quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

IMPLANTAÇÃO DO POMAR DE MAMÂO

 

PLANEJAMENTO DO POMAR COMERCIAL DE MAMOEIRO

Escolha do local de cultivo

O cultivo do mamoeiro deve ser evitado em locais onde ocorram temperaturas relativamente altas ou inferiores a 15 ºC, o que prejudica severamente seu desenvolvimento vegetativo. Nas condições de temperaturas baixas, o desempenho reprodutivo também será afetado, ocorrendo redução do florescimento, atraso na maturação e produção de frutos de qualidade inferior.

Escolha da área de plantio

Devem-se evitar solos com elevada umidade, com problemas de drenagem e aeração deficientes. Depois da implantação, evitar irrigações excessivas, alta densidade de plantas e doses elevadas de nitrogênio (N), fatores que podem favorecer o tombamento de mudas e podridão de raízes de plantas adultas.

Preparo do terreno

Na operação de preparo do terreno, deve-se fazer, pelo menos, uma aração, seguida de duas gradagens. Havendo necessidade de calagem, faz-se a aplicação do calcário no intervalo entre as duas operações citadas. Para terrenos com relativa inclinação, será necessária a construção de terraços, para evitar a erosão do solo ao longo do cultivo. Na Figura 1, observa-se uma área com sulcos e sistema de irrigação preparados para a introdução das plantas do mamoeiro, em Linhares, ES.

Modo de plantio: em covas ou em sulcos

O plantio do mamoeiro pode ser feito em covas de 40 x 40 x 40 cm, seguindo o espaçamento indicado, ou ao longo dos sulcos.

No segundo caso, utiliza-se sulcador com capacidade de penetrar no solo a uma profundidade mínima de 40 cm. Antes da abertura dos sulcos de plantio, aconselha-se para solos com histórico de compactação, por causa do trânsito intenso de máquinas pesadas, utilizar o arado subsolador, marcando o alinhamento das plantas.

No caso de plantio em covas, separar o solo da camada superficial, ou seja, os primeiros 20 cm ou camada mais fértil para um lado, e o restante para outro.

Depois de aberta, a cova será inicialmente preenchida com essa terra da superfície, misturada com o adubo e o calcário, caso necessário. É importante que essa operação seja realizada, pelo menos, 30 dias antes do plantio das mudas. Os adubos serão misturados com partes de terra equitativamente e, depois, enchem-se as covas com a composição, que pode ser molhada para favorecer a reação dos nutrientes adicionados.

No plantio em sulcos, marcam-se os pontos onde serão adicionados os adubos orgânicos ou químicos, nos quais, posteriormente, serão plantadas as mudas, obedecendo o espaçamento indicado.

Para marcação de áreas com declividade, faz-se a demarcação de covas em curvas de nível, e, em terrenos planos, faz-se a demarcação de linhas no sentido do maior comprimento do terreno (prática conservacionista de solo).

Área preparada para o cultivo do mamoeiro,

Densidade de cultivo

O objetivo principal do uso de espaçamento adequado é obter altas produtividades sem comprometer a qualidade dos frutos. O plantio adensado tende a conferir maior altura às plantas e menor peso unitário aos frutos.

O mamoeiro pode ser cultivado em fileiras simples ou duplas. No segundo caso, tem-se como objetivo principal possibilitar maior número de plantas por área, sem comprometer o tráfego de máquinas no interior do pomar. Por outro lado, ainda possibilita a introdução de plantas leguminosas voltadas para a adubação verde entre as linhas mais estreitas. Prática considerada ecologicamente correta, indicada, sobretudo, em cultivos orgânicos.

No sistema de fileiras simples para as cultivares do grupo Solo, os espaçamentos podem variar desde 1,50 a 3,00 m entre plantas dentro das linhas versus 2,00 a 4,00 m entre as linhas. 

Já no sistema de fileiras duplas, são descritos os seguintes espaçamentos:

4,00 x 2,00 x 2,00 m; 4,00 x 2,00 x 1,80 m;

4,00 x 1,80 x 1,80 m; 3,80 x 2,00 x 2,00 m;

3,80 x 2,00 x 1,80 m; 3,60 x 2,00 x 2,00 m;

3,60 x 1,80 x 1,80 m, adotados tanto para cultivares do grupo Solo, quanto para as do grupo Formosa 

Em ambiente protegido, adotaram espaçamento de 2,0 x 1,9 m para a cultivar Baixinho de Santa Amália (grupo Solo), atingindo produtividade acima de 40 t/ha, superior aos padrões convencionais de cultivo e de espaçamento (Fig. 2).

Para elevar a proporção final de plantas hermafroditas e garantir melhor padronização e qualidade de frutos para comercialização, recomenda-se o plantio de três mudas/ cova, tanto do grupo Formosa quanto do grupo Solo (Fig. 3). Recomenda-se a distância média de 20 cm entre as mudas de uma mesma cova, ficando dispostas em triângulo equilátero, as quais posteriormente deverão ser desbastadas após a determinação do sexo.

No caso de implantação de cultivo em sulcos, pode-se optar, ainda, pelo plantio em renque. Dessa forma, adota-se o espaçamento de 0,7 m entre as plantas, que serão raleadas posteriormente na operação de sexagem, quando se eliminam as plantas fêmeas. Para os mamoeiros do grupo Formosa, dependendo da situação e da distribuição ao longo da linha, deixam-se plantas femininas, já que o mercado interno também admite o comércio dos frutos oriundos destas plantas.

Estande com plantas da cultivar Baixinho de Santa Amália: cultivo orgânico em estufa

Três mudas reunidas em plantio implantado em sulcos,

ÉPOCA DE PLANTIO

Na operação de plantio do mamoeiro, devem-se evitar dias de sol intenso. O mais aconselhável é que o plantio seja realizado no início do período chuvoso em dias nublados ou chuvosos.

Em locais de precipitação em torno de 1.200 mm/ano ou regime superior, bem distribuídos ao longo do ano, o mamoeiro não necessita de irrigação, podendo o plantio ser feito em qualquer época.

Em regiões com períodos relativamente longos de estresse hídrico, faz-se necessária a instalação de irrigação sistematizada.

Não pode faltar água, sobretudo na fase de florescimento, o que ocasionaria significativa queda de flores, reduzindo a produtividade do pomar. O problema é agravado quando as temperaturas apresentam-se acima de 28 ºC e umidade relativa (UR) do ar menor que 60%.

A primeira carga de frutos do mamoeiro é sempre mais intensa e efetiva. Esta fase é menos afetada por curtas alterações climáticas e/ou deficiências no manejo ou tratos culturais, quando se compara com plantas mais maduras. Assim, indica-se fazer o plantio de forma que as primeiras colheitas coincidam com a época do ano de melhor preço de frutos no mercado interno.

OPERAÇÃO DE TRANSPLANTIO

No ato do transplantio, deve-se evitar a quebra do torrão formada pelo substrato e raízes das mudas, sejam estas germinadas em sacos plásticos, células de bandejas ou tubetes. A desestruturação do torrão pode levar ao atraso no crescimento e/ou estabelecimento do mamoeiro.

O plantio não deve ser relativamente profundo. Recomenda-se evitar que a base da muda, ainda com células clorofiladas, fique em contato com o solo úmido da cova. As mudas deverão ficar com a região do colo no nível do solo, estando este acima do nível do terreno. O solo ao redor das mudas deve ser apertado para que fique bem aderido ao torrão, e, logo após, faz-se uma bacia ao redor destas. As mudas devem ser irrigadas nos dias iniciais de cultivo, mesmo em períodos chuvosos, requerendo entre 20 e 40 mm semanais de água, com turno de rega que varia de dois a quatro dias.



Propagação da Jabuticabeira


 

Propagação por sementes 

De acordo com Donadio (2000), a propagação por sementes deve ser evitada, sempre que possível, por vários motivos. A propagação por sementes nem sempre assegura a reprodução das características da planta que forneceu a semente, além do que, o início da produção é tardio em relação às plantas propagadas vegetativamente. 

Entre os critérios para a escolha das sementes, recomenda-se que a planta mãe tenha alta produção, boas características para os frutos, sanidade e vigor. Os frutos devem ser colhidos maduros, escolhidos e cortados para extração das sementes. As sementes devem ser selecionadas, eliminando-se as mais leves, danificadas ou de menor tamanho. Para que a germinação seja mais rápida, deve-se retirar a polpa, lavando as sementes com água corrente. 

Recomenda-se a imersão das sementes em água quente a 20 ºC, e o seu tratamento com fungicida em pó. 

A semeadura pode ser feita em recipientes ou canteiros, para posterior plantio em local definitivo. A semeadura é feita colocando-se de 1 a 5 sementes por recipiente, a 1cm de profundidade. No caso dos canteiros, pode-se semear a lanço ou em linha com espaçamentos de 10 a 20 cm. A germinação ocorre de 10 a 40 dias, após o que, se recomenda cuidado com pragas como: lagarta rosca, grilo, vaquinhas e formigas. 

