domingo, 14 de outubro de 2018

Irrigação e Tratos Culturais na Bananeira



Irrigação

Métodos

Nas condições semiáridas do Submédio São Francisco, os métodos pressurizados aspersão, microaspersão, miniaspersão e gotejamento são os mais recomendados.

O método da aspersão é o que molha completamente todo o solo (área molhada de 100%), e, quando usado, os aspersores devem ficar a 1 m do solo, com ângulo de inclinação no máximo de 7 graus.

No caso da microaspersão, utilizar um microaspersor de vazão superior a 45 L/h, para quatro plantas, preferencialmente dispostas em fileiras duplas.

No caso do gotejamento, deve-se utilizar pelo menos dois gotejadores por planta, preferencialmente em faixa continua. É o sistema de menor área molhada, dificulta a mineralização da matéria orgânica por não molhar a superfície do solo e requer fertirrigação, podendo, portanto, não ter o resultado dos sistemas anteriores.

Quantidade de água necessária
A demanda de água pela bananeira em seu primeiro ciclo inicia-se com 45% da evapotranspiração potencial nos primeiros 70 dias, elevando-se para 85% da evapotranspiração potencial aos 210 dias (fase de formação dos frutos), atingindo um máximo de 110% da evapotranspiração potencial aos 300 dias.

Tabela 1. Sugestões para aplicação de água em litros por planta, por dia, para condições semiáridas.

Meses após o plantio
Meses do ano
1 - 2 mês
5 - 8 mês
9 - 12 mês
----------------------------------- L/planta/dia -----------------------------------
Janeiro - abril
13
25
36
Maio - julho
10
20
28
Agosto - setembro
11
22
30
Outubro - dezembro
16
30
42
A Tabela 1 sugere volumes de água a serem aplicados conforme o estádio da planta e o período do ano. Esses valores devem servir de base para irrigação, mas devem ser ajustados localmente conforme a necessidade.

Manejo da irrigação
Os níveis de tensão de água do solo recomendados para a bananeira situam-se entre 0,25 atm a 0,45 atm, para camadas superficiais do solo (até 0,25 m), e entre 0,35 atm até 0,50 atm, para profundidade próxima de 0,40 m. Caso se decida pelo uso de tensiômetros para monitorar a disponibilidade de água no solo, recomenda-se instalá-los em quatro baterias por hectare, sendo cada bateria composta por dois tensiômetros à profundidade entre 0,20 m e 0,40 m e distância de 0,30 a 0,40 m da planta em direção ao microaspersor.

Em se utilizando a evaporação do tanque classe A para estimar a demanda de água pela bananeira, deve-se multiplicar a leitura do tanque por 0,85 a 1,0 para as condições do Submédio São Francisco.

Frequência de irrigação
A irrigação por aspersão em solos franco-arenosos e arenosos pode ser feita em intervalos máximos de cinco dias em regiões semiáridas, podendo-se estender para sete dias em caso de solos argilosos.

A irrigação localizada deve ser feita em intervalo de um dia, e pelo menos duas vezes por dia em solos arenosos (areia franca e areia).

Tratos culturais

A realização das práticas culturais de forma correta e na época adequada é de fundamental importância para o bom desenvolvimento e produção da bananeira. As principais práticas no cultivo da bananeira são:

Desbaste
Esta prática consiste na seleção de um dos filhos na touceira, eliminando-se os demais. Os filhos podem começar a surgir a partir dos 45 a 60 dias após o plantio. Selecionar, preferencialmente, brotos profundos, vigorosos e separados 15 a 20 cm da planta mãe. Deve-se desbastar as touceiras, mantendo uma população de plantas que permita uma boa produtividade, qualidade e que favoreça o controle de pragas.

Em cada ciclo de produção do bananal estabelecido em espaçamentos convencionais, deve-se conduzir a touceira com mãe e um filho. A seleção do neto deve ocorrer quando a planta-mãe está para ser colhida. Recomenda-se manter uma planta de cada geração por touceira.

O desbaste é feito cortando-se a planta, filho ou neto, rente ao solo. Em seguida extrai-se a gema apical com auxílio da ferramenta denominada "lurdinha", ou pode-se ainda optar pelo simples corte das brotações, que, neste caso, teriam que ser realizadas três a quatro vezes, para impedir o crescimento. Em áreas de ocorrência de bacterioses, fazer a devida desinfecção das ferramentas.

Desfolha
Consiste em eliminar as folhas secas, partes de folhas doentes, folhas totalmente amarelas e folhas que deformem ou causem danos aos frutos. As operações devem ser realizadas eliminando folhas com cortes de baixo para cima, rente ao pseudocaule, evitando o esfacelamento da bainha.

Eliminação da ráquis masculina ("coração")
A eliminação do coração da bananeira proporciona aumento do peso do cacho, melhora a sua qualidade e acelera a maturação dos frutos; reduz os danos por tombamento das bananeiras, além de ser uma prática fitossanitária no controle do tripes e do moko.

A eliminação da ráquis masculina deve ser feita logo após a abertura da última penca, quando houver 10 a 20 cm de raque, mediante a sua quebra ou corte e, em seguida, a mesma deve ser fracionada, acelerando assim a sua decomposição.

Ensacamento do cacho e eliminação da última penca

Ensacamento do cacho e eliminação da última penca é uma prática comum realizada na região do Submédio São Francisco. O uso do saco tem a finalidade de proteger a fruta dos ataques de predadores, tripes, fungos e até mesmo das visitas de insetos como mariposa, traça-das-bananeiras e abelhas arapuás. A prática reduz também o ataque das lesmas, dos pássaros e dos morcegos, principalmente durante o inverno, quando há falta de alimentos para esses animais, que chegam a se alimentar de frutos ainda verdes, bem como evita que as cobras venham a se aninhar nos cachos. Além disso, melhora a aparência e qualidade da fruta, ao reduzir os danos provocados por arranhões e pelas queimaduras no pericarpo, em consequência da fricção de folhas dobradas.

Antes de colocar o saco, eliminam-se os frutos da última penca, deixando-se apenas um fruto na região central dessa penca para facilitar a circulação da seiva (a prática pode ser realizada também se eliminando as duas últimas pencas do cacho). Na mesma ocasião, faz-se também a eliminação dos restos florais para evitar a decomposição das brácteas dentro do cacho. Em seguida, realiza-se o ensacamento utilizando o saco enrolado, evitando-se assim o seu rompimento, desenrolando-o em seguida, cuidadosamente. O saco dever ser amarrado ao engaço, na parte imediatamente acima da primeira cicatriz da bráctea.

