plantio e a cada 15 dias se não chover.

 Cultivando: A planta cresce rápido e não necessita de cuidados especiais, apenas deve-se cobrir a superfície com pó de cerra e eliminar qualquer erva daninha que possa sufocar a planta. Adubar com 2 kg de composto orgânico feito de esterco de galinha curtido e 30 gramas de NPK 10-10-10. Distribuir os nutrientes à 5 cm superficialmente a 20 cm do caule no inicio do mês de outubro.

 Usos: Frutifica nos meses de Setembro a novembro. Os frutos são consumidos in-natura e na forma de sucos. A fruta tem grande potencial para fabricação de bebida fermentada como vinho e ótimo vinagre. A polpa também produz um delicioso sorvete.

Uvaia uma fruta da Mata Atlântica

uvaia fruta



Então, confira os benefícios da Uvaia para saúde.

  Para Ácido Úrico: A uvaia contem ácido úrico está entre as substâncias naturalmente produzidas pelo organismo. Ele surge como resultado da quebra das moléculas de purina, uma proteína contida em muitos alimentos.

  Para Malária: Há uma poderosa substância encontrada na uvaia que a faz estar entre os Remédios Naturais para Malária, semelhante ao quinino, que tem sido diretamente associada a neutralização desses parasitas da malária de indução.

 Você pode extrair essa substância para uma dose concentrada ou simplesmente adicionar algumas deliciosas uvaia a sua dieta diária. As uvaia estão amplamente disponíveis em áreas tropicais e pode fazer maravilhas para a promoção da saúde em geral e na rápida recuperação.

 Para o Câncer: Por ser rica em antioxidantes , antocianinas, carotenoides e flavonoides, a uvaia livra o corpo de radicais livres que podem alterar o DNA das células e causar diversos tipos de cânceres.

  Para Doenças Cardiovasculares: A uvaia também exerce efeitos benéficos sobre a saúde cardiovascular. É rico em flavonoides, nomeadamente, procianidina, catequina e epicatequina, que possuem propriedades antioxidantes e ajudam a proteger as células dos danos enquanto fortalecem o coração.

 Também ajuda a melhorar a função endotelial e estimular o colesterol HDL benéfico. Isso ajuda na prevenção da formação de coágulos sanguíneos fatais, que podem levar ao acidente vascular cerebral ou à insuficiência cardíaca.

  Para o Envelhecimento: A uvaia contêm licopeno, um nutriente que é raramente encontrada em outros alimentos. O licopeno protege o corpo contra os raios ultravioletas nocivos, mantendo a pele com uma aparência mais jovem e saudável. A maioria das frutas e legumes possuem os melhores nutrientes quando comidos crus.

  Para Radicais Livres: A uvaia contém compostos, como flavonóis e antocianinas, que lhe conferem potentes propriedades antioxidantes e tornam útil para mantê-los saudáveis. Nossos corpos geram radicais livres durante o funcionamento normal.

 Estes radicais livres podem causar danos celulares e estão implicados em uma variedade de problemas, que vão desde doenças autoimunes, câncer e catarata até doenças cardiovasculares e neurodegenerativas, artrite reumatoide e envelhecimento.

uvaia arvore



 Uvaia tem Alto teor de Vitamina C: Complementando a importância ecológica da Uvaia, a fruta tem aproximadamente quatro vezes mais vitamina C do que a laranja.

 Uvaia Contém Vitamina A: Além do alto teor de vitamina C, a uvaia contém uma considerável quantidade de vitamina A para contribuir às suas necessidades diárias deste nutriente.

 Seu consumo é mais comum na forma de sucos, compotas, mousses, doces, flans e sorvetes, assim como em geleias, vinagres, licores e outros. No entanto, é preciso cuidar com a quantidade de açúcar usado para que não se torne muito calórica. Seu consumo é pouco aceitado in natura devido ao seu sabor forte e azedo, mas se apreciar o sabor, não existem contraindicações nessa forma de consumo


Geleia de Uvaia

 Ingredientes

 ► 600g de polpa de uvaia (sem as sementes claro)

 ► 1 xícara (chá) de água mineral

 ► 400g de açúcar cristal

 Modo de Preparo

 Bata a polpa com a xícara de água no liquidificador, passe pela peneira e junte o açúcar cristal. Leve ao fogo numa panela grande de fundo grosso e cozinhe mexendo sempre até atingir o ponto de geleia (ao pingar num prato ela não escorre). Coloque em vidros esterilizados com água fervente e bem secos e guarde na geladeira.

 A geléia é saborosa e mantém todas as propriedades da fruta podendo ser consumida com pães, torradas e bolos. Quando bem armazenada, cada pote tem validade de até 2 meses guardada na geladeira, por isso, siga todas as instruções de armazenagem corretamente.




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terça-feira, 22 de junho de 2021

Fatores que influenciam o desenvolvimento da Pitaya

A maioria das cactáceas apresenta o metabolismo ácido das crassuláceas (MAC), o qual é benéfico para plantas que crescem em locais com pouca água, como desertos e copa das árvores. Neste metabolismo, o carbono é fixado durante a noite, quando a temperatura é menor e com umidade relativa maior que durante o dia ocorre menor perda de água com a abertura dos estômatos. Assim, pode-se dizer que as plantas MAC apresentam maior eficiência no uso de água que plantas C3 e C4. Para a pitaya vermelha, H. undatus, a maior eficiência na absorção de CO2ocorre quando a temperatura média da noite é de 20ºC (NOBEL et al., 2002).

Quando cultivadas em ambiente com alta concentração de CO2, plantas de H. undatus e H. megalanthus respondem positivamente, com aumento da biomassa e alongamento de ramos, além de haver incremento na produção de gemas reprodutivas nessas condições, com taxas de 175% e 233% de aumento, para H. undatus e H. megalanthus, respectivamente (WEISS, MIZHARI E RAVEH, 2010).

Por serem plantas oriundas de habitats sombreados, as pitayas necessitam de sombreamento para seu cultivo. Quando cultivadas em locais com grande intensidade luminosa as plantas apresentam amarelecimento dos ramos, podendo chegar à morte. Assim, indica-se que sejam cultivadas sombreadas, em telas com variação entre 30 e 60% de sombra, de acordo com a espécie. 

O sombreamento excessivo também causa danos à cultura, pois reduz severamente seu crescimento,principalmente em H. polyrhizus. O excesso de sombra também influencia o número de flores, que está relacionada com a biomassa das plantas. Em trabalho realizado por Raveh et al. (1998) verificou-se que em plantas de H. polyrhizus cultivadas sob sombreamento de 30%, a quantidade de flores produzidas mais que dobrou em comparação às plantas conduzidas sob sombreamento de 60%.

Quando mantida em condições de seca por seis semanas H. undatus é capaz de reverter condições de firmeza dos ramos e comprimento de células, reduzidos durante a seca, em apenas sete dias após a reumidificação. Esta rápida reidratação, cinco vezes mais rápida que a desidratação dos cladódios, aparentemente reflete em uma maior habilidade na capacidade de absorção de água pelas raízes, uma vez que cada segmento de cladódio pode desenvolver raízes adventícias, atuando como unidades individuais de absorção (NOBEL, 2006).

Para H. undatus, temperaturas abaixo de -2,5ºC e acima de 45ºC são limitantes, causando a morte das plantas (NOBEL et al., 2002). O desenvolvimento da espécie é melhor quando cultivadas em condições de temperaturas médias diurnas de 30ºC e noturnas de 20ºC (NOBEL e DE LA BARRERA, 2002). Altas temperaturas também afetam a produção de flores. Nerd et al. (2002a) observaram que a temperatura média de 39ºC reduziu de 15 a 20% a quantidade de flores de H. undatus.

