Ocorre no Brasil, desde o Estado de Minas Gerais até o Rio Grande do Sul, onde aparece em todas as regiões fisiográficas, estendendo-se até a metade norte do Uruguai e ao Chaco, na Argentina, e na Mesopotâmia.
Figura 1. Vista geral do pomar de pitangueira na Embrapa Clima Temperado, Pelotas/RS.
A pitangueira é uma fruteira nativa do Brasil e encontra-se disseminada, praticamente, por todo o território nacional. A exploração da planta, em diversas regiões brasileiras, ainda caracteriza-se como extrativista, com os frutos sendo comercializados em feiras livres para consumo ao natural e/ou utilizada na indústria. Seu cultivo comercial restringe-se aos Estados de Pernambuco e da Bahia, detentores das maiores áreas cultivadas.
Em função da adaptação às diferentes condições de solo e clima, a pitangueira é encontrada em diversas partes do mundo. Há registros de cultivos em outros países da América do Sul e Central, do Caribe, nos Estados Unidos (Flórida, Califórnia, Havaí), China, Índia, Sri Lanka, México, Madagascar, África do Sul, Israel e vários países do Mediterrâneo.
O valor comercial da pitanga resulta do seu elevado rendimento de polpa, valor nutritivo, sabor e aroma exóticos, atraindo, principalmente, os consumidores exigentes por produtos naturais e saudáveis.
Deve-se ressaltar que os trabalhos de pesquisa pioneiros da Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária-IPA com a cultura da pitangueira nas áreas de melhoramento genético, propagação e manejo fitotécnico foram responsáveis por diversas tecnologias geradas, bem como por grande parte das informações existentes atualmente no Brasil sobre a cultura e que agora são disponibilizadas nesta obra.
Esta publicação destina-se aos profissionais da área de Fruticultura Tropical, estudantes, fruticultores e demais interessados que buscam informações técnicas sobre o cultivo da pitangueira.
É uma arvoreta, ou árvore, com altura variando de 3 a 12 m.
Apresenta sistema radicular profundo, formado por uma raiz pivotante.
O tronco é tortuoso (Figura 1), com manchas claras acinzentadas, com diâmetro de até 40 cm. Quando em cultivo isolado, a copa apresenta forma arredondada, com diâmetro de projeção variando de 3 a 5 m. As folhas são simples, opostas, ovadas ou ovado-oblongas, de bordos lisos, ápice atenuado-acuminado a obtuso, base obtusa a subcordada, às vezes atenuada ou aguda, de dimensões variando de 2,5 a 7 cm de comprimento por 1,2 a 3 cm de largura, de coloração verde-escura, lustrosas e com consistência membranácea. O pecíolo mede entre 1 e 2 mm, podendo chegar a 5 mm. As flores são bissexuais, reunidas em fascículos de disposição axilar formados por 2 a 6 unidades, em pedúnculos que variam de 1 a 3 cm de comprimento. As sépalas são oblongas, com 3 a 4 mm de comprimento. As pétalas, em número de 4, são livres, pubérulas e brancas (Figura 2a). O estilete é filiforme e o estigma é capitado. Os estames são numerosos, e o ovário é ínfero, bilocular, com número superior a 30 óvulos.
Figura 2. (A) Flores de pitangueira, (B) detalhe dos frutos, escuros e, (C) vermelhos Embrapa Clima Temperado, Pelotas/RS.
Os frutos são bagas globosas, coroadas pelo cálice persistente, com os pólos achatados e dotados de 7 a 8 sulcos no sentido longitudinal (Figura 2b). Quando inicia o processo de maturação, o epicarpo passa de verde para vermelho e deste até quase preto.
Entretanto, algumas plantas apresentam frutos de cor laranja ou vermelha, mesmo quando já atingiram a maturação.
Os frutos apresentam 1 a 2 sementes, esporadicamente 3 a 4 e excepcionalmente acima de 4 sementes. As sementes são branco-acinzentadas, medindo, no sentido longitudinal cerca de 7 a 10 mm, e na região mediana de 9 a 14 mm. O tegumento é bastante aderente à semente e apresenta coloração verde-clara.
A pitangueira pode ser considerada auto-fértil pois o pólen germina e cresce no pistilo da própria flor, chegando até os óvulos. Entretanto, ela precisa de agente polinizador, pois as anteras estão, em geral, em plano inferior ao estigma.
. “Tempos atrás, provavelmente, as jabuticabeiras vegetavam nas áreas que margeavam os rios e córregos da região Sudeste, dando formação a extensas capoeiras e matas repletas pela árvore, tendo se expandido tanto naturalmente como através do cultivo. Desde sempre, quando o homem aprendeu a cultivá-la e a saborear seus frutos, a jabuticabeira é árvore obrigatória em qualquer pomar ou quintal. Nas fazendas do sul de Minas Gerais e de São Paulo foi bastante freqüente - e seria bom que continuasse a sê-lo - o costume de se manterem extensos pomares formados, exclusivamente, por diferentes variedades de jabuticabeiras: verdadeiros jabuticabais que, sem qualquer pretensão comercial, proviam de seus deliciosos frutos as afortunadas famílias e a comunidade de seus agregados” (Jabuticaba in Bibvirt, on line...).
Planta frutífera de origem sul-americana (brasileira), conhecida há mais de 400 anos, também existente no Paraguai, Uruguai e Argentina. A jabuticabeira, mirtácea, espontânea em grande parte do Brasil, mais comum em Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná, encontradiça noutras, como Bahia, Pernambuco, Paraíba, Pará, Ceará, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás e Mato Grosso (Jabuticaba in Catálogo Rural, on lin...).
O nome jabuticaba tem origem indígena, e foi assim denominado pelos tupis , que saboreavam seu fruto, tanto na forma natural como fermentada e a chamavam jaboticaba: jaboti (cágado), caba (lugar onde) (Jabuticaba... in Coopercampus, on line...), ou iapoti'kaba, cujo significado é "frutas em botão" (Sales, 2002) “Foi o primeiro [fruto indígena] a ser introduzido em pomares” (Dicionário... in Sociedade Brasileira..., on line...).
Pode também ser conhecida como jaboticaba-assu, jaboticaba-de-campinas, jaboticabeira, jabuticatuba (Jabuticaba in Plantas Medicinais, on .line...), jabuticaba-paulista, jabuticaba-açu, jabuticaba-do-mato, jabuticaba-panhema. (Bela Ishia, on line...), entre outros.
De acordo com Mattos apud Donadio (2000) as jabuticabeiras, ou jaboticabeiras (nome mais comum) pertencem à família Myrtaceae, uma das mais importantes famílias frutíferas de ocorrência no Brasil. Dela também fazem parte, frutíferas como: guabiroba, Cambuí, cambucí, araçá, goiaba, grumixama, cambucá, pitanga e pêssego-do-mato.
Dentre as várias espécies de jabuticabeira que são citadas, Myrciaria jaboticaba, comhecida como Sabará, é a principal de cinco espécies cuja distribuição geográfica é descrita por Mattos, citado por Donadio (2000), e ocorre principalmente entre o Rio de Janeiro e São Paulo. Donadio (2000) menciona, ainda, várias espécies como Myrciaria trunciflora Ber citando Lorenzi (1992), a qual ocorre de Minas Gerais ao Rio Grande do Sul, nas matas pluviais atlânticas e nas submatas; M. ibarrae Lundell, da Guatemala, M baporeti Legrand, da Argentina e Uruguai, M. floribunda Berg, das Antilhas e Sul do México ao Brasil e M. vismeifolia Berg, das Guianas, citando Fouqué (1974). Segundo Donadio (2000), não foram mencionadas espécies nativas de Myrciaria na África e Ásia em citação feita por Martin et al (1987). Donadio (2000) ressalta, ainda, que existem outras espécies de Myrciaria que não são do grupo das jabuticabas, dentre elas, M. dubia Macvaug L., o camu-camu. Também menciona outras espécies que são ornamentais. Ressalta ainda, que a jabuticaba brava do Pantanal não é uma Myciaria, mas pertence a espécie Myrcia tomentosa.