Após o uso, são obrigatórios a coleta e o encaminhamento dos sacos para reciclagem.

Escoramento
Pode ser feito utilizando-se escora de madeira (ex: bambu) ou fitas de polipropileno. As fitas podem ser amarradas preferencialmente no engaço, junto à roseta foliar e na base de outra planta que, pela sua localização, confira maior sustentabilidade à planta com cacho. A fita de polipropileno apresenta boa durabilidade (até a colheita do cacho), baixo custo e fácil manejo. Após o uso, as fitas devem ser retiradas da área de cultivo e destinadas à reciclagem.

No Submédio São Francisco não é comum a prática do escoramento. Devido ao custo elevado, o produtor deve optar por cultivares de porte baixo e mais resistentes ao tombamento. Nas cultivares de porte alto como a ‘Pacovan’, o escoramento é oneroso e pouco eficiente.

Corte do pseudocaule após a colheita
Do ponto de vista prático e econômico, o mais aconselhável é o corte do pseudocaule próximo ao solo, imediatamente após a colheita do cacho, pelas seguintes razões: a) evita que o pseudocaule, não cortado, promova a ocorrência de doenças; b) a matéria orgânica adicionada melhora os atributos físicos e químicos do solo, devido à rápida e eficiente incorporação e distribuição da fitomassa da colheita; e c) reduz custos pela realização de um único corte.

No momento de corte do pseudocaule, é indicado proceder à confecção de iscas para o controle do moleque da bananeira. O material não utilizado para as iscas deve ser seccionado e espalhado na área.

Capina
O controle de plantas infestantes será abordado em item específico.




quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Plantio da Banana Irrigada



Tratos culturais inadequados podem provocar baixa produtividade e infestação por doenças e pragas que afetam o desenvolvimento das plantas. A baixa produtividade dos bananais também decorre da falta de planejamento. O produtor precisa saber o tempo certo de plantar, de adubar, fazer o desperfilamento e até mesmo o modo adequado de colher.

Planejamento do bananal

Nesta etapa, o produtor deve prever e analisar alguns aspectos relevantes à sua atividade, como o acesso à propriedade durante o ano todo, o rápido escoamento da produção, a topografia da área de produção, a eficiência dos sistemas de irrigação e/ou drenagem, a qualidade da água e a escolha de cultivares demandadas pelo mercado.
A construção de estradas e carreadores interligando as subáreas de produção possibilita o tráfego de veículos, máquinas e implementos agrícolas que facilitam operações rotineiras como o escoamento da produção, a aplicação de agrotóxicos, a distribuição de fertilizantes e a colheita.

Época de plantio

A importância da época de plantio, quando é conhecido o ciclo vegetativo da cultivar a ser plantada, permite condicionar a colheita para o período de melhor preço do produto no mercado. O ideal é a existência de um calendário que indique as melhores épocas de plantio da bananeira nas diferentes regiões homogêneas produtoras.
O plantio pode ser realizado em qualquer época do ano, uma vez que toda a região do Submédio São Francisco é irrigada. O plantio deve ser escalonado para que haja produção durante todo o ano.

Preparo do solo

O preparo adequado do solo é importante para o bom desenvolvimento das raízes da bananeira, o que facilita a absorção de água e nutrientes e melhora a produção.

Espaçamento e densidade de plantio

Os espaçamentos utilizados para o cultivo da bananeira estão relacionados com o clima, o porte da cultivar, as condições de luminosidade, a fertilidade do solo, a topografia do terreno e o nível tecnológico dos cultivos. Para as condições do Submédio São Francisco, são recomendados os espaçamentos em função da cultivar descritos na tabela 1.
Tabela 1. Espaçamentos e densidade de plantio das cultivares plantadas e recomendadas para a região do Submédio São Francisco.
Cultivar
Espaçamento (m)
Densidade (plantas por hectare)
Prata Anã (AAB) / Fhia-Maravilha / BRS Platina / BRS Princesa / Prata Graúda
Fileira dupla: 4 x 2 x 2 e 4 x 2 x 1,8.
Fileira simples: 3 x 2 e
3 x 1,8.
1.666 a 1851.
Pacovan / BRS Preciosa
Fileira dupla: 4 x 2 x 3 e 4 x 2 x 2,4.
Fileira simples: 3 x 3 e
3 x 2,4.
1.111 a 1.388.

Coveamento e sulcamento
Em áreas não mecanizáveis, as covas são abertas manualmente, com cavador e/ou enxadas, nas dimensões de 30 cm x 30 cm x 30 cm ou 40 cm x 40 cm x 40 cm, de acordo com o tamanho ou peso da muda e a classe do solo. As primeiras destinam-se às mudas cujo peso varia entre 0,5 e 1,0 kg. As últimas, às mudas de 1,0 a 1,5 kg, respectivamente. É muito importante que as mudas ou rizomas sejam uniformes em tamanho e peso.
Os sulcos de plantio podem ser de 30 cm de profundidade.

Plantio e replantio

As mudas micropropagadas, depois de climatizadas por um período de 45 a 60 dias, são levadas para o local de plantio, em época de alta umidade, a fim de facilitar o seu estabelecimento. Devem ser retiradas cuidadosamente do recipiente que as contém, para não danificar as raízes, e distribuídas no centro das covas, sobre a terra misturada, com adubo orgânico e fertilizante fosfatado, fechando-se a cova após o plantio.
O plantio de mudas procedentes de viveiros ou de bananal sadio é feito de acordo com os tipos (chifrinho, chifre e chifrão), e devem ser plantadas nesta ordem, colocando numa mesma área as mudas do mesmo tamanho. Qualquer tipo de muda a ser utilizada no plantio (chifrinho, chifre ou chifrão) deve ter rebaixada a sua parte aérea, deixando, aproximadamente 3 cm de pseudocaule, e, logo após o plantio, coloca-se 3 a 5 cm de terra solta sobre o mesmo, evitando-se que os tecidos sejam danificados pela exposição direta da luz solar.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Produção e obtenção de mudas de Banana Irrigada



Produção e obtenção de mudas

As mudas têm papel fundamental na qualidade fitossanitária do bananal, uma vez que pragas (nematoides e broca-do-rizoma) e doenças (mal-do-panamá, moko, podridão-mole e vírus) podem ser disseminadas pelo uso de mudas contaminadas. Além do aspecto fitossanitário, a precocidade do primeiro ciclo, produção e peso médio do cacho também devem ser considerados em função do tipo da muda. Os principais métodos de obtenção e produção de mudas são a seguir descritos.

