segunda-feira, 28 de maio de 2018

Produção de mudas de Guaraná (Guaranazeiro)


Coleta das estacas

As estacas devem ser retiradas de plantas matrizes selecionadas, provenientes de jardins clonais. Essas matrizes devem apresentar bom vigor vegetativo, ausência de sintomas de deficiências nutricionais e/ou ataque de pragas e doenças (Figura 1).
Foto: Murilo R. de Arruda
Figura 1. Planta matriz de guaranazeiro.
Recomenda-se coletar as estacas no período de lançamento dos ramos, que, no Estado do Amazonas, ocorre nos meses de março a maio. Essa atividade deve ser feita preferencialmente nas primeiras horas da manhã (5h - 7h), para diminuir a perda de água do material a ser propagado.

As estacas devem ser retiradas de ramos novos, herbáceos, porém não lignificados, lançados no ano da coleta, descartando-se a extremidade verdoenga (Figura 2A). Esse tipo de ramo apresenta melhor índice de enraizamento e gera mudas mais vigorosas. O tamanho das estacas é variável de acordo com o comprimento dos entrenós nos ramos. As estacas devem possuir uma gema e um par de folíolos cortados ao meio (Figura 2B) e devem ser cortadas em bisel, 2 cm a 3 cm acima da gema, para evitar ressecamento. O número de estacas a ser coletado em cada planta varia de acordo com a idade, o vigor e o ortete. Após a coleta, as estacas deverão ser umedecidas e acondicionadas preferencialmente em caixas de isopor, para o transporte. Nessas condições, permanecerão viáveis por até 30 horas.

Fotos: Firmino José N. Filho
 
Figura 2. Ramo herbáceo (A) e detalhe de uma estaca padrão (B).

Preparo do indutor de enraizamento

O fitormônio (ácido indol-3-butírico) deve ser aplicado, por via seca, na concentração de 2 mil ppm. Para se obter essa concentração, mistura-se 5 g do fitormônio com 2.400 g de talco inerte ou industrial. Para uma mistura bem homogênea, recomenda-se utilizar saco plástico resistente, com capacidade para 10 kg, no qual serão colocados o fitormônio e o talco. Depois, infla-se o saco, a fim de se obter uma câmara de ar, e, em seguida, agita-se por no mínimo 20 minutos. Com essa mistura é possível tratar cerca de 30 mil estacas. O tratamento faz-se tocando a base das estacas na mistura de fitormônio com talco (Figura 3 ).
Foto: Firmino José N. Filho
Figura 3. Estaca de guaranazeiro sendo tratada com fitormônio.

Plantio das estacas

Com o auxílio de um pedaço de madeira roliço e pontiagudo, com diâmetro semelhante ao das estacas, abre-se um orifício no centro dos sacos, a uma profundidade de 3 cm a 5 cm, para facilitar o plantio da estaca. Após o tratamento com o fitormônio, a estaca deve ser enterrada no saco cerca de 1/3 do seu tamanho, pressionando ao seu redor para fixá-la ao substrato (Figura 4). Em seguida, faz-se a rega para melhor ajustá-la ao substrato.
Foto: Firmino José N. Filho

Figura 4. Plantio das estacas em sacos plásticos.

Manutenção das mudas no viveiro

As estacas plantadas nos sacos devem permanecer no viveiro, com sombreamento de 50%, por um período de 7 a 9 meses. É importante, nos 90 primeiros dias, manter os folíolos das estacas sempre umedecidos, através da nebulização intermitente, uma vez que sem esse cuidado, em aproximadamente duas horas, todas as estacas que foram postas para enraizar podem ser perdidas por desidratação.

A irrigação das mudas no viveiro, dos 90 dias até a época de plantio, deve ser realizada de acordo com as condições climáticas. Na ausência de chuvas, as mudas deverão receber regas diárias, via sistema de irrigação ou manualmente.

Adubação das mudas

A adubação deverá ser feita diretamente no substrato, utilizando-se a seguinte mistura: 200 g de ureia + 200 g de cloreto de potássio, diluídos em 20 litros de água, preparada imediatamente antes do uso. A solução deve ser aplicada a cada 30 dias, na quantidade de 25 mL por planta, antes da irrigação. Essa adubação deverá ser suspensa 30 dias antes do plantio definitivo das mudas no campo.

Controle de plantas invasoras

Recomenda-se retirar periodicamente as plantas invasoras dos sacos, para evitar concorrência por água e nutrientes com as mudas de guaranazeiro.

Controle de pragas no viveiro

A principal praga que afeta as mudas do guaranazeiro na fase de viveiro é o tripes, que causa queda e deformações nas folhas. O viveirista deverá fazer inspeções semanais para verificar a presença de tripes. Quando for observado tripes no viveiro, um dos seguintes inseticidas deverá ser aplicado: acephate 75% (40 g do produto comercial em 20 L de água) ou deltametrina 25% (10 mL do produto comercial em 20 L de água). As aplicações deverão ser efetuadas em intervalos regulares de 20 dias. Esses produtos ainda não estão registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para a cultura do guaranazeiro.

Controle de doenças

As mudas com sintomas de antracnose ou superbrotamento devem ser descartadas.

Seleção das mudas para plantio

O número de folhas tem sido o fator indicativo para seleção de mudas de guaraná para o plantio definitivo. Com base na legislação em vigor, considera-se que a muda de guaraná propagada por estacas estará apta ao plantio quando apresentar pelo menos duas folhas compostas, completamente desenvolvidas e vigorosas.

