segunda-feira, 23 de agosto de 2021

Produção, mercado e aspectos econômicos do Mamão

INTRODUÇÃO  

Brasil, segundo maior produtor mundial de mamão, responde por 16% desta produção (FAO, 2013). Observa- se uma grande faixa contínua produtora próxima ao litoral, entre Linhares (ES) e Porto Seguro (BA), porém com progressiva migração para o interior do continente. Minas Gerais é o quinto produtor (IBGE, 2013), com produção crescente principalmente pelo município de Jaíba, que aumentou seu fornecimento à Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) em 45 vezes, entre 2008 e 2012. Enquanto a maior parte das cargas chega à Ceagesp com os frutos a granel, na carroceria dos caminhões, os produtores das novas áreas colhem frutos mais maduros, classificam e embalam na origem. Essa colheita de frutos maduros só é possível se o mamão for comercializado em embalagens, já que se torna mais macio e sujeito a danos. Como se trata de um fruto climatérico, mas com reduzido acúmulo de açúcares após colhido, o sabor final do fruto colhido maduro será muito melhor. Uma vez que esta superioridade em qualidade esteja associada a uma marca ou embalagem, há tendência de o consumidor dar preferência a esse produto, o que poderá ser um diferencial para esses produtores.

PRODUÇÃO

De acordo com os dados de produção coletados pela Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO, 2013), em 2011, o mundo produziu 11,84 milhões de toneladas de mamão, em 421,5 mil hectares. O Brasil detém a segunda co- locação, com produção de 1,85 milhão de toneladas, ou 15,7% da produção mundial, em 35,5 mil hectares (Quadro 1). O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2011) registrou que a produção brasileira de mamão foi de 1,85 milhão de toneladas, com predomínio na Bahia (928 mil toneladas) e Espírito Santo (560 mil toneladas) (Quadro 2). O que se observa é a existência de uma grande faixa contínua produtora de mamão, próxima aos litorais capixaba e baiano, que vai das proximidades de Linhares, ES, até Porto Seguro, BA.Minas Gerais é o quinto produtor de mamão, com apenas 2,42% da produção nacional em 2011 (Quadro 2), porém crescente. Naquele momento, o município de Jaíba foi o maior produtor, com 16,7% da produção do Estado (Quadro 3). O fornecimento de mamão pelo município de Jaíba à Ceagesp passou de 232 t, em 2008, para 10.541 t, em 2012 (Gráfico 1), sendo 8.505 t de mamão do grupo Formosa (CEAGESP, 2013).

COMERCIALIZAÇÃO

A comercialização dos mamões no Entreposto Terminal de São Paulo (ETSP), da Ceagesp, retrata o mercado brasileiro de mamão. Todas as notas fiscais recolhidas nas portarias do ETSP tornam-se a fonte de dados do Sistema de Informação e Estatísticas de Mercado (Siem), da Seção de Economia e Desenvolvimento (Sedes), que registrou, em 2012, no ETSP, a comercialização de 56,4 mil toneladas de mamão do grupo Formosa e de 86,9 mil toneladas do grupo Solo, conhecido popularmente como Havaí, Havaiano ou Papaia. Houve queda do fornecimento dessa fruta, de 168,3 mil toneladas, em 2011, para 143,3 mil toneladas, em 2012 (CEAGESP, 2013). Confrontando com os dados de produção do IBGE, estima-se que o ETSP comercialize, aproximadamente, 9,7% da produção brasileira de mamão, participação relativa que vem caindo pouco a pouco ao longo dos últimos anos. O que se constata no entreposto é certa estabilidade no volume do grupo Solo e um crescimento do Formosa. Desde 2007, primeiro ano de funcionamento do Siem, o volume comercializado de mamão do grupo Solo sempre ficou próximo a 90 mil toneladas e o do Formosa passou de 52 mil toneladas, em 2007, para quase 64 mil, em 2010, caindo para 56, em 2012. De acordo com o ranking de 2012 da Ceagesp, o mamão é a terceira fruta em volume comercializado, perdendo apenas para a laranja e a maçã, e a quinta em volume financeiro, movimentando 20 milhões de reais, em 2012.

Para o grupo Solo, a Bahia é a grande fornecedora para o ETSP, com 70% do volume total em 2012; o Espírito Santo vem logo a seguir com 26%, e o restante é distribuído entre vários Estados. Uma característica marcante da comercialização no ETSP é a preferência pela ‘Sunrise’ e suas variações como a ‘BS’ (Benedito So- ares), em detrimento da ‘Golden’. Apesar de a ‘Golden’ ter melhor resistência pós- colheita e menor ocorrência de manchas fisiológicas, o sabor da ‘Sunrise’ é muito superior, e grande parte dos varejistas paulistanos, como feirantes, hortifrutis e ambulantes, que possuem contato muito próximo com o consumidor, constatam que este rejeita a ‘Golden’, pela maior firmeza e menor conteúdo de açúcares da polpa.

Na comercialização de mamão do grupo Formosa, há uma inversão com o Espírito Santo como principal abastecedor, com 22,67 mil toneladas ou 40,2% do total, e a Bahia participou com 15,7 toneladas ou 27,8%. Os envios capixabas saem quase todos dos municípios de Pinheiros, São Mateus e Montanha. É no grupo Formosa que se observa rápida mudança do modelo de comercialização do mamão. Em 2012, 132 municípios enviaram mamões Formosa ao ETSP, mas os dez maiores foram responsáveis por 69% do total. No Quadro 4, observa-se um grande crescimento na produção dos municípios do Oeste Baia- no, de Baraúna no Rio Grande do Norte e de Jaíba no Norte de Minas, município que não registrou nenhuma entrada em 2007, e em 2012, enviou 8.505 toneladas. Ao mesmo tempo, constata-se queda no envio de mamão por Montanha, ES. Os produtores desses municípios emergentes na produção de mamão Formosa trabalham de maneira totalmente distinta da maioria dos produtores capixabas.

EMBALAGENS E TRANSPORTE

Enquanto a maior parte das cargas do Espírito Santo chega à Ceagesp com os fru- tos a granel, na carroceria dos caminhões, os produtores das novas áreas colhem frutos mais maduros, classificam e em- balam na origem. Muitos utilizam caixas de papelão ondulado, bastante atrativas, caixas de plástico sanitizáveis (Fig. 1A), ou mesmo caixas de madeira com frutos protegidos por papel (Fig. 1B), ou por rede de poliuretano, etiquetados com a marca do produtor (Fig. 1A). É sabido que o fruto do mamoeiro, por ser climatérico, é capaz de amadurecer a partir do momento em que as sementes estão negras. No entanto, se o fruto permanecer no mamoeiro continuará o acúmulo de açúcares e o sabor final do fruto maduro será muito melhor. Esta colheita de frutos mantidos na planta por mais tempo só é possível se forem comercializa- dos em embalagens, já que se tornam mais macios e sujeitos a danos, o que inviabiliza o transporte a granel.

O arcaico sistema de transporte a gra- nel exige colheita de frutos ainda com a casca totalmente verde e polpa bem firme, portanto, quando ainda acumulam menor quantidade de açúcares. Estes frutos terão sabor pouco pronunciado, quando maduros. Já aqueles colhidos mais maduros e que começam a mudar a coloração, tendo pelo menos duas listras amarelas, são muito mais saborosos quando totalmente maduros e, sendo identificados com marca, são reconhecidos como produto superior pelos varejistas e consumidores. Dessa forma, concluem que vale mais adquirir um produto que, apesar de bem mais caro, é ca- paz de proporcionar muito mais satisfação. Em geral, os mamões embalados na origem conseguem valor de venda entre 50% e 100% acima dos que chegam a granel e são embalados no entreposto. Esta é uma tendência geral para o mercado de frutas e hortaliças, e quem embala na origem vem ganhando terreno rapidamente.

Um caminhão de mamão Formosa a granel demora mais de seis horas para ser descarregado, ocupando espaço no entreposto, e são normais perdas da carga próximas de 20%. A descarga de mamão Formosa é, sem dúvida, a maior geradora de lixo no ETSP.

No grupo Solo, o domínio é quase que total dos municípios baianos e capixabas da faixa litorânea do norte do Espírito Santo e extremo sul da Bahia (Quadro 5). Vários produtores dessa região, alguns também atacadistas no ETSP, estão começando a trabalhar com embalagens de papelão ondulado do mesmo modo que os produtores de Formosa do Oeste Baiano e do Rio Grande do Norte.