O desbaste deve ser feito quando as mudas estiverem com 5cm, retirando-se as mais fracas, deixando-se uma por recipiente. No canteiro não há necessidade de se desbastar. 

As plantas semeadas em canteiro devem ser transportadas para recipientes após 6 meses a 1 ano. A muda estará formada de 1 a 2 anos. Usualmente, a planta de jabuticaba propagada por semente leva mais de 10 anos para entrar em produção. A estocagem das sementes pode ser feita até por 6 meses, porém, com substantiva redução do poder germinativo. Recomenda-se a estocagem em frasco plástico, a 12 ºC e 85-90% de umidade relativa (Donadio, 2000). 

Propagação vegetativa 

Segundo Donadio (2000), várias técnicas de propagação vegetativa são citadas por vários autores, porém, poucos são os detalhes específicos sobre a propagação vegetativa da jabuticabeira. Entre os métodos citados, estão a garfagem, mergulhia e estaquia. 

De acordo com Mattos, citado por Donadio (2000) a garfagem tipo incrustação no topo, ou inglês complicado deve ser feita em porta-enxerto com 1 ano de idade, no fim do inverno. São utilizados ramos terminais com 0,5cm de diâmetro, que devem ser preparados e encaixados no cavalo perfeitamente. No caso de enxertia por borbulhia. Este autor recomenda cavalos de dois anos e borbulhas de ramos vigorosos, da grossura de 1 lápis. Os ramos devem ser preparados na planta matriz, um mês antes, cortando-se as pontas dos ramos, um mês antes da enxertia, para induzir brotação das gemas. 

As mudas enxertadas ficam prontas para o transplantio aproximadamente após 2 anos. De acordo com estudos relatados por Duarte, citado por Donadio (2000), a propagação por garfagem em fenda é superior à fenda parcial, e borbulhia, que é a pior. A estaquia não produz resultados satisfatórios, mesmo com o uso de estimuladores de crescimento como auxinas. De acordo com estudos desenvolvidos por Andersen & Andersen, citados por Donadio (2000), a jabuticabeira propagada por enxertia começa a produzir após o 5o. ano. 



sexta-feira, 19 de novembro de 2021

Utilização, Clima e Aspectos nutricionais da Jabuticaba

 

Utilização, Clima e Aspectos nutricionais da Jabuticaba


Uso

A madeira é resistente e pode ser destinada ao preparo de vigas, esteios, dormentes e outras obras internas.

Fruto: pode ser consumido ao natural ou usado no preparo de doces, geléias, licores, vinho, vinagre. Na indústria, o fruto é usado para o preparo de aguardente, geléias, jeropiga (vinho artificial), licor, suco, e xarope, sendo que o extrato do fruto é usado como corante, de vinhos e vinagres.

Na medicina caseira utiliza-se o chá-de-cascas para tratar anginas, e erisipelas; a entrecasca do fruto, em chá, destina-se ao tratamento de asma, usadas também para gargarejos, pois o caldo da jabuticaba é eficaz contra as inflamações agudas e crônicas da boca. 

A jabuticabeira possui ainda as seguintes indicações fitoterápicas: antiasmática, inflamação das amídalas, inflamação dos intestinos, hemoptise, erisipela, e esquinencia crônica (Jabuticaba in Plantas Medicinais, on line...)

Aspectos nutricionais

São boas fontes de vitaminas B2 e B3, proteína e cálcio. Disponíveis a partir da primavera. São usadas contra a asma. Cada 100g do fruto possui 44,9 cal; 11,2g de glicídios; 0,54g de proteínas; 9mg de cálcio; 60mg de fósforo; 1,26mg de ferro; 8,3mg de sódio e 13g de potássio.

Possuem ainda, par cada 100g, 60mg de vitamina B1; 160mg de vitamina B2, 12,80 mg de vitamina C, 2mg de Niacina.


Exigências edafoclimáticas

A jabuticabeira é considerada uma planta de origem subtropical, porém com boa adaptação ao clima tropical (Andersen & Andersen; Phillips & Goldweber, citados por Donadio (2000), suportando bem até –3 ºC, suportando, porém, curto período de falta de água, e requerendo boa umidade do solo (Ahsens apud Donadio, 2000). 

Necessita de temperaturas baixas para florescer (Simão apud Donadio, 2000).

Em relação à altitude, ocorre no Brasil, desde o nível do mar, até 1.400m de altitude (Wiltbank citado por Donadio, 2000). É classificado por Lorenzi (Donadio, 2000) como mesófita ou heliófita e seletiva higrófila.

Em relação ao solo, desenvolveu-se bem em vários tipos de solo, com preferência, os sílico-argilosos, ou argilo-silicosos, profundos, férteis e bem drenados.



Florescimento e polinização da Pitaia (Pitaya)


Florescimento e polinização

Segundo Moritz (2012), as flores iniciam sua abertura no início da noite, completando-a antes da meia-noite. No dia seguinte ocorre seu fechamento, durante as primeiras horas da manhã.

No hemisfério sul, a floração ocorre basicamente entre os meses de novembro e março, com o pico de florescimento entre a segunda quinzena de dezembro e meados de fevereiro. Em uma única planta pode-se encontrar botões florais emergindo e em desenvolvimento, frutos em desenvolvimento e frutos já maduros.

A polinização e fecundação são essenciais para a frutificação da pitaia, pela atração de agentes polinizadores como abelhas, pássaros, mamangavas e morcegos, por meio do perfume do néctar da flor. Por conta disso, um dos principais problemas no crescimento de novas regiões de cultivo de pitaia é a ausência de polinizadores.

A autora aponta que a polinização artificial é uma alternativa em regiões onde polinizadores naturais são escassos, principalmente pela antese das flores ocorrer durante a noite, período no qual é mais difícil de serem encontrados polinizadores em atividade. Agricultores do Rio Grande do Sul relatam que meliponídeos conseguem polinizar as flores pela manhã, mesmo após estarem fechadas. Porém, ainda são necessários estudos aprofundados sobre esse assunto.

Para se evitar a baixa frutificação e a ocorrência de frutos pequenos, é possível o plantio de diversos genótipos e a realização da polinização cruzada manualmente que é realizada removendo-se as anteras de uma flor e tocando com elas o estigma de outra flor, ou então coletando-se o pólen e utilizando um pincel para polinizar múltiplas flores.

Preferencialmente, o momento ideal para a polinização é quando as flores estão totalmente abertas, ou seja, no período noturno. Para facilitar o trabalho, esse procedimento pode ser realizado ao final da tarde, quando no início da abertura das flores, e no começo da manhã, quando os primeiros raios solares fazem com que as flores se fechem. 

Em lavouras comerciais, recomenda-se o uso de 30% das plantas da espécie H. polyrhizus e 70% da espécie H. undatus.



terça-feira, 9 de novembro de 2021

Cultivo do Limão Caviar

 

Exótica fruta de origem australiana, o “limão-caviar”, também conhecido como “limão-dedo” (finger lime), é mais parecida com uma pimenta jalapeño do que com uma fruta cítrica. Ela produz pequenas pérolas parecidas com caviar que explodem de sabor quando você as morde.

Uma cultivar de limão com características peculiares e únicas, originária da Austrália, vêm conquistando diferentes paladares ao redor do mundo. Estamos falando do limão caviar, que atravessou oceanos e agora faz parte de uma variedade de pratos em restaurantes brasileiros.

O limão caviar é assim denominado porque as pequenas bolinhas que o compõem são semelhantes ao caviar. Outra curiosidade dessa fruta é que estes pequenos gomos dão a sensação de “estourar” entre os dentes quando consumidos; provocando uma explosão de sabor para o paladar.


Originária das florestas tropicais e subtropicais da costa da Austrália, a Citrus australasica ou lima australiana se tornou um dos ingredientes mais procurados por restaurantes em todo o mundo. Não é que ela tenha gosto radicalmente diferente do limão normal, mas a textura de sua polpa realmente faz toda a diferença.

Os limoeiros-caviar (Citrus australasica) são originários da Austrália, mais concretamente do leste da Austrália, de zonas subtropicais nas florestas húmidas que cobrem essa parte do país. Cada vez mais têm despertado o interesse para uso na culinária e na composição de diversos pratos.

Apesar disto, o seu cultivo ainda não é feito em larga escala, mas há planos para isso a curto prazo. Dada a grande variedade de cores que possuem, a maior de entre os citrinos, são chamativas para a vista, e o seu especto colorido também atrai a atenção para os pratos em que são usados. Cada vez mais populares, dado o seu fácil cultivo, encontram-se muitas vezes à venda em bons hortos e sites especializados.


