segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Preparo da Propriedade para o Cultivo Orgânico do Morango



6 - O PREPARO DA PROPRIEDADE ORGÂNICA

Encontrada a janela de produção do morango orgânico na propriedade e assumindo que o agricultor tenha aptidão para esse cultivo, o próximo passo é construir as cercas vivas que formam barreiras físicas na propriedade e têm diversas funções no manejo agroecológico (Figura 3), assim como fazer a análise do solo e sua correção.
Figura 3 -Vista de uma propriedade com diferentes tipos de cercas vivas (Fonte: Tom Ribeiro/CATI).

6.1 - CONSTRUÇÃO DE CERCA VIVA OU QUEBRA VENTO

Onde houver vizinhos convencionais, a primeira função da cerca viva é proteger o cultivo orgânico da deriva da aplicação terrestre de agrotóxicos. Em muitos locais, conseguimos com sucesso reduzir ou eliminar a área de sacrifício no cultivo orgânico, ou seja, aquela faixa em que o cultivo é conduzido dentro dos princípios orgânicos, mas a fruta é colhida e comercializada como convencional em razão da presença de vizinhos convencionais.
Em lugares onde há pulverização aérea de agrotóxico, a cerca viva por si só não é eficiente para barrar a deriva desse tipo de aplicação. Portanto, para garantir a produção orgânica, temos de aliar uma “faixa de sacrifício” no cultivo. 
A função mais conhecida das cercas vivas é a de quebrar o vento, prova disso é que são popularmente chamadas de quebra-vento. 
Para essa função, a(s) uma aliada no controle de pragas e doenças, caso esteja protegendo todos os lados da gleba. 
Para que o quebra-vento funcione adequadamente, é fundamental que ele sempre permita a passagem de um pouco de vento. Em outras palavras, não deve impedir a passagem de todo o vento.
É importante observar que quando o quebra-vento impede completamente a passagem do vento, cria uma zona de menor pressão atrás de si, fazendo com que o vento provoque sérios danos no interior da gleba. Vale destacar que uma boa cerca viva consegue proteger uma faixa de 3 a 10 vezes a sua altura. 
Finalmente, ao implantar as cercas vivas em sua propriedade, com um bom planejamento, o agricultor pode vir a ter uma poupança dentro de 10 ou 15 anos, caso considere o plantio de espécies que possam fornecer madeira, seja para lenha ou para fins mais nobres (moveleiro). Nesse caso, não se esqueça de procurar o órgão ambiental de seu município ou regional para registrar o plantio e o plano de manejo dessas árvores. Esse cuidado é fundamental para permitir que no momento programado, as árvores possam ser cortadas legalmente.

6.2 - AMOSTRAGEM, COLETA E ENVIO DE SOLO PARA ANÁLISE QUÍMICA

A análise química do solo da gleba onde o agricultor irá plantar o morangueiro orgânico é um passo importante para conhecer a disponibilidade de nutrientes naturais do solo e, assim, realizar uma adubação conforme a necessidade das plantas, evitando o excesso de adubação, ou pior, a adubação desequilibrada 
Para obter uma amostragem correta do solo na propriedade, o primeiro passo é identificar suas possíveis diferenças nas glebas, seja pela cor, seja pelo uso anterior que as áreas tiveram (cultura anual, pomar, pasto ou pousio). É importante fazer um croqui da propriedade, identificando cada uma das glebas.
Em seguida, o produtor deve escolher uma ferramenta para fazer a coleta do solo (Figura 4). Pode ser usado um trado, um enxadão ou até mesmo uma pá reta (vanga). O importante é limpar o local de amostragem para evitar que folhas ou gravetos superficiais sejam encaminhados com a amostra a ser enviada ao laboratório e que, de cada local amostrado, seja coletado o mesmovolume de solo.
Figura 4 - Amostragem de solo realizada com um trado (Fonte: Tom Ribeiro/CATI).

A amostra de solo que será encaminhada ao laboratório deve ser composta por várias amostragens de uma mesma gleba (Figura 5). Para tanto, devemos caminhar em zique-zague pela gleba e fazer a coleta do solo em cerca de 15 pontos distintos. O material colhido deve ser colocado em um balde ou saco plástico limpo.
Concluída a coleta, todo esse material deve ser levado para um local limpo e coberto. Recomenda-se que ele seja esparramado sobre um jornal, em local ventilado,
deixando-o secar por alguns dias. 
Para facilitar a secagem, revolva o solo de vez em quando e quebre os torrões maiores. O ideal é peneirá-lo com uma peneira para areia grossa.
Depois de secas e bem misturadas as 15 coletas de uma gleba, identifique um saco plástico com o nome da propriedade e do proprietário, o nome ou número da gleba e a data de coleta. 
Na sequência, encaminhe apenas 400 a 500g do solo coletado da gleba para um laboratório de análise de solo. 
O ideal é pedir uma análise completa, com macro e micronutrientes. 
resultado deve estar pronto em cerca de 30 dias. 
Ao receber o resultado, consulte um engenheiro agrônomo que tenha, preferencialmente, formação em agricultura orgânica.
Figura 5 - Esquema de caminhada em zique-zague, em duas glebas de uma propriedade, para coleta de amostras de solo para análise química (Fonte: Tom Ribeiro/CATI).

6.3 - A CORREÇÃO DO SOLO E A ADUBAÇÃO VERDE

Com o resultado da análise de solo em mãos, busque a ajuda de um engenheiro agrônomo para que possa interpretá-lo e recomendar as correções necessárias para o cultivo do morango orgânico.
Se houver a necessidade de corrigir a acidez do solo, ou acrescentar cálcio e magnésio, essa correção pode ser feita por meio da calagem, que é a aplicação do calcário no solo, a qual pode ser realizada manual ou mecanicamente. Note-se que a dosagem recomendada pelo engenheiro agrônomo é para corrigir a camada superficial de 20 cm de solo.
O calcário aplicado e incorporado ao solo irá começar a corrigi-lo mais rápido ou mais lentamente, dependendo da umidade do solo e do poder de reação do calcário (PRNT - Poder Relativo de Neutralização Total). Em geral, recomenda-se um intervalo de pelo menos 30 dias entre a aplicação e o plantio da cultura subsequente.
Após a correção química do solo, o plantio da adubação verde é altamente recomendado para o cultivo de morango orgânico, sem descartar o pousio vegetado com plantas espontâneas (Figura 6) como uma alternativa econômica para o agricultor, desde que atendida às necessidades de correção do local de cultivo para o morango.