Transporte das mudas para o local definitivo

No transporte, as mudas deverão estar protegidas do vento, para evitar a desidratação. Choques também devem ser evitados, prevenindo danos ao sistema radicular.

terça-feira, 22 de maio de 2018

Cultivo do Guaraná (Guaranazeiro)

O guaranazeiro (Paullinia cupana var. sorbilis) é um importante e tradicional cultivo no Estado do Amazonas. É uma planta genuinamente brasileira de grande importância econômica e social, especialmente na região Amazônica. Esta importância é evidenciada na demanda de sementes pelas indústrias de bebidas, para atender ao promissor mercado de refrigerantes e energéticos, tanto o nacional como o internacional. Por estes motivos, a Embrapa Amazônia Ocidental, considerando a necessidade de geração e transferência de tecnologias para o cultivo do guaranazeiro, tem fortalecido as atividades de pesquisa, buscando selecionar materiais genéticos de alta produtividade e resistentes a pragas e doenças, bem como identificar práticas de manejo e tratos culturais que permitirão melhorar o desempenho da cultura, preservando o meio ambiente e aumentando a renda do produtor rural.
A Embrapa Amazônia Ocidental realizou um painel no Município de Maués (AM), no dia 28 de setembro de 2005, com a participação de profissionais de campo e agricultores, diretamente envolvidos na cadeia produtiva do guaranazeiro, para colher os subsídios necessários à validação deste documento.
Esta publicação contém informações sobre as tecnologias geradas para a cultura do guaranazeiro, visando diminuir os gargalos tecnológicos existentes no agronegócio do guaraná.


O Brasil, em termos comerciais, é o único produtor de guaraná do mundo. No Estado do Amazonas, o guaranazeiro é uma cultura plantada tanto por grandes como por pequenos produtores. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2003, o estado produziu 779 toneladas de sementes secas de guaraná em 5.178 hectares, com produtividade média de 150 kg de sementes secas por hectare, menor que a média do Brasil, que foi de 298 kg/ha.
Essa produtividade é baixa quando comparada com as obtidas de clones lançados pela Embrapa, que produzem pelo menos 400 kg/ha/ano de sementes secas. As razões apontadas para essa baixa produtividade são: a não utilização de mudas de clones selecionados, o plantio de variedades tradicionais não melhoradas, a idade avançada dos guaranazais, a alta incidência de pragas e doenças e a falta de tratos culturais adequados.
Atualmente quase toda a produção brasileira de guaraná é consumida no mercado interno, sendo pequena a quantidade exportada para outros países. Estima-se que, da demanda nacional de sementes de guaraná, pelo menos 70% seja absorvida pelos fabricantes de refrigerantes, enquanto o restante é comercializado na forma de xarope, bastão, pó, extrato e outras formas.

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Carlos Pena compartilhou o seguinte PDF:

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Produção de Mudas de Citros



Etapas da produção de mudas certificadas

A muda de citros, assim como de uma série de outras frutíferas, é composta pela combinação de uma cultivar porta-enxerto com uma cultivar copa, sendo exigidos critérios específicos em relação à formação dos porta-enxertos e das mudas propriamente ditas.