Cultivo e colheita

Sendo originário de zonas subtropicais, o limoeiro-caviar dá-se melhor em zonas do nosso País que apresentem essas características ou similares. Além das ilhas, pode dar-se bem em zonas do continente nas quais os invernos não sejam muito pronunciados.

As geadas, tal como ventos fortes são prejudiciais, pelo que a plantação deve ser feita em locais sem geadas, abrigados dos ventos e soalheiros. É uma planta espinhosa de porte arbustivo, pelo que devemos escolher bem o local onde vamos cultivá-la.

A época ideal para fazer a plantação é na primavera, para a planta aproveitar o tempo mais quente para se estabelecer no solo. O solo deve ser sempre bem drenado, sendo de evitar os demasiado argilosos. Os limoeiros-caviar também podem ser cultivados em vasos grandes, mas neste caso, temos de ter em consideração que poderão necessitar de regas mais vezes. O cultivo em vasos pode facilitar a movimentação das plantas para um abrigo interior nas épocas de maior frio.

Estas plantas florescem habitualmente na primavera, embora possam surgir algumas flores noutras estações do ano, e a colheita efetua-se no outono e no inverno na Europa, época em que na Austrália é primavera e verão.

Manutenção

A manutenção do limoeiro-caviar é semelhante à dos outros citrinos. As podas devem ser ligeiras, para eliminar ramos secos ou doentes e para controlar um pouco o crescimento da árvore. As mondas servem para evitar a competição por nutrientes, algo a que os limoeiros-caviar são bastante sensíveis se as plantas competidoras tiverem raízes muito compactas, como o capim.

Tal como o limoeiro, apreciam regas regulares no verão; a seca afeta o desenvolvimento dos frutos e a saúde da planta.

Pragas e doenças

Os limoeiros-caviar são sensíveis a pragas e doenças que afetam outras plantas do género Citrus e aparentados. Como tal, são sensíveis a cochonilhas, lagartas e algumas vespas. Contudo, não são afetados pelas moscas-da-fruta e pelo greening, pelo que têm sido estudados como possível porta-enxerto para outras espécies de citrinos. A psila-africana-dos-citrinos poderá afetar esta espécie, pelo que devemos ter isso em conta.

Propriedades e usos

Os limões-caviar podem ser consumidos ao natural, mas também são usados para ornamentar pratos culinários ou dar-lhes o seu característico sabor cítrico. Os limões-caviar são ricos sobretudo em vitamina C, mas também possuem um certo teor de vitamina A e de potássio.

O seu interior não se apresenta em gomos, mas é constituído por pequenas bolinhas que fazem lembrar o caviar de origem animal, daí o nome que lhe foi dado. A sua popularidade tem vindo a crescer e cada vez mais pessoas querem experimentar ou cultivar este fruto australiano.

Os limões-caviar também são usados para elaborar uma espécie de marmelada cítrica e para fazer picles, e certamente novos usos estão a ser estudados.

PREÇO R$ 1000,00 O KILO


quarta-feira, 27 de outubro de 2021

CULTIVO DA PITANGUEIRA - Eugenia uniflora Linnaeus

 

PITANGUEIRA - Eugenia uniflora Linnaeus

Família: Myrtaceae

Sinonímia: Eugenia micheli Lam.; Stenocalyx micheli (Lam.) Berg; Stenocalyx nhampiri Barb. Rodr.; Stenocalyx oblongifolius Berg., Stenocalyx costatus (Camb.) Berg; Stenocalyx brunneus Berg; Stenocalyx affinis Berg; Stenocalyx strigosus Berg; Stenocalyx impunctatus Berg; Stenocalyx lucidus Berg; Stenocalyx dasyblastus Berg; Stenocalyx glaber Berg; Eugenia costata Camb.; Myrtus brasiliana L.; Plinia rubra L.; Plinia pedunculata L.; Eugenia indica Micheli.

Ocorre no Brasil, desde o Estado de Minas Gerais até o Rio Grande do Sul, onde aparece em todas as regiões fisiográficas, estendendo-se até a metade norte do Uruguai e ao Chaco, na Argentina, e na Mesopotâmia.

Figura 1. Vista geral do pomar de pitangueira na Embrapa Clima Temperado, Pelotas/RS.

A pitangueira é uma fruteira nativa do Brasil e encontra-se disseminada, praticamente, por todo o território nacional. A exploração da planta, em diversas regiões brasileiras, ainda caracteriza-se como extrativista, com os frutos sendo comercializados em feiras livres para consumo ao natural e/ou utilizada na indústria. Seu cultivo comercial restringe-se aos Estados de Pernambuco e da Bahia, detentores das maiores áreas cultivadas.

Em função da adaptação às diferentes condições de solo e clima, a pitangueira é encontrada em diversas partes do mundo. Há registros de cultivos em outros países da América do Sul e Central, do Caribe, nos Estados Unidos (Flórida, Califórnia, Havaí), China, Índia, Sri Lanka, México, Madagascar, África do Sul, Israel e vários países do Mediterrâneo.

O valor comercial da pitanga resulta do seu elevado rendimento de polpa, valor nutritivo, sabor e aroma exóticos, atraindo, principalmente, os consumidores exigentes por produtos naturais e saudáveis.

Deve-se ressaltar que os trabalhos de pesquisa pioneiros da Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária-IPA com a cultura da pitangueira nas áreas de melhoramento genético, propagação e manejo fitotécnico foram responsáveis por diversas tecnologias geradas, bem como por grande parte das informações existentes atualmente no Brasil sobre a cultura e que agora são disponibilizadas nesta obra.

Esta publicação destina-se aos profissionais da área de Fruticultura Tropical, estudantes, fruticultores e demais interessados que buscam informações técnicas sobre o cultivo da pitangueira.

É uma arvoreta, ou árvore, com altura variando de 3 a 12 m.

Apresenta sistema radicular profundo, formado por uma raiz pivotante.

O tronco é tortuoso (Figura 1), com manchas claras acinzentadas, com diâmetro de até 40 cm. Quando em cultivo isolado, a copa apresenta forma arredondada, com diâmetro de projeção variando de 3 a 5 m. As folhas são simples, opostas, ovadas ou ovado-oblongas, de bordos lisos, ápice atenuado-acuminado a obtuso, base obtusa a subcordada, às vezes atenuada ou aguda, de dimensões variando de 2,5 a 7 cm de comprimento por 1,2 a 3 cm de largura, de coloração verde-escura, lustrosas e com consistência membranácea. O pecíolo mede entre 1 e 2 mm, podendo chegar a 5 mm. As flores são bissexuais, reunidas em fascículos de disposição axilar formados por 2 a 6 unidades, em pedúnculos que variam de 1 a 3 cm de comprimento. As sépalas são oblongas, com 3 a 4 mm de comprimento. As pétalas, em número de 4, são livres, pubérulas e brancas (Figura 2a). O estilete é filiforme e o estigma é capitado. Os estames são numerosos, e o ovário é ínfero, bilocular, com número superior a 30 óvulos.

Figura 2. (A) Flores de pitangueira, (B) detalhe dos frutos, escuros e, (C) vermelhos Embrapa Clima Temperado, Pelotas/RS.

Os frutos são bagas globosas, coroadas pelo cálice persistente, com os pólos achatados e dotados de 7 a 8 sulcos no sentido longitudinal (Figura 2b). Quando inicia o processo de maturação, o epicarpo passa de verde para vermelho e deste até quase preto.

Entretanto, algumas plantas apresentam frutos de cor laranja ou vermelha, mesmo quando já atingiram a maturação.

Os frutos apresentam 1 a 2 sementes, esporadicamente 3 a 4 e excepcionalmente acima de 4 sementes. As sementes são branco-acinzentadas, medindo, no sentido longitudinal cerca de 7 a 10 mm, e na região mediana de 9 a 14 mm. O tegumento é bastante aderente à semente e apresenta coloração verde-clara.

A pitangueira pode ser considerada auto-fértil pois o pólen germina e cresce no pistilo da própria flor, chegando até os óvulos. Entretanto, ela precisa de agente polinizador, pois as anteras estão, em geral, em plano inferior ao estigma.



terça-feira, 26 de outubro de 2021

Cultura da Jabuticaba

 

Histórico, origem e importância 

. “Tempos atrás, provavelmente, as jabuticabeiras vegetavam nas áreas que margeavam os rios e córregos da região Sudeste, dando formação a extensas capoeiras e matas repletas pela árvore, tendo se expandido tanto naturalmente como através do cultivo. Desde sempre, quando o homem aprendeu a cultivá-la e a saborear seus frutos, a jabuticabeira é árvore obrigatória em qualquer pomar ou quintal. Nas fazendas do sul de Minas Gerais e de São Paulo foi bastante freqüente - e seria bom que continuasse a sê-lo - o costume de se manterem extensos pomares formados, exclusivamente, por diferentes variedades de jabuticabeiras: verdadeiros jabuticabais que, sem qualquer pretensão comercial, proviam de seus deliciosos frutos as afortunadas famílias e a comunidade de seus agregados” (Jabuticaba in Bibvirt, on line...). 