Propagação convencional
As bananeiras cultivadas são propagadas por meio de mudas desenvolvidas a partir de gemas do seu caule subterrâneo, o rizoma. O ideal é que as mudas sejam oriundas de viveiros estabelecidos com a finalidade exclusiva de produção de material propagativo de boa qualidade. Os viveiros devem ser implantados no espaçamento de 1,0 x 1,5m e devem ser renovados de quatro em quatro anos.

No caso da inexistência de viveiros, as mudas devem ser obtidas de bananal com plantas bem vigorosas e em ótimas condições fitossanitárias, com idade inferior a quatro anos e que não apresente mistura de cultivares e presença de plantas infestantes de difícil erradicação, a exemplo da tiririca ou dandá (Cyperus rotundus). Para produção de mudas devem ser adotados os seguintes cuidados: 1) utilizar solos que ainda não tenham sido cultivados com bananeiras; 2) usar mudas isentas de pragas e doenças; e 3) fazer desinfecção das ferramentas no viveiro durante os tratos culturais.

As mudas mais adequadas para o plantio são: a) Chifrinho - caracterizada por apresentar altura entre 20 a 30 cm e presença única de folhas lanceoladas; b) Chifre - de 50 a 60 cm de altura e folhas lanceoladas; e c) Chifrão - altura entre 60 e 150 cm, apresentando mistura de folhas lanceoladas com folhas típicas de planta adulta.

Fracionamento de rizoma
É uma técnica de propagação simples e de elevada taxa de multiplicação, indicada para qualquer cultivar de bananeira, consistindo das seguintes etapas: a) arranquio das plantas, preferencialmente com rizoma bem desenvolvido; b) limpeza do rizoma mediante a remoção de raízes e partes necrosadas, c) eliminação de parte das bainhas do pseudocaule, de modo a expor as gemas intumescidas; d) fracionamento do rizoma em tantos pedaços quantas forem as gemas existentes e; e) plantio dos pedaços de rizoma em canteiros devidamente preparados com matéria orgânica.

Recomenda-se que os rizomas tenham peso aproximado de 800 g quando obtidos de plantas que não floresceram, e entre 1200 a 1500 g de plantas já colhidas.

Para o plantio deve-se abrir sulcos com profundidade suficiente para enterrar completamente os pedaços de rizoma, utilizando o espaçamento de cerca de 20 cm entre sulcos por 5 cm entre frações. Durante toda a fase de canteiro deve-se realizar irrigação para manter o solo sempre úmido, assegurando assim índice de pegamento em torno de 70%. Como as gemas apresentam diferentes estádios de desenvolvimento fisiológicos, a transferência das mudas, com todo o sistema radicular, para campo deve ser iniciada a partir do 3º mês.

Micropropagação
A micropropagação, ou propagação in vitro, consiste no cultivo, sob condições assépticas e controladas em laboratório, de segmentos muito pequenos de plantas, os explantes. Por meio dessa técnica obtém-se grande número de mudas idênticas à planta matriz em curto período de tempo. As mudas tipo chifrinho são as indicadas para o cultivo in vitro, mas também podem ser utilizadas gemas laterais de plantas mais desenvolvidas. A planta matriz deve ser vigorosa e livre de patógenos.

As etapas da micropropagação são: a) estabelecimento – redução do tamanho do material de partida (explante), esterilização superficial e introdução in vitro; multiplicação – cultivos sucessivos em meio de cultura contendo regulador de crescimento para estimular a formação de brotações; b) enraizamento e alongamento – individualização dos brotos, crescimento da parte aérea e formação de raízes; e d) aclimatização – adaptação da planta ao ambiente externo ao laboratório.

As mudas de banana micropropagadas, por serem geneticamente uniformes, sadias, vigorosas e por permitirem a aplicação de tratos culturais e colheitas mais homogêneas, são recomendadas para sistemas de produção tecnificados. São ainda mais produtivas e evitam a disseminação de pragas e doenças.

Mudas

A produção comercial de mudas de bananeira é feita a partir dos rebentos que se desenvolvem no caule subterrâneo, chamado rizoma, bem como por meio do corte desse rizoma em pedaços e por micropropagação, que é realizada em laboratório.

As mudas de bananeira devem ser de boa procedência. Para a sua retirada do bananal, devem ser selecionadas touceiras que apresentem melhor vigor vegetativo e que tenham produzido cachos de bom peso e com bananas de bom tamanho. Existem vários tipos de muda, destacando-se as seguintes: chifrinho, chifre, chifrão, muda adulta (Figura 1) e rizoma fracionado. Os diferentes tipos de muda têm uma única origem: são todas provenientes do rizoma e diferenciam-se apenas no que se refere ao desenvolvimento. O rebento com 0,20 m a 0,30 m ou dois a três meses de idade, recebe o nome de chifrinho; passa a denominar-se chifre ao atingir 0,30 m a 0,60 m de altura, ambos possuem folha em forma de lança. Quando o rebento encontra-se mais desenvolvido, com idade aproximada de sete a nove meses (0,60 m a 1,50 m) e apresentando a primeira folha normal, recebe o nome de chifrão. O contínuo desenvolvimento do rebento leva-o ao estágio de muda adulta, ocasião em que está apta a emitir a florescência (futuro cacho).

Foto: Luiz Gonzaga Bione Ferraz
Figura 1. Tipos de muda de bananeira.

Para o arranquio deve ser feita uma vala em torno da muda a ser retirada e separada da planta-mãe usando uma pá reta, fechando-se a vala em seguida. Deve-se ter o cuidado para não retirar mudas em excesso, nem tampouco retirar na época de produção do cacho. A limpeza das mudas deve ser realizada no local de origem, retirando-se todas as raízes e eliminando de forma superficial o tecido escuro que envolve o rizoma da muda, com o uso de uma faca. Essa operação é chamada de descorticamento (Figura 2). Após a limpeza, as mudas que apresentarem galerias provocadas pela broca-da-bananeira ou lesões causadas por nematóides deverão ser descartadas.

Foto: Luiz Gonzaga Bione Ferraz
Figura 2. Limpeza da muda de bananeira.