A pitaya é considerada plantas de dias longos, sendo que o fotoperíodo influencia na formação de gemas floríferas (JIANG et al., 2012). No hemisfério Sul, o florescimento se dá de Novembro a Abril enquanto, no hemisfério Norte, ocorre de Maio a Outubro. Jiang et al. (2012) afirmam ser possível a produção fora de época da pitaya vermelha (Hylocereus sp.) utilizando-se a interrupção do período de escuro com iluminação complementar, sendo que a duração da iluminação complementar varia com a época de indução, juntamente com a temperatura. O fotoperíodo crítico para a cultura parece ser de doze horas. A temperatura parece estar diretamente relacionada ao fotoperíodo uma vez que resultados de indução de florescimento com extensão do fotoperíodo não mostraram resultados positivos em Israel (KHAIMOV e MIZRAHI, 2006), onde as temperaturas durante o período indutório de florescimento são menores.

Um dos grandes problemas da cultura é a autoincompatibilidade polínica que ocorre entre muitos clones. Essa autoincompatibilidade pode ser parcial ou total (NERD e MIZRAHI,1997; LE BELLEC,2004; PUSHPAKUMARA et al., 2005; LONE et al., 2010, SILVA et al., 2011), havendo casos em que ocorre frutos com a autopolinização porém, na maioria dos casos, são de baixo valor econômico, por possuírem pouca massa, havendo a necessidade da utilização de pólen externo de outro clone ou espécie para que ocorra frutificação efetiva. Ainda, segundo Nerd et al. (2002b) condições climáticas também podem afetar diretamente a compatibilidade.

O ideal para se reduzir a baixa frutificação e a ocorrência de frutos pequenos, sem valor comercial, seria o plantio de diversos genótipos e a realização da polinização cruzada, manualmente. A polinização manual é realizada facilmente removendo-se as anteras de uma flor e tocando com ela o estigma de outra flor, ou então se coletando o pólen e utilizando-se um pincel para polinizar múltiplas flores. É reportado que em muitos países, onde esta cultura foi introduzida, a polinização é pobre devido à falta de polinizadores naturais, encontrados em seu ambiente nativo, sendo sugerida a polinização manual para se contornar esse problema, incrementando a frutificação e a massa dos frutos (PUSHPAKUMARA et al., 2005).

A fonte de pólen influencia nas características dos frutos, atuando em características físicas e químicas (WEISS et al., 1994; SILVA et al., 2011) e afetando o tempo requerido para seu desenvolvimento, um fenômeno descrito como metaxenia – efeitos da fonte de pólen em tecidos de origem materna (MIZRAHI et al., 2004). Lone et al. (2010) observaram que a utilização de pólen de H. costaricensis na polinização de H. undatus proporcionou a formação de frutos de melhor qualidade, referente a tamanho e massa (553,2 g) quando comparados com frutos polinizados com pólen de H. polyrhizus e H. undatus, enquanto Silva et al. (2011) relataram que a polinização de flores de H. undatus com pólen de H. polyrhizus proporcionaram frutos com maior massa (716,56g) e menor acidez que os polinizados com pólen de H. setaceus.

O pólen apresenta maior viabilidade na hora da abertura floral (WEISS et al.,1994), porém se mantém viável por no mínimo 9 meses quando armazenado seco em temperaturas abaixo de zero (METZ et al., 2000).

O florescimento da pitaya é assíncrono, havendo flores em diferentes estágios de diferenciação e desenvolvimento de frutos simultaneamente. Na região de Jaboticabal, ocorrem nove fluxos floríferos, com maior emissão de flores no mês de dezembro (SILVA, 2011), enquanto em Lavras, MG, são relatados entre 3 a 5 fluxos de flores (MARQUES et al., 2011a). O desenvolvimento dos frutos é relativamente curto, de 34 a 43 dias após a antese, ocorrendo antecipação da maturação em condições de temperaturas mais elevadas (SILVA, 2011). Os frutos são colhidos quando alcançam sua maturidade fisiológica, que ocorre quando adquirem uma coloração rosada, no caso da pitaya vermelha (ALVARADO et al., 2003). O ideal é que uma porção do cladódio acompanhe o fruto colhido, a fim de se aumentar a vida pós-colheita.

A fim de se aumentar a vida pós-colheita, recomenda-se que os frutos sejam armazenados em ambiente refrigerado. No armazenamento em temperatura ambiente, o maior problema observado é a perda de massa, que gera enrugamento e murcha da casca, levando à depreciação visual do produto, mesmo em muitos casos a polpa estando em condições para consumo. Armazenando-as a 8ºC consegue-se aumento da vida útil das frutas por 25 dias, cinco vezes superior ao armazenamento em temperatura ambiente (BUNINI e CARDOSO, 2011).

A produtividade média da pitaya é variável, de acordo com as condições edafoclimáticas, técnicas de cultivo e idade do pomar, podendo variar de 10 a 30 t.ha-1 (Le BELLEC et al., 2006), sendo que na Nicarágua, cultivos bem conduzidos podem produzir até 26 t.ha-1 (VAILLANT et al., 2005). No estado de São Paulo, a produtividade média obtida, na região de Presidente Prudente, é de 15 toneladas/ha (SUZUKI, 2013*). * SUZUKI, W. (Narandiba, São Paulo). Comunicação pessoal, 2013






sexta-feira, 18 de junho de 2021

Solos e Calagem para a Pitaya (Pitaia)

 

Solo 

“Os solos que oferecem melhores condições para o desenvolvimento do cultivo da pitaia são os de pH entre 5.5 e 6.5 e não compactados, ricos em matéria orgânica, bem drenados e de textura bem solta” (PITAIA, [200-?]). 

Além disso, Guzman (1994 apud CAVALCANTE, 2008) explica que “o solo adequado para o cultivo comercial da pitaia deve apresentar um percentual de matéria orgânica considerado alto (7%) com a finalidade de manter a umidade, temperatura e características texturais e químicas do solo”. ,

Preparo do solo

No preparo do solo deve-se tomar cuidado para não se arrastar a camada fértil. Recomenda-se fazer duas arações profundas (geralmente são suficientes), seguidas de duas gradagens. Nesta ocasião, e de acordo com os resultados da análise de solo, devem ser feitas as aplicações parceladas de calcário e adubação fosfatada em área total.

Amostragem de solo

A coleta das amostras de solo pode ser feita com uma pá de corte ou com trados. O trado torna a operação mais fácil e rápida. Além disso, ele permite a retirada da amostra na profundidade correta e da mesma quantidade de terra de todos os pontos amostrados. Na Figura 3 estão representados os tipos de ferramentas que podem ser utilizadas na amostragem de solo.

Ferramentas que podem ser utilizadas na amostragem de solo.

Para a retirada das porções de terra a serem analisados, sugere-se seguir os seguintes passos (INSTITUTO AGRONÔMICO DO PARANÁ, 1996): 

Devem ser retiradas diversas subamostras, para se obter uma média da área amostrada. Para isso, deve-se percorrer a área escolhida em zigue-zague e coletar 20 subamostras (Figura 7). Em cada ponto, retirar os detritos na superfície do solo. Evitar pontos próximos a cupins, formigueiros, casas, estradas, currais, estrume de animais, depósitos de adubo, calcário ou manchas de solo. 

Quebrar os torrões de terra dentro de um balde, retirar pedras, gravetos ou outros resíduos e misturar bem. Se o solo estiver muito úmido, deixar a amostra secar ao ar. Essa mistura de subamostras retiradas de vários pontos é chamada de amostra composta. 

Todas as ferramentas e recipientes usados para a amostragem e embalagem da terra devem estar limpos e, principalmente, não devem conter resíduos de calcário ou fertilizantes. 

Deve-se retirar cerca de 300g de solo do balde e transferir para uma caixinha de papelão apropriada ou saco de plástico limpo. Essa porção de solo (amostra composta) será enviada ao laboratório para a análise do solo (INSTITUTO AGRONÔMICO DO PARANÁ, 1996). 

Uma vez determinados os talhões na planta baixa, delimita-se a profundidade da amostragem, que, por sua vez, está diretamente relacionada ao solo com maior densidade de raízes e características do perfil do solo natural ou modificado (INSTITUTO AGRONÔMICO DO PARANÁ, 1996). 

