domingo, 16 de setembro de 2018

Cultivares de Banana em Regime de Irrigação



Cultivares
A escolha da cultivar de bananeira depende da preferência do mercado consumidor e do destino da produção (indústria ou consumo in natura). Existem quatro padrões ou tipos principais de cultivares de bananeira: Prata, Maçã, Cavendish (Banana D’Água ou Caturra) e Terra. Dentro de cada tipo há uma ou mais cultivares.

Recentemente vem surgindo a necessidade de mudança nas cultivares tradicionalmente plantadas na região do Submédio do Vale do São Francisco devido aos prejuízos frequentes que muitos produtores têm tido com a cultivar ‘Pacovan’. Esta cultivar por ter porte alto fica extremamente vulnerável à queda provocada pelos fortes ventos que ocorrem normalmente na região entre os meses de novembro a março. Eventualmente, pode ocorrer queda fora desta época. As perdas ocorridas decorrentes do tombamento das plantas penalizam severamente os pequenos agricultores. Dessa forma, os produtores de banana vêm optando gradativamente por cultivares de porte baixo e médio. As cultivares do subgrupo Cavendish (Nanica, Nanicão e Grande Naine), Maçã e Prata-Anã e suas variações como Prata Rio e Prata Gorutuba vêm sendo plantadas em razão da maior segurança econômica de retorno de seus investimentos.

Recomenda-se introduzir cultivares novas com características de resistência a pragas e doenças como a ‘BRS Preciosa’, ‘BRS Princesa’, ‘BRS Platina’, ‘Fhia-Maravilha’ e a ‘Prata Graúda’, visando desenvolver novas opções de mercado.

cv. Pacovan
Resultante de uma mutação da Prata, pertence ao grupo AAB e é mais produtiva e vigorosa do que esta cultivar. Tem porte alto, superior ao da ‘Prata’. O pseudocaule é verde-claro, com poucas manchas escuras. O cacho é pouco cônico, as brácteas da ráquis floral masculina são limpas (sem restos florais), coração médio e frutos grandes, com quinas proeminentes mesmo quando maduros, ápices em forma de gargalo e sabor azedo-doce, mais ácido do que a ‘Prata’. A cultivar é suscetível às sigatokas amarela e negra e ao mal-do-panamá, todavia apresenta boa tolerância à broca-do-rizoma e aos nematoides. Tem boa aceitação pelos consumidores.


cv. Prata Anã
É uma cultivar do grupo AAB, com alta capacidade produtiva, pseudocaule muito vigoroso de cor verde-clara, brilhante, com poucas manchas escuras próximo à roseta foliar. O porte é médio a alto, cacho cônico, ráquis com brácteas persistentes, coração grande e frutos pequenos, com quinas, ápices em forma de gargalo e sabor acre-doce (azedo-doce). A cultivar é suscetível às sigatokas amarela e negra e ao mal-do-panamá, todavia apresenta boa tolerância à broca-do-rizoma e aos nematoides.


cv. BRS Preciosa
A banana ‘BRS Preciosa’, criada pela Embrapa e recomendada em 2003, é um híbrido tetraploide, do grupo AAAB, de porte alto, resultante do cruzamento da cultivar Pacovan com o híbrido diploide (AA) M53. A cultivar é rústica com frutos grandes que são mais doces e apresentam resistência ao despencamento semelhantes aos da Pacovan (Figura 1). Essa cultivar além de resistente à sigatoka-negra, apresenta também resistência à sigatoka-amarela e ao mal-do-panamá.

Em área de produção orgânica no Submédio São Francisco, no primeiro ciclo, a banana ‘ BRS Preciosa’ apresentou porte mais baixo e produtividade, número de frutos por cacho, peso e comprimento médio dos frutos iguais aos da ‘Pacovan’, podendo ser uma opção para o sistema orgânico na região.

Foto: Ana Lúcia Borges
Figura 1. Banana ‘BRS Preciosa’ (AAAB) cultivada em sistema orgânico.


cv. BRS Princesa
É um híbrido tetraploide do grupo AAAB, criado e lançado pela Embrapa em 2008, resultante do cruzamento da cultivar Yangambi nº 2 com o híbrido diploide (AA) M53. O porte é médio a alto, os frutos são parecidos externamente e têm sabor semelhante aos da cultivar Maçã (Figura 2). A ‘BRS Princesa’ além de resistente à sigatoka-amarela, é também tolerante ao mal-do-panamá. Todavia, não é resistente à sigatoka-negra.

Foto: Sebastião de Oliveira e Silva.
Figura 2. Cacho da bananeira ‘BRS Princesa’.

cv. BRS Platina
É um híbrido tetraploide (AAAB), criado e recomendado pela Embrapa em 2012, resultante do cruzamento entre ‘Prata Anã’ (AAB) e o diploide M53 (AA). Apresenta bom perfilhamento, porte médio, características, tanto de desenvolvimento quanto de rendimento, idênticas às da ‘Prata Anã’ (Figura 3). Os frutos também se assemelham aos dessa cultivar na forma, tamanho e sabor, porém, devem ser consumidos com a casca um pouco mais verde, à semelhança das cultivares do subgrupo Cavendish. Ela se diferencia da ‘Prata Anã’ por ser resistente à sigatoka-amarela e ao mal-do-panamá. Apresenta produtividade média de aproximadamente 20 t/ha/ano e sob condições de solo de boa fertilidade, apresenta rendimento médio de até 40 t/ha/ano.

Foto: Sergio Luiz Rodrigues Donato.
Figura 3. Planta e cacho da cultivar BRS Platina (AAAB).


cv. Fhia-Maravilha
A cultivar Fhia-Maravilha, também conhecida como Fhia-01, é um híbrido tetraploide (AAAB), resultante do cruzamento entre ‘Prata Anã’ (AAB) e o diploide SH3142 (AA). Introduzida de Honduras (América Central), foi avaliada em vários locais e recomendada pela Embrapa em 2003. Os frutos e a produção são maiores que os da ‘Prata Anã’. A polpa é mais ácida do que a dessa cultivar. Apresenta resistência às sigatokas negra e amarela e ao mal-do-panamá (Figura 4).

Foto: Sergio Luiz Rodrigues Donato.
Figura 4. Planta com cacho da cultivar Fhia-Maravilha (AAAB).


cv. Prata Graúda
A cultivar de bananeira Prata-Graúda é um híbrido tetraploide do grupo AAAB, de porte médio a alto, gerada em Honduras a partir do cruzamento da ‘Prata-Anã’ com o híbrido diploide SH 3393. A cultivar possui frutos e produção maiores que os da ‘Prata Anã’ e tem sido plantada comercialmente. No entanto, não apresenta resistência às sigatokas amarela e negra, mas é resistente ao mal-do-panamá (Figura 5).