Foto: Luiz Gonzaga Bione Ferraz
Figura 3. Muda limpa e rebaixada

Na propagação por fracionamento de rizoma, que é usada quando há dificuldade de se obter mudas, selecionam-se plantas que já produziram ou que estejam em floração, e também mudas altas. Em seguida são retirados os rizomas, que após a limpeza são cortados verticalmente em pedaços longitudinais podendo variar entre quatro e oito pedaços, a depender do tamanho do rizoma e da variedade; porém, devem ter um peso mínimo em torno de 1 kg. Após o tratamento preventivo, os pedaços de rizoma necessitarão da “ceva” para cicatrização do corte e desenvolvimento das gemas laterais. A ceva consiste em enterrar os pedaços de rizoma em canteiros especialmente preparados para este fim, nos quais serão abertos sulcos distanciados 20 cm entre si para que o pedaço de rizoma seja colocado levemente inclinado, com o “olho” voltado para baixo e enterrado completamente. Deve-se cobrir o canteiro com plástico ou palhas e periodicamente irrigá-lo para manter o solo sempre úmido. Após 21 dias, realizam-se as primeiras observações e a retirada dos pedaços com gemas laterais inchadas. A segunda retirada deve ser realizada oito dias após a primeira e, daí por diante, semanalmente até a quarta retirada. Os pedaços que até então não brotarem serão descartados, por possuir baixo vigor. Cada retirada irá compor um talhão diferente, para dar maior uniformidade às mudas por ocasião do plantio definitivo.

Atualmente, vem ganhando espaço entre os bananicultores a utilização de mudas propagadas por cultura de tecidos (Figura 4) em laboratórios chamados biofábricas. Essa forma de produzir mudas é chamada micropropagação ou propagação in vitro. São mudas livres de doenças e pragas, o que evita a disseminação desses problemas no campo.

Foto: Luiz Gonzaga Bione Ferraz
Figura 4. Mudas de bananeira micropropagadas.




domingo, 16 de setembro de 2018

Cultivares de Banana em Regime de Irrigação



Cultivares
A escolha da cultivar de bananeira depende da preferência do mercado consumidor e do destino da produção (indústria ou consumo in natura). Existem quatro padrões ou tipos principais de cultivares de bananeira: Prata, Maçã, Cavendish (Banana D’Água ou Caturra) e Terra. Dentro de cada tipo há uma ou mais cultivares.

Recentemente vem surgindo a necessidade de mudança nas cultivares tradicionalmente plantadas na região do Submédio do Vale do São Francisco devido aos prejuízos frequentes que muitos produtores têm tido com a cultivar ‘Pacovan’. Esta cultivar por ter porte alto fica extremamente vulnerável à queda provocada pelos fortes ventos que ocorrem normalmente na região entre os meses de novembro a março. Eventualmente, pode ocorrer queda fora desta época. As perdas ocorridas decorrentes do tombamento das plantas penalizam severamente os pequenos agricultores. Dessa forma, os produtores de banana vêm optando gradativamente por cultivares de porte baixo e médio. As cultivares do subgrupo Cavendish (Nanica, Nanicão e Grande Naine), Maçã e Prata-Anã e suas variações como Prata Rio e Prata Gorutuba vêm sendo plantadas em razão da maior segurança econômica de retorno de seus investimentos.

Recomenda-se introduzir cultivares novas com características de resistência a pragas e doenças como a ‘BRS Preciosa’, ‘BRS Princesa’, ‘BRS Platina’, ‘Fhia-Maravilha’ e a ‘Prata Graúda’, visando desenvolver novas opções de mercado.

cv. Pacovan
Resultante de uma mutação da Prata, pertence ao grupo AAB e é mais produtiva e vigorosa do que esta cultivar. Tem porte alto, superior ao da ‘Prata’. O pseudocaule é verde-claro, com poucas manchas escuras. O cacho é pouco cônico, as brácteas da ráquis floral masculina são limpas (sem restos florais), coração médio e frutos grandes, com quinas proeminentes mesmo quando maduros, ápices em forma de gargalo e sabor azedo-doce, mais ácido do que a ‘Prata’. A cultivar é suscetível às sigatokas amarela e negra e ao mal-do-panamá, todavia apresenta boa tolerância à broca-do-rizoma e aos nematoides. Tem boa aceitação pelos consumidores.


cv. Prata Anã
É uma cultivar do grupo AAB, com alta capacidade produtiva, pseudocaule muito vigoroso de cor verde-clara, brilhante, com poucas manchas escuras próximo à roseta foliar. O porte é médio a alto, cacho cônico, ráquis com brácteas persistentes, coração grande e frutos pequenos, com quinas, ápices em forma de gargalo e sabor acre-doce (azedo-doce). A cultivar é suscetível às sigatokas amarela e negra e ao mal-do-panamá, todavia apresenta boa tolerância à broca-do-rizoma e aos nematoides.


cv. BRS Preciosa
A banana ‘BRS Preciosa’, criada pela Embrapa e recomendada em 2003, é um híbrido tetraploide, do grupo AAAB, de porte alto, resultante do cruzamento da cultivar Pacovan com o híbrido diploide (AA) M53. A cultivar é rústica com frutos grandes que são mais doces e apresentam resistência ao despencamento semelhantes aos da Pacovan (Figura 1). Essa cultivar além de resistente à sigatoka-negra, apresenta também resistência à sigatoka-amarela e ao mal-do-panamá.

Em área de produção orgânica no Submédio São Francisco, no primeiro ciclo, a banana ‘ BRS Preciosa’ apresentou porte mais baixo e produtividade, número de frutos por cacho, peso e comprimento médio dos frutos iguais aos da ‘Pacovan’, podendo ser uma opção para o sistema orgânico na região.

Foto: Ana Lúcia Borges
Figura 1. Banana ‘BRS Preciosa’ (AAAB) cultivada em sistema orgânico.


cv. BRS Princesa
É um híbrido tetraploide do grupo AAAB, criado e lançado pela Embrapa em 2008, resultante do cruzamento da cultivar Yangambi nº 2 com o híbrido diploide (AA) M53. O porte é médio a alto, os frutos são parecidos externamente e têm sabor semelhante aos da cultivar Maçã (Figura 2). A ‘BRS Princesa’ além de resistente à sigatoka-amarela, é também tolerante ao mal-do-panamá. Todavia, não é resistente à sigatoka-negra.