Figura 6 - Área em pousio vegetado com plantas espontâneas para fins de adubação verde. (Fonte: Tom Ribeiro/CATI).

A escolha da espécie a ser plantada como adubação verde deve levar em conta a época de cultivo, já que existem espécies para cultivo nos meses mais frios ou quentes do ano. Devemos levar em consideração também a presença ou não de nematoides na gleba em que pretendemos cultivar o morango orgânico. Também há de se considerar a necessidade da geração de renda para o agricultor nessa gleba e a disponibilidade de sementes dos adubos verdes, mas fundamentalmente não se esquecer de considerar as exigências do morango.
O Boletim Técnico CATI nº 249, da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral do governo do Estado de São Paulo, é a publicação que contém informações mais atualizadas sobre adubação verde no estado de São Paulo. Consultar as informações
ali contidas ajudará o produtor a selecionar a espécie de adubo verde mais adequada a ser plantada para cada época do ano.
Ainda tratando da adubação verde, é importante mencionar que as crotalárias são plantas que, se manejadas corretamente, vão disponibilizar no solo uma grande quantidade de nitrogênio, pois quando se associam a bactérias capazes de fixar o nitrogênio atmosférico, disponibilizam até 450 kg de nitrogênio por hectare ao ano. Se for plantada apenas crotalária como adubação verde antes do plantio do morango, poderemos criar condições perfeitas para o excesso de nitrogênio, resultando em uma planta de morango desequilibrada nutricionalmente e suscetível a pragas e doenças. Por isso, é interessante fazer um consórcio com alguma gramínea, como milho, milheto ou braquiária.
Deve-se ressaltar que para ter o desejado manejo da população de nematoides no solo, o manejo da crotalária precisa ser correto, ou seja, ela deve ser cortada ao atingir o máximo florescimento.

6.4- PREPARO DO SOLO PARA O PLANTIO DO MORANGO

6.4.1 - CALAGEM, ROCHAGEM E APLICAÇÃO DE COMPOSTO ORGÂNICO

O resultado da análise de solo deve ser interpretado com base agroecológica. Para tanto, o engenheiro agrônomo deverá utilizar o método de “Equilíbrio de Bases”, mais precisamente o “Método Albrecht” de correção da fertilidade dos solos, proposto pelo Prof. Dr. Willian Albrecht, na década de 1950, então chefe do Departamento de Solos da Universidade construída ano a ano, de forma que o cálcio no solo represente 55 a 65% da capacidade de troca de cátion (CTC) do solo, o magnésio represente de 10 a 15% da CTC, e o potássio de 3 a 5% da CTC.
Áreas em que o solo precise de grandes quantidades de calcário (acima de 2 t/ha), a calagem deve ser previ ta para o período de conversão da propriedade.
A aplicação de grande volume de calcário, anualmente, promove um brusco desequilibro no pH do solo, além da necessidade de revolvê-lo para a incorporação do calcário. Isso acaba desfavorecendo o estabelecimento de microrganismos benéficos no solo, como o Trichoderma e Micorrizas, que auxiliam no controle biológico de doenças do solo e na nutrição do morangueiro.

Em áreas onde a fertilidade do solo já esteja equilibrada, a aplicação de calcário não deve ultrapassar os 800 kg/ha ano. Até essa quantidade, o cálcio presente no calcário servirá para estimular a vida microbiana do solo.
Ainda considerando o método de “Equilíbrio de Bases”, devemos ajustar a necessidade de magnésio no solo porque, quando intensamente cultivado, tende a ter uma quantidade maior de magnésio do que a necessária decorrente da aplicação de calcário dolomítico ao longo de anos. 
Portanto, não se esqueça de verificar e ajustar a concentração de magnésio em função do “Equilíbrio de Bases”.
O potássio também é ajustado pelo “Equilíbrio de Bases”, sendo que uma das formas de adicioná-lo ao solo é por meio da rochagem. O ideal é aplicar a rocha potássica antes do plantio do adubo verde.
Vale comentar que, atualmente, há no mercado rochas potássicas sendo comercializadas por grandes mineradoras mas um fator limitante é o valor do frete do produto, o qual acaba inviabilizando o seu uso quando a propriedade encontra-se distante da mineradora. Assim sendo, devemos procurar outras fontes de potássio no próprio município como, por exemplo, as cinzas de caldeiras, olarias e até mesmo
de pizzarias. O importante é que essas cinzas sejam oriundas de madeira não tratada.
Para o preparo do solo, também é indicada a que nada mais é do que a aplicação de uma rocha rica em fósforo, também conhecida por fosfato natural. No cultivo do morango orgânico, o ideal é que a concentração de fósforo no solo seja de 60 miligramas por decímetro cúbico (mg/dm3).
Outro importante ingrediente para a produção do morango orgânico é o pó de rocha, por ser fonte de todos os minerais, inclusive dos micronutrientes. Na ausência dele, procure pela farinha de peixe, outra importante fonte de micronutrientes, principalmente se for preparada a partir do pescado marinho.
O composto orgânico, produzido preferencialmente na composteira da própria propriedade (Figura 7), deve ser utilizado como fonte de matéria orgânica e minerais.

Figura 7 -Pilha de compostagem com resíduos orgânicos (Fonte: Tom Ribeiro/CATI).