2 – Aspectos botânicos
2.1 – Principais espécies
De acordo com Mattos, citado por Donadio (2000) algumas espécies podem ser descritas com algumas características, das quais mencionamos algumas:
a) Myrciaria coronata Mattos: árvore de pequeno porte, medindo aproximadamente 3m de altura, possui ramos terminais achatados, folhas com pecíolos curtos, frutos globosos com aproximadamente 2,7cm de diâmetro. Comumente conhecida como jabuticaba coroada, ou jaboticaba de coroa, ocorre principalmente em São Paulo.
b) Myrciaria oblongata Mattos: árvore de aproximadamente 5m de altura; ramos terminais sub achatados,;folhas de pecíolo curto, avermelhadas, muito glandulosas; frutos ovado-elípticos a elípticos auto purpúreos de 2 a 3,2 cm de
comprimento por 2 a 2,7 cm de diâmetro; 1 a 4 sementes. Conhecida como jaboticaba azeda, ocorre principalmente em São Paulo.
c) Myrciaria spirito-santensis Mattos: porte de aproximadamente 4m de altura, ramos castanhos, com raminhos terminais e novos pilosos; folhas opostas ou subopostas de pecíolos curtos. Ocorre principalmente no Espírito Santo.
d) Myrciaria grandifolia Mattos: árvore de aproximadamente 5m de altura, ramos cilíndricos, com extremidade sub achatada, acinzentados e ramos terminais seríceos. Folhas com pecíolos de 5 a 6mm de comprimento; frutos com 2,2 cm de diâmetro, globosos, lisos, atropurpúreos. Conhecida como jabuticaba graúda, ou jaboticatuba, ocorre principalmente em Minas Gerais.
e) Myrciaria peruviana (Poir) var. trunciflora (Berg) Mattos: árvores com cerca de 8m de altura; ramos cilíndricos, e raminhos novos achatados; folhas escuras com pecíolos de aproximadamente 3mm de comprimento; bagas globosas, com cerca de 2cm de diâmetro, negras; 1 a 4 sementes. Conhecida como jabuticaba de cabinho, ocorre nos Estados de MG e ES, no Brasil, e também no Paraguai e Argentina.
f) Myrciaria aureana Mattos– árvore de aproximadamente 3 m de altura; casca amarelada; ramos cilíndricos, com desprendimento de casca sendo os ramos terminais e novos cinza-amarelados possuindo pilosidade seriácea; folhas opostas, com pecíolos de 3mm de comprimento, cactáceas, possuem glândulas escuras, numerosas e pouco visíveis; frutos subgloboso-oblíquos, de 15 a 18mm de comprimento por 19 a 21mm de diâmetro, verde-claros; 1 a 4 sementes lisas, amarelo-claras. Conhecida como branca, ocorre em São Paulo.
g) Myrciaria phitrantha (Kiaersk) Mattos – porte de aproximadamente 7m de altura; ramos cilíndricos; folhas com pecíolos de 5 a 10mm de comprimento, possuem pontuações semi-translúcidas; bagas com cerca de 2,4 cm de diâmetro, subglobosas. Conhecida como costada. Ocorre em São Paulo.
h) Myrciaria jaboticaba (Vell) Berg– árvore de 6 a 9m de altura; ramos finos e cilíndricos, sendo os ramos terminais e novos, achatados; folhas com pecíolo de 1,5 a 2mm de comprimento, ciliadas quando novas; frutos de 1,6 a 2,2 cm de diâmetro, subglobosos ou globosos, negros e lisos; 1 a 4 sementes. Conhecida como sabará, ocorre no Brasil, Paraguai e Argentina.
i) Myrciaria cauliflora (DC) Berg – possui ramos terminais glabros e achatados; folhas com pecíolos de 3mm de comprimento, membranáceas; frutos globosos, de cor negra, 2,2 a 2,8 cm de comprimento por 2,2 a 2,9 cm de diâmetro; 1 a 4 sementes. Conhecida como paulista, assu (ou açu), e ponhema. Ocorre no Brasil, de forma geral.
2.2 – Aspectos morfológicos
a) Folhas: de acordo com Moura, citado por Donadio (2000), a jabuticabeira apresenta folhas com epiderme glabra, a folha é hipostomática, com estômatos paracíticos, com glândulas; colênquima com parênquima paliçádico e lacunoso; idioblastos incolores, desenvolvidos; tecido formado por esclerênquima e pouco colênquima; possuem transpiração cuticular baixa, sem restrição o dia todo, sendo do tipo heterobárica; possui células de contorno irregular com paredes espessas e pontuações simples na epiderme abaxial, e células maiores, com paredes pouco espessas e pontuações simples e estômatos numerosos na epiderme adaxial; os idioblastos são freqüentes, e estão em contato com a epiderme adaxial; as glândulas são esparsas e estão no nível do parênquima paliçádico, em contato com a epiderme adaxial, e são compostas de duas células; o sistema fibrovascular é bem desenvolvido, formado da nervura central, floema, xilema e nervuras laterais; o bordo da folha possui células epidérmicas com paredes espessas, e com células do parênquima lacunoso irregulares e de tamanhos variáveis, o que permite diferencia-la de outras Mirtáceas.
b) Inflorescência: conforme Handro (1953) e Mattos (1983) em citação de Donadio (2000), a inflorescência de M. cauliflora, é assim descrita: “pedúnculos com cerca de 1mm e comprimento, aglomerados sobre o tronco e ramos mais ou menos velhos protegidos por 4 séries de brácteas ciliadas. Botão floral glabro. Cálice com lobos ovado-oblongos, agudos ou obtusos, ciliolados, mais ou menos separados entre si, com 1,5 mm de comprimento. Pétalas largamente oblongas de 2,5 –3mm de comprimento. Ovário glabro; estilete com cerca de 6mm de comprimento; estigma peltado”.
c) Fruto: “Pequenas, redondas, nas cores roxa ou preta... com polpa suculenta, mole e esbranquiçada, a pequena frutinha...” (Sales, 2002) “...negros, quando maduros e se fixam em toda a superfície da planta, em suas raízes aéreas, no tronco e em todos os galhos e [...] de ótimo sabor...”. (Bela Ishia, on line...)
De acordo com Duarte citado por Donadio (2000), o fruto de M. cauliflora apresenta crescimento lento até os 12 dias. Após esse período a o crescimento é mais rápido, fazendo com que a fruta passe de 2g para 4g em 20 em 8 dias, continuando crescendo até os 28 dias, quando há um período de estabilidade até os 30 dias do florescimento. O fruto final (avaliado) pesa em torno de 5g. M. jaboticaba, estudada por Magalhães citado por Donadio (2000), também apresenta crescimento lento durante cerca de 20 dias para comprimento e volume e 35 dias para volume, sendo que o volume máximo é alcançado entre o 40o. e 44o. dia, estabilizando-se após 50 dias. De acordo com Duarte et al citados por Donadio (2000), o comportamento reprodutivo da jabuticabeira mostra que ramos mais grossos possuem maior ocorrência de flores e frutos. A quantidade de frutos varia de 30 a 400 por metro de ramo.