Foto: Sebastião de Oliveira e Silva.
Figura 2. Cacho da bananeira ‘BRS Princesa’.

cv. BRS Platina
É um híbrido tetraploide (AAAB), criado e recomendado pela Embrapa em 2012, resultante do cruzamento entre ‘Prata Anã’ (AAB) e o diploide M53 (AA). Apresenta bom perfilhamento, porte médio, características, tanto de desenvolvimento quanto de rendimento, idênticas às da ‘Prata Anã’ (Figura 3). Os frutos também se assemelham aos dessa cultivar na forma, tamanho e sabor, porém, devem ser consumidos com a casca um pouco mais verde, à semelhança das cultivares do subgrupo Cavendish. Ela se diferencia da ‘Prata Anã’ por ser resistente à sigatoka-amarela e ao mal-do-panamá. Apresenta produtividade média de aproximadamente 20 t/ha/ano e sob condições de solo de boa fertilidade, apresenta rendimento médio de até 40 t/ha/ano.

Foto: Sergio Luiz Rodrigues Donato.
Figura 3. Planta e cacho da cultivar BRS Platina (AAAB).


cv. Fhia-Maravilha
A cultivar Fhia-Maravilha, também conhecida como Fhia-01, é um híbrido tetraploide (AAAB), resultante do cruzamento entre ‘Prata Anã’ (AAB) e o diploide SH3142 (AA). Introduzida de Honduras (América Central), foi avaliada em vários locais e recomendada pela Embrapa em 2003. Os frutos e a produção são maiores que os da ‘Prata Anã’. A polpa é mais ácida do que a dessa cultivar. Apresenta resistência às sigatokas negra e amarela e ao mal-do-panamá (Figura 4).

Foto: Sergio Luiz Rodrigues Donato.
Figura 4. Planta com cacho da cultivar Fhia-Maravilha (AAAB).


cv. Prata Graúda
A cultivar de bananeira Prata-Graúda é um híbrido tetraploide do grupo AAAB, de porte médio a alto, gerada em Honduras a partir do cruzamento da ‘Prata-Anã’ com o híbrido diploide SH 3393. A cultivar possui frutos e produção maiores que os da ‘Prata Anã’ e tem sido plantada comercialmente. No entanto, não apresenta resistência às sigatokas amarela e negra, mas é resistente ao mal-do-panamá (Figura 5).

Foto: Sergio Luiz Rodrigues Donato.

Figura 5. Planta com cacho da cultivar Prata Graúda (AAAB).




domingo, 9 de setembro de 2018

Cultivo do Cambuci



Um bom motivo para se produzir o cambuci é que a vistosa planta na qual ele frutifica, com flores brancas e folhas pequenas e brilhantes, está sob constante ameaça de desaparecer – assim como a mata atlântica, de onde é nativa.
Cambuci é uma árvore frutífera e também pode ser usada como planta ornamental. A espécie é nativa da mata atlântica, mas infelizmente, ela corre o risco de extinção no nosso país.
O Cambuci chama muito a atenção porque ela se torna muito vistosa quando se frutifica, aparecem lindas folhas pequenas, porém, brilhantes e o que falar das flores, com um branco forte e textura que o valoriza ainda mais. Mas, como foi dito anteriormente, a sua beleza fez com que se tornasse uma espécie da mata atlântica que corre sérios riscos de sumir por completo. E então, seria uma ótima ideia plantar a Cambuci para não perdemos essa espécie de planta tão bonita.
Como nos falamos anteriormente, além dos seus frutos, a Cambuci tornou-se uma árvore muito usada para ornamentação. Ela tem o poder de deixar um quintal mais do que bonito, estando sozinha ou em meio a um jardim. E claro, depois o seu fruto pode ir para mesa do café da manhã  e também pode ganhar versão doce ou suco.
Mas seu atrativo não é unicamente ecológico, pois a árvore pode deixar mais bonitas as propriedades, e seus frutos suculentos rendem bom ingrediente para sucos e doces.
No Brasil, o lugar onde a árvore Cambuci pode ser mais encontrada é em São Paulo, na Serra do Mar, ou ainda, em Minas Gerais. Além de árvore Cambuci é chamada de Cambuizeiro e o nome científico dela é Camponesia Phaea. Essa árvore, antes de começar a correr o risco de extinção, podia ser encontrada em grande quantidade na capital de São Paulo. E por isso mesmo, um dos bairros da capital paulista leva o seu nome.
O consumo da fruta da árvore Cambuci vem sendo estimulado em algumas regiões do Brasil, como na região metropolitana de São Paulo e também em Paranapiacaba e Rio Grande da Serra. Nessas duas últimas cidades, a fruta ganhou uma festa dedicada totalmente a ela.
Arredondado, com cerca de oito centímetros de diâmetro, polpa carnosa, fibrosa e com poucas sementes, o fruto tem um perfume intenso e adocicado. A casca verde, com tons em amarelo, é adstringente. Apesar de o sabor ser um pouco ácido, quase como o limão, ele também pode ser consumido in natura. Os pássaros são os que mais apreciam a fruta fresca, além de ter a nobre função de disseminar a fruteira.
Para o consumo como alimento, o ideal é usar o fruto da Cambuci para fazer doces em calda, sucos e geleias. Também é muito usado para fazer a aromatização de sorvetes. Uma curiosidade, é que o Cambuci também é usado como parte de ingredientes de algumas bebidas alcoólicas, como na cachaça quando é feita uma infusão e também em licores. São práticas de uso que vem de longa data.
Falando sobre o desenvolvimento da árvore, as flores aparecem entre os meses de agosto e novembro e o seu crescimento é moderado. De altura, ela pode chegar entre 3 a 5 metros no máximo e o seu tronco fica com o diâmetro entre 20 e 30 centímetros. Já as frutas aparecem entre janeiro e fevereiro.
Falando das características do terreno e clima, a árvore Cambuci gosta de ficar em solo que tenha sido muito bem adubado, prefere a temperatura mais fria, mas não tem muita dificuldade de se adaptar a outros tipos de terreno.
A planta também pode ser usada para o reflorestamento, neste caso, tanto para arborizar praças, jardins e ruas, quanto para recuperar terrenos degradados
O cambuci é bom mesmo para o preparo de sucos, geléias, doces em calda e ainda serve para aromatizar sorvetes. Também pode entrar como componente de bebidas alcoólicas, como licores e em infusão em cachaça, um uso que já era adotado pelos colonizadores, séculos atrás.
A árvore tem crescimento moderado e começa a florescer entre agosto e novembro. Alcança de três a cinco metros de altura, e tronco com diâmetro de 20 a 30 centímetros. A frutificação desponta durante os meses de janeiro e fevereiro. O cambucizeiro gosta de um pouco de frio e de solo com boa adubado, mas se dá bem em qualquer tipo de terreno. É apropriado para áreas de reflorestamento, para recuperação de terrenos degradados e também para a arborização de ruas, praças e jardins.