Figura 1 - Frutos embalados em caixas procedentes da Brasnica - Janaúba, MG

NOTA: Figura 1A - Frutos embalados em caixas de plástico e protegidos com rede de poliuretano. Figura 1B - Frutos embalados em caixas de madeira e protegidos com papel.

QUALIDADE DO MAMÃO

A observação diária do mercado indica que os produtores de frutas e hortaliças de maior sucesso são os que criam uma marca e a associam com alta qualidade. E, sem dúvida, um ótimo sabor e a adequação ao uso são as principais caracte- rísticas qualitativas e as mais importantes para todos os tipos de consumidores (ABBOT,1999). Nenhum consumidor deseja consumir fruta ou hortaliça colhida precocemente ou tardiamente, ainda ácida ou já passada, seca ou fibrosa. Quando o consumidor associa uma marca, selo ou embalagem a um produto de ótimo sabor, este torna-se predileto. O fruto com esse padrão de qualidade, colhido no momen- to certo, e embalado, comporta outros cuidados adicionais. Uma vez que serão associados a uma marca, e a embalagem permite colheita de frutos maduros, muitos produtores estão investindo em casas de embalagem, onde são lavados (Fig. 2A), classificados e embalados (Fig. 2B), e, posteriormente, transporta- dos em caminhões frigorificados.

A parcela mais informada da população tem grande preocupação com a segurança dos alimentos, no que se refere a resíduos de agrotóxicos e contamina- ções por microrganismos causadores de doenças. Alguns consumidores exigem também condições sociais e ambientais de produção totalmente dentro da conformidade. A Produção Integrada de Mamão (PI Mamão) é um ótimo caminho para atender a estes anseios dos consumidores.

Constata-se que os produtores de frutas e hortaliças bem-sucedidos no mercado interno atendem a alguns requisitos:

a) conhecimento das características qualitativas responsáveis por melhor aceitação pelo consumidor final e pelo mercado atacadista. De acordo com levantamentos feitos pelo Instituto Brasileiro de Qualidade em Horticultura (HORTIBRASIL, 2011), os fatores mais importantes para a melhor aceitação do consumidor de mamão são: em primeiro lugar, o óti- mo sabor, com adequado conteúdo de açúcares, bom aspecto de casca e boa durabilidade na pós-colheita. O consumidor não aceita perder frutas por doenças como antracnose e as podridões-de-pedúnculo;

b) plantio em região com características climáticas adequadas e adoção de sistema de produção que resulte em frutos com padrão de qualidade desejado;

c) associação do nome do produtor ou de sua marca a um produto de alta qualidade. É importante que os compradores do varejo e os consumido- res tenham referência para voltar ao produto de alta qualidade, como já acontece com as grandes marcas da indústria. Para isso, o produtor ou comerciante necessita lançar mão de embalagens diferenciadas, como caixas com impressões atraentes e embalagens individuais para os frutos, de modo que o consumidor possa associar o visual à alta qualidade, principalmente em termos de sabor;

d) dispor de um sistema de informação que permita visualizar constante- mente as diferenças de preços de diversas qualidades de produto e de base para negociações mais justas e que a melhor qualidade possa ser grande variação das suas caracte- rísticas qualitativas e outros valores que podem ser adicionados, como, por exemplo, o tipo de sistema de produção, não podem ser consideradas commodities. A formação dos preços de comercialização não pode ser explicada unicamente pela oferta e demanda. Muitas vezes, em um único dia de comercialização, ocorre grande diferença no preço de produtos da mesma variedade e ta- manho, determinada pela qualidade entre estes;

e) ter um agente confiável no mercado de destino, que seja responsável por passar ao produtor informações precisas sobre o andamento da comercialização.

A determinação dos preços finais de comercialização do mamão é uma complexa combinação de oferta, demanda, cultivar, tamanho do fruto, qualidade e apresentação do produto

Figura 2 - Frutos em casas de embalagem na Brasnica - Janaúba, MG

NOTA: Figura 2A - Frutos lavados. Figura 2B - Frutos classificados e embalados.



quinta-feira, 12 de agosto de 2021

Tutoramento das Pitayas


 Tutoramento das mudas 

Mouco ([200-?]) define o tutoramento como a condução do caule da planta para um crescimento vertical, de forma a evitar a ação danosa dos ventos na instalação da mudas. Segundo Bacher (2010), no caso das pitaias, o procedimento pode ser realizado com mourões de madeira tratada, postes de concreto e até caules de frutíferas (ex. tangerineiras, laranjeiras, etc.) que depois de serem podados podem ser usados para tutoramento. 

Pode ser utilizado um tutor para cada 1 ou 2 mudas, espaçadas 3 metros entre elas e 4 metros as ruas. Quando plantada para fins domésticos, a pitaia pode ser plantada em caules de árvores, de preferência de porte baixo para não dificultar na hora da colheita. Alguns produtores utilizam quadros de madeira fixados no ápice dos mourões para um melhor tutoramento. Apesar de aumentar um pouco mais o trabalho, apresenta melhores resultados (BACHER, 2010). 

Por sem uma planta trepadeira, Moreira et al. (2012) explica que o tutoramento da muda da pitaia deve ser feito com um mourão de aproximadamente 1,80 m de altura. Além disso, é recomendável que na extremidade desse mourão coloque-se uma trave ou qualquer outro tipo de suporte para sustentação das brotações produtivas. Para facilitar o crescimento da planta, e o sentido do mourão, é recomendado fazer a amarração com barbante no mourão. 


No Brasil, os usos mais comuns são de mourões de madeira (Figura 4) ou concreto.

A pitaia é encontrada em florestas tropicais da América Latina em condições de “meia sombra”, ou seja, em condições de sub-bosque. Alguns autores (CAVALCANTE, 2008; MORITZ, 2012; SILVA, 2014) apontam que o sombreamento é necessário para evitar que os ramos sofram danos causados pela insolação direta e para proporcionar uma maior taxa de frutificação. Essa recomendação para a região Sul do Brasil é bastante incipiente e deve ser melhor estudada, especialmente por estar localizada distante da Linha do Equador.

Apesar disso, a necessidade de tutoramento, aliada ao possível sombreamento parcial, apresenta potencialidades no cultivo da pitaia, como em sistemas agroflorestais (SAFs) com tutores vivos. 

Cultivo da pitaia em tutores vivos


O manejo da copa das plantas que podem servir de tutoramento propicia a abertura dos galhos e uma maior incidência de radiação solar, sendo possível utilizar os resíduos das podas como adubação ao redor das plantas de pitaia. Isso garante uma boa cobertura do solo, a decomposição e a incorporação de matéria orgânica e um favorecimento aos microrganismos edáficos, promovendo assim uma ciclagem de nutrientes em um sistema que pode ser considerado sustentável.

É recomendada a condução das mudas de pitaia em haste única, o que contribui para o seu rápido desenvolvimento (MARQUES, 2008). Essa forma de condução pode ser feita eliminando-se as brotações laterais por meio de podas,

deixando-se apenas as brotações mais bem localizadas no sentido vertical. Esses ramos podados podem ser utilizados para propagação de novas mudas.

Após atingirem a altura para abertura da copa, previamente definido de acordo com o tutoramento e a condução (Figura 4), deve-se favorecer o surgimento das brotações laterais, as quais originarão os frutos, pelo arqueamento dos ramos.

Figura 4. Tutoramento de pitaia com mourões de madeira.





quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Adubação da Pitaya

Os solos que oferecem melhores condições para o desenvolvimento das plantas possuem pH entre 5,5 e 6,5, são não compactados, ricos em matéria orgânica, bem drenados e de textura bem solta (LIMA, 2013). A adubação orgânica confere boas respostas ao solo e às plantas, especialmente pela liberação lenta de nutrientes e incorporação de matéria orgânica no sistema, melhorando as qualidades químicas, físicas e biológicas, evitando também a lixiviação de nutrientes e a salinização do solo. Além disso, a utilização de fontes alternativas de nutrientes pode minimizar os custos com boas perspectivas de produtividade para a pitaia (MARQUES et al., 2012).

Em um estudo conduzido por Cavalcante (2008), concluiu-se que o fornecimento de 20L cova-1 de esterco bovino promove um crescimento da parte aérea em função do melhor desenvolvimento do sistema radicular.

Após o plantio, pode-se utilizar essa quantidade de esterco nas fases de desenvolvimento e frutificação da cultura.

Essa prática de adubação orgânica pelo uso de esterco contribui para a incorporação de matéria orgânica no solo em diferentes momentos, favorecendo as condições biológicas do solo e a absorção de nutrientes pelas raízes da planta, especialmente por estas terem característica fasciculada e de desenvolvimento em pequenas profundidades.