Planta frutífera de origem sul-americana (brasileira), conhecida há mais de 400 anos, também existente no Paraguai, Uruguai e Argentina. A jabuticabeira, mirtácea, espontânea em grande parte do Brasil, mais comum em Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná, encontradiça noutras, como Bahia, Pernambuco, Paraíba, Pará, Ceará, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás e Mato Grosso (Jabuticaba in Catálogo Rural, on lin...). 

O nome jabuticaba tem origem indígena, e foi assim denominado pelos tupis , que saboreavam seu fruto, tanto na forma natural como fermentada e a chamavam jaboticaba: jaboti (cágado), caba (lugar onde) (Jabuticaba... in Coopercampus, on line...), ou iapoti'kaba, cujo significado é "frutas em botão" (Sales, 2002) “Foi o primeiro [fruto indígena] a ser introduzido em pomares” (Dicionário... in Sociedade Brasileira..., on line...). 

Pode também ser conhecida como jaboticaba-assu, jaboticaba-de-campinas, jaboticabeira, jabuticatuba (Jabuticaba in Plantas Medicinais, on .line...), jabuticaba-paulista, jabuticaba-açu, jabuticaba-do-mato, jabuticaba-panhema. (Bela Ishia, on line...), entre outros. 

De acordo com Mattos apud Donadio (2000) as jabuticabeiras, ou jaboticabeiras (nome mais comum) pertencem à família Myrtaceae, uma das mais importantes famílias frutíferas de ocorrência no Brasil. Dela também fazem parte, frutíferas como: guabiroba, Cambuí, cambucí, araçá, goiaba, grumixama, cambucá, pitanga e pêssego-do-mato. 

Dentre as várias espécies de jabuticabeira que são citadas, Myrciaria jaboticaba, comhecida como Sabará, é a principal de cinco espécies cuja distribuição geográfica é descrita por Mattos, citado por Donadio (2000), e ocorre principalmente entre o Rio de Janeiro e São Paulo. Donadio (2000) menciona, ainda, várias espécies como Myrciaria trunciflora Ber citando Lorenzi (1992), a qual ocorre de Minas Gerais ao Rio Grande do Sul, nas matas pluviais atlânticas e nas submatas; M. ibarrae Lundell, da Guatemala, M baporeti Legrand, da Argentina e Uruguai, M. floribunda Berg, das Antilhas e Sul do México ao Brasil e M. vismeifolia Berg, das Guianas, citando Fouqué (1974). Segundo Donadio (2000), não foram mencionadas espécies nativas de Myrciaria na África e Ásia em citação feita por Martin et al (1987). Donadio (2000) ressalta, ainda, que existem outras espécies de Myrciaria que não são do grupo das jabuticabas, dentre elas, M. dubia Macvaug L., o camu-camu. Também menciona outras espécies que são ornamentais. Ressalta ainda, que a jabuticaba brava do Pantanal não é uma Myciaria, mas pertence a espécie Myrcia tomentosa. 

2 – Aspectos botânicos 

2.1 – Principais espécies 

De acordo com Mattos, citado por Donadio (2000) algumas espécies podem ser descritas com algumas características, das quais mencionamos algumas: 

a) Myrciaria coronata Mattos: árvore de pequeno porte, medindo aproximadamente 3m de altura, possui ramos terminais achatados, folhas com pecíolos curtos, frutos globosos com aproximadamente 2,7cm de diâmetro. Comumente conhecida como jabuticaba coroada, ou jaboticaba de coroa, ocorre principalmente em São Paulo. 

b) Myrciaria oblongata Mattos: árvore de aproximadamente 5m de altura; ramos terminais sub achatados,;folhas de pecíolo curto, avermelhadas, muito glandulosas; frutos ovado-elípticos a elípticos auto purpúreos de 2 a 3,2 cm de 

comprimento por 2 a 2,7 cm de diâmetro; 1 a 4 sementes. Conhecida como jaboticaba azeda, ocorre principalmente em São Paulo. 

c) Myrciaria spirito-santensis Mattos: porte de aproximadamente 4m de altura, ramos castanhos, com raminhos terminais e novos pilosos; folhas opostas ou subopostas de pecíolos curtos. Ocorre principalmente no Espírito Santo. 

d) Myrciaria grandifolia Mattos: árvore de aproximadamente 5m de altura, ramos cilíndricos, com extremidade sub achatada, acinzentados e ramos terminais seríceos. Folhas com pecíolos de 5 a 6mm de comprimento; frutos com 2,2 cm de diâmetro, globosos, lisos, atropurpúreos. Conhecida como jabuticaba graúda, ou jaboticatuba, ocorre principalmente em Minas Gerais. 

e) Myrciaria peruviana (Poir) var. trunciflora (Berg) Mattos: árvores com cerca de 8m de altura; ramos cilíndricos, e raminhos novos achatados; folhas escuras com pecíolos de aproximadamente 3mm de comprimento; bagas globosas, com cerca de 2cm de diâmetro, negras; 1 a 4 sementes. Conhecida como jabuticaba de cabinho, ocorre nos Estados de MG e ES, no Brasil, e também no Paraguai e Argentina. 

f) Myrciaria aureana Mattos– árvore de aproximadamente 3 m de altura; casca amarelada; ramos cilíndricos, com desprendimento de casca sendo os ramos terminais e novos cinza-amarelados possuindo pilosidade seriácea; folhas opostas, com pecíolos de 3mm de comprimento, cactáceas, possuem glândulas escuras, numerosas e pouco visíveis; frutos subgloboso-oblíquos, de 15 a 18mm de comprimento por 19 a 21mm de diâmetro, verde-claros; 1 a 4 sementes lisas, amarelo-claras. Conhecida como branca, ocorre em São Paulo. 

g) Myrciaria phitrantha (Kiaersk) Mattos – porte de aproximadamente 7m de altura; ramos cilíndricos; folhas com pecíolos de 5 a 10mm de comprimento, possuem pontuações semi-translúcidas; bagas com cerca de 2,4 cm de diâmetro, subglobosas. Conhecida como costada. Ocorre em São Paulo. 

h) Myrciaria jaboticaba (Vell) Berg– árvore de 6 a 9m de altura; ramos finos e cilíndricos, sendo os ramos terminais e novos, achatados; folhas com pecíolo de 1,5 a 2mm de comprimento, ciliadas quando novas; frutos de 1,6 a 2,2 cm de diâmetro, subglobosos ou globosos, negros e lisos; 1 a 4 sementes. Conhecida como sabará, ocorre no Brasil, Paraguai e Argentina. 

i) Myrciaria cauliflora (DC) Berg – possui ramos terminais glabros e achatados; folhas com pecíolos de 3mm de comprimento, membranáceas; frutos globosos, de cor negra, 2,2 a 2,8 cm de comprimento por 2,2 a 2,9 cm de diâmetro; 1 a 4 sementes. Conhecida como paulista, assu (ou açu), e ponhema. Ocorre no Brasil, de forma geral. 

2.2 – Aspectos morfológicos 

a) Folhas: de acordo com Moura, citado por Donadio (2000), a jabuticabeira apresenta folhas com epiderme glabra, a folha é hipostomática, com estômatos paracíticos, com glândulas; colênquima com parênquima paliçádico e lacunoso; idioblastos incolores, desenvolvidos; tecido formado por esclerênquima e pouco colênquima; possuem transpiração cuticular baixa, sem restrição o dia todo, sendo do tipo heterobárica; possui células de contorno irregular com paredes espessas e pontuações simples na epiderme abaxial, e células maiores, com paredes pouco espessas e pontuações simples e estômatos numerosos na epiderme adaxial; os idioblastos são freqüentes, e estão em contato com a epiderme adaxial; as glândulas são esparsas e estão no nível do parênquima paliçádico, em contato com a epiderme adaxial, e são compostas de duas células; o sistema fibrovascular é bem desenvolvido, formado da nervura central, floema, xilema e nervuras laterais; o bordo da folha possui células epidérmicas com paredes espessas, e com células  do parênquima lacunoso irregulares e de tamanhos variáveis, o que permite diferencia-la de outras Mirtáceas. 

b) Inflorescência: conforme Handro (1953) e Mattos (1983) em citação de Donadio (2000), a inflorescência de M. cauliflora, é assim descrita: “pedúnculos com cerca de 1mm e comprimento, aglomerados sobre o tronco e ramos mais ou menos velhos protegidos por 4 séries de brácteas ciliadas. Botão floral glabro. Cálice com lobos ovado-oblongos, agudos ou obtusos, ciliolados, mais ou menos separados entre si, com 1,5 mm de comprimento. Pétalas largamente oblongas de 2,5 –3mm de comprimento. Ovário glabro; estilete com cerca de 6mm de comprimento; estigma peltado”. 

c) Fruto: “Pequenas, redondas, nas cores roxa ou preta... com polpa suculenta, mole e esbranquiçada, a pequena frutinha...” (Sales, 2002) “...negros, quando maduros e se fixam em toda a superfície da planta, em suas raízes aéreas, no tronco e em todos os galhos e [...] de ótimo sabor...”. (Bela Ishia, on line...) 