As amostrar retiradas de cada parte do solo deve ter 500g e, cada uma, deve ser colocada em sacos plásticos, identificadas e enviadas a laboratórios (INSTITUTO AGRONÔMICO DO PARANÁ, 1996). 

 Frequência de Amostragem 

Considerando aspectos como a intensidade do uso do solo e os tipos de cultivo adotados nestes, principalmente por conta dos critérios de correção de acidez e de adubação do solo, as amostragens do solo podem ser realizadas em intervalos de 3 a 5 anos (INSTITUTO AGRONÔMICO DO PARANÁ, 1996). 

Adubação orgânica 

“Os fertilizantes orgânicos sólidos e líquidos são todos aqueles materiais de procedência mineral, vegetal ou animal que podem ser utilizados para fertilizar os solos como um todo e, assim, adubar as culturas” (COSTA, 2012). 

Como o sistema de raízes da pitaia é superficial, ela é capaz de absorver rapidamente pequenas quantidades de nutrientes no solo. Isso “ajuda a formação de cultivos orgânicos, já que a utilização de compostos orgânicos e estercos de origem animal têm sido usados na Califórnia com grande sucesso, inclusive sem suplementação mineral” (CAVALCANTE, 2008). 

Com a finalidade de manter a umidade, temperatura e características texturais e químicas do solo, é necessário que a terra adequada para o cultivo comercial da pitaia deve apresentar um percentual de matéria orgânica considerado alto (7%) o que justifica o fornecimento de produtos orgânicos ao solo. Dentre os benefícios que a adubação orgânica vem trazendo, estão (CAVALCANTE, 2008): 

(...) a melhoria das propriedades químicas, por meio do fornecimento de nutrientes, aumento da capacidade de troca catiônica (CTC), formação de complexos e aumento do poder tampão; nas propriedades físicas, o aumento na estabilidade de agregados e melhoria na estrutura do solo que se traduz em melhor aeração, permeabilidade, retenção de água e resistência à erosão; e ainda, a biologia do solo pelo aumento da atividade biológica (CAVALCANTE, 2008). 

A pitaia depende de alguns elementos que devem ser fornecidos via fertilização: o nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K). Estimulando a emissão de raízes e brotos mais vigorosos, o nitrogênio é mais requerido pela planta durante o crescimento vegetativo até o pré-florescimento da planta. Por sua vez, a função do potássio é promover o aumento no diâmetro do caule da pitaia, além de ser um dos elementos mais requeridos devido à sua função de translocação de carboidratos e regulação de abertura e fechamento de estômatos. O fósforo é mais demandado pela pitaia no inicio da formação de frutos. Além destes, o Boro possui importante função no pegamento tamanho e massa dos frutos (HERNANDEZ, 2000; LUDERS, 2004; INTA, 2002; MARSCHNER, 2005; INFANTE, 1996 apud CAVALCANTE, 2008). 

Devem ser retiradas diversas subamostras, para se obter uma média da área amostrada. Para isso, deve-se percorrer a área escolhida em zigue-zague e coletar 20 subamostras (Figura 4). Em cada ponto, retirar os detritos na superfície do solo.

Evitar pontos próximos a cupins, formigueiros, casas, estradas, currais, estrume de animais, depósitos de adubo, calcário ou manchas de solo.

Esquema para amostragem de solo.

Identificação da área a ser amostrada 


Quebrar os torrões de terra dentro de um balde, retirar pedras, gravetos ou outros resíduos e misturar bem. Se o solo estiver muito úmido, deixar a amostra secar ao ar. Essa mistura de subamostras retiradas de vários pontos é chamada de amostra composta.

Todas as ferramentas e recipientes usados para a amostragem e embalagem da terra devem estar limpos e, principalmente, não devem conter resíduos de calcário ou fertilizantes.

Deve-se retirar cerca de 300g de solo do balde e transferir para uma caixinha de papelão apropriada ou saco de plástico limpo. Essa porção de solo (amostra composta) será enviada ao laboratório para a análise do solo.


Calagem

É recomendado fazer a calagem, de acordo com a análise do solo. Essa é a única oportunidade de se corrigir o solo em profundidade sem danificar o pomar.

Quando a cultura já está implantada e houver necessidade de calagem, a profundidade máxima que se coloca o calcário atinge 10cm, com o agravante de danificação do sistema radicular das plantas. Para a realização da calagem em terrenos recém-desbravados, dar preferência ao calcário dolomítico e distribuí-lo em área total, com antecedência mínima de três meses. A incorporação deve ser feita em duas etapas, cinquenta por cento antes da aração e a outra metade na gradagem.

Máquina de Calagem 



segunda-feira, 7 de junho de 2021

Clima para a Pitaya (Pitaia)

 

CARACTERÍSTICAS AGROECOLÓGICAS 

 Clima e intensidade luminosa 

O principal elemento para todos os processos biológicos e físicos é a radiação solar que ocorre na biosfera. As plantas utilizam desse recurso, a depender da intensidade, qualidade, direção de incidência, duração. Essa radiação exerce efeitos biológicos classificados como fotoenergéticos e fotoestimulantes (PASCALE & DAMARIO, 2004 apud CAVALCANTE, 2008). 

Podendo ser cultivada em níveis de até 1000 metros acima do nível do mar a pitaia, adapta-se melhor em temperaturas entre 18 a 26 graus centígrados. A pitaia também se desenvolve em climas mais secos, porém períodos de chuvas de 1200 a 1500 mm ao ano são ideais para o desenvolvimento da cultura. (PITAIA, [200-?]). 

Espontaneamente, a pitaia pode ser encontrada em diversos tipos de florestas tropicais da América em condições de sub-bosque – conjunto de vegetação de baixa estatura que cresce em nível abaixo do dossel florestal – o que leva a crer que quando cultivada comercialmente faz se necessária a instalação de um sistema de proteção contra a incidência direta dos raios solares sobre a planta (CAVALCANTE, 2008; SUB-BOSQUE, 2013). 

Mizrahi e Nerd (1999 apud CAVALCANTE, 2008) confirmam essa particularidade da pitaia, informando que planta que não pode ser cultivada sem proteção em função da intensidade de radiação. Observaram, ainda, que o dossel da pitaia sofre queimaduras e pode chegar à morte. Robles et al. (2000 apud CAVALCANTE, 2008) completam afirmando que, no México, somente a espécie Stenocereus sp. se encontram sob total exposição direta à luz solar produzem frutos, o que também é reportado para a Guatemala 

Raveh et al. (1996) afirmaram que para ótimo desenvolvimento, a pitaia deve ser plantada protegida, recebendo de 30 a 60% da luminosidade total dependendo das condições locais. Adicionalmente, para Mizrahi e Nerd (1999) os níveis de sombreamento a serem empregados (expressos em percentual do total de luz solar emitida) são dependentes das temperaturas locais e variam de 20% em áreas com verões moderadamente quentes a 60% em áreas sob elevadas temperaturas (CAVALCANTE, 2008). 

O crescimento e o desenvolvimento das plantas, bem como a produção dos frutos, está intimamente ligada à intensidade luminosa. Segundo Mizrahi e Nerd (1999 apud CAVALCANTE, 2008), não é recomendado o cultivo da pitaia em regiões com temperatura inferior a 4ºC ou superior à 38ºC. 

Temperatura

As plantas apresentam capacidade de adaptação às diferentes condições ambientais, podendo ser encontradas tanto em regiões quentes e úmidas, com temperatura entre 18 e 27ºC, como em regiões com clima seco, porém, não suportam temperaturas acima de 38º C, e abaixo de 4º C, sendo sensível à geada.

Apesar de ser facilmente adaptada a diversas regiões, seu desenvolvimento é melhor quando cultivadas em condições de temperaturas médias diurnas de 30ºC e noturnas de 20ºC.

Umidade

A umidade não é um fator limitante ao desenvolvimento da pitaia, já que a mesma apresenta capacidade de adaptação ao clima tropical, subtropical ou árido. No entanto a alta umidade favorece o desenvolvimento de doenças bacterianas e fúngicas tanto no caule como no fruto, o que pode dificultar o seu cultivo.