Foto: Sergio Luiz Rodrigues Donato.

Figura 5. Planta com cacho da cultivar Prata Graúda (AAAB).




domingo, 9 de setembro de 2018

Cultivo do Cambuci



Um bom motivo para se produzir o cambuci é que a vistosa planta na qual ele frutifica, com flores brancas e folhas pequenas e brilhantes, está sob constante ameaça de desaparecer – assim como a mata atlântica, de onde é nativa.
Cambuci é uma árvore frutífera e também pode ser usada como planta ornamental. A espécie é nativa da mata atlântica, mas infelizmente, ela corre o risco de extinção no nosso país.
O Cambuci chama muito a atenção porque ela se torna muito vistosa quando se frutifica, aparecem lindas folhas pequenas, porém, brilhantes e o que falar das flores, com um branco forte e textura que o valoriza ainda mais. Mas, como foi dito anteriormente, a sua beleza fez com que se tornasse uma espécie da mata atlântica que corre sérios riscos de sumir por completo. E então, seria uma ótima ideia plantar a Cambuci para não perdemos essa espécie de planta tão bonita.
Como nos falamos anteriormente, além dos seus frutos, a Cambuci tornou-se uma árvore muito usada para ornamentação. Ela tem o poder de deixar um quintal mais do que bonito, estando sozinha ou em meio a um jardim. E claro, depois o seu fruto pode ir para mesa do café da manhã  e também pode ganhar versão doce ou suco.
Mas seu atrativo não é unicamente ecológico, pois a árvore pode deixar mais bonitas as propriedades, e seus frutos suculentos rendem bom ingrediente para sucos e doces.
No Brasil, o lugar onde a árvore Cambuci pode ser mais encontrada é em São Paulo, na Serra do Mar, ou ainda, em Minas Gerais. Além de árvore Cambuci é chamada de Cambuizeiro e o nome científico dela é Camponesia Phaea. Essa árvore, antes de começar a correr o risco de extinção, podia ser encontrada em grande quantidade na capital de São Paulo. E por isso mesmo, um dos bairros da capital paulista leva o seu nome.
O consumo da fruta da árvore Cambuci vem sendo estimulado em algumas regiões do Brasil, como na região metropolitana de São Paulo e também em Paranapiacaba e Rio Grande da Serra. Nessas duas últimas cidades, a fruta ganhou uma festa dedicada totalmente a ela.
Arredondado, com cerca de oito centímetros de diâmetro, polpa carnosa, fibrosa e com poucas sementes, o fruto tem um perfume intenso e adocicado. A casca verde, com tons em amarelo, é adstringente. Apesar de o sabor ser um pouco ácido, quase como o limão, ele também pode ser consumido in natura. Os pássaros são os que mais apreciam a fruta fresca, além de ter a nobre função de disseminar a fruteira.
Para o consumo como alimento, o ideal é usar o fruto da Cambuci para fazer doces em calda, sucos e geleias. Também é muito usado para fazer a aromatização de sorvetes. Uma curiosidade, é que o Cambuci também é usado como parte de ingredientes de algumas bebidas alcoólicas, como na cachaça quando é feita uma infusão e também em licores. São práticas de uso que vem de longa data.
Falando sobre o desenvolvimento da árvore, as flores aparecem entre os meses de agosto e novembro e o seu crescimento é moderado. De altura, ela pode chegar entre 3 a 5 metros no máximo e o seu tronco fica com o diâmetro entre 20 e 30 centímetros. Já as frutas aparecem entre janeiro e fevereiro.
Falando das características do terreno e clima, a árvore Cambuci gosta de ficar em solo que tenha sido muito bem adubado, prefere a temperatura mais fria, mas não tem muita dificuldade de se adaptar a outros tipos de terreno.
A planta também pode ser usada para o reflorestamento, neste caso, tanto para arborizar praças, jardins e ruas, quanto para recuperar terrenos degradados
O cambuci é bom mesmo para o preparo de sucos, geléias, doces em calda e ainda serve para aromatizar sorvetes. Também pode entrar como componente de bebidas alcoólicas, como licores e em infusão em cachaça, um uso que já era adotado pelos colonizadores, séculos atrás.
A árvore tem crescimento moderado e começa a florescer entre agosto e novembro. Alcança de três a cinco metros de altura, e tronco com diâmetro de 20 a 30 centímetros. A frutificação desponta durante os meses de janeiro e fevereiro. O cambucizeiro gosta de um pouco de frio e de solo com boa adubado, mas se dá bem em qualquer tipo de terreno. É apropriado para áreas de reflorestamento, para recuperação de terrenos degradados e também para a arborização de ruas, praças e jardins.



O solo para receber essa planta deve ser muito bem adubado e é importante que tenha um bom equilíbrio de drenagem.
A árvore prefere o clima tropical fresco para se desenvolver melhor, apesar de suportar outras temperaturas.
Não existe uma área mínima para plantio de Cambuci. O seu quintal já teria o tamanho suficiente.
A colheita dos frutos deve ser feita nos meses de janeiro e fevereiro.
O preço médio de uma muda para o plantio de Cambuci é R$10. (o preço pode variar de acordo com região, tipo de comércio, entre outros fatores)

SOLO: necessita de equilíbrio hídrico e boa adubação
CLIMA: subtropical fresco
ÁREA MÍNIMA: pode ser plantada até no quintal
COLHEITA: no verão, entre janeiro e fevereiro
CUSTO: o preço médio da muda é de sete reais

INÍCIO – a propagação da árvore se dá por meio de sementes, que são germinadas em sementeiras. Quando atingem de 20 a 25 centímetros de altura, é hora de passálas para um saquinho. Transplante somente o torrão para o local definitivo, assim que as mudas chegarem a 50 centímetros.

PLANTIO – o cultivo do cambucizeiro é recomendado em solo com equilíbrio hídrico, ou seja, nem muito seco, nem muito úmido. Antes, porém, o terreno deve ser preparado com aradura e gradagem. Faça o plantio de exemplares isolados ou em blocos somente com a espécie. O sombreamento de outras árvores provocam danos no desenvolvimento e produtividade da planta.
Se você quer fazer o plantio de Cambuci o primeiro passo é adquirir as sementes, que deverão ser cultivadas em sementeiras.
Você deve esperar que as mudas cresçam e tenha com altura mínima entre 20 a 25 centímetros de altura, só então, elas poderão ser transplantadas. Mas, primeiro, coloque cada uma delas plantada em um saquinho, em seguida, faça o transplante do torrão para o lugar que você quer ter a sua árvore. Espere que atinja a altura de 50 centímetros.
É importante que o solo escolhido para o plantio definitivo seja com equilíbrio hídrico, o que significa que ele não pode ser seco e nem menos ser exageradamente úmido. E para preparar esse terreno perfeito, ainda é necessário fazer a gradagem.
Com a terra pronta faça o cultivo colocando a planta isolada e se for em blocos, todas as plantas que fazem parte dele devem ser da mesma espécie. Importante lembrar que o Cambuci não pode receber sombra de outras árvores.