Formação de porta-enxertos

Em se tratando de mudas certificadas, os porta-enxertos devem ser produzidos no interior de ambiente protegido, nas condições descritas anteriormente, a partir de sementes de plantas matrizes ou de sementeiras certificadas. Carvalho et al. (2000) recomendam que sejam indexadas para viroses e declínio a cada cinco anos, e anualmente para CVC, antes da retirada das sementes.
Os porta-enxertos podem ser adquiridos de terceiros ou serem produzidos no próprio viveiro. Normalmente, os viveiristas têm optado por produzir seus próprios porta-enxertos. Nos casos de compra de porta-enxertos, o viveirista deve obter documento tipo nota fiscal ou fatura, que comprove a procedência do material, especificando a origem, cultivar e quantidade de porta-enxertos adquiridos (BRASIL, 2013).
Geralmente, a produção de porta-enxertos tem sido realizada no mesmo telado utilizado para a produção das mudas. Visando uniformizar os tratos culturais e utilizar condições de temperatura e de umidade mais favoráveis à germinação e ao desenvolvimento inicial das plântulas, alguns viveiristas têm produzido os porta-enxertos em telados separados das mudas enxertadas.
Cultivares de porta-enxerto
Os porta-enxertos recomendados para o Rio Grande do Sul são: Trifoliata, limoeiro ‘Cravo’, limoeiro ‘Volkameriano’, laranjeira ‘Caipira’, citrumeleiro ‘Swingle’, tangerineira ‘Cleópatra’, tangerineira ‘Sunki’, tangeleiro ‘Orlando’, citrangeiro ‘Troyer’, citrangeiro ‘Carrizo’ e laranjeira ‘Azeda’ (CESM, 1998). Segundo essas normas, a laranjeira ‘Azeda’ somente deve ser utilizada como porta-enxerto de limoeiros verdadeiros. Somente as cultivares registradas no Registro Nacional de Cultivares (RNC), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), podem ser utilizadas como porta-enxerto. As recomendações de cultivares estabelecidas pelas secretarias estaduais de agricultura também devem ser seguidas.
O porta-enxerto mais utilizado no Rio Grande do Sul é o Trifoliata, principalmente por sua tolerância ao frio e à gomose de Phytophthora e por induzir a produção de frutas de ótima qualidade, embora apresente menor vigor em relação a outras cultivares, como o limoeiro ‘Cravo’, o que atrasa a formação das mudas e o início da produção de frutos (OLIVEIRA et al., 2008).
Recipientes para semeadura
Os porta-enxertos podem ser semeados em tubetes plásticos, bandejas ou embalagens definitivas. Os tubetes de 50 cm3, em forma cônica, com quatro a seis estrias longitudinais, são os recipientes mais utilizados (Figura 1), pela facilidade de manipulação, permitindo a distribuição das plântulas em lotes homogêneos, e por proporcionarem uma melhor circulação de ar entre as plântulas (JOAQUIM, 1997). Nesse tipo de recipiente, as raízes crescem em direção ao orifício basal, havendo a morte do meristema da raiz pivotante com consequente emissão de raízes secundárias. Os tubetes devem ser dispostos em bandejas plásticas perfuradas, as quais devem ser mantidas suspensas sobre cabos, com esticadores ou telas metálicas galvanizadas, fixados sobre mourões de madeira ou cimento (CARVALHO, 1998). Por outro lado, a formação de porta-enxertos em canteiros com seu posterior transplantio sob a forma de raiz nua podada permite melhor seleção de plantas sem defeito na formação das raízes.
Foto: Roberto Pedroso de Oliveira.
Figura 1. Porta-enxertos de citros produzidos em tubetes cônicos de 50 cm3 dispostos em bandejas plásticas perfuradas.
Após o uso, os tubetes, as bandejas e os canteiros devem ser desinfestados via tratamento térmico ou com produtos químicos, como o hipoclorito de sódio a 1% (FEICHTENBERGER, 1998).
Substratos para semeadura
O substrato deve apresentar propriedades físicas e químicas adequadas para o desenvolvimento das plantas, sendo as físicas determinantes por serem de difícil correção. O substrato deve ser leve para facilitar o manuseio e o transporte, apresentar boa porosidade, drenagem e capacidade de retenção de água, ser suficientemente consistente para fixar as plantas, isento de patógenos de solo, não conter sementes ou propágulos de plantas daninhas, não conter componentes de fácil decomposição, possuir composição uniforme para facilitar o manejo das plantas e apresentar um custo compatível com a atividade (OLIVEIRA et al., 2011a).
Segundo as normas e padrões da CESM (1998), o substrato deve estar isento dos fungos Armillaria sp., Phytophthora spp., Rhizoctonia solaniRosellinea sp. e Sclerotinia sp. e dos nematoides Meloidogyne spp., Pratylenchus spp. e Tylenchulus semipenetrans, devendo ser analisado em laboratório credenciado pela entidade certificadora e fiscalizadora estadual.
Conhecendo as propriedades de um substrato ideal, o viveirista pode optar pela produção própria ou aquisição junto a empresas especializadas, analisando sempre a qualidade, o custo e a facilidade de obtenção. Deve-se acrescentar que a Instrução Normativa no 48, de 24 de setembro de 2013, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, proíbe o uso de solo na composição do substrato (BRASIL, 2013).
A desinfestação dos componentes do substrato pode ser feita por solarização em coletor solar ou em sacos plásticos transparentes. A desinfestação química com fumigantes e a térmica por autoclavagem (110-120ºC) não são recomendadas por prejudicarem o desenvolvimento da microflora benéfica do substrato (FEICHTENBERGER, 1998).