Precipitação

Não é uma cultura muito exigente em água, devido a rusticidade observada pela espécie. Necessitam de pluviosidade variando de 650 a 1500 mm por ano bem distribuídos, sendo uma opção viável de cultivo em regiões que apresentam déficit hídrico.

Luminosidade e Fotoperíodo

As pitaias são oriundas de habitats sombreados, exigindo certo nível de sombreamento para seu cultivo. Quando cultivadas em locais com grande intensidade luminosa as plantas apresentam amarelecimento dos cladódios, podendo chegar à morte.

É recomendado que estas sejam cultivadas sombreadas, em telas com variação entre 30 e 60% de sombra, de acordo com a espécie. Porém, é importante que o sombreamento não seja excessivo, uma vez que o excesso também que pode provocar danos à cultura, pois reduz severamente seu crescimento, além de interferir na floração, levando a uma redução na produtividade.

A pitaia é considerada planta de dias longos, apresentando fotoperíodo crítico de doze horas, sendo que o fotoperíodo influencia na formação de gemas floríferas.

AMBIENTE Considerado mais adequado para o plantio da cultura é o de temperatura tropical, cuja faixa vai de 18 ºC a 26 ºC, com média de mais de 1.200 milímetros de chuva por ano. A pitaia, no entanto, é tolerante a clima quente e seco, com condições de ser cultivada em todo o país.




segunda-feira, 31 de maio de 2021

CARACTERÍSTICAS BOTÂNICAS DA PITAYA (PITAIA)

 

3. CACTACEAE 

A pitaia é uma planta da família da cactaceae, que se caracterizam pela “presença de aréolas com pêlos e espinhos, caule suculento (cladódio – órgão tipo caule) casca verde e ausência de folhas copadas” (BUXBAUM, 1955 apud MARQUES, 2008). 

Segundo Marques (2008), muitas espécies de cactáceas produzem frutos comestíveis. No entanto, as frutíferas conhecidas desta família pertencem ao grupo Platyopuntia (subgênero do gênero Opuntia),que apresentam segmentos planos de caule. 

Marques (2008) explicam, ainda, que cactaceae são plantas muito desenvolvidas fisiologicamente. Adaptaram sua forma de respirar para evitar a perda de água durante o dia. Possuem crescimento lento e, a maior parte do tempo, armazenam água nos seus tecidos. 

3.1 Espécies 

Quatro gêneros englobam os diversos tipos de pitaia: Stenocereus, Cereus, Selenicereus e Hylocereus. Esses gêneros diferem quanto ao fruto. Dentre os seus frutos mais conhecidos, estão a pitaia amarela (Selenicereus megalanthus), que tem casca amarela e polpa branca, e a pitaia vermelha (Hylocereus sp.), com a casca vermelha e a polpa branca ou vermelha, dependendo da espécie. A seguir, Moreira et al. (2012) explicam a grande variabilidade entre as espécies, tanto em termos de tamanho como com relação à coloração e ao sabor das frutas. 


4. CARACTERÍSTICAS BOTÂNICAS 

4.1 Fruto 

Doce e leve, a pitaia vermelha, de espécie Hylocereus costaricensis, apresenta coloração vermelha tanto na casca quanto na polpa. Seu sabor assemelha-se ao do kiwi, com uma mistura de beterraba (MOREIRA et al., 2012; RICARDO, 2010). 

A pitaia branca, ou Hylocereus undatus, apresenta coloração vermelha na casca e branca na polpa. Por fora é muito parecida com a pitaia vermelha, diferindo somente em termos de tonalidade de cor. No entanto, a diferença maior apresenta-se acerca da polpa (RICARDO, 2010). 

Com características semelhantes às da pitaia branca, a Selenicereus setaceus (pitaia-do-cerrado ou saborosa), é uma fruta de tamanho menor, com sabor mais adocicado e apresenta espinhos (MOREIRA et al., 2012). 

Outra variedade da fruta é a pitaia amarela, tecnicamente chamada de Selenicereus megalanthus, também conhecida como “pitaia colombiana”. Sua polpa é esbranquiçada e sua casca tem coloração amarela. É considerada a mais gostosa e a mais cara, dentre os tipos de pitaia. O gosto lembra uma mistura de kiwi com nona, só que mais doce e mais leve (MOREIRA; CRUZ, 2011; RICARDO, 2010). 

Figura 1 – Variedades de pitaia  Fonte: (MOREIRA; CRUZ, 2011

4.2 Flores 

Grande e de coloração branca, as flores apresentam numerosos estames com pólen abundante (figura 4). Caracterizam-se, também, serem completas, andróginas, solitárias e medirem cerca de 20 a 30 cm de largura. Exalam um cheiro forte, crescem diretamente dos cladódios e originam-se na primavera. A fim de evitar a autopolinização, possuem o estigma mais elevado que as anteras e abrem-se durante a noite, fechando-se nas primeiras horas do dia (MARQUES, 2008). 

4.3 Ramos 

Os ramos da pitaia são triangulares, suculentos, espinhosos e possuem flores brancas e grandes, quanto à planta, ela é perene, trepadeira, com raízes adventícias, que a permite se fixar em árvores ou pedras. O cultivo pode ser realizado em regiões situadas desde o nível do mar até 1.500 metros acima. (ESPIRITO SANTO, 2013). 

Figura 2 - (A) Planta de pitaia; (B) Cladódio; (C) Flor; (D) Fruto  Fonte: (MARQUES, 2008) 

4.4 Sementes 

As sementes da pitaia podem chegar a medir três milímetros de diâmetro, são muito numerosas, possuem uma coloração escura e podem ser encontradas distribuídas em toda a polpa. (MARQUES, 2008). 



quinta-feira, 27 de maio de 2021

Cultivo da Pitaya (Pitaia)

 

INTRODUÇÃO

A pitaia é uma planta que pertence à família das cactáceas e tem sua origem na América Central. Produz uma fruta conhecida popularmente como fruta do dragão por possuir uma casca escamosa que se assemelha as escamas de um dragão.

Trata-se de uma fruta pouco conhecida, que atualmente vêm sendo muito procurada pelo mercado de frutas exóticas por se tratar de uma fruta altamente nutritiva, com altos teores de água, minerais, açucares, compostos antioxidantes e baixo valor calórico.

O cultivo comercial da pitaia no Brasil se deu no início da década de 90 no estado de São Paulo, responsável por cerca de 92% da quantidade de fruta comercializada. Minas Gerais ocupa a segunda posição no cenário nacional responsável por cerca de 5,62% da comercialização, com destaque para os municípios de Contagem, Janaúba, Jaíba e Turvolândia.

A pitaia vermelha de polpa branca (Hylocereus undatus) é a mais cultivada no Brasil. Além do fruto, os cladódios e as flores também são consumidos por pratos especiais na região de origem da espécie, por apresentarem grande quantidade de compostos funcionais e propriedades medicinais.

O pomar de pitaia, apesar de apresentar um alto custo de implantação, tem-se um retorno econômico atrativo para os produtores brasileiros, devido a boa adaptabilidade as condições de clima e solo e elevado valor da fruta no mercado in natura. A produção da fruta pode ter início já no primeiro ano após o plantio, podendo chegar a 20 toneladas por hectare a partir do quarto e quinto ano após o plantio.

A planta que produz a fruta denominada pitaia (Figuras 1 e 2) é uma cactácea originada da América Tropical e Subtropical e pertence ao grupo de frutíferas consideradas promissoras para cultivo. Até há pouco tempo essas frutíferas eram desconhecidas e, recentemente, representam um crescente nicho no mercado de frutas exóticas. Atualmente, no Brasil, essas frutas vêm sendo procuradas, não só pelo exotismo da aparência e sabor, como também por suas características organolépticas.



Figura 1 – (A) Planta de pitaya (hábito de crescimento); (B) Cladódio; (C) Flor e (D) Fruto.

Existem no Brasil poucas áreas de cultivo de pitaia, situadas principalmente no Estado de São Paulo, com destaque para a região de Catanduva, onde a produção ocorre durante os meses de dezembro a maio, com uma produtividade média anual de 14 toneladas de frutas por hectare.