Por ser uma planta que apresenta hábito escandente, a pitaia necessita de tutoramento (SILVA, 2014), o que pode ser feito de diversas formas. Conforme Lima (2013), podem ser usados mourões de madeira, postes de concreto e até caules de outras plantas (Figura 3), que podem ser usados depois de podados.

Abertura da Cova.

A abertura das covas pode ser feita com sulcador, broca mecânica ou manualmente, quando o número de plantas é pequeno, com dimensão mínima de 60 x 60 x 60 cm. Na abertura manual da cova, tradicional na região Sul de Minas, deve obedecer à separação do solo da superfície e do fundo da cova (Figura7). O preparo da cova deve anteceder o plantio, com no mínimo 60 dias.

Preparo das covas

A adubação deve ser feita obedecendo aos resultados da análise de solo e às necessidades da cultura. Para assegurar um bom desenvolvimento da planta, recomenda-se a utilização de matéria orgânica (20 L de esterco de curral), calcário dolomítico (500 g) e adubação química com 300g de superfosfato simples e micronutrientes (50g de FTE BR 12) por cova.

Deve-se, no enchimento da cova, inverter a ordem de retirada do solo e misturar a terra de superfície com a adubação orgânica e o calcário (Figura 8). Depois do fechamento da cova, deve ser colocada uma estaca para demarcação do centro de cova para o futuro plantio, após 60 dias.




terça-feira, 20 de julho de 2021

Condução e Podas na Pitaya

 

Condução da planta

Após o estabelecimento da muda, se da o surgimento de brotações laterais denominadas cladódios (caule modificado adaptado à realização de fotossíntese, característico das plantas xerófitas).

O indicado é que estes brotos vegetativos laterias (ramos ladrões) sejam removidos através de podas, principalmente pela poda de formação. Com o auxílio de uma tesoura de poda realiza-se a eliminação dos brotos, deixando apenas um ou dois, que serão conduzidos até a parte suerior do mourão.

Quando a planta alcançar a parte superior do suporte do mourão, deve-se deixar todos os cladódios crescerem e desenvolverem, pois estes originarão os cladódios produtivos.

A necessidade de se produzir frutas de qualidade é um objetivo sempre buscado pelo produtor, pois está diretamente relacionada a  rentabilidade do pomar. A poda está entre os fatores que contribuem de forma significativa para a colheita uniforme, além de propiciar melhor qualidade às frutas.

Considera-se que a poda é o conjunto de cortes feitos numa planta, com o objetivo de regularizar a produção, aumentar e melhorar a qualidade das frutas. Além disso, essa técnica auxilia na manutenção da forma da planta de acordo com os propósitos econômicos de sua exploração.

Em fruticultura, observa-se que em plantas já produzindo, é comum encontrar um excesso de sombreamento interno de sua copa, além de ramos indesejáveis. Após alguns anos, na maioria das frutiferas é frequente o declenio da produção de frutos em alguns ramos. Isso ocorre devido ao secamento de galhos, seja por doenças ou pragas.

Para o sucesso na poda é necessário ter conhecimento do hábito de vegetação e frutificação das plantas. Dessa forma, pode-se fazer o uso correto e o tipo de poda apropriada. No caso específico da pitaia, a poda ainda está sendo estudada com mais ênfase, mas é possível se fazer uma recomendação com base nos trabalhos já conclui­dos.

É recomendada a condução das mudasde pitaia em haste única, o que contribui para o seu rápido desenvolvimento

(MARQUES, 2008). Essa forma de condução pode ser feita eliminando-se as brotações laterais por meio de podas,

deixando-se apenas as brotações mais bem localizadas no sentido vertical. Esses ramos podados podem ser utilizados para propagação de novas mudas.

Após atingirem a altura para abertura da copa, previamente definido de acordo com o tutoramento e a condução, deve-se favorecer o surgimento das brotações laterais, as quais originarão os frutos, pelo arqueamento dos ramos.

Objetivo definido

A poda de frutificação ou produção da pitaia tem os seguintes objetivos:

-Otimizar o vigor das plantas com o intuito de produzir frutos em maior quantidade e qualidade;

-Favorecer o manejo das plantas pelo porte adequado;

-Eliminar (cortar) ramos desnecessários, inconvenientes, doentes, praguejados e secos;

-Disponibilizar ramos (cladódios) adequados para a produção de mudas destinadas a novos plantios.


Benefícios da poda

-Facilita o manuseio da planta;

-Reduz o sombreamento;

-Melhoria na qualidade das frutas;

-Melhoria do arejamento da planta;

-Manutenção de uma arquitetura adequada a cada espécie;

-Eliminação de partes indesejáveis da planta;

-Propicia rejuvenescimento da planta;

-Minimiza o surgimento de pragas e doenças.

Quando podar

Recomenda-se que a poda seja feita no período de repouso vegetativo, coincidindo com o período frio do ano. No início do desenvolvimento das plantas no campo, recomenda-se que sejam feitas desbrotas dos ramos novos, para que a planta cresça verticalmente até atingir o topo do moirão, ou qualquer outro suporte.

O objetivo é deixar somente o ramo principal, para que a planta disponibilize suas reservas somente para o ramo principal. Posteriormente à primeira produção de frutos, torna-se necessário podar aqueles cladódios que já produziram grande número de frutos, pois sua produtividade será baixa nas próximas safras.

Vale ressaltar que essa última técnica deve ser realizada com cautela para que não sejam retirados cladódios com potencial de produção. Por último, recomenda-se podar os ramos que brotam no sentido vertical, pois os mesmos não produzem satisfatoriamente.

As podas regularizam a produção, aumentam e melhoram a qualidade das frutas 

Tipos de podas

Dentre as diversas práticas agronômicas presentes no cultivo da pitaia, a poda é uma das mais importantes, sendo comumente realizadas as podas de formação, de produção e de limpeza.

Poda de formação

Esta poda visa moldar e definir a arquitetura da planta, além de eliminar brotações improdutivas, sendo sua principal função a promoção de um ambiente favorável para o desenvolvimento e adaptação do ramo principal ao sistema de apoio, proporcionando assim uma maior área efetiva de exposição à luz solar.

Seis meses após o transplante da muda para o campo, deve-se selecionar o número de cladódios desejados para formar a estrutura da planta, e amarra-los ao suporte para direcionar o seu crescimento. Ao atingir o suporte do mourão, os cladódios emitidos acima do mesmo devem ser mantidos, já que serão os brotos produtivos. Os cladódios que forem emitidos lateralmente abaixo do suporte do mourão e rentes ao solo, devem ser eliminados, pois estes são poucos produtivos e acabam atrapalhando o crescimento e o desenvolvimento da planta e dos frutos.

É importante que todas as ferramentas utilizadas para a eliminação dos cladódios sejam esterilizadas, a fim de minimizar o risco de contaminação da planta a cada corte.

Poda de produção

A poda de produção também conhecida como poda de desbaste, consiste na eliminação dos cladódios improdutivos encontrados na planta. Este tipo de poda visa concentrar a produção em menos cladódios, obtendo frutos de maior tamanho e melhor qualidade.

Deve ser realizada após o primeiro ano de estabelecimento da cultura, uma vez que a estabilização da produção se dá a partir deste ano, devido ao maior vigor e elevada taxa de crescimento da planta.

As ferramentas utilizadas durante o processo da poda também, devem ser esterilizadas, a fim de reduzir possíveis infecções da planta.

Poda de limpeza

A poda de limpeza é realizada com a finalidade de remoção das partes da planta afetadas por algum tipo de agente patogênico ou inseto, e/ou as partes da planta que não se desenvolveram ou se encontram secas.

As partes afetadas da planta devem ser removidas e enterradas à uma profundidade mínima de 30 cm, reduzindo a possibilidade de sobrevivência a disseminação do inóculo do patógeno ou inseto.

Nesta poda, salinta-se ainda mias a importancia da desinfecção das ferramentas utilizadas a cada corte realizado na planta, pois o risco de contaminação entre as plantas é mais elevado.




quarta-feira, 14 de julho de 2021

Cultivo da Uvaia

 

Nome científico: Eugenia pyriformis Cambess

Nome popular: uvaia, uvalha, ubaia, uvaia-do-cerrado, ubaia.

Família botânica: Myrtaceae

Distribuição Geográfica e Habitat: Encontrada no Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. No Brasil, ocorre na Floresta Estacional Decidual, Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Ombrófila Mista, no Cerrado e na Mata Ciliar.