A maioria dos viveiros de citros tem utilizado substratos comerciais à base de casca de pínus, palha de arroz, serragem, bagacilho de cana, vermiculita, perlita, argila expandida, húmus ou turfa (JOAQUIM, 1997; GRAF, 1999; OLIVEIRA et al., 2011a).
Cada substrato exige um manejo diferente, desde a fertilização até a irrigação, em função de propriedades específicas. Por isso, é muito importante trabalhar com um mesmo substrato, o qual, obrigatoriamente, tem que apresentar lotes uniformes.
Antes da distribuição nos recipientes, recomenda-se que seja realizada a análise de fertilidade do substrato, seguida de correção química. Esta é essencial para maximizar o desenvolvimento das plantas. Nessa fase, normalmente, é necessário acrescentar nitrogênio, fósforo e cálcio ao substrato. O fósforo deve ser adicionado antes da semeadura, enquanto que os demais nutrientes podem ser aplicados em cobertura, por meio de formulações de liberação lenta, ou semanalmente via fertirrigação.
A salinização do substrato é um dos problemas mais frequentes no cultivo de plantas em recipientes. Por isso, deve-se tomar bastante cuidado com a aplicação de fertilizantes em excesso. A toxidez por sais provoca necrose de folhas, desidratação, redução do crescimento e até mesmo a morte de plantas (JOAQUIM, 1997). A correção do nível de sais pode ser feita lixiviando-os por meio de irrigação ligeiramente acima da quantidade necessária.
Semeadura
Primeiramente, as sementes devem ser submetidas a tratamento térmico a 52 ºC por 10 minutos (CESM, 1998). Alguns viveiristas têm retirado o tegumento externo das sementes com a finalidade de melhorar a sanidade, acelerar e uniformizar a germinação (Figura 2), embora seja uma atividade bastante trabalhosa (OLIVEIRA; SCIVITTARO, 2007). A semeadura pode ser feita utilizando-se de uma a três sementes por tubete, dependendo da cultivar e da porcentagem de germinação do lote de sementes. Recomenda-se utilizar a profundidade de 2 cm a 3 cm.
Foto: Roberto Pedroso de Oliveira.
Figura 2. Remoção do tegumento externo de sementes do porta-enxerto de citros Poncirus trifoliata.
Irrigação
Durante a germinação e o desenvolvimento inicial dos porta-enxertos, a irrigação deve ser feita manualmente ou por meio de aspersores, de forma a não descobrir as sementes.
A água de irrigação deve ser tratada com cloro ativo ou ser proveniente de poço artesiano. No caso de tratamento da água, recomenda-se a adição de cloro na concentração de 3 a 5 mg L-1 (CARVALHO, 1998). Nessa concentração, ocorre a inativação dos zoósporos de Phytophthora (FEICHTENBERGER, 1998). Deve-se tomar cuidado para não utilizar uma concentração excessiva de cloro, o que pode causar toxidez às plantas. No caso da utilização de água de poço artesiano, deve-se avaliar a presença e a quantidade de sais.
Condução dos porta-enxertos
A área do viveiro deve ser livre de detritos vegetais, inclusive aqueles decorrentes do processo de produção das próprias mudas. Os porta-enxertos devem ser conduzidos em haste única, sendo realizada desbrota semanal. Normalmente, as plantas atípicas e de crescimento debilitado apresentam natureza híbrida, devendo ser eliminadas. A taxa de ocorrência destes híbridos depende da espécie do porta-enxerto, sendo inversamente proporcional a sua taxa de poliembrionia. Para facilitar o manejo, as plantas de cada cultivar devem ser separadas em lotes mais homogêneos, normalmente aos 70-80 dias da semeadura (OLIVEIRA et al., 2001).
Recipiente definitivo
O recipiente definitivo das mudas deve apresentar dimensões mínimas de 10 cm de largura por 30 cm de altura (CESM, 1998). Esse recipiente desempenha um papel determinante no desenvolvimento do sistema radicular das mudas, influindo na formação e na configuração das raízes.
No caso de mudas de citros, os recipientes podem ser de plástico rígido ou de polietileno. Os vasos de plástico rígido são comercialmente denominados de citrovasos ou citropotes. Possuem a vantagem de apresentar estrias longitudinais, como os tubetes, para direcionar o crescimento das raízes para o fundo do recipiente, evitando o seu enovelamento. A suspensão dos vasos em bancadas é essencial para esse comportamento das raízes. Os vasos de plástico rígido apresentam um custo maior do que os de polietileno; porém, são reutilizáveis.
Os recipientes de polietileno, também chamados de sacos plásticos, apresentam um custo menor, não ocupam espaço quando vazios e são descartáveis, não havendo necessidade de retorno, realização de lavagens e riscos de contaminação com patógenos de outras áreas. Porém, podem rasgar com certa facilidade e estão sujeitos à ocorrência de enovelamento de raízes, devido às superfícies lisas do recipiente, principalmente se houver atraso no plantio das mudas (CARVALHO, 1998; GRAF, 1999).
Com relação ao substrato, valem as mesmas observações efetuadas na fase de semeadura e de desenvolvimento inicial dos porta-enxertos.
Transplantio
Dependendo da cultivar, do substrato e das condições de cultivo, os porta-enxertos apresentam 10 cm a 15 cm de altura, após três a cinco meses de cultivo, estando aptos a ser transplantados para os recipientes definitivos, onde será completada a formação das mudas.
Por ocasião do transplantio, deve-se evitar o enovelamento de raízes na região do colo das plantas, o que diminui o vigor dos porta-enxertos. O transplantio das plantas pode ser feito com o torrão, de forma a não lesionar o sistema radicular, evitando a interrupção do crescimento dos porta-enxertos, ou por meio de raiz nua, o que permite podar as raízes e eliminar as enoveladas.