Os diversos tipos de pitaia são agrupados em quatro gêneros: Stenocereus, Cereus, Selenicereus e Hylocereus, sendo as mais conhecidas a pitaia amarela (Selenicereus megalanthus), que tem casca amarela e polpa branca, e a pitaia vermelha (Hylocereus sp.), com a casca vermelha e a polpa branca ou vermelha, dependendo da espécie.

Figura 2 – Partes do fruto de pitaia.


Existe grande variabilidade entre as espécies quanto ao tamanho e coloração das frutas. Em Hylocereus costaricensis, as frutas apresentam coloração vermelha tanto na casca quanto na polpa, e em Hylocereus undatus, apresentam coloração vermelha na casca e branca na polpa. Em Selenicereus megalanthus, conhecida como “pitaya colombiana”, a polpa é esbranquiçada, e externamente a fruta tem coloração amarela, enquanto em Selenicereus setaceus (pitaia-do-cerrado ou saborosa) a casca é vermelha e a polpa esbranquiçada, como a Hylocereus undatus, porém a fruta é de tamanho menor, com sabor mais adocicado e apresenta espinhos.

Considerando as frequentes consultas direcionadas ao Setor de Fruticultura e a existência de pouca informação na literatura a respeito do cultivo da pitaia no Brasil, o objetivo do presente boletim técnico é fornecer informações que possam orientar os interessados em iniciar o plantio dessa frutífera em suas propriedades.

ORIENTAÇÕES PRELIMINARES

a) Traçar seu objetivo com precisão, pois se trata de uma cultura nova e com poucos resultados de pesquisa.

b) Fazer o planejamento detalhado, focando principalmente o mercado consumidor e como adquirir mudas de qualidade.

c) Buscar e trocar informações com instituições e produtores que já comercializam suas frutas.

d) Visitar plantios comerciais visando diminuir suas chances de erro na implantação.

PLANEJAMENTO DO POMAR

Deve-se ter em mente que a pitaia é uma frutífera perene, com expectativa de produção para mais de 15 anos. Portanto, o seu planejamento deve ser muito bem feito, cercando de todos os cuidados para garantir o sucesso do empreendimento.

No planejamento atentar para os seguintes itens:

a) procurar informações na sua região sobre a comercialização das frutas;

b) dimensionar sua área, definindo número de plantas;

c) na sua propriedade selecionar o local de plantio, evitando solos rasos, sujeitos a encharcamento (excesso de umidade) e geadas;

d) retirar amostras de solos;

e) prever combate sistemático a formigas;

f) prever a correção da acidez do solo de acordo com os resultados da análise;

g) definir espaçamento e o tipo de espaldeira para a condução das plantas;

h) prever a marcação das covas;

i) adquirir mourões para montar a espaldeira (altura em torno de 1,80 m acima do solo);

j) adubação de fundação (covas) de acordo com o resultado da análise de solo (fazer essa adubação de preferência 60 dias antes do plantio);

k) marcação das covas com estacas;

l) fazer o plantio com todos os cuidados necessários, para maior sucesso, evitando replantios.




quinta-feira, 20 de maio de 2021

Comercialização e Mercados para a Goiaba

 

Comercialização e Mercados

Nos polos de irrigação do Nordeste, a goiabeira é cultivada principalmente em áreas de pequenos produtores que também exploram outras frutíferas. A produção do Agreste pernambucano, os cultivos irrigados do Submédio do Vale do São Francisco, juntamente com a produção paulista, destacam-se pelo volume comercializado. Considerando suas várias formas de aplicação (in natura e industrializada), a goiaba apresenta, para o mercado interno, boas possibilidades de aumento de consumo. Informações obtidas das principais Ceasas do País (São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro) indicam que, na última década, ocorreu um incremento na comercialização dessa fruta de mais de 500% (CEAGESP, 2008; CEASAMINAS, 2008; CEASARJ, 2008). Entretanto, é interessante ressaltar que, na maioria dos pomares brasileiros em produção, os frutos são destinados principalmente ao processamento. Essa é, aliás, uma das principais explicações para a qualidade limitada da goiaba brasileira, posto que a indústria sempre foi menos exigente quanto a padrões de qualidade.

O incremento de consumo da goiaba in natura, nos principais mercados consumidores do País, está, atualmente, condicionado à melhoria na qualidade do produto.

Esses mercados, localizados principalmente nas regiões Centro e Sul, são exigentes em uniformidade de tamanho, de forma e de coloração dos frutos.

Com relação ao dimensionamento do mercado doméstico, devido, principalmente, ao alto grau de perecibilidade do fruto, a goiaba é comercializada principalmente nos mercados locais e regionais. Essa característica de regionalidade do mercado de goiaba ocorre em todos os polos de produção do País, inclusive em São Paulo, onde se concentra a maior parte da produção brasileira, que praticamente é consumida no próprio Estado.

Em se tratando do mercado nacional, representado pelos grandes centros de consumo das macrorregiões geopolíticas, eles se situam fora dos polos de produção e são constituídos principalmente pelas metrópoles do Centro-Sul do País.

Com relação ao destino do fruto nas regiões produtoras, grande parte é destinada à indústria (polpa, doces, sucos, etc.) e a outra parte ao consumo in natura. Entretanto, por conta do incremento das áreas irrigadas, registra-se um aumento no percentual de frutos para consumo in natura. Um exemplo dessa situação é o Submédio do Vale do São Francisco, onde a exploração da goiabeira é toda irrigada e 75% do produto é comercializado na forma de fruta fresca.

Outro comportamento de mercado que está diretamente associado à ampliação das áreas de cultivos irrigados de goiaba no País é a redução da sazonalidade da oferta, já que o produto pode ser ofertado praticamente durante todo o ano, situação que traz como reflexos menor oscilação nos preços dos frutos frescos e redução significativa da capacidade ociosa das indústrias de processamento (CHOUDHURY, 2001).

Com relação à distribuição da goiaba no mercado doméstico, para consumo in natura e para a indústria, os intermediários são os principais agentes do processo, que compram e vendem o produto a granel ou em caixas. Geralmente, utilizam, como principais critérios para a classificação comercial, o tamanho, a aparência e o estado de maturação da fruta. Aquelas que estão em estado inicial de maturação são comercializadas como frutos in natura, enquanto as maduras são destinadas às agroindústrias processadoras.

Os tipos de intermediários que melhor representam a cadeia produtiva da goiaba são os regionais e os locais. Os regionais são representados principalmente pelos fornecedores dos atacadistas das Centrais de Abastecimento (Ceasas), situadas nas capitais e nas principais cidades da macrorregião geopolítica onde está localizado o polo de produção. Esses agentes adquirem a maior parte do produto dos intermediários locais, mas também obtêm a fruta nas áreas de produção. Os intermediários locais, por sua vez, compram o produto nas áreas de produção e o repassam para os intermediários regionais e para os varejistas locais (feirantes, proprietários de casas de frutas, pequenos mercados de bairros e redes de supermercados). É interessante notar que é inexpressiva a atuação dos intermediários nacionais que comercializam o produto dos polos de produção para os grandes mercados consumidores das demais regiões do País.

Isso se deve ao reduzido tempo de prateleira dos frutos (CHOUDHURY, 2001).

Com relação à goiaba destinada à indústria, o intermediário também é o elemento de maior expressão no processo de comercialização. Ele adquire o produto nas unidades produtivas e o transfere para as agroindústrias, que, por sua vez, também podem obter parte da matéria-prima diretamente nas propriedades agrícolas.

Para o mercado externo, principalmente a União Europeia e os Estados Unidos, que são os principais importadores da goiaba brasileira, essa fruta é considerada exótica, sendo comercializada em reduzida quantidade e a preços elevados. Na pauta de exportação brasileira de frutas frescas, a goiaba é considerada um produto inexpressivo (24ª posição), em virtude do seu alto grau de perecibilidade. Isso exige que o produto seja bem acondicionado em caixas e escoado para o mercado internacional por via aérea, o que onera demasiadamente os custos de comercialização.