Características gerais: E. puriformis é a espécie mais comum de uvaia, embora existam outras espécies. Das frutas nativas dessa família, é uma das mais reputadas e conhecidas, embora pouco cultivada. Recente publicação da Sociedade Brasileira de Fruticultura dá informações sobre essa fruta (SARTORI E OUTROS, 2010). Esses autores citam a existência de vários tipos e variedades de uvaia (ver INFORMAÇÕES ADICIONAIS, ao final deste artigo). No geral, a fruta é de tamanho pequeno, com peso médio entre 20 e 25 g, casca lisa e fina, amarela a alaranjada, contendo uma a três sementes por fruto. O rendimento de polpa é bom, com até 80% do peso do fruto, e as cascas são comestíveis também. Como o fruto é mole, é fácil separar a polpa e a casca das sementes.

Clima e Solo: Pode ser encontrada em temperaturas entre 9,4 a 26,4 °C, com chuvas uniformemente distribuídas na Região Sul e periódicas, nas demais regiões. O regime de precipitação pluvial média anual pode ocorrer desde 1.100 mm no Estado de São Paulo, a 2.300 mm no Paraná. Suporta geada. Requer solos de alta fertilidade, bem drenados, úmidos, com textura areno-argilosa. Pode ocorrer em solos graníticos até eruptivos, sedimentares e aluvionais.

Usos: O fruto é muito perecível, devendo ser colhido com cuidado e transportado em caixas, em pequenas camadas, para utilização imediata, ou congelamento. Os usos mais comuns são para suco, geleia, doces, licores, sorvetes e outros produtos. A polpa do fruto pode ser conservada a -18 oC, em sacos plásticos ou câmaras frias, ou freezer comum, podendo ser utilizada para se fazer os produtos usuais. O uso medicinal da uvaia ainda não é conhecido. Como não há produção comercial importante, mas apenas de plantas esparsas em pequenos pomares, a uvaia não aparece regularmente nos mercados, apesar de ser bem reputada nas regiões onde há produção, principalmente para se fazer sorvetes.

Curiosidades: É polinizada principalmente por abelhas. A dispersão é por gravidade ou zoocórica realizada por aves e mamíferos.  Eugenia é dedicado a Francisco Eugenio de Saboya – Carignan, chamado príncipe de Saboya, generalíssimo imperial de notável talento militar e propetor das artes; o epíteto pyriformis significa fruto em forma de pêra. O seu nome deriva do tupi iwa, ubaia ou ybá-ai, e quer dizer fruto azedo.

Típica da Mata Atlântica, a uvaia é conhecida como uma fruta do mato. Seu sabor é intenso, assim como seu perfume. O sabor, apesar de intenso, pode não agradar a todos por ser azedo, e desse fato que surgiu seu nome ubaia, que em tupi significa fruto azedo.

 A fruta é amarela, arredondada e possui duas sementes de aproximadamente quatro centímetros de diâmetro. De flor branca, a árvore é comumente plantada para uso doméstico, uma vez que seus frutos amassam, oxidam e ressecam com facilidade, tornando pouco viável a sua comercialização.

 Você pode até encontrar a uvaia in natura fora de época, mas como os frutos da uvaieira amassam, oxidam e ressecam muito facilmente, é mais viável preferir a época da frutificação, que ocorre entre setembro e janeiro. Fora de época, melhor optar por produtos derivados da fruta, como sucos, compotas, geleias e outros.

 Chega a ter de seis a treze metros de altura, mas existem variações da espécie que crescem em pequenos arbustos de até um metro de altura. A uvaia, por ser nativa da Mata Atlântica, é muito usada em diversos projetos de reflorestamento, servindo de alimento para aves e pequenos animais, os atraindo novamente para seu habitat.

 Primeiramente, a uvaia tem um alto benefício ecológico. Como é uma planta nativa da mata atlântica e pelo seu fruto saboroso até para os pássaros, a uvaieira é muito utilizada em projetos de reflorestamento em áreas degradadas, de preservação permanente e plantios mistos. Sua madeira não é comercialmente utilizada, sendo apenas usada por locais para utilidades domésticas (lenha, moirões etc).

 Seus frutos são ricos em vitamina A e C (quatro vezes mais que a laranja), combatendo desta forma os radicais livres e, consequentemente o envelhecimento celular.

 É eficaz na prevenção de alguns males que afetam nossa saúde como doenças cardiovasculares, câncer, doenças derivadas do envelhecimento, além de serem muito indicados para acompanhamento no tratamento de HIV, no tratamento de tumores, malária, processos inflamatórios e para diminuir o nível de ácido úrico.

 Nome e Significado: Uvaia vem do Tupi, e significa ”Fruta ácida”. Também é conhecida como Orvalha e Uvalha.

 Origem: Originaria da floresta atlântica desde São Paulo até o Rio Grande do Sul, Brasil.

 Características: Árvore pequena de 4 a 12 metros de altura com copa arredondada ou em forma de taça de 2 a 4 metros de diâmetro com tronco reto e na maioria das vezes é dividido em varas eretas de 10 a 50 cm de diâmetro, com casca castanha esverdeada, fissuras longitudinais que se descamam em placas finas no inicio da primavera. As folhas são opostas, simples, glabras (sem pelos) de textura subcoriácea (pouco rija). O limbo ou tecido foliar tem forma lanceolada com base obtusa ou arredondada e ápice agudo ou acuminado (que termina em ponta fina) medindo 2,5 a 5,5 cm de comprimento por 0,6 a 1,4 cm de largura sob pecíolo de 0,2 a 0,4 cm de comprimento. As flores são hermafroditas, axilares (nasce na junção da folha e ramos da brotação do mesmo ano) sob pedúnculo ou haste de 1,4 a 2,2 cm de comprimento, cíclicas (com vários ciclos), diclamídeas (com dois envoltórios).  O botão é protegido por com 2 brácteas (tipo de folha modificada) e o cálice (invólucro externo) é composto de 4 sépalas livres, desiguais e pubescentes (coberta de pelos curtos). A corola (invólucro interno) é formada de 4 pétalas obovadas (com forma de ovo, só que a parte mais larga voltada para o ápice), brancas e livres.

 Dicas para cultivo: É planta extremamente adaptável podendo ser cultivada em climas com temperaturas anuais entre 18 a 26 graus, resistindo bem a geadas de até menos 4 graus negativos, frutifica em altitudes desde o nível do mar no Rio de Janeiro até 1,200 na zona da mata Mineira. Em seu lugar de origem as chuvas vão de 1.200 a 1.800 milímetros anuais; vegetando bem nos mais variados tipos de solos, ácidos ou alcalinos, argilosos ou arenosos, mais que de preferência tenham fertilidade e umidade natural. Começa a frutificar com 2 a 4 anos de idade a depender da variedade.

 Mudas: As sementes são redondas e de coloração creme, recalcitrantes (perdem o poder germinativo em 20 dias). Por isso recomendo que semeia 2 sementes diretamente em saquinhos individuais com substrato de 50% de terra e 50% de matéria orgânica bem curtida. A germinação se dá em 40 a 60 dias, e as mudas atingem 35 cm com 11 a 12 meses após a germinação.

 Plantando: Recomendo que seja plantada a pleno sol num espaçamento 4 x 4 m para uvaia pêra e uvaia doce e 6 x 6 m para Uvaia acida do mato. As  covas devem ter 50 cm nas 3 dimensões e convém misturar 30% de areia saibro + 30% de matéria orgânica aos 30 cm de terra da superfície da cova. Deixar curtir por 2 meses, e depois já se pode plantar na melhor época que vai de setembro a novembro, convém irrigar 10 l de água após o plantio e a cada 15 dias se não chover.

 Cultivando: A planta cresce rápido e não necessita de cuidados especiais, apenas deve-se cobrir a superfície com pó de cerra e eliminar qualquer erva daninha que possa sufocar a planta. Adubar com 2 kg de composto orgânico feito de esterco de galinha curtido e 30 gramas de NPK 10-10-10. Distribuir os nutrientes à 5 cm superficialmente a 20 cm do caule no inicio do mês de outubro.

 Usos: Frutifica nos meses de Setembro a novembro. Os frutos são consumidos in-natura e na forma de sucos. A fruta tem grande potencial para fabricação de bebida fermentada como vinho e ótimo vinagre. A polpa também produz um delicioso sorvete.

Uvaia uma fruta da Mata Atlântica

uvaia fruta



Então, confira os benefícios da Uvaia para saúde.

  Para Ácido Úrico: A uvaia contem ácido úrico está entre as substâncias naturalmente produzidas pelo organismo. Ele surge como resultado da quebra das moléculas de purina, uma proteína contida em muitos alimentos.