Para solos pobres em matéria orgânica (abaixo de 25 g/dm3) é imprescindível o uso da adubação verde. Para solos ricos em matéria orgânica ou quando essa concentração tenha sido elevada com o manejo de culturas (teor acima de 25 g/dm3), em especial da adubação verde, deve-se reduzir o uso de fontes ricas em nitrogênio no plantio. Neste caso, o nitrogênio que o morango necessita será fornecido pela mineralização da matéria orgânica do solo e suplementado, conforme a necessidade, por meio da adubação de cobertura com Bokashi (Tabela 2), farelo de mamona ou outra fonte orgânica de nitrogênio.

TABELA 2. INGREDIENTES UTILIZADOS E RESPECTIVAS QUANTIDADES PARA O PREPARO DE BOKASHI AERÓBICO PELA UNIDADE DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO EM AGRICULTURA
ECOLÓGICA DE SÃO ROQUE/SP.

Modo de preparo: Esquente em uma vasilha aproximadamente metade da água (8 l) para preparar o mingau. Quando estiver fervendo, acrescente 0,5 kg de uma fonte de amido (pode ser farinha de mandioca ou milho) e deixe cozinhar por alguns minutos. Retire a vasilha do fogo e deixe esfriar. Enquanto esfria o mingau, em um local coberto, misture os demais ingredientes. Depois de misturar os ingredientes, esparrame o monte.
Quando o mingau estiver frio, acrescente o melaço ou açúcar mascavo, mexa e adicione o restante da água. Na sequência, coloque o mingau no monte esparramado e, aos poucos, misture tudo várias vezes. Por fim, peneire essa mistura para quebrar qualquer bola de umidade. 
Amontoe novamente e não deixe a temperatura no monte ultrapassar 60 a 65oC.
Em aproximadamente uma semana, o Bokashi aeróbico estará pronto para uso.
O composto orgânico e o Bokashi são importantes na recolonização do solo pelos microrganismos benéficos.

Com o intuito de obter um solo equilibrado para o cultivo de morango orgânico, a concentração de
micronutrientes (Tabela 3) disponível no solo deve ser de:

TABELA 3 - CONCENTRAÇÃO DE MICRONUTRIENTES NO SOLO PARA O PLANTIO DE MORANGO ORGÂNICO

Para conhecer as características do solo de sua propriedade e saber o quanto de cada nutriente é necessário acrescentar para manter o solo equilibrado, a análise química do solo dos macro e micronutrientes é fundamental.
A análise foliar é uma ferramenta interessante para o monitoramento da nutrição do morangueiro, desde que as escalas utilizadas estejam calibradas para o cultivo agroecológico e para a cultivar que foi plantada.
Para saber quais fontes de fertilizantes são permitidas na agricultura orgânica, consulte o Anexo III da IN Mapa 17/2014 (www.agricultura.gov.br/arq_editor/IN-17.pdf) ou o Regulamento Técnico para Sistemas Orgânicos de Produção que estiver em vigor.





segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Planejamento da Produção do Morango Orgânico



5 - PLANEJAR A PROPRIEDADE E A PRODUÇÃO

5.1 - O PLANO DE MANEJO DA PRODUÇÃO ORGÂNICA

O Plano de Manejo da Produção Orgânica é um registro obrigatório na produção orgânica e, permitenos ter uma visão da propriedade como um todo, fazer uma reflexão sobre onde vai ser feito o plantio, o tamanho dessa área, planejar as cercas vivas a serem construídas assim como onde os produtos serão vendidos, para quem e em que quantidade!
O Plano de Manejo da Produção Orgânica para produção vegetal deve conter um mapa, croqui ou foto aérea da propriedade identificando as coordenadas norte-sul, as edificações da propriedade, as glebas orgânicas, convencionais e/ou extrativistas, conforme o caso. Deve informar características geográficas importantes, bem como as áreas de preservação permanente, reserva legal e fontes de água identificadas no Cadastro Ambiental Rural –CAR. 
Um cuidado adicional exigido é a identificação dos vizinhos e de seu cultivo de forma a permitir a avaliação de riscos da área orgânica.
Para mais informações, consulte uma empresa Certificadora ou a Organização de Controle Social a qual estiver associado. O site do Ministério de Agricultura (www.agricultura.gov.br) disponibiliza gratuitamente o Caderno do Plano de Manejo Orgânico (link encurtado: ow.ly/LQLK305BEAt), o qual pode ser baixado e multiplicado livremente, desde que não seja para venda ou qualquer outro fim comercial (Figura 1).

Figura 1 -Caderno do Plano de Manejo Orgânico disponível no site do MAPA para ser baixado (Fonte: MAPA).

PLANO DE MANEJO DA PRODUÇÃO ORGÂNICA É OBRIGATÓRIO POR LEI E DEVE CONTER INFORMAÇÕES QUE DEEM UMA VISÃO DA PROPRIEDADE COMO UM TODO.

O Plano de Manejo da Produção Orgânica pode ser elaborado enquanto cresce(m) a(s) espécie(s) plantada(s) na cerca viva e aguardamos o retorno do resultado da análise química do solo enviado para o laboratório, temas que serão abordados mais adiante.

5.2 - DEFINIÇÃO DO TAMANHO DA ÁREA DE PLANTIO

Para definir o tamanho e local da área onde será feito o cultivo do morango orgânico, é necessário fazer uma avaliação criteriosa da capacidade produtiva do empreendimento assim como das vendas a serem realizadas!
Dimensionar o tamanho da área de plantio do morango orgânico, considerando a disponibilidade de mão de obra para cuidar do cultivo também é fundamental. Isso porque praticamente todas as atividades que envolvem a cultura do morango são realizadas manualmente, exigindo o trabalho de pessoas nos tratos culturais, colheita e embalagem.
Ainda há um agravante que deve ser levado em consideração: a colheita exige muito esforço físico por ser realizada com o corpo inclinado, não sendo aconselhado para pessoas que tenham histórico de problemas na coluna.
Estudos da ergonomia desse processo produtivo feitos com agricultores, aliados à carência de recursos humanos na área rural, têm levado alguns agricultores rurais a elevarem a altura dos canteiros, de 30 a 40 cm (Figura 2), para que se tenha uma boa drenagem e minimize o desconforto na operação de colheita.