De acordo com Duarte citado por Donadio (2000), o fruto de M. cauliflora apresenta crescimento lento até os 12 dias. Após esse período a o crescimento é mais rápido, fazendo com que a fruta passe de 2g para 4g em 20 em 8 dias, continuando crescendo até os 28 dias, quando há um período de estabilidade até os 30 dias do florescimento. O fruto final (avaliado) pesa em torno de 5g. M. jaboticaba, estudada por Magalhães citado por Donadio (2000), também apresenta crescimento lento durante cerca de 20 dias para comprimento e volume e 35 dias para volume, sendo que o volume máximo é alcançado entre o 40o. e 44o. dia, estabilizando-se após 50 dias. De acordo com Duarte et al citados por Donadio (2000), o comportamento reprodutivo da jabuticabeira mostra que ramos mais grossos possuem maior ocorrência de flores e frutos. A quantidade de frutos varia de 30 a 400 por metro de ramo. 

De acordo com estudos realizados por Gurgel & Soubihe Sº- citados por Donadio (2000), as jabuticaba geralmente são poliembrionias, a exceção da jabuticaba branca, e produzem mais de um embrião em cada semente. Conforme estudos de Soubihe Sº e Gurgel citados por Donadio (2000), as jabuticabeiras apresentam em média, de 1,2 a 2,6 sementes por fruto, sendo que a Sabará apresenta o menor número, e a paulista, o maior. O número de sementes pode variar de 1 a 5 por fruto. 

2.3 – Aspectos fenológicos 

A vegetação ocorre de forma intensa no fim do inverno, e início da primavera, antecedendo a época principal de floração, que ocorre nos troncos e ramos, após a ruptura da casca. Em relação ao processo de reprodução, cada flor produz grande quantidade de pólem que fica disponível para polinização e fecundação, ao passo que o estigma está disponível desde o momento de abertura da flor. Isso permite auto-polinização e polinização cruzada. O índice de pegamento varia de 7 a 30%, podendo subir para 60-70% em cultivo protegido, conforme Duarte, citado por Donadio (2000). Ainda segundo Duarte, sementes de frutos imaturos, com 15 a 17 dias já podem germinar. 

Em condições ideais de clima e cultivo, até 5 floradas podem ocorrer no ano. Em relação à época de frutificação, de acordo com Matos, citado por Donadio (2000), pode variar conforme as diferentes espécies e locais. Por exemplo, M. cauliflora, de setembro a janeiro, em Campinas e São Paulo; M. grandiflora e M. peruviana var trunciflora, de março a setembro, em Curitiba, no Paraná. 




sexta-feira, 8 de outubro de 2021

SOLOS PARA O MAMOEIRO


 

SOLO

O solo mais adequado para o desenvolvimento do mamoeiro é o de textura areno-argilosa, com pH de 5,5 a 6,7.

Os solos com boa estrutura, permeável, profundo e rico em matéria orgânica são ideais para o cultivo do mamoeiro.

É fundamental que o solo tenha boa drenagem, visto que essa planta é muito sensível a excessos de umidade na zona radicular. A saturação prolongada do solo com água provoca asfixia das raízes e proporciona o aparecimento da podridão do pé, moléstia causada pelos fungos Phytophthora sp. que lesionam o colo das plantas. A retenção de água no solo por período prolongado, estimulada por camadas adensadas ou compactadas, estimula o amarelecimento e queda prematura das folhas, redução da produção e até mesmo morte do mamoeiro

 Em condições de encharcamento, podem apresentar ainda troncos finos e altos e maior incidência de doenças.

As camadas de solo adensadas ou compactadas, além de estimular o excesso de umidade, são barreiras físicas ao desenvolvimento superficial e subsuperficial das raízes do mamoeiro, diminuindo o volume de solo explorado pelas plantas. Assim, restringe o acesso das raízes aos nutrientes e à água, o que agrava o efeito de deficiências hídricas nos períodos de estiagem.

Para minimizar tal efeito, em solos com camadas mais adensadas abaixo da superfície, como naqueles dos Tabuleiros Costeiros, onde estão as principais regiões produtoras do Brasil (sul da Bahia e norte do Espírito Santo), recomenda-se a subsolagem a 0,5 m ou a uma maior profundidade, na linha de plantio ou, de preferência, em toda a área.

Caso seja elevada a precipitação pluvial local e lentas a drenagem e a velocidade de infiltração da água no solo, recomenda-se o plantio em áreas com pequeno declive (de 3% a 5%), em curva de nível, para evitar o acúmulo de água junto às raízes.

Para atenuar os efeitos do adensamento em condições de solos com horizonte subsuperficial adensado, as mudas devem ser plantadas em camalhões, visando elevar o colo da planta, o que favorecerá a drenagem e a aeração, tornando o ambiente mais propício ao crescimento das raízes.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Antes de iniciar a implantação da cultura do mamoeiro, algumas observações devem ser feitas para a tomada de decisão.

As condições climáticas locais deverão ser propícias ao desenvolvimento e produção do mamoeiro. Outro ponto importante é verificar a média pluviométrica da região, e se há disponibilidade de água para efetuar irrigações complementares. Os solos com camadas adensadas/coesas/compactadas, na superfície ou subsuperfície, deverão ser corrigidos antes da implantação da cultura.

Da mesma forma, impedimentos químicos deverão ser solucionados por meio de fertilizações.

E, por último, deve-se adotar um sistema de produção que possibilite altas produtividades e frutos de excelente qualidade.



quarta-feira, 29 de setembro de 2021

Clima para o Mamoeiro

 

Resumo - O cultivo do mamoeiro é uma das principais atividades na cadeia nacional de produção de frutas, sendo importante base econômica em várias regiões produtoras.

Para obter alta produtividade e gerar emprego e renda, é fundamental atentar às exigências edafoclimáticas dessa cultura. A planta é oriunda de regiões tropicais, e, com isso, a insolação, a temperatura e a umidade, nas medidas certas, estimuladas por latitude, altitude e precipitação pluviométrica, favorecem o crescimento, a floração e a produção de frutos. Porém, condições extremas – insuficiência ou excessiva ação desses fatores climáticos – são deletérios ao cultivo, na medida em que minimizam a capacidade produtiva da planta. Esta, pela sua morfologia, em especial a ausência de um caule lenhoso e a presença de folhas largas, está sujeita à ação de ventos fortes, sendo necessária a disposição de quebra-ventos. O solo deve ter boa porosidade, capacidade de retenção de água e de nutrientes. Pela sensibilidade das raízes ao excesso de umidade, devem-se evitar solos com camadas adensadas ou compactadas e, se necessário, dispor o plantio em camalhões.

Palavras-chave: Mamão. Carica papaya. Clima tropical. Produção de frutos. Fatores climáticos.

O mamoeiro é uma planta tipicamente tropical e pode adaptar-se ao clima subtropical e produzir em climas temperados.

Portanto, em todo o território brasileiro existem regiões em condições favoráveis ao seu cultivo, para que obtenha um bom desenvolvimento das plantas e produza frutos de qualidade. Dentre essas condições, citam-se: implantação da cultura em áreas ensolaradas e com altas temperaturas, baixas altitudes, precipitações pluviais bem distribuídas e pouco sujeitas a ventos fortes. O solo também merece atenção especial. Deve-se dar prioridade aos solos férteis e bem drenados.

TEMPERATURA

A cultura do mamoeiro está difundida em regiões que apresentam clima tropical e pluviosidade elevada, sendo também cultivada comercialmente em algumas regiões de clima subtropical até latitudes de 32º norte ou sul.

Por ser uma planta tipicamente tropical, o mamoeiro apresenta crescimento regular e produz frutos de boa qualidade em regiões de alta insolação.

A temperatura média ideal para essa cultura situa-se entre 22 ºC e 28 ºC, com a média anual ótima para o desenvolvimento da cultura em torno dos 25 ºC. O desenvolvimento da cultura, sobretudo a formação de flores e de frutos, é influenciado por esse fator climático.Quando há temperaturas médias acima de 30 ºC, o mamoeiro apresenta distúrbios fisiológicos, com redução na fotossíntese, alterações na polinização e na fecundação das flores, com consequente redução na produção de frutos. Em locais com temperatura média entre 18 ºC e 21 ºC, há sensível prejuízo na produção, maturação lenta dos frutos e redução no conteúdo de açúcares, tornando-os menos saborosos, com polpa insípida e de coloração pálida ao estudarem o efeito da temperatura do ar e de diferentes lâminas de irrigação (8%, 48%, 80%, 112% e 152% da evapotranspiração de referência (ETo)) no índice de floração e no pegamento de frutos do mamoeiro, em Cruz das Almas, BA, concluíram que a irrigação reduz os efeitos negativos das altas temperaturas na floração do mamoeiro.