  Para Malária: Há uma poderosa substância encontrada na uvaia que a faz estar entre os Remédios Naturais para Malária, semelhante ao quinino, que tem sido diretamente associada a neutralização desses parasitas da malária de indução.

 Você pode extrair essa substância para uma dose concentrada ou simplesmente adicionar algumas deliciosas uvaia a sua dieta diária. As uvaia estão amplamente disponíveis em áreas tropicais e pode fazer maravilhas para a promoção da saúde em geral e na rápida recuperação.

 Para o Câncer: Por ser rica em antioxidantes , antocianinas, carotenoides e flavonoides, a uvaia livra o corpo de radicais livres que podem alterar o DNA das células e causar diversos tipos de cânceres.

  Para Doenças Cardiovasculares: A uvaia também exerce efeitos benéficos sobre a saúde cardiovascular. É rico em flavonoides, nomeadamente, procianidina, catequina e epicatequina, que possuem propriedades antioxidantes e ajudam a proteger as células dos danos enquanto fortalecem o coração.

 Também ajuda a melhorar a função endotelial e estimular o colesterol HDL benéfico. Isso ajuda na prevenção da formação de coágulos sanguíneos fatais, que podem levar ao acidente vascular cerebral ou à insuficiência cardíaca.

  Para o Envelhecimento: A uvaia contêm licopeno, um nutriente que é raramente encontrada em outros alimentos. O licopeno protege o corpo contra os raios ultravioletas nocivos, mantendo a pele com uma aparência mais jovem e saudável. A maioria das frutas e legumes possuem os melhores nutrientes quando comidos crus.

  Para Radicais Livres: A uvaia contém compostos, como flavonóis e antocianinas, que lhe conferem potentes propriedades antioxidantes e tornam útil para mantê-los saudáveis. Nossos corpos geram radicais livres durante o funcionamento normal.

 Estes radicais livres podem causar danos celulares e estão implicados em uma variedade de problemas, que vão desde doenças autoimunes, câncer e catarata até doenças cardiovasculares e neurodegenerativas, artrite reumatoide e envelhecimento.

uvaia arvore



 Uvaia tem Alto teor de Vitamina C: Complementando a importância ecológica da Uvaia, a fruta tem aproximadamente quatro vezes mais vitamina C do que a laranja.

 Uvaia Contém Vitamina A: Além do alto teor de vitamina C, a uvaia contém uma considerável quantidade de vitamina A para contribuir às suas necessidades diárias deste nutriente.

 Seu consumo é mais comum na forma de sucos, compotas, mousses, doces, flans e sorvetes, assim como em geleias, vinagres, licores e outros. No entanto, é preciso cuidar com a quantidade de açúcar usado para que não se torne muito calórica. Seu consumo é pouco aceitado in natura devido ao seu sabor forte e azedo, mas se apreciar o sabor, não existem contraindicações nessa forma de consumo


Geleia de Uvaia

 Ingredientes

 ► 600g de polpa de uvaia (sem as sementes claro)

 ► 1 xícara (chá) de água mineral

 ► 400g de açúcar cristal

 Modo de Preparo

 Bata a polpa com a xícara de água no liquidificador, passe pela peneira e junte o açúcar cristal. Leve ao fogo numa panela grande de fundo grosso e cozinhe mexendo sempre até atingir o ponto de geleia (ao pingar num prato ela não escorre). Coloque em vidros esterilizados com água fervente e bem secos e guarde na geladeira.

 A geléia é saborosa e mantém todas as propriedades da fruta podendo ser consumida com pães, torradas e bolos. Quando bem armazenada, cada pote tem validade de até 2 meses guardada na geladeira, por isso, siga todas as instruções de armazenagem corretamente.




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terça-feira, 22 de junho de 2021

Fatores que influenciam o desenvolvimento da Pitaya

A maioria das cactáceas apresenta o metabolismo ácido das crassuláceas (MAC), o qual é benéfico para plantas que crescem em locais com pouca água, como desertos e copa das árvores. Neste metabolismo, o carbono é fixado durante a noite, quando a temperatura é menor e com umidade relativa maior que durante o dia ocorre menor perda de água com a abertura dos estômatos. Assim, pode-se dizer que as plantas MAC apresentam maior eficiência no uso de água que plantas C3 e C4. Para a pitaya vermelha, H. undatus, a maior eficiência na absorção de CO2ocorre quando a temperatura média da noite é de 20ºC (NOBEL et al., 2002).

Quando cultivadas em ambiente com alta concentração de CO2, plantas de H. undatus e H. megalanthus respondem positivamente, com aumento da biomassa e alongamento de ramos, além de haver incremento na produção de gemas reprodutivas nessas condições, com taxas de 175% e 233% de aumento, para H. undatus e H. megalanthus, respectivamente (WEISS, MIZHARI E RAVEH, 2010).

Por serem plantas oriundas de habitats sombreados, as pitayas necessitam de sombreamento para seu cultivo. Quando cultivadas em locais com grande intensidade luminosa as plantas apresentam amarelecimento dos ramos, podendo chegar à morte. Assim, indica-se que sejam cultivadas sombreadas, em telas com variação entre 30 e 60% de sombra, de acordo com a espécie. 

O sombreamento excessivo também causa danos à cultura, pois reduz severamente seu crescimento,principalmente em H. polyrhizus. O excesso de sombra também influencia o número de flores, que está relacionada com a biomassa das plantas. Em trabalho realizado por Raveh et al. (1998) verificou-se que em plantas de H. polyrhizus cultivadas sob sombreamento de 30%, a quantidade de flores produzidas mais que dobrou em comparação às plantas conduzidas sob sombreamento de 60%.

Quando mantida em condições de seca por seis semanas H. undatus é capaz de reverter condições de firmeza dos ramos e comprimento de células, reduzidos durante a seca, em apenas sete dias após a reumidificação. Esta rápida reidratação, cinco vezes mais rápida que a desidratação dos cladódios, aparentemente reflete em uma maior habilidade na capacidade de absorção de água pelas raízes, uma vez que cada segmento de cladódio pode desenvolver raízes adventícias, atuando como unidades individuais de absorção (NOBEL, 2006).

Para H. undatus, temperaturas abaixo de -2,5ºC e acima de 45ºC são limitantes, causando a morte das plantas (NOBEL et al., 2002). O desenvolvimento da espécie é melhor quando cultivadas em condições de temperaturas médias diurnas de 30ºC e noturnas de 20ºC (NOBEL e DE LA BARRERA, 2002). Altas temperaturas também afetam a produção de flores. Nerd et al. (2002a) observaram que a temperatura média de 39ºC reduziu de 15 a 20% a quantidade de flores de H. undatus.

A pitaya é considerada plantas de dias longos, sendo que o fotoperíodo influencia na formação de gemas floríferas (JIANG et al., 2012). No hemisfério Sul, o florescimento se dá de Novembro a Abril enquanto, no hemisfério Norte, ocorre de Maio a Outubro. Jiang et al. (2012) afirmam ser possível a produção fora de época da pitaya vermelha (Hylocereus sp.) utilizando-se a interrupção do período de escuro com iluminação complementar, sendo que a duração da iluminação complementar varia com a época de indução, juntamente com a temperatura. O fotoperíodo crítico para a cultura parece ser de doze horas. A temperatura parece estar diretamente relacionada ao fotoperíodo uma vez que resultados de indução de florescimento com extensão do fotoperíodo não mostraram resultados positivos em Israel (KHAIMOV e MIZRAHI, 2006), onde as temperaturas durante o período indutório de florescimento são menores.

Um dos grandes problemas da cultura é a autoincompatibilidade polínica que ocorre entre muitos clones. Essa autoincompatibilidade pode ser parcial ou total (NERD e MIZRAHI,1997; LE BELLEC,2004; PUSHPAKUMARA et al., 2005; LONE et al., 2010, SILVA et al., 2011), havendo casos em que ocorre frutos com a autopolinização porém, na maioria dos casos, são de baixo valor econômico, por possuírem pouca massa, havendo a necessidade da utilização de pólen externo de outro clone ou espécie para que ocorra frutificação efetiva. Ainda, segundo Nerd et al. (2002b) condições climáticas também podem afetar diretamente a compatibilidade.