Enquanto a sua planta está crescendo o trabalho no terreno deve continuar, ele deve ter as coroas capinadas e ele deve ser roçado. Além disso é importante fazer podas de limpeza e também de formação.  A poda serve para ter a estrutura da árvore intacta e que ele suporte o peso dos frutos.
A árvore não terá problema para suportar o frio e também deve ser regada, apesar de preferir o clima subtropical fresco.
Sobre a produção dos frutos, prepara para fazer a colheita no verão seguinte, de preferência nos meses de janeiro e fevereiro. O ideal é que a fruta seja colhida do pé quando apenas amadureceu. Pode ser que ela tenha algumas rachaduras na casa. Se ele estiver verde aperte levemente para ver se está macio, também mostra que é hora de colher.

ADUBAÇÃO – nas covas, a adubação inicial pode varias entre cinco e dez quilos de esterco curtido. Adicione também de 50 a 100 gramas de superfosfato. A cada ano, aplique por planta outros dez quilos de esterco curtido. Pode-se também juntar 250 gramas por cova de NPK 20-00-20, divididas em duas ou três aplicações, durante o período quente e chuvoso, nos três primeiros anos do pomar.

ESPAÇAMENTO – as medidas indicadas são de 5 x 5 metros, entre plantas e fileiras. Para as covas, deixe 50 x 50 x 50 centímetros.

TRATOS CULTURAIS – durante o crescimento da planta, o terreno deve ser roçado e as coroas, capinadas. Para o bom desenvolvimento da árvore, são necessárias as podas de formação e a de limpeza. Elas permitem o arejamento da copa, além de garantir a estrutura dos ramos para agüentar o peso dos frutos.

AMBIENTE – o clima subtropical fresco é o melhor para a adaptação do cambucizeiro. A árvore também aprecia um pouco de frio e regas.

PRODUÇÃO – o cambuci está pronto para ser colhido no verão, em especial durante os meses de janeiro e fevereiro. É bom apanhar a fruta logo que amadurece, pois cai facilmente do pé, sujeita a rachaduras na casca. Como o cambuci nem sempre torna-se amarelo, aperte-o levemente ainda verde; se estiver macio, é hora da colheita.



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sábado, 25 de agosto de 2018

Adubação da Bananeira Irrigada

Exigências nutricionais

O potássio e o nitrogênio são os nutrientes mais absorvidos e necessários para o crescimento e produção da bananeira. Em ordem decrescente a bananeira absorve os seguintes nutrientes: macronutrientes: potássio (K) > nitrogênio (N) > cálcio (Ca) > magnésio (Mg) > enxofre (S) > fósforo (P); micronutrientes: cloro (Cl) > manganês (Mn) > ferro (Fe) > zinco (Zn) > boro (B) > cobre (Cu). Em média um bananal retira, por tonelada de frutos, por hectare, 1,9 kg de N; 0,23 kg de P; 5,2 kg de K; 0,22 kg de Ca e 0,30 kg de Mg.
As quantidades de nutrientes que retornam ao solo (pseudocaules, folhas e rizomas) após a colheita, em um plantio de bananeira são consideráveis, podendo chegar a valores máximos aproximados de 170 kg de N/ha/ciclo, 9,6 kg de P/ha/ciclo, 311 kg de K/ha/ciclo, 126 kg de Ca/ha/ciclo, 187 kg de Mg/ha/ciclo e 21 kg de S/ha/ciclo, por ocasião da colheita.

Sintomas de deficiências

Quando um nutriente está em deficiência, a planta expressa este desequilíbrio por sintomas visuais que se manifestam, principalmente, por meio de alterações nas folhas, como coloração, tamanho e outras (Tabela 1). Além das folhas, alguns sintomas podem ocorrer também nos cachos e frutos (Tabela 2).
No entanto, a diagnose visual é apenas uma das ferramentas para estabelecer as deficiências nutricionais em bananeira, devendo ser complementada pelas análises químicas de solos e folhas, que confirmarão ou não a deficiência nutricional. Segundo a norma internacional, a folha amostrada para análise química é a terceira a contar do ápice, com a inflorescência no estádio de todas as pencas femininas descobertas (sem brácteas) e não mais de três pencas de flores masculinas. Coleta-se 10 a 25 cm da parte interna mediana do limbo, eliminando-se a nervura central. Este material deve ser acondicionado em saco de papel e encaminhado para análise o mais rápido possível.
Para interpretação dos resultados da análise foliar podem ser utilizados os teores padrões de macro e micronutrientes estabelecidos para as bananeiras ‘Prata Anã’ e ‘Pacovan’ (Tabela 3).