Um fato que pode contribuir para o aumento do consumo da goiaba no mercado externo é a campanha que, atualmente, vem sendo realizada nos Estados Unidos, no Canadá e em diversos países da União Europeia, de incentivo à inclusão de frutas na dieta alimentar. Por meio dessa campanha, um espaço abriu-se para a inserção de frutas produzidas nos países do Hemisfério Sul, principalmente aquelas consideradas exóticas, como é o caso da goiaba. No mercado europeu, os consumidores estão motivados a consumir goiaba por causa da expressiva quantidade de vitamina C que a fruta contém, que é cerca de cinco vezes maior que a encontrada na laranja, uma das frutas mais consumidas naquele mercado.

Com a ampliação dos cultivos tecnificados em polos de produção no País, a tendência é aumentar a participação da goiaba na pauta das exportações brasileiras.

No caso específico do polo de produção do Submédio do Vale do São Francisco, outra vantagem é o aproveitamento da logística dos atuais produtos-chave de exportação (manga e uva), considerando que essa região é uma das principais exportadoras de frutas frescas do País. Entretanto, para conquistar os importantes mercados internacionais, é necessário que as estratégias produtivas e comerciais sejam mais eficientes, para atender às exigências das grandes cadeias de supermercados que hoje controlam esses mercados.




segunda-feira, 10 de maio de 2021

Processamento da Goiaba

 

A goiaba para o processamento

As goiabas para o processamento devem apresentar cor atrativa, devendo ser utilizadas cultivares de polpa vermelha, com poucas sementes, de sabor agradável e maturação homogênea. Entretanto, não há exigência com relação ao tamanho da fruta e à presença de defeitos superficiais na casca.

Frutas com defeitos que afetam apenas parte da polpa podem ser aproveitadas para processamento, desde que a parte comprometida seja descartada. Um outro fator importante é o rendimento. As cultivares Paluma, Rica e IAC-4 possuem boas características para a industrialização. A cv. Paluma possui cor de polpa vermelho-intensa, sabor agradável e pequena porcentagem de sementes, apresentando rendimento de polpa em torno de 94%. As cvs. Rica e IAC-4 também possuem bom rendimento, podendo ser utilizadas principalmente na forma de compotas.

Operações básicas para o processamento de goiaba

Recepção/seleção – As frutas devem apresentar estádio de maturação uniforme,

descartando-se aquelas impróprias para o consumo, como as sobremaduras, com podridões

e verdes.

Lavagem – As frutas devem ser lavadas com água limpa, em abundância, para a

retirada de sujeiras grosseiras, como areia, folhas, etc.

Sanificação – As frutas devem ser imersas em solução de água clorada a 10 ppm (0,5 mL de solução de hipoclorito de sódio a 2% para 1.000 L de água) por 25 minutos. Em seguida, devem ser enxaguadas com água potável.

Corte e despolpamento – Com faca de aço inoxidável, deve-se retirar as partes superior e inferior da fruta e as partes impróprias para o consumo. Em seguida, as goiabas devem ser cortadas em quatro partes e conduzidas à despolpadeira para a elaboração de polpa congelada, doces, sucos, etc. Quando os produtos a serem gerados forem doces, do tipo frutas em calda ou em compotas, as goiabas devem ser descascadas e cortadas ao meio; e as sementes, retiradas com o auxílio de uma colher. Nesse caso, também se pode aproveitar aquela parte da fruta onde se encontram as sementes para a preparação de sucos, doces, néctares, etc.

As etapas posteriores variam de acordo com os produtos a serem elaborados, conforme descrito a seguir.

Polpa de fruta – Depois da extração, a polpa deve ser pasteurizada, para destruir os microrganismos patogênicos, ou seja, os causadores de doenças. Para a polpa da goiaba, utilizam-se 73 ºC por 15 segundos e, em seguida, realiza-se o resfriamento.

Para maior garantia da eficiência da pasteurização, o ideal é utilizar o pasteurizador.

Quando não for possível, pode ser feita no fogão (em panela ou tacho), controlando-se a temperatura com o termômetro. Depois de pasteurizada, a polpa é envasada e posteriormente congelada.

Doce cremoso – Depois do despolpamento, a polpa é colocada em tacho ou panela.

Para cada quilo de polpa, utilizar 600 g de açúcar cristal, que deve ser misturado em tacho ou panela antes de ir ao fogo.

O doce ficará pronto ao atingir pelo menos 55 ºBrix, quando, então, pode ser envasado ainda quente. O ideal é utilizar goiabas maduras, ou seja, com a cor da casca totalmente amarela, que têm sabor, cor e aroma ideais para a fabricação desse tipo de produto.

Doce em corte ou em massa – Para cada quilo de polpa, utilizar 600 g de açúcar cristal, que podem ser misturados antes de serem submetidos ao aquecimento.

O ideal é utilizar frutas em estádios de maturação diferentes, ou seja, algumas goiabas com casca totalmente amarela e outras verde-amareladas. Aquelas que apresentam cor de casca totalmente amarela dão uma coloração mais atrativa ao doce e apresentam sabor e odor característicos da fruta. Já as de casca verde-amarelada apresentam maior acidez e concentração de pectina, o que confere firmeza ao doce.

O doce estará pronto ao atingir pelo menos 65 ºBrix, quando, então, deverá ser despejado, ainda quente, em mesa de aço inoxidável, para, posteriormente, ser embalado.

Compota ou doce em calda – São conservas de frutas pré-cozidas em calda de açúcar antes de envasadas ou praticamente cruas, com posterior adição de calda. Na fabricação desse produto, devem ser utilizadas frutas de tamanho e cor uniformes. As frutas devem ser divididas ao meio, de modo a ocupar quase todo o espaço da embalagem, sem, porém, danificar a fruta; e a calda deve ser adicionada até chegar ao “pescoço” dos vidros, que estarão previamente esterilizados.

No preparo da calda, utilizam-se, geralmente, água e sacarose, na proporção de 2:1. Na fervura, as impurezas superficiais que se formam devem ser eliminadas.

A calda deve estar a 75 ºC no momento de serem embaladas. Depois do enchimento, os vidros devem ser colocados em banho-maria para a retirada do excesso de oxigênio. Em seguida, devem ser fechados, resfriados e rotulados.

Geleia – É obtida pela utilização de sucos clarificados de frutas, cozidos com açúcar e concentrados até alcançar uma consistência gelatinosa. Poderão ser adicionados acidulantes e pectina, porém, não deve ser colorida nem aromatizada artificialmente.

O suco da fruta deve ser extraído em suqueira, sem partículas em suspensão. Para cada quilo de suco, utilizam-se 1 kg de açúcar, 10 g de pectina e 2 g de ácido cítrico. Quando o suco começar a ferver, adicionar a metade do açúcar, a metade da pectina e a metade do ácido cítrico; e quando a mistura atingir 90 ºC, misturar as metades restantes. A geleia estará pronta ao atingir pH entre 3,0 e 3,2 e teor de sólidos solúveis 67,5 ºBrix, quando, então, deverá ser envasada e rotulada. Os vidros devem ser mantidos imóveis durante o envasamento, para não prejudicar a geleificação, que ocorre à medida que o produto esfria. Recomenda-se a utilização de embalagens de vidro com tampa metálica rosqueável.

Em frascos de vidro, previamente esterilizados, a geleia tem prazo de validade de até 1 ano, sem refrigeração. Depois de abertos, devem ser conservados em geladeira e consumidos em até 7 dias.

Informações adicionais

• Na elaboração de cada um dos produtos, é necessário consultar a legislação vigente.

• O rótulo deve conter informações sobre o produto, como: nome, ingredientes e composição nutricional, data de fabricação, prazo de validade antes e depois de abrir, e quantidade.

Deve conter também endereço, telefone e e-mail do fabricante, para facilitar o contato.

• A esterilização dos vidros e das tampas metálicas consiste em submergi-los em água limpa, em ebulição, por 20 minutos e 5 minutos, respectivamente, e em secá-los à temperatura ambiente. Para isso, o ambiente deve estar limpo e esterilizado.