De acordo com estudos realizados por Gurgel & Soubihe Sº- citados por Donadio (2000), as jabuticaba geralmente são poliembrionias, a exceção da jabuticaba branca, e produzem mais de um embrião em cada semente. Conforme estudos de Soubihe Sº e Gurgel citados por Donadio (2000), as jabuticabeiras apresentam em média, de 1,2 a 2,6 sementes por fruto, sendo que a Sabará apresenta o menor número, e a paulista, o maior. O número de sementes pode variar de 1 a 5 por fruto.
2.3 – Aspectos fenológicos
A vegetação ocorre de forma intensa no fim do inverno, e início da primavera, antecedendo a época principal de floração, que ocorre nos troncos e ramos, após a ruptura da casca. Em relação ao processo de reprodução, cada flor produz grande quantidade de pólem que fica disponível para polinização e fecundação, ao passo que o estigma está disponível desde o momento de abertura da flor. Isso permite auto-polinização e polinização cruzada. O índice de pegamento varia de 7 a 30%, podendo subir para 60-70% em cultivo protegido, conforme Duarte, citado por Donadio (2000). Ainda segundo Duarte, sementes de frutos imaturos, com 15 a 17 dias já podem germinar.
Em condições ideais de clima e cultivo, até 5 floradas podem ocorrer no ano. Em relação à época de frutificação, de acordo com Matos, citado por Donadio (2000), pode variar conforme as diferentes espécies e locais. Por exemplo, M. cauliflora, de setembro a janeiro, em Campinas e São Paulo; M. grandiflora e M. peruviana var trunciflora, de março a setembro, em Curitiba, no Paraná.
O solo mais adequado para o desenvolvimento do mamoeiro é o de textura areno-argilosa, com pH de 5,5 a 6,7.
Os solos com boa estrutura, permeável, profundo e rico em matéria orgânica são ideais para o cultivo do mamoeiro.
É fundamental que o solo tenha boa drenagem, visto que essa planta é muito sensível a excessos de umidade na zona radicular. A saturação prolongada do solo com água provoca asfixia das raízes e proporciona o aparecimento da podridão do pé, moléstia causada pelos fungos Phytophthora sp. que lesionam o colo das plantas. A retenção de água no solo por período prolongado, estimulada por camadas adensadas ou compactadas, estimula o amarelecimento e queda prematura das folhas, redução da produção e até mesmo morte do mamoeiro
Em condições de encharcamento, podem apresentar ainda troncos finos e altos e maior incidência de doenças.
As camadas de solo adensadas ou compactadas, além de estimular o excesso de umidade, são barreiras físicas ao desenvolvimento superficial e subsuperficial das raízes do mamoeiro, diminuindo o volume de solo explorado pelas plantas. Assim, restringe o acesso das raízes aos nutrientes e à água, o que agrava o efeito de deficiências hídricas nos períodos de estiagem.
Para minimizar tal efeito, em solos com camadas mais adensadas abaixo da superfície, como naqueles dos Tabuleiros Costeiros, onde estão as principais regiões produtoras do Brasil (sul da Bahia e norte do Espírito Santo), recomenda-se a subsolagem a 0,5 m ou a uma maior profundidade, na linha de plantio ou, de preferência, em toda a área.
Caso seja elevada a precipitação pluvial local e lentas a drenagem e a velocidade de infiltração da água no solo, recomenda-se o plantio em áreas com pequeno declive (de 3% a 5%), em curva de nível, para evitar o acúmulo de água junto às raízes.
Para atenuar os efeitos do adensamento em condições de solos com horizonte subsuperficial adensado, as mudas devem ser plantadas em camalhões, visando elevar o colo da planta, o que favorecerá a drenagem e a aeração, tornando o ambiente mais propício ao crescimento das raízes.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Antes de iniciar a implantação da cultura do mamoeiro, algumas observações devem ser feitas para a tomada de decisão.
As condições climáticas locais deverão ser propícias ao desenvolvimento e produção do mamoeiro. Outro ponto importante é verificar a média pluviométrica da região, e se há disponibilidade de água para efetuar irrigações complementares. Os solos com camadas adensadas/coesas/compactadas, na superfície ou subsuperfície, deverão ser corrigidos antes da implantação da cultura.
Da mesma forma, impedimentos químicos deverão ser solucionados por meio de fertilizações.
E, por último, deve-se adotar um sistema de produção que possibilite altas produtividades e frutos de excelente qualidade.
Resumo - O cultivo do mamoeiro é uma das principais atividades na cadeia nacional de produção de frutas, sendo importante base econômica em várias regiões produtoras.
Para obter alta produtividade e gerar emprego e renda, é fundamental atentar às exigências edafoclimáticas dessa cultura. A planta é oriunda de regiões tropicais, e, com isso, a insolação, a temperatura e a umidade, nas medidas certas, estimuladas por latitude, altitude e precipitação pluviométrica, favorecem o crescimento, a floração e a produção de frutos. Porém, condições extremas – insuficiência ou excessiva ação desses fatores climáticos – são deletérios ao cultivo, na medida em que minimizam a capacidade produtiva da planta. Esta, pela sua morfologia, em especial a ausência de um caule lenhoso e a presença de folhas largas, está sujeita à ação de ventos fortes, sendo necessária a disposição de quebra-ventos. O solo deve ter boa porosidade, capacidade de retenção de água e de nutrientes. Pela sensibilidade das raízes ao excesso de umidade, devem-se evitar solos com camadas adensadas ou compactadas e, se necessário, dispor o plantio em camalhões.
Palavras-chave: Mamão. Carica papaya. Clima tropical. Produção de frutos. Fatores climáticos.
O mamoeiro é uma planta tipicamente tropical e pode adaptar-se ao clima subtropical e produzir em climas temperados.
Portanto, em todo o território brasileiro existem regiões em condições favoráveis ao seu cultivo, para que obtenha um bom desenvolvimento das plantas e produza frutos de qualidade. Dentre essas condições, citam-se: implantação da cultura em áreas ensolaradas e com altas temperaturas, baixas altitudes, precipitações pluviais bem distribuídas e pouco sujeitas a ventos fortes. O solo também merece atenção especial. Deve-se dar prioridade aos solos férteis e bem drenados.
TEMPERATURA
A cultura do mamoeiro está difundida em regiões que apresentam clima tropical e pluviosidade elevada, sendo também cultivada comercialmente em algumas regiões de clima subtropical até latitudes de 32º norte ou sul.
Por ser uma planta tipicamente tropical, o mamoeiro apresenta crescimento regular e produz frutos de boa qualidade em regiões de alta insolação.
A temperatura média ideal para essa cultura situa-se entre 22 ºC e 28 ºC, com a média anual ótima para o desenvolvimento da cultura em torno dos 25 ºC. O desenvolvimento da cultura, sobretudo a formação de flores e de frutos, é influenciado por esse fator climático.Quando há temperaturas médias acima de 30 ºC, o mamoeiro apresenta distúrbios fisiológicos, com redução na fotossíntese, alterações na polinização e na fecundação das flores, com consequente redução na produção de frutos. Em locais com temperatura média entre 18 ºC e 21 ºC, há sensível prejuízo na produção, maturação lenta dos frutos e redução no conteúdo de açúcares, tornando-os menos saborosos, com polpa insípida e de coloração pálida ao estudarem o efeito da temperatura do ar e de diferentes lâminas de irrigação (8%, 48%, 80%, 112% e 152% da evapotranspiração de referência (ETo)) no índice de floração e no pegamento de frutos do mamoeiro, em Cruz das Almas, BA, concluíram que a irrigação reduz os efeitos negativos das altas temperaturas na floração do mamoeiro.
Esses autores verificaram que a lâmina equivalente à reposição de 152% da ETo foi suficiente para garantir a floração em condições de temperatura acima de 28 ºC e umidade relativa (UR) de 60%, situação esta crítica para a floração do mamoeiro.