O solo para receber essa planta deve ser muito bem adubado e é importante que tenha um bom equilíbrio de drenagem.
A árvore prefere o clima tropical fresco para se desenvolver melhor, apesar de suportar outras temperaturas.
Não existe uma área mínima para plantio de Cambuci. O seu quintal já teria o tamanho suficiente.
A colheita dos frutos deve ser feita nos meses de janeiro e fevereiro.
O preço médio de uma muda para o plantio de Cambuci é R$10. (o preço pode variar de acordo com região, tipo de comércio, entre outros fatores)

SOLO: necessita de equilíbrio hídrico e boa adubação
CLIMA: subtropical fresco
ÁREA MÍNIMA: pode ser plantada até no quintal
COLHEITA: no verão, entre janeiro e fevereiro
CUSTO: o preço médio da muda é de sete reais

INÍCIO – a propagação da árvore se dá por meio de sementes, que são germinadas em sementeiras. Quando atingem de 20 a 25 centímetros de altura, é hora de passálas para um saquinho. Transplante somente o torrão para o local definitivo, assim que as mudas chegarem a 50 centímetros.

PLANTIO – o cultivo do cambucizeiro é recomendado em solo com equilíbrio hídrico, ou seja, nem muito seco, nem muito úmido. Antes, porém, o terreno deve ser preparado com aradura e gradagem. Faça o plantio de exemplares isolados ou em blocos somente com a espécie. O sombreamento de outras árvores provocam danos no desenvolvimento e produtividade da planta.
Se você quer fazer o plantio de Cambuci o primeiro passo é adquirir as sementes, que deverão ser cultivadas em sementeiras.
Você deve esperar que as mudas cresçam e tenha com altura mínima entre 20 a 25 centímetros de altura, só então, elas poderão ser transplantadas. Mas, primeiro, coloque cada uma delas plantada em um saquinho, em seguida, faça o transplante do torrão para o lugar que você quer ter a sua árvore. Espere que atinja a altura de 50 centímetros.
É importante que o solo escolhido para o plantio definitivo seja com equilíbrio hídrico, o que significa que ele não pode ser seco e nem menos ser exageradamente úmido. E para preparar esse terreno perfeito, ainda é necessário fazer a gradagem.
Com a terra pronta faça o cultivo colocando a planta isolada e se for em blocos, todas as plantas que fazem parte dele devem ser da mesma espécie. Importante lembrar que o Cambuci não pode receber sombra de outras árvores.

Enquanto a sua planta está crescendo o trabalho no terreno deve continuar, ele deve ter as coroas capinadas e ele deve ser roçado. Além disso é importante fazer podas de limpeza e também de formação.  A poda serve para ter a estrutura da árvore intacta e que ele suporte o peso dos frutos.
A árvore não terá problema para suportar o frio e também deve ser regada, apesar de preferir o clima subtropical fresco.
Sobre a produção dos frutos, prepara para fazer a colheita no verão seguinte, de preferência nos meses de janeiro e fevereiro. O ideal é que a fruta seja colhida do pé quando apenas amadureceu. Pode ser que ela tenha algumas rachaduras na casa. Se ele estiver verde aperte levemente para ver se está macio, também mostra que é hora de colher.

ADUBAÇÃO – nas covas, a adubação inicial pode varias entre cinco e dez quilos de esterco curtido. Adicione também de 50 a 100 gramas de superfosfato. A cada ano, aplique por planta outros dez quilos de esterco curtido. Pode-se também juntar 250 gramas por cova de NPK 20-00-20, divididas em duas ou três aplicações, durante o período quente e chuvoso, nos três primeiros anos do pomar.

ESPAÇAMENTO – as medidas indicadas são de 5 x 5 metros, entre plantas e fileiras. Para as covas, deixe 50 x 50 x 50 centímetros.

TRATOS CULTURAIS – durante o crescimento da planta, o terreno deve ser roçado e as coroas, capinadas. Para o bom desenvolvimento da árvore, são necessárias as podas de formação e a de limpeza. Elas permitem o arejamento da copa, além de garantir a estrutura dos ramos para agüentar o peso dos frutos.

AMBIENTE – o clima subtropical fresco é o melhor para a adaptação do cambucizeiro. A árvore também aprecia um pouco de frio e regas.

PRODUÇÃO – o cambuci está pronto para ser colhido no verão, em especial durante os meses de janeiro e fevereiro. É bom apanhar a fruta logo que amadurece, pois cai facilmente do pé, sujeita a rachaduras na casca. Como o cambuci nem sempre torna-se amarelo, aperte-o levemente ainda verde; se estiver macio, é hora da colheita.



LEIA O PDF ABAIXO, CLIQUE NO MESMO


sábado, 25 de agosto de 2018

Adubação da Bananeira Irrigada

Exigências nutricionais

O potássio e o nitrogênio são os nutrientes mais absorvidos e necessários para o crescimento e produção da bananeira. Em ordem decrescente a bananeira absorve os seguintes nutrientes: macronutrientes: potássio (K) > nitrogênio (N) > cálcio (Ca) > magnésio (Mg) > enxofre (S) > fósforo (P); micronutrientes: cloro (Cl) > manganês (Mn) > ferro (Fe) > zinco (Zn) > boro (B) > cobre (Cu). Em média um bananal retira, por tonelada de frutos, por hectare, 1,9 kg de N; 0,23 kg de P; 5,2 kg de K; 0,22 kg de Ca e 0,30 kg de Mg.
As quantidades de nutrientes que retornam ao solo (pseudocaules, folhas e rizomas) após a colheita, em um plantio de bananeira são consideráveis, podendo chegar a valores máximos aproximados de 170 kg de N/ha/ciclo, 9,6 kg de P/ha/ciclo, 311 kg de K/ha/ciclo, 126 kg de Ca/ha/ciclo, 187 kg de Mg/ha/ciclo e 21 kg de S/ha/ciclo, por ocasião da colheita.