Formação das mudas

Enxertia
Dependendo da cultivar e das condições de cultivo, os porta-enxertos estão aptos para a enxertia entre três e seis meses após o transplantio.
Para a produção de mudas certificadas, as borbulhas devem ser obtidas de plantas matrizes ou de borbulheiras certificadas, cultivadas em ambiente protegido e inspecionadas, periodicamente, com relação a mutações e à sanidade, principalmente quanto à clorose variegada dos citros, cancro cítrico, HLB, tristeza e outras viroses. O viveirista deve possuir um comprovante de origem das borbulhas, que pode ser uma nota fiscal ou fatura, que especifique a origem, a espécie, a cultivar e a quantidade de material adquirido.
As borbulhas são fornecidas em ramos chamados de porta-borbulhas. Trata-se de ramos desfolhados de aproximadamente 30 cm a 40 cm, contendo borbulhas maduras (Figura 3).
Foto: Roberto Pedroso de Oliveira.
Figura 3. Ramos porta-borbulhas de citros.
A enxertia deve ser realizada à altura de 10 cm a 20 cm a partir do colo da planta para a maioria das cultivares. Somente para os limoeiros verdadeiros e para a limeira ácida ‘Tahiti’, e quando a muda for destinada a plantio com colheita mecanizada, a altura da enxertia deve ser entre 20 cm e 40 cm (BRASIL, 2013). Para a enxertia, devem ser retiradas as folhas e os espinhos do colo do porta-enxerto. Esta operação deve ser realizada no dia da enxertia, pois, caso realizada anteriormente, dificulta o desprendimento da casca. O aumento progressivo da irrigação nos dias que antecedem a enxertia é recomendado para melhorar o desprendimento da casca. A enxertia deve ser feita por borbulhia, em ‘T’ normal ou invertido, sendo fixada com fita plástica normal ou degradável (Figura 4).
Foto: Roberto Pedroso de Oliveira.
Figura 4. Mudas enxertadas de citros.
Cultivares-copa
Desde 1998, a Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Rio Grande do Sul elegeu as seguintes cultivares-copa de citros para plantio no estado: laranjeiras ‘Bahia’, ‘Baianinha’, ‘do Céu’ (‘Lima’), ‘Folha Murcha’, ‘Franck’, ‘Hamlin’, ‘Monte Parnaso’, ‘Natal’, ‘Pêra’, ‘Tobias’, ‘Caiana’, ‘Valência’ e ‘Westin’; tangerineiras ‘Clementina’, ‘Cravo’, ‘Comum’ (‘Mexeriqueira do Rio’ ou ‘Caí’), ‘Satsuma Okitsu’, ‘Montenegrina’ e ‘Ponkan’; limoeiro verdadeiro ‘Siciliano’; limeira ácida ‘Tahiti’; limeira verde ‘Piracicaba’; e híbridos ‘Murcott’, ‘Lee’ e ‘Ellendale’. Além dessas cultivares, a Embrapa Clima Temperado recomenda, atualmente, as laranjeiras ‘Navelina’, ‘Navelate’, ‘Lane Late’, ‘Cara Cara’, ‘Salustiana’, ‘Valência Late’, ‘Midknight’, ‘Delta Seedless’, ‘Newhall’, ‘Lue Gim Gong’, ‘Shamouti’ e ‘BRS Tarocco do Pampa’; as tangerineiras ‘Owari’, ‘Rainha’, ‘Marisol’ e ‘Clemenules’; o limoeiro verdadeiro ‘Fino’; o limoeiro híbrido ‘Meyer’; os pomeleiros ‘Marsh Seedless’, ‘Star Ruby’, ‘Ruby Red’ e ‘Flame’; e os híbridos ‘Nova’, ‘Minneola’, ‘Fremont’ e ‘Ortanique’. Outras cultivares estão em fase de avaliação e recomendação para o estado.
Adubação e irrigação
A formulação dos adubos e a frequência de adubação variam em função da cultivar e da composição do substrato. De uma forma geral, Carvalho (1998) recomenda a aplicação semanal, via água de irrigação, de nitrato de potássio, nitrocálcio ou de fosfato monoamônico, na proporção de 2 g a 4 g por planta, e a aplicação foliar de nitrogênio, zinco, manganês, boro e ferro quinzenalmente, juntamente com os tratamentos fitossanitários. No entanto, para uma adubação equilibrada, recomenda-se o monitoramento do estado nutricional das plantas por meio de análise foliar e do substrato, procedendo-se às correções em cobertura, via água de irrigação ou da forma convencional, de acordo com a necessidade de nutrientes.
A irrigação pode ser feita manualmente, por aspersão ou de forma localizada em cada recipiente. A irrigação localizada por gotejo, vaso a vaso, é vantajosa para a produção de mudas sadias, por evitar a umidade excessiva no tronco, ramos e folhas e a lavagem de defensivos, além de possibilitar a adição de fertilizantes solúveis. As desvantagens desse sistema referem-se ao maior custo e ao encharcamento de alguns recipientes, devido ao consumo diferenciado de água pelas plantas em diferentes fases de desenvolvimento e em função da espécie de porta-enxerto.
Controle de pragas e de doenças
O manejo de pragas e de doenças deve ser preventivo e rigoroso, evitando prejuízos à qualidade e ao desenvolvimento das mudas. Devem-se realizar pulverizações com combinações de produtos de ação inseticida, acaricida e fungicida, alternando os princípios ativos para evitar a proliferação de patógenos e de pragas resistentes (OLIVEIRA et al., 2001).
A tela do ambiente protegido controla a entrada da maioria dos insetos-praga e dos vetores de doenças. Porém, fungos e ácaros podem entrar pelos orifícios da tela e algumas espécies de cigarrinhas, pulgões, cochonilhas e insetos adultos de minador pela própria porta do telado. Por isso, além das pulverizações preventivas, o viveiro deve ser inspecionado permanentemente, procedendo-se, caso necessário, ao controle químico adicional com produtos específicos para a praga ou patógeno encontrado.
O uso de armadilhas amarelas com cola adesiva na antecâmara e no interior do telado é essencial para o monitoramento e controle de insetos, principalmente de cigarrinhas, que são atraídas por essa coloração.
Condução do enxerto e formação da muda
A remoção do fitilho não degradável deve ser realizada 15 a 20 dias após a enxertia, quando se verifica o pegamento. Caso este não ocorra, pode-se enxertar novamente no lado oposto do caule, cinco dias após o corte do fitilho. Para forçar a brotação, pode ser feito o encurvamento do porta-enxerto, segurando com uma das mãos a 10 cm acima do enxerto e curvando com a outra a parte superior da planta até prender na base da muda (Figura 5). Outra técnica utilizada para forçar a brotação consiste em efetuar o corte do porta-enxerto 5 cm acima da enxertia, no momento da retirada do fitilho. O pedaço de ramo remanescente deve ser cortado 15 dias antes da expedição das mudas (SEMPIONATO et al., 1997). A região do corte deve ser tratada com pasta cúprica. Uma única brotação deve ser conduzida de forma tutorada até o amadurecimento do ramo. O tutoramento pode ser feito com material galvanizado ou não. O tutor deve ser fino, firme e estreito, para evitar lesões no sistema radicular das mudas no momento em que é introduzido no substrato.
Foto: Roberto Pedroso de Oliveira.
Figura 5. Encurvamento do porta-enxerto para forçar a brotação do enxerto.
Em função de redução de custo, no sistema de produção de mudas certificadas em ambiente protegido não são formadas “pernadas” ou ramos laterais, como no sistema a “céu aberto”. Por isso, as plantas permanecem por menos tempo nos recipientes, minimizando o risco de enovelamento do sistema radicular. Desta forma, as mudas são produzidas e comercializadas em haste única, sendo chamadas de muda vareta, pavio ou palito (Figura 6).