O ideal para se reduzir a baixa frutificação e a ocorrência de frutos pequenos, sem valor comercial, seria o plantio de diversos genótipos e a realização da polinização cruzada, manualmente. A polinização manual é realizada facilmente removendo-se as anteras de uma flor e tocando com ela o estigma de outra flor, ou então se coletando o pólen e utilizando-se um pincel para polinizar múltiplas flores. É reportado que em muitos países, onde esta cultura foi introduzida, a polinização é pobre devido à falta de polinizadores naturais, encontrados em seu ambiente nativo, sendo sugerida a polinização manual para se contornar esse problema, incrementando a frutificação e a massa dos frutos (PUSHPAKUMARA et al., 2005).

A fonte de pólen influencia nas características dos frutos, atuando em características físicas e químicas (WEISS et al., 1994; SILVA et al., 2011) e afetando o tempo requerido para seu desenvolvimento, um fenômeno descrito como metaxenia – efeitos da fonte de pólen em tecidos de origem materna (MIZRAHI et al., 2004). Lone et al. (2010) observaram que a utilização de pólen de H. costaricensis na polinização de H. undatus proporcionou a formação de frutos de melhor qualidade, referente a tamanho e massa (553,2 g) quando comparados com frutos polinizados com pólen de H. polyrhizus e H. undatus, enquanto Silva et al. (2011) relataram que a polinização de flores de H. undatus com pólen de H. polyrhizus proporcionaram frutos com maior massa (716,56g) e menor acidez que os polinizados com pólen de H. setaceus.

O pólen apresenta maior viabilidade na hora da abertura floral (WEISS et al.,1994), porém se mantém viável por no mínimo 9 meses quando armazenado seco em temperaturas abaixo de zero (METZ et al., 2000).

O florescimento da pitaya é assíncrono, havendo flores em diferentes estágios de diferenciação e desenvolvimento de frutos simultaneamente. Na região de Jaboticabal, ocorrem nove fluxos floríferos, com maior emissão de flores no mês de dezembro (SILVA, 2011), enquanto em Lavras, MG, são relatados entre 3 a 5 fluxos de flores (MARQUES et al., 2011a). O desenvolvimento dos frutos é relativamente curto, de 34 a 43 dias após a antese, ocorrendo antecipação da maturação em condições de temperaturas mais elevadas (SILVA, 2011). Os frutos são colhidos quando alcançam sua maturidade fisiológica, que ocorre quando adquirem uma coloração rosada, no caso da pitaya vermelha (ALVARADO et al., 2003). O ideal é que uma porção do cladódio acompanhe o fruto colhido, a fim de se aumentar a vida pós-colheita.

A fim de se aumentar a vida pós-colheita, recomenda-se que os frutos sejam armazenados em ambiente refrigerado. No armazenamento em temperatura ambiente, o maior problema observado é a perda de massa, que gera enrugamento e murcha da casca, levando à depreciação visual do produto, mesmo em muitos casos a polpa estando em condições para consumo. Armazenando-as a 8ºC consegue-se aumento da vida útil das frutas por 25 dias, cinco vezes superior ao armazenamento em temperatura ambiente (BUNINI e CARDOSO, 2011).

A produtividade média da pitaya é variável, de acordo com as condições edafoclimáticas, técnicas de cultivo e idade do pomar, podendo variar de 10 a 30 t.ha-1 (Le BELLEC et al., 2006), sendo que na Nicarágua, cultivos bem conduzidos podem produzir até 26 t.ha-1 (VAILLANT et al., 2005). No estado de São Paulo, a produtividade média obtida, na região de Presidente Prudente, é de 15 toneladas/ha (SUZUKI, 2013*). * SUZUKI, W. (Narandiba, São Paulo). Comunicação pessoal, 2013






sexta-feira, 18 de junho de 2021

Solos e Calagem para a Pitaya (Pitaia)

 

Solo 

“Os solos que oferecem melhores condições para o desenvolvimento do cultivo da pitaia são os de pH entre 5.5 e 6.5 e não compactados, ricos em matéria orgânica, bem drenados e de textura bem solta” (PITAIA, [200-?]). 

Além disso, Guzman (1994 apud CAVALCANTE, 2008) explica que “o solo adequado para o cultivo comercial da pitaia deve apresentar um percentual de matéria orgânica considerado alto (7%) com a finalidade de manter a umidade, temperatura e características texturais e químicas do solo”. ,

Preparo do solo

No preparo do solo deve-se tomar cuidado para não se arrastar a camada fértil. Recomenda-se fazer duas arações profundas (geralmente são suficientes), seguidas de duas gradagens. Nesta ocasião, e de acordo com os resultados da análise de solo, devem ser feitas as aplicações parceladas de calcário e adubação fosfatada em área total.

Amostragem de solo

A coleta das amostras de solo pode ser feita com uma pá de corte ou com trados. O trado torna a operação mais fácil e rápida. Além disso, ele permite a retirada da amostra na profundidade correta e da mesma quantidade de terra de todos os pontos amostrados. Na Figura 3 estão representados os tipos de ferramentas que podem ser utilizadas na amostragem de solo.

Ferramentas que podem ser utilizadas na amostragem de solo.

Para a retirada das porções de terra a serem analisados, sugere-se seguir os seguintes passos (INSTITUTO AGRONÔMICO DO PARANÁ, 1996): 

Devem ser retiradas diversas subamostras, para se obter uma média da área amostrada. Para isso, deve-se percorrer a área escolhida em zigue-zague e coletar 20 subamostras (Figura 7). Em cada ponto, retirar os detritos na superfície do solo. Evitar pontos próximos a cupins, formigueiros, casas, estradas, currais, estrume de animais, depósitos de adubo, calcário ou manchas de solo. 

Quebrar os torrões de terra dentro de um balde, retirar pedras, gravetos ou outros resíduos e misturar bem. Se o solo estiver muito úmido, deixar a amostra secar ao ar. Essa mistura de subamostras retiradas de vários pontos é chamada de amostra composta. 

Todas as ferramentas e recipientes usados para a amostragem e embalagem da terra devem estar limpos e, principalmente, não devem conter resíduos de calcário ou fertilizantes. 

Deve-se retirar cerca de 300g de solo do balde e transferir para uma caixinha de papelão apropriada ou saco de plástico limpo. Essa porção de solo (amostra composta) será enviada ao laboratório para a análise do solo (INSTITUTO AGRONÔMICO DO PARANÁ, 1996). 

Uma vez determinados os talhões na planta baixa, delimita-se a profundidade da amostragem, que, por sua vez, está diretamente relacionada ao solo com maior densidade de raízes e características do perfil do solo natural ou modificado (INSTITUTO AGRONÔMICO DO PARANÁ, 1996). 

As amostrar retiradas de cada parte do solo deve ter 500g e, cada uma, deve ser colocada em sacos plásticos, identificadas e enviadas a laboratórios (INSTITUTO AGRONÔMICO DO PARANÁ, 1996). 

 Frequência de Amostragem 

Considerando aspectos como a intensidade do uso do solo e os tipos de cultivo adotados nestes, principalmente por conta dos critérios de correção de acidez e de adubação do solo, as amostragens do solo podem ser realizadas em intervalos de 3 a 5 anos (INSTITUTO AGRONÔMICO DO PARANÁ, 1996). 

Adubação orgânica 

“Os fertilizantes orgânicos sólidos e líquidos são todos aqueles materiais de procedência mineral, vegetal ou animal que podem ser utilizados para fertilizar os solos como um todo e, assim, adubar as culturas” (COSTA, 2012). 

Como o sistema de raízes da pitaia é superficial, ela é capaz de absorver rapidamente pequenas quantidades de nutrientes no solo. Isso “ajuda a formação de cultivos orgânicos, já que a utilização de compostos orgânicos e estercos de origem animal têm sido usados na Califórnia com grande sucesso, inclusive sem suplementação mineral” (CAVALCANTE, 2008). 

Com a finalidade de manter a umidade, temperatura e características texturais e químicas do solo, é necessário que a terra adequada para o cultivo comercial da pitaia deve apresentar um percentual de matéria orgânica considerado alto (7%) o que justifica o fornecimento de produtos orgânicos ao solo. Dentre os benefícios que a adubação orgânica vem trazendo, estão (CAVALCANTE, 2008): 

(...) a melhoria das propriedades químicas, por meio do fornecimento de nutrientes, aumento da capacidade de troca catiônica (CTC), formação de complexos e aumento do poder tampão; nas propriedades físicas, o aumento na estabilidade de agregados e melhoria na estrutura do solo que se traduz em melhor aeração, permeabilidade, retenção de água e resistência à erosão; e ainda, a biologia do solo pelo aumento da atividade biológica (CAVALCANTE, 2008). 