Sintomas de deficiências

Quando um nutriente está em deficiência, a planta expressa este desequilíbrio por sintomas visuais que se manifestam, principalmente, por meio de alterações nas folhas, como coloração, tamanho e outras (Tabela 1). Além das folhas, alguns sintomas podem ocorrer também nos cachos e frutos (Tabela 2).
No entanto, a diagnose visual é apenas uma das ferramentas para estabelecer as deficiências nutricionais em bananeira, devendo ser complementada pelas análises químicas de solos e folhas, que confirmarão ou não a deficiência nutricional. Segundo a norma internacional, a folha amostrada para análise química é a terceira a contar do ápice, com a inflorescência no estádio de todas as pencas femininas descobertas (sem brácteas) e não mais de três pencas de flores masculinas. Coleta-se 10 a 25 cm da parte interna mediana do limbo, eliminando-se a nervura central. Este material deve ser acondicionado em saco de papel e encaminhado para análise o mais rápido possível.
Para interpretação dos resultados da análise foliar podem ser utilizados os teores padrões de macro e micronutrientes estabelecidos para as bananeiras ‘Prata Anã’ e ‘Pacovan’ (Tabela 3).

Recomendações de calagem e adubação

Pela análise química do solo é possível determinar os teores de nutrientes nele existentes e assim recomendar as quantidades de calcário e de adubo que devem ser aplicadas, objetivando otimização da produtividade com viabilidade econômica e ambiental. Com a aplicação adequada de fertilizantes, espera-se aumento mínimo de 50% na produtividade.
Para análise química do solo, retirar 15 a 20 subamostras por área homogênea, nas profundidades de 0-20 cm e, se possível, de 20-40 cm, misturar bem, formar uma amostra composta para cada profundidade e encaminhar para o laboratório, com antecedência de 60 dias do plantio. De posse do resultado, poderão ser realizadas as recomendações de calagem e adubação.
Calagem
Caso o laboratório não envie a recomendação de calagem, esta pode ser calculada baseando-se na elevação da saturação por bases para 70%, quando esta for inferior a 60%, segundo a fórmula:
Equação
onde:
NC = necessidade de calagem (t/ha);
V1 = saturação por bases atual do solo (%) determinada pela análise química do solo;
CTC = capacidade de troca catiônica do solo (cmolc/dm3) determinada pela análise química do solo; e
PRNT = poder relativo de neutralização total (%) do calcário. Informação que deve constar na embalagem do corretivo.
A aplicação de calcário, quando recomendada, deve ser a primeira prática a ser realizada, com antecedência mínima de 30 dias do plantio. O calcário deve ser aplicado a lanço em toda a área. Aplica-se primeiro a dose recomendada para a profundidade de 20 a 40 cm. Para incorporar o calcário deve-se realizar uma escarificação com hastes retas para atingir 30 cm de profundidade. Embora o escarificador não revolva o solo, como o arado, a água das chuvas ajudará a transportar o calcário aplicado. Aguardar 10 a 15 dias e aplicar a dose de calcário recomendada para 0 a 20 cm, seguida de nova escarificação cruzando a primeira. Aguardar mais 15 a 20 dias para realizar o plantio. Caso não seja possível o uso do escarificador, tanto pelo declive superior a 12% quanto pela não disponibilidade do implemento, a incorporação do calcário pode ser efetuada na época da ceifa ou capina da vegetação natural. Neste caso, aplica-se apenas a quantidade recomendada para a profundidade de 0 a 20 cm.
Recomenda-se o uso do calcário dolomítico (25% a 30% de Ca e > 12% de Mg), evitando, assim, o desequilíbrio entre potássio (K) e Mg e, consequentemente, o surgimento do distúrbio fisiológico “azul da bananeira” (deficiência de Mg induzida pelo excesso de K). Considera-se equilibrada a relação K:Ca:Mg nas proporções de 0,5:3:1 a 0,3:4:1.
A presença de camadas subsuperficiais com baixos teores de Ca e/ou elevados teores de Al trocáveis leva ao menor aprofundamento do sistema radicular, refletindo em menor volume de solo explorado, ou seja, menos nutrientes e água disponíveis para a bananeira. O gesso agrícola (CaSO4.2H2O) pode ser recomendado para correção de camadas subsuperficiais, sugerindo-se aplicar a dose de 25% da necessidade de calagem (NC), para a melhoria do ambiente radicular das camadas abaixo de 20 cm.
Adubação orgânica
É a melhor forma de fornecer nitrogênio no plantio, principalmente quando se utiliza mudas convencionais, pois as perdas são mínimas; além disso, estimula o desenvolvimento das raízes. Assim, deve ser usada na cova, na forma de esterco de galinha (3 a 5 litros/cova) ou torta de mamona (2 a 3 litros/cova) ou outros compostos disponíveis. Vale lembrar que o esterco deve estar bem curtido para ser utilizado. No caso de se utilizar esterco bovino (10 a 15 litros/cova) ficar atento à sua procedência, pois pode causar fitotoxidade por herbicidas. O húmus de minhoca pode ser utilizado a cada quatro meses na dose de 2,5 a 5,0 kg por família.
A cobertura do solo com a biomassa das bananeiras (folhas e pseudocaules) deve ser uma prática, pois aumenta os teores de nutrientes do solo, principalmente potássio (K), cálcio (Ca) e magnésio (Mg), além de melhorar seus atributos físicos, químicos e biológicos.
Adubação fosfatada
A bananeira absorve pequenas quantidades de fósforo (P), mas se necessário pela análise química do solo e não aplicado, prejudica o desenvolvimento do sistema radicular da planta e, consequentemente, afeta a produção. A quantidade total recomendada após análise química do solo (40 a 120 kg de P2O5/ha) deve ser aplicada no plantio. Pode ser adicionado sob as formas de superfosfato simples (18% de P2O5, 20% de Ca e 11% de S), superfosfato triplo (42% de P2O5 e 14% de Ca) ou o termofosfato magnesiano (17% de P2O5, 18% de Ca e 7% de Mg). Em solos com pH em água maior que 6,5 e plantios com mudas micropropagadas, o MAP (48% de P2O5 e 9% de N) pode ser utilizado.
Anualmente, deve ser repetida a aplicação, após nova análise química do solo. Solos com teores de P acima de 30 mg/dm3 (extrator de Mehlich-1) dispensam a adubação fosfatada.
Adubação nitrogenada
O nitrogênio (N) é um nutriente muito importante para o crescimento vegetativo da planta, recomendando-se de 150 a 270 kg de N mineral/ha/ano, dependendo da produtividade esperada. A primeira aplicação deve ser feita em cobertura, 30 dias após o plantio. Recomendam-se como adubos nitrogenados: ureia (45% de N), sulfato de amônio (20% de N), nitrato de cálcio (14% de N) e nitrato de amônio (34% de N).
Adubação potássica
O potássio (K) é considerado o nutriente mais importante para a produção de frutos de qualidade superior. A quantidade recomendada varia de 100 a 750 kg de K2O/ha dependendo do teor no solo e produtividade esperada. A primeira aplicação deve ser feita em cobertura, no 2º ou 3º mês após o plantio. Caso o teor de K no solo seja inferior a 0,15 cmolc/dm3, recomenda-se a aplicação de 20 kg/ha de K2O no plantio, levando-se em consideração o balanço K:Ca:Mg. O nutriente (K) ser aplicado sob as formas de cloreto de potássio (60% de K2O), sulfato de potássio (50% de K2O) e nitrato de potássio (48% de K2O). Solos com teores de K acima de 0,60 cmolc/dm3 dispensam a adubação potássica.
Adubação com micronutrientes
O boro (B) e o zinco (Zn) são os micronutrientes mais limitantes para as bananeiras. Para teores de B no solo inferiores a 0,2 mg/dm3 (extrator de água quente), deve-se aplicar 2,0 kg/ha de B e para teores de Zn no solo inferiores a 0,6 mg dm-3 (extrator Mehlich-1), recomenda-se 10 kg/ha de Zn. Caso não tenha análise química do solo para micronutrientes, recomenda-se aplicar no plantio 50 g de FTE BR12 por cova.
Parcelamento das adubações
O parcelamento vai depender da textura e da CTC (capacidade de troca catiônica) do solo, bem como do regime de chuvas e do manejo adotado. Contudo, recomenda-se adubações mensais para áreas que não dispõem de sistema de injeção de fertilizantes. Para áreas fertirrigadas recomenda-se parcelar a cada três, sete ou 15 dias.
Localização dos fertilizantes
As adubações em cobertura devem ser feitas em círculo, numa faixa de 10 a 20 cm de largura e 20 a 40 cm distante da muda, aumentando-se a distância com a idade da planta. No bananal adulto os adubos são distribuídos em meia-lua em frente à planta filha e neta. Em terrenos inclinados, a adubação deve ser feita em meia-lua, em frente às plantas filha e neta e na parte superior do terreno.
Fertirrigação
A aplicação dos fertilizantes via água de irrigação constitui-se no meio mais eficiente de nutrição, pois combina dois fatores essenciais para o crescimento, desenvolvimento e produção das plantas: água e nutrientes. Essa prática é indicada para os sistemas de irrigação localizados (microaspersão e gotejamento), uma vez que aproveita as características próprias do método, tais como baixa pressão, alta frequência de irrigação e possibilidade de aplicação da solução na zona radicular, tornando mais eficiente o uso do fertilizante. A frequência de fertirrigação pode ser a cada 15 dias em solos com maior teor de argila; em solos mais arenosos, recomenda-se a frequência de fertirrigação semanal ou até a cada três dias.
Para o monitoramento do efeito da fertirrigação, recomenda-se a análise química do solo, incluindo a condutividade elétrica do solo, a cada seis meses, para verificar se os níveis dos nutrientes aplicados, a condutividade elétrica e o pH do solo estão de acordo com os valores esperados ou permitidos.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Solos para a Cultura da Banana (Irrigada)