Esses autores verificaram que a lâmina equivalente à reposição de 152% da ETo foi suficiente para garantir a floração em condições de temperatura acima de 28 ºC e umidade relativa (UR) de 60%, situação esta crítica para a floração do mamoeiro.

A temperatura média inferior a 15 ºC é inadequada para o cultivo do mamoeiro.

Em locais de maior altitude e/ou mais frios, há maior incidência de formação de frutos defeituosos, conhecidos como carpeloides ou “cara-de-gato” Além disso, o mamoeiro perde a maioria de suas folhas, restando apenas as terminais, seus frutos ficam expostos à queimadura do sol e tornam-se inaproveitáveis para a comercialização.

ALTITUDE

O cultivo do mamoeiro é favorecido em altitudes de até 200 m, embora a planta produza bem em locais mais elevados e com temperaturas mais baixas. Nessas condições, o vigor da planta e a qualidade dos frutos são inferiores aos dos mamoeiros produzidos nas regiões mais quentes. A temperatura, estimulada pelo efeito da altitude, exerce influência no desenvolvimento da cultura, sobretudo na formação de flores e de frutos. 

A formação de flores imperfeitas está relacionada com fatores genéticos, afetados por fatores ambientais. As plantas hermafroditas são sensíveis às pequenas variações ambientais. Aqueles locais com maior altitude e menor temperatura mínima favorecem a produção de frutos carpeloides.

Da mesma forma, condições de alta umidade, altos teores de nitrogênio (N) e de água no solo propiciam mudança no sexo das flores, de hermafroditas para femininas, produzindo frutos de baixo valor comercial.

PLUVIOSIDADE

Por ser um fruto muito rico em água, o mamoeiro exige, tanto no período de crescimento, quanto no período de produção, um bom suprimento hídrico no solo, sendo necessárias precipitações não inferiores a 1.200 mm anuais. As precipitações variáveis de 1.800 a 2.000 mm anuais e bem distribuídas são consideradas ideais para o bom desenvolvimento da cultura, devendo, se necessário, considerar a suplementação de água mediante irrigação.

A exigência de umidade para o mamoeiro varia de acordo com a idade das plantas. Por apresentarem rápido crescimento vegetativo, as plantas mais novas necessitam de mais umidade. Já aquelas mais velhas requerem menos umidade, por apresentarem crescimento vegetativo mais lento e por possuírem sistema radicular mais extenso, o que favorece a absorção da umidade disponível a uma maior profundidade do solo.

O mamoeiro consome em média 18 litros de água por dia, em evapotranspiração de, aproximadamente, 3,5 mm/dia em regiões sem precipitação bem distribuída e/ou com longos períodos de estiagem, o mamoeiro deve ser irrigado, visando maior produção e escalonamento da colheita. Há necessidade de suplementação hídrica, por meio de irrigações complementares às chuvas, em locais com precipitações mensais inferiores a 100-150 mm.

A cultura do mamão é sensível tanto ao excesso quanto à falta de água. O excesso afeta o desenvolvimento do mamoeiro, causando o apodrecimento das raízes, e, com isso, a morte destas em 48 horas. Por outro lado, a deficiência hídrica reduz o crescimento das plantas e, se ocorrer no período de floração, favorece a produção de flores masculinas e estéreis, além de induzir à formação de novas folhas nas axilas de onde deveriam sair os frutos, paralisando, assim, a frutificação, com consequente diminuição da produção.

UMIDADE RELATIVA

A UR do ar, entre 60% e 85%, é a mais favorável ao desenvolvimento dessa planta acima do limite anteriormente indicado, associada ao excesso de chuva, prejudica a fertilização e fixação dos frutos, além de diminuir a sua qualidade.

As doenças do mamoeiro constituem outro fator a ser considerado, quando as plantas são cultivadas com excesso de umidade. Destaca-se a antracnose, doença favorecida por temperaturas próximas a 28 ºC e UR superior a 95%, enquanto a varíola ou a pinta-preta desenvolve-se com maior frequência de chuvas.

VENTO

O mamoeiro é muito sensível a ventos frios. A morfologia da planta, considerando características como folhas largas, caule herbáceo e alto, carregado de frutos pesados, torna-a vulnerável à ação de ventos fortes. Tais ventos promovem fendilhamento e queda das folhas, reduzindo a área foliar da planta e, consequentemente, a capacidade fotossintética, além de expor os frutos aos raios solares, sujeitando-os a queimaduras. Os ventos, se mais fortes, elevam a queda de flores e frutos, principalmente nas plantas em fase de produção. Para minimizar tal efeito é necessário o plantio de quebra-ventos.



segunda-feira, 27 de setembro de 2021

VARIEDADES DE MAMÃO


 

VARIEDADES

Como a maioria das sementes das variedades utilizadas nas regiões produtoras de mamão é proveniente de frutos de polinização livre, sem controle efetivo da polinização, as cultivares sofrem variações em suas descendências, causando descaracterização desses genótipos e comprometendo a qualidade das lavouras.

Conforme o tamanho e a origem dos frutos, os mamoeiros ginoico-andromonoicos (hermafroditas) podem ser classificados em dois grupos distintos: o grupo Solo e o grupo Formosa. As variedades do grupo Solo são representadas por linhagens, enquanto os genótipos comerciais do grupo Formosa correspondem a híbridos F1.

Apesar das vantagens inerentes ao cultivo do mamoeiro, foi somente a partir de 1973 que a cultura  retomou sua importância econômica para o Brasil, em virtude da introdução de híbridos F1 do grupo Formosa e, principalmente, de linhagens do grupo Solo, notadamente nos estados do Pará, Espírito Santo e Bahia. Esse material teve rápida aceitação pelos consumidores e, por apresentar características que se adaptam às exigências do mercado internacional, abriu novo e importante mercado externo para o Brasil (DANTAS et al., 2011).

Genótipos do grupo Solo

As variedades do grupo Solo ‘Improved Sunrise Solo Line 72/12’, ‘Baixinho de Santa Amália’, ‘Taiwan’, ‘Kapoho Solo’, ‘Waimanalo’ e ‘Higgins’ já foram amplamente plantadas no Brasil. Atualmente, a maior concentração de plantios tem sido com as variedades Sunrise Solo e Golden:

a) ‘Sunrise Solo’: inicia a floração aos três ou quatro meses de idade, com altura de inserção das primeiras flores que variam de 70 a 80 cm. Planta precoce, inicia a produção oito a dez meses após o plantio, com produtividade média de 45 t/ha/ano. Frutos de casca lisa e firme, com polpa vermelho-alaranjada, de boa qualidade, de tamanho pequeno, com peso médio de 500 g, piriforme a ovalado e cavidade interna estrelada;

b) ‘Golden’: possui frutos hermafroditos, piriformes, de polpa rosa salmão, cavidade interna estrelada (Fig. 2), casca lisa, tamanho uniforme, com peso médio de 450 g e excelente aspecto visual. No estádio verde, apresenta cor da casca verde mais claro (Fig. 3) que a variedade Sunrise Solo. Tem boa aceitação no mercado internacional, porém com teor de sólidos solúveis dos frutos e produtividade inferiores aos do ‘Sunrise Solo’.

Como as lavouras de mamoeiro são de polinização livre e a produção de sementes para os plantios é feita por meio de seleção de plantas, com características superiores dentro das áreas de produção comercial, os produtores rurais e as empresas de produção de sementes, que fazem esse trabalho de seleção, na região Norte do Espírito Santo, vão denominando essas seleções, conforme a localização da propriedade, o nome do produtor rural, entre outros.

Por isso, estão disponíveis no mercado de sementes das seleções: ‘Sunrise Solo BS’, ‘Golden THB’ e ‘Aliança Solo’, as quais apresentam bom desenvolvimento vegetativo e qualidade de frutos que atendem às exigências do mercado consumidor.

Figura 2 - Aspecto da polpa e formato da cavidade interna de frutos de mamoeiro ‘Golden’

Figura 3 - Frutos de mamoeiro ‘Golden’ em condições de comercialização

Genótipos do grupo

Formosa

Os genótipos do grupo Formosa apresentam frutos de peso médio de 800 a 1.100 g. Dentre os híbridos comerciais esse grupo, o mais cultivado no Brasil é  ‘Tainung 1’, importado de Kaohsiung Taiwan), por US$ 3,500 a 4,000/kg da semente. O custo alto da semente incentiva s produtores brasileiros a utilizarem as próprias sementes dos híbridos nas gerações 2, F3, F4 etc., o que leva à perda das Características do híbrido original, produzindo frutos com qualidade inferior e fora o padrão comercial (COSTA; PACOVA, 2003), como a seguir: a) ‘Tainung 1’: plantas relativamente ais altas. Os frutos são alongados, as plantas hermafroditas Fig. 4) e oblongo-obovados (redondo-Angados), nas femininas. or da polpa vermelho laranjada.