A temperatura média inferior a 15 ºC é inadequada para o cultivo do mamoeiro.
Em locais de maior altitude e/ou mais frios, há maior incidência de formação de frutos defeituosos, conhecidos como carpeloides ou “cara-de-gato” Além disso, o mamoeiro perde a maioria de suas folhas, restando apenas as terminais, seus frutos ficam expostos à queimadura do sol e tornam-se inaproveitáveis para a comercialização.
ALTITUDE
O cultivo do mamoeiro é favorecido em altitudes de até 200 m, embora a planta produza bem em locais mais elevados e com temperaturas mais baixas. Nessas condições, o vigor da planta e a qualidade dos frutos são inferiores aos dos mamoeiros produzidos nas regiões mais quentes. A temperatura, estimulada pelo efeito da altitude, exerce influência no desenvolvimento da cultura, sobretudo na formação de flores e de frutos.
A formação de flores imperfeitas está relacionada com fatores genéticos, afetados por fatores ambientais. As plantas hermafroditas são sensíveis às pequenas variações ambientais. Aqueles locais com maior altitude e menor temperatura mínima favorecem a produção de frutos carpeloides.
Da mesma forma, condições de alta umidade, altos teores de nitrogênio (N) e de água no solo propiciam mudança no sexo das flores, de hermafroditas para femininas, produzindo frutos de baixo valor comercial.
PLUVIOSIDADE
Por ser um fruto muito rico em água, o mamoeiro exige, tanto no período de crescimento, quanto no período de produção, um bom suprimento hídrico no solo, sendo necessárias precipitações não inferiores a 1.200 mm anuais. As precipitações variáveis de 1.800 a 2.000 mm anuais e bem distribuídas são consideradas ideais para o bom desenvolvimento da cultura, devendo, se necessário, considerar a suplementação de água mediante irrigação.
A exigência de umidade para o mamoeiro varia de acordo com a idade das plantas. Por apresentarem rápido crescimento vegetativo, as plantas mais novas necessitam de mais umidade. Já aquelas mais velhas requerem menos umidade, por apresentarem crescimento vegetativo mais lento e por possuírem sistema radicular mais extenso, o que favorece a absorção da umidade disponível a uma maior profundidade do solo.
O mamoeiro consome em média 18 litros de água por dia, em evapotranspiração de, aproximadamente, 3,5 mm/dia em regiões sem precipitação bem distribuída e/ou com longos períodos de estiagem, o mamoeiro deve ser irrigado, visando maior produção e escalonamento da colheita. Há necessidade de suplementação hídrica, por meio de irrigações complementares às chuvas, em locais com precipitações mensais inferiores a 100-150 mm.
A cultura do mamão é sensível tanto ao excesso quanto à falta de água. O excesso afeta o desenvolvimento do mamoeiro, causando o apodrecimento das raízes, e, com isso, a morte destas em 48 horas. Por outro lado, a deficiência hídrica reduz o crescimento das plantas e, se ocorrer no período de floração, favorece a produção de flores masculinas e estéreis, além de induzir à formação de novas folhas nas axilas de onde deveriam sair os frutos, paralisando, assim, a frutificação, com consequente diminuição da produção.
UMIDADE RELATIVA
A UR do ar, entre 60% e 85%, é a mais favorável ao desenvolvimento dessa planta acima do limite anteriormente indicado, associada ao excesso de chuva, prejudica a fertilização e fixação dos frutos, além de diminuir a sua qualidade.
As doenças do mamoeiro constituem outro fator a ser considerado, quando as plantas são cultivadas com excesso de umidade. Destaca-se a antracnose, doença favorecida por temperaturas próximas a 28 ºC e UR superior a 95%, enquanto a varíola ou a pinta-preta desenvolve-se com maior frequência de chuvas.
VENTO
O mamoeiro é muito sensível a ventos frios. A morfologia da planta, considerando características como folhas largas, caule herbáceo e alto, carregado de frutos pesados, torna-a vulnerável à ação de ventos fortes. Tais ventos promovem fendilhamento e queda das folhas, reduzindo a área foliar da planta e, consequentemente, a capacidade fotossintética, além de expor os frutos aos raios solares, sujeitando-os a queimaduras. Os ventos, se mais fortes, elevam a queda de flores e frutos, principalmente nas plantas em fase de produção. Para minimizar tal efeito é necessário o plantio de quebra-ventos.
Como a maioria das sementes das variedades utilizadas nas regiões produtoras de mamão é proveniente de frutos de polinização livre, sem controle efetivo da polinização, as cultivares sofrem variações em suas descendências, causando descaracterização desses genótipos e comprometendo a qualidade das lavouras.
Conforme o tamanho e a origem dos frutos, os mamoeiros ginoico-andromonoicos (hermafroditas) podem ser classificados em dois grupos distintos: o grupo Solo e o grupo Formosa. As variedades do grupo Solo são representadas por linhagens, enquanto os genótipos comerciais do grupo Formosa correspondem a híbridos F1.
Apesar das vantagens inerentes ao cultivo do mamoeiro, foi somente a partir de 1973 que a cultura retomou sua importância econômica para o Brasil, em virtude da introdução de híbridos F1 do grupo Formosa e, principalmente, de linhagens do grupo Solo, notadamente nos estados do Pará, Espírito Santo e Bahia. Esse material teve rápida aceitação pelos consumidores e, por apresentar características que se adaptam às exigências do mercado internacional, abriu novo e importante mercado externo para o Brasil (DANTAS et al., 2011).
Genótipos do grupo Solo
As variedades do grupo Solo ‘Improved Sunrise Solo Line 72/12’, ‘Baixinho de Santa Amália’, ‘Taiwan’, ‘Kapoho Solo’, ‘Waimanalo’ e ‘Higgins’ já foram amplamente plantadas no Brasil. Atualmente, a maior concentração de plantios tem sido com as variedades Sunrise Solo e Golden:
a) ‘Sunrise Solo’: inicia a floração aos três ou quatro meses de idade, com altura de inserção das primeiras flores que variam de 70 a 80 cm. Planta precoce, inicia a produção oito a dez meses após o plantio, com produtividade média de 45 t/ha/ano. Frutos de casca lisa e firme, com polpa vermelho-alaranjada, de boa qualidade, de tamanho pequeno, com peso médio de 500 g, piriforme a ovalado e cavidade interna estrelada;
b) ‘Golden’: possui frutos hermafroditos, piriformes, de polpa rosa salmão, cavidade interna estrelada (Fig. 2), casca lisa, tamanho uniforme, com peso médio de 450 g e excelente aspecto visual. No estádio verde, apresenta cor da casca verde mais claro (Fig. 3) que a variedade Sunrise Solo. Tem boa aceitação no mercado internacional, porém com teor de sólidos solúveis dos frutos e produtividade inferiores aos do ‘Sunrise Solo’.
Como as lavouras de mamoeiro são de polinização livre e a produção de sementes para os plantios é feita por meio de seleção de plantas, com características superiores dentro das áreas de produção comercial, os produtores rurais e as empresas de produção de sementes, que fazem esse trabalho de seleção, na região Norte do Espírito Santo, vão denominando essas seleções, conforme a localização da propriedade, o nome do produtor rural, entre outros.
Por isso, estão disponíveis no mercado de sementes das seleções: ‘Sunrise Solo BS’, ‘Golden THB’ e ‘Aliança Solo’, as quais apresentam bom desenvolvimento vegetativo e qualidade de frutos que atendem às exigências do mercado consumidor.