Recomendações de calagem e adubação

Pela análise química do solo é possível determinar os teores de nutrientes nele existentes e assim recomendar as quantidades de calcário e de adubo que devem ser aplicadas, objetivando otimização da produtividade com viabilidade econômica e ambiental. Com a aplicação adequada de fertilizantes, espera-se aumento mínimo de 50% na produtividade.
Para análise química do solo, retirar 15 a 20 subamostras por área homogênea, nas profundidades de 0-20 cm e, se possível, de 20-40 cm, misturar bem, formar uma amostra composta para cada profundidade e encaminhar para o laboratório, com antecedência de 60 dias do plantio. De posse do resultado, poderão ser realizadas as recomendações de calagem e adubação.
Calagem
Caso o laboratório não envie a recomendação de calagem, esta pode ser calculada baseando-se na elevação da saturação por bases para 70%, quando esta for inferior a 60%, segundo a fórmula:
Equação
onde:
NC = necessidade de calagem (t/ha);
V1 = saturação por bases atual do solo (%) determinada pela análise química do solo;
CTC = capacidade de troca catiônica do solo (cmolc/dm3) determinada pela análise química do solo; e
PRNT = poder relativo de neutralização total (%) do calcário. Informação que deve constar na embalagem do corretivo.
A aplicação de calcário, quando recomendada, deve ser a primeira prática a ser realizada, com antecedência mínima de 30 dias do plantio. O calcário deve ser aplicado a lanço em toda a área. Aplica-se primeiro a dose recomendada para a profundidade de 20 a 40 cm. Para incorporar o calcário deve-se realizar uma escarificação com hastes retas para atingir 30 cm de profundidade. Embora o escarificador não revolva o solo, como o arado, a água das chuvas ajudará a transportar o calcário aplicado. Aguardar 10 a 15 dias e aplicar a dose de calcário recomendada para 0 a 20 cm, seguida de nova escarificação cruzando a primeira. Aguardar mais 15 a 20 dias para realizar o plantio. Caso não seja possível o uso do escarificador, tanto pelo declive superior a 12% quanto pela não disponibilidade do implemento, a incorporação do calcário pode ser efetuada na época da ceifa ou capina da vegetação natural. Neste caso, aplica-se apenas a quantidade recomendada para a profundidade de 0 a 20 cm.
Recomenda-se o uso do calcário dolomítico (25% a 30% de Ca e > 12% de Mg), evitando, assim, o desequilíbrio entre potássio (K) e Mg e, consequentemente, o surgimento do distúrbio fisiológico “azul da bananeira” (deficiência de Mg induzida pelo excesso de K). Considera-se equilibrada a relação K:Ca:Mg nas proporções de 0,5:3:1 a 0,3:4:1.
A presença de camadas subsuperficiais com baixos teores de Ca e/ou elevados teores de Al trocáveis leva ao menor aprofundamento do sistema radicular, refletindo em menor volume de solo explorado, ou seja, menos nutrientes e água disponíveis para a bananeira. O gesso agrícola (CaSO4.2H2O) pode ser recomendado para correção de camadas subsuperficiais, sugerindo-se aplicar a dose de 25% da necessidade de calagem (NC), para a melhoria do ambiente radicular das camadas abaixo de 20 cm.
Adubação orgânica
É a melhor forma de fornecer nitrogênio no plantio, principalmente quando se utiliza mudas convencionais, pois as perdas são mínimas; além disso, estimula o desenvolvimento das raízes. Assim, deve ser usada na cova, na forma de esterco de galinha (3 a 5 litros/cova) ou torta de mamona (2 a 3 litros/cova) ou outros compostos disponíveis. Vale lembrar que o esterco deve estar bem curtido para ser utilizado. No caso de se utilizar esterco bovino (10 a 15 litros/cova) ficar atento à sua procedência, pois pode causar fitotoxidade por herbicidas. O húmus de minhoca pode ser utilizado a cada quatro meses na dose de 2,5 a 5,0 kg por família.
A cobertura do solo com a biomassa das bananeiras (folhas e pseudocaules) deve ser uma prática, pois aumenta os teores de nutrientes do solo, principalmente potássio (K), cálcio (Ca) e magnésio (Mg), além de melhorar seus atributos físicos, químicos e biológicos.
Adubação fosfatada
A bananeira absorve pequenas quantidades de fósforo (P), mas se necessário pela análise química do solo e não aplicado, prejudica o desenvolvimento do sistema radicular da planta e, consequentemente, afeta a produção. A quantidade total recomendada após análise química do solo (40 a 120 kg de P2O5/ha) deve ser aplicada no plantio. Pode ser adicionado sob as formas de superfosfato simples (18% de P2O5, 20% de Ca e 11% de S), superfosfato triplo (42% de P2O5 e 14% de Ca) ou o termofosfato magnesiano (17% de P2O5, 18% de Ca e 7% de Mg). Em solos com pH em água maior que 6,5 e plantios com mudas micropropagadas, o MAP (48% de P2O5 e 9% de N) pode ser utilizado.
Anualmente, deve ser repetida a aplicação, após nova análise química do solo. Solos com teores de P acima de 30 mg/dm3 (extrator de Mehlich-1) dispensam a adubação fosfatada.
Adubação nitrogenada
O nitrogênio (N) é um nutriente muito importante para o crescimento vegetativo da planta, recomendando-se de 150 a 270 kg de N mineral/ha/ano, dependendo da produtividade esperada. A primeira aplicação deve ser feita em cobertura, 30 dias após o plantio. Recomendam-se como adubos nitrogenados: ureia (45% de N), sulfato de amônio (20% de N), nitrato de cálcio (14% de N) e nitrato de amônio (34% de N).
Adubação potássica
O potássio (K) é considerado o nutriente mais importante para a produção de frutos de qualidade superior. A quantidade recomendada varia de 100 a 750 kg de K2O/ha dependendo do teor no solo e produtividade esperada. A primeira aplicação deve ser feita em cobertura, no 2º ou 3º mês após o plantio. Caso o teor de K no solo seja inferior a 0,15 cmolc/dm3, recomenda-se a aplicação de 20 kg/ha de K2O no plantio, levando-se em consideração o balanço K:Ca:Mg. O nutriente (K) ser aplicado sob as formas de cloreto de potássio (60% de K2O), sulfato de potássio (50% de K2O) e nitrato de potássio (48% de K2O). Solos com teores de K acima de 0,60 cmolc/dm3 dispensam a adubação potássica.
Adubação com micronutrientes
O boro (B) e o zinco (Zn) são os micronutrientes mais limitantes para as bananeiras. Para teores de B no solo inferiores a 0,2 mg/dm3 (extrator de água quente), deve-se aplicar 2,0 kg/ha de B e para teores de Zn no solo inferiores a 0,6 mg dm-3 (extrator Mehlich-1), recomenda-se 10 kg/ha de Zn. Caso não tenha análise química do solo para micronutrientes, recomenda-se aplicar no plantio 50 g de FTE BR12 por cova.
Parcelamento das adubações
O parcelamento vai depender da textura e da CTC (capacidade de troca catiônica) do solo, bem como do regime de chuvas e do manejo adotado. Contudo, recomenda-se adubações mensais para áreas que não dispõem de sistema de injeção de fertilizantes. Para áreas fertirrigadas recomenda-se parcelar a cada três, sete ou 15 dias.
Localização dos fertilizantes
As adubações em cobertura devem ser feitas em círculo, numa faixa de 10 a 20 cm de largura e 20 a 40 cm distante da muda, aumentando-se a distância com a idade da planta. No bananal adulto os adubos são distribuídos em meia-lua em frente à planta filha e neta. Em terrenos inclinados, a adubação deve ser feita em meia-lua, em frente às plantas filha e neta e na parte superior do terreno.
Fertirrigação
A aplicação dos fertilizantes via água de irrigação constitui-se no meio mais eficiente de nutrição, pois combina dois fatores essenciais para o crescimento, desenvolvimento e produção das plantas: água e nutrientes. Essa prática é indicada para os sistemas de irrigação localizados (microaspersão e gotejamento), uma vez que aproveita as características próprias do método, tais como baixa pressão, alta frequência de irrigação e possibilidade de aplicação da solução na zona radicular, tornando mais eficiente o uso do fertilizante. A frequência de fertirrigação pode ser a cada 15 dias em solos com maior teor de argila; em solos mais arenosos, recomenda-se a frequência de fertirrigação semanal ou até a cada três dias.
Para o monitoramento do efeito da fertirrigação, recomenda-se a análise química do solo, incluindo a condutividade elétrica do solo, a cada seis meses, para verificar se os níveis dos nutrientes aplicados, a condutividade elétrica e o pH do solo estão de acordo com os valores esperados ou permitidos.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Solos para a Cultura da Banana (Irrigada)