O peso dos frutos varia de 900 a .100 g, tem ótimo sabor, possui oa durabilidade e resistência ao transporte. Plantas vigorosas, com altura média aos oito meses após o plantio de 1,65 m. Textura firme e 0,8 ºBrix. Com uma produtividade édia em torno de 180 t/ha/ano, em grande aceitação no mercado interno;

b) ‘Calimosa’ (Uenf/Caliman 01): primeiro híbrido nacional de mamão, om plantas que atingem altura Media de 2 m. Frutos com peso édio de 1.250 g; polpa vermelho alaranjada.

Fruto de formato

ovoide, casca fina, com polpa de roma intermediário, com elevada uniformidade e padrão de frutos. Plantas vigorosas, com altura média os oito meses após o plantio de ,76 m. Textura firme e 12 ºBrix. Boa produtividade, em torno de 30 t/ha/ano;

c) ‘Rubi Incaper 511’: frutos com boas características comerciais (Fig. 5), omo peso, tamanho, consistência da polpa, com cor e sabor, similares o ‘Tainung 1’. Peso médio de .500 g, polpa vermelho-alaranjada, Gossa, com espessura média de  cm, o que proporciona bom aproveitamento os frutos. Textura firme e 10,2 °Brix. Plantas vigorosas, com altura média aos oito meses após  plantio de 1,64 m (Fig. 6). Boa produtividade, se bem conduzida, a Variedade pode render 170 t/ha/ano.

A grande vantagem é a possibilidade e reutilização das sementes da própria lavoura em até três novos plantios, o que reduz a dependência de utilização de sementes importadas.

Figura 4 - Fruto originário de flor hermafrodita de ‘ Tainung 1’

Figura 5 - Fruto da variedade Rubi Incaper 511

Figura 6 - Variedade Rubi Incaper 511 aos oito meses após o plantio




terça-feira, 7 de setembro de 2021

BOTÂNICA DO MAMOEIRO


 

ASPECTOS TAXONÔMICOS

O mamoeiro (Carica papaya L.) representa uma espécie isolada, que divergiu dos seus parentes próximos há, aproximadamente, 25 milhões de anos. Admite-se que seu centro de origem seja o noroeste da América do Sul, onde se originam também outros gêneros da família Caricaceae, concentrados principalmente na vertente oriental dos Andes, com diversidade genética máxima na Bacia Amazônica Superior. O mamoeiro é caracterizado como uma planta tipicamente tropical (BADILLO, 1971).

A espécie Carica papaya L. pertence à classe Dicotyledoneae, subclasse Archichlamydeae, ordem Violales, subordem Caricineae, família Caricaceae e gênero Carica (BADILLO, 1971). A diferenciação das espécies da família Caricaceae baseia-se na variabilidade genética das folhas, inflorescências, flores, frutos e sementes. Segundo Storey (1941), o genoma básico do gênero Carica é n = 9 cromossomos, ou 2n = 18, para a fase diploide.

A família Caricaceae abrange os gêneros Carica, Horovitzia, Jarilla, Jaracatia, Vasconcellea e Cylicomorpha, cuja distribuição é anfi-Atlântica, com duas espécies na África Tropical e, 33, na América Central e na América do Sul (DROOGENBROECK et al., 2002; CARVALHO; RENNER, 2012). Dois gêneros são monotipos Carica (C. papaya) e Horovitzia (H. cnidoscoloides), endêmico no México. As oito espécies do gênero Jacaratia ocorrem do sul do Brasil ao México, e as três do gênero Jarilla são arbustos perenes presentes no México e na Guatemala. O gênero Vasconcellea compõe-se de 20 espécies, sendo 19 arbóreas ou arbustivas e uma trepadeira (CARVALHO; RENNER, 2012), originárias do continente americano. Já as duas espécies do gênero Cylicomorpha são árvores de grande porte, C. solmsii nativa na África Ocidental e C. parviflora, na África Oriental (DROOGENBROECK et al., 2004).

O gênero Vasconcellea é o mais importante em recursos genéticos, pois possui resistência a doenças. Por outro lado, a espécie C. papaya, única conhecida comercialmente, não apresenta tanta resistência a doenças (OLIVEIRA; DANTAS; CASTELLEN, 2007). Estuda-se a resistência a doenças, especialmente às viroses, como o vírus-do-mosaico-do-mamoeiro, que visa incorporar genes de resistência ao germoplasma de C. papaya.

Características botânicas e comerciais, da planta e dos frutos, importantes para a cultura do mamão, podem ser aproveitadas, seja em métodos que utilizam autopolinizações, uma vez que estas comprovadamente não levam à perda de vigor, seja em hibridações entre genótipos pré-selecionados (variedades e linhagens), seguidas de seleção, autofecundação e retrocruzamentos (STOREY, 1941), utilizando-se, também, a biotecnologia. O melhoramento genético pode contribuir para aumentar a produtividade e a qualidade de frutos e, atender às exigências dos mercados, nacional e internacional, incrementar a rentabilidade do produtor e seu nível socioeconômico.

Flor Feminina e Flor Hermafrodita



segunda-feira, 23 de agosto de 2021

Produção, mercado e aspectos econômicos do Mamão

INTRODUÇÃO  

Brasil, segundo maior produtor mundial de mamão, responde por 16% desta produção (FAO, 2013). Observa- se uma grande faixa contínua produtora próxima ao litoral, entre Linhares (ES) e Porto Seguro (BA), porém com progressiva migração para o interior do continente. Minas Gerais é o quinto produtor (IBGE, 2013), com produção crescente principalmente pelo município de Jaíba, que aumentou seu fornecimento à Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) em 45 vezes, entre 2008 e 2012. Enquanto a maior parte das cargas chega à Ceagesp com os frutos a granel, na carroceria dos caminhões, os produtores das novas áreas colhem frutos mais maduros, classificam e embalam na origem. Essa colheita de frutos maduros só é possível se o mamão for comercializado em embalagens, já que se torna mais macio e sujeito a danos. Como se trata de um fruto climatérico, mas com reduzido acúmulo de açúcares após colhido, o sabor final do fruto colhido maduro será muito melhor. Uma vez que esta superioridade em qualidade esteja associada a uma marca ou embalagem, há tendência de o consumidor dar preferência a esse produto, o que poderá ser um diferencial para esses produtores.

PRODUÇÃO

De acordo com os dados de produção coletados pela Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO, 2013), em 2011, o mundo produziu 11,84 milhões de toneladas de mamão, em 421,5 mil hectares. O Brasil detém a segunda co- locação, com produção de 1,85 milhão de toneladas, ou 15,7% da produção mundial, em 35,5 mil hectares (Quadro 1). O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2011) registrou que a produção brasileira de mamão foi de 1,85 milhão de toneladas, com predomínio na Bahia (928 mil toneladas) e Espírito Santo (560 mil toneladas) (Quadro 2). O que se observa é a existência de uma grande faixa contínua produtora de mamão, próxima aos litorais capixaba e baiano, que vai das proximidades de Linhares, ES, até Porto Seguro, BA.Minas Gerais é o quinto produtor de mamão, com apenas 2,42% da produção nacional em 2011 (Quadro 2), porém crescente. Naquele momento, o município de Jaíba foi o maior produtor, com 16,7% da produção do Estado (Quadro 3). O fornecimento de mamão pelo município de Jaíba à Ceagesp passou de 232 t, em 2008, para 10.541 t, em 2012 (Gráfico 1), sendo 8.505 t de mamão do grupo Formosa (CEAGESP, 2013).

COMERCIALIZAÇÃO

A comercialização dos mamões no Entreposto Terminal de São Paulo (ETSP), da Ceagesp, retrata o mercado brasileiro de mamão. Todas as notas fiscais recolhidas nas portarias do ETSP tornam-se a fonte de dados do Sistema de Informação e Estatísticas de Mercado (Siem), da Seção de Economia e Desenvolvimento (Sedes), que registrou, em 2012, no ETSP, a comercialização de 56,4 mil toneladas de mamão do grupo Formosa e de 86,9 mil toneladas do grupo Solo, conhecido popularmente como Havaí, Havaiano ou Papaia. Houve queda do fornecimento dessa fruta, de 168,3 mil toneladas, em 2011, para 143,3 mil toneladas, em 2012 (CEAGESP, 2013). Confrontando com os dados de produção do IBGE, estima-se que o ETSP comercialize, aproximadamente, 9,7% da produção brasileira de mamão, participação relativa que vem caindo pouco a pouco ao longo dos últimos anos. O que se constata no entreposto é certa estabilidade no volume do grupo Solo e um crescimento do Formosa. Desde 2007, primeiro ano de funcionamento do Siem, o volume comercializado de mamão do grupo Solo sempre ficou próximo a 90 mil toneladas e o do Formosa passou de 52 mil toneladas, em 2007, para quase 64 mil, em 2010, caindo para 56, em 2012. De acordo com o ranking de 2012 da Ceagesp, o mamão é a terceira fruta em volume comercializado, perdendo apenas para a laranja e a maçã, e a quinta em volume financeiro, movimentando 20 milhões de reais, em 2012.