A haste principal da muda vareta deve ser podada a 30-50 cm de altura para as tangerineiras e a 50-60 cm para as laranjeiras, limeiras ácidas e limoeiros verdadeiros, medidos a partir do colo da planta, devendo apresentar tecido já amadurecido.
Foto: Roberto Pedroso de Oliveira.
Figura 6. Muda de citros tipo vareta, pavio ou palito, sem pernadas.
Para facilitar a identificação e evitar a troca de materiais, recomenda-se a utilização de um código de cores para as cultivares-copa e porta-enxerto, com aplicação de tinta na região abaixo e acima do ponto de enxertia (CATI, 1998).
Nas condições climáticas do Estado de São Paulo, utilizando o porta-enxerto limoeiro ‘Cravo’, a muda de haste única fica pronta para o plantio em 10-12 meses após a semeadura (CARVALHO, 1998). Considerando a ocorrência de temperaturas médias menores no Rio Grande do Sul e o uso do porta-enxerto ‘Trifoliata’, espera-se um atraso de até 12 meses no processo de formação das mudas, dependendo do nível de climatização do telado.
A idade máxima das mudas de haste única para plantio é de 24 meses após a semeadura dos porta-enxertos quando se tratar de mudas com interenxertia ou oriundas do porta-enxerto ‘Trifoliata’ e de seus híbridos (BRASIL, 2013). Nos demais casos, a idade máxima das mudas é de 18 meses. Este critério é fundamental para evitar o enovelamento das raízes.
De forma geral, as mudas tipo palito, produzidas em ambiente protegido, apresentam pegamento e vigor superiores às mudas produzidas em viveiros a “céu aberto”, em virtude principalmente da qualidade do sistema radicular (Figura 7).
Foto: Roberto Pedroso de Oliveira.
Figura 7. Qualidade do sistema radicular de muda de citros produzida em citrovasos.
Após a retirada de cada lote de mudas do viveiro, deve-se realizar a desinfestação dos pisos, paredes e bancadas com hipoclorito de sódio a 5% ou formaldeído a 1% (FEICHTENBERGER, 1998).
Condenação de viveiros
Determinados patógenos e plantas daninhas são extremamente danosos aos citros, muitas vezes inviabilizando a produção. Por isso, as mudas devem ser isentas desses organismos.
O viveiro deve ser condenado pela simples ocorrência, em qualquer uma das mudas, dos fungos Phytophthora spp., Rhizoctonia solaniSclerotinia sp. e Armillaria sp., dos procariotos Xanthomonas campetris pv. citriXylella fastidiosaCandidatus liberobacter e Spiroplasma citri, dos nematoides Meloidogyne spp., Pratylenchus spp. e Tylenchulus semipenetrans, das plantas daninhas Cyperus rotundus(tiririca) e Cynodon dactilon (grama-seda) e dos vírus, viroides e micoplasmas patogênicos aos citros (CESM, 1998). O diagnóstico de infecções por bactérias, fungos, nematoides, vírus, viroides e micoplasmas deve ser feito por laboratório credenciado.
Padrão de qualidade das mudas certificadas
O enxerto e o porta-enxerto devem constituir uma haste única, ereta e vertical, tolerando-se um desvio de, no máximo, 15 graus. A diferença entre os diâmetros do enxerto e do porta-enxerto deve ser menor ou igual a 5 mm, medidos 5 cm acima e abaixo do ponto de enxertia para todas as cultivares, exceto de tangerineiras, quando a tolerância é de 1 cm. As mudas certificadas devem apresentar um diâmetro mínimo de 0,5 cm, 5 cm acima do ponto de enxertia, devendo a haste ser podada com 30 cm a 60 cm a partir do colo da planta (BRASIL, 2013).
As mudas devem apresentar sistema radicular bem desenvolvido, com raiz principal reta com pelo menos 20 cm de comprimento, sem raízes enoveladas, retorcidas ou quebradas. As mudas não devem apresentar ramos quebrados ou lascados, devendo possuir tecido amadurecido, ramos íntegros e corte cicatrizado do porta-enxerto (CESM, 1998). Tolera-se apenas 5% das mudas com raízes defeituosas (BRASIL, 2013); caso contrário, o lote deve ser condenado.
Após o recebimento de parecer favorável nas inspeções de pós-semeadura, pós-transplantio, pós-enxertia e de liberação, e das análises laboratoriais, a muda ou lote de mudas aprovados pela entidade certificadora receberão as etiquetas e o certificado de garantia, podendo ser comercializadas.
As mudas devem receber etiquetas, nas quais devem constar o nome e o número de registro do produtor, o endereço do viveiro e a identificação das cultivares porta-enxerto e copa utilizadas.
Armazenamento e transporte
As mudas certificadas poderão ser armazenadas fora do viveiro, em bancadas com altura mínima de 30 cm do solo, por um período não superior a 15 dias, devendo permanecer protegidas do ataque de insetos vetores em áreas de incidência de CVC e de tristeza (CESM, 1998).
Os caminhões utilizados para o transporte das mudas devem ser lavados e desinfestados com amônia quaternária antes do carregamento. Estes devem ser preferencialmente fechados ou cobertos com tela com malha antiafídica.
Controle de qualidade
Independentemente das inspeções oficiais, os viveiristas devem realizar um controle próprio para aprimorar a qualidade das mudas. É aconselhável a realização de inspeções visuais e de análises laboratoriais periódicas para os principais patógenos durante todo o processo de produção, para que, no caso de ser encontrado algum patógeno, o lote seja eliminado antes do final do ciclo e de forma a não contaminar os demais.
Para o diagnóstico de patógenos do gênero Phytophthora e de nematoides nocivos aos citros, deve-se amostrar pelo menos 10 mudas por lote de mil plantas. As amostras devem ser retiradas em fases distintas de desenvolvimento das mudas. Na primeira, antes do transplantio dos porta-enxertos, deve-se coletar amostras do substrato, que será utilizado no enchimento dos recipientes definitivos, e amostras de substrato e de radicelas dos tubetes onde se encontram os porta-enxertos prontos para transplantio. Caso seja detectado algum patógeno, o lote de substrato ou de porta-enxertos deve ser eliminado, evitando os custos de enchimento dos recipientes definitivos. Na fase final, 20 dias antes da expedição das mudas, devem-se coletar amostras de substrato e radicelas a uma profundidade de 20 cm do colo das plantas. Para isto, pode-se utilizar amostradores semelhantes aos utilizados para a amostragem de sementes ou de solo, porém de tamanho menor. Durante a coleta das amostras, deve-se evitar lesões nas radicelas, devendo o equipamento amostrador ser desinfestado com álcool hidratado a cada mudança de lote. O viveirista também pode realizar amostragens intermediárias caso deseje maior segurança.
Para o diagnóstico da bactéria Xylella fastidiosa, causadora da clorose variegada dos citros, devem ser amostrados lotes de mil plantas, coletando-se, no mínimo, 20 folhas de cada lote. Deve-se retirar uma folha por muda, escolhida aleatoriamente dentro do lote. Esta amostragem deve ser realizada somente na fase final de produção das mudas, sendo escolhidas as folhas maduras de coloração verde-oliva.
A realização de testes para o cancro cítrico e para a mancha-preta em laboratórios credenciados também é recomendada (BORGES et al., 2000), enquanto que para a bactéria causadora do HLB é obrigatória.