Figura 2 -Estudos de ergonomia realizados em uma propriedade rural no município de Ibiúna/SP, com a elevação dos canteiros de produção.


Um outro aspecto a ser considerado no plantio do morango refere-se ao terreno, que deve ser apropriado para que esses canteiros possam ser levantados.

5.3 - PRIMEIRO VENDER, DEPOIS PRODUZIR

A procura por morango orgânico é maior do que a oferta, mas já definiu como seus morangos serão vendidos?
Apesar de a pergunta parecer prematura para ser feita, este é o momento para fazermos uma avaliação, isto é, antes de começar a preparar o solo para o plantio.
No que diz respeito à comercialização, saber onde, como, para quem, a quantidade e o tipo de cultivar (indústria, mesa) de morango que deve ser plantado ajuda no planejamento e na confecção do Plano de Manejo da Produção Orgânica.
Se ainda não tiver um local para vender a sua produção, primeiro procure por ele e já negocie o preço do produto antes de começar a plantar.
Procure atender o que seu mercado (compradores e ou consumidores) pediu e no preço previamente combinado. 
Plantar mais do que o contratado poderá levar a uma redução no preço que, geralmente, impactará negativamente na rentabilidade da safra. Essa é a hora também de planejar o processamento artesanal ou industrial de parte da produção (geleias, tortas, congelados, polpas, entre outros).



quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Origem e Clima para o Morango



O período de colheita pode se estender por três a cinco meses, conforme temperatura e cultivar. 
Para as cultivares sensíveis ao fotoperíodo, o morango precisa de uma temperatura noturna (abaixo de 20º C) e dias curtos para florescer. As cultivares de dia neutro exigem apenas a temperatura noturna, podendo produzir quase o ano todo, conforme a região.dentificada a janela de produção referente ao clima e altitude da propriedade, então precisamos averiguar a disponibilidade e a qualidade da água que será utilizada na irrigação, as características físicas e químicas do solo, que deve ter boa drenagem, assim como o que os vizinhos plantam em suas propriedades durante essa janela de produção. 
Esses fatores determinam a aptidão da propriedade para a produção de morango orgânico.
Uma propriedade é adequada para produzir morango se tiver uma janela de produção que atenda às necessidades do mercado e se, em seu entorno, não tiver produtores convencionais produzindo a mesma cultura no mesmo período.
Imagine um cultivo orgânico de morango, ou qualquer outra cultura, rodeado por lavouras convencionais.
Pois é, não tem como dar certo! Em determinados momentos, a pressão de pragas e doenças será tão grande que nem as barreiras físicas e as técnicas agroecológicas darão conta de manter o equilíbrio no cultivo orgânico. Por isso, não se esqueça de avaliar o entorno da propriedade depois de identificar a janela de produção do morango orgânico!


TABELA 1 - ÉPOCA DE PLANTIO DO MORANGUEIRO EM FUNÇÃO DA ALTITUDE.



A REGIÃO DE ORIGEM DO MORANGUEIRO

Para cultivar o morango com sucesso, o agricultor precisa conhecer primeiro a região de origem do morangueiro para depois podermos tratar dos pequenos detalhes que fazem toda a diferença no manejo orgânico dessa cultura.
No cultivo orgânico, uma das primeiras coisas que devemos procurar saber é a região de origem da cultura que iremos plantar para conhecer suas condições ambientais. Sabe-se que os seres vivos mantêm por gerações uma memória genética que está diretamente relacionada à sua região de origem e, no cultivo das plantas, essa memória manifesta-se em pequenas exigências nutricionais, na resistência a pragas e doenças e/ou climática, como temperatura e umidade.
O morango cultivado Fragaria X ananassa Duch., é um híbrido interespecífico, originado na Europa, a partir do cruzamento natural entre as três espécies octoplóides americanas (8x=2n=56):
1. Fragaria virginiana Duch.- dos prados dos Estados Unidos, introduzido na Europa como ornamental;
2. Fragaria chiloensis (L.) Duch.- oriunda das costas do Oceano Pacífico dos Estados Unidos e do Chile, onde era cultivado pelos povos indígenas, e levado para Europa em 1700; e
3. Fragaria ovalis (Lehn.) Rydb.- dos campos do oeste dos Estados Unidos.
Portanto, o morango cultivado originou-se fora da sua região de origem, do cruzamento natural entre espécies “selvagens”. Esse fato é recente (menos de 300 anos), sendo de 1766 o primeiro relato sobre essa cultivar de como a conhecemos hoje. 
Apesar de ter sido domesticado fora de seu habitat natural, o morango manteve suas exigências naturais em relação ao seu comportamento e exigências.
O morangueiro apresenta dois períodos bem distintos, regulado pelo fotoperíodo. Em condições de dias longos e temperaturas altas, desperta a fase vegetativa (propagação), quando a planta é estimulada a produzir estolhos (mudas). 
Em condições de dias curtos e temperaturas amenas, a floração e a produção de frutos são estimuladas.
Biologicamente falando, o morangueiro pode ser considerado uma planta perene, ou seja, se plantarmos uma vez e cuidarmos para que não ocorra sua morte por doenças, pode durar anos, pois vai se renovando a cada ano. 
Entretanto, o morangueiro é tratado como anual em cultivo comercial, ou seja, todo ano realiza-se um plantio e este finda normalmente após o ciclo da frutificação.
Raramente a planta terá um segundo ciclo de produção. Uma das razões para essa prática é a ocorrência de doenças no solo, que acabam comprometendo a produção do morangueiro e torna o cultivo 



quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Produção de Morango Orgânico



INTRODUÇÃO

Produzir morangos em sistema orgânico, a exemplo do tomate e da batata, ainda é tido por muitos agricultores como uma missão impossível. Para desmistificar esse pensamento, este texto reúne o conhecimento existente voltados à produção comercial de morango orgânico, até meados de 2016.
Antes de começar a produzir o morango, é importante que o produtor tenha conhecimento que, no Brasil, existe uma legislação específica para produzir e comercializar qualquer produto ou alimento orgânico. Além disso, precisamos enxergar a propriedade e o agricultor no contexto em que estão inseridos e avaliar a aptidão de ambos para o cultivo orgânico da fruta. Por fim, temos de conhecer a origem do morangueiro e o manejo orgânico dessa cultura.