Escolha do solo

Os solos ideais para o cultivo da bananeira são os aluviais profundos, ricos em matéria orgânica, bem drenados e com boa capacidade de retenção de água. Mas a bananeira é cultivada e se adapta a diferentes tipos de solos, devendo-se preferir aqueles planos ou com declividades abaixo de 12%, onde são menores os riscos de erosão. É importante que os solos sejam profundos, com mais de um metro sem qualquer impedimento. Quando apresentam profundidade inferior a 25 centímetros são considerados inadequados para a cultura, pois é pequena a quantidade de raízes que cresce em profundidade, fazendo com que as plantas fiquem sujeitas a tombamento.
A granulometria do solo deve ser média a pouco argilosa, não devendo ser muito arenosa, que geralmente apresenta baixa quantidade de nutrientes e baixa capacidade de retenção de água, aumentando os custos de produção pela necessidade de adubações mais frequentes e de práticas visando melhorar o suprimento de água. Também não deve ser muito argilosa, pela maior dificuldade de preparo para o plantio, pelos riscos de encharcamento e pelo maior impedimento ao crescimento das raízes. Áreas pouco drenadas e sujeitas a encharcamentos devem ser evitadas, pois as raízes da bananeira apodrecem rapidamente e morrem após mais de três dias de excesso de umidade no solo.

Preparo do solo

O preparo adequado do solo é importante para o bom desenvolvimento das raízes da bananeira, o que facilita a absorção de água e nutrientes e melhora a produção. Como as áreas são planas, a limpeza pode ser feita por máquinas, evitando-se remover a camada superficial do solo, rica em matéria orgânica. Em seguida recomenda-se uma escarificação com hastes retas para atingir 30 cm de profundidade, seguida do coveamento ou sulcamento para plantio.
Áreas que vêm sendo cultivadas com pastagens ou que apresentam subsolos compactados ou endurecidos devem ser subsoladas a 50-70 centímetros de profundidade, para melhorar a infiltração de água, facilitar o aprofundamento das raízes e controlar as plantas infestantes, como também incorporar o calcário aplicado na superfície do terreno. Vale lembrar que o solo deve ser revolvido o mínimo possível, devendo ser preparado com umidade suficiente para não levantar poeira e nem aderir aos implementos; além disso, deve-se usar máquinas e implementos o menos pesados possível e acompanhar as curvas de nível do terreno.

Conservação do solo

Considerando que os solos são de baixa declividade, recomenda-se, como medida conservacionista, o cultivo de plantas melhoradoras (feijão-de-porco, crotalárias, mucunas, gramíneas e outras) nas entrelinhas do bananal, semeadas no início do período das águas e ceifadas ao final deste, deixando-se a fitomassa na superfície do solo, como cobertura morta, e consequentemente o solo coberto.

sábado, 14 de julho de 2018

Exigências Climáticas para a Cultura da Banana


A bananeira, como uma planta tropical, exige calor constante, precipitações bem distribuídas e elevada umidade para o seu crescimento, desenvolvimento e produção.
O Submédio São Francisco situa-se numa região com ótimas condições climáticas para a prática da agricultura irrigada, apresentando alta luminosidade e temperatura o que favorece o rápido crescimento vegetativo da bananeira.

Temperatura

A temperatura é um fator muito importante no cultivo da bananeira, porque influi diretamente nos processos respiratórios e fotossintéticos da planta, estando relacionada com a altitude, luminosidade e ventos. A temperatura ótima para o desenvolvimento normal das bananeiras comerciais situa-se em torno de 28 oC. Considera-se a faixa de 15 oC a 35 oC de temperatura como os limites extremos para a exploração racional da cultura. Havendo suprimento de água e de nutrientes, essa faixa de temperatura induz ao crescimento ótimo da planta. Abaixo de 15 oC a atividade da planta é paralisada e, acima de 35 oC, o desenvolvimento é inibido, principalmente devido à desidratação dos tecidos, sobretudo das folhas, especialmente sob condições de sequeiro.
Na região do Submédio São Francisco a temperatura média é de 26,3 oC, estando, portanto dentro das faixas adequadas à cultura.

Precipitação

Para obtenção de colheitas economicamente rentáveis, considera-se suficiente uma precipitação, bem distribuída, de 100 mm/mês, para solos com boa capacidade de retenção de água, a 180 mm/mês para solos com menor capacidade de retenção; contudo, deve ser assegurada uma disponibilidade de água não inferior a 75%. Assim, a precipitação efetiva anual seria de 1.200-2.160 mm/ano. Abaixo de 1.200 mm/ano os climas são considerados marginais, e a bananeira somente sobrevive e frutifica se a cultivar plantada for tolerante ou resistente à seca ou se for utilizada a prática de irrigação.
O regime pluviométrico da região do Submédio São Francisco apresenta um total anual médio de chuvas de 608 mm, concentrado no período de janeiro-março, insuficiente para atender às necessidades da bananeira, havendo necessidade de irrigação.

Luminosidade

A bananeira requer alta luminosidade, a qual reduz o tempo de colheita do cacho; porém, níveis excessivamente altos podem provocar queima das folhas. Em regiões de alta luminosidade, o período para que o cacho atinja o ponto de corte comercial é de 80 a 90 dias após a sua emissão, enquanto que, em regiões com baixa luminosidade em algumas épocas do ano, o período necessário para o cacho alcançar o ponto de corte comercial varia de 85 a 112 dias.

Vento

O vento é um fator climático importante, podendo causar desde pequenos danos, até a destruição do bananal. A velocidade do vento deve ser inferior a 40 km/h, pois pode levar a desidratação da planta, fendilhamento das nervuras secundárias e diminuição da área fotossintética.
Na região do Submédio São Francisco o vento tem sido um dos fatores limitantes para a bananeira, principalmente para cultivares de porte alto.