Figura 2 - Aspecto da polpa e formato da cavidade interna de frutos de mamoeiro ‘Golden’
Figura 3 - Frutos de mamoeiro ‘Golden’ em condições de comercialização
Genótipos do grupo
Formosa
Os genótipos do grupo Formosa apresentam frutos de peso médio de 800 a 1.100 g. Dentre os híbridos comerciais esse grupo, o mais cultivado no Brasil é ‘Tainung 1’, importado de Kaohsiung Taiwan), por US$ 3,500 a 4,000/kg da semente. O custo alto da semente incentiva s produtores brasileiros a utilizarem as próprias sementes dos híbridos nas gerações 2, F3, F4 etc., o que leva à perda das Características do híbrido original, produzindo frutos com qualidade inferior e fora o padrão comercial (COSTA; PACOVA, 2003), como a seguir: a) ‘Tainung 1’: plantas relativamente ais altas. Os frutos são alongados, as plantas hermafroditas Fig. 4) e oblongo-obovados (redondo-Angados), nas femininas. or da polpa vermelho laranjada.
O peso dos frutos varia de 900 a .100 g, tem ótimo sabor, possui oa durabilidade e resistência ao transporte. Plantas vigorosas, com altura média aos oito meses após o plantio de 1,65 m. Textura firme e 0,8 ºBrix. Com uma produtividade édia em torno de 180 t/ha/ano, em grande aceitação no mercado interno;
b) ‘Calimosa’ (Uenf/Caliman 01): primeiro híbrido nacional de mamão, om plantas que atingem altura Media de 2 m. Frutos com peso édio de 1.250 g; polpa vermelho alaranjada.
Fruto de formato
ovoide, casca fina, com polpa de roma intermediário, com elevada uniformidade e padrão de frutos. Plantas vigorosas, com altura média os oito meses após o plantio de ,76 m. Textura firme e 12 ºBrix. Boa produtividade, em torno de 30 t/ha/ano;
c) ‘Rubi Incaper 511’: frutos com boas características comerciais (Fig. 5), omo peso, tamanho, consistência da polpa, com cor e sabor, similares o ‘Tainung 1’. Peso médio de .500 g, polpa vermelho-alaranjada, Gossa, com espessura média de cm, o que proporciona bom aproveitamento os frutos. Textura firme e 10,2 °Brix. Plantas vigorosas, com altura média aos oito meses após plantio de 1,64 m (Fig. 6). Boa produtividade, se bem conduzida, a Variedade pode render 170 t/ha/ano.
A grande vantagem é a possibilidade e reutilização das sementes da própria lavoura em até três novos plantios, o que reduz a dependência de utilização de sementes importadas.
Figura 4 - Fruto originário de flor hermafrodita de ‘ Tainung 1’
Figura 5 - Fruto da variedade Rubi Incaper 511
Figura 6 - Variedade Rubi Incaper 511 aos oito meses após o plantio
O mamoeiro (Carica papaya L.) representa uma espécie isolada, que divergiu dos seus parentes próximos há, aproximadamente, 25 milhões de anos. Admite-se que seu centro de origem seja o noroeste da América do Sul, onde se originam também outros gêneros da família Caricaceae, concentrados principalmente na vertente oriental dos Andes, com diversidade genética máxima na Bacia Amazônica Superior. O mamoeiro é caracterizado como uma planta tipicamente tropical (BADILLO, 1971).
A espécie Carica papaya L. pertence à classe Dicotyledoneae, subclasse Archichlamydeae, ordem Violales, subordem Caricineae, família Caricaceae e gênero Carica (BADILLO, 1971). A diferenciação das espécies da família Caricaceae baseia-se na variabilidade genética das folhas, inflorescências, flores, frutos e sementes. Segundo Storey (1941), o genoma básico do gênero Carica é n = 9 cromossomos, ou 2n = 18, para a fase diploide.
A família Caricaceae abrange os gêneros Carica, Horovitzia, Jarilla, Jaracatia, Vasconcellea e Cylicomorpha, cuja distribuição é anfi-Atlântica, com duas espécies na África Tropical e, 33, na América Central e na América do Sul (DROOGENBROECK et al., 2002; CARVALHO; RENNER, 2012). Dois gêneros são monotipos Carica (C. papaya) e Horovitzia (H. cnidoscoloides), endêmico no México. As oito espécies do gênero Jacaratia ocorrem do sul do Brasil ao México, e as três do gênero Jarilla são arbustos perenes presentes no México e na Guatemala. O gênero Vasconcellea compõe-se de 20 espécies, sendo 19 arbóreas ou arbustivas e uma trepadeira (CARVALHO; RENNER, 2012), originárias do continente americano. Já as duas espécies do gênero Cylicomorpha são árvores de grande porte, C. solmsii nativa na África Ocidental e C. parviflora, na África Oriental (DROOGENBROECK et al., 2004).
O gênero Vasconcellea é o mais importante em recursos genéticos, pois possui resistência a doenças. Por outro lado, a espécie C. papaya, única conhecida comercialmente, não apresenta tanta resistência a doenças (OLIVEIRA; DANTAS; CASTELLEN, 2007). Estuda-se a resistência a doenças, especialmente às viroses, como o vírus-do-mosaico-do-mamoeiro, que visa incorporar genes de resistência ao germoplasma de C. papaya.
Características botânicas e comerciais, da planta e dos frutos, importantes para a cultura do mamão, podem ser aproveitadas, seja em métodos que utilizam autopolinizações, uma vez que estas comprovadamente não levam à perda de vigor, seja em hibridações entre genótipos pré-selecionados (variedades e linhagens), seguidas de seleção, autofecundação e retrocruzamentos (STOREY, 1941), utilizando-se, também, a biotecnologia. O melhoramento genético pode contribuir para aumentar a produtividade e a qualidade de frutos e, atender às exigências dos mercados, nacional e internacional, incrementar a rentabilidade do produtor e seu nível socioeconômico.
Brasil, segundo maior produtor mundial de mamão, responde por 16% desta produção (FAO, 2013). Observa- se uma grande faixa contínua produtora próxima ao litoral, entre Linhares (ES) e Porto Seguro (BA), porém com progressiva migração para o interior do continente. Minas Gerais é o quinto produtor (IBGE, 2013), com produção crescente principalmente pelo município de Jaíba, que aumentou seu fornecimento à Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) em 45 vezes, entre 2008 e 2012. Enquanto a maior parte das cargas chega à Ceagesp com os frutos a granel, na carroceria dos caminhões, os produtores das novas áreas colhem frutos mais maduros, classificam e embalam na origem. Essa colheita de frutos maduros só é possível se o mamão for comercializado em embalagens, já que se torna mais macio e sujeito a danos. Como se trata de um fruto climatérico, mas com reduzido acúmulo de açúcares após colhido, o sabor final do fruto colhido maduro será muito melhor. Uma vez que esta superioridade em qualidade esteja associada a uma marca ou embalagem, há tendência de o consumidor dar preferência a esse produto, o que poderá ser um diferencial para esses produtores.
PRODUÇÃO
De acordo com os dados de produção coletados pela Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO, 2013), em 2011, o mundo produziu 11,84 milhões de toneladas de mamão, em 421,5 mil hectares. O Brasil detém a segunda co- locação, com produção de 1,85 milhão de toneladas, ou 15,7% da produção mundial, em 35,5 mil hectares (Quadro 1). O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2011) registrou que a produção brasileira de mamão foi de 1,85 milhão de toneladas, com predomínio na Bahia (928 mil toneladas) e Espírito Santo (560 mil toneladas) (Quadro 2). O que se observa é a existência de uma grande faixa contínua produtora de mamão, próxima aos litorais capixaba e baiano, que vai das proximidades de Linhares, ES, até Porto Seguro, BA.Minas Gerais é o quinto produtor de mamão, com apenas 2,42% da produção nacional em 2011 (Quadro 2), porém crescente. Naquele momento, o município de Jaíba foi o maior produtor, com 16,7% da produção do Estado (Quadro 3). O fornecimento de mamão pelo município de Jaíba à Ceagesp passou de 232 t, em 2008, para 10.541 t, em 2012 (Gráfico 1), sendo 8.505 t de mamão do grupo Formosa (CEAGESP, 2013).