A LEGISLAÇÃO BRASILEIRA PARA A PRODUÇÃO ORGÂNICA DE MORANGO

Desde o final de 2003, o Brasil conta com a Lei de Orgânicos (Lei Federal 10.831) que estabeleceu o conceito de um sistema orgânico de produção agropecuária. Por essa lei, o sistema orgânico de produção agropecuária e industrial reúne todos os sistemas agroecológicos de produção, ou seja, biodinâmico, natural, ecológico, biológico entre outros que atendam os princípios estabelecidos pela mesma.
Para os agricultores, é importante saber que para vender produtos orgânicos é necessário obter a certificação orgânica por meio de um organismo reconhecido oficialmente.
Os agricultores familiares que realizam a venda direta aos consumidores, por exemplo, em feiras livres, desde que estejam envolvidos num processo de organização e controle social e cadastrados no Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, não precisam estar certificados desde que permitam aos consumidores e ao MAPA o acesso aos locais de produção ou processamento e mantenham a rastreabilidade do produto.

De acordo com uma lista divulgada pela Agência Nacional da Vigilância Sanitária (Anvisa) , o morango é o segundo alimento com maior índice de contaminação por agrotóxico no Brasil. Por meio do Programa de Análises de Resíduos de Agrotóxicos de Alimentos , a Anvisa analisou mais de 2500 amostras de 18 tipos de alimentos diferentes. Segundo os resultados das pesquisas, quase um terço dos vegetais mais consumidos no Brasil apresenta elevado teor de agrotóxicos em suas composições.

Desde 2001 a EPAMIG realiza pesquisas com morangos no Norte de Minas, região do semiárido, com o objetivo de possibilitar o plantio da fruta em regiões de clima quente e seco. Por meio de experimentos conduzidos pela empresa, pesquisadores da EPAMIG concluíram que as altas temperaturas são fatores importantes para produção de morangos com uma redução drástica do número de agrotóxicos, isso porque o clima quente e seco inibe o desenvolvimento de doenças nas frutas.

“As condições climáticas da região do Norte de Minas propiciam a produção de morangos sem o uso de agrotóxicos. Quando há alguma ocorrência de pragas ou doenças, conseguimos combater por controle biológico”, explica o pesquisador da EPAMIG, Mário Sérgio Dias.

O pesquisador explica ainda que o morango se encaixa perfeitamente no sistema de agricultura familiar que predomina no semiárido Norte mineiro, sobretudo nos perímetros irrigados do Jaíba e do Gorutuba, nos municípios de Jaíba e Nova Porteirinha. Somente na região Norte de Minas, a EPAMIG já testou 20 variedades de morangos de diversas localidades do mundo.

Mário Sérgio Dias afirma que o sistema adequado de irrigação de morangos e as variedades com potencial tanto para a produção de mudas, quanto para a produção de frutos já é uma realidade na região do Norte do estado. “Até o momento, as cultivares Oso Grande, Dover, Camarosa e Tudla são as que mais apresentam um bom potencial de produção e comercialização na região”, destaca o pesquisador.

Foto: Erasmo Pereira 

Epamig 






terça-feira, 1 de outubro de 2019

Clima para a Goiabeira (Goiaba)



Clima
A goiabeira, planta rústica e nativa dos trópicos, apresenta fácil adaptação às variações ambientais, podendo se desenvolver em climas tropicais e subtropicais, desde o nível do mar até 1.700 m de altitude.
Em regiões de clima tropical, a goiabeira pode florescer e frutificar continuamente, ou seja, durante o ano todo, desde que haja disponibilidade hídrica no solo.
No Brasil, os cultivos de goiabeira com finalidades comerciais estendem-se desde o Estado do Rio Grande do Sul até a região Nordeste. Contudo, a viabilidade econômica do cultivo dessa espécie pode ser sensivelmente afetada pelos fatores climáticos, particularmente pela temperatura, pela radiação solar, pela umidade relativa do ar e pela disponibilidade de água no solo.
É uma cultura bastante resistente à seca e a altas temperaturas, podendo tolerar até 46 ºC. Porém, é muito sensível ao frio e não tolera geadas. Temperaturas abaixo de 12 ºC limitam a produção por inibir a emissão de brotos. 
A temperaturade -4 ºC é considerada letal para a planta. 
A faixa ideal para a exploração comercial da goiabeirasitua-se entre 25 ºC e 28 ºC. 
A temperatura média anual de 25 ºC é considerada ótima para o cultivo dessa espécie. 
Em condições de geada, a cultura pode apresentar queima das folhas e dos ramos, o que impossibilita a recuperaçãodos pomares atingidos.
No que se refere às exigências hídricas, o pomar comercial de goiabeira é bastante exigente. Sob condições de sequeiro, sua exploração comercial é possível em regiões com precipitação pluvial anual bem distribuída, variando entre 800 mm e 1.000 mm.
Em regiões com precipitação anual inferior a 600 mm, a goiabeira perde as folhas e não produz no período de estiagem. 
Para os cultivos nos quais ocorre baixa precipitação e elevada demanda atmosférica (evapotranspiração), deve-se fazer uso de irrigação complementar, pois a deficiência hídrica prolongada pode atrasar o florescimento e aumentar a queda dos frutos. 
Em climas áridos e semiáridos, onde se desenvolve uma agricultura irrigada com alta rentabilidade, é de fundamental importância o conhecimento preciso da evapotranspiração da goiabeira, a fim de que a quantidade reposta pela irrigação seja bem eficiente. Moura (2005) observou que a evapotranspiração da goiabeira irrigada no Submédio São Francisco variou entre 4,5 mm/dia e 6,1 mm/dia, com valor médio igual a 5,3 mm/dia para todo o ciclo fenológico da cultura.
A faixa de umidade relativa do ar considerada ideal para a goiabeira está entre 50% e 80%; contudo, no interior dos estados de Pernambuco e da Bahia, tem-se verificado o cultivo de pomares comerciais nos quais a umidade relativa atinge de 30% a 40%.
É uma cultura que exige calor e luminosidade para se desenvolver e produzir bem, fatores que influenciam diretamente na fotossíntese da planta. O cultivo de goiabeira deve ser feito em ambiente protegido de ventos fortes a fim de evitar o ressecamento das folhas e das flores. 
A goiabeira apresenta elevados índices de abortamento de frutos. Assim, diante da possibilidade ou da constatação de queda acentuada de flores e frutinhos (índice de abortamento superior a 60%, ou até mesmo a 70%), seja em função da ocorrência de pragas ou moléstias, seja por conta de temperaturas extremas ou de estresse hídrico, torna-se necessário quesejam realizadas ações de adequação do manejo do pomar.