A pitaia depende de alguns elementos que devem ser fornecidos via fertilização: o nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K). Estimulando a emissão de raízes e brotos mais vigorosos, o nitrogênio é mais requerido pela planta durante o crescimento vegetativo até o pré-florescimento da planta. Por sua vez, a função do potássio é promover o aumento no diâmetro do caule da pitaia, além de ser um dos elementos mais requeridos devido à sua função de translocação de carboidratos e regulação de abertura e fechamento de estômatos. O fósforo é mais demandado pela pitaia no inicio da formação de frutos. Além destes, o Boro possui importante função no pegamento tamanho e massa dos frutos (HERNANDEZ, 2000; LUDERS, 2004; INTA, 2002; MARSCHNER, 2005; INFANTE, 1996 apud CAVALCANTE, 2008). 

Devem ser retiradas diversas subamostras, para se obter uma média da área amostrada. Para isso, deve-se percorrer a área escolhida em zigue-zague e coletar 20 subamostras (Figura 4). Em cada ponto, retirar os detritos na superfície do solo.

Evitar pontos próximos a cupins, formigueiros, casas, estradas, currais, estrume de animais, depósitos de adubo, calcário ou manchas de solo.

Esquema para amostragem de solo.

Identificação da área a ser amostrada 


Quebrar os torrões de terra dentro de um balde, retirar pedras, gravetos ou outros resíduos e misturar bem. Se o solo estiver muito úmido, deixar a amostra secar ao ar. Essa mistura de subamostras retiradas de vários pontos é chamada de amostra composta.

Todas as ferramentas e recipientes usados para a amostragem e embalagem da terra devem estar limpos e, principalmente, não devem conter resíduos de calcário ou fertilizantes.

Deve-se retirar cerca de 300g de solo do balde e transferir para uma caixinha de papelão apropriada ou saco de plástico limpo. Essa porção de solo (amostra composta) será enviada ao laboratório para a análise do solo.


Calagem

É recomendado fazer a calagem, de acordo com a análise do solo. Essa é a única oportunidade de se corrigir o solo em profundidade sem danificar o pomar.

Quando a cultura já está implantada e houver necessidade de calagem, a profundidade máxima que se coloca o calcário atinge 10cm, com o agravante de danificação do sistema radicular das plantas. Para a realização da calagem em terrenos recém-desbravados, dar preferência ao calcário dolomítico e distribuí-lo em área total, com antecedência mínima de três meses. A incorporação deve ser feita em duas etapas, cinquenta por cento antes da aração e a outra metade na gradagem.

Máquina de Calagem 



segunda-feira, 7 de junho de 2021

Clima para a Pitaya (Pitaia)

 

CARACTERÍSTICAS AGROECOLÓGICAS 

 Clima e intensidade luminosa 

O principal elemento para todos os processos biológicos e físicos é a radiação solar que ocorre na biosfera. As plantas utilizam desse recurso, a depender da intensidade, qualidade, direção de incidência, duração. Essa radiação exerce efeitos biológicos classificados como fotoenergéticos e fotoestimulantes (PASCALE & DAMARIO, 2004 apud CAVALCANTE, 2008). 

Podendo ser cultivada em níveis de até 1000 metros acima do nível do mar a pitaia, adapta-se melhor em temperaturas entre 18 a 26 graus centígrados. A pitaia também se desenvolve em climas mais secos, porém períodos de chuvas de 1200 a 1500 mm ao ano são ideais para o desenvolvimento da cultura. (PITAIA, [200-?]). 

Espontaneamente, a pitaia pode ser encontrada em diversos tipos de florestas tropicais da América em condições de sub-bosque – conjunto de vegetação de baixa estatura que cresce em nível abaixo do dossel florestal – o que leva a crer que quando cultivada comercialmente faz se necessária a instalação de um sistema de proteção contra a incidência direta dos raios solares sobre a planta (CAVALCANTE, 2008; SUB-BOSQUE, 2013). 

Mizrahi e Nerd (1999 apud CAVALCANTE, 2008) confirmam essa particularidade da pitaia, informando que planta que não pode ser cultivada sem proteção em função da intensidade de radiação. Observaram, ainda, que o dossel da pitaia sofre queimaduras e pode chegar à morte. Robles et al. (2000 apud CAVALCANTE, 2008) completam afirmando que, no México, somente a espécie Stenocereus sp. se encontram sob total exposição direta à luz solar produzem frutos, o que também é reportado para a Guatemala 

Raveh et al. (1996) afirmaram que para ótimo desenvolvimento, a pitaia deve ser plantada protegida, recebendo de 30 a 60% da luminosidade total dependendo das condições locais. Adicionalmente, para Mizrahi e Nerd (1999) os níveis de sombreamento a serem empregados (expressos em percentual do total de luz solar emitida) são dependentes das temperaturas locais e variam de 20% em áreas com verões moderadamente quentes a 60% em áreas sob elevadas temperaturas (CAVALCANTE, 2008). 

O crescimento e o desenvolvimento das plantas, bem como a produção dos frutos, está intimamente ligada à intensidade luminosa. Segundo Mizrahi e Nerd (1999 apud CAVALCANTE, 2008), não é recomendado o cultivo da pitaia em regiões com temperatura inferior a 4ºC ou superior à 38ºC. 

Temperatura

As plantas apresentam capacidade de adaptação às diferentes condições ambientais, podendo ser encontradas tanto em regiões quentes e úmidas, com temperatura entre 18 e 27ºC, como em regiões com clima seco, porém, não suportam temperaturas acima de 38º C, e abaixo de 4º C, sendo sensível à geada.

Apesar de ser facilmente adaptada a diversas regiões, seu desenvolvimento é melhor quando cultivadas em condições de temperaturas médias diurnas de 30ºC e noturnas de 20ºC.

Umidade

A umidade não é um fator limitante ao desenvolvimento da pitaia, já que a mesma apresenta capacidade de adaptação ao clima tropical, subtropical ou árido. No entanto a alta umidade favorece o desenvolvimento de doenças bacterianas e fúngicas tanto no caule como no fruto, o que pode dificultar o seu cultivo.

Precipitação

Não é uma cultura muito exigente em água, devido a rusticidade observada pela espécie. Necessitam de pluviosidade variando de 650 a 1500 mm por ano bem distribuídos, sendo uma opção viável de cultivo em regiões que apresentam déficit hídrico.

Luminosidade e Fotoperíodo

As pitaias são oriundas de habitats sombreados, exigindo certo nível de sombreamento para seu cultivo. Quando cultivadas em locais com grande intensidade luminosa as plantas apresentam amarelecimento dos cladódios, podendo chegar à morte.

É recomendado que estas sejam cultivadas sombreadas, em telas com variação entre 30 e 60% de sombra, de acordo com a espécie. Porém, é importante que o sombreamento não seja excessivo, uma vez que o excesso também que pode provocar danos à cultura, pois reduz severamente seu crescimento, além de interferir na floração, levando a uma redução na produtividade.

A pitaia é considerada planta de dias longos, apresentando fotoperíodo crítico de doze horas, sendo que o fotoperíodo influencia na formação de gemas floríferas.

AMBIENTE Considerado mais adequado para o plantio da cultura é o de temperatura tropical, cuja faixa vai de 18 ºC a 26 ºC, com média de mais de 1.200 milímetros de chuva por ano. A pitaia, no entanto, é tolerante a clima quente e seco, com condições de ser cultivada em todo o país.




segunda-feira, 31 de maio de 2021

CARACTERÍSTICAS BOTÂNICAS DA PITAYA (PITAIA)

 

3. CACTACEAE 

A pitaia é uma planta da família da cactaceae, que se caracterizam pela “presença de aréolas com pêlos e espinhos, caule suculento (cladódio – órgão tipo caule) casca verde e ausência de folhas copadas” (BUXBAUM, 1955 apud MARQUES, 2008). 

Segundo Marques (2008), muitas espécies de cactáceas produzem frutos comestíveis. No entanto, as frutíferas conhecidas desta família pertencem ao grupo Platyopuntia (subgênero do gênero Opuntia),que apresentam segmentos planos de caule. 

Marques (2008) explicam, ainda, que cactaceae são plantas muito desenvolvidas fisiologicamente. Adaptaram sua forma de respirar para evitar a perda de água durante o dia. Possuem crescimento lento e, a maior parte do tempo, armazenam água nos seus tecidos. 