COMERCIALIZAÇÃO
A comercialização dos mamões no Entreposto Terminal de São Paulo (ETSP), da Ceagesp, retrata o mercado brasileiro de mamão. Todas as notas fiscais recolhidas nas portarias do ETSP tornam-se a fonte de dados do Sistema de Informação e Estatísticas de Mercado (Siem), da Seção de Economia e Desenvolvimento (Sedes), que registrou, em 2012, no ETSP, a comercialização de 56,4 mil toneladas de mamão do grupo Formosa e de 86,9 mil toneladas do grupo Solo, conhecido popularmente como Havaí, Havaiano ou Papaia. Houve queda do fornecimento dessa fruta, de 168,3 mil toneladas, em 2011, para 143,3 mil toneladas, em 2012 (CEAGESP, 2013). Confrontando com os dados de produção do IBGE, estima-se que o ETSP comercialize, aproximadamente, 9,7% da produção brasileira de mamão, participação relativa que vem caindo pouco a pouco ao longo dos últimos anos. O que se constata no entreposto é certa estabilidade no volume do grupo Solo e um crescimento do Formosa. Desde 2007, primeiro ano de funcionamento do Siem, o volume comercializado de mamão do grupo Solo sempre ficou próximo a 90 mil toneladas e o do Formosa passou de 52 mil toneladas, em 2007, para quase 64 mil, em 2010, caindo para 56, em 2012. De acordo com o ranking de 2012 da Ceagesp, o mamão é a terceira fruta em volume comercializado, perdendo apenas para a laranja e a maçã, e a quinta em volume financeiro, movimentando 20 milhões de reais, em 2012.
Para o grupo Solo, a Bahia é a grande fornecedora para o ETSP, com 70% do volume total em 2012; o Espírito Santo vem logo a seguir com 26%, e o restante é distribuído entre vários Estados. Uma característica marcante da comercialização no ETSP é a preferência pela ‘Sunrise’ e suas variações como a ‘BS’ (Benedito So- ares), em detrimento da ‘Golden’. Apesar de a ‘Golden’ ter melhor resistência pós- colheita e menor ocorrência de manchas fisiológicas, o sabor da ‘Sunrise’ é muito superior, e grande parte dos varejistas paulistanos, como feirantes, hortifrutis e ambulantes, que possuem contato muito próximo com o consumidor, constatam que este rejeita a ‘Golden’, pela maior firmeza e menor conteúdo de açúcares da polpa.
Na comercialização de mamão do grupo Formosa, há uma inversão com o Espírito Santo como principal abastecedor, com 22,67 mil toneladas ou 40,2% do total, e a Bahia participou com 15,7 toneladas ou 27,8%. Os envios capixabas saem quase todos dos municípios de Pinheiros, São Mateus e Montanha. É no grupo Formosa que se observa rápida mudança do modelo de comercialização do mamão. Em 2012, 132 municípios enviaram mamões Formosa ao ETSP, mas os dez maiores foram responsáveis por 69% do total. No Quadro 4, observa-se um grande crescimento na produção dos municípios do Oeste Baia- no, de Baraúna no Rio Grande do Norte e de Jaíba no Norte de Minas, município que não registrou nenhuma entrada em 2007, e em 2012, enviou 8.505 toneladas. Ao mesmo tempo, constata-se queda no envio de mamão por Montanha, ES. Os produtores desses municípios emergentes na produção de mamão Formosa trabalham de maneira totalmente distinta da maioria dos produtores capixabas.
EMBALAGENS E TRANSPORTE
Enquanto a maior parte das cargas do Espírito Santo chega à Ceagesp com os fru- tos a granel, na carroceria dos caminhões, os produtores das novas áreas colhem frutos mais maduros, classificam e em- balam na origem. Muitos utilizam caixas de papelão ondulado, bastante atrativas, caixas de plástico sanitizáveis (Fig. 1A), ou mesmo caixas de madeira com frutos protegidos por papel (Fig. 1B), ou por rede de poliuretano, etiquetados com a marca do produtor (Fig. 1A). É sabido que o fruto do mamoeiro, por ser climatérico, é capaz de amadurecer a partir do momento em que as sementes estão negras. No entanto, se o fruto permanecer no mamoeiro continuará o acúmulo de açúcares e o sabor final do fruto maduro será muito melhor. Esta colheita de frutos mantidos na planta por mais tempo só é possível se forem comercializa- dos em embalagens, já que se tornam mais macios e sujeitos a danos, o que inviabiliza o transporte a granel.
O arcaico sistema de transporte a gra- nel exige colheita de frutos ainda com a casca totalmente verde e polpa bem firme, portanto, quando ainda acumulam menor quantidade de açúcares. Estes frutos terão sabor pouco pronunciado, quando maduros. Já aqueles colhidos mais maduros e que começam a mudar a coloração, tendo pelo menos duas listras amarelas, são muito mais saborosos quando totalmente maduros e, sendo identificados com marca, são reconhecidos como produto superior pelos varejistas e consumidores. Dessa forma, concluem que vale mais adquirir um produto que, apesar de bem mais caro, é ca- paz de proporcionar muito mais satisfação. Em geral, os mamões embalados na origem conseguem valor de venda entre 50% e 100% acima dos que chegam a granel e são embalados no entreposto. Esta é uma tendência geral para o mercado de frutas e hortaliças, e quem embala na origem vem ganhando terreno rapidamente.
Um caminhão de mamão Formosa a granel demora mais de seis horas para ser descarregado, ocupando espaço no entreposto, e são normais perdas da carga próximas de 20%. A descarga de mamão Formosa é, sem dúvida, a maior geradora de lixo no ETSP.
No grupo Solo, o domínio é quase que total dos municípios baianos e capixabas da faixa litorânea do norte do Espírito Santo e extremo sul da Bahia (Quadro 5). Vários produtores dessa região, alguns também atacadistas no ETSP, estão começando a trabalhar com embalagens de papelão ondulado do mesmo modo que os produtores de Formosa do Oeste Baiano e do Rio Grande do Norte.
Figura 1 - Frutos embalados em caixas procedentes da Brasnica - Janaúba, MG
NOTA: Figura 1A - Frutos embalados em caixas de plástico e protegidos com rede de poliuretano. Figura 1B - Frutos embalados em caixas de madeira e protegidos com papel.
QUALIDADE DO MAMÃO
A observação diária do mercado indica que os produtores de frutas e hortaliças de maior sucesso são os que criam uma marca e a associam com alta qualidade. E, sem dúvida, um ótimo sabor e a adequação ao uso são as principais caracte- rísticas qualitativas e as mais importantes para todos os tipos de consumidores (ABBOT,1999). Nenhum consumidor deseja consumir fruta ou hortaliça colhida precocemente ou tardiamente, ainda ácida ou já passada, seca ou fibrosa. Quando o consumidor associa uma marca, selo ou embalagem a um produto de ótimo sabor, este torna-se predileto. O fruto com esse padrão de qualidade, colhido no momen- to certo, e embalado, comporta outros cuidados adicionais. Uma vez que serão associados a uma marca, e a embalagem permite colheita de frutos maduros, muitos produtores estão investindo em casas de embalagem, onde são lavados (Fig. 2A), classificados e embalados (Fig. 2B), e, posteriormente, transporta- dos em caminhões frigorificados.