Clima 2
Apesar de ser nativa de região tropical, a goiabeira vegeta e produz bem, desde ao nível do mar até à altitude de l.700 m, sendo, por essa razão, amplamente difundida em várias regiões do país. Segundo Manica, citado por Pereira & Martínez Júnior (1986), é possível encontrar pomares comerciais de goiabeira do Rio Grande do Sul ao Nordeste brasileiro. 
Para esses autores, no Planalto Paulista, onde, de um modo geral, o inverno é brando e pouco chuvoso e o verão é longo e úmido, a goiabeira apresenta ótimo desenvolvimento. Levantamentos realizados por Maia et al. (1988) dão conta da produção de goiaba de mesa em 94 municípios, destacam-se os de Campinas e Valinhos. Não obstante a adaptabilidade da goiabeira a uma faixa climática bastante ampla, alguns fatores exercem grande influência sobre o seu desempenho agronômico. 

Temperatura 
A temperatura que a goiabeira necessita para a vegetação e produção situa-se entre 25 e 30 °C, sendo muito influenciada pelo clima. A planta não desenvolve e produz em temperatura abaixo de 12 ºC. A temperatura além de limitar o desenvolvimento e crescimento da goiabeira determina a época de produção do fruto. As goiabeiras sofrem danos em regiões sujeitas a geadas e ventos fortes (SOUZA et al. 2012). Por ser de clima tropical, a abertura das flores não ocorre em climas frios e nos dias nublados ou chuvosos. 

Chuvas 
A goiabeira desenvolve melhor em regiões de clima onde a quantidade de chuvas ultrapassa 600 milímetros, sendo que a precipitação anual ideal deve estar entre 1000 e 2000 milímetros anuais, com boa distribuição de água durante o ano. Em épocas secas a irrigação é necessária para desenvolvimento e produção. 

Umidade relativa 
A umidade relativa do ar, outro fator importante para o cultivo da goiabeira, pode influir tanto no aspecto fisiológico como nas condições fitossanitárias dos frutos produzidos. 
A faixa de umidade relativa do ar mais favorável ao cultivo da goiabeira parece situar-se entre 50 e 80%. 
É importante assinalar aqui que independentemente da existência de faixas adequadas de temperatura e umidade, isoladamente consideradas, é imprescindível que os demais fatores de crescimento sejam otimizados. 

Geadas 
A goiabeira não tolera geada, causando, as mais rigorosas, queimas de folhas e ramos. Em plantas podadas, os danos são mais drásticos pela maior exposição dos ramos internos. Em algumas áreas da região Sudeste, sujeitas a geadas o produtor deverá evitar poda drástica entre os meses de junho e julho. 


segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Botânica e Melhoramento Genético da Goiabeira



Botânica e Melhoramento Genético

A goiabeira é a mais importante espécie da família Myrtaceae. Essa família é composta por 130 gêneros e 3 mil espécies de árvores e arbustos distribuídos em regiões de clima tropical e subtropical. O gênero Psidium abrange, aproximadamente, 150 espécies, muitas das quais produzem frutos.
A goiabeira é uma árvore que atinge de 3 m a 10 m de altura, tem raiz superficial e cascas lisas, esverdeadas ou amarronzadas, que se soltam em finas camadas. 
As folhas são simples, opostas e apresentam glândulas.
As flores são perfeitas, ou seja, com órgãos masculinos e femininos, isoladas ou agrupadas em duas ou três flores. O cálice é completo, tem pelos e é persistente, com quatro a seis lobos. As pétalas, em número de quatro ou cinco, são brancas, obovadas e côncavas.
Os estames são numerosos e dispostos em ruas no disco. O ovário apresenta quatro ou cinco lóculos. O fruto é uma baga, circundada pelos lobos do cálice, sendo globoso, ou ovoide,ou piriforme,com 4 cm a 10 cm de diâmetro e peso variando de 100 g a 450g.
A casca apresenta coloração de verde-clara a amarelo-brilhante, e a polpa é carnuda, de espessura variável, podendo ser de cor branca, ou amarela, ou vermelha ou rosa. As sementes são numerosas, amareladas, reniformes e com embrião curvo). 
A planta apresenta fecundação cruzada, ou seja, necessita da intervenção de insetos ou do vento para produzir frutos, porém a autofecundação é a principal forma de fecundação, a abelha Apis melifera é o principal agente polinizador.
A frutificação começa no segundo ou no terceiro ano depois do plantio no local definitivo, quando o pomar é implantado com mudas propagadas por sementes.
Pomares de goiabeira implantados com mudas propagadas vegetativamente, por estaca ou por enxertia, iniciam a frutificação com até 7 ou 8 meses de idade, depois do transplantio para o local definitivo.
Coleções de germoplasma de goiabeira podem ser encontradas na Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária (IPA) e na Universidade Estadual Paulista, em Jaboticabal, SP. Também na Embrapa Semiárido, em Petrolina, PE, há uma coleção de Psidium, formada por 117 acessos de goiabeiras e 37 de araçazeiros, coletados em dez estados brasileiros. O estudo desses materiais tem indicado a presença de grande variabilidade relacionada à cor da polpa do fruto, ao número e ao tamanho de sementes, e à forma das folhas, entre outros caracteres.
Pesquisas sobre novas cultivares de goiabeira estão sendo realizadas pela Embrapa Semiárido, em parceria com a União Europeia (Projeto GuavaMap), consistindo em estudos moleculares para a construção de mapas de ligações genéticas, na identificação de marcadores de DNA associados a caracteres de importância agronômica e na caracterização morfológica e molecularde materiais de goiabeira nativos do Brasil, do México e da Venezuela.