Umidade relativa

A bananeira, como planta típica das regiões tropicais úmidas, apresenta melhor desenvolvimento em locais com médias anuais de umidade relativa superiores a 80%. Esta condição acelera a emissão das folhas, prolonga sua longevidade, favorece a emissão da inflorescência e uniformiza a coloração dos frutos.
O clima semiárido propicia condições menos favoráveis ao desenvolvimento de doenças fúngicas de parte aérea como o mal-de-sigatoka.

Altitude

A bananeira é cultivada em altitudes que variam de 0 a 1.000 m acima do nível do mar. A altitude influencia nos fatores climáticos (temperatura, chuva, umidade relativa, luminosidade, entre outros) que, consequentemente, afetarão o crescimento e a produção da bananeira. Variações na altitude induzem alterações no ciclo da cultura.
Comparações de bananais conduzidos sob as mesmas condições de cultivo, solos, chuvas e umidade evidenciaram aumento de 30 a 45 dias no ciclo de produção para cada 100 m de acréscimo na altitude.

7 – Exigências climáticas
Antes de se fazer o plantio de um bananal, em escala comercial, é preciso estudar bem os fatores climáticos da localidade, para se saber se eles suprem aqueles que a planta exige. Se eles não forem favoráveis à cultura, dificilmente o produtor obterá bons lucros, pois os fatores climáticos são os grandes responsáveis pelo desenvolvimento da planta.
7.1 - Temperatura
Os limites mais favoráveis de temperatura para o bom desenvolvimento da bananeira estão entre 20° a 24°C, registrados ao redor do pseudocaule a 100 cm do solo. A bananeira também pode se desenvolver satisfatoriamente em locais com temperatura abaixo e acima dos limites citados, porém com prejuízos para o ritmo de seu desenvolvimento e da qualidade da banana.
As temperaturas de 15° e 35°C têm sido apontadas como os limites extremos entre os quais a bananeira encontraria boas condições para crescer e produzir. Se os valores absolutos da temperatura permanecerem dentro desses índices (15° e 35°C), o cultivo da bananeira estará assegurado na área. Temperaturas pouco acima de 24ºC, por breve período de tempo, também são favoráveis à produção da bananeira.
Quando a temperatura mínima cai abaixo de 12ºC, os tecidos da planta são prejudicados, principalmente os da casca do fruto. Se descer até 4ºC, inicialmente começam a aparecer nos bordos das folhas as primeiras manchas amarelas, as quais se acentuam com o tempo, culminando com danos letais nessa área.
Quando a temperatura sobe acima de 35ºC, há inibições no desenvolvimento da planta devido, principalmente, à desidratação dos tecidos, em especial, o das folhas. Isto faz com que elas se tornem rígidas e sujeitas ao fendilhamento mais facilmente.
A temperatura é muito importante para a bananicultura em relação a várias moléstias e pragas que atacam a planta e cuja velocidade de desenvolvimento delas varia em função desse fator.

7.2 - Precipitação
A bananeira necessita permanentemente de umidade, oriunda de chuvas ou de irrigação. Para ela o importante não é a média anual que interessa e sim a diária. O ideal seria que a média anual de chuvas caísse dividida semanalmente.
Regiões onde haja uma estação das chuvas e outra da seca bem definidas não são boas, pois a bananeira não precisa de hibernação para crescer ou produzir.
A quantidade de água que ela precisa para ter um bom desenvolvimento e produção varia com os múltiplos fatores climáticos no que concerne aos seus limites máximos e mínimos e, quanto ao solo, no que se refere aos fatores profundidade, textura, declividade, drenagem, etc.
Se não houver suficiente regularidade e quantidade de chuvas, a irrigação precisará ser feita. Isto é importante, principalmente para as raízes poderem ter um bom e constante desenvolvimento.

7.3 – Umidade Relativa
As regiões onde a umidade relativa média anual situa-se acima de 80% são as mais favoráveis à bananicultura.
Esta alta umidade acelera a emissão de folhas, prolonga a sua longevidade, favorece o lançamento da inflorescência e uniformiza a coloração da fruta. Contudo, quando associada a chuvas e variações de temperatura, provoca a ocorrência de doenças fúngicas.
Sob condições de baixo teor de umidade as folhas tornam-se mais coriáceas e têm vida mais curta.

7.4 – Luminosidade
A bananeira tem seu melhor crescimento quando recebe mais de 2.000 lux (horas de luz/ano queimada no heliógrafo) suportando, contudo, até um limite de 1.000 lux. Valores abaixo são insuficientes para que ela tenha desenvolvimento normal.
Se cultivada em local que receba apenas 30% do limite mínimo de luminosidade, em caráter permanente, a bananeira tende a não interromper seu contínuo e lento desenvolvimento, mantendo-se apenas em fase vegetativa, podendo até mesmo chegar a não entrar no processo da diferenciação floral. Disto resulta que a bananeira não suporta sombra artificial ou natural (cerração, bruma, poluição, sombra de morros, etc.) sobre suas folhas, pois ela retarda seu desenvolvimento, principalmente por não fazer a fotossíntese.
Quando muito acima do limite máximo citado, pode haver queima das folhas, o que acontece, principalmente, durante a fase de cartucho ou folha recém-aberta. Nessa idade da folha seu tecido é muito tenro, ficando vulnerável aos raios solares. Da mesma forma, a inflorescência pode também ser prejudicada pelos mesmos fatores. Apenas nas áreas com luminosidade muito alta (4.000 lux), poder-se-ia pensar em sombrear parcialmente, as bananeiras.

7.5 – Vento
O vento é uma das maiores preocupações comuns a todos os produtores de banana. Os prejuízos e a perda da produção que o vento causa, por derrubar as bananeiras ou romper suas raízes e folhas, são, em geral, maiores do que os provocados pela sigatoka-amarela não controlada.
Esse é um aspecto para o qual os bananicultores e principalmente os brasileiros, não têm voltado sua atenção e, por isso, não protegem suas plantações como o fazem outros povos, em especial os europeus, que consideram o quebra-vento como um seguro agrícola, que fica de geração para geração.
Os ventos são capazes de provocar danos suficientes para arrasar em poucos minutos uma boa plantação. Eles causam prejuízos proporcionais à sua intensidade, a saber:
a) “chilling” ou “friagem” que consiste em danos fisiológicos na bananeira e ou no fruto, causados por baixas temperaturas;
b) desidratação da planta devido à grande evaporação;
c) fendilhamento entre as nervuras secundárias;
d) diminuição da área foliar pela dilaceração das folhas que já foram fendilhadas;
e) rompimento das raízes;
f) quebra do seu pseudocaule;
g) tombamento inteiro da bananeira e sua “família”.