sábado, 12 de maio de 2018

Produção de material propagativo de Citros



As plantas fornecedoras de borbulhas de citros, quer sejam plantas básicas, plantas matrizes ou plantas borbulheiras, deverão ser inscritas pelo produtor de mudas junto ao órgão de fiscalização, devendo-se comprovar a origem genética.
As plantas básicas (Figura 1), plantas matrizes, borbulheiras certificadas e mudas certificadas deverão ser mantidas em ambiente protegido, que deverá ser de tela de malha nas dimensões mínimas de 87 centésimos de milímetro por 30 centésimos de milímetro, tanto na cobertura, quanto nas laterais, ou de vidro. Em se tratando da cobertura do ambiente protegido, esta pode ser feita por meio de filme plástico (BRASIL, 2013).
Normalmente, para aumentar a produção anual de borbulhas, utilizam-se porta-enxertos vigorosos, como o limoeiro Cravo (Citrus limonia Osbeck), nas borbulheiras, mesmo em regiões de clima subtropical (OLIVEIRA et al., 2009). Segundo os mesmos autores, as plantas borbulheiras podem ser cultivadas em sacos plásticos, vasos plásticos (5 L a 200 L) ou diretamente no solo, mas, sempre, no interior de ambiente protegido (BRASIL, 2013) (Figura 2, 3 e 4). As borbulhas aptas à enxertia podem ser armazenadas por até sete meses em câmara fria a 5 ºC (BLUMER, 2000; MACIEL et al., 2008).
Foto: Roberto Pedroso de Oliveira.
Figura 1. Planta básica de citros da cultivar satsuma Okitsu (Citrus unshiu Marc.), cultivada no interior de ambiente protegido.
Foto: Roberto Pedroso de Oliveira
Figura 2. Plantas borbulheiras de citros cultivadas em vasos plásticos de 5 L no interior de ambiente protegido.
Foto: Roberto Pedroso de Oliveira.
Figura 3. Plantas borbulheiras de citros cultivadas em vasos plásticos de 200 L no interior de ambiente protegido.
Foto: Roberto Pedroso de Oliveira.
Figura 4. Plantas borbulheiras de citros cultivadas diretamente no solo no interior de ambiente.






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segunda-feira, 7 de maio de 2018

Condução de Viveiros Cítricos (limão,laranja e tangerina)

Instalação

O viveiro deve ser instalado, preferencialmente, em local com exposição norte, o mais distante possível de plantas cítricas. O viveiro deverá estar caracterizado quanto às suas coordenadas geodésicas (latitude e longitude), segundo o Sistema Geodésico Brasileiro, expressas em graus, minutos e segundos, tomadas no ponto central do viveiro (BRASIL, 2013).
O viveiro deve ser construído em solo adequadamente nivelado, de maneira a não permitir a entrada de água de escorrimento superficial. Quebra-ventos devem ser instalados na posição dos ventos predominantes, podendo-se utilizar, para tanto, espécies como grevílea (Grevillea robusta A.Cunn.), casuarina (Casuarina equisetifolia L.) ou Pinus spp.