Classificação botânica 

A goiabeira pertence ao gênero Psidium, da família Mirtaceae (Quadro 1), que é composta por mais de 70 gêneros e 2.800 espécies, sendo que 110 a 130 espécies são naturais da América Tropical e Subtropical. 
A árvore da goiaba é classificada como um arbusto de porte pequeno (KOLLER, 1979), de tamanho entre três e seis metros de altura. As folhas organizadas como opostas, com o formato elíptico-ablongo que caem após a maturação. 
As flores da maioria das variedades comerciais são brancas, mas atualmente existem variedades ou cultivares de outras cores. São hermafroditas, que eclodem em botões isolados ou em grupos de dois ou três, sempre nas axilas das folhas e nas brotações surgidas em ramos maduros. 
No que diz respeito à polinização, sabe-se que a goiabeira apresenta fecundação cruzada, que pode variar entre plantas 25,7 a 41,3 %, considerando-se 35,6 como o índice médio. 
A abelha Apis melífera é o principal polinizador. 
Dependendo da cultivar, a frutificação da goiabeira inicia no segundo ou terceiro ano após o plantio no local definitivo. Pode ainda iniciar em idade menor da planta uma vez que varia com a cultivar. 
Quando a muda foi formada pelo processo de estaquia, este período pode reduzir bastante. Entre 47 a 70 dias surgem os botões florais e a floração ocorre entre 71 e 84 dias após a poda. Geralmente, os botões florais são formados entre 47 e 70 dias e o pegamento dos frutos ocorre em torno de 90 dias após a poda. 


domingo, 29 de setembro de 2019

Características da Cultura da Goiaba



 A goiaba é uma fruta tropical que tem tido aumento de área cultivada e produção através de uso de seleção e melhoramento de planta bem como de práticas culturais adaptadas para cada região e tipo de exploração. Seu potencial de aproveitamento é alto uma vez que pode ser consumida in natura, em forma de doce, geleias e suco. São ricas em vitamina C, sendo também fontes de vitamina B e C. A goiaba apresenta baixos índices de ácidez e por isso pode ser usada como o tomate na confecção de molhos salgados, e agridoces, sobretudo no caso de pessoas que não podem ou não aceitam alimentos que provocam acidez. De um modo geral, apresenta baixo teor de açúcar e pouca gordura, sendo indicada para qualquer tipo de dieta. De preferência, deve ser comida crua. É contraindicada apenas para pessoas que tenham o aparelho digestivo delicado ou com problemas intestinais. A goiaba é usada para controle das diarreias na infância em forma de chá, em bochechos e gargarejos com uso eficiente nas inflamações da boca e da garganta ou em lavagens de úlceras e na leucorréia que significa corrimento vaginal também chamada de vaginite e vulvovaginite. Em nível internacional, a produção brasileira de goiaba é considerada uma das mais importantes. São produzidas goiabas com a finalidade indústrial utilizando principalmente as variedades Paluma e Rica, e para consumo da fruta in natura as variedades Sassaoka e Pedro Sato dentre outras. 

Palavras chaves: Fruta tropical. Importância e uso da goiaba. Mercado. Pragas e doenças. Práticas culturais. 

Guava Cropping – From planting to plant management 
Abstract: Guava is a tropical fruit that has been an increase in acreage and production through the use of selection and plant breeding and crop practices adapted to each region and type of operation. The guava potential use is higher since it can be consumed fresh, in the form of candy, jellies and juice. It is a fruit rich in vitamin C, and also sources of vitamin B and C. Guava has low acidity and therefore can be used as the production of tomatoes in savory sauces, and bittersweet, especially for people whom cannot or do not accept food that cause acidity. In general, a low sugar content and little fat, being suitable for any diet types. Preferably, it should be eaten as dry food. It is contraindicated for people whom just have a delicate digestive or intestinal problem. Guava is used to control diarrheal diseases in childhood in the form of tea, mouthwash and gargle with efficient use in inflammations of the mouth and throat washes or ulcers and vaginal discharge leukorrhea which means also called vaginitis and vulvovaginitis. Internationally, Brazilian guava is considered one of the most important tropical fruit. Guavas are produced objecting industrial production by using Paluma and Rica varieties and for fresh consumption using Sassaoka and Pedro Sato and other varieties for fresh fruit consumption in natura. 

Key words: Crop practices. Guava importance and use. Marketing. Pest na Disease. Tropical fruits. 

Introdução 
A goiabeira é uma árvore da espécie Psidium guajava e seu fruto é conhecido como goiaba. Pertence à família Myrtaceae, cuja origem é América tropical. Considera-se que a palavra "goiaba" teve origem do termo aruaqueguaiaba, ramo linguístico a que se filiam muitas tribos do Brasil setentrional. Ocorre principalmente no Brasil e nas Antilhas. A goiabeira é uma das fruteiras de clima tropical que têm apresentado considerável aumento das áreasde plantio, sendo a maior parcela dos frutos produzidos, destinada à industrialização (NATALE et al., 2009). Ao mesmo tempo tem-se obsevado expressivo crescimento do mercado de frutas in natura, especialmente nos grandes centros urbanos. 
O Brasil é considerado o maior produtor mundial de goiabas vermelhas produzidas para a indústria incluindo as variedades "Paluma" e "Rica", entre outras e para consumo in natura, variedades "Sassaoka" e "Pedro sato", entre outras.Os maiores produtores mundiais dessa fruta são a Índia, o Paquistão, o Brasil, o Egito, a Venezuela, a América do Norte, a África do Sul, o México, a Austrália e o Quênia. A exportação brasileira de goiabas e produtos derivados sempre ocorreu em pequenas quantidades, essencialmente para França, Alemanha, Estados Unidos, Argentina, Paraguai e Bolívia. 
Aproximadamente uma década, houve um aumento no interesse por frutas tropicais e seus sucos. Tem sido solicitada importação por alguns países europeus e pelos norte americanos e com isso propiciando novas possibilidades de negócios com polpas e frutos naturais produzidos no Brasil. Empresas, especializadas em exportações de polpa de goiaba estão se organizando para entrar com o fruto e seus derivados no comércio internacional de acordo com as normas de cada país. 
Para fins comerciais, a goiabeira está sendo cultivada no Brasil em quase todas as regiões sobressaindo na produção os Estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, na Região Sudeste; Bahia, Pernambuco e Paraíba, na Região Nordeste; Goiás, na Região Centro-Oeste e Rio Grande do Sul e Paraná, na Região Sul (PEREIRA, 1995). 