7.6 – Altitude
A altitude afeta diretamente a temperatura, chuvas, umidade relativa, luminosidade, etc., fatores estes que, por sua vez, influem no desenvolvimento e na produção da bananeira.
Trabalhos realizados em regiões tropicais equatorianas, com baixas altitudes, demonstraram que o ciclo de produção da bananeira, principalmente do subgrupo Cavendish, foi de 8 a 10 meses. Nessas regiões, onde a altitude passou para 900 m, ele aumentou para 18 meses.
Comparações feitas entre plantações conduzidas em situações iguais de cultivo, solos, chuvas, umidade, etc., evidenciaram um aumento de 30 a 45 dias no ciclo de produção, a cada 100 m de acréscimo na altitude, em uma mesma latitude.
Estudos feitos com vários cultivares do subgrupo Cavendish, para avaliar seu comportamento em diferentes altitudes, indicaram que os cultivares Mons Marie e Williams foram os menos prejudicados com os maiores índices.

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Importância da Cultura da Banana


A Embrapa Semiarido juntamente com a colaboração de alguns pesquisadores da Embrapa Mandioca e Fruticultura se empenharam em atualizar informações a respeito do cultivo da bananeira irrigada. 
A banana e uma fruta de grande importância mundial e o quarto alimento vegetal mais consumido no mundo, superada pelo arroz, trigo e milho. Segundo os dados daFood and Agriculture Organization of the United Nations - FAO, em 2002, a producao mundialde banana foi de, aproximadamente, 65 milhoes de toneladas e a area plantada de, aproximadamente, 4 milhoes de hectares. O Brasil foi o terceiro maior produtor mundial de banana, com 6,4 milhoes de toneladas, atras do Equador (7,5 milhoes) e da India (16 milhoes). A produtividade brasileira media ainda e baixa, apenas 12,5 t/ha, as principais causas desta baixa produtividade estao relacionadas as condicoes climaticas e a baixa utilizacao de tecnologias disponiveis. Na sequencia das orientacoes e tecnicas apresentadas pelo presente sistema de producao o leitor tera numa linguagem simples informacoes especificas para melhorar o manejo e a produtividade da cultura da bananeira irrigada.

A cultura da banana está presente em todos os estados brasileiros, sendo a fruta com maior volume de produção após as frutas cítricas. Planta de demanda hídrica relativamente elevada, a bananeira desempenha papel preponderante na maioria dos perímetros irrigados no Nordeste do Brasil, incluindo a região do Submédio São Francisco.
A obtenção de altas produtividades da cultura, com a qualidade da fruta conforme demandas dos mercados, exige o uso de técnicas adequadas e a atenção especial dos produtores em todas as fases do seu cultivo. Ciente disso, a Embrapa Mandioca e Fruticultura, situada em Cruz das Almas, BA, em parceria com a Embrapa Semiárido, localizada em Petrolina, PE, elaborou este sistema de produção para a cultura irrigada da bananeira no Submédio São Francisco, contando com a colaboração de técnicos e produtores que atuam nesta região do Vale do Rio São Francisco.
Este sistema de produção apresenta as informações técnicas necessárias ao cultivo da bananeira nas fases de estabelecimento do plantio, tratos culturais, controle de pragas e doenças, manejo na colheita e pós-colheita, além de informações sobre o processamento da fruta e cuidados que devem ser dispensados durante o manuseio e a utilização dos agrotóxicos.
Procurou-se inserir os avanços tecnológicos para melhorar a qualidade da fruta produzida na região e aumentar sua competitividade no mercado nacional. Desta forma, espera-se que este sistema de produção contribua, significativamente, como instrumento de mudança na forma de produzir banana irrigada na área de abrangência da região, agregando tecnologia ao sistema, para melhoria da renda e da qualidade de vida do agricultor.
Dentre as frutas produzidas no Brasil, a banana ocupa o segundo lugar em área colhida (aproximadamente 481 mil hectares), produção (6,9 milhões de toneladas) e consumo aparente por habitante (30 kg/ano) (IBGE, 2013). É consumida, nas diversas camadas da população brasileira, como sobremesa e fonte de vitaminas e nutrientes, sendo rica principalmente em potássio (2.640 a 3.870 mg/kg). A fruta contém vitaminas C (59 a 216 mg/kg), B6 (0,3 a 1,7 mg/kg) e B1 (0,3 a 0,9 mg/kg); minerais, como potássio, magnésio (240 a 300 mg/kg), fósforo (160 a 290 mg/kg), cálcio (30 a 80 mg/kg), ferro (2 a 4 mg/kg) e cobre (0,5 a 1,1 mg/kg); carboidratos (203 a 337 g/kg); proteínas (11 a 18 g/kg), apresentando baixos teores de lipídeos (1,0 a 2,0 g/kg) e baixo valor calórico (780 a 1.280 kcal/kg) (TACO, 2011). Todavia, a parcela da renda gasta na aquisição dessa fruta é de apenas 0,80% do total das despesas com alimentação (IBGE, 2008).
A produção brasileira de banana está distribuída por todo o território nacional, sendo a região Nordeste a maior produtora (35%), seguida do Sudeste (33%), Sul (16%), Norte (12%) e Centro Oeste (4%). O Estado da Bahia participa com 72,4 mil ha (maior área) e Pernambuco, 40,8 mil ha (sexta maior área). A produção de ambos foi de 1.490.920 t (segunda maior produção nacional) e 407.574 t (sétima maior produção nacional), respectivamente (IBGE, 2013).
Embora a região do Submédio São Francisco apresente excelentes condições de clima e solo para a produção irrigada de banana de alto padrão de qualidade, ainda é preciso superar, em grande parte, a baixa eficiência na produção e no manejo pós-colheita. São vários os problemas que afetam a bananicultura da região, principalmente no que se refere ao manejo e tratos culturais dispensados à cultura e ao tratamento pós-colheita.
A região do Submédio São Francisco envolve vários projetos de irrigação, tais como Nilo Coelho, Mandacaru, Salitre, Tourão, Curaçá, Pontal, que em conjunto mantêm uma produção de frutas que coloca este polo como destaque no cenário nacional e também internacional. Nesta microrregião, a cultura da banana, que chegou a atingir em 2002-2003 mais de 5.000 ha colhidos, em 2011, destinou à colheita cerca de 2.400 ha, cuja produção foi de 48.056 t. Neste cenário a cultivar ‘Pacovan’ domina mais de 80% da área.