Estrutura

Recomenda-se que as mudas e os porta-enxertos certificados de citros sejam produzidos em ambiente protegido contra insetos vetores de doenças, principalmente cigarrinhas e afídeos.
O ambiente protegido deve apresentar uma estrutura resistente a ventos fortes, para evitar a exposição das mudas durante o processo de produção, e uma mureta lateral de concreto, com altura mínima de 30 cm, para evitar a entrada de água das chuvas por respingos.
Normalmente, os produtores de mudas certificadas de citros têm construído viveiros com estrutura de aço galvanizado e perfis de alumínio, revestidos lateralmente com tela antiafídica branca e cobertura plástica com filme de polietileno transparente com 150 micra de espessura, tratados contra raios ultravioletas (Figura 1). Esse tipo de instalação tem sido a mais prática e econômica, pois possui uma vida útil em torno de 25 anos. Geralmente, a tela antiafídica e a cobertura plástica apresentam durabilidade de cinco e três anos, respectivamente, dependendo do clima e do manuseio dado pelo viveirista.
Foto: Roberto Pedroso de Oliveira.
Figura 1. Modelo de viveiro telado de citros.
A altura do pé-direito e o formato do telado são determinantes no controle da temperatura interna do ambiente protegido. Em média, as cultivares de citros somente apresentam crescimento vegetativo em temperaturas entre 13 ºC e 34 ºC (AMARAL, 1982). No entanto, as condições que maximizam o crescimento situam-se entre 26 ºC e 28 ºC (WREGE et al., 2004). A umidade relativa do ar de 65% é considerada ideal para o desenvolvimento de plantas cítricas (JOAQUIM, 1997). Obviamente, deve-se projetar e manejar a estrutura do viveiro visando temperaturas favoráveis às plantas pelo maior período de tempo possível.
Nas condições climáticas do Rio Grande do Sul, ou seja, invernos frios e prolongados e verões quentes, podem-se utilizar módulos largos com cortinas plásticas móveis, para conservação do calor nos períodos frios, e sistemas de abertura de janelas nas porções superiores do telado e/ou de ventilação forçada para eliminação de ar quente, nos períodos de temperaturas elevadas. Os viveiros telados podem apresentar sistemas de aquecimento a gás ou a vapor de água, regulados manualmente ou por termostato. Diversos sistemas de aquecimento e de refrigeração estão disponíveis no mercado. A opção pelo uso de um desses sistemas deve basear-se na análise da relação custo-benefício.
Para o manejo adequado das mudas, a altura do pé-direito do viveiro-telado deve ser de, no mínimo, 3 m sob as calhas. Em geral, o custo de implantação e de manutenção do sistema de climatização é diretamente proporcional à altura do pé-direito do viveiro.
A cobertura plástica é importante para o manejo da irrigação, principalmente em regiões que apresentam concentração de chuva em determinados períodos. Desta forma, evita-se o encharcamento do substrato, com consequente proliferação de doenças, e a redução da porcentagem de pegamento das enxertias. Esse tipo de cobertura também possibilita melhor captação de calor nos meses mais frios, que pode ser mantido com o fechamento das cortinas laterais.
Diferentes diâmetros de malha da tela podem ser utilizados nos viveiros, desde que com tamanho igual ou inferior a 87 centésimos de milímetro por 30 centésimos de milímetro. Desta forma, o uso de telas com malha de 1 mm2 não é mais permitido em viveiros-telados de citros, devendo-se utilizar telas antiafídicas (BRASIL, 2013). Deve-se ter em mente que telas com menores diâmetros de malha proporcionam menor ventilação, aumentando a temperatura tanto no verão quanto no inverno. No entanto, conferem maior proteção quanto à entrada de pragas no viveiro. Permanentemente, a integridade da tela do viveiro deve ser analisada pelos funcionários, efetuando-se o conserto de furos ou rasgos assim que ocorram.
O viveiro telado deve possuir antecâmara com duas portas dispostas perpendicularmente para dificultar a entrada de insetos. As portas devem permanecer abertas o menor tempo possível, devendo-se abrir a porta que dá acesso ao telado somente quando a externa estiver fechada. Entre as duas portas deve ser instalado um pedilúvio contendo cobre e/ou amônia quaternária para desinfestação dos calçados. A dimensão mínima da antecâmara deverá ser de 4 m2 (BRASIL, 2013).
No interior do viveiro telado, as mudas devem ser dispostas em bancadas com altura mínima de 30 cm. Graf (1999) recomenda bancadas com 40 cm a 50 cm de altura, para facilitar o trabalho dos funcionários e evitar que respingos de água do solo atinjam as mudas. As bancadas podem ser confeccionadas de madeira, ferro ou cimento e as mudas podem ser dispostas em grupos de seis ou oito fileiras (Figura 2). O espaçamento mínimo entre bancadas deve ser de 60 cm para facilitar o manuseio das mudas. Com esta distribuição, podem ser produzidas, em média, 25 mudas por m2 de viveiro.
O piso do viveiro deve ser constituído por uma camada de, pelo menos, 5 cm de espessura de brita ou ser cimentado nas áreas de circulação, o que facilita as operações de limpeza (Figura 3).
Foto: Roberto Pedroso de Oliveira.
Figura 2. Disposição das mudas de citros em grupo de oito na bancada mista de madeira e concreto.
Foto: Roberto Pedroso de Oliveira.
Figura 3. Piso de brita no viveiro telado de citros.

Controle de acesso

A propriedade deve ser fechada com cerca-viva para garantir melhor controle do acesso de pessoas e de veículos. Antes de entrar na propriedade, os veículos, principalmente caminhões, devem ser vistoriados em relação à presença de restos de cultura, os quais devem ser removidos. Em seguida, devem passar por um sistema fixo de arco rodolúvio ou ser pulverizados manualmente com solução bactericida composta por amônia quaternária, na diluição de 1 L do produto comercial para 1.000 L de água. O ideal é que toda a superfície dos veículos entre em contato com a solução desinfetante. Deve-se, sempre, respeitar o prazo de validade da amônia quaternária antes e após a diluição do produto em água. Segundo Feichtenberger (1998), a solução bactericida deve ser substituída a cada 48 horas. Estas medidas visam evitar a entrada de pragas e de doenças no viveiro, principalmente o cancro cítrico.

Treinamento de funcionários

Os funcionários do viveiro devem receber treinamento sobre todas as fases de produção da muda, com ênfase em aspectos relacionados à qualidade e à eficiência dos processos envolvidos. Todos os funcionários devem conhecer os sintomas provocados pelas doenças, desequilíbrios fisiológicos, deficiências e toxidez de nutrientes. Catálogos com ilustrações dessas situações estão disponíveis no mercado para esse tipo de treinamento. Dessa forma, as mudas devem ser constantemente inspecionadas.
Recomenda-se que certas atividades, como semear, enxertar, desbrotar, irrigar, aplicar defensivos e nutrientes, sejam divididas entre os funcionários, de forma a atribuir responsabilidades individuais.
O viveirista deve fornecer uniformes aos funcionários, que devem ser lavados diariamente. Antes de iniciar o trabalho, os funcionários devem trocar de roupa, inclusive de calçados, e lavar as mãos com sabonete. A pele humana pode ser desinfestada com produto químico à base de digluconato de clorohexidina, na diluição de 1 L do produto comercial para 200 L de água (CARVALHO et al., 2000).
As ferramentas de trabalho devem ser exclusivas para cada telado, devendo ser desinfestadas com formalina a 2,5% antes e após o uso.



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