Importância da Cultura
A goiaba tem grau de aceitação nos mercados interno e externo, sendo uma das principais matérias-primas utilizadas pela indústria brasileira de conservas, permitindo várias formas de aproveitamento.
Atualmente se tem uma alta demanda por polpa congelada de goiaba no País, tanto para indústria de sucos como para a produção de sorvetes, doces e geleias.
Esta fruta apresenta um dos maiores teores de vitamina C, com valores superiores em até seis vezes aos do fruto cítrico, que é uma fonte tradicional dessa vitamina. A goiaba se destaca ainda pelo seu elevado conteúdo de açúcar, vitamina A e vitaminas do grupo B.
A espécie produz em praticamente todo o território brasileiro, desenvolvendo-se satisfatoriamente em quase todo o tipo de clima e solo. Para otimizar a produção quantitativa e qualitativamente, é fundamental que haja maior incremento do nível técnico dos cultivos, desde o plantio de variedades selecionadas até os cuidados com a apresentação dos frutos destinados ao mercado.
O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de goiaba. Os Estados de São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco respondem, juntos, por aproximadamente 74% da produção nacional da fruta.
Tem sido exportada quase que exclusivamente para a Europa, por via aérea, cujo mercado tem nítida preferência por frutas de aroma e sabor delicados, e de frutos de primeira qualidade, com uma ótima apresentação visual.
Na comercialização da fruta, exigem-se bom aspecto, tamanho proporcionalmente grande e sem defeitos na aparência, característica que exerce uma grande atração no consumidor. No mercado para consumo in natura, as frutas são classificadas pelo seu tamanho, aparência e estado de maturação.
As exportações brasileiras de goiaba são insignificantes, devendo-se isso a diversos fatores, entre os quais: o pouco conhecimento do produtor por parte dos consumidores nos mercados externos, a fragilidade do produto na fase pós-colheita, falta de tradição do Brasil como exportador de frutas e o fato de o preço final de venda no mercado externo ser elevado.

A Goiabeira
A goiabeira (Psidium guajava L.) é nativa da América do Sul (RISTERUCCI et al., 2005), de onde foi levada, pelos navegantes europeus, para as colônias africanas
e asiáticas, tendo se espalhado para todas as regiões tropicais.
A goiabeira ocupa lugar de destaque entre as frutas tropicais brasileiras, posição garantida pelo seu agradável aroma e sabor peculiar, e também pelo seu elevado
valor nutricional. Além de ser consumida in natura, a goiaba é utilizada na indústria
de processamento de sucos, néctares, polpas, sorvetes, geleias e compotas, bem
como serve de ingrediente na preparação de iogurtes, gelatinas e, recentemente, de molho
agridoce (guatchup). A goiaba é importante fonte de vitamina C, cujo teor, nessa fruta,
é seis a sete vezes maior que em outros frutos
cítricos. Contém altos teores de açúcares, vitamina A e vitaminas do grupo B, como a
tiamina e a niacina, além de teor significativo de fósforo, potássio, ferro e cálcio, sendo também rica em fibras.
O comércio internacional da goiaba brasileira e seus derivados é tímido se comparado à dimensão da exportação brasileira de outras frutas, como a banana, a laranja e a uva. Um dos motivos a justificar esse baixo desempenho é a preferência do consumidor estrangeiro pela goiaba de polpa branca, em desacordo com a tendência da produção brasileira de goiaba, praticamente direcionada à produção de frutos de polpa vermelha, para atender à preferência do povo brasileiro.
Segundo dados do Agrianual (2008), o Brasil produz em torno de 345.500 t de frutos por ano, numa área de cerca de 16 mil hectares, destacando-se como um dos maiores produtores mundiais. Os estados de São Paulo, Pernambuco, Goiás e Bahia respondem por mais de 70% da produção nacional (IBGE, 2008).
O Semiárido Nordestino é um importante polo de produção de frutas, onde a goiaba é uma ótima opção para a diversificação da fruticultura regional. A plantação do Vale do São Francisco, por exemplo, ocupa uma área de aproximadamente 5 mil hectares.
Nessa região, os principais produtores são os estados de Pernambuco (4.512 ha) e Bahia (883 ha). Entretanto, com a crescente expansão dos polos de irrigação na região Semiárida do
Nordeste, estão surgindo polos de produção de goiaba em outros estados, principalmente no Ceará e no Rio Grande do Norte.
Para aumentar a oferta de produtos de qualidade e, assim, expandir a comercialização de goiaba nos mercados interno e externo, o setor precisa superar alguns obstáculos, entre os quais ganham destaque: a ausência de tecnificação do cultivo, a falta de divulgação do produto em importantes centros de consumo e as débeis estratégias de comercialização.
Esperando contribuir para a sustentabilidade e o crescimento desse importante segmento do agronegócio regional, a Embrapa Semiárido, por intermédio deste livro, coloca à disposição de produtores e técnicos interessados na cultura da goiaba informações gerais sobre preparo de solo, técnicas de plantio, manejo da cultura, tratos fitossanitários, colheita, pós-colheita, processamento da fruta e comercialização.