A parcela mais informada da população tem grande preocupação com a segurança dos alimentos, no que se refere a resíduos de agrotóxicos e contamina- ções por microrganismos causadores de doenças. Alguns consumidores exigem também condições sociais e ambientais de produção totalmente dentro da conformidade. A Produção Integrada de Mamão (PI Mamão) é um ótimo caminho para atender a estes anseios dos consumidores.
Constata-se que os produtores de frutas e hortaliças bem-sucedidos no mercado interno atendem a alguns requisitos:
a)conhecimento das características qualitativas responsáveis por melhor aceitação pelo consumidor final e pelo mercado atacadista. De acordo com levantamentos feitos pelo Instituto Brasileiro de Qualidade em Horticultura (HORTIBRASIL, 2011), os fatores mais importantes para a melhor aceitação do consumidor de mamão são: em primeiro lugar, o óti- mo sabor, com adequado conteúdo de açúcares, bom aspecto de casca e boa durabilidade na pós-colheita. O consumidor não aceita perder frutas por doenças como antracnose e as podridões-de-pedúnculo;
b)plantio em região com características climáticas adequadas e adoção de sistema de produção que resulte em frutos com padrão de qualidade desejado;
c)associação do nome do produtor ou de sua marca a um produto de alta qualidade. É importante que os compradores do varejo e os consumido- res tenham referência para voltar ao produto de alta qualidade, como já acontece com as grandes marcas da indústria. Para isso, o produtor ou comerciante necessita lançar mão de embalagens diferenciadas, como caixas com impressões atraentes e embalagens individuais para os frutos, de modo que o consumidor possa associar o visual à alta qualidade, principalmente em termos de sabor;
d)dispor de um sistema de informação que permita visualizar constante- mente as diferenças de preços de diversas qualidades de produto e de base para negociações mais justas e que a melhor qualidade possa ser grande variação das suas caracte- rísticas qualitativas e outros valores que podem ser adicionados, como, por exemplo, o tipo de sistema de produção, não podem ser consideradas commodities. A formação dos preços de comercialização não pode ser explicada unicamente pela oferta e demanda. Muitas vezes, em um único dia de comercialização, ocorre grande diferença no preço de produtos da mesma variedade e ta- manho, determinada pela qualidade entre estes;
e)ter um agente confiável no mercado de destino, que seja responsável por passar ao produtor informações precisas sobre o andamento da comercialização.
A determinação dos preços finais de comercialização do mamão é uma complexa combinação de oferta, demanda, cultivar, tamanho do fruto, qualidade e apresentação do produto
Figura 2 - Frutos em casas de embalagem na Brasnica - Janaúba, MG
NOTA: Figura 2A - Frutos lavados. Figura 2B - Frutos classificados e embalados.
Mouco ([200-?]) define o tutoramento como a condução do caule da planta para um crescimento vertical, de forma a evitar a ação danosa dos ventos na instalação da mudas. Segundo Bacher (2010), no caso das pitaias, o procedimento pode ser realizado com mourões de madeira tratada, postes de concreto e até caules de frutíferas (ex. tangerineiras, laranjeiras, etc.) que depois de serem podados podem ser usados para tutoramento.
Pode ser utilizado um tutor para cada 1 ou 2 mudas, espaçadas 3 metros entre elas e 4 metros as ruas. Quando plantada para fins domésticos, a pitaia pode ser plantada em caules de árvores, de preferência de porte baixo para não dificultar na hora da colheita. Alguns produtores utilizam quadros de madeira fixados no ápice dos mourões para um melhor tutoramento. Apesar de aumentar um pouco mais o trabalho, apresenta melhores resultados (BACHER, 2010).
Por sem uma planta trepadeira, Moreira et al. (2012) explica que o tutoramento da muda da pitaia deve ser feito com um mourão de aproximadamente 1,80 m de altura. Além disso, é recomendável que na extremidade desse mourão coloque-se uma trave ou qualquer outro tipo de suporte para sustentação das brotações produtivas. Para facilitar o crescimento da planta, e o sentido do mourão, é recomendado fazer a amarração com barbante no mourão.
No Brasil, os usos mais comuns são de mourões de madeira (Figura 4) ou concreto.
A pitaia é encontrada em florestas tropicais da América Latina em condições de “meia sombra”, ou seja, em condições de sub-bosque. Alguns autores (CAVALCANTE, 2008; MORITZ, 2012; SILVA, 2014) apontam que o sombreamento é necessário para evitar que os ramos sofram danos causados pela insolação direta e para proporcionar uma maior taxa de frutificação. Essa recomendação para a região Sul do Brasil é bastante incipiente e deve ser melhor estudada, especialmente por estar localizada distante da Linha do Equador.
Apesar disso, a necessidade de tutoramento, aliada ao possível sombreamento parcial, apresenta potencialidades no cultivo da pitaia, como em sistemas agroflorestais (SAFs) com tutores vivos.
Cultivo da pitaia em tutores vivos
O manejo da copa das plantas que podem servir de tutoramento propicia a abertura dos galhos e uma maior incidência de radiação solar, sendo possível utilizar os resíduos das podas como adubação ao redor das plantas de pitaia. Isso garante uma boa cobertura do solo, a decomposição e a incorporação de matéria orgânica e um favorecimento aos microrganismos edáficos, promovendo assim uma ciclagem de nutrientes em um sistema que pode ser considerado sustentável.
É recomendada a condução das mudas de pitaia em haste única, o que contribui para o seu rápido desenvolvimento (MARQUES, 2008). Essa forma de condução pode ser feita eliminando-se as brotações laterais por meio de podas,
deixando-se apenas as brotações mais bem localizadas no sentido vertical. Esses ramos podados podem ser utilizados para propagação de novas mudas.
Após atingirem a altura para abertura da copa, previamente definido de acordo com o tutoramento e a condução (Figura 4), deve-se favorecer o surgimento das brotações laterais, as quais originarão os frutos, pelo arqueamento dos ramos.
Figura 4. Tutoramento de pitaia com mourões de madeira.
Os solos que oferecem melhores condições para o desenvolvimento das plantas possuem pH entre 5,5 e 6,5, são não compactados, ricos em matéria orgânica, bem drenados e de textura bem solta (LIMA, 2013). A adubação orgânica confere boas respostas ao solo e às plantas, especialmente pela liberação lenta de nutrientes e incorporação de matéria orgânica no sistema, melhorando as qualidades químicas, físicas e biológicas, evitando também a lixiviação de nutrientes e a salinização do solo. Além disso, a utilização de fontes alternativas de nutrientes pode minimizar os custos com boas perspectivas de produtividade para a pitaia (MARQUES et al., 2012).
Em um estudo conduzido por Cavalcante (2008), concluiu-se que o fornecimento de 20L cova-1 de esterco bovino promove um crescimento da parte aérea em função do melhor desenvolvimento do sistema radicular.
Após o plantio, pode-se utilizar essa quantidade de esterco nas fases de desenvolvimento e frutificação da cultura.
Essa prática de adubação orgânica pelo uso de esterco contribui para a incorporação de matéria orgânica no solo em diferentes momentos, favorecendo as condições biológicas do solo e a absorção de nutrientes pelas raízes da planta, especialmente por estas terem característica fasciculada e de desenvolvimento em pequenas profundidades.
Por ser uma planta que apresenta hábito escandente, a pitaia necessita de tutoramento (SILVA, 2014), o que pode ser feito de diversas formas. Conforme Lima (2013), podem ser usados mourões de madeira, postes de concreto e até caules de outras plantas (Figura 3), que podem ser usados depois de podados.