• Na higienização de embalagens de plástico e utensílios em geral, deve ser utilizada solução de água clorada a 10 ppm, na qual devem ficar submersos por 25 minutos.

• Para a obtenção de produtos de qualidade, as etapas do processamento devem ser seguidas corretamente e mantida uma higiene rigorosa.

Além disso, os ingredientes e as matérias-primas devem ser de boa qualidade. É importante ressaltar que o processamento não aumenta a qualidade do alimento; apenas a mantém.

• Na elaboração da geleia, é necessário misturar bem a pectina ao açúcar antes de adicioná-los ao suco na panela, pois a pectina é insolúvel em água.




segunda-feira, 26 de abril de 2021

Higiene no Processamento da Goiaba

 

Processamento e Uso na Agroindústria


O processamento visa aumentar a vida útil dos alimentos, oferecê-los no período de entressafra, agregar valor ao produto, transformá-lo em um novo produto, facilitar o consumo, aproveitar excedentes de produção e, por ter maior durabilidade, propiciar maior lucratividade na comercialização.

Os alimentos processados são aqueles que passam por transformações físicas e/ ou químicas e, algumas vezes, microbiológicas, a fim de beneficiar a matéria-prima.

Para garantir a segurança microbiológica e o aumento da vida de prateleira, além da matéria-prima e de ingredientes de boa qualidade, é necessário, também, que sejam adotados princípios de higiene e a aplicação de tecnologia adequada.

A partir do momento em que se rompe a proteção da fruta, ou seja, a casca da goiaba, aumenta o metabolismo do fruto e, consequentemente, reduz sua vida útil, além de facilitar a entrada e a proliferação de microrganismos, principalmente fungos.

Portanto, a higiene é fundamental em todas as etapas do preparo do alimento, tanto no que diz respeito aos cuidados com a fruta e com as instalações onde ela é processada, quanto à higiene e ao comportamento humano durante o trabalho.

Instalações industriais, equipamentos e utensílios

O local de processamento deve apresentar as seguintes características: piso lavável e resistente; paredes de azulejo branco até uma altura mínima de 2,0 m, podendo o restante ser de tinta lavável; lâmpadas protegidas (para evitar que estilhaços caiam no local de processamento no caso de quebra); e portas, teto e janelas (com tela de proteção contra insetos) de material lavável.

As instalações mínimas necessárias para o processamento de goiaba requerem: cuba de aço inoxidável, com água de boa qualidade e em abundância, para a lavagem dos frutos; tanque de imersão de aço inoxidável, para sanitização das frutas; mesas, despolpadeira, suqueira e tachos de aço inoxidável, fogão e freezer; baldes de plástico, facas e colheres de aço inoxidável, panelas, provetas e recipientes de plástico de diversos tamanhos; balanças com capacidade para pesagem de pequenos e grandes volumes, refratômetro (para medição do teor de sólidos solúveis), termômetro e potenciômetro (pHmetro).

São necessárias, ainda, embalagens para cada tipo de produto produzido.

Higiene e comportamento do empregado durante o trabalho

A higiene pessoal consiste nos seguintes hábitos: banhos diários e uso de toalhas limpas; manutenção das unhas curtas e sem esmalte; lavagem das mãos e dos antebraços com água corrente e sabão, imediatamente antes do manuseio dos alimentos; escovação dos dentes depois das refeições; utilização de uniforme limpo e, de preferência de cor branca, composto por bata, calças, botas de borracha, touca e máscara para boca e nariz.

O comportamento no trabalho é o conjunto de e atitudes a serem seguidas pelo trabalhador durante as atividades: afastar-se temporariamente do ambiente do trabalho quando acometido de alteração da saúde que possa gerar contaminação ao produto, como inflamação ou infecção de pele, feridas, gripe e resfriado; durante o manuseio de alimentos, não coçar a cabeça ou outra parte do corpo; não introduzir dedo no nariz, na orelha e na boca, porém, se o fizer, as mãos devem ser higienizadas antes de ser retomada a atividade; não tossir nem espirrar sobre os alimentos; não mascar chicletes, não ingerir alimentos, nem manter palitos ou similares na boca; não utilizar lápis ou outros objetos atrás da orelha; não usar brincos, anéis, colares, pulseiras, hidratante de pele, perfume, batom, cílios e unhas postiças.






terça-feira, 13 de abril de 2021

Colheita e Pós-Colheita da Goiaba

 

Colheita e Manuseio da Fruta

A recomendação sobre o ponto de colheita ideal para a goiaba depende, inicialmente, do mercado de destino da fruta.

Quando a fruta é destinada à agroindústria, a colheita deve ser realizada nos estádios mais avançados de maturação. Na maioria das vezes, a goiaba é colhida madura, no estádio 5 de maturação, quando apresenta o máximo teor de sólidos solúveis, baixa acidez titulável e a polpa está macia. Nas cultivares de polpa vermelha, é intensa a coloração da goiaba nesse ponto de maturação. Contudo, nesse estádio, a fruta é bastante sensível a danos, é de difícil manuseio e tem limitada resistência às operações de transporte e distribuição, o que inviabiliza seu aproveitamento no mercado de fruta fresca.

Quando o objetivo é o consumo in natura, a colheita deve ser orientada para assegurar a integridade, a preservação das características nutricionais e a completa evolução do sabor e do aroma típicos da cultivar. Quanto mais distante for o mercado, mais cedo a fruta deverá ser colhida, desde que esteja fisiologicamente desenvolvida, o que, em goiaba, corresponde, no mínimo, à mudança da cor verde-escura para a verde clara.

A colheita da goiaba pode ser iniciada de 150 a 200 dias da poda, dependendo da cultivar, da região de cultivo e da estação do ano. Deve ser realizada manualmente, usando-se tesouras apropriadas, manuseadas por pessoas treinadas e nas horas mais frescas do dia, uma vez que o aquecimento da fruta pela exposição prolongada ao sol acelera mudanças que levam à senescência, reduzindo-lhe a vida útil. No momento da colheita, o corte do pedúnculo deve ser feito a uma distância de 1 cm da fruta.

Em razão da floração irregular da goiabeira, devem ser feitas colheitas parceladas, em geral duas ou três vezes por semana, assegurando, assim, uniformidade na maturação das frutas colhidas a cada vez. Essas colheitas parciais podem se estender por até30 dias.

Os procedimentos adotados na colheita variam conforme o mercado de destino.

Para o mercado de fruta fresca, o manuseio durante a colheita deve ser particularmente cuidadoso, para evitar danos aos frutos. As goiabas devem ser acondicionadas em caixas de plástico de 20 kg ou em outro recipiente que assegure proteção e sanidade, devendo ser mantidas à sombra até o momento do transporte para o galpão de embalagem ou a empacotadora. Cuidados também devem ser tomados durante o transporte, que deve ser feito em baixa velocidade e por estradas bem pavimentadas. Os cuidados devem se estender às operações realizadas no local de embalagem.

Numa sociedade cada vez mais exigente em segurança e em qualidade alimentar, além das recomendações de manuseio cuidadoso da fruta, de emprego de técnicas e produtos legalmente permitidos para a cultura e de utilização de mão de obra treinada, recomenda-se:

• Utilizar contentores exclusivos para a colheita, com superfície de material inerte, não absorvente e higienizável.

• Usar, no fundo e nas laterais dos contentores, material de proteção de fácil higienização e que não transmita odor ou substâncias indesejáveis ao produto.

• Manusear os contentores cuidadosamente no pomar e durante o transporte.

• Evitar o enchimento excessivo dos contentores, a fim de não causar danos às frutas durante seu manuseio e transporte.

É importante destacar que a máxima qualidade da fruta é obtida no momento da colheita. A partir daí, a ocorrência de danos mecânicos, o amadurecimento e a senescência naturais da fruta, a perda de água e a ocorrência de podridões contribuem para a perda de qualidade. Portanto, devem ser tomados cuidados para minimizar o efeito desses fatores.