A banana (Musa spp.) é uma fruta de consumo universal, sendo umas das mais consumidas no mundo, e, é comercializada por dúzia, por quilo e até mesmo por unidade. É rica em carboidratos e potássio, médio teor em açúcares e vitamina A, e baixo em proteínas e vitaminas B e C.
A banana é apreciada por pessoas de todas as classes e de qualquer idade, que a consomem in natura, frita, assada, cozida, em calda, em doces caseiros ou em produtos industrializados.
A fruta verde é usada in natura com grande sucesso na desidratação infantil, depois de bem homogeneizada no liquidificador; seu tanino, revestindo as paredes intestinais e do tubo digestivo, evita, por ação mecânica, que as células do órgão continuem se desidratando.
No meio rural é utilizada, ainda verde, como alimento de animais, depois de cozida, para eliminar o efeito do tanino nos intestinos.
A importância da bananicultura varia de local para local, assim como de país para país. Por vezes, ela é plantada para servir de complemento da alimentação da família (fonte de amido), como receita principal ou complementária da propriedade ou como fonte de divisas para o país.
Com freqüência, seu cultivo é feito em condições ecológicas adversas, mas, em vista da proximidade de um bom mercado consumidor, esta atividade se torna economicamente viável.
Há uma grande diversidade de cultivares, cujos frutos têm vários sabores e utilizações. O porte das plantas varia de 1,50 m a 8,0 m e seus cachos podem ser compostos por algumas bananas ou centenas delas.
Merece realçar que seu tronco não é um tronco e, sim, um imbricamento de bainhas de folhas. Seu período de vida é definido pelo aparecimento do “filhote” na superfície do solo e a sua colheita ou a seca do seu cacho. Entretanto, sua lavoura é considerada de caráter permanente na área.
As bananas cultivadas podem ser divididas em duas classes: as consumidas frescas ou industrializadas e as consumidas fritas ou assadas, que chamamos de bananas de fritar ou da terra. Na língua espanhola, apenas as bananas do subgrupo Cavendish (“Nanica”, “Nanicão”, “D”água”, etc.) são chamadas de bananas; as demais são conhecidas por   “plátanos”.


domingo, 17 de junho de 2018

Colheita e Pós Colheita do Guaraná

Colheita

A colheita é feita manualmente, devendo-se utilizar uma tesoura de poda para a retirada dos cachos. O cacho pode ser colhido por inteiro se os frutos estiverem todos maduros, com no mínimo 50% deles abertos (Figura 1A). Se não for o caso, a coleta dos frutos deve ser individual (Figura 1B). 
Os frutos, quando maduros, apresentam coloração que vai do amarelo ao vermelho e depois se abrem parcialmente deixando as sementes expostas, assemelhando-se a um olho humano, e podem ser retirados com as mãos. Neste estágio, se não forem colhidas, as sementes irão cair, entrando em contato com o solo e tendo sua qualidade prejudicada. 
O guaranazeiro apresenta frutificação desuniforme dentro de uma mesma planta, o que determina a necessidade de se proceder à colheita pelo menos duas vezes por semana. Esta frequência poderá aumentar ou diminuir de acordo com a velocidade de maturação dos frutos.
Fotos: Murilo Arruda 

Figura 1. Cacho de em ponto de colheita (A) e frutos maduros sendo colhidos individualmente (B).

Despolpamento

Logo após a colheita, os frutos deverão ser acondicionados em sacos ou ser amontoados, por até três dias, para fermentação em local limpo, sobre piso de cimento ou cerâmica e de preferência fechado, para evitar o contato com animais. Essa fermentação facilita a retirada da casca, que pode ser feita manualmente ou com equipamentos apropriados. Após o despolpamento, as sementes devem ser lavadas em água limpa e classificadas em dois tamanhos, por peneira de 6 mm.

Torrefação

Após a classificação, as sementes deverão ser torradas separadamente, o que possibilitará a uniformização do ponto de torrefação, com a consequente obtenção de um produto homogêneo. A torrefação pode ser feita em tacho de barro (Figura 1A) ou metálico (Figura1B), em fogo brando, mexendo-se as sementes constantemente para melhor distribuição do calor.
Fotos: Murilo Arruda 
Figura 1. Torrefação do guaraná em forno de barro (A) e em forno metálico (B).
Para a torrefação no tacho de barro (a mais usual), o tempo é de quatro a cinco horas; enquanto no tacho metálico esse tempo é reduzido para cerca de três horas e meia. No tacho metálico, pode se adicionar água no início da torrefação, para diminuir a possibilidade de queima das sementes no início do processo, pois a temperatura atingida nesse tipo de recipiente é mais alta quando comparada com o de barro. As sementes estarão prontas quando atingirem o "ponto de estalo", indicativo de que a umidade nas sementes está em torno de 5% a 7%, teor exigido pela indústria de refrigerantes; enquanto para os produtores de guaraná em bastão, essa umidade deve ser de 8% a 12%.
Após o resfriamento, as sementes deverão ser armazenadas em sacos aerados, de preferência de fibras naturais, como os de aniagem ou juta. O tempo de armazenamento, desde que em condições adequadas, deve ser de no máximo dezoito meses.

Comercialização

Guaraná em bastão

A forma mais antiga de se comercializar o guaraná é em bastão, método desenvolvido pelos índios na região de Maués. No Amazonas, e principalmente no Mato Grosso, existe grande demanda por  este tipo de produto. Depois de torrado, elimina-se o casquilho do grão e este será triturado e pilado ou somente pilado (artesanal) misturando-se com água, formando uma pasta consistente que será moldada na forma de bastão, conhecida por panificação. O bastão passa por um processo de desidratação, conhecido por defumação prolongada, o que consolidará o formato comercial (Figura 1). Na região, o bastão normalmente é ralado para ser transformado em pó e consumido.
Foto: Firmino José N. Filho
Figura 1. Bastão de guaraná.

Guaraná em rama

São as sementes torradas (Figura 2), utilizadas na produção de xaropes e extratos de guaraná. É a maneira mais comum de comercialização do guaraná pelos produtores do Amazonas, mas a de menor valor agregado.
Foto: Murilo Arruda
Figura 2. Guaraná em rama.

Guaraná em pó

São as sementes torradas e finamente moídas (Figura 3), utilizadas para o preparo de bebidas, sorvetes, cremes e outros alimentos a base de guaraná. É um produto de valor agregado mais alto, pouco utilizado pelos produtores para comercialização, e é a forma comumente encontrada no comércio varejista.
Foto: Murilo Arruda
Figura 3. Guaraná em pó.

Usos

O guaraná é utilizado na forma de pó, bastão, xaropes e extratos. Nos refrigerantes, o conteúdo mínimo de sementes de guaraná é de 0,2 g e o máximo é de 2 g/litro ou o seu equivalente em extrato (Lei dos sucos n.º 5.823, de 14/11/1972). O guaraná pode ainda ser utilizado na fabricação de bebidas energéticas, sorvetes, cremes, além de fármacos, cosméticos, confecção de artesanato, entre outros.