Escolha do solo

Os solos ideais para o cultivo da bananeira são os aluviais profundos, ricos em matéria orgânica, bem drenados e com boa capacidade de retenção de água. Mas a bananeira é cultivada e se adapta a diferentes tipos de solos, devendo-se preferir aqueles planos ou com declividades abaixo de 12%, onde são menores os riscos de erosão. É importante que os solos sejam profundos, com mais de um metro sem qualquer impedimento. Quando apresentam profundidade inferior a 25 centímetros são considerados inadequados para a cultura, pois é pequena a quantidade de raízes que cresce em profundidade, fazendo com que as plantas fiquem sujeitas a tombamento.
A granulometria do solo deve ser média a pouco argilosa, não devendo ser muito arenosa, que geralmente apresenta baixa quantidade de nutrientes e baixa capacidade de retenção de água, aumentando os custos de produção pela necessidade de adubações mais frequentes e de práticas visando melhorar o suprimento de água. Também não deve ser muito argilosa, pela maior dificuldade de preparo para o plantio, pelos riscos de encharcamento e pelo maior impedimento ao crescimento das raízes. Áreas pouco drenadas e sujeitas a encharcamentos devem ser evitadas, pois as raízes da bananeira apodrecem rapidamente e morrem após mais de três dias de excesso de umidade no solo.

Preparo do solo

O preparo adequado do solo é importante para o bom desenvolvimento das raízes da bananeira, o que facilita a absorção de água e nutrientes e melhora a produção. Como as áreas são planas, a limpeza pode ser feita por máquinas, evitando-se remover a camada superficial do solo, rica em matéria orgânica. Em seguida recomenda-se uma escarificação com hastes retas para atingir 30 cm de profundidade, seguida do coveamento ou sulcamento para plantio.
Áreas que vêm sendo cultivadas com pastagens ou que apresentam subsolos compactados ou endurecidos devem ser subsoladas a 50-70 centímetros de profundidade, para melhorar a infiltração de água, facilitar o aprofundamento das raízes e controlar as plantas infestantes, como também incorporar o calcário aplicado na superfície do terreno. Vale lembrar que o solo deve ser revolvido o mínimo possível, devendo ser preparado com umidade suficiente para não levantar poeira e nem aderir aos implementos; além disso, deve-se usar máquinas e implementos o menos pesados possível e acompanhar as curvas de nível do terreno.

Conservação do solo

Considerando que os solos são de baixa declividade, recomenda-se, como medida conservacionista, o cultivo de plantas melhoradoras (feijão-de-porco, crotalárias, mucunas, gramíneas e outras) nas entrelinhas do bananal, semeadas no início do período das águas e ceifadas ao final deste, deixando-se a fitomassa na superfície do solo, como cobertura morta, e consequentemente o solo coberto.