Operações pós-colheita

A goiaba é uma fruta de alta perecibilidade, necessitando de um manejo pós-colheita que possa atrasar os processos de senescência.

Para conseguir um alto rendimento nas operações de pós-colheita, o local onde a goiaba será embalada deverá ser dimensionado conforme o volume de frutas colhido diariamente, o número de funcionários envolvidos nas diferentes atividades e a movimentação das frutas antes e depois do processamento. Além disso, recomendam-se:

• Uma área para recepção da fruta e outra para manejo, classificação, embalagem, armazenamento e expedição, denominada área de manuseio da fruta.

• Instalações adequadas para lavagem e secagem higiênica das mãos dos funcionários e dos visitantes, e que fiquem próximas da entrada da área de manuseio da fruta.

• Cômodo específico para armazenamento de materiais e produtos de limpeza.

• Procedimentos operacionais padronizados para a limpeza e a higienização de utensílios e equipamentos de colheita.

• Mão de obra treinada, que use roupas limpas e adequadas ao serviço, cabelos presos, unhas cortadas e mãos asseadas.

• Equipamentos para a lavagem das mãos e instalações sanitárias limpas para uso dos trabalhadores, situadas a uma distância máxima de 500 m do local de trabalho.

Dispondo-se de um local adequado ao recebimento das frutas e de procedimentos bem definidos de pós-colheita, as frutas destinadas ao consumo in natura deverão passar pelas seguintes operações:

Lavagem

Visa à retirada de resíduos de terra, de folhas ou outros agentes de contaminação.

Recomenda-se que a água utilizada seja potável. Também deve ser utilizado detergente e/ou sanitizante recomendado e registrado conforme legislação vigente.

No momento da lavagem, já é possível fazer uma seleção prévia das frutas, quando serão eliminadas aquelas que apresentem os defeitos comerciais mais graves, como:dano profundo, fruta imatura, podridão e alterações fisiológicas.

Seleção

Depois de limpos, os frutos são selecionados de acordo com os padrões de qualidade vigentes no mercado. Nessa operação, além das frutas com defeitos graves, são descartadas aquelas que, embora apresentem defeitos leves, esses excedam o limite de tolerância aceito no mercado que sepreten de atingir. Entende-se como defeitos leves aqueles que desvalorizam o produto, mas não atingem a polpa, nem inviabilizamo consumo. Em goiaba, lesões cicatrizadas, danos superficiais, umbigo malformado, deformações, amassados e manchas superficiais são considerados defeitos leves. Emconjunto, os defeitos podem atingir porcentagem superior desde 5% até um pouco mais de 15% da embalagem comercial, dependendo da categoria de qualidade emque se enquadre.

Para evitar contaminação ou dano às frutas sadias e aptas à comercialização,recomenda-se que as goiabas descartadas sejam separadas das demais.

Classificação

Conforme a norma de classificação do Programa Brasileiro para a Melhoria dos Padrões Comerciais e de Embalagens de Hortigranjeiros especifica para a goiaba, essa fruta é classificada por classe ou calibre. São consideradas as classes 5, 6, 7, 8, 9 e 10, que agrupam, respectivamente, frutas com o diâmetro equatorial de 5 cm a 6 cm, de 6 cm a 7 cm, de 7 cm a 8 cm, de 9 cm a 10 cm e com mais de 10 cm. Essa mesma norma classifica a goiaba nas categorias Extra, I, II e III, sendo a tolerância a defeitos menor na primeira, aumentando gradativamente até a última.

Popularmente, o número de frutas por caixa, que define o tipo da goiaba, é muito usado nas operações de comercialização.

Dessa forma, dizer que uma goiaba é do tipo 12 significa dizer que existem 12 frutas de tamanho semelhante na caixa.

A goiaba classificada deve ter homogeneidade de tamanho e de coloração. No que se refere à coloração, são considerados três padrões: amarela, verde-amarelada e verde-clara.

Embalagem

A embalagem padrão para goiaba é uma caixa de papelão de 304 mm de comprimento, 205 mm de largura e 75 mm de altura, com tampa, que comporta 3 kg ou 3,5 kg do produto. Nesse tipo de caixa, as frutas de mesmas origem, cultivar, qualidade e classe são distribuídas em camada única, individualmente, e são envolvidas em papel seda ou em redes de poliestireno. Podem ser usados também fitilhos para a proteção das frutas.

Para a adequada proteção das frutas, recomenda-se que sejam utilizados:

a) embalagens novas, limpas e de material atóxico, que atendam às exigências do mercado e assegurem a proteção física da fruta;

b) papéis ou selos impressos com produto atóxico; e c) caixas identificadas conforme normas técnicas de rotulagem.

Para o mercado externo, recomenda-se o uso de caixas de papelão, com os seguintes arranjos: 3 fileiras de 5 frutos (tipo 15); 3 de 6 frutos (tipo 18); 3 de 7 frutos (tipo 21); de 6 frutos (tipo 24); 4 de 7 frutos (tipo 28); 4 de 8 frutos (tipo 32); 5 de 7 frutos (tipo 35); 5 de 8 (tipo 40); e 5 de 9 (tipo 45).

No mercado atacadista, também se comercializa goiaba em embalagem a vácuo, contendo em geral quatro frutas. Nas centrais de abastecimento, por seu turno, ainda se verifica o uso de embalagens de madeira, com capacidade para 18 kg a 22 kg de goiaba.

Paletização

Corresponde ao empilhamento das caixas em colunas, sobre um estrado, que deve ter dimensões compatíveis com os padrões de comercialização. Os paletes normalmente utilizados são de madeira, com dimensões de 1,2 m x 1,0 m. No entanto, sua adoção ainda é restrita a produtores que exploram mercados diferenciados.

Armazenamento

A refrigeração é uma das técnicas mais eficientes para retardar o amadurecimento da goiaba, que, sob temperatura ambiente, ocorre entre 3 e 5 dias. As condições recomenda das para o armazenamento da goiaba são temperaturas de 8 ºC a 10 ºC e umidade relativa de 85% a 95%. Nessas condições, as frutas podem ser conservadas por até 21 dias. Sob temperaturas inferiores, são observados danos causados pelo frio, que consistem de manchas escuras na casca, em forma de pontuações, que evoluem para depressões, e de perda total ou parcial da capacidade de amadurecimento. Além disso, a polpa pode adquirir consistência emborrachada.

Associadas ao armazenamento refrigerado, outras técnicas de conservação pós-colheita podem ser usadas em goiaba.

Entre elas, cita-se o uso de sacolas de plástico (de polietileno, por exemplo) ou filmes esticáveis de cloreto de polivinila (PVC), com espessura e permeabilidade a água e a gases adequados à respiração e à produção de etileno (hormônio produzido durante o amadurecimento) pela goiaba, depois da colheita. Esses materiais reduzem a perda de água e, em algumas cultivares, atrasam algumas mudanças próprias do amadurecimento, como perda de firmeza e amarelecimento da casca.

O uso de ceras também pode ser incorporado às operações pós-colheita de goiabas. Além de proporcionar melhor aparência, graças ao aspecto lustroso, a cera pode diminuir a perda de água e retardar o amadurecimento. No entanto, é necessário identificar o tipo de cera mais adequado aa cada cultivar. Há necessidade, ainda, deadaptar os equipamentos normalmente usados parapara outras frutas, visando à aplicação de cera em goiabas.

Transporte

A temperatura de transporte também deve atender às recomendações adotadas para o armazenamento refrigerado. Porém, geralmente são aplicadas aos frutos exportados.

Aqueles destinados ao mercado interno são transportados sem refrigeração.

Finalmente, é importante reforçar que a preservação máxima da qualidade da fruta a partir da colheita depende das práticas e do manuseio adotados. Esses devem atender aos requerimentos de mercado, oferecendo um produto de qualidade especial, que não promova riscos químico, biológico e físico à saúde do consumidor, e que seja proveniente de sistema de produção coerente com os preceitos de minimização de impactos ao meio ambiente e de respeito às leis trabalhistas.

Ademais, a fruta deve apresentar aparência fresca e atrativa.