Para o grupo Solo, a Bahia é a grande fornecedora para o ETSP, com 70% do volume total em 2012; o Espírito Santo vem logo a seguir com 26%, e o restante é distribuído entre vários Estados. Uma característica marcante da comercialização no ETSP é a preferência pela ‘Sunrise’ e suas variações como a ‘BS’ (Benedito So- ares), em detrimento da ‘Golden’. Apesar de a ‘Golden’ ter melhor resistência pós- colheita e menor ocorrência de manchas fisiológicas, o sabor da ‘Sunrise’ é muito superior, e grande parte dos varejistas paulistanos, como feirantes, hortifrutis e ambulantes, que possuem contato muito próximo com o consumidor, constatam que este rejeita a ‘Golden’, pela maior firmeza e menor conteúdo de açúcares da polpa.

Na comercialização de mamão do grupo Formosa, há uma inversão com o Espírito Santo como principal abastecedor, com 22,67 mil toneladas ou 40,2% do total, e a Bahia participou com 15,7 toneladas ou 27,8%. Os envios capixabas saem quase todos dos municípios de Pinheiros, São Mateus e Montanha. É no grupo Formosa que se observa rápida mudança do modelo de comercialização do mamão. Em 2012, 132 municípios enviaram mamões Formosa ao ETSP, mas os dez maiores foram responsáveis por 69% do total. No Quadro 4, observa-se um grande crescimento na produção dos municípios do Oeste Baia- no, de Baraúna no Rio Grande do Norte e de Jaíba no Norte de Minas, município que não registrou nenhuma entrada em 2007, e em 2012, enviou 8.505 toneladas. Ao mesmo tempo, constata-se queda no envio de mamão por Montanha, ES. Os produtores desses municípios emergentes na produção de mamão Formosa trabalham de maneira totalmente distinta da maioria dos produtores capixabas.

EMBALAGENS E TRANSPORTE

Enquanto a maior parte das cargas do Espírito Santo chega à Ceagesp com os fru- tos a granel, na carroceria dos caminhões, os produtores das novas áreas colhem frutos mais maduros, classificam e em- balam na origem. Muitos utilizam caixas de papelão ondulado, bastante atrativas, caixas de plástico sanitizáveis (Fig. 1A), ou mesmo caixas de madeira com frutos protegidos por papel (Fig. 1B), ou por rede de poliuretano, etiquetados com a marca do produtor (Fig. 1A). É sabido que o fruto do mamoeiro, por ser climatérico, é capaz de amadurecer a partir do momento em que as sementes estão negras. No entanto, se o fruto permanecer no mamoeiro continuará o acúmulo de açúcares e o sabor final do fruto maduro será muito melhor. Esta colheita de frutos mantidos na planta por mais tempo só é possível se forem comercializa- dos em embalagens, já que se tornam mais macios e sujeitos a danos, o que inviabiliza o transporte a granel.

O arcaico sistema de transporte a gra- nel exige colheita de frutos ainda com a casca totalmente verde e polpa bem firme, portanto, quando ainda acumulam menor quantidade de açúcares. Estes frutos terão sabor pouco pronunciado, quando maduros. Já aqueles colhidos mais maduros e que começam a mudar a coloração, tendo pelo menos duas listras amarelas, são muito mais saborosos quando totalmente maduros e, sendo identificados com marca, são reconhecidos como produto superior pelos varejistas e consumidores. Dessa forma, concluem que vale mais adquirir um produto que, apesar de bem mais caro, é ca- paz de proporcionar muito mais satisfação. Em geral, os mamões embalados na origem conseguem valor de venda entre 50% e 100% acima dos que chegam a granel e são embalados no entreposto. Esta é uma tendência geral para o mercado de frutas e hortaliças, e quem embala na origem vem ganhando terreno rapidamente.

Um caminhão de mamão Formosa a granel demora mais de seis horas para ser descarregado, ocupando espaço no entreposto, e são normais perdas da carga próximas de 20%. A descarga de mamão Formosa é, sem dúvida, a maior geradora de lixo no ETSP.

No grupo Solo, o domínio é quase que total dos municípios baianos e capixabas da faixa litorânea do norte do Espírito Santo e extremo sul da Bahia (Quadro 5). Vários produtores dessa região, alguns também atacadistas no ETSP, estão começando a trabalhar com embalagens de papelão ondulado do mesmo modo que os produtores de Formosa do Oeste Baiano e do Rio Grande do Norte.

Figura 1 - Frutos embalados em caixas procedentes da Brasnica - Janaúba, MG

NOTA: Figura 1A - Frutos embalados em caixas de plástico e protegidos com rede de poliuretano. Figura 1B - Frutos embalados em caixas de madeira e protegidos com papel.

QUALIDADE DO MAMÃO

A observação diária do mercado indica que os produtores de frutas e hortaliças de maior sucesso são os que criam uma marca e a associam com alta qualidade. E, sem dúvida, um ótimo sabor e a adequação ao uso são as principais caracte- rísticas qualitativas e as mais importantes para todos os tipos de consumidores (ABBOT,1999). Nenhum consumidor deseja consumir fruta ou hortaliça colhida precocemente ou tardiamente, ainda ácida ou já passada, seca ou fibrosa. Quando o consumidor associa uma marca, selo ou embalagem a um produto de ótimo sabor, este torna-se predileto. O fruto com esse padrão de qualidade, colhido no momen- to certo, e embalado, comporta outros cuidados adicionais. Uma vez que serão associados a uma marca, e a embalagem permite colheita de frutos maduros, muitos produtores estão investindo em casas de embalagem, onde são lavados (Fig. 2A), classificados e embalados (Fig. 2B), e, posteriormente, transporta- dos em caminhões frigorificados.

A parcela mais informada da população tem grande preocupação com a segurança dos alimentos, no que se refere a resíduos de agrotóxicos e contamina- ções por microrganismos causadores de doenças. Alguns consumidores exigem também condições sociais e ambientais de produção totalmente dentro da conformidade. A Produção Integrada de Mamão (PI Mamão) é um ótimo caminho para atender a estes anseios dos consumidores.

Constata-se que os produtores de frutas e hortaliças bem-sucedidos no mercado interno atendem a alguns requisitos:

a) conhecimento das características qualitativas responsáveis por melhor aceitação pelo consumidor final e pelo mercado atacadista. De acordo com levantamentos feitos pelo Instituto Brasileiro de Qualidade em Horticultura (HORTIBRASIL, 2011), os fatores mais importantes para a melhor aceitação do consumidor de mamão são: em primeiro lugar, o óti- mo sabor, com adequado conteúdo de açúcares, bom aspecto de casca e boa durabilidade na pós-colheita. O consumidor não aceita perder frutas por doenças como antracnose e as podridões-de-pedúnculo;

b) plantio em região com características climáticas adequadas e adoção de sistema de produção que resulte em frutos com padrão de qualidade desejado;

c) associação do nome do produtor ou de sua marca a um produto de alta qualidade. É importante que os compradores do varejo e os consumido- res tenham referência para voltar ao produto de alta qualidade, como já acontece com as grandes marcas da indústria. Para isso, o produtor ou comerciante necessita lançar mão de embalagens diferenciadas, como caixas com impressões atraentes e embalagens individuais para os frutos, de modo que o consumidor possa associar o visual à alta qualidade, principalmente em termos de sabor;

d) dispor de um sistema de informação que permita visualizar constante- mente as diferenças de preços de diversas qualidades de produto e de base para negociações mais justas e que a melhor qualidade possa ser grande variação das suas caracte- rísticas qualitativas e outros valores que podem ser adicionados, como, por exemplo, o tipo de sistema de produção, não podem ser consideradas commodities. A formação dos preços de comercialização não pode ser explicada unicamente pela oferta e demanda. Muitas vezes, em um único dia de comercialização, ocorre grande diferença no preço de produtos da mesma variedade e ta- manho, determinada pela qualidade entre estes;

e) ter um agente confiável no mercado de destino, que seja responsável por passar ao produtor informações precisas sobre o andamento da comercialização.

A determinação dos preços finais de comercialização do mamão é uma complexa combinação de oferta, demanda, cultivar, tamanho do fruto, qualidade e apresentação do produto

Figura 2 - Frutos em casas de embalagem na Brasnica - Janaúba, MG

NOTA: Figura 2A - Frutos lavados. Figura 2B - Frutos classificados e embalados.