3.1 Espécies 

Quatro gêneros englobam os diversos tipos de pitaia: Stenocereus, Cereus, Selenicereus e Hylocereus. Esses gêneros diferem quanto ao fruto. Dentre os seus frutos mais conhecidos, estão a pitaia amarela (Selenicereus megalanthus), que tem casca amarela e polpa branca, e a pitaia vermelha (Hylocereus sp.), com a casca vermelha e a polpa branca ou vermelha, dependendo da espécie. A seguir, Moreira et al. (2012) explicam a grande variabilidade entre as espécies, tanto em termos de tamanho como com relação à coloração e ao sabor das frutas. 


4. CARACTERÍSTICAS BOTÂNICAS 

4.1 Fruto 

Doce e leve, a pitaia vermelha, de espécie Hylocereus costaricensis, apresenta coloração vermelha tanto na casca quanto na polpa. Seu sabor assemelha-se ao do kiwi, com uma mistura de beterraba (MOREIRA et al., 2012; RICARDO, 2010). 

A pitaia branca, ou Hylocereus undatus, apresenta coloração vermelha na casca e branca na polpa. Por fora é muito parecida com a pitaia vermelha, diferindo somente em termos de tonalidade de cor. No entanto, a diferença maior apresenta-se acerca da polpa (RICARDO, 2010). 

Com características semelhantes às da pitaia branca, a Selenicereus setaceus (pitaia-do-cerrado ou saborosa), é uma fruta de tamanho menor, com sabor mais adocicado e apresenta espinhos (MOREIRA et al., 2012). 

Outra variedade da fruta é a pitaia amarela, tecnicamente chamada de Selenicereus megalanthus, também conhecida como “pitaia colombiana”. Sua polpa é esbranquiçada e sua casca tem coloração amarela. É considerada a mais gostosa e a mais cara, dentre os tipos de pitaia. O gosto lembra uma mistura de kiwi com nona, só que mais doce e mais leve (MOREIRA; CRUZ, 2011; RICARDO, 2010). 

Figura 1 – Variedades de pitaia  Fonte: (MOREIRA; CRUZ, 2011

4.2 Flores 

Grande e de coloração branca, as flores apresentam numerosos estames com pólen abundante (figura 4). Caracterizam-se, também, serem completas, andróginas, solitárias e medirem cerca de 20 a 30 cm de largura. Exalam um cheiro forte, crescem diretamente dos cladódios e originam-se na primavera. A fim de evitar a autopolinização, possuem o estigma mais elevado que as anteras e abrem-se durante a noite, fechando-se nas primeiras horas do dia (MARQUES, 2008). 

4.3 Ramos 

Os ramos da pitaia são triangulares, suculentos, espinhosos e possuem flores brancas e grandes, quanto à planta, ela é perene, trepadeira, com raízes adventícias, que a permite se fixar em árvores ou pedras. O cultivo pode ser realizado em regiões situadas desde o nível do mar até 1.500 metros acima. (ESPIRITO SANTO, 2013). 

Figura 2 - (A) Planta de pitaia; (B) Cladódio; (C) Flor; (D) Fruto  Fonte: (MARQUES, 2008) 

4.4 Sementes 

As sementes da pitaia podem chegar a medir três milímetros de diâmetro, são muito numerosas, possuem uma coloração escura e podem ser encontradas distribuídas em toda a polpa. (MARQUES, 2008). 



quinta-feira, 27 de maio de 2021

Cultivo da Pitaya (Pitaia)

 

INTRODUÇÃO

A pitaia é uma planta que pertence à família das cactáceas e tem sua origem na América Central. Produz uma fruta conhecida popularmente como fruta do dragão por possuir uma casca escamosa que se assemelha as escamas de um dragão.

Trata-se de uma fruta pouco conhecida, que atualmente vêm sendo muito procurada pelo mercado de frutas exóticas por se tratar de uma fruta altamente nutritiva, com altos teores de água, minerais, açucares, compostos antioxidantes e baixo valor calórico.

O cultivo comercial da pitaia no Brasil se deu no início da década de 90 no estado de São Paulo, responsável por cerca de 92% da quantidade de fruta comercializada. Minas Gerais ocupa a segunda posição no cenário nacional responsável por cerca de 5,62% da comercialização, com destaque para os municípios de Contagem, Janaúba, Jaíba e Turvolândia.

A pitaia vermelha de polpa branca (Hylocereus undatus) é a mais cultivada no Brasil. Além do fruto, os cladódios e as flores também são consumidos por pratos especiais na região de origem da espécie, por apresentarem grande quantidade de compostos funcionais e propriedades medicinais.

O pomar de pitaia, apesar de apresentar um alto custo de implantação, tem-se um retorno econômico atrativo para os produtores brasileiros, devido a boa adaptabilidade as condições de clima e solo e elevado valor da fruta no mercado in natura. A produção da fruta pode ter início já no primeiro ano após o plantio, podendo chegar a 20 toneladas por hectare a partir do quarto e quinto ano após o plantio.

A planta que produz a fruta denominada pitaia (Figuras 1 e 2) é uma cactácea originada da América Tropical e Subtropical e pertence ao grupo de frutíferas consideradas promissoras para cultivo. Até há pouco tempo essas frutíferas eram desconhecidas e, recentemente, representam um crescente nicho no mercado de frutas exóticas. Atualmente, no Brasil, essas frutas vêm sendo procuradas, não só pelo exotismo da aparência e sabor, como também por suas características organolépticas.



Figura 1 – (A) Planta de pitaya (hábito de crescimento); (B) Cladódio; (C) Flor e (D) Fruto.

Existem no Brasil poucas áreas de cultivo de pitaia, situadas principalmente no Estado de São Paulo, com destaque para a região de Catanduva, onde a produção ocorre durante os meses de dezembro a maio, com uma produtividade média anual de 14 toneladas de frutas por hectare.

Os diversos tipos de pitaia são agrupados em quatro gêneros: Stenocereus, Cereus, Selenicereus e Hylocereus, sendo as mais conhecidas a pitaia amarela (Selenicereus megalanthus), que tem casca amarela e polpa branca, e a pitaia vermelha (Hylocereus sp.), com a casca vermelha e a polpa branca ou vermelha, dependendo da espécie.

Figura 2 – Partes do fruto de pitaia.


Existe grande variabilidade entre as espécies quanto ao tamanho e coloração das frutas. Em Hylocereus costaricensis, as frutas apresentam coloração vermelha tanto na casca quanto na polpa, e em Hylocereus undatus, apresentam coloração vermelha na casca e branca na polpa. Em Selenicereus megalanthus, conhecida como “pitaya colombiana”, a polpa é esbranquiçada, e externamente a fruta tem coloração amarela, enquanto em Selenicereus setaceus (pitaia-do-cerrado ou saborosa) a casca é vermelha e a polpa esbranquiçada, como a Hylocereus undatus, porém a fruta é de tamanho menor, com sabor mais adocicado e apresenta espinhos.

Considerando as frequentes consultas direcionadas ao Setor de Fruticultura e a existência de pouca informação na literatura a respeito do cultivo da pitaia no Brasil, o objetivo do presente boletim técnico é fornecer informações que possam orientar os interessados em iniciar o plantio dessa frutífera em suas propriedades.

ORIENTAÇÕES PRELIMINARES

a) Traçar seu objetivo com precisão, pois se trata de uma cultura nova e com poucos resultados de pesquisa.

b) Fazer o planejamento detalhado, focando principalmente o mercado consumidor e como adquirir mudas de qualidade.

c) Buscar e trocar informações com instituições e produtores que já comercializam suas frutas.

d) Visitar plantios comerciais visando diminuir suas chances de erro na implantação.

PLANEJAMENTO DO POMAR

Deve-se ter em mente que a pitaia é uma frutífera perene, com expectativa de produção para mais de 15 anos. Portanto, o seu planejamento deve ser muito bem feito, cercando de todos os cuidados para garantir o sucesso do empreendimento.

No planejamento atentar para os seguintes itens:

a) procurar informações na sua região sobre a comercialização das frutas;

b) dimensionar sua área, definindo número de plantas;

c) na sua propriedade selecionar o local de plantio, evitando solos rasos, sujeitos a encharcamento (excesso de umidade) e geadas;

d) retirar amostras de solos;

e) prever combate sistemático a formigas;

f) prever a correção da acidez do solo de acordo com os resultados da análise;

g) definir espaçamento e o tipo de espaldeira para a condução das plantas;

h) prever a marcação das covas;

i) adquirir mourões para montar a espaldeira (altura em torno de 1,80 m acima do solo);

j) adubação de fundação (covas) de acordo com o resultado da análise de solo (fazer essa adubação de preferência 60 dias antes do plantio);

k) marcação das covas com estacas;

l) fazer o plantio com todos os cuidados necessários, para maior sucesso, evitando replantios.