Abertura da Cova.
A abertura das covas pode ser feita com sulcador, broca mecânica ou manualmente, quando o número de plantas é pequeno, com dimensão mínima de 60 x 60 x 60 cm. Na abertura manual da cova, tradicional na região Sul de Minas, deve obedecer à separação do solo da superfície e do fundo da cova (Figura7). O preparo da cova deve anteceder o plantio, com no mínimo 60 dias.
Preparo das covas
A adubação deve ser feita obedecendo aos resultados da análise de solo e às necessidades da cultura. Para assegurar um bom desenvolvimento da planta, recomenda-se a utilização de matéria orgânica (20 L de esterco de curral), calcário dolomítico (500 g) e adubação química com 300g de superfosfato simples e micronutrientes (50g de FTE BR 12) por cova.
Deve-se, no enchimento da cova, inverter a ordem de retirada do solo e misturar a terra de superfície com a adubação orgânica e o calcário (Figura 8). Depois do fechamento da cova, deve ser colocada uma estaca para demarcação do centro de cova para o futuro plantio, após 60 dias.
Após o estabelecimento da muda, se da o surgimento de brotações laterais denominadas cladódios (caule modificado adaptado à realização de fotossíntese, característico das plantas xerófitas).
O indicado é que estes brotos vegetativos laterias (ramos ladrões) sejam removidos através de podas, principalmente pela poda de formação. Com o auxílio de uma tesoura de poda realiza-se a eliminação dos brotos, deixando apenas um ou dois, que serão conduzidos até a parte suerior do mourão.
Quando a planta alcançar a parte superior do suporte do mourão, deve-se deixar todos os cladódios crescerem e desenvolverem, pois estes originarão os cladódios produtivos.
A necessidade de se produzir frutas de qualidade é um objetivo sempre buscado pelo produtor, pois está diretamente relacionada a rentabilidade do pomar. A poda está entre os fatores que contribuem de forma significativa para a colheita uniforme, além de propiciar melhor qualidade às frutas.
Considera-se que a poda é o conjunto de cortes feitos numa planta, com o objetivo de regularizar a produção, aumentar e melhorar a qualidade das frutas. Além disso, essa técnica auxilia na manutenção da forma da planta de acordo com os propósitos econômicos de sua exploração.
Em fruticultura, observa-se que em plantas já produzindo, é comum encontrar um excesso de sombreamento interno de sua copa, além de ramos indesejáveis. Após alguns anos, na maioria das frutiferas é frequente o declenio da produção de frutos em alguns ramos. Isso ocorre devido ao secamento de galhos, seja por doenças ou pragas.
Para o sucesso na poda é necessário ter conhecimento do hábito de vegetação e frutificação das plantas. Dessa forma, pode-se fazer o uso correto e o tipo de poda apropriada. No caso específico da pitaia, a poda ainda está sendo estudada com mais ênfase, mas é possível se fazer uma recomendação com base nos trabalhos já concluidos.
É recomendada a condução das mudasde pitaia em haste única, o que contribui para o seu rápido desenvolvimento
(MARQUES, 2008). Essa forma de condução pode ser feita eliminando-se as brotações laterais por meio de podas,
deixando-se apenas as brotações mais bem localizadas no sentido vertical. Esses ramos podados podem ser utilizados para propagação de novas mudas.
Após atingirem a altura para abertura da copa, previamente definido de acordo com o tutoramento e a condução, deve-se favorecer o surgimento das brotações laterais, as quais originarão os frutos, pelo arqueamento dos ramos.
Objetivo definido
A poda de frutificação ou produção da pitaia tem os seguintes objetivos:
-Otimizar o vigor das plantas com o intuito de produzir frutos em maior quantidade e qualidade;
-Favorecer o manejo das plantas pelo porte adequado;
-Eliminar (cortar) ramos desnecessários, inconvenientes, doentes, praguejados e secos;
-Disponibilizar ramos (cladódios) adequados para a produção de mudas destinadas a novos plantios.
Benefícios da poda
-Facilita o manuseio da planta;
-Reduz o sombreamento;
-Melhoria na qualidade das frutas;
-Melhoria do arejamento da planta;
-Manutenção de uma arquitetura adequada a cada espécie;
-Eliminação de partes indesejáveis da planta;
-Propicia rejuvenescimento da planta;
-Minimiza o surgimento de pragas e doenças.
Quando podar
Recomenda-se que a poda seja feita no período de repouso vegetativo, coincidindo com o período frio do ano. No início do desenvolvimento das plantas no campo, recomenda-se que sejam feitas desbrotas dos ramos novos, para que a planta cresça verticalmente até atingir o topo do moirão, ou qualquer outro suporte.
O objetivo é deixar somente o ramo principal, para que a planta disponibilize suas reservas somente para o ramo principal. Posteriormente à primeira produção de frutos, torna-se necessário podar aqueles cladódios que já produziram grande número de frutos, pois sua produtividade será baixa nas próximas safras.
Vale ressaltar que essa última técnica deve ser realizada com cautela para que não sejam retirados cladódios com potencial de produção. Por último, recomenda-se podar os ramos que brotam no sentido vertical, pois os mesmos não produzem satisfatoriamente.
As podas regularizam a produção, aumentam e melhoram a qualidade das frutas
Tipos de podas
Dentre as diversas práticas agronômicas presentes no cultivo da pitaia, a poda é uma das mais importantes, sendo comumente realizadas as podas de formação, de produção e de limpeza.
Poda de formação
Esta poda visa moldar e definir a arquitetura da planta, além de eliminar brotações improdutivas, sendo sua principal função a promoção de um ambiente favorável para o desenvolvimento e adaptação do ramo principal ao sistema de apoio, proporcionando assim uma maior área efetiva de exposição à luz solar.
Seis meses após o transplante da muda para o campo, deve-se selecionar o número de cladódios desejados para formar a estrutura da planta, e amarra-los ao suporte para direcionar o seu crescimento. Ao atingir o suporte do mourão, os cladódios emitidos acima do mesmo devem ser mantidos, já que serão os brotos produtivos. Os cladódios que forem emitidos lateralmente abaixo do suporte do mourão e rentes ao solo, devem ser eliminados, pois estes são poucos produtivos e acabam atrapalhando o crescimento e o desenvolvimento da planta e dos frutos.
É importante que todas as ferramentas utilizadas para a eliminação dos cladódios sejam esterilizadas, a fim de minimizar o risco de contaminação da planta a cada corte.
Poda de produção
A poda de produção também conhecida como poda de desbaste, consiste na eliminação dos cladódios improdutivos encontrados na planta. Este tipo de poda visa concentrar a produção em menos cladódios, obtendo frutos de maior tamanho e melhor qualidade.
Deve ser realizada após o primeiro ano de estabelecimento da cultura, uma vez que a estabilização da produção se dá a partir deste ano, devido ao maior vigor e elevada taxa de crescimento da planta.
As ferramentas utilizadas durante o processo da poda também, devem ser esterilizadas, a fim de reduzir possíveis infecções da planta.
Poda de limpeza
A poda de limpeza é realizada com a finalidade de remoção das partes da planta afetadas por algum tipo de agente patogênico ou inseto, e/ou as partes da planta que não se desenvolveram ou se encontram secas.
As partes afetadas da planta devem ser removidas e enterradas à uma profundidade mínima de 30 cm, reduzindo a possibilidade de sobrevivência a disseminação do inóculo do patógeno ou inseto.
Nesta poda, salinta-se ainda mias a importancia da desinfecção das ferramentas utilizadas a cada corte realizado na planta, pois o risco de contaminação entre as plantas